França/Macron propõe nova política
francesa na África, com foco em segurança, migração e valorização das diásporas
Bissau, 13 Mai 26 (ANG) – O presidente francês, Emmanuel Macron, encerrou, terça-feira, em Nairobi, no Quénia, o Sommet Africa Forward, encontro inédito que reuniu cerca de 40 chefes de Estado e de governo com o objetivo de consolidar o que ele classificou como uma “relação renovada” entre a França e o continente africano.
Em entrevista exclusiva à RFI e aos canais France 24 e
TV5 Monde, Macron defendeu uma parceria “de igual para igual” e apresentou uma
agenda estratégica centrada na reestruturação da presença militar francesa no Sahel,
no diálogo sobre migração e no papel da diáspora africana na França.
Na conversa, o presidente francês
abordou inicialmente a presença histórica da França na África e os interesses
económicos e de investimento no continente, em um cenário de crescente
concorrência com potências como Estados Unidos e China.
Macron destacou que o anúncio, na
véspera, de € 23 bilhões em investimentos franceses na África representa,
segundo ele, uma “verdadeira revolução” na relação económica bilateral, com
foco na geração de empregos e na melhoria das condições de vida da população.
Outro
ponto citado na entrevista foi a reestruturação da presença militar
francesa no Sahel. Macron afirmou que Paris mudou sua abordagem,
passando a responder às demandas específicas dos países africanos.
“Não é porque estamos aqui desde sempre, com uma base militar e com soldados franceses, que isso precise continuar existindo (...) É uma parceria. São vocês que definem. Nós respondemos às suas demandas de segurança. Assim, repensamos tudo completamente. Fechamos bases, reduzimos significativamente outras. Todas as bases em que permanecemos funcionam de forma conjunta; muitas delas foram até rebatizadas com nomes africanos”, explicou no início da conversa de 40 minutos com os jornalistas.
“Nós normalizamos a situação: trata-se
de uma parceria justa, responsável e realmente em pé de igualdade”, destacou.
Na área
migratória, Macron defendeu um “diálogo honesto” que
concilie controle de fronteiras, proteção de valores e atração de talentos. Ele
citou os chamados “passaportes talento”, que, segundo ele, facilitam a
concessão de vistos para investidores, dirigentes empresariais e profissionais
qualificados, africanos ou europeus.
“É preciso melhorar esse diálogo de
maneira lúcida e totalmente franca. Assumo ter endurecido a política migratória
em certos pontos, porque o contexto assim exigia”, afirmou o presidente
francês, que está em seu último ano de mandato.
Macron também
destacou a restituição de obras de arte africanas como um passo
essencial para encerrar ciclos coloniais. Segundo ele, a devolução desses
patrimônios culturais “muda a relação cultural” e ajuda a reconstruir
vínculos com instituições locais e com a juventude africana. Ele citou como
exemplos os tesouros de Abomei, devolvidos ao Benim, além de
restituições ao Senegal, Costa do
Marfim e Madagascar.
Ao final da entrevista, Macron destacou o potencial das diásporas africanas na França, ressaltando o papel da juventude.
“Quero que nossa juventude na França
compreenda que tem um destino ligado a este continente. A África terá sucesso,
e nós teremos sucesso com ela”, afirmou. Segundo o presidente, cerca
de 17 milhões de pessoas fazem parte das diásporas africanas ligadas
à França. “Isso é uma chance para o nosso país”, concluiu.ANG/RFI

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