Educação / Conferência Nacional sobre Educação recomenda reformas urgentes e mais investimento no setor educativo
Bissau, 15
mai 26 (ANG) - Os participantes da primeira Conferência Nacional sobre Educação
recomendaram reformas profundas do sistema educativo guineense e um compromisso do Estado para enfrentar os
desafios estruturais que afetam o setor.
O encontro decorreu quinta-feira durante todo o dia sob o lema: “Por uma Educação de Qualidade, Inclusiva e Participativa”, reunindo representantes da Plataforma das Associações Estudantis, diretores de escolas, inspetores e outros atores ligados ao ensino.
No final dos
trabalhos, os participantes aprovaram a Declaração Final da Primeira
Conferência sobre Educação, documento que apresenta um diagnóstico crítico sobre
a situação atual do ensino na Guiné-Bissau e propõe um conjunto de medidas para
a refundação do sistema educativo nacional.
Segundo a Declaração
Final, o estado atual da educação reflete desafios históricos e estruturais que
exigem uma ação urgente e coordenada.
Os conferencistas identificaram graves
desigualdades sociais, regionais e económicas no acesso ao ensino, afetando
crianças, jovens, raparigas e estudantes das zonas rurais e de famílias em
situação de vulnerabilidade.
Alertaram para o comprometimento da qualidade do ensino
e da aprendizagem, devido a
insuficiência de professores, escassez
de materiais pedagógicos, instabilidade
recorrente do calendário escolar, fragilidade da fiscalização pedagógica e limitada valorização social da carreira
docente, fatores que, segundo afirmam, contribuem para a desmotivação dos
profissionais do setor.
Outro ponto
destacado foi a exclusão dos estudantes dos espaços de diálogo e de tomada de
decisão sobre as políticas educativas.
Para os
conferencistas, apesar de serem os principais beneficiários do sistema, os
estudantes continuam sem participação ativa na definição do futuro da educação
nacional.
A
conferência também identificou a
desconexão entre o sistema educativo e as necessidades reais do mercado de
trabalho e do desenvolvimento sustentável, e recomenda maior aposta na formação técnica e
profissional, bem como no empreendedorismo jovem, como forma de impulsionar a
transformação económica do país.
Os
participantes denunciaram a corrupção
endémica, a má gestão dos escassos recursos destinados ao setor e a persistente
instabilidade política como fatores que comprometem qualquer avanço
significativo na educação.
Os
conferencistas reafirmaram que a educação deve ser encarada como um direito
humano fundamental e não como privilégio de uma elite ou instrumento de
manipulação política.
Defenderam
uma educação inclusiva, assente na igualdade de oportunidades, na justiça
social e na qualidade da aprendizagem, alinhada com os princípios e metas
globais promovidos pela UNESCO e pelo UNICEF.
Entre as
principais recomendações apresentadas ao
Estado guineense constam o aumento progressivo do orçamento destinado ao setor
da educação, a implementação imediata de um plano nacional para construção e
reabilitação de escolas, a valorização dos professores através de formação
contínua e incentivos pedagógicos e a
adoção de mecanismos rigorosos para garantir transparência na gestão dos fundos
públicos.
Os
participantes pediram o reconhecimento formal das associações estudantis e a
sua integração nos espaços de diálogo e de tomada de decisões sobre políticas
educativas.
Ao presidir
ao encerramento da conferência, o ministro da Educação Nacional, Ensino
Superior e Investigação Científica, Mamadu Badji, prometeu trabalhar em
parceria com a Plataforma das Associações Estudantis e com os parceiros
técnicos e financeiros para responder, a curto, médio e longo prazo, às
preocupações levantadas durante o encontro.
Mamadu Badji
felicitou os organizadores pela visão estratégica e pelo compromisso cívico
demonstrado, destacando que a juventude guineense continua a afirmar-se como
uma força transformadora essencial para o desenvolvimento sustentável do país.
O governante
sublinhou que a conferência demonstrou que a educação continua a ser uma das
principais forças mobilizadoras para a transformação social, o reforço da
estabilidade institucional, a promoção do desenvolvimento económico e a
consolidação da paz na Guiné-Bissau.
A abertura da conferencia foi presidida pelo
Primeiro-ministro de transição, que na ocasião
prometeu dignificar os profissionais
dos sectores da educação e saúde.
Ilídio Vieira Té disse
que o desenvolvimento de qualquer país depende da valorização dos setores
sociais, nomeadamente o sector de educação e da saúde.
O chefe do executivo
apelara aos participantes da conferência para analisarem de forma séria, sem
tabu, a atual situação do ensino
guineense, e declarou que o Governo aguarda
as recomendações saídas do encontro para sua implementação, a medida do possível. ANG/LPG//SG

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