quarta-feira, 4 de março de 2026

Côte D`Ivoire/CEDEAO inicia  consultas regionais para redefinir prioridades de integração

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – A Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) iniciou, na terça-feira,  em Abidjan, uma consulta regional dedicada ao futuro do comércio, da integração económica e do desenvolvimento sustentável na África Ocidental.

Com duração prevista até sexta-feira, 6 de Março, esta reunião serve de prelúdio para a Cúpula Especial sobre o futuro da organização. Seu objetivo é coletar contribuições dos Estados-membros, do setor privado e da sociedade civil sobre questões de governança, segurança e transformação económica.

No início dos trabalhos, os participantes apelaram a uma integração mais concreta e inclusiva.

Falando em nome da Rede de Organizações de Agricultores e Produtores da África Ocidental (ROPPA), Cheikh Moumouni Sissoko enfatizou que "os agricultores constituem o maior setor privado da região". Ele afirmou que os produtores agrícolas fornecem "85% dos investimentos produtivos, assumem 100% dos riscos e geram quase 60% dos empregos".

Ele defendeu um maior reconhecimento das organizações camponesas, enfatizando a importância da preservação dos recursos naturais, da integração das questões ambientais nas políticas regionais e do ensino de projetos comunitários nas escolas.

Por sua vez, o Ministro Delegado para a Integração Africana e os Marfinenses no Exterior, Adama Dosso, elogiou "cinquenta anos de um espaço de liberdade e solidariedade do qual a região pode se orgulhar", observando, porém, que o comércio intrarregional permanece baixo, em torno de 5 a 7%. Ele mencionou diversos desafios, incluindo a dependência de matérias-primas e as barreiras não tarifárias, propondo uma agenda com o objetivo de aumentar o comércio intrarregional para 10% até 2028 e 15% até 2030.

Falando em nome do Parlamento da CEDEAO, a Vice-Presidente Adjaratou Traoré afirmou que a integração "não pode permanecer uma questão puramente técnica" e deve refletir-se no quotidiano dos cidadãos. Ela defendeu um Parlamento Comunitário reforçado com poderes legislativos reais.

Apesar dos progressos em matéria de livre circulação e paz, o comércio intrarregional permanece abaixo de 15%, enquanto as economias da África Ocidental continuam vulneráveis ​​a choques externos. No centro dessas discussões está a Visão 2050, que visa construir uma região pacífica, próspera e plenamente integrada. ANG/Faapa

Cabo Verde/ CEDEAO envia 100 observadores para legislativas de 17 de Maio

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) – A CEDEAO anunciou terça-feira, na cidade da Praia, o envio de até 100 observadores para as legislativas de 17 de Maio, no âmbito de uma missão que avalia a preparação do país e eventuais fragilidades do processo.

O anúncio foi feito pelo Comissário para Assuntos Políticos, Paz e Segurança da Organização Regional, Abdel-Fatau Musah, à margem do encontro de trabalho entre a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e a missão da Comunidade dos Estados da África Ocidental, CEDEAO.

Segundo Abdel-Fatau Musah a equipa vai integrar especialistas da comissão regional, membros da rede de comissões eleitorais africanas e representantes da sociedade civil, com a tarefa de reunir-se com os principais intervenientes do processo eleitoral, incluindo Governo, partidos políticos, órgãos eleitorais, justiça, comunicação social e comunidade internacional.

O responsável explicou que a missão irá elaborar um relatório a ser submetido ao presidente da Comissão da CEDEAO, podendo recomendar o envio de apoio adicional caso sejam identificadas lacunas técnicas, financeiras ou riscos susceptíveis de afectar a estabilidade do processo.

No âmbito do acompanhamento, a organização prevê o destacamento de uma missão de observação eleitoral de longo prazo, pelo menos três semanas antes do escrutínio, seguida de uma missão de curto prazo, com um contingente não inferior a 100 observadores.

Sobre o ambiente político, o comissário considerou Cabo Verde um exemplo na sub-região, realçando a estabilidade institucional e a ausência de histórico de violência eleitoral, embora tenha apontado desafios ligados à logística, à participação da diáspora e à condição arquipelágica do país.

Por seu turno, a presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Maria do Rosário Gonçalves, classificou a visita como “oportuna”, sublinhando que a qualidade e a credibilidade do processo eleitoral devem ser permanentemente monitorizadas.

A responsável indicou que, do ponto de vista logístico e operacional, os preparativos decorrem de forma “positiva”, com material eleitoral já adquirido e formação de delegados em curso, apontando o recenseamento eleitoral, sobretudo no estrangeiro, como principal desafio nesta fase.

Maria do Rosário Gonçalves admitiu ainda a possibilidade de recurso ao fundo de apoio eleitoral da CEDEAO, previsto no protocolo regional sobre paz, segurança e democracia, para reforçar o orçamento do Estado destinado às duas eleições. ANG/Faapa

  

Israel/Com ataques simultâneos contra Irã e Líbano, Telavive prevê guerra por mais dez dias

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - A guerra no Oriente Médio entra em seu quinto dia e o  Exército israelense afirmou, nesta quarta-feira (4), ter lançado “uma ampla onda de ataques” no Irã, mirando “locais de lançamento, sistemas de defesa aérea e outras infraestruturas” do regime iraniano.

Os bombardeios israelenses também se intensificam em direção ao Líbano. Um membro do alto escalão de Israel, citado pela imprensa local, disse acreditar que a guerra deve se estender por mais sete a dez dias.

Segundo a mesma fonte israelense, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será quem determinará o momento de encerrar os confrontos. 

Com o objetivo de reduzir a capacidade de resposta iraniana, as ações militares de Estados Unidos e Israel têm se concentrado em alvos estratégicos do regime e do programa nuclear. Durante a madrugada, Israel voltou a realizar ataques aéreos contra o Irã, direcionando as operações principalmente a instalações governamentais e forças policiais. 

Mais cedo, o Exército israelense havia informado ter atingido um centro militar subterrâneo secreto na região de Teerã, destruindo “um elemento-chave da capacidade do regime iraniano de desenvolver armas atômicas”. 

Os militares israelenses também anunciaram ter abatido um avião de combate iraniano sobre a capital iraniana. “Um avião Adir (F-35) da Força Aérea Israelense abateu recentemente um avião de combate iraniano (YAK-130) sobre Teerã”, declarou o exército em um comunicado.

O Irã também disparou mísseis contra Israel. Parte de um míssil iraniano caiu nas proximidades de Beit Shemesh, cidade israelense a cerca de 20 quilômetros de Jerusalém que já havia sido atingida e onde morreram nove pessoas, mas desta vez não houve feridos.  

Segundo o comandante do Centcom, o Comando Central dos Estados Unidos, almirante Brad Cooper, até agora os norte-americanos atacaram cerca de dois mil alvos no Irã, afundaram 17 navios e um submarino. De acordo com Cooper, o Irã disparou 500 mísseis balísticos e dois mil drones.  

A maior parte dos mísseis iranianos foi lançada contra os Emirados Árabes Unidos. Segundo o Ministério da Defesa do país, o território foi alvo de 200 mísseis e mais de 800 drones iranianos. Pelo menos três pessoas morreram e 78 ficaram feridas. 

A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã informou que, até agora, cerca de 800 pessoas morreram e 740 ficaram feridas no país. A ONG iraniana Hrana, sediada nos Estados Unidos, estima que cerca de mil pessoas ficaram feridas. Ao todo, 153 cidades e mais de 500 locais foram atingidos até agora. 

Com a entrada do Hezbollah no conflito, a milícia xiita disparou 30 foguetes contra Israel entre a noite e a madrugada. 

Os Guardiões da Revolução, força militar e ideológica de elite do regime, anunciaram nesta quarta-feira que têm “controle total” sobre o estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo e inúmeros outros produtos na entrada do Golfo Pérsico. 

O Irã está “em estado de guerra” e agirá com “firmeza” contra aqueles que agirem contra a República Islâmica, alertou na quarta-feira o Poder Judiciário.

“Estamos em estado de guerra”, declarou o chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, citado pela agência Mizan.

“Portanto, aqueles que agirem de qualquer forma, em palavras ou ações, de acordo com os interesses ilegítimos do inimigo agressor, serão tratados com firmeza e severidade, de acordo com as leis e regulamentos em vigor”, acrescentou.

No Líbano, ao menos 11 pessoas morreram em ataques israelenses que atingiram a área do palácio presidencial, próximo a Beirute, e outras regiões ao sul da capital. 

O Exército israelense pediu nesta quarta-feira a evacuação imediata de 13 cidades e vilarejos no sul do Líbano antes de novos ataques contra o Hezbollah.. Um aviso semelhante havia sido feito mais cedo para outras 16 localidades. Segundo as autoridades libanesas, mais de 58 mil pessoas já foram deslocadas pela guerra. 

Desde sábado, 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos realizam ataques contra Teerã. O guia supremo iraniano, Ali Khamenei teve  sua morte confirmada no dia seguinte. A República Islâmica decretou 40 dias de luto e sete dias de feriado nacional. O funeral de Khamenei foi marcado para a noite desta quarta-feira. ANG/RFI

 

Médio Oriente/EUA ampliam ação militar contra o Irã e Congresso cobra explicações sobre estratégia de guerra

Bissau, 04 Mar 26 (ANG) - A mobilização militar dos Estados Unidos contra o Irã atingiu uma escala que autoridades americanas descrevem como a maior no Oriente Médio em uma geração, em meio a sinais de que o conflito pode avançar para uma nova fase e aumentar ainda mais o envolvimento das Forças Armadas na região.

Mais de 50 mil militares americanos, cerca de 200 aeronaves de combate, dois porta-aviões e bombardeiros estratégicos já participam das operações, segundo o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos.

O aumento rápido da presença militar ocorre poucos dias depois dos ataques coordenados realizados no sábado (28) por forças americanas e sraelenses contra alvos estratégicos no Irã, que abriram uma nova etapa na escalada bélica entre os países. Segundo Cooper, o deslocamento representa o maior reforço de efetivos americanos no Oriente Médio em décadas. 

“Em termos simples, estamos focados em neutralizar tudo o que pode disparar contra nós”, afirmou o comandante.

De acordo com Cooper, as unidades dos EUA já destruíram pelo menos 17 embarcações iranianas, incluindo um submarino, considerado um dos mais operacionais da marinha do país.

Os Estados Unidos também mantêm investidas contínuas contra alvos iranianos “24 horas por dia”, em operações que combinam ações militares “do fundo do mar ao espaço e ao ciberespaço”, disse o almirante.

Apesar da intensidade da ofensiva, parlamentares em Washington dizem que ainda não receberam explicações claras sobre os objetivos estratégicos da campanha.

Nesta terça-feira (3), integrantes do alto escalão do governo participaram de encontros fechados com membros do Congresso para discutir a ofensiva contra o Irã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, realizou um briefing com senadores e também se reuniu com deputados da Câmara dos Representantes.

Após o encontro, parlamentares democratas disseram que o governo não apresentou um plano claro sobre a duração da guerra ou sobre quais seriam os objetivos finais da operação. O senador democrata Ed Markey afirmou que a reunião apenas reforçou preocupações já existentes no Congresso.

“Donald Trump está travando uma guerra ilegal e não tem um plano para encerrá-la”, escreveu o senador nas redes sociais.

“Eu já estava preocupada antes, mas agora estou ainda mais apreensiva", disse a senadora democrata Elizabeth Warren em um vídeo após participar da reunião.

Nos bastidores do Capitólio até mesmo alguns republicanos demonstram inquietação com o rumo do conflito. Um parlamentar ouvido pela imprensa americana comparou a justificativa apresentada pela Casa Branca com a retórica usada pelo ex-presidente Lyndon Johnson durante a escalada da guerra do Vietnã nos anos 1960. Congressistas também avaliam que o governo poderá solicitar recursos emergenciais para financiar as operações militares.

Autoridades do Pentágono trabalham em um pedido de orçamento suplementar que pode chegar a US$ 50 bilhões, destinado a recompor estoques de armas utilizados em missões recentes. Paralelamente às operações aéreas e navais, surgem sinais de que o conflito pode abrir uma nova frente terrestre.

Segundo informações divulgadas pela CNN, a CIA estaria trabalhando para armar forças curdas opositoras ao regime iraniano, que poderiam participar de uma operação no oeste do país nos próximos dias com apoio americano e israelense.

A estratégia teria como objetivo ampliar a pressão militar sobre Teerã e estimular um levante interno contra o governo iraniano. A Casa Branca não comentou oficialmente as informações.

O Pentágono deve realizar um novo briefing público nesta quarta-feira (4), quando autoridades militares devem apresentar atualizações sobre a ofensiva e responder a questionamentos sobre a dimensão da mobilização militar americana e os próximos passos da operação.

Antes do início da operação, entre 20% e 25% dos americanos aprovavam os ataques. Essa proporção subiu para quase 40% na última pesquisa da CNN, realizada após o anúncio da morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. O resultado está em consonância com a popularidade de Trump.

Cerca de seis em cada dez americanos se opõem aos ataques, e um número semelhante acredita que o governo não tem um objetivo claro em relação ao Irã e que o presidente deveria buscar a aprovação do Congresso para continuar as operações. Apenas 12% apoiam o envio de tropas terrestres, mas a maioria dos americanos se resigna à possibilidade de outro conflito interminável, com 56% acreditando que o resultado mais provável é uma guerra prolongada.ANG/RFI

RPC/“Europa precisa da China e China precisa da Europa” - órgão legislativo chinês

Bissau, 04 Mar 26(ANG) – O porta-voz da Assembleia Nacional Popular da China, Lou Qinjian, afirmou hoje que “a Europa precisa da China e a China precisa da Europa”, defendendo o caráter complementar da relação entre ambas as partes, face a tensões crescentes comerciais.

Durante uma conferência de imprensa realizada na véspera da sessão anual do órgão legislativo da China, que arranca na quinta-feira, Lou recordou que no ano passado se assinalou o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e a União Europeia e destacou que os contactos de alto nível foram “frequentes”.

Segundo o responsável, a relação económica e comercial entre Pequim e Bruxelas baseia-se na “complementaridade de vantagens e no benefício mútuo”, acrescentando que a cooperação com a China contribui para o desenvolvimento económico europeu e para a melhoria do bem-estar social no continente.

Lou afirmou ainda que entre as duas partes “não existem conflitos fundamentais de interesses nem contradições geopolíticas” e manifestou a disponibilidade de Pequim para “gerir adequadamente as diferenças comerciais”.

O porta-voz salientou também que, no ano passado, a China e o Parlamento Europeu levantaram de forma recíproca restrições aos seus intercâmbios, permitindo retomar mecanismos de diálogo legislativo.

Ele indicou que a Assembleia Popular Nacional está disposta a reforçar os contactos com o Parlamento Europeu e com os parlamentos nacionais dos Estados-membros da União Europeia, com o objectivo de “aumentar o entendimento, ampliar consensos e promover a cooperação”, de forma a impulsionar um desenvolvimento estável e sustentado das relações entre China e Europa.

As declarações surgem num contexto de fricções comerciais entre a China e a União Europeia, relacionadas com medidas como as tarifas europeias sobre veículos elétricos chineses, os controlos chineses à exportação de terras raras e outros materiais estratégicos, as queixas de empresas europeias sobre restrições de acesso ao mercado chinês e disputas em torno das cadeias de abastecimento globais. ANG/Inforpress/Lusa

 

          
      Irão
/Teerão avisa que ainda não usou armamento mais avançado

|Bissau,04 Mar 26(ANG) - O Ministério da Defesa do Irão avisou hoje que ainda não recorreu ao seu armamento mais avançado e insistiu que a República Islâmica está preparada para uma guerra prolongada contra os Estados Unidos e Israel.

"Não pretendemos empregar todas as nossas armas e equipamentos avançados nos primeiros dias", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, citado pela agência de notícias IRNA.

Reza Talai-Nik acrescentou que Teerão tem “capacidade para resistir e manter uma defesa ofensiva durante mais tempo” do que o planeado para esta guerra por Washington e Telavive.

A Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do regime, afirmou que o Irão lançou hoje mais uma vaga de mísseis contra Israel, num comunicado divulgado pela agência de notícias Fars.

"A décima sexta vaga da Operação Promessa Honesta-4 começou com uma série de mísseis e drones da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica contra o coração dos territórios ocupados", indicou o comunicado, referindo-se a Israel.

A nova guerra no Médio Oriente entrou hoje no seu quarto dia, desde que Israel e Estados Unidos lançaram centenas de ataques aéreos contra a República Islâmica e mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” ao seu país.

Pelo menos 787 pessoas morreram desde sábado no Irão, segundo o Crescente Vermelho iraniano, a que se adicionam 10 mortos em Israel e outros seis nas forças norte-americanas, de acordo com números oficiais.

O actual conflito agravou também as hostilidades entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerão, que já causaram pelo menos 40 mortes no Líbano desde o fim de semana e quase 60 mil deslocados. ANG/Inforpress/Lusa


terça-feira, 3 de março de 2026

Transição/Governo autoriza concessão de 100 mil hectares de terras para fins agrícolas

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) – O Governo autorizou, em sessão ordinária do Conselho de Ministros, a concessão rural de 100 mil hectares de terra destinados a fins agrícolas, ao abrigo do n.º 4 do artigo 15.º da Lei n.º 5/1998, de 23 de abril (Lei da Terra).

A decisão foi revelado pelo comunicado da Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, realizada hoje,  em Bissau, sob a presidência do Presidente da República de Transição, Horta Inta-a.

No início da sessão, o coletivo governamental observou um minuto de silêncio em memória dos alunos da Escola Attadamum, vítimas de um acidente de viação ocorrido na segunda-feira, na capital, à saída das aulas.

No capítulo das informações gerais, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social anunciou o lançamento de um projeto de reforço das capacidades profissionais, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Fundo Africano de Desenvolvimento. A iniciativa é destinada a 340 agentes da Administração Pública.

O Executivo decidiu ainda adiar, após análise e discussão, o pacote legislativo apresentado pelo Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital.

No que diz respeito às nomeações, o Conselho de Ministros deu anuência para que, por despacho do Primeiro-ministro, seja efetuado o movimento de pessoal dirigente da Administração Pública.

No Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, foi nomeado Quessangue Alamara Quessangue para as funções de  Diretor-geral dos Assuntos Jurídicos e Tratados.

No Ministério das Pescas e Economia Marítima, Antonieta Khadidiatu Daramé Sanhá assume o cargo de Diretora-geral de Formação e Apoio ao Desenvolvimento, já no Ministério da Comunicação Social, Lesmes Mutna Freire Monteiro foi nomeado Diretor-geral do INACEP.

Com estas nomeações, cessam as comissões de serviço dos anteriores titulares nas respetivas funções.ANG/MI/ÂC//SG

Regiões/ Técnicos de Saúde da Região de Gabu iniciam formação sobre prevenção da corrupção no sector  

Gabu, 03 Mar 26 (ANG) – A Rede das Organizações da Sociedade Civil para a Prevenção da Corrupção, Promoção da Transparência e Integridade no Sector da Saúde iniciou,  segunda-feira, na região de Gabu, uma ação de formação sobre prevenção de corrupção no setor.

De acordo com o despacho do Correspondente da ANG na Região de Gabu,  a formação é destinada aos técnicos de saúde, jornalistas e representantes da sociedade civil.

A iniciativa, com a duração de uma semana, conta  com a participação de 40 técnicos do sistema regional de saúde de Gabu.

De acordo com a organização, as sessões estão divididas em três grupos. Na segunda e terça-feira, a formação é dirigida aos técnicos de saúde. Na quarta e quinta-feira, participam organizações da sociedade civil e representantes do poder tradicional. Já na sexta-feira e sábado, a ação será dedicada a jornalistas das rádios comunitárias de Gabu e a associações de base.

Segundo o ponto focal da Rede em Gabu, Adulai Baldé, a formação visa reforçar a capacidade dos participantes na identificação e denúncia de práticas de corrupção no sector, nomeadamente a venda ilegal de medicamentos, cobranças ilícitas, falta de transparência na gestão de fundos e o baixo nível de informação da população.

Adulai Baldé afirmou que, entre os objetivos da Rede, está o aumento do número de aderentes, maior visibilidade nos órgãos de comunicação social e a criação de multiplicadores capazes de promover a prevenção e denúncia da corrupção no sector da saúde.

No total, cerca de 120 pessoas deverão ser formadas ao longo da semana em estratégias de luta contra a corrupção.

 A formação é promovida pela Rede das Organizações da Sociedade Civil para a Prevenção da Corrupção, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da ONG VIDA. ANG/SS/LPG/ÂC//SG



   Somália/CICV alerta para o risco iminente de agravamento da crise alimentar

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) – O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou para o risco de uma grande escalada da crise humanitária na Somália, onde aproximadamente 6,5 milhões de pessoas enfrentam grave insegurança alimentar em decorrência de uma seca prolongada que está devastando os meios de subsistência em todo o país.

Após duas temporadas de chuvas insuficientes consecutivas, os temores de um retorno aos níveis catastróficos de fome observados em 2022 são elevados, afirmou a organização humanitária em um comunicado divulgado na terça-feira.

O pastoralismo, pilar da economia somali e fonte de renda para mais de 60% da população, está entrando em colapso sob o efeito de repetidos choques climáticos, com perdas massivas de gado privando famílias de alimentos e recursos e empurrando milhares de pessoas para campos de deslocados.

Em Dhusamareb, um agricultor de 61 anos afirma ter perdido 90% de suas cabras e mais de dois terços de seus camelos em menos de um ano, temendo agora que "as pessoas sigam" o mesmo destino dos animais.

Na região de Nugal, perto de Dangoroyo, uma mãe de 19 anos fugiu para um campo de deslocados internos depois que seu rebanho morreu, temendo pela sobrevivência de seus filhos.

Segundo o CICV, mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas em 2025 devido aos efeitos combinados do conflito e da seca, particularmente nas colinas de Al-Miskat, na região de Bari, em Puntlândia, enquanto a acentuada redução do financiamento humanitário está forçando muitas organizações a diminuir seus programas de assistência alimentar, acesso à água e cuidados de saúde, mesmo com o aumento das necessidades.

Desde Novembro de 2025, o CICV relata ter fornecido assistência financeira a mais de 5.000 famílias deslocadas, apoiado o acesso à água nas regiões de Bari e Sanaag através da reabilitação de poços artesianos em cooperação com a Agência de Desenvolvimento de Água de Puntland e fornecido equipamentos eletromecânicos para a reativação de poços.

A organização também presta cuidados a crianças menores de cinco anos que sofrem de desnutrição grave no centro de estabilização que administra no Hospital Geral de Kismayo e apoia serviços nutricionais em 11 clínicas da Cruz Vermelha Somali.

Sem chuvas rápidas e um fortalecimento significativo da resposta humanitária, alerta o CICV, milhões de pessoas podem cair ainda mais em níveis de emergência alimentar. ANG/Faapa

    

              Conflito Médio Oriente/China pede fim de operações militares

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) -- A China exorta todas as partes a cessarem as operações militares e a evitarem uma propagação maior do atual conflito, disse, segunda-feira, Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores(MRE) da China.

Mao fez as declarações depois que o Irã retaliou disparando mísseis e drones contra instalações militares dos EUA nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e outros depois que os EUA e Israel atacaram o Irã no sábado e mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares contra o Irã sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, o que viola o direito internacional, disse Mao em uma coletiva de imprensa regular.

 "A China expressa profunda preocupação com os efeitos colaterais do conflito que afetam os países vizinhos", disse ela.

  A China acredita que a soberania, a segurança e a integridade territorial de todos os países do Golfo também devem ser totalmente respeitadas, disse Mao que acrescenta  que a . China aprecia que a reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores do CCG tenha enfatizado que o diálogo e a diplomacia são os únicos meios para resolver a crise atual e salvaguardar a segurança regional.

 A porta-voz do MRE chinês declarou que dada a situação regional complexa e sensível de momento, a China apoia os países da região a procederem a partir da perspectiva da boa vizinhança e da amizade, reforçando a comunicação e a coordenação e se empenhando coletivamente pela paz e estabilidade na região.


Mao defendeu que  Ormuz e águas adjacentes são canais comerciais internacionais importantes para bens e energia, razão pela qual exorta a paralisação imediata de operações militares das partes relevantes, a fim de se prevenir para uma escalada ainda maior das tensões. ANG/Xinhua

 

Clima/PCA do Instituto Nacional da Meteorologia diz ser  normal o ar frio e a poeira  verificados  nos últimos tempos no país

Bissau 03 Mar 26 (ANG) – O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional da Meteorologia considerou hoje de normal o clima de frio acompanhado de poeira que tem vindo a assolar o país, em particular, a capital Bissau nos últimos dias.

Fernando Baial Sambú, em declarações à  ANG sobre esses   fenómenos, explicou que esta situação se verifica  devido ao um fenómeno chamado de  “Jato de Leste “, que se encontra muito  ativo de momento, transportando a humidade até as zonas da Costa Ocidental da África.

Acrescentou que  neste período, as temperaturas aumentam atingindo a 38 graus em algumas localidades e noutras até 39 graus, mas que, tendo em conta a presença do  “Jato de Leste”, a temperatura diminuiu em algumas localidades.

Fernando Baial Sambú recordou que,  no mês passado, houve um período em que o tempo parecia que ia chover, com quedas de pequenas gotas de água, e diz que é a mesma coisa que está agora a acontecer .

Aquele responsável, à título de exemplo, afirmou  que quarta-feira ,haverá mais poeira na zona leste - Gabu e Pirada.

Falando do alargamento dos serviços meteorológicos para todo o país,  Baial Sambú disse que o projeto está no bom caminho, acrescentando que, primeiro, vão formar a unidade de gestores das actividades previstas pelo  projecto.

“Agora falta as formalidades para entrar na fase da aquisição de equipamentos, bem como formação de pelo menos 15 observadores”, salientou .

Baial Sambú disse que prevê-se a criação de  10 estações automáticas que vão enviar todos  dados sem a presença humana.

Disse que vão ser instalados  mais 10 postos pluviométricos ou sejas  estações de controle da temperatura, pressão, humidade, enquanto que os postos pluviométricos funcionam só na época da chuva.

No que se refere ao serviço marítimo está  prevista  a montagem de três estações, em  principio em Bissau,  Cacine e um terceiro num lugar a determinar entre Bubaque e Ponton.

Sambú disse que, no quadro do mesmo projecto, se  tudo correr como previsto vão ter os equipamentos necessários para funcionar em melhores condições e que o próprio edifício onde funcionam os serviços da Meteorologia em Bissau vai ser reabilitado.

ANG/MSC/ÂC//SG



Agricultura/Governo ameaça aplicar  sanções  contra  cobranças ilícitas dos produtos alimentícios de origem florestais e artesanais

Bissau, 03 mar 26 (ANG) – O Governo, através do Ministério de Agricultura e  Desenvolvimento Rural(MADR), ameaçou hoje aplicar  sanções  contra qualquer tipo de cobrança ilícita de produtos alimentícios florestais e artesanais no pais, uma vez que as suas circulações foram autorizadas com  isenção de pagamento de taxa, em todo o território nacional.


Em conferência de imprensa,
 e em representação do ministro de tutela, o Diretor-geral das Florestas e Fauna, Diamantino Ortis Quadé reiterou que os titulares das pastas dos ministérios de Agricultura,  do Comércio e Indústria, do  Interior e Ordem Pública, das Finanças e da Administração Territorial  e Poder Local, produziram, em conjunto, um Despacho, que determina a isenção de pagamento de qualquer taxa  sobre  produtos  de origem artesanais e florestais, e assim como de alguns animais, no quadro de facilitação de circulação dos bens da população .

Segundo Ortis Quadé  foi manifestada, recentemente,  a preocupação de que esse Despacho conjunto não está a ser respeitado  por parte dos técnicos afetos à estes ministérios, nos seus postos de controlo.

“Comunicamos a população em geral que é livre de circular  com os seus produtos florestais, artesanais e com   animais dentro do território nacional. Em qualquer circunstância  que os seus produtos forem cobrados, que recusem pagar e peçam ao cobrador que apresente o despacho que autorize essa cobrança. Identifiquem e denunciem  o posto e o nome do cobrador”, disse o DG das Florestas e Fauna.

Diamantino  Quadé pediu  a colaboração com o MADR de todos os serviços ligados ao processo  para se pôr fim à  prática.  

“Apelamos também a colaboração dos Governadores regionais, Administradores, Secretários regionais, Comités, Régulos e Responsáveis dos jovens, para jogarem o papel de ajudar para o cumprimento do despacho que determina  a isenção dos produtos alimentícios florestais e artesanais, em diferentes postos de controlo do território nacional”, referiu o DG da Floresta e Fauna.    

O despacho conjunto isenta de pagamento de qualquer taxa os produtos: Óleo de Palma, Fole, Mandioca, Manga, Milho, Batata, Arroz, Limão, Calabaceira, Forobas, Ananás, Mel, Galinhas, Vacas, Porcos e Cabras .ANG/LLA/ÂC//SG


França/Greenpeace bloqueia cargueiro em protesto contra comércio nuclear entre França e Rússia

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) - Ativistas do Greenpeace, que protestavam contra o comércio de urânio entre a Rússia e a França, bloquearam um navio cargueiro no porto de Dunquerque (norte da França) por cinco horas na manhã de segunda-feira (2). A polícia foi chamada e quatro ativistas foram presos.

Doze ativistas foram inicialmente detidos, e quatro deles, três mulheres e um homem de nacionalidades alemã, austríaca e holandesa, permaneceram presos, informou a promotoria de Dunquerque à AFP.

Os outros oito, de nacionalidades francesa, alemã e belga, foram interrogados e liberados. Uma investigação por obstrução à liberdade de trabalho foi aberta, acrescentou a promotoria.

O bloqueio, que começou às 4h10 (0h10 em Brasília), foi suspenso às 9h10 locais, segundo a polícia. Cerca de vinte membros do Greenpeace bloquearam o navio cargueiro Mikhail Dudin em uma eclusa portuária para impedi-lo de descarregar sua carga, que a ONG ambiental suspeita ser urânio da Rússia destinado ao sector nuclear francês, observou um fotógrafo da AFP ao amanhecer. Alguns deles se acorrentaram a uma eclusa para bloquear o acesso.

O Greenpeace disse à AFP que observou o descarregamento ao meio-dia de "40 contêineres de urânio natural", que foram enviados por trem, bem como outros contêineres de urânio enriquecido, que foram "descarregados por caminhão".

Desde o início da invasão russa da Ucrâniaem 2022, o Greenpeace tem denunciado regularmente a continuidade de contratos que ligam a indústria nuclear francesa à Rússia por meio de sua gigante estatal Rosatom, o que representaria uma brecha nas sanções europeias contra Moscou.

"Esse comércio, que indiretamente alimenta a guerra de Putin, deve parar", reiterou Pauline Boyer, gerente da campanha nuclear do Greenpeace, em um comunicado na segunda-feira.

Dados abertos da Global Fishing Watch mostram que, desde 24 de fevereiro de 2022, início da invasão russa da Ucrânia, este navio cargueiro fez mais de 20 viagens de ida e volta entre Dunquerque e os portos de Vistino, Ust-Luga e São Petersburgo, na Rússia.

Outro navio cargueiro, o Baltiyskiy-202, que já transportou urânio entre a França e a Rússia, segundo o Greenpeace, fez mais de 15 viagens de ida e volta. Tanto o Mikhail Dudin quanto o Baltiyskiy-202 navegam sob a bandeira panamenha e pertencem a empresas registradas em Hong Kong, de acordo com a Organização Marítima Internacional.

Quando contatada pela AFP, a EDF, estatal francesa e maior produtora de eletricidade do país, se recusou a comentar. Já a empresa Orano, grupo francês especializado em mineração, conversão, enriquecimento, reprocessamento e logística nuclear, respondeu que "não está presente" na Rússia e "não possui contratos vigentes para a compra ou venda de urânio natural, reprocessado ou enriquecido com empresas russas".

No entanto, o grupo esclareceu que os clientes estrangeiros do grupo compram urânio natural do Cazaquistão e "decidem a rota a seguir" para enviá-lo à França. A Framatome, multinacional francesa controlada pela EDF e uma das principais fornecedoras mundiais de tecnologia nuclear, não respondeu.

Em 2025, a França importou pelo menos 112 toneladas de urânio enriquecido e seus compostos da Rússia, representando um quarto do total de suas compras em volume, um nível que permaneceu estável em comparação com 2024, de acordo com dados alfandegários franceses analisados ​​pela AFP. Essas importações, no entanto, diminuíram significativamente entre 2022 e 2024.

ANG/RFI/AFP

 

             Guerra no Oriente Médio/ Preços do gás e do petróleo disparam

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) - A guerra no Oriente Médio fez com que os preços do gás e do petróleo disparassem na segunda-feira (2), aumentando os temores de interrupções no fornecimento, enquanto os mercados de ações globais caíram em conjunto, com as bolsas europeias sendo as mais afetadas.


 “Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã reacenderam a questão mais crítica de segurança energética para a economia global: a interrupção do fluxo de petróleoe gás do Oriente Médio que transita pelo gargalo energético mais importante do mundo, o Estreito de Ormuz”, resume Simone Tagliapietra, analista do think tank europeu Bruegel.

Este corredor marítimo crucial do comércio global está sendo evitado pelas principais companhias de navegação do mundo devido ao conflito.

Os preços do gás natural na Europa dispararam depois que a empresa estatal de energia do Catar, QatarEnergy, anunciou a suspensão da produção de GNL após um ataque com drone iraniano, “o que sugere potenciais grandes interrupções no fluxo de energia para a Europa”, observa Neil Wilson, analista da Saxo Markets. “O Catar está entre os três maiores exportadores de GNL do mundo”, acrescenta.

No começo da tarde, o contrato futuro holandês TTF, considerado a referência para o gás natural na Europa, subiu 44,18%, para € 46,08. Logo em seguida saltou a mais de 50%, atingindo € 49,14, seu nível mais alto desde fevereiro de 2025.

Enquanto isso, os preços do petróleo bruto permaneceram acentuadamente mais altos: o petróleo Brent do Mar do Norte subiu 8,67%, para US$ 79,19 o barril, e seu equivalente americano, o WTI, subiu 7,62%, para US$ 72,13.

Nos mercados de ações, a queda nos índices europeus se acelerou, impulsionada pela disparada do preço do gás.

A bolsa de valores de Paris caiu 2,22%, a de Frankfurt 2,67%, a de Londres 1,59% e a de Milão 2,53%. Em Wall Street, no início do pregão, o Dow Jones Industrial Average caiu 0,89%, o Nasdaq Composite Index 0,64% e o S&P 500, mais abrangente, perdeu 0,63%.

Ataques israelenses contra posições do Hezbollah no Líbano, salvas de mísseis iranianos lançados indiscriminadamente e refinarias e petroleiros atingidos no Golfo compõem agora um cenário de crescente risco regional. Apenas dois dias após a ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, os efeitos já se espalham por todo o Oriente Médio.

O impacto chega rapidamente às economias ocidentais: o euro recua com a disparada dos preços dos combustíveis, enquanto o dólar volta a se fortalecer.

"O contexto no mercado cambial é claramente favorável ao dólar", devido à "alta dos preços da energia e ao aumento da demanda por ativos de refúgio, enquanto (...) as ações globais estão em queda", observa Fawad Razaqzada, analista da Forex.com. "Os Estados Unidos permanecem em grande parte autossuficientes em energia, ao contrário da Europa e de grande parte da Ásia", acrescentou.

Assim, “as vendas em euros aumentaram (...), já que a zona do euro é a mais exposta ao conflito. A forte alta nos mercados de energia é crucial para entender o que esse conflito implica em termos de crescimento e da resposta da política econômica”, enfatizou Neil Wilson.

Após o ataque a dois navios no domingo, na costa dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, a Organização Marítima Internacional (OMI) pediu às companhias de navegação que “evitassem” a região. A navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do consumo mundial de petróleo, está paralisada. Os custos de seguro estão se tornando proibitivos e as principais empresas confirmaram a suspensão de suas operações.

A Maersk, especialista em transporte marítimo de contêineres, subiu 6,60% em Copenhague, enquanto a empresa alemã de transporte marítimo Hapag-Lloyd teve alta de 5,51% em Frankfurt

As grandes petrolíferas também registraram forte alta, beneficiando-se do aumento dos preços dos hidrocarbonetos. A TotalEnergies subiu 3,76% em Paris. A Eni teve alta de 3,10% em Milão. A Repsol saltou 5,39% em Madri. A Equinor disparou 8,63% em Oslo.

Por outro lado, as ações de empresas dos setores de companhias aéreas e turismo caíram acentuadamente, com o cancelamento de inúmeros voos e o fechamento de rotas aéreas. As ações da Air France-KLM despencaram 8,09% em Paris, as da Lufthansa caíram 4,56% em Frankfurt e as da EasyJet recuaram 2,82% em Londres.

No setor de turismo, as ações do grupo francês de hotelaria Accor despencaram 9,54% no pregão de Paris, enquanto as da operadora alemã TUI caíram 8,69% em Frankfurt. ANG/RFI/AFP

 

                     Moçambique/Dez mortos em acidente rodoviário

Bissau, 03 Mar 26 (ANG) - Pelo menos dez pessoas perderam a vida e várias outras ficaram feridas, incluindo quatro em estado grave, após um acidente rodoviário ocorrido nesta segunda-feira no distrito de Gondola, na província de Manica, região central de Moçambique.

O acidente ocorreu quando um veículo com 32 passageiros saiu da estrada e capotou após um pneu dianteiro estourar, de acordo com Mouzinho Manasse, oficial do Comando Provincial da Polícia de Moçambique.

"Quando o veículo chegou à ponte sobre o rio Metuchira, um dos pneus dianteiros estourou, o carro capotou e caiu em baixo da ponte, causando cinco mortes no local", disse Manasse.

As conclusões iniciais da investigação sugerem que o condutor pode ter perdido o controlo do veículo devido ao excesso de velocidade, afirmou-se.

Com uma taxa de mortalidade estimada em cerca de 30 mortes por 100.000 habitantes, Moçambique tem o maior número de acidentes rodoviários na África Austral, à frente da África do Sul (cerca de 24,5) e do Zimbabué (cerca de 29,9).ANG/Faapa