Suíça/Surto de
Hantavírus "não é o início de uma epidemia, nem de uma pandemia" –
OMS
Bissau, 08 Mai 26(ANG) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) assegurou quinta-feira que o surto de hantavírus registado num navio de cruzeiro, que já causou três mortes, não constitui neste momento o início de uma epidemia, nem de uma pandemia.
"Não
é o início de uma epidemia. Não é o início de uma pandemia, mas é a ocasião
ideal para recordar que os investimentos na investigação sobre agentes
patogénicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de
rastreio e as vacinas salvam vidas", afirmou a diretora interina de
Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove.
Em
declarações à imprensa em Genebra, Maria Van Kerkhove afirmou que o hantavírus
não é um coronavírus: "É um vírus muito diferente, que já existe há
bastante tempo, nós conhecemo-lo. Por isso, quero ser clara: isto não é o
início de uma pandemia como a da covid-19".
"Trata-se
de um surto num navio, num espaço confinado, com cinco casos confirmados até ao
momento", acrescentou.
O
diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias, Abdi Rahman
Mahamud, acrescentou que as autoridades estão convictas de que o surto
"permanecerá contido se as medidas de saúde pública forem aplicadas e se
todos os países demonstrarem solidariedade".
Os
dois especialistas falavam na primeira conferência de imprensa organizada pela
OMS desde o início desta crise.
"Até
ao momento, foram notificados oito casos, incluindo três óbitos. Cinco desses
oito casos foram confirmados como sendo causados pelo hantavírus, enquanto os
outros três são considerados suspeitos", tinha declarado anteriormente o
diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Tedros
Adhanom Ghebreyesus sublinhou que, "tendo em conta o período de incubação
do vírus (da estirpe dos) Andes, que pode atingir seis semanas, é possível que
sejam notificados mais casos", acrescentou.
Não
existe vacina nem tratamento específico contra este vírus, que pode ser
contraído através do contacto com roedores e cuja estirpe dos Andes, detetada
em passageiros infetados, é a única conhecida por casos de transmissão entre
humanos.
O
cruzeiro onde foram registados os casos e as mortes zarpou de Ushuaia, na
Patagónia, a 01 de Abril, com destino a Cabo Verde pelo que os investigadores
querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, Chile ou
Uruguai) através de roedores ou já a bordo.
O
primeiro passageiro a apresentar sintomas (febre, dor de cabeça e diarreia
ligeira) foi um holandês de 70 anos que adoeceu a 06 de abril e é considerado o
paciente zero. O homem morreu a bordo do navio no dia 11 de abril.
Treze
dias depois, o seu corpo foi desembarcado em Santa Helena (ilha remota no
Oceano Atlântico sul que faz parte do território britânico), juntamente com o
da sua mulher, uma holandesa de 69 anos.
A
mulher também apresentou sintomas, mas voou para Joanesburgo, África do Sul, a
25 de Abril, onde ia embarcar num voo para os Países Baixos. Morreu no dia
seguinte e a sua infeção por hantavírus foi confirmada a 04 de Maio.
Segundo
a empresa de navegação, um total de 30 passageiros - incluindo o corpo do
paciente zero - desembarcou do navio de cruzeiro em Santa Helena.
Entretanto,
a 02 de Maio, um cidadão alemão morreu a bordo após ter apresentado os
primeiros sintomas a 28 de Abril e um outro passageiro suíço, que também
desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo.
Mais
três casos suspeitos foram desembarcados na quarta-feira do navio 'MV Hondius'
em Cabo Verde - dois tripulantes britânicos e holandeses que estavam doentes e
um caso de contacto assintomático - e transferidos por voos médicos que
partiram de Praia.
Os
hantavírus são transmitidos aos humanos através de roedores selvagens infetados
que excretam o vírus na saliva, urina e fezes.
ANG/Inforpress/Lusa

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