quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Moçambique/ Cerca de quatro milhões de pessoas afetadas por insegurança alimentar aguda

Bissau, 17 Set 26 (ANG) - Cerca de 3,5 milhões de moçambicanos enfrentam grave insegurança alimentar, o que coloca o país entre os mais vulneráveis ​​da África Austral, num contexto marcado por conflitos armados, dificuldades económicas e riscos climáticos crescentes, segundo um novo relatório.

A situação alimentar deverá permanecer instável até Janeiro de 2027, explica a Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA) em um relatório publicado na terça-feira.

Nas áreas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado e no norte de Nampula, espera-se que a fase 3 do IPC (crise) persista devido à atividade insurgente, ao deslocamento populacional, às perturbações do mercado e ao acesso limitado a alimentos e meios de subsistência.

Por outro lado, espera-se que a maior parte das regiões sul e central permaneça na fase 2 do IPC (sob pressão) até Setembro, graças aos estoques de alimentos ainda disponíveis nas residências e à produção da segunda safra agrícola, favorecida por chuvas suficientes e melhores condições de cultivo.

No entanto, com o início da entressafra e o esgotamento dos estoques, algumas áreas podem entrar na fase 3 entre Outubro e Janeiro, devido ao aumento dos preços dos produtos alimentícios básicos e à erosão do poder de compra, alerta a AGRA.

Segundo dados disponíveis até agosto, aproximadamente 18% da população analisada enfrenta insegurança alimentar aguda.

A situação é particularmente preocupante em Cabo Delgado e no norte de Nampula, onde a violência armada continua a interromper o acesso a alimentos, mercados e meios de subsistência, agravando a vulnerabilidade das pessoas deslocadas.

Em relação aos preços, o milho, principal cereal do país, registou uma queda mensal de 2% em agosto, graças à chegada das safras aos mercados e à melhoria da oferta. No entanto, seu preço permanece 10,7% superior ao registado no mesmo período de 2025.

O relatório destaca ainda o impacto dos custos de energia na economia moçambicana. O preço do gasóleo mantém-se 85% acima do valor de Março, um dos aumentos mais acentuados registados na região, com repercussões diretas nos custos dos transportes e da produção agrícola. ANG/Faapa

    

 

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