terça-feira, 12 de dezembro de 2023

França/Guineenses queimam imagem de Embaló junto à embaixada da Guiné-Bissau em Paris

Bissau, 12 Dez 23 (ANG) -  Algumas dezenas de guineenses juntaram-se, na segunda-feira (11) à tarde, junto à embaixada da Guiné-Bissau em Paris, onde se manifestaram contra o que dizem ser o alegado golpe de Estado "inventado" pelo Presidente, Umaro Sissoco Embaló.

"Abaixo a ditadura" e "Liberdade" foram duas das palavras mais ouvidas no protesto em Paris, organizado pelos guineenses em França e que trouxe até à capital gaulesa pessoas vindas de Lyon, Marselha ou Lille.

Durante a manifestação, os guineenses foram exprimindo a revolta contra a dissolução da Assembleia Nacional Popular decretada pelo Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, a 4 de dezembro.  Os manifestantes queimaram de forma simbólica um cartaz com a imagem do chefe de Estado.

"Para mim, foi tudo uma invenção. Até porque já vimos que a 1 de fevereiro de 2022 houve a mesma invenção para poder culpar as pessoas e pôr outras pessoas na prisão sem julgamento. O Presidente queria que se dissesse que há uma situação de crise no país e decretar a dissolução do parlamento", acusou Francisco Sousa Graça, guineense residente em França há 35 anos.

Para este guineense que vive na região de Paris, o decreto do Presidente "é nulo" e "inexistente" já que vai contra a Constituição do país, esperando agora que os deputados possam continuar a trabalhar na sessão marcada para 13 de dezembro. 

O presidente do parlamento guineense, Domingos Simões Pereira, marcou para esse dia a sessão plenária do órgão atualmente dissolvido por ordens do Presidente do país.

Os guineenses prometem continuar a protestar em França até verem "a ordem constitucional" restituída no país, planeando uma manifestação para continuar a dar visibilidade ao que se passa no seu país. No entanto, não têm grandes expectativas em relação à ação da França ou da comunidade internacional.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, justificou a dissolução do parlamento com a grave crise institucional no país, na sequência de confrontos entre forças de segurança, que considerou "um golpe de Estado". ANG/RFI

 

   COP 28/ Rascunho de declaração final não propõe saída dos fósseis

Bissau, 12 Dez 23 (ANG) - A presidência emirati da COP 28, a decorrer no Dubai, apresentou, segunda-feira a noite, o rascunho da declaração final da conferência.

Um documento que Sultan al Jaber diz ir ao encontro das ambições assumidas, posição contrária têm as ong’s, ambientalistas e até mesmo António Guterres que pedia um compromisso claro rumo à saída faseada dos fósseis. 

Temos um texto, agora temos de nos meter de acordo sobre este texto!” As palavras são de Sultan al Jaber, o presidente emirati da COP 28 que decorre no Dubai. No artigo 39 do documento pode ler-se que as partes reconhecem a necessidade da “redução do consumo e da produção de combustíveis fósseis, de forma justa, ordenada e equilibrada, de forma a atingir a neutralidade carbónica daqui até 2050, como preconiza a ciência”.

Al Jaber defende o texto, diz que reflete as ambições assumidas pela liderança desta COP 28 e constitui um passo em frente. Posição contrária têm as ong’s, ambientalistas e até mesmo António Guterres. O secretário-geral da ONU ainda, esta manhã, pedia um compromisso claro rumo à saída faseada dos fósseis.

As ong’s lamentam o facto do rascunho do documento final não propor o fim dos fósseis, nem um roteiro para o efeito. Uma ambição medíocre dizem os ambientalistas, decepcionados, uma vez que esperavam um apelo claro à “saída” do petróleo, gás e carvão, os grandes responsáveis pelo aquecimento global do planeta. 

Javier Andaluz, da ong espanhola Ecologistas en Acción, fala "num texto desastroso”, pior que os rascunhos anteriores que apenas reflete a cedência aos países fósseis da OPEP e abre vias para o financiamento “de tecnologias falsas e extremamente dispendiosas”. Um documento incapaz de fixar um roteiro de descarbonização e o financiamento necessário para o efeito. Além disso, diz que se está a “perder uma oportunidade única para uma resolução significativa que responda à urgência climática”.

Um texto “declarativo e inútil”, que propõe “falsas soluções” como a captura e armazenamento de carbono aplicado a todo o sector energético, além da introdução do nuclear, que consideram ser um erro capital.

A decepção era igualmente visível nos rostos dos representantes dos OASIS (Aliança dos Pequenos Estados-Ilha). Toeolesulusulu Cedric Schuster, ministro do Ambiente e recursos Naturais das ilhas Samoa, denunciou um processo de negociação que não respeita o princípio do multilateralismo: “Sentimos que as nossas vozes não foram ouvidas. (...) O parágrafo 39 inclui uma linguagem fraca sobre combustíveis fósseis, o que é completamente insuficiente. Não se refere de forma alguma a uma eliminação progressiva. Apresenta um menu de opções que os estados poderiam adoptar. É inaceitável.

Em declarações aos jornalistasAlex Rafalowicz, director da ong Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty (Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis) diz tratar-se de um “retrocesso, o facto de este texto não reconhecer nem o problema à escala de que necessitamos, nem a solução. Precisamos de um acordo que diga que vamos fazer uma saída progressiva dos combustíveis fósseis. Essas palavras, não aparecem no texto e não aparece o plano de como podemos chegar a esta solução, que é uma solução equitativa, que reconhece que existem países em circunstâncias diferentes que precisam de tempos e momentos diferentes e precisam de recursos para realizar a saída dos fosseis.

Pedro Zorrilla Miras, da Greenpeace Internacional, acrescenta que “é necessário um apelo claro e direto a todo o mundo, a todas as administrações, ao sector financeiro, para que reduzamos rapidamente a nossa dependência da produção e do consumo de combustíveis fósseis antes de 2030 e, finalmente, abandonemos os combustíveis fósseis que tanto causam danos.

A declaração final da COP 28 tem de ser adoptada por consenso pelos cerca de 200 países presentes. 

A Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla original) arrancou a 30 de Novembro e estende-se até 12 de Dezembro, no Dubai, principal cidade dos Emirados Árabes Unidos. ANG/RFI

 

Rússia/Kremlin acusa EUA de "interferência inaceitável" no caso de Navalny

Bissau, 12 Dez 23 (ANG) -  O Kremlin acusou hoje os Estados Unidos de "interferência inaceitável" no caso Alexei Navalny, após Washington ter demonstrado preocupação com o facto de os familiares não terem notícias do opositor russo preso há uma semana.

"Este é um prisioneiro que foi considerado culpado e que está a cumprir a pena que recebeu. Consideramos que qualquer interferência, especialmente dos Estados Unidos, é inaceitável", declarou porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Os apoiantes Navalny afirmaram na segunda-feira que estavam a tentar contactá-lo em vão há quase uma semana e não sabiam onde estava do opositor russo.

Washington reagiu a dizer que estava "muito preocupado" com a falta de informação sobre o paradeiro de Navalny, apelando mais uma vez à sua libertação imediata.

"Para começar, nunca deveria ter sido preso", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, acrescentando que as autoridades norte-americanas estavam a procurar saber mais sobre o caso.

Para quem é próximo de Navalny, o destino do opositor é decidido directamente pela Presidência russa. O opositor acusa o Kremlin de ter ordenado o envenenamento que sofreu em 2020.

A porta-voz de Navalny, Kira Iarmich, declarou hoje que um funcionário da prisão onde Navalny estava detido disse que o opositor "tinha deixado a colónia penal", sem dizer para onde havia sido transferido.

Navalny, que foi condenado em Agosto a uma nova pena de prisão de 19 anos por "extremismo", deverá ser enviado para uma colónia penal com um "regime especial".

Esta categoria de estabelecimentos é conhecida por ter as condições de detenção mais duras do sistema prisional russo e está frequentemente localizada em regiões muito isoladas. No entanto, o calendário para tal transferência nunca é comunicado antecipadamente.

As transferências de uma colónia penal para outra na Rússia geralmente levam várias semanas de viagem de comboio, com várias etapas, e os familiares dos detidos podem permanecer sem informações por longos períodos. ANG/Angop

 

Mali/Missão da ONU termina oficialmente após dez anos 

Bissau, 12 Dez 23 (ANG)  – A missão da ONU no Mali (Minusma) acabou oficialmente hoje, após dez anos de presença neste país assolado pelo terrorismo e por uma crise profunda, por ter sido expulsa pela junta militar no poder.

A Minusma baixou hoje a bandeira das Nações Unidas da sua sede perto do aeroporto da capital do Mali, Bamako, disse à agência de notícias France-Presse o seu porta-voz, Fatoumata Kaba.

Os correspondentes da agência puderam assistir ao início de uma cerimónia, que marca simbolicamente o fim da missão, embora alguns dos seus elementos ainda estejam no local, segundo o porta-voz.

O encerramento põe fim a uma missão iniciada em 2013, perante a propagação da violência que ameaçava a estabilidade de um Estado pobre e frágil.

Desde então o terrorismo espalhou-se para o centro do país e para os países vizinhos do Mali, na região do Sahel, o Burkina Faso e o Níger, causando milhares de mortes entre civis e combatentes e forçando a deslocação de milhões de pessoas.

Com mais de 180 membros mortos em atos hostis perpetrados principalmente por grupos armados afiliados à Al-Qaeda e à organização extremista Estado Islâmico, a Minusma é a missão de paz da ONU mais duramente atingida nos últimos anos. Esta força era composta de cerca de 15.000 militares e polícias de vários países.

Apesar das perdas humanas e de um compromisso financeiro considerável, a Minusma foi cronicamente criticada pela sua impotência face às ações terroristas por parte de uma fação da opinião pública e dos seus líderes.

A sua presença tornou-se quase insustentável, mas também indesejada pelos militares que assumiram a governação do país em 2020, após um golpe de Estado. O Burkina Faso e o Níger, por sua vez, também assistiram à subida ao poder de regimes militares nos últimos anos.

As relações entre a Minusma e a junta continuaram a deteriorar-se. A ONU denunciou abertamente as proibições de voos e outras barreiras colocadas pelas autoridades ao cumprimento das ações da missão. As autoridades protestaram contra a interferência, segundo elas, da Minusma na defesa dos direitos humanos, o que fazia parte do seu mandato.

O chefe da diplomacia maliana, Abdoulaye Diop, acabou por pedir ao Conselho de Segurança da ONU a saída “sem demora” da Minusma em junho último, classificou a missão da ONU como um “fracasso” e acrescentou que aquela não era a solução, mas “parte do problema”.

A Minusma não pôde permanecer contra a vontade das autoridades malianas e Conselho de Segurança cancelou o mandato da Minusma em 30 de Junho fixando o objetivo de abandonar o país até 31 de Dezembro.

Desde então, a Minusma desligou-se da maior parte das suas 13 posições, em condições difíceis, no norte, sob a pressão de uma escalada militar entre todos os intervenientes armados presentes no terreno.

Além de Bamako, a Minusma continua a fechar os locais de Gao e Timbuktu (norte), onde, depois de 01 de Janeiro se realizará o que a ONU chama de “liquidação” da missão. Isto implicará, por exemplo, a entrega dos últimos equipamentos às autoridades ou a rescisão de contratos existentes.

Até sexta-feira, mais de 10.500 funcionários militares ou civis da Minusma deixaram o Mali, de um total de cerca de 13.800 no início da retirada, indicou a Minusma no X (antigo Twitter). ANG/Inforpress/Lusa

 

Suíça/Queixa por “crimes contra a humanidade” apresentada contra Presidente do Irão

Bissau, 12 Dez23 (ANG) – Uma queixa segunda-feira apresentada na Suíça insta as autoridades a deter o Presidente iraniano numa visita a Genebra prevista para esta semana e a acusá-lo de crimes contra a humanidade pelas execuções em massa de opositores em 1988.


Ebrahim Raisi ia participar no Fórum Mundial das Nações Unidas sobre os Refugiados, que se realiza entre 13 e 15 de dezembro em Genebra, mas a ONU informou hoje à noite que a delegação iraniana será chefiada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Hossein Amir-Abdollahian.

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), agência especializada da ONU indicou que, sendo “o Irão um Estado membro da organização, está, por conseguinte, convidado a participar no Fórum Mundial sobre os Refugiados”.

“O Irão é também um dos maiores países de acolhimento de refugiados há mais de 40 anos”, declarou um porta-voz numa mensagem de correio eletrônico citada pela agência de notícias francesa AFP, acrescentando que “a delegação iraniana será liderada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros”.

A queixa, datada de hoje, e apresentada por três antigos prisioneiros iranianos, apela ao procurador-geral da Confederação Helvética, Andreas Muller, para proceder à detenção do Presidente do Irão e ao seu indiciamento “por participação em atos de genocídio, tortura, execuções extrajudiciais e outros crimes contra a humanidade”.

Os grupos de defesa dos direitos humanos há muito que fazem campanha para que seja feita justiça quanto aos milhares de execuções sumárias levadas a cabo nas prisões iranianas no verão de 1988, logo após a guerra com o Iraque.
As vítimas foram principalmente apoiantes do Movimento dos ‘Mujahidines’ do Povo (MEK), proibido no Irão e que tinha apoiado Bagdad durante o conflito.

Os queixosos afirmam que podem identificar pessoalmente o atual Presidente iraniano, Ebrahim Raisi, como tendo feito parte da “comissão de morte” que ordenou as execuções.

O principal queixoso, Reza Shemirani, foi detido em 1981 e é um dos cerca de 150 prisioneiros, dos 5.000 encarcerados na sua prisão, que sobreviveram à purga, de acordo com a queixa. Esteve preso até 1991 e foi submetido a sessões diárias de tortura.

Opositores iranianos no exílio já apresentaram queixas semelhantes no Reino Unido e em Nova Iorque.
Paralelamente a esta ação judicial, foi lançada uma campanha internacional para protestar contra a possível presença do Presidente iraniano no Fórum da ONU sobre os Refugiados e para exigir que responda perante a Justiça.

“A sua presença no fórum das Nações Unidas está em contradição com os valores fundamentais defendidos pela organização”, denuncia uma petição que recolheu mais de 200 assinaturas, entre as quais as de prémios Nobel, juízes, antigos ministros, deputados, académicos e especialistas em direitos humanos da ONU.

“Acreditamos firmemente que as Nações Unidas, enquanto bastião dos direitos humanos e da justiça, não devem comprometer a sua reputação convidando uma pessoa acusada de graves violações dos direitos humanos”, lê-se na petição, que exorta a ONU a “retirar rapidamente o seu convite ao senhor Raisi”.

Os signatários afirmam ainda que apoiam “o apelo para que Ebrahim Raisi seja investigado e processado pelo seu envolvimento em crimes passados e presentes, ao abrigo do direito internacional, incluindo pelos Estados que exercem uma jurisdição universal”. ANG/Inforpress/Lusa

 

Política/Geraldo João Martins reconduzido no cargo do primeiro-ministro

Bissau, 12 dez 23 (ANG) – O Presidente da República Umaro Sissoco Embaló reconduziu Geraldo João Martins no cargo do primeiro-ministro, através do Decreto presidencial número 71,  publicado hoje.

“O Presidente da República decreta nos termos da alínea g) do artigo 68, conjugado com o art. 70 da Constituição da República o seguinte: é o senhor Geraldo João Martins renomeado para desempenhar as funções do primeiro ministro”, lê-se do referido decreto.

No passado dia 04 de dezembro, o Presidente da Republica dissolveu a Assembleia Nacional Popular por um outro Decreto presidencial nº 70, na sequência dos confrontos militares que considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado.

Geraldo Martins toma posse hoje, às 15:30  na Presidência da República em Bissau.

Martins é vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que lidera a coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI - Terra Ranka), que venceu as últimas eleições legislativas, realizadas em Junho passado. ANG/LPG/ÂC//SG

 

                                          
                                  

Caso 01 de Dezembro/PRS exorta poder judicial a fazer investigação isenta e apurar a veracidade dos fatos sobre caso de 6 biliões de francos CFA

Bissau,12 Dez 23(ANG) – A Comissão Política do Partido da Renovação Social(PRS), exorta às autoridades judiciais a fazerem uma investigação isenta, tendente a apurar a veracidade dos factos relativos ao caso dos 6 mil milhões de francos CFA que deveriam ser pagos  à algumas empresas.

A exortação consta nas deliberações saídas da reunião da Comissão Política Nacional do Partido da Renovação Social(PRS), que decorreu, segunda-feira, em Bissau.

Na deliberação, os renovadores condenaram os atos perpetrados pela Brigada de Intervenção Rápida da Guarda Nacional, em desobediência e consequente violação dos seus deveres constitucionais de defender a legalidade democrática, a segurança interna e direitos dos cidadãos.

O PRS lamentou ainda a situação dos confrontos ocorridos entre as forças da Guarda Nacional  e as Forças Republicanas, resultando em perdas de vidas humanas.

Em relação a dissolução do parlamento, a Comissão Política Nacional do PRS limitou-se a dizer que tomou nota do decreto presidencial que dissolveu o parlamento.

O partido ocupava a pasta de 1º vice-presidente da ANP, na pessoa do seu líder Fernando Dias, no quadro de um acordo parlamentar com a Coligação PAI-Terra Ranca, vencedora das legislativas passadas.

Exorta a todas as franjas sociais nacionais e a comunidade internacional e em particular a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO), no sentido de maior colaboração e acompanhamento da Guiné-Bissau na consolidação do Estado do Direito democrático.

ANG/ÂC//SG



Comunicação social/Sinjotecs preocupado com  a situação da imprensa no país, depois da dissolução do Parlamento

Bissau, 12 Dez 23 (ANG) - O Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social da Guiné-Bissau (Sinjotecs) disse estar a seguir com muita preocupação a situação da imprensa no país, depois da dissolução do Parlamento no dia 4 de dezembro.

A preocupação do SINJOTECS foi manifestada pelo seu Secretário Geral Diamantino Domingos Lopes em entrevista à Voz de América, na qual refere que mantém informadas as organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa e dos jornalistas sobre a situação na Guiné-Bissau.

“Depois da tomada da televisão e da rádio públicas pelos militares, as redes sociais foram inundadas por ameaças a profissionais”, salientou aquele responsável.

Disse que nos últimos quatro anos, vários jornalistas foram agredidos, sem que os autores desses atos tenham sido descobertos e responsabilizados e estações de rádio foram invadidas e destruídas.

"O ambiente é de calma", afirma o secretário-geral da Sinjotecs em entrevista à Voz da América, na qual apela ao respeito pelo trabalho dos profissionais da comunicação.

Diamantino Domingos Lopes diz que até agora não há informação de qualquer ameaça ou ato contra os meios privados, mas a rádio Capital FM, aparentemente por decisão própria, decidiu suspender um espaço de opinião.

Disse que, já receberam um pronunciamento de apoio da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde. ANG/MI/ÂC

Cultura/Alfa Canté nomeado estilista do ano nos países de língua portuguesa

Bissau, 12 Dez 23(ANG) – O estilista guineense Alfa Canté foi nomeado recentemente como estilista do ano nos países de língua portuguesa.


Segundo  jornal O Democrata, a nomeação do estilista guineense aconteceu na quarta edição da Gala de Globos de Moda 2023 realizada recentemente em Lisboa, capital de Portugal. A Gala Globos de Moda premiou vários profissionais internacionais de moda, num jantar de gala em Lisboa.

 “É o resultado de um trabalho duro, que amo fazer e vou continuar a fazê-lo para elevar ainda mais o talento guineense no mundo”, disse o estilista guineense.

Fashion Canté é uma marca conceituada na Guiné-Bissau e nos países da sub-região. A iniciativa de ser estilista e a paixão pela moda vêm desde criança.

Alfa Canté informou que desde aos dez anos de idade, em Bula, aprendeu a sua arte com um costureiro chamado Tio Tcherno. Mais tarde, deixou a sua terra natal para vir estudar em Bissau.

Lembrou que foi considerado melhor estilista da África-zona UEMOA em 2015 e no mesmo ano participou no Fashion Weekend Gâmbia. Com reconhecida qualidade na Europa, participou no evento Fashion África no solo luso, em 2017.

Em 2020 Alfa Canté  participou no FIMA, pela segunda vez. Em 2021 participou na Gâmbia no festival de moda “Fashion” e foi designado como um dos melhores designers pelo Best of Guiné Bissau.ANG/JD/ÂC


Reconhecimento/16 Guineenses entre as 100 personalidades mais influentes da lusofonia em 2023

Bissau, 12 Dez 23 (ANG) - Pelo terceiro ano consecutivo, a plataforma BANTUMEN, revista online focada na cultura negra, em parceria com diferentes plataformas de comunicação da Lusofonia, revelou neste sábado, 9 de dezembro, a Power List 100 Personalidades Negras mais Influentes da Lusofonia em 2023.

Segundo a Plataforma de informação “Nô Sta Djunto, consultada hoje pela ANG, o evento anual de apresentação da iniciativa aconteceu recentemente no MAAT “Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia”, em Lisboa.

Da lista constam personalidades de toda a lusofonia, nomeadamente Portugal, Guiné-Bissau, Brasil, São Tomé e Príncipe, Angola, Cabo Verde e Moçambique.

 Entre os homenageados deste ano estão 16 guineenses, nomeadamente o selecionador nacional de futebol Baciro Candé, o rapper Klash BRG, a cantora Fattú Djakité, o artista Flavnays King, a designer e estilista Queen Titine, a cantora Eneida Marta, o artista plástico Nú Barreto, a empresária Catarina Taborda, o engenheiro e escritor Abdulai Silá, o cineasta Sana Na N’Hada, a lutadora Yasmira Pires Dias, a empresária Nelma Fernandes, a empreendedora social Mariama Injai, a escritora e tradutora Gisela Casimiro, a atleta Jéssica Inchude e a vereadora da capital luxemburguesa Antónia Bagine.

A mesma publicação afirmou que a gala da terceira edição de PowerList 100 contou com atuação do grupo Memu Sunhu.

“Foram celebradas personalidades de diversas áreas de atuação, desde artistas, académicos, influenciadores digitais, desportistas, empreendedores e muito mais, que criam um impacto positivo e notável na sociedade”,lê-se na publicação.

Informou que os nomes que compõem a lista são definidos entre jornalistas e produtores de conteúdo de onze meios e plataformas de informação lusófonas: Nô Sta Djunto e Nô Balur, da Guiné-Bissau; Tabanka TB da Diáspora; Notícia Preta e Inventivos, do Brasil; Balai e Rádio Cidade, de Cabo Verde; Marcas Por Escrever e Xonguila, de Moçambique; RSTP e STP On, de São Tomé e Príncipe e PlatinaLine, de Angola; além da BANTUMEN, com base em Portugal.

A gala, conforme a publicação da PowerList contou com a presença de mais de 200 pessoas de diferentes universo lusófono, bem como com a presença da cantoras guineenses Alice Costa, CEO da plataforma Nô Balur, Pucurutcha Stella, Karyna Gomes, Shorty Clay, secretário de Estado para a Economia Digital Cabo-Verdiano, Pedro Lopes, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e várias personalidades internacionais da lusofonia.ANG/LPG/ÂC

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

 Economia/Preços das moedas para segunda-feira, 11 de dezembro de 2023


MOEDA

COMPRAR

OFERTA

Euro

655.957

655.957

dólares americanos

606.250

613.250

Yen japonês

4.145

4.205

Libra esterlina

761.250

768.250

Franco suíço

690.000

696.000

Dólar canadense

445.000

452.000

Yuan chinês

84.000

85.750

Dirham dos Emirados Árabes Unidos

164.500

167.500

 Fonte: BCEAO


Reino Unido
/Primeiro-ministro britânico pede desculpas a familiares das vítimas da Covid-19

Bissau, 11 Dez 23 (ANG) - O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, pediu, esta segunda-feira, desculpas aos familiares de todos as pessoas que morreram na sequência da pandemia de Covid-19.

"Quero começar por dizer que lamento profundamente", começou por dizer Sunak, num pedido de desculpas dirigido a todos aqueles que "perderam quem amavam".

"Pensei muito sobre este assunto nos últimos anos, é importante que aprendamos as lições para que possamos estar melhor preparados no futuro", apontou.

As declarações foram feitas no âmbito do Covid Inquiry, que começou em 2021, depois de o Reino Unido ter registado um dos números mais elevados de mortes a nível mundial.

Também o ex-primeiro-ministro Boris Johnson foi ouvido neste âmbito, tendo, em Junho entregado os seus cadernos e mensagem de WhatsApp ao órgão que supervisiona a ação governativa do país.

Na altura, Johnson desafiou Sunak, que na altura da pandemia era ministro das Finanças, a fazer o mesmo.

Quase seis meses volvidos, Sunak referiu que trocou várias vezes de telemóvel durante a pandemia, e que as mensagens não seguiram para esses aparelhos - para além de notar que "não é um utilizador prolífico do WhatsApp".

Sunak foi questionado pela razão pela qual não guardou mensagens que podiam ser importantes na investigação sobre a forma como o governo levou a cabo a gestão da pandemia, e se nunca foi avisado de que o devia fazer.

"Não me lembro de ninguém no meu gabinete fazer essa observação na altura", apontou.

Uma das críticas feitas a Sunak está relacionada com a demora em dar 'luz verde' a algumas restrições, tendo alegado que estas prejudicariam e economia britânica.

Sunak apontou que não achava que tinha havido um "choque" entre as aéreas da saúde pública e a economia, mas que os ministros precisaram de considerar a "totalidade do impacto".

"Um dos argumentos consistentes que apresentei desde o início foi o de garantir que nós, coletivamente, e o primeiro-ministro (Boris Johnson) considerássemos a totalidade dos impactos das decisões que estávamos a tomar", afirmou.

Sunak foi também questionado sobre se teve oportunidade para expor as suas opiniões sobre as restrições ao então primeiro-ministro.

"De forma geral, sempre senti que podia", atirou, acrescentando: "Provavelmente nessa altura via o (então) primeiro-ministro mais vezes do que via a minha mulher".

Sunak reforçou que "sentia que podia participar" em tudo aquilo de que precisava, no âmbito do governo, por forma a obter as evidências para que Johnson tomasse decisões.

Na 'mira' também está um projeto que ficou conhecido como 'Coma fora para ajudar' (Eat Out to Help Out), que incentivar as pessoas a comer fora. Em 2020, este projeto poderá ter ajudado à propagação do vírus.

Segundo as publicações britânicas, alguns conselheiros do governo ter-se-ão referido a Sunak como Dr. Death (Dr. Morte), devido aos esforços do agora primeiro-ministro em manter a atividade económica. ANG/Angop

 


Bélgica
/UE renova por mais um ano sanções a membros do Governo de transição no Mali

Bissau, 11 Dez 23 (ANG) - A União Europeia (UE) renovou hoje, segunda-feira, por mais um ano, até Dezembro de 2024, as sanções impostas no âmbito da situação política no Mali.

As medidas restritivas foram impostas a quatro membros do governo de transição por atos que obstruem e comprometem a conclusão bem-sucedida da evolução política do Mali.

De acordo com um comunicado do Conselho da UE, as sanções incluem o congelamento de bens e a proibição de viajar para a UE.

Além disso, é proibida a concessão de fundos, de outros ativos financeiros ou recursos económicos, direta ou indiretamente, a pessoas singulares ou coletivas, entidades ou organismos constantes da lista, ou em seu benefício.

Um golpe de Estado depôs a liderança política no Mali, em 24 de Maio de 2021, com as eleições presidenciais agora marcadas para Dezembro de 2025. ANG/Angop

     Dubai/COP 28 deve prever “saída das energias fósseis” - António Guterres

Bissau, 11 Dez 23 (ANG) - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres apelou, esta manhã, aos negociadores da COP 28 para darem provas de “máxima flexibilidade e ambição” para garantir a saída de “todas as energias fosseis”.

Numa declaração aos jornalistas, esta segunda-feira, o secretário-geral das ONU sublinhou a necessidade de um texto final, que deve ser adoptado até amanhã, terça-feira, “que reconheça a necessidade de saída de todas as energias fósseis, enquadrado num calendário coerente com o limite de 1.5°C” do aquecimento global do planeta e “de acelerar uma transição energética justa, equitativa e organizada para todos”. 

António Guterres esclarece que essa saída dos fósseis “não quer dizer que todos os países devem sair das energias fósseis ao mesmo tempo”, “os cronogramas e metas podem ser diferentes para países em diferentes níveis de desenvolvimento, mas todos devem estar alinhados com a meta de atingir a neutralidade carbónica até 2050 (global net zero) e preservar o objetivo de 1,5°C”. Palavras que vão ao encontro de vários países em desenvolvimentos que pediam mais tempo para este processo que as nações mais ricas. 

O que significa igualmente que os países ricos devem dar o exemplo e ajudar os mais pobres a financiar a transição energética: “uma transição que deve ter em consideração o princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas e as respectivas capacidades, tendo em conta as circunstâncias nacionais, não para reduzir a ambição, mas sim para combinar ambição e equidade. Essa é a razão pela qual proponho o Pacto de Solidariedade Climática, no qual os grandes emissores fazem esforços adicionais para reduzir as emissões e os países mais ricos apoiam as economias emergentes para que possam fazer o mesmo.

O ex-primeiro-ministro português voltou a repetir que o mundo “está numa corrida contra o relógio”.

A questão das energias fósseis e do financiamento dos estados mais pobres, são centrais nesta COP 28, que entrou na fase final de negociações e cujo fim está previsto para amanhã, 12 de Dezembro.

Esta segunda-feira é o penúltimo dia da Conferência das Partes sobre Alterações Climáticas, a questão das energias fósseis continua em debate. A Arábia Saudita, aparentemente cada vez mais isolada, opõem-se veemente à possibilidade do fim dos fósseis e ainda paira a incerteza em relação aos termos de um possível compromisso, a 24 horas do fim da COP 28.

Ao início da manhã, o secretário executivo da ONU para as alterações climáticas, Simon Stiell apelou aos países reunidos no Dubai a levantarem “os bloqueios tácticos inúteis”.

Não temos nem um minuto a perder nesta reta final crucial”, sublinhou Stiell, acrescentando que “ainda é possível assumir compromissos mais ambiciosos” sobre a saída progressiva das energias fósseis e a ajuda financeira aos países mais pobres. As duas grandes temáticas em debates nestes últimos dias.

Ontem, domingo, o presidente da COP 28, Sultan Al Jaber, que é também presidente da companhia de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, prometeu um acordo “histórico” já amanhã, dia em que se assinala mais um aniversário do Acordo de Paris. Al Jaber assegura que o objetivo de limitar o aquecimento global do planeta a 1.5°C, fortemente ameaçado, é “a sua linha orientadora”.

Todos devem ser flexíveis”, disse o presidente da COP 28. “Devemos avançar muito, muito, muito mais rápido”.

O Acordo de Paris, assinado em 2015, na COP 21, estabelece o objetivo de limitar o aumento médio da temperatura global a menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e, preferencialmente, a 1,5°C. 

Até agora, os delegados e ministros dos países pouco progrediram apesar de negociações intensas e de múltiplos encontros bilaterais.

Cada vez mais isolada, a Arábia Saudita, principal exportadora de petróleo, o Iraque e alguns aliados mantêm uma posição hostil a qualquer saída ou redução das energias fósseis. Levanta as bandeiras das tecnologias de captura de carbono e da perturbação na economia global. 

Do outro lado, ong’s e participantes pensam que nunca um acordo sobre o início do fim do petróleo, gás e carvão esteve tão próximo.

A Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla original) arrancou a 30 de Novembro e estende-se até 12 de Dezembro, no Dubai, principal cidade dos Emirados Árabes Unidos.ANG/RFI

 RDN/Funcionários   denunciam assalto à estação pelo ex-diretor-geral Mama Saliu Sane

 
Bissau, 11 Dez23 (ANG) – Os funcionários da Radiodifusão Nacional (RDN)  manifestaram-se hoje diante da estação contra um ex-diretor-geral que nos últimos dias se assumiu como novo responsável do órgão e que acusam de estar a impor censura.

Filomena Tavares, da direção da RDN, disse que desde o passado dia 6 que Mama Saliu Sane, antigo diretor do órgão, assumiu-se como novo responsável da estação “sem que tenha sido nomeado por ninguém”.

“Na passada quarta-feira, o senhor Mama Saliu Sane, antigo diretor-geral, chegou aqui com polícias e mandou reunir o ‘staff’ que o diretor-geral, Baio Danso, nomeou e disse-nos que a partir daquele dia ele é que é o diretor-geral da Radio Nacional”, afirmou Tavares.

Falando numa vigília em que os funcionários empunhavam velas acesas, em “sinal de luto” na Rádio Nacional, Filomena Tavares notou que a manifestação é para denunciar não só a forma como Mama Saliu Sane assumiu a rádio, como também a censura que tem sido imposta no órgão.

“Entendemos que isso é um assalto à Rádio Nacional, uma falta de respeito aos funcionários desta rádio que acompanhou o processo da independência da Guiné-Bissau e que está a trabalhar para o desenvolvimento do país”, notou ainda Filomena Tavares.

Os funcionários anunciaram que a vigília iria decorrer até à tarde, mas a polícia dispersou os funcionários quando estavam a dar entrevistas para outros órgãos de comunicação social.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs), Indira Correia Baldé, disse que todos os cidadãos guineenses devem solidarizar-se com os funcionários da RDN e denunciar o que se passa no órgão.

Correia Baldé considerou inaceitável a forma como Saliu Sane assumiu a rádio e critica ainda a prática de censura denunciada pelos jornalistas da estação.

“Tem de haver rigor e imparcialidade, ninguém pode aceitar a censura”, observou a presidente do Sinjotecs ao comentar relatos dos profissionais da RDN segundo as quais o novo responsável é quem dita as notícias que podem ser transmitidas na antena.

Elementos da força de segurança e de estabilização da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), estacionada na Guiné-Bissau, estão diante das instalações da RDN, bem como a Polícia de Intervenção Rápida (PIR).

Os funcionários abandonaram a estação que neste momento apenas emite música.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, dissolveu o parlamento e demitiu o Governo eleito, no passado dia 04, na sequência de confrontos armados entre a Guarda Nacional e as Forças Armadas.

O Presidente considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado e o líder do parlamento, Domingos Simões Pereira, tem refutado esta tese e promete que o órgão legislativo irá continuar a funcionar. ANG/Inforpress/Lusa