terça-feira, 11 de abril de 2023

Acidentes de Páscoa/Chefe do Serviço de Urgência do HNSM considera de negativo  balanço da quadra festiva por ter registado uma vítima mortal

Bissau 11 Abr 23 (ANG) – A Enfermeira-chefe dos Serviços de Urgência do Hospital Nacional Simão Mendes(HNSM), disse que receberam durante os festejos da Páscoa 35 casos entre os quais 06 de acidentes de viação e 07 de agressões físicas, tendo sido verificado uma morte provocada por acidente de viação.

Signeia Tomás Mendes falava esta segunda-feira em conferência de imprensa, no  balanço dos festejos de Páscoa.

Aquela responsável disse que o acidente que provocou  um óbito aconteceu na madrugada de Domingo para segunda-feira por volta de 01 h 30, no Bairro de Quelélé, em Bissau, e diz que, quando uma vida é perdida mancha o resto do trabalho positivo feito, apesar de ninguém desejar isso”.

“Nos casos de agressões físicas tivemos dois em estado grave com cortes do tendão , que receberam tratamentos e foram mandados para as suas casas sem riscos maiores. Por isso, apelamos às pessoas, principalmente aos condutores para não conduzirem sob efeito do álcool”, disse.

Signeia Tomas Mendes chamou a atenção das pessoas para andarem com peças de identificação sempre que saem de casa, frisando que quando pacientes  de acidente entram nos Serviços de Urgência, mesmo em casos de óbitos, essas pessoas ficam sem ser identificadas ou dão muita dor de cabeça aos técnicos quanto a necessidade de contactar aos familiares.ANG/MSC/ÂC//SG


Legislativas antecipadas
/Centif pede transparência sobre origem de fundos de campanhas eleitorais

Bissau, 11 Abr 23 (ANG) – O presidente da Célula Nacional de Tratamento de Informação Financeira (Centif) da Guiné-Bissau, Justino de Sá, pedeu hoje mais transparência sobre a proveniência dos fundos utilizados nas campanhas eleitorais, alertando para a necessidade de se cumprir a lei.

“É uma preocupação. Todos nós sabemos que durante o período da campanha os partidos usam ou recorrem a fundos de que ninguém sabe a proveniência”, disse Justino de Sá, em declarações à Lusa.

O responsável pelo organismo de prevenção do branqueamento de capitais questionou a origem dos fundos que financiam algumas “campanhas de luxo”, tendo em conta que na Guiné-Bissau a “maior parte dos militantes não pagam quotas”.

“Ninguém sabe a proveniência dos fundos e quando é assim é bom chamar a atenção. Pode acontecer que os supostos financiadores podem aproveitar-se da circunstância, sendo a Guiné-Bissau um país muito frágil, para fazer passar esses fundos de origem supostamente criminosa”, advertiu Justino de Sá.

Para o responsável, a Polícia Judiciária e o Ministério Público devem estar alerta, mas também os decisores políticos.

A lei eleitoral da Guiné-Bissau determina que o financiamento da campanha eleitoral apenas pode ser feito através de contribuições do Estado, de partidos congéneres, de voluntários eleitores, dos próprios candidatos e partidos políticos e de produto de atividade da campanha eleitoral.

A lei interdita o financiamento de campanhas eleitorais por parte de governos estrangeiros e organizações governamentais estrangeiras.

A mesma lei determina igualmente que as “entidades concorrentes devem, no prazo máximo de 60 dias após a proclamação oficial dos resultados do escrutínio, prestar contas discriminadas da sua campanha eleitoral à Comissão Nacional de Eleições”, que as publica no Boletim Oficial, depois de apreciar a regularidade das receitas e despesas.

“Isso é uma da possibilidade de se controlar, mas isso não acontece no nosso país. Quer dizer que as pessoas não estão a cumprir a lei e quem tem de exigir isso é a CNE. A CNE é uma identidade criada pelo estado para velar o cumprimento da lei e havendo incumprimento recorre ao Ministério Público para obrigar as pessoas a cumprirem, porque isso é uma forma do Estado controlar a proveniência dos fundos”, afirmou Justino de Sá.

“Nós queremos saber a proveniência desses fundos, mas não temos instrumentos jurídicos para fazer valer essa nossa pretensão, mas a CNE pode e terminando a campanha os partidos têm de justificar”, insistiu o presidente da Centif.

A Guiné-Bissau realiza eleições legislativas em 04 de junho e o início da campanha eleitoral está marcado para 13 de maio.  ANG/Lusa

 

Obituário/MADEM-G15 endereça suas condolências à Direção do PAIGC e à família do malogrado Augusto Olivais

Bissau, 11 Abr 23 (ANG) - O Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15) endereçou as suas condolências à Direção do Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e à família do malogrado Augusto Olivais.

A informação consta na Nota de Condolência do MADEM-G15 à que a ANG teve acesso hoje e através da qual o partido coordenado por Braima Camará manifesta a sua solidariedade para com  à Direção do PAIGC e à família do malogrado  Augusto Olivais que deixou este mundo no dia   07 de Abril em curso, em Lisboa/Portugal vítima de  doença prolongada.

“O falecimento do Augusto Olivais ocorrido em Portugal trata-se de uma enorme perda para o país e para a política guineense, pois ele era um quadro de referência nacional”, lê-se na Nota de Imprensa do MADEM G15.

O malogrado foi deputado da nação por diversas vezes além de ter desempenhado as funções de primeiro Vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP)  e Secretário nacional do Partido  Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Formado em Psicologia, Augusto Olivais foi por vários anos membro da Comissão Permanente, do Bureau político e do Comité Central  do PAIGC, e fez  toda a sua carreira política nessa formação política. ANG/AALS/ÂC//SG

 

  ONU/Secretário-geral  visita Somália, assolada por confrontos e catástrofes

 Bissau, 11 Abr 23(ANG) – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, iniciou hoje em Mogadíscio uma visita à Somália, assolada por conflitos e por catástrofes.


Guterres foi recebido à chegada ao aeroporto da capital somali pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abshir Omar Huruse, de acordo com imagens publicadas nas redes sociais.

As autoridades somalis reforçaram drasticamente a segurança em Mogadíscio para a visita, feita sem aviso prévio. A maioria das estradas foram encerradas e os transportes públicos restringidos.

A chegada do líder das Nações Unidas ocorre quando o país sofre uma seca calamitosa, com sério impacto na alimentação da população, enquanto o Governo continua empenhado numa grande ofensiva para combater uma ofensiva sangrenta de grupos extremistas islâmicos.

A ONU lançou um apelo para angariar 2,6 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) em ajuda humanitária para o país africano, mas o financiamento ronda apenas os 13%.

Cerca de metade da população precisa de assistência humanitária este ano, com 8,3 milhões de pessoas afetadas pela seca, de acordo com a ONU.

“A crise está longe de ter terminado, as necessidades continuam elevadas e urgentes”, disse na semana passada em Genebra o coordenador da ONU para a Somália, Adam Abdelmoula.

“Algumas das áreas mais afetadas continuam a enfrentar o risco de fome”, advertiu.

ANG/Inforpress/Lusa


Irlanda do Norte/ Londres alerta para risco terrorista em 25° aniversário do acordo de paz

Bissau, 11 Abr 23 (ANG) - A Irlanda do Norte celebra o 25.º aniversário do acordo de paz, o Acordo de Sexta-feira Santa que pôs fim a três décadas de um violento conflito na Irlanda do Norte em que mais de 3500 pessoas morreram.

Comemora-se a paz, mas entre unionistas e republicanos o impasse político continua e Londres aumentou o nível de ameaaça terrorista no país para o máximo. 

"Coragem, persistência e imaginação”. Foram estas as qualidades que os líderes políticos da Irlanda do Norte mostraram há 25 anos, quando assinaram o acordo de paz, disse hoje o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, deixando uma mensagem aos actuais dirigentes partidários para romperem o impasse político.

Há mais de um ano que a Irlanda do Norte está sem governo e o impasse político entre Republicanos e Unionistas perdura, os últimos recusando-se a formar um governo. 

O Partido Democrata Unionista iniciou o boicote, em protesto contra os acordos comerciais pós-Brexit. O regresso das instituições regionais continua sem data marcada e este impasse está não só a ensombrar o aniversário como a pôr em risco o processo de paz. A polícia aumentou o nível de alerta para o risco de ataques terroristas. 

Em causa está a actividade dos dissidentes republicanos, conhecidos como o novo IRA e que nunca aceitaram o acordo feito há 25 anos. Mas o perigo chega também das milícias paramilitares chamadas leais, por defenderem a união ao Reino Unido.

Quando o presidente norte-americano, Joe Biden, aterrar na terça-feira em Belfast para marcar o aniversário, será recebido sem a fanfarra que seria de esperar.

Biden vai certamente pedir aos líderes políticos para restaurarem as instituições regionais. Mas os unionistas receiam que ceder agora sobre a fronteira comercial com o Reino Unido resulte a médio e longo prazo numa integração política do território na República da Irlanda.

Precisamente aquilo que os fez lutar durante 30 anos até ao acordo de paz de 1998. ANG/RFI

 


             Estados Unidos
/ Pentágono abre inquérito sobre fuga de informação

 Bissau, 11 Abr 23 (ANG) - O Pentágono e o Departamento de Justiça norte-americana abriram no Domingo investigações após terem sido divulgados na Internet documentos secretos de defesa sobre a Ucrânia, Israel e Coreia do Sul.

Altos funcionários acreditam que o responsável trabalhe dentro dos serviços de informação.

Esta investigação tem por objectivo encontrar o responsável por divulgar documentos secretos sobre a espionagem norte-americana.

No início da semana passada uma série de documentos altamente confidenciais supostamente pertencentes ao Pentágono e outras agências norte-americanas, começaram a circular no Telegram e na imprensa local, e abordavam o grau de envolvimento dos Estados Unidos no conflito na Ucrânia.

Posteriormente, no final de semana, cerca de 100 documentos secretos do Pentágono voltaram a ser divulgados no Twitter, revelando aparentemente informações confidenciais que as agências de espionagem norte-americanas tinham obtido, não só sobre a Rússia e a Ucrânia, mas também sobre aliados, como Israel e a Coreia do Sul.

De acordo com os documentos, os serviços secretos eram informados com antecedência sobre os alvos dos bombardeamentos russos e tinham estimativas sobre as baixas de ambos os lados. Os documentos revelaram ainda a espionagem a altos funcionários de Kiev.

Outras informações nos documentos também abordavam as alegadas tentativas do grupo Wagner de comprar armas à Turquia através do Mali e o debate no seio do governo sul-coreano sobre a entrega de munições à Ucrânia. Um documento sugeriu que um pequeno contingente de menos de 100 pessoas de operações especiais de países-membros da NATO, nomeadamente da França, Estados Unidos, Reino Unido e da Letónia estão a operar na Ucrânia.

Por enquanto a veracidade dos documentos ainda não foi confirmada pelas agências de Estado e tampouco pela imprensa norte-americana. Os respectivos departamentos insistem em não dar mais detalhes a respeito do ocorrido.

Diversos altos funcionários acreditam que o responsável trabalha dentro dos serviços de comunicação norte-americana, como relatou Michael Mulroy, um ex-funcionário do Pentágono à Reuters. “O foco agora é que isso seja uma fuga de informação dos Estados Unidos, já que muitos dos documentos estavam apenas nas mãos dos Estados Unidos”, avançou.

Embora a investigação ainda esteja num estágio inicial, as autoridades tampouco descartam a possibilidade de que elementos pró-Rússia tenham orquestrado esta operação.

Estes documentos estão a gerar uma onda de reacções por parte dos aliados dos Estados Unidos, que têm sido forçados a negar as supostas informações que figuram nos documentos.

O serviço de inteligência de Israel, o Mossad, divulgou neste Domingo (9) um comunicado para negar que a instituição favoreceu as manifestações anti-Netanyahu, tal como referido nestes documentos.

No sábado à noite, o Ministério da Defesa francês negou que houvesse soldados franceses na Ucrânia. "Não há forças francesas envolvidas em operações na Ucrânia", disse o ministro das Forças Armadas, Sébastien Lecornu. "Os documentos citados não provêm dos exércitos franceses. Não comentamos os documentos cuja fonte é incerta", avançou.

Kiev também teve de vir a público para negar a autenticidade dos números de baixas e perda de material que figuram nos documentos, que pesam negativamente para o lado ucraniano.

O governo sul-coreano disse neste Domingo que está ciente de que novos documentos “sugerem que a inteligência norte-americana espionava os seus aliados em Seul”, e que estão a planear conversar com Washington. Porém, o governo preferiu não responder às alegações de dois documentos, que apontam que a Coreia do Sul está preocupada com a pressão exercida pelos Estados Unidos para que ajude a Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou, esta segunda-feira, as acusações de que a Rússia poderá estar por detrás da divulgação dos documentos. Peskov acrescento que existe “uma tendência para culpar a Rússia por tudo”. ANG/RFI

 

Austrália/Mais de 80 parlamentares australianos e britânicos pedem a libertação de Julian Assange

Bissau,11 Abr 23 (ANG) – Mais de 80 parlamentares australianos e britânicos pediram hoje ao procurador-geral dos Estados Unidos, Merrick B. Garland, que encerre o processo de extradição de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, quando se assinala quatro anos da sua prisão no Reino Unido.

“Apelamos que abandone o pedido de extradição e permita que o senhor Assange regresse a casa”, é referido no pedido, realizado através de uma carta assinada por mais de 80 parlamentares britânicos e australianos - nomeadamente por 48 legisladores da Austrália, tanto de partidos da oposição como do Governo.

Os parlamentares da Austrália declararam que Assange – cidadão australiano, de 51 anos - publicou “informação com evidências” sobre “crimes contra a humanidade, corrupção e abusos dos direitos humanos” realizados pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.

Assange está desde 11 de abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, no sudeste de Londres, desde que o Equador lhe retirou o asilo político e o expulsou da sua embaixada na capital britânica.

O fundador do WikiLeaks aguarda a resolução do processo de extradição para os Estados Unidos, onde poderá ser julgado por 18 crimes de espionagem e invasão informática.

Os parlamentares australianos declararam que Assange “já ficou efetivamente encarcerado por muito tempo, bastante mais do que uma década” e sugeriram que seja tratado como a ex-analista de informação do exército norte-americano Chelsea Manning - que entregou informações secretas ao WikiLeaks -, que foi libertada após a sua pena de prisão de 35 anos ter sido comutada em 2017.

“Se o pedido de extradição for aprovado, os australianos serão testemunhas da deportação de um dos nossos cidadãos, de um parceiro da AUKUS a outro, nosso aliado estratégico mais próximo”, sublinhou a carta, referindo ao recente pacto de segurança assinado por Washington, Camberra e Londres.

Mais de 30 legisladores britânicos também recordaram que as 18 acusações que pesam sobre Assange, que poderia chegar a 175 anos de prisão num julgamento, teria um “impacto assustador” no exercício do jornalismo e seria um “precedente” perigoso para outros repórteres e meios de comunicação.

Assange foi inicialmente detido em 2010 - logo após o WikiLeaks expor os supostos crimes de guerra dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão - a pedido da Suécia, que o queria interrogar sobre alegados crimes sexuais pelos quais nunca foi acusado, num caso que acabou por ser arquivado.

 

 

O fundador do WikiLeaks, que garante que as ações judiciais contra si respondem a uma perseguição política dos Estados Unidos pela divulgação de vários casos através do WikiLeaks, aguarda a decisão do Tribunal Superior de Londres. ANG/Lusa/Fim

 

segunda-feira, 10 de abril de 2023

          Obiuário/Augusto Olivais morre em Lisboa por doença prolongada

Bissau, 10 Abr 23 (ANG) - O antigo vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP) e dirigente do PAIGC, Augusto Olivais, morreu na sexta-feira, 07 de Abril , vítima de doença prolongada, em Lisboa, Portugal.


O também antigo secretário- geral do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) encontrava-se em Portugal, em tratamento há quase um ano, disse a O Democrata uma fonte partidária em Bissau.

Augusto Olivais foi por várias vezes deputado da nação, tendo assumido, depois do golpe de Estado de 2012, as funções do vice-presidente da ANP, depois de uma “engenharia política”, na sequência da indicação do antigo presidente do Parlamento, Manuel Serifo Nhamadjo, para funções do Presidente de Transição na Guiné-Bissau. 

Refira-se que Augusto Olivais chegou a ser proposto pelo Presidente da República, José Mário Vaz, para primeiro-ministro, mas que devido às divergências políticas entre o bloco constituído por Partido da Renovação Social e os 15 deputados dissidentes do PAIGC (atual MADEM- G15),de um lado, e o PAIGC e seus aliados (UM e PCD) de outro , foi finalmente nomeado Umaro Sissoco Embaló, atual chefe de Estado, para as funções de primeiro-ministro,  à18 de Novembro de 2016, depois do tão propalado acordo de Conacri.

Olivais, psicólogo de formação, foi por vários anos membro da Comissão Permanente, do Bureau político e do Comité Central. 

Em reação à sua morte, o partido do qual fazia parte lembrou que o malogrado fez toda a sua carreira política no PAIGC.  ANG/O Democrata 

 

CEDEAO/ Ex-ministro das Finanças, Aladje Fadia fala de suas novas funções de Editor-geral 

Bissau, 10 Abr 23 (ANG) – O Ex-ministro das Finanças, João Aladje Mamadú Fadia disse em entrevista ao jornal O Democrata que as suas novas funções é certificar se as contribuições dos Estados membors da CEDEAO são bem geridas.

 

Fadia esteve em Bissau no âmbito da reunião do Comité ministerial sobre o programa da moeda única da CEDEAO, realizada no passado dia 17 de Março, cujo objetivo era procurar consensos sobre a maioria, ou seja a maioria das metas a satisfazer no quadro do pacto de convergência e estabilidade macroeconómica entre os Estados membros da sub-região, para o lançamento da moeda única, em Janeiro de 2027. 

Fadia, que fez toda a sua carreira Banco Central Estados Africa Ocidental(BECEAO), foi indicado para ocupar a função do Auditor Geral da Comissão da CEDEAO, em julho de 2022, pelo Presidente da República, igualmente presidente em exercício da Conferência de chefes de Estado e do Governo da CEDEAO, Umaro Sissoco Embaló.

O Gabinete de Auditoria Geral foi criado em 2018, como uma instituição especializada da organização, e foi-lhe atribuída a competência para auditar mais de 30 instituições da CEDEAO, por isso reporta ao Conselho de Ministros nas suas sessões periódicas e com o propósito de mostrar como estão a ser utilizados os recursos, que são afetados a todas as agências, centros, programas e projetos da organização.  

João Alage Mamadu Fadia disse que o trabalho do gabinete que dirige é certificar-se se as contribuições dos cidadãos dos países que constituem aquela organização comunitária e os recursos disponibilizados pelos parceiros internacionais estão a ser bem geridos.

“A CEDEAO funciona com base nas contribuições da comunidade, através dos impostos dos cidadãos da comunidade e dos apoios dos seus parceiros. O nosso trabalho é certificarmo-nos se esses recursos que anualmente são distribuídos na base da proposta do orçamento adotado ao mais alto nível são bem geridos. A intenção é assegurar a boa gestão destes recursos”, disse. 

Explicou que o gabinete que dirige tem duas direções, sendo uma a direção da auditoria encarregue da auditoria tradicional, que analisa os recursos dados às agências, centros, departamentos e se funcionam bem ou se são respeitados os controlos internos, a questão de gestão de recursos e como estão a ser implementados, sobretudo para precaver tudo o que são perdas, fraudes, desvios de regulamentos e ver se são respeitadas todas as regras.  

“Temos uma segunda direção que é a direção da auditoria do desempenho de programas, que para mim é hoje o coração do Gabinete da Auditoria, porque essa direção é que vai avaliar se os programas que a CEDEAO implementa ou os recursos disponibilizados para programas específicos estão bem executados ou ver se se atinge os resultados esperados.

A CEDEAO tem programas no setor da agricultura, pecuária, águas, juventude, mulheres, concorrência, controlo da zona marítima, eletricidade, energia solar, entre outros. Esses programas são espelhados em todos os países membros da organização ” assegurou, acrescentando que a CEDEAO é uma organização bem concebida na África, com programas que cobrem tudo o que permite a promoção de uma boa integração e o desenvolvimento dos países membros.

Afirmou que a parte ligada à auditoria do desempenho é crucial para o seu gabinete, lembrando que a CEDEAO leva a cabo uma reforma institucional que visa transformar a organização numa instituição de povos, não de uma associação de estados.

Questionado se o gabinete criado em 2018 conseguiu, apesar dos constrangimentos em virtude da pandemia do coronavírus, auditar alguma agência ou centros da CEDEAO, respondeu que o seu gabinete conseguiu fazer muitas auditorias, tendo recordado que a pandemia acabou em 2021 e que “na medida do possível, fez-se alguns controlos a distância”.

Acrescentou que o sistema operacional está informatizado, o que permitiu ao gabinete fazer o seu trabalho.

Informou que, com o fim das restrições impostas na vigência da pandemia e a partir de 1 de março, depois das planificações, foi colocada toda a equipa no terreno para correr atrás das comissões para auditar os vários departamentos da organização, de forma a colocar à disposição das autoridades informações úteis que permitam avaliar o desempenho dos seus departamentos. 

Solicitado a pronunciar-se sobre os desafios do seu trabalho de auditor geral numa organização dominada por anglófonos e francófonos, diz que a CEDEAO é uma instituição formada por 15 países e que tem como língua oficial de trabalho, o inglês, o francês e o português.

“Eu falo português quando quero. O grosso do staff com quem trabalho falamos em inglês e francês, mas as missões do trabalho elaboram os seus relatórios que são traduzidos para as três línguas de trabalho da CEDEAO. Graças a Deus, eu já vinha de uma experiência de trabalho numa instituição também da comunidade, embora a sua língua de trabalho seja o francês. Aqui tive que adaptar-me, mas não foi muito difícil”, notou.

Questionado ainda sobre os mecanismos que devem ser adotados, de acordo com a sua experiência, para ultrapassar as divergências registadas no comité ministerial sobre o programa da moeda única, no concernente ao consenso sobre a maioria, ou seja a satisfação da maioria das metas estabelcidas no  pacto de convergência e estabilidade macroeconómica entre os Estados membros, referiu que geriu este dossiê enquanto ministro das Finanças e como membro do Conselho de Ministros e do comité de programa sobre a moeda única.

 “É natural que haja toda essa manifestação de preocupações no início. Em boa verdade foram definidos critérios para a convergência e quem os cumprir entra no programa. O problema aqui é que os países  compreendam, talvez alguns se  sintam mais à vontade por respeitarem os critérios e outros por situações que enfrentam ou por dificuldades económicas não estejam muito à vontade como outros”, disse, referindo que os oito países da União Económica Monetária Oeste Africana (UEMOA), organização  da qual a Guiné-Bissau faz parte, já estão habituados a respeitar um certo número de critérios que suscitam uma certa convergência nas políticas mais do que os restantes países que ainda não fazem parte de nenhuma união.

Recordou que estes países queriam criar no passado uma moeda e uma zona monetária que inclusive deram o nome “ZEMOA”, mas que infelizmente não conseguiram avançar e que cada país gere a sua moeda, sobretudo a sua política monetária e económica de forma independente. Acrescentou que largar tudo isso e aderir a uma moeda única, muitos países não se sentem à vontade, contudo afiançou que existe uma vontade política.

Na sua opinião, avança que é possível alcançar um resultado positivo com a vontade política que se constata no seio dos países membros.

Interrogado se as divergências registadas em torno da maioria sobre o consenso não ameaça o calendário para o lançamento da moeda, previsto para o 2027, respondeu que é bom tomar em conta a situação de incertezas que se regista no mundo, particularmente com o impacto causado pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia que, segundo a sua explicação, criou uma tensão inflacionista para todos os países e até aos países da zona euro, também os Estados Unidos de América estão a experimentar um período de tensão inflacionista.

“Nós, os países africanos e outros países no mundo confrontamo-nos com essa situação, porque também importamos alguma coisa, combustíveis, cereais e outros produtos. A inflação é um dos critérios de convergência, portanto nada garante aos restos dos países fora da UEMOA que vão conseguir respeitar esse critério, daí que o horizonte 2027 mantém-se para o lançamento da moeda única da CEDEAO, por isso convocou-se essa reunião do comité ministerial para analisar a situação e o que é preciso fazer para encontrar uma saída aos obstáculos”, referiu.  

Solicitado ainda a pronunciar-se sobre as dívidas dos países da CEDEAO que ultrapassam a barra de 60 a 80 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), reapondeu que a dívida é uma coisa normal nos Estados, acrescentando que mesmo as famílias ou indivíduos endividam-se para sustentar as suas necessidades.  Frisou que “a questão da dívida, desde que seja sustentável e que o estado devedor tenha a capacidade de reembolsar, não é um problema”.

“Os Estados Unidos da América, a primeira economia do mundo e seguida pela China, têm uma dívida enorme que ultrapassa, acho eu, o seu PIB. Na Europa, podemos encontrar países como Portugal com a dívida, se a memória não me trai, que ultrapassa o seu PIB. Cabo Verde, por exemplo, tem uma dívida que ultrapassa cem por cento do seu PIB”, disse, avançando que a dívida não é um problema e o grande problema é a qualidade da dívida, sobretudo onde é que vai se aplicar a dívida e a capacidade em termos da gestão da dívida e o reembolso.

“Cada país é um caso, portanto não podemos generalizar as coisas. Às vezes generalizámos as coisas para adotar critérios suscetíveis de nivelar um pouco o espaço para que todos andemos no mesmo comprimento de onda. Mas eu penso que os países precisam endividar-se, mas quando falha alguma coisa, é grave. Parece-me que o Gana está com problemas de dívida neste momento. Para mim, é um problema complicado, que deve ser gerido no dia-a-dia do país”, notou.

Questionado sobre a situação financeira da Guiné-Bissau que conseguiu aprovar o programa financeiro com o Fundo Mundial Internacional e o acordo com o Banco Mundial, disse que a aprovação do programa com o fundo monetário por si só, já é uma garantia.

Fadia assegurou que neste momento, a Guiné-Bissau deu um passo muito positivo com a aprovação do programa com o fundo, lembrando que desde 2018 que a Guiné não tem um programa com o fundo monetário. Afirmou, neste particular que, havendo já um programa com o fundo, a situação económica do país é avaliada positivamente, contudo alertou que a Guiné-Bissau continua a ter problemas sérios que têm a ver com as despesas.

“A nossa receita não chega para as despesas, porque uma boa parte das despesas correntes, desde salários até aos pequenos pormenores absorvem quase a totalidade das receitas. Isso é um grande problema na Guiné”, advertiu, apontando como solução o pagamento dos impostos pelos cidadãos.

Interrogado sobre o valor recolhido com o imposto da democracia no período em que dirigia as Finanças, frisou que não se lembra do valor  exato, mas assegurou que se situa acima de um bilião de francos CFA anualmente. Sublinhou que o dinheiro recolhido no âmbito do imposto da democracia é que está a financiar todo o processo do recenseamento eleitoral que “considero de qualidade”, porque “as máquinas são de qualidade reconhecida por todos os guineenses”.    

O antigo ministro das Finanças da Guiné-Bissau e atualmente Auditor Geral da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), João Alage Mamadu Fadia, ainda falou dos resultados da decisão de criação do Imposto da Democracia, e revela que no período em que dirigia as finanças, o valor recolhido do imposto da democracia era avaliado em  mil milhões de  francos cfa anualmente.   

“Quando lançámos os novos impostos, nomeadamente o imposto da democracia, as pessoas falaram muito. Hoje o mundo respeita-nos como um Estado, porque estamos a organizar e a sustentar as nossas eleições, o que até é uma imposição constitucional e democrática, organizar as eleições periodicamente, às quais os partidos e indivíduos possam concorrer. Mas não podemos escrever isso na nossa constituição!? Ficarmos à espera que alguém de fora venha dar-nos uma mãozinha, e se não der?”, questionou, lembrando que as pessoas fizeram muito barulho aquando da implementação dos novos impostos, para de seguida afirmar, neste particular, que “hoje o país tem algumas estradas feitas com recursos internos, sinais de desenvolvimento com recursos internos”, disse.

O Gabinete do Auditor Geral da CEDEAO tem sede em Abuja, na Nigéria. ANG/O Democrata

    Regiões/ “80% dos pontos de água” de Como e Tombali não funcionam

 Bissau, 10 Abr 23 (ANG) - As populações das zonas de Como e Tombali na Guiné-Bissau estão a abandonar as suas casas devido à escassez de água potável.

Segundo a  RFI, a directora-geral dos recursos hídricos da Guiné-Bissau, Fátima Assad Mezé, confirma que no sector de Como “80% dos pontos de água” não funcionam, por falta de "reparações regulares".

A denúncia é do régulo da região de Tombali, sul da Guiné-Bissau, Malam Sambú, que acrescenta que as pessoas estão a consumir água imprópria e lamenta que essas zonas tenham sido abandonadas e isoladas do resto do país pelas autoridades nacionais.

Dados do MICS 6/2019 (Inquérito aos Indicadores Múltiplos da Guiné-Bissau) estimam que a cobertura actual dos serviços básicos de água a nível nacional é de 67%.

Contactada pela RFI, a directora-geral dos recursos hídricos da Guiné-Bissau, Fátima Assad Mezé, confirma as limitações de abastecimento de água nesta região: “é a zona que tem mais fraca cobertura a nível nacional. Não só pelas limitações financeiras, mas também pelo contexto geológico”.

Nas zonas rurais da Guiné-Bissau, as infra-estruturas mais utilizadas para o abastecimento de água são bombas de motricidade humana. Fátima Assad Mezé avança que no sector de Como “80% dos pontos de água” não funcionam, por falta de “reparações regulares”.

Dizem os últimos relatórios que 26% da população mundial não tem acesso à água potável, ou seja dois mil milhões de habitantes. Cerca de 46% dos habitantes do planeta Terra não possuem serviços de saneamento seguros, o equivalente a 3,6 mil milhões de pessoas.

Em todo o mundo, mais de mil crianças menores de cinco anos morrem todos os dias de doenças relacionadas com problemas de água. Pelo menos 500 milhões de pessoas defecam a céu aberto e milhões de meninas e mulheres caminham horas diariamente para conseguir água potável.

Os números são do último relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, divulgado em Março na Conferência da ONU sobre Água, em Nova Iorque. 

O mesmo estudo avança, ainda, que até 2050 a falta de água potável deverá atingir até 2,4 mil milhões de pessoas.  

A esse propósito, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, sublinhou que 75% dos desastres naturais estão relacionados à água, alertando para “consumo vampírico e uso insustentável” deste recurso. ANG/RFI

       RDC/Prisão perpétua para seis acusados de matar embaixador italiano

Bissau, 10 Abr 23 (ANG) - Seis homens foram condenados a prisão perpétua em Kinshasa, na quarta-feira, pelo assassinato do embaixador italiano, do seu guarda-costas e de um motorista em Fevereiro de 2021 na zona leste da República Democrática do Congo (RDC).

A pena de morte tinha sido solicitada pela acusação, mas não foi aceite pelo Tribunal Militar da guarnição de Kinshasa-Gombe, que proferiu a sua decisão em tribunal aberto.


A defesa anunciou que iria recorrer desta decisão.


Os seis condenados estavam a ser julgados desde 12 de Outubro, com sessões semanais, na prisão militar de Ndolo. Cinco deles estão detidos na prisão, enquanto o sexto está em fuga.


Processados por "homicídio, associação criminosa, posse ilegal de armas e munições de guerra", foram considerados culpados do homicídio, a 22 de Fevereiro de 2021, do embaixador italiano na RDC, Luca Attanasio, do seu guarda-costas italiano, Carabiniere Vittorio Iacovacci, e de um motorista congolês do Programa Alimentar Mundial (PAM), Mustapha Milambo.


Os três homens foram mortos a tiro após terem sido emboscados na periferia do Parque Nacional de Virunga, na província oriental do Kivu Norte, uma região que é flagelada pela violência de grupos armados há quase 30 anos.


Durante as audiências, a acusação tinha apresentado os arguidos como membros de um "bando criminoso" e cortadores de estradas, que inicialmente não tinham a intenção de matar o embaixador, mas sim de o raptar e exigir um milhão de dólares (cerca de 916 mil euros) para a sua libertação.


Os arguidos presentes, que foram detidos em janeiro de 2022 no Kivu do Norte, negaram os factos durante todo o julgamento, contestando sistematicamente as suas declarações iniciais aos investigadores e afirmando terem sido torturados.


Nas suas alegações, a defesa considerou que a acusação não tinha apresentado provas de nenhuma das acusações contra os arguidos e solicitou a sua absolvição.


A República Italiana, que se constitui como assistente no julgamento, afirmou-se contrária à pena de morte, mas tinha pedido que os arguidos fossem "condenados à privação de liberdade".


A pena de morte é ainda frequentemente solicitada e pronunciada na RDC em casos de segurança nacional, mas não é aplicada há 20 anos e é sistematicamente comutada para prisão perpétua.


O tribunal também concedeu à República de Itália o equivalente em francos congoleses a dois milhões de dólares (cerca de 1,8 milhões de euros) em indemnizações. ANG/RFI

 

China/ Pequim adverte que independência de Taiwan e paz são incompatíveis

Bissau, 10 Abr 23 (ANG) – O governo chinês afirmou hoje que a “independência de Taiwan e a paz e estabilidade” no Estreito da Formosa são incompatíveis, numa altura em que o exército chinês prossegue com manobras militares em torno da ilha.


O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse que a questão de Taiwan é “um assunto puramente interno da China” e que a “maior ameaça à paz em Taiwan” são “atividades separatistas e o conluio com forças estrangeiras”.

O porta-voz espera que a comunidade internacional “entenda a essência da questão de Taiwan”, “respeite firmemente o princípio 'Uma só China'” e “se oponha a qualquer tipo de atividade separatista” na ilha.

Wang reiterou o que exército chinês disse no último sábado: “As manobras são um sério aviso para as forças separatistas taiwanesas e são necessárias para proteger a soberania nacional e a integridade territorial”.

O exército chinês enviou dezenas de caças e navios de guerra para próximo de Taiwan, nos últimos dias, após o encontro entre a líder da ilha, Tsai Ing-wen, e o presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, Kevin McCarthy, na Califórnia.

A China disse ainda que mobilizou caças com “munição real” e o porta-aviões Shandong para executarem “ataques simulados” em alvos importantes de Taiwan.

O ministério da Defesa de Taiwan condenou as manobras da China, descrevendo-as como “um ato irracional que põe em risco a segurança e a estabilidade regional”.

No final da Segunda Guerra Mundial, Taiwan integrou a República da China, sob o governo nacionalista de Chiang Kai-shek. Após a derrota contra o Partido Comunista, na guerra civil chinesa, em 1949, o Governo nacionalista refugiou-se na ilha, que mantém, até hoje, o nome oficial de República da China, em contraposição com a República Popular da China, no continente chinês.

Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taipé declare formalmente a independência. ANG/Lusa

 

Brasil/Lula da Silva vai à China com agenda ambiciosa e delegação de 300 pessoas

Bissau, 10 Abr 23 (ANG) – A vista do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que deve começar no 12 de abril terá uma agenda ambiciosa que prevê a celebração de muitos acordos e uma grande delegação brasileira formada por cerca de 300 membros.

Nos encontros, o Presidente brasileiro tratará de temas económicos e diplomáticos, expondo a intenção do país sul-americano de retomar uma cooperação mais ampla com países em desenvolvimento e expandir influência do Brasil no mundo, após o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro que foi marcado pelo grande isolamento internacional.

Existe a projeção por parte de diplomatas brasileiros de que serão assinados cerca de 20 acordos de cooperação entre Brasil e China em diferentes áreas, com destaque para ciência e tecnologia, economia, comércio exterior, cultura, indústria, defesa e educação.

Segundo declarações do secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Eduardo Paes Saboia, cerca de dez dias antes da viagem de Lula da Silva à China, estão a ser negociados muitos acordos bilaterais, 20 já foram confirmados, “mas esse número pode aumentar.”

Um dos acordos da área económica que gera espetativa diz respeito a ativação de um fundo de financiamento chinês de 20 mil milhões de dólares (18,6 mil milhões de euros) para investimentos em projetos no Brasil.

O país sul-americano também espera firmar parceira para desenvolver a sexta geração de satélite sino-brasileiro e, por iniciativa do Governo Lula da Silva, há a indicação de que pode acontecer uma declaração conjunta com a China sobre clima e até mesmo criação de um fundo de financiamento binacional para combater as mudanças climáticas.

A previsão é que Brasil e da China também discutirão temas de governança global, assuntos de interesse dos BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e a proposta brasileira sobre a criação de um grupo de países não envolvidos na guerra provocada pela invasão russa à Ucrânia para negociar a paz naquela região.

Xi Jinping acabou de retornar de uma visita de Estado a Moscovo, onde se reuniu com o Presidente russo, Vladimir Putin, e apresentou as propostas chinesas de paz na Ucrânia, facto que aumenta certeza de que a guerra no leste da Europa será um tema sensível e importante no encontro do líder chinês com o líder brasileiro.

Na visita, Lula da Silva deve participar de um grande evento de negócios que reunirá pelo menos 240 empresários brasileiros, com forte presença de pessoas ligadas ao agronegócio que acompanham a comitiva governamental na viagem, além de empresários e representantes do Governo chinês.

A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e no ano passado absorveu 31,9% das vendas do setor ao exterior, segundo dados do Ministério da Agricultura do país sul-americano.

Cerca de 40 políticos, entre ministros do Governo brasileiro e parlamentares convidados devem participar das agendas na visita de Lula da Silva ao país asiático.

O programa oficial anunciado pelo Governo brasileiro também prevê uma visita a Xangai, capital económica da China, onde a ex-vice-presidente Dilma Rousseff, que governou o Brasil de 2011 a 2016, assumirá a gestão do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS.

Ao final da viagem, Lula da Silva terá, em apenas três meses de mandato, tido reuniões com os mais importantes parceiros comerciais do Brasil. Em janeiro, o governante foi à Argentina, em fevereiro esteve nos Estados Unidos, segundo maior parceiro do Brasil e que fica atrás apenas da China nas trocas comerciais, numa viagem que também contou com um encontrou dele com o Presidente norte-americano, Joe Biden.

A China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil e uma das principais origens de investimentos em território brasileiro. Em 2022, a corrente de comércio entre os dois países atingiu recorde de 150,5 mil milhões de dólares (139,4 mil milhões de euros). ANG/Lusa