terça-feira, 24 de janeiro de 2023

  África subsaariana/Número de vítimas de tráfico humano  diminuiu – ONU

Bissau, 24 Jan 23 (ANG) – O número de vítimas de tráfico humano detectados na África subsaariana diminuiu ligeiramente em 12% entre 2019 e 2020, refere o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas das Nações Unidas, relativo a 2022 e hoje divulgado.

Segundo o documento, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), as crianças continuam a representar a maioria das vítimas detectadas e se a elas se juntar as mulheres, o total de vítimas destes dois grupos populacionais traficados na África subsaariana é de 62%.

“Entre 2019 e 2020, a taxa de vítimas infantis por 1.000.000 habitantes aumentou 43%”, todavia, detalha o relatório, “são detectadas menos vítimas por 100.000 habitantes do que noutras partes do mundo”.

“Embora a exploração sexual seja historicamente uma forma de exploração noutras regiões que registam maioria de vítimas do sexo feminino, o trabalho forçado continua a ser a forma mais comum de tráfico detectada na África subsaariana, particularmente nos países da África Oriental, em que o tráfico para trabalho forçado representou 80% da forma de exploração para o total de vítimas registado em 2020”, aponta o relatório.

Em comparação com outras regiões de tráfico transfronteiriço, as vítimas da África subsaariana são detectadas num número crescente de países, tanto dentro como fora da região de origem.

Segundo o relatório, 85% das vítimas detectadas em 2020 foram traficadas domesticamente e nas situações em que foram detectadas vítimas estrangeiras, a maioria era traficada dentro da região de outros países da África subsaariana, particularmente de países da África Oriental e Austral.

“Os relativamente poucos fluxos de longa distância para a África subsaariana são originários principalmente do sul e leste da Ásia. No entanto, os fluxos da África subsaariana são muito mais variados e extensos. A maioria que é traficada fora da região é detectada em países do norte de África e do Médio Oriente Médio e na Europa”, destaca o documento.

Embora os homens representem a parcela dominante dos traficantes acusados na África subsaariana, as mulheres são condenadas numa grande proporção (44%).

“Em 2020, em cada dez pessoas acusadas, duas eram mulheres. Ainda, no mesmo período, por cada dez pessoas condenadas, quatro eram mulheres”, detalha.

No texto de apresentação do relatório, a directora-executiva do UNODC, Ghada Waly explica que o documento, que vai na sua sétima edição, “visa chamar a atenção para um problema partilhado e impulsionar a acção contra esse crime, fornecendo aos atores políticos e profissionais as informações e análises que necessitam para ajustar respostas e melhorar a prevenção”.

“Pela primeira vez, o relatório também apresenta contribuições de jovens académicos como parte dos esforços do UNODC para apoiar a próxima geração de investigadores e construir novas ligações para apoiar soluções eficazes”, acrescenta.

Ghada Wally vinca que não se pode permitir que um “crime imoral” como é o tráfico humano “seja encarado com indiferença e impunidade”.

“Aproveitemos esta oportunidade para redobrar o nosso compromisso e juntar comunidades e governos, forças da autoridade, saúde e serviços sociais, escolas, sociedade civil, universidades, ONU e todos os parceiros para fortalecer a resiliência contra a exploração e acabar com o tráfico de pessoas de uma vez por todas”, conclui. ANG/Inforpress/Lusa

 


CEDEAO
/Presidente da República afirma que o sistema monetário que se pretende criar dará novo impulso à integração regional

Bissau,24 Jan 23(ANG) – O Presidente da República disse hoje que o sistema monetário que se pretende criar no espaço da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO), vai dar um novo e grande impulso à integração regional.

Umaro Sissoco Embaló falava  na abertura do seminário de informação e sensibilização dos parlamentares da CEDEAO sobre a moeda única na África Ocidental denominada de Eco, sob o tema” A moeda comum e o sistema de pagamento interbancário da CEDEAO como promotor de comércio regional”.

Na ocasião, o chefe de Estado disse que a nova moeda via cimentar, mais fortemente, os laços de amizade, solidariedade e cooperação que unem os países e povos irmãos.

Embaló salientou que, contudo, este processo que deve ser conduzido de maneira serena e abrangente, coloca vários desafios.

“Por isso, mesmo a tarefa de pôr de pé a Moeda Comum da CEDEAO e o Sistema de Pagamento Interbancário como Promotores do Comércio Regional, representa uma tarefa complexa que interpela a classe política e necessita de uma larga e inclusiva reflexão por parte de todos os interessados”, frisou.

Umaro Sissoco Embaló referiu  que o espaço CEDEAO engloba 15 países  economicamente diferentes.

“São diferentes pela sua dimensão territorial e importância demográfica, pela capacidade de produção de cada país  e de criação de  riquezas e de se inserir vantajosamente numa economia globalizada”, disse.

O Presidente da República salientou que a expetativa  dos Estados-Membros é de que a Moeda Única Comum da CEDEAO se torne um instrumento catalizador, uma alavanca para impulsionar as trocas comerciais e, por via disso, uma integração e um forte crescimento económico, capaz de garantir o desenvolvimento sustentável de todos os países membros.

O ministro das Finanças afirmou na ocasião que o seminário organizado pelo Parlamento da CEDEAO se reveste de capital importância, na medida em que permitirá aos parlamentares da comunidade debruçarem-se sobre os grandes desígnios da integração económica e monetária.

Ilídio Vieira Té disse  que constitui um grande desafio para as autoridades, a implementação efetiva de uma moeda única da CEDEAO, o Eco.

“Os precursores dos desígnios da nossa integração económica e monetária, que teve início com a criação da CEDEAO, em 1975, tinham em mente, certamente, o provérbio, a união faz a força”, disse.

O governante afirmou que a noção da força aqui pode ser traduzida como benefícios, em termos de melhoria da eficiência económica, através da eliminação dos custos de transação, da supressão de custos de câmbio e da estabilidade de preços que a União Económica e Monetária traz às economias e às populações do espaço de integração.

Informou que, nos anos 80, as Autoridades da Comunidade adoptaram várias iniciativas com vista ao aprofundamento da integração regional, com o objetivo de criar uma união económica e monetária no seio da  CEDEAO, em 2020.

Ilídio Vieira Té apela  maior engajamento de todas as autoridades políticas para se  chegar, rapidamente, aos compromissos que possam acelerar, de forma segura, os passos tendentes à adopção, em 2027, do Eco.

Pediu igualmente ajudas na sensibilização das populações quanto aos ganhos que todos podem ter coma implementação da Moeda Única.

O seminário que decorre entre os dias 24 e 26 do corrente mês em Bissau, visa dotar os participantes de informações sobre as vantagens da Moeda Única e do projeto do desenvolvimento do Sistema de Pagamento Interbancário no espaço CEDEAO.ANG/ÂC//SG

                    RDC/ONU alerta para risco de genocídio no nordeste

Bissau, 24 Jan 23 (ANG) - As Nações Unidas alertaram segunda-feira para o risco da recente vaga de violência na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), poder a um novo genocídio na região, segundo cita a EFE.

"Há civis que estão a ser massacrados pela sua etnia, mais uma vez. As condições necessárias para serem cometidos crimes hediondos ainda estão presentes numa região onde já ocorreu o genocídio em 1994", sublinhou, Alice Wairimu Nderitu, conselheira especial da ONU para a Prevenção do Genocídio.

Em comunicado citado pela agência EFE, Nderitu disse que têm de fazer todos os possíveis para garantir que a história não se repita.

Este alerta da ONU surge depois dos "capacetes azuis" da organização terem encontrado na semana passada 49 corpos de civis, incluindo doze mulheres e seis crianças, em valas comuns em duas cidades de Ituri, após ataques perpetrados pelo grupo armado Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO).

A conselheira especial lembrou que a violência naquela região é em parte resultado de lutas por recursos naturais, mas tem as suas raízes nas tensões entre as comunidades Lendu (agricultores) e Hema (pastores) que já causaram milhares de mortos entre 1999 e 2003.

Os ataques de grupos armados contra cidades da região regressaram em 2017 e nos últimos meses houve uma escalada significativa da violência, especialmente da CODECO, que representa a comunidade Lendu e foi formada como um grupo armado em 2018 para lutar contra os abusos do Exército congolês.

"A situação em Ituri é extremamente volátil. Se não agirmos rapidamente, a região pode mergulhar em crimes atrozes, como aconteceu no passado", destacou Alice Wairimu Nderitu.

Desde 1998, o leste da RDC tem estado mergulhado num conflito alimentado pelas milícias rebeldes e pelo Exército, apesar da presença da missão das Nações Unidas na RDC (Monusco), com 16 mil militares uniformizados no terreno.ANG/Angop

 

Pescas/Ministro Viegas diz  que  a campanha desenvolvida com a União Europeia produziu resultados satisfatórios

Bissau, 24 Jan 23 (ANG) – O Ministro das Pescas (MP), disse hoje que    campanha para a melhoria da seletividade das redes de arrasto, desenvolvida com a União Europeia, produziu resultados satisfatórios quanto  a gestão dos recursos haliêuticos para  2023.

Orlando Mendes Viegas falava  no encerramento da reunião de apresentaçao do relatório da campanha desenvolvida no sector das pescas entre a Guiné-Bissau e a União Europeia (EU), e diz  que permiiu estimar a biomassa das principais espécies de maior valor comercial.

“Convém salientar que o resultado da referida campanha permitiu  a administração das pescas, elaboração e  estabelecimento de um plano de gestão dos recursos haliêuticos para o presente ano”, disse Viegas.

O plano referido por Orlando Viegas contempla as medidas de gestão, de conservação e proteção dos recursos pesqueiros, nomeadamente o esforço de pesca a empreender, a percentagem da pesca assessória , dimensão das malhas, o tamanho mínimo das espécies a capturar, desenbarcar e comercializar.

Segundo o ministro das Pescas,  cientistas espanhois estão a trabalhar no reforço da capacidade dos técnicos nacionais de Centro de Investigação Pesquisa Aplicada (CIPA), transferindo-lhes experiências no domínio da biologia marinha e oceanografia.

Intervindo no ato, o Embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Artis Bertulis destacou que os  dados científicos fiáveis e completos são de uma importância fundamental para a gestão sustentável dos recursos haliêuticos da Guiné-Bissau e da região.

 “A União Europeia tranbalha ao lado da Guiné-Bissau há 46 anos e o nosso acordo de parceria no domínio da pescas celebrou 15 anos no ano passado. A União Europeia (UE) tem uma acção muito concreta e activa no apoio ao desenvolvimento da investigação científica na área dos recursos haliêuticos da Guiné-Bissau”, disse Artis Bertulis.

Para o Embaixador Espanhol acreditado na Guiné-Bissau, Antonio González Zavala, o que é bom para a Guiné-Bissau também é bom para a Espanha.

O diplomata espanhol  diz   que os dois países têm muitas áreas económicas de interesse comum, e diz que terão ainda mais no futuro.

Antonio González Zavala acrescentou que os dois países são principais utilizadores do acordo bilateral da União Europeia (UE) com a Guiné-Bissau, e que, por esta razão, são os primeiros a estar interessados em assegurar que a gestão dos recursos  pesqueiros seja transparentes.

O Estado da Guiné-Bissau através do Ministério das Pescas e a União Europeia (UE), efetuaram uma campanha de avaliação dos Stocks demersais realizada entre os dias 18 de Novembro e 02 de Dezembro de 2022, no âmbito dos fundos de apoio setorial do acordo de pesca Guiné-Bissau/União Europeia (UE).ANG/LLA//SG       

Joanesburgo/Marinha da África do Sul receberá forças navais russas e chinesas para exercícios conjuntos

Bissau, 24 Jan 23(ANG) – A África do Sul receberá forças navais chinesas e russas em um exercício marítimo multilateral no próximo mês em Durban e Richards Bay, KwaZulu-Natal, anunciou o Departamento de Defesa e Assuntos dos Veteranos do país.

Intitulado “Mosi II”, o exercício naval conjunto acontecerá de 17 a 27 de Fevereiro e verá mais de 350 soldados sul-africanos se juntarem a seus colegas chineses e russos, disse o ministério em comunicado.

“O exercício planeado beneficiará todos os países envolvidos em termos de interoperabilidade de sistemas navais, melhoria de sistemas conjuntos de gerenciamento de desastres, cooperação marítima e treinamento antipirataria”, disse o ministro de Defesa e Assuntos dos Veteranos sul-africano, Thandi Modise, no comunicado.

A África do Sul realizou o seu primeiro exercício conjunto com as forças navais chinesas e russas em Novembro de 2019 na Cidade do Cabo.

ANG/Inforpress/Xinhua

 

Ensino/ PNUD financia bolsas de estudo interno para dez estudantes portadores de deficiências

Bissau, 24 jan 23 (ANG) – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD) vai financiar durante quatro anos bolsas de estudo interno para dez jovens guineenses portadores de deficiências .

A revelação, de acordo com a Rádio BombolomFM, foi feita hoje pelo Presidente da  Associação dos Deficientes, Malam Camará, durante o ato de lançamento do projeto denominado “ Formação é o Caminho para Inclusão Social”,

Camará disse que o projeto tem como objetivo ajudar as pessoas portadoras de  dificiência a prosseguir estudos ou seja a terem uma formação superior.

“Temos cerca de quatro categorias de dificiência: motora, física, de baixa visão e albinos. Para além das carências ao nivel das familias verificamos que há uma certa discriminação na conceção de bolsas. Por isso,  recorremos à uma  pequena subvenção do PNUD através do projecto SJP e conseguimos apoios para dez pessoas, para ajudá-los na formação e no emprego”, explicou.

Malam Camará acrescentou que  três dos dez beneficiários desse projecto estão a formar-se no dominio da Ciência do Mar e Ambiente, na área de Gestão Portuaria e Marítmo e que os restantes em diferentes áreas,nomeadamente Jornalismo, informática, Contabilidade e Bancos e Seguros.

De acordo com o Presidente  da  Associação dos Dificientes os bolseiros frequentam cursos na Universidade Lusófona, em Bissau e  na Universidade Livre da Guiné, que funciona no setor de Safim. ANG/LPG//SG

  

         Califórnia/Novo ataque em 48 horas enluta comunidade asiática

Bissau, 24 Jan 23 (ANG) – Sete  pessoas morreram e uma oitava foi gravemente ferida esta, terça-feira,num ataque que visou trabalhadores agrícolas chineses em duas quintas situadas em Half Moon Bay, perto de San Francisco.

No sábado, 11 pessoas morreram num tir
oteio ocorrido durante os festejos do novo ano chinês noutra localidade da Califórnia.

Numa altura em que a Califórnia ainda está a tentar perceber o que sucedeu no passado fim-de-semana, um novo ataque com moldes parecidos veio enlutar a comunidade asiática desse Estado do oeste dos Estados Unidos.

O presumível autor deste novo tiroteio, Chunli Zhao, 67 anos, foi detido, anunciou a polícia local que está a investigar as circunstâncias e motivos do sucedido.

De acordo com os dados até agora recolhidos, foi encontrada uma pistola semiautomática no veículo do suspeito e as autoridades acreditam que ele terá actuado sozinho.

Reagindo a esta nova tragédia, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, escreveu na rede Twitter que "estava no hospital para visitar as vítimas de uma matança (de sábado), quando foi chamado à parte para ser informado de um novo tiroteio, desta vez em Half Moon Bay. Tragédia após tragédia".

De acordo com uma contagem efectuada pela agência noticiosa Associated Press, o jornal USA Today e a Universidade Northeastern, desde o começo deste ano 39 pessoas morreram em 3 ataques distintos nos Estados Unidos, país onde o porte de armas pelos cidadãos é permitido e inclusivamente consagrado na Constituição, apesar de gerar cada vez mais debate. ANG/RFI

 


Sociedade
/Forúm Pensar Tombali oferece materiais escolares e roupas usadas às familias vitimas do incéndio em Bubaque

Bissau, 24 Jan 23 (ANG) - O Forúm Pensar Tombali ofereceu , segunda-feira,  materiais escolares e roupas usadas às familias vítimas do incêndio ocorrido recentemente na tabanca de Meneque, ilha de Canhabaque, sector de Bubaque, no Sul.

Segundo a Rádio Bombolom FM, o gesto de caridade decorreu em Bissau, e o coordenador da organização Mamadú Boi Djaló realcou a importância da oferta para as vítimas desse incêndio.

“É com profunda tristeza que tomamos  conhecimento deste trágico acontecimento. Não obstante que o nosso Fôrum, tal como o nome  indica, intervêm na região de Tombali,  interessa lhe saber o que se passa nas outras regiões que compôem a Província Sul”,disse Boi Djaló.

Considerou de pouco o apoio que o Fôrum deu às familias vítimas desse incêndio  mas diz esperar que possa  mitigar o sofrimento das pessoas necessitadas.

“Trazemos   roupas usadas, calçados, brinquedos para crianças e ficou para próxima, a entrega de materiais escolares para alunos num total de 77, de 30 familias que ficaram sem teto.

Em nome das vitimas do incêndio da tabanca de Meneque, ilha de Canhabaque,  Augusto Jaime agradeceu a iniciativa do Fôrum Pensar Tombali.

Disse que para além do apoio recebido da parte do Forúm Pensar Tombali, algumas  doações recebidas já se encontram  em Canhabaque, e que são  3100 folhas de zinco e 117 sacos de arroz,  para ajudar as famílias a reconstruirem as suas habitações.

Neste quadro de apoio, Augusto Jaime informou que o executivo já deu luz verde para se apoiar a essas pessoas sem abrigo,e que pessoas singulares e várias organizações políticas, nomeadamente O Partido Áfricano da Independência da Guiné e Cabo Verde PAIGC, o Partido da Renovação Social PRS, Movimento para Alternância Democratica MADEM-G15 e Operadores Turísticos  deram igulamente as suas contribuções.

Um incêndio provocado por um curto-circuito de painel solar deixou na semana passada 300 famílias sem abrigo,  na tabanca de Meneque, ilha de Canhabaque, no sector de Bubaque, Sul do país.  ANG/LPG//SG

Diplomacia/”França está numa situação diplomática deplorável no continente africano", diz investigador Régio Conrado

Bissau, 24 Jan 23 (ANG) - Meses depois do Mali, o Burkina Faso pediu à França para retirar as tropas do seu território e a decisão é acompanhada por um recuo da influência francesa e por avanços russos.

 "A França está numa situação diplomática profundamente deplorável no continente africano", resume o investigador Régio Conrado, numa entrevista sobre as causas e o impacto da decisão de Ouagadougou.

 “Não é nenhuma surpresa que haja estas contestações no contexto africano recente ao exército francês no continente africano por causa do insucesso que teve durante muito tempo. Isto criou uma percepção muito negativa em relação à fiabilidade deste exército francês”, começa por explicar Régio Conrado, professor na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

Por outro lado, “também há uma percepção de que a França é um país que, de forma implícita ou indirecta, vai contribuindo para a degradação da situação securitária nestes países”. A isto junta-se “o exemplo do Mali” que pediu e obteve a retirada das tropas da operação antijihadista e “que mostrou que a sua articulação com novas alianças internacionais - como é o caso da Rússia e do caso não oficial do grupo Wagner - trouxe resultados muito mais palpáveis”.

Régio Conrado sublinha que “as soluções que a Rússia apresenta parecem muito mais eficazes” e aponta como exemplos o fornecimento de material bélico, “treinamento táctico eficiente” e a formação de oficiais superiores.

Agora é a vez do Burkina Faso. Desde a chegada ao poder da junta militar, naquele que foi o segundo golpe militar em oito meses, houve uma aproximação com a Rússia. Na semana passada, o chefe de governo interino, Apollinaire Kyélem de Tembela, encontrou-se com o embaixador russo e há um mês esteve em Moscovo. Porque é que há a percepção que a Rússia pode ser mais eficaz? Para Régio Conrado, a resposta passa por olhar para a forma como a França respondeu à Ucrânia e a forma como tem respondido aos países africanos assolados pelo jihadismo.

Não se pode pretender ter relações diplomáticas e militares com um determinado país, cujo objectivo é combater o grupo terrorista, se nós não fornecermos armamento ou material bélico letal, se não dermos formações de qualidade para que os militares nacionais possam ser eles próprios a combaterem e a protegerem a sua terra. Nós constatamos que, nos dez anos de articulação diplomática e militar com a França, estes países não tiveram fornecimento de material, não tiveram formação táctica profunda. É como se a França se quisesse substituir a este exército nacional e manter a dependência, uma dependência neocolonial, desses países em relação a França.

Nesta equação diplomático-militar, “é necessário multiplicar os parceiros”, olhando nomeadamente para a Rússia, mesmo que isso signifique “subtrair a França”. Régio Conrado acrescenta que multiplicar parceiros evita “criar uma dependência crónica” com apenas um deles e que “o desaparecimento de França na África do Oeste não significa o desaparecimento do Ocidente”, até porque “os Estados Unidos continuam a dar treino aos militares” e os “alemães estão presentes financeiramente”, por exemplo.

Régio Conrado vai mais longe e fala mesmo em “hipocrisia estrutural por parte de França.

Se for a ver todo o investimento que estão a fazer no contexto da Ucrânia, porque é que não o fizeram no continente africano? Porque é que não deram tanto dinheiro aos países africanos que estão em conflito com o terrorismo há mais de dez anos? Porque é que o nível de investimento que a França fez em menos de um ano na Ucrânia não o deu aos países onde ela se investia? Há uma hipocrisia que é estrutural e que criou várias situações de conflito.

A França está numa situação diplomática profundamente deplorável no continente africano, está numa situação profundamente crítica no continente africano e é preciso não esquecer que a capacidade de a França influenciar as mentalidades está profundamente enfraquecida. ANG/RFI

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

 Energia/ Bissau acolhe 48ª sessão de reunião  de Conselho de Ministros da OMVG

Bissau, 23 Jan 23 (ANG) – Bissau vai acolher, brevemente, os trabalhos da 48ª sessão de reunião  de Conselho de Ministros da Organização para Valorização do Rio Gâmbia (OMVG).

Para o efeito, decorre entre hoje e o próximo dia 27, uma reunião técnica preparatória dessa  reunião de Conselho de Ministros.


Ao presidir a reunião preparatória,esta segunda-feira, o Secretário-geral do ministério dos Recursos Naturais, Julião Agostinho Combem reafirmou o comprimisso do governo em relação aos ideais da cooperação sub regional  e da integração na organização.

Julião Agostinho Combem disse que os trabalhos da reunião de hoje  permitirão encontrar soluções coerentes com vista a ultrapassar os desafios de implementação do projeto da Organização para Valorização do Rio Gâmbia (OMVG), designadamente a interconexão do projeto elétrica da Organização entre quatro países.

Garantiu o empenho das autoridades nacionais para se  supurar os obstáculos relativos a indemnização das pessoas  afectadas pelo projeto.

Salientou  que o país aguarda a chegada da eletricidade de Kaleta, assim como a de Samba Galo, cujos os trabalhos estão em curso.

“Isso irá reduzir drasticamente, a fatura do consumo, e assegurar o fornecimente da corrente elétrica à todo o país”, disse.

 “ À luz dos pontos inscritos para esta reunião e tendo en conta os resultados esperados estamos convencidos de que os projetos da OMVG  terão uma boa dinâmica na sua implementação, e peço aos presentes a darem as suas contribuições de forma significativa para o sucesso do trabalho”, exortou Julião Agostinho Combem.

O Alto Comissariado da Orgaização para Valorização do Rio Ganbia (OMVG)  Lansana Fofana  dirigiu as boas vindas aos participantes e agradeceu ao Presidente Sissoco Embaló, ao Primeiro-ministro, Nuno Nabiam e ao povo guinense pela acolhimento e hospitalidade reservados às diferentes delegações.

“Esta reunião de técnicos permitirá de um lado a aprovação do programa de atividade anual e por outro,  o orçamento de funcionamento do alto comissariado para 2023, e ainda a estratégia para  finalização rápida dos trabalhos restantes da interconexão elétrica entre os nossos países, do projeto de energia da OMVG”, disse.

Fofana referiu que  2022 registou avancos significativos dos  trabalhos, nomeadamente a instalação de vários postos e linhas de interconexão elétrica nos países baneficiários do projeto, e a assinatura de contratos entre empresas de exploração de eletricidade nesses países.

Coodenador da Celula Nacional da OMVG Vicente Có reiterou  que os trabalhos do projeto estão muito avançado, faltando  conectar Saltinho com Bissau e Quebo, para se transportar a corrente  elétrica para o Sul do país.

Relativamente a construção da linha, disse que faltam 20 por cento para conclusão dos trabalhos, mas que até  Abril os trabalhos poderão ser concluídos.

Em relação aos bloqueios disse que ainda estão por resolver algumas questões relacionadas a indemnização das pessoas cujos bens foram afetados pelo projeto.  

Trata-se de um projeto de interconexão elétrica entre Gâmbia, Guiné-Bissau, República da Guiné e Senegal, países membros da OMVG.ANG/LPG//SG

 Cabo Verde/ Guterres pede "justiça climática” para países africanos

Bissau. 23 Jan 23 (ANG) - O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, que se encontra em Cabo Verde para participar, na Conferência dos Oceanos, mostrou-se, segunda-feira, frustrado pelo facto de o mundo estar a perder a luta contra as alterações climáticas. 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou a sua frustração com os líderes mundiais em conferência de imprensa, após ter-se reunido com o primeiro-ministro cabo-verdiano, na ilha de São Vicente.


Estou profundamente frustrado com o facto dos líderes mundiais não estarem a prestar a esta emergência, uma emergência de vida ou de morte, a ação e os investimentos necessários. Estamos perante a luta das nossas vidas e infelizmente estamos a perdê-la. As emissões continuam a aumentar, as temperaturas não param de subir, estamos prestes a ultrapassar o limite de 1,5 graus e, se nada for feito, a caminho, na direcção dos 2,8 graus de aquecimento global até ao final do século. Seria uma catástrofe de consequências devastadoras. Várias partes do nosso planeta seriam inabitáveis, particularmente, em África, e para muitos, esta seria uma sentença de morte” disse o secretário-geral da ONU.

António Guterres pediu mais solidariedademaior sentido de urgência e mais ambição. E, ainda, justiça para países como Cabo Verde que não contribuíram para as mudanças climáticas.

Precisamos de justiça para aqueles que, como Cabo Verde, praticamente nada fizeram para provocar esta crise, mas pagam por causa dela um preço muito elevado. Cabo Verde tem demonstrado liderança climática em palavras e ações”, disse António Guterres.

O responsável da ONU destacou ainda os "objectivos de conservação e proteção marinha de Cabo Verde, conforme estabelecidos na estratégia nacional de desenvolvimento sustentável - ambição 2030 - bem como os esforços do arquipélago na reconversão da dívida em projectos climáticos, incluindo investimentos na economia azul".

O secretário-geral da ONU, encontra-se em Cabo Verde, no âmbito da Ocean Race, a maior regata do mundo que de 20 a 25 de Janeiro faz escala na ilha de São Vicente. ANG/RFI

 

 

 Brasil/ Lula da Silva demite comandante do exército

Bissau, 23 Jan 23 (ANG) - O Presidente Lula da Silva demitiu , sábado, 21 de Janeiro, o comandante do exército brasileiro, Júlio César de Arruda, que assumiu o cargo durante o Governo de Bolsonaro.

A decisão foi tomada 13 dias após as invasões em Brasília e antes de viajar para a Argentina, onde vai participar na cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribe.


De acordo com a imprensa brasileira, Júlio César de Arruda será substituído pelo comandante militar do Sudeste, Tomas Ribeiro Paiva, que já veio garantir que o exército vai continuar "a garantir a democracia" e que é preciso "respeitar os resultados das urnas”.

Na sexta-feira, Lula da Silva reuniu-se, pela primeira vez, com os três chefes do exército. No final do encontro, o ministro da Defesa, José Mucio, garantiu que não houve "envolvimento directo" do exército nos distúrbios de Brasília.

Este domingo, 22 de Janeiro, o Presidente do Brasil inicia a primeira visita de Estado à Argentina, respeitando a tradição que quer que a primeira deslocação seja reservada ao país vizinho.

Em Buenos Aires, Lula da Silva tem encontro marcado com o Presidente Alberto Fernandez, mas também com os homólogos da região, que estão no país a participar na cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribe -Celac.

Em declarações à AFP, João Daniel Almeida, especialista em relações internacionais da Universidade Pontifícia do Rio, defendeu que prioridade de Luíz Inácio Lula da Silva  é “reconectar-se com a América Latina, região essencial para o Brasil, mas relegada para segundo plano” por Jair Bolsonaro.

A Argentina é "um parceiro muito importante" do Brasil, sublinhou o vice-presidente de Lula da silva, Geraldo Alckmin. As exportações brasileiras para Argentina ultrapassaram 15 milhões de dólares no ano passado.

Os dois estadistas devem ainda passar em revista as questões de comércio, ciência, tecnologia e defesa. ANG/RFI

 

 Portugal/UCCLA quer homenagear Amílcar Cabral no ano do cinquentenário do seu assassinato e do centenário do nascimento

 

Bissau,  23 Jan 23(ANG) – A União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) está a preparar um programa de homenagem a Amílcar Cabral neste ano do cinquentenário do seu assassinato e em 2024, ano do centenário do seu nascimento.


O anúncio é feito pelo secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, através de uma nota informativa enviada à Inforpress, que lembrou que na altura, Amílcar Cabral, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi assassinado em Conacri a 20 de Janeiro de 1973, e que nasceu a 12 de Setembro de 1924, em Bafatá, Guiné-Bissau.

“Dado o facto de no ano em curso, 2023, ocorrer o cinquentenário do assassinato e para o ano o centenário do nascimento, a UCCLA tem em preparação um vasto programa de homenagem a Amílcar Cabral que assinalará a sua multifacetada personalidade, nos domínios profissional, cultural e político, a partir do segundo semestre do ano em curso”, frisou.

O secretário-geral da UCCLA considera que Amílcar Cabral é uma “personalidade de referência transversal a todos os momentos de libertação das ex-colónias portuguesas e com prestígio mundial”.

De acordo com Vitor Ramalho, a homenagem, de que oportunamente se será divulgado o programa, irá envolver “o contributo de cidades associadas da UCCLA, a participação de personalidades e instituições de reconhecido mérito dos países de língua oficial portuguesa, com a dignidade com que se levou a efeito a homenagem aos associados da Casa dos Estudantes do Império”.

Isso porque, conforme a mesma fonte, em Lisboa, Amílcar Cabral foi associado e activista da Casa dos Estudantes do Império (CEI), com “papel de relevo nela”, sendo que a UCCLA, na homenagem que levou a efeito a esta associação, criada em 1943 e extinta em 1965 pelo regime anterior, em resultado da actividade anti-colonial desenvolvida.

Amílcar Cabral passou a residir a partir dos 8 anos de idade em Cabo Verde e, mais tarde, com uma bolsa de estudo veio para Lisboa, onde se licenciou no Instituto Superior de Agronomia, tendo exercido a actividade profissional em Santarém e posteriormente em Cabo Verde.

No arquipélago, “se evidenciou” na militância anti-colonial, tendo sido transferido para Angola, onde assinou o “Manifesto de 1956”, um dos documentos que iriam conduzir à criação, mais tarde, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e em 1969 fundou o PAIGC.

No dia 20 de Janeiro, em Cabo Verde, assinalou-se o Dia dos Heróis Nacionais, data que também marca o assassinato de Amílcar Cabral, em 1973, depois de uma luta armada iniciada em 1962 contra o colonialismo português, e várias actividades foram promovidas por diferentes organizações. ANG/Inforpress

 

 Luta livre/  Diamantino Iuna Fafe conguista medalha de prata no grande prémio de França “Henri Deglane”

Bissau, 23 Jan 23 (ANG) – O jovem lutador guineense, Diamatino Iuna Fafe ( 57kg) conquistou recentimente, no grande prémio de França “Henri Deglane”, a sua primeira medalha de prata deste ano, ao ficar em segundo lugar, num duelo  final com o seu similar norte americano.

 A informação foi avançada pela Federação de Luta da Guiné-Bissau na sua pagina ofical no facebook, consultada  hoje pela  ANG.


“As conquistas não param, Diamantino Iuna Fafé conseguiu no passado dia  21 de Janeiro, a sua preimera medalha de prata como vice campõe na categoria de 57 kg, no grande prémio Henri Deglane, a  decorrer em Nice,  França”,, eferiu a  FLGB.

A publicação ainda refere que Diamntino desafiou três lutadores norte americanos, e derrotou dois e perdeu com o último na final.

A Federação de Luta da Guiné-Bissau revelou na mesma publicação que o país esteve representado no evento por dois lutadores, bolseiros olímpicos: Diamntino Iuna Fafé e M`bundé Cumba Mbali, este último derrotado logo no combate de estreia.

Oa dois lutadores estão há alguns  meses no centro de treino de alto redimento na Costa do Marfim, como bolseiros olímpicos. ANG/LPG//SG

 Agricultura/Governo e Grupo canadiano “Jd Euroway” lançam Banco de Crédito Agrícola no país

Bissau, 23 Jan 23 (ANG) – O Governo,  em parceria com o Grupo canadiano “Jd Euroway lançaram,  oficialmente, no sábado, o primeiro  Banco de Crédito Agrícola, em Quinhemel, região de Biombo, norte do país.


Segundo o jornal, O Democrata, que cita o ministro das Finanças,Ilídio Vieira Té a iniciativa representa a determinação do Executivo de desenvolvimento o setor agrário guineense, tido como “motor” do dedesenvolvimento do país.

“É preciso apostar seriamente na agricultura enquanto sector cheve para o desenvolviemnto da Guiné-Bissau”, sustentou Vieira Té.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural Botche Candé declarou na cerimónia que deu orientações para que 80 por cento dos técnicos do seu ministério  fossem ao  terreno  orientar a população sobre as técnicas de  cultivo, e que os restantes 20 por cento ficassem  no gabinete para tratar das questões  administrativas.

Para o  Presidente da Associação Nacional dos Agricultopres da Guiné-Bissau Jaime Boles  não é possivel desenvolver um país sem um banco de investimento e de crédito para a agricultura. Por isso, Bules diz que  agradeceu ao grupo canadiano “Jd Euroway” pela confiança de  investir na Guiné-Bissau.

Disse  que o novo banco tem como objectivo fianciar apenas projetos ligados à agricultura no país.

Em representação do grupo Canadiano JD Euroway”, Paulo Godou informou que a  sua instituição bancária esta determinada em realizar investimentos  na Guiné-Bissau, tendo em conta as potencialidades agrícolas que o país dispõe.

Nesse mesmo dia de lançamento do primeiro Banco de Crédito Agrícola no país, segundo o jornal “O Democata”, o Ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té afirmou que  não tem medo de ameaças de ninguém, relativas a iníciativa do governo de recuperar as casas do Estado,do bairro de ministros, ocupadas por antigos governantes e  chefes militares.

O Governo deu a partir da semana passada 90 dias aos ocupantes desses imóveis para, voluntariamente, os abandonar.

“Existem vários filhos da GB que não contribuiram para  para o país avançar,mas as atuais autoridades no poder jamais permitirão a desordem no país”, avisou.

Vieira Té reiterou  que o Estado colocou os referidos  imóveis à disposição de pessoas no exercício de funções,  e que no fim  dessas funções esses patrimónios devem ser devolvidos ao proprietário que é o Estado.

ANG/ jornal “Odemocrata

 Cabo Verde / Seleção feminina da Guiné-Bissau vence a da Mauritânia e pode chegar as meias finais

Bissau, 23 Jan 23 (ANG) - A seleção feminina da Guiné-Bissau venceu no domingo a seleção da Mauritânia por uma bola a zero no jogo da segunda jornada do grupo A do torneio da UFOA, a decorrer desde o dia 20, em Cabo Verde.


No Estádio Marcelo Leitão, as duas seleções saíram ao intervalo empatadas a zero bolas. No reatar do encontro, a Guiné-Bissau entrou melhor e conseguiu chegar ao golo aos 54 minutos, na sequência de um pontapé de canto, com a Luísa Mendes a saltar mais alto que as defensas da Mauritânia e a marcar  o golo.

Depois do golo, a Guiné-Bissau conseguiu gerir o resultado da melhor forma, criou várias oportunidades e controlou o jogo até o apito final, perante uma Mauritânia que poucas vezes chegou a baliza das Djurtus.

Luísa Mendes foi considerada a melhor em campo. ANG/FUT 245

    Portugal/Frente Polisário aprova retoma da luta armada contra Marrocos

 Bissau, 23 Jan 23(ANG) – A Frente Polisário decidiu hoje “apoiar incondicionalmente” a proposta da direcção reeleita do movimento de libertação de “retomar a luta armada” contra Marrocos, pondo fim aos acordos de cessar-fogo de 1991.


As decisões da Polisário, divulgadas domingo à noite e contidas no comunicado final do seu 16.º Congresso, iniciado a 13 deste mês no acampamento de refugiados sarauís em Dakhla (Argélia), salientam que a retoma da luta armada e o fim do cessar-fogo constituem o “quadro político e operacional para lidar com o processo de paz na ONU”.

“O Congresso manifesta o seu apoio incondicional à decisão de retomar a luta armada, pondo assim termo aos acordos de cessar-fogo, que constituem agora o quadro político e operacional para lidar com o processo de paz das Nações Unidas”, lê-se no documento, enviado à agência Lusa.

O Congresso da Polisário deu indicações aos recém-eleitos líderes políticos – Brahim Ghali foi reeleito secretário-geral e lidera um Secretariado Nacional que passou de 29 para 27 membros, mais “belicista” – “para tomarem todas as decisões e medidas necessárias para assegurar a implementação do plano de resolução da OUA [Organização da Unidade Africa, actual União Africana (UA)] e da ONU, de 1991, que continua a ser o único acordo entre as duas partes e as Nações Unidas”.

O Congresso, que deveria ter terminado a 15 deste mês, acabando por prolongar-se por mais uma semana, estava já “marcado pelo recrudescimento da luta de libertação nacional em legítima defesa contra a violação de Marrocos do acordo de cessar-fogo”, violado por Rabat a 13 de Novembro de 2020.

“[Os delegados] congratulam-se com o apoio do povo sarauí […] à opção de luta armada pela conclusão da soberania sobre todo o território nacional”, lê-se no documento, remetido à Lusa pelo porta-voz do Congresso, Mohamed Sidati.

No congresso foi aprovada também uma nova Lei de Bases da Frente Polisário, que contém um conjunto de recomendações para fortalecer as instituições e estruturas do movimento e do Estado, consubstanciado na República Árabe Sarauí Democrática (RASD), que, por inerência, continua a ser presidido por Ghali.

No Congresso, prossegue o comunicado, foi sublinhada a prioridade da adoção de planos e métodos para permitir que o Exército de Libertação Popular sarauí “opere a transformação necessária no campo de batalha, a principal frente de ação nacional e o elemento decisivo na luta de libertação” da antiga colónia espanhola em África.

A Polisário, ao apelar a um “maior desenvolvimento da resistência popular”, afirma, por outro lado, que condena “veementemente a brutal política de repressão e intimidação exercida pelo Estado ocupante [Marrocos]”.

“Esta política regista um aumento sem precedentes que não se limita à pilhagem desenfreada da riqueza e dos recursos sarauís. Vai além da confiscação de terras como parte de uma política de colonização sistemática”, denuncia a Polisário.

Nesse sentido, o movimento independentista, que luta pela realização de um referendo de autodeterminação definido na resolução da ONU, assinada por todas as partes em 1991 e nunca levada a cabo por Rabat, exorta a UA a “adotar as medidas adequadas necessárias para levar Marrocos a respeitar os princípios e objetivos consagrados no Ato Constitutivo da União Africana, em especial o respeito pelas fronteiras da independência e a proibição da aquisição de território à força”.

A Polisário condena também a atuação do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, “que contradiz completamente as responsabilidades jurídicas, históricas e morais do Estado espanhol em relação ao povo sarauí, uma vez que se trata de uma política repreensível, que confronta de frente com as posições políticas dos povos de Espanha e da sociedade civil”.

“O Congresso exige que Espanha adie esta política de renúncia e abdicação, devendo, em vez disso, investir na reparação da injustiça, pondo fim à trágica provação do povo sarauí pelo qual o Estado espanhol é responsável, contribuindo assim para a conclusão da descolonização do Sara Ocidental”, denuncia, defendendo que a “imensa responsabilidade da União Europeia [UE]” no conflito por ter assinado “acordos ilegais” tem permitido “a pilhagem e exploração dos recursos naturais do território e o incentivo aos investimentos no Sara Ocidental ocupado”.

A Polisário reitera ainda a “rejeição categórica” de qualquer tentativa destinada a privar o povo sarauí do direito inalienável à autodeterminação.

Depois de assinar a trégua, em 1991, Marrocos nunca permitiu a realização do referendo e propôs, mais recentemente, atribuir uma maior autonomia à “província do Saara Ocidental”, proposta que passou a contar com o apoio dos Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Países Baixos e Israel, mas que é rejeitada pela Polisário, apoiada pela Argélia e, indiretamente, pela Rússia, razão pela qual o movimento pretende agora “intensificar a luta armada”.

A antiga colónia espanhola é considerada como um “território não autónomo” pela ONU, embora Rabat tenha o controlo de quase 80 por cento deste território quase desértico de 266.000 quilómetros quadrados. ANG/Inforpress/Lusa