quinta-feira, 7 de maio de 2026

Brasil/ Justiça da Inglaterra nega último recurso de mineradora BHP e abre caminho para indemnizações

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Tribunal de Apelação da Inglaterra decidiu  quarta-feira (6) negar mais um recurso apresentado pela BHP contra a condenação que a responsabiliza pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG),no Brasil,  ocorrido em 2015

Com essa decisão, o processo avança para a etapa de definição das indemnizações às vítimas do maior desastre ambiental da história do Brasil.

É a segunda vez que a mineradora anglo-australiana tem um pedido de recurso rejeitado e, na prática, trata-se do último caminho regular para tentar derrubar a decisão na Justiça britânica.

Ao negar esse novo pedido, a Justiça mantém o entendimento de que a BHP,a ccionista da Samarco ao lado da Vale, tem responsabilidade pelo desastre que matou 19 pessoas, devastou comunidades inteiras e contaminou a bacia do rio Doce até o Oceano Atlântico.

A condenação da BHP foi estabelecida em novembro de 2025, ao final de um longo julgamento conduzido pelo Tribunal Superior da Inglaterra entre outubro de 2024 e março de 2025. Naquela ocasião, aJustiça britânica concluiu que a mineradora tinha conhecimento dos riscos associados à barragem e falhou em agir para evitá-los.

Segundo a decisão, o rompimento da estrutura era previsível e evitável. O tribunal considerou que a empresa atuou com negligência e imprudência.

Ao analisar o pedido de apelação, o Tribunal foi categórico ao afirmar que os argumentos apresentados pela BHP não tinham chance real de êxito. O juiz Peter Fraser, relator da decisão, afirmou que não há base razoável para questionar a forma como a juíza de primeira instância avaliou as alegações da mineradora.

“Não aceito que qualquer dos fundamentos relativos à responsabilidade da BHP pelo rompimento da barragem seja razoavelmente defensável”, escreveu o magistrado, afastando a possibilidade de que o caso justifique uma nova análise.

Com o encerramento da discussão sobre a responsabilidade da empresa, o processo entra agora na chamada Fase 2. Nessa etapa, o foco passa a ser a avaliação das perdas sofridas por indivíduos, comunidades, empresas e municípios atingidos, além da quantificação das indemnizações devidas.

A audiência dessa fase está marcada para começar em abril de 2027. Estão em jogo reparações para centenas de milhares de vítimas.

“Nossos clientes esperaram mais de uma década por justiça, enquanto a BHP buscou todas as vias processuais para evitar a responsabilização; essas vias agora estão fechadas”, declarou, em comunicado, o advogado Jonathan Wheeler, sócio do escritório Pogust Goodhead, que defende o caso Mariana na Inglaterra. “Estamos focados em garantir a indemnização a que centenas de milhares de brasileiros têm direito há muito tempo”, afirmou.

O rompimento da barragem de Fundão, em 5 de Novembro de 2015, liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de mineração. Além das mortes confirmadas, o desastre teve efeitos sociais, ambientais e económicos profundos e prolongados em dezenas de municípios de Minas Gerais e do Espírito.  Santo.ANG/RFI

 

Coreia do Norte/ Governo abandona reunificação na Constituição e oficializa ruptura histórica com o Sul

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - A Coreia do Norte formalizou uma mudança profunda e inédita em sua estratégia de Estado ao eliminar da Constituição qualquer referência à reunificação com a Coreia do Sul e redefinir juridicamente sua relação com o vizinho como uma fronteira entre países distintos.

A revisão, divulgada por Seul na quarta-feira (6), consolida anos de endurecimento político sob Kim Jong‑un e inscreve na lei fundamental do regime a doutrina de dois Estados hostis. O texto também reforça o papel central do arsenal nuclear e redefine o poder do líder, enquanto o diálogo intercoreano permanece bloqueado. 

A nova Constituição norte‑coreana deixa de mencionar a cláusula segundo a qual o país tinha como objetivo “alcançar a unificação da pátria”, que durante décadas expressou a narrativa oficial de que as duas Coreias compartilhariam uma mesma nação dividida artificialmente..

O documento, divulgado pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul, confirma que essa referência desapareceu da versão revisada, aprovada em Março de 2026 durante uma reunião da Assembleia Popular Suprema.

Em substituição, o texto introduz pela primeira vez uma cláusula territorial explícita. O novo artigo 2 estabelece que o território da Coreia do Norte inclui as terras “limítrofes à República Popular da China e à Federação da Rússia ao norte, bem como à República da Coreia ao sul”, utilizando, de maneira significativa, o nome oficial do Estado sul‑coreano.

 

O dispositivo inclui ainda as águas territoriais e o espaço aéreo correspondentes, e determina que o país “não tolerará jamais qualquer violação de seu território”, embora não delimite com precisão a fronteira com o sul nem mencione as disputas marítimas existentes.

Segundo o professor Lee Jung‑chul, da Universidade Nacional de Seul, essa é a primeira vez que a Constituição norte‑coreana incorpora formalmente uma cláusula territorial, o que representa uma mudança estrutural na forma como o regime define sua soberania.

A eliminação da referência à reunificação não ocorre isoladamente. Ela se articula com a linha política adotada por Kim Jong‑un, que ao longo de 2024 e 2026 passou a classificar a Coreia do Sul como “Estado hostil” e, mais recentemente, como o “inimigo mais hostil”.

Em Janeiro de 2024, o líder já havia defendido a alteração da Constituição para definir o Sul como “inimigo principal e imutável” e para afirmar que os territórios dos dois países são distintos. A revisão de 2026 transforma essa posição política em norma constitucional.

Especialistas citados por autoridades sul‑coreanas indicam que a ausência de uma delimitação precisa da fronteira pode refletir uma estratégia deliberada: evitar a criação imediata de novos pontos de tensão formal, ao mesmo tempo em que se consolida juridicamente a separação definitiva entre os dois Estados.

A Constituição revisada também altera a definição institucional do poder de Kim Jong‑un. O texto passa a descrevê‑lo oficialmente como “presidente da Comissão de Assuntos de Estado”, substituindo a formulação anterior que o qualificava como líder supremo representante do Estado.

Mais do que uma mudança terminológica, a revisão atribui explicitamente a esse cargo o comando das forças nucleares do país, estabelecendo de forma direta que o controle do arsenal nuclear está concentrado na figura de Kim.

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Uma cláusula específica sobre defesa classifica a Coreia do Norte como um “Estado dotado de armas nucleares responsável” e afirma que o país continuará desenvolvendo seu arsenal para garantir sua sobrevivência, seus direitos de desenvolvimento, dissuadir conflitos e proteger a estabilidade regional e global.

A redefinição constitucional ocorre em um contexto em que as duas Coreias continuam tecnicamente em guerra. O conflito iniciado na década de 1950 foi encerrado apenas por um armistício em 1953, sem tratado de paz definitivo.

Nos últimos anos, a tensão voltou a crescer de forma consistente. Entre 2022 e 2025, durante o governo do presidente sul‑coreano Yoon Suk‑yeol, que adotou uma linha dura em relação ao Norte, Pyongyang tomou medidas concretas de separação física, incluindo a demolição de estradas e ferrovias que ligavam os dois países e a construção de barreiras próximas à fronteira.

O atual presidente sul‑coreano, Lee Jae‑myung, tem adotado estratégia oposta, multiplicando apelos para retomar o diálogo e oferecendo negociações sem condições prévias.

Essas iniciativas, no entanto, não produziram resultados. A Coreia do Norte rejeita sistematicamente as tentativas de aproximação, e a nova linha constitucional reforça institucionalmente essa recusa.

Em Fevereiro, Kim Jong‑un declarou que o país “não tem absolutamente nada a ver com a Coreia do Sul” e afirmou que, enquanto o Sul permanecer ligado a essa realidade geopolítica, a única forma de garantir sua segurança seria abandonar qualquer relação com o Norte e deixá‑lo em paz.

O endurecimento político é acompanhado por intensificação militar. A Coreia do Norte realizou quatro testes de mísseis apenas no mês de abril e prometeu dar continuidade ao fortalecimento do seu arsenal nuclear.

Esse movimento se insere na nova formulação constitucional que legitima explicitamente o desenvolvimento contínuo dessas capacidades como elemento central da estratégia de sobrevivência do regime.

Paralelamente à ruptura com Seul, Pyongyang aprofundou sua cooperação com a Rússia, fornecendo tropas e equipamentos no contexto da guerra na Ucrânia. Em troca, recebe assistência económica e técnica, consolidando uma reorientação estratégica que afasta ainda mais a possibilidade de integração com a Coreia do Sul. RFI/ AFP

 

EUA/Marco Rubio em visita à Itália para reconciliar laços com Vaticano e governo Meloni

Bissau, 07 Mai 26 (ANG) - O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se encontra desde  quarta-feira (6) em Itália, onde permanecerá até o dia 8 de Maio, em meio a mais um ataque de Donald Trump ao papa.

Nesta quinta-feira ele será recebido no Vaticano por Leão XIV. Na sexta-feira se reunirá com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Estão previstos também encontros com os ministros das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto.

O principal objetivo de Marco Rubio é “reconciliar os laços” com o papa após os ataques de Donald Trump a Leão XIV. Mas o presidente dos Estados Unidos não está facilitando a missão do Secretário de Estado.

Dois dias atrás,  em entrevista ao Salem News Channel – uma rede conservadora de base cristã – Trump afirmou que o papa “está colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, insinuando que Leão XIV é favorável a um possível arsenal nuclear para Teerã.

O presidente disse: “Imagino que, se dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma nuclear”.

Leão XIV não tardou a responder. Sem citar o nome do presidente, o papa disse: “Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça com a verdade. A Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares há anos, portanto, não há dúvidas quanto a isso”, declarou o pontífice na terça-feira (5) no encontro com os jornalistas em frente do Castel Gandolfo, nos arredores de Roma. O papa enfatizou que “a missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz”. Ele concluiu: “Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”.

Na manhã de quarta-feira (6) durante a audiência geral na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que a Igreja Católica “deseja instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também reagiu às declarações de Trump, sublinhando que o Papa mantém a sua linha de atuação centrada na mensagem evangélica e na promoção da paz.

“O Papa segue o seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz”, afirmou ontem o cardeal Parolin, acrescentando que essa missão se mantém independentemente das críticas.

No mês passado, Trump chamou o primeiro papa americano na história da Igreja de “fraco” e “terrível em política exterior” porque Leão XIV criticou a guerra no Irã. Depois das investidas, o pontífice respondeu que não tinha medo do governo Trump.

Estes ataques têm afastado grande parte do eleitorado católico americano do presidente. Os eleitores republicanos católicos representam cerca de 20% e podem lhe virar as costas nas eleições de meio de mandato em Novembro.

Batizado católico logo após seu nascimento - e não convertido ao catolicismo na vida adulta como o vice-presidente J.D. Vance - Marco Rubio vai tentar remediar a crise provocada por Trump.

Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Ele manteve um perfil relativamente discreto no cenário global nos primeiros meses de seu papado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

Após a audiência com Leão XIV, no Palácio Apostólico, no Vaticano, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos encontrará o Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, “o secretário Rubio se reunirá com a liderança da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no Hemisfério Ocidental”, mas as tensões entre os EUA e Cuba poderão fazer parte das conversações de Rubio com o papa.

Leão XIV também desaprovou as políticas anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os EUA e Cuba, país de maioria católica.

Em Fevereiro, quando o governo Trump intensificou o bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o sumo pontífice disse estar profundamente preocupado com as tensões entre os dois países.

O Vaticano tem agido como mediador e canal de diálogo entre os dois países, e teve um papel-chave no degelo das relações entre Cuba e Estados Unidos em 2015 promovido pelo Papa Francisco. Graças a um acordo com a Santa Sé, Cuba libertou 51 prisioneiros no último mês de Março, num gesto que classificou como “espírito de boa vontade”.

No ano passado, o governo cubano libertou 553 prisioneiros devido a um acordo com o Vaticano, após o ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”.

Trump rescindiu o acordo de Biden ao assumir o cargo, colocando o país caribenho novamente na lista, aplicando novas sanções à ilha.

Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos nos EUA. Ele já havia se encontrado com o pontífice, nascido em Chicago, durante a Missa que marcou o início de seu papado. Naquela ocasião, também estava presente o vice-presidente Vance. No dia seguinte, 19 de maio, foi realizado um encontro bilateral entre Leão XIV, Vance e Rubio.

O ataque do presidente dos Estados Unidos ao papa também desencadeou uma crise diplomática com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Até então a primeira-ministra, líder do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia) era considerada por Trump como uma grande aliada europeia.

No entanto, a guerra no Irã iniciada pelos Estados Unidos e Israel, com os danos económicos do conflito, causou desaprovação no eleitorado conservador italiano. Por consequência, Meloni acabou se distanciando das posições do presidente americano.

Diante das agressões de Trump a Leão XIV, a primeira-ministra chamou as palavras do presidente de “inaceitáveis”. O resultado é a Itália acabou na lista dos “vilões”. Trump acusou Meloni de  “falta de coragem”.

“Não estou feliz com a Itália, ela não nos ajudou, acha que está tudo bem o Irã ter armas nucleares”, atacou o presidente, usando as mesmas palavras que também dirigiu à Espanha.

Enquanto isso, na Alemanha, depois que o chanceler Friedrich Merz falou que os Estados Unidos estão sendo “humilhados” pelo Irã, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados das bases no país. A Itália quer evitar que o governo de Trump decida aplicar uma medida semelhante e remover militares das bases estadunidenses na península que atualmente, conta com a presença de cerca de 12 mil militares americanos.

O comunicado do Departamento de Estado dos EUA enfatiza que as reuniões com as autoridades italianas se concentrarão nos “interesses de segurança compartilhados e alinhamento estratégico” dos dois países. Isso significa que discutirão sobre a Otan e as bases militares americanas na Itália.

Em Março deste ano, a Itália impediu os Estados Unidos de usarem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma operação no Oriente Médio porque aviões americanos planejavam pousar sem autorização nem consulta prévia. Após verificar que não eram voos rotineiros, o chefe do Estado-Maior informou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que ordenou negar o pouso.

Entre outros temas na agenda está o Líbano — tendo em vista um possível encontro em Washington, no dia 11 de maio, entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Josef Aoun, ainda a ser confirmado por ambas as partes.

Além disso, o papel da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) liderada pelo general italiano Diodato Abagnara. A retomada das tarifas também está na pauta, após o anúncio do presidente dos EUA, em 1º de maio, de um possível aumento de 25% nas tarifas sobre carros e caminhões provenientes da União Europeia. ANG/RFI

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Regiões/Casal morre carbonizado  após explosão de um recipiente com gasolina em  arredores de Fulacunda  

Fulacunda, 06 Mai 26 (ANG) - Um casal morreu carbonizado na madrugada do dia 04 do corrente mês, na aldeia de Alto Bani, arredores do setor de Fulacunda, na região de Quinará, no Sul do país, deixando dois filhos menores após a explosão de um recipiente com gasolina.

Segundo o  Correspondente da ANG na Região de Quinará, que cita um dos membros da  aldeia de Alto Bani Abdul Carim Sanhá , o incidente ocorreu por volta de 00 horas, quando o homem que se dedicava a venda de gasolina estava a transferir o combustível para outro recipiente ao pé de uma fogueira que estava a ser utilizada para preparação de  chá (warga).

“As  vítimas foram identificadas como Marcelo Nanque, de 33 anos e a sua esposa de 30 anos, ambos são originários da secção de Bijimita, Região de Biombo, no Norte do país”, contou Abdul Carim Sanhá.

Disse que  a proximidade do combustível com o fogo acabou por provocar uma explosão,  o que provocou um incêndio de grandes proporções.

Segundo Abdul Sanhá , a porta do quarto onde o casal morto se encontrava, estava fechada e por isso não conseguiram sair do quarto.

 “O incêndio destruiu os bens que estavam no quarto das vítimas. Mas felizmente outros familiares e hóspedes que se encontrava nos compartimentos vizinhos conseguiram sair ilesos, incluindo os filhos das vítimas”, informou Sanhá.

Aquele membro disse  que, tanto as autoridades regionais, bem como os serviços dos Bombeiros e da Guarda Nacional foram informados  e se deslocaram ao local para proceder ao levantamento da ocorrência.

ANG/RC/AALS/ÂC//SG

 

 

 

 

Desporto-futebol/Flamengo de Pefine vence FC Cuntum no fecho da 17.ª jornada

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) - O Flamengo de Pefine venceu, terça-feira, o FC Cuntum por 3-2, no jogo que encerrou a 17.ª jornada do Campeonato Nacional da Primeira Divisão da Guiné-Bissau.


A partida foi disputada no relvado sintético do Estádio Lino Correia, em Bissau.

No confronto entre equipas que lutam na parte inferior da tabela classificativa, os “rubro-negros” de Pefine levaram a melhor e somaram a sua terceira vitória na competição.

Com este resultado, o FC Cuntum mantém-se na 15.ª posição, com 16 pontos, enquanto o Flamengo de Pefine continua no último lugar, agora com 13 pontos.

Eis os resultados da 17.ª jornada:

Massaf de Cacine 2-0 Hafia FC de Bafatá

FC Cumura 1-2 Tigres de Fronteira de São Domingos

Arados FC de Nhacra 1-2 Sport Bissau e Benfica

FC Pelundo 1-1 Balantas de Mansoa

UDIB 0-1 Desportivo de Gabú

Portos de Bissau 0-0 Cupelum FC

Sporting Clube da Guiné-Bissau 0-1 FC Canchungo

FC Cuntum 2-3 Flamengo de Pefine

ANG/CFM

Torneio UFOA/Técnico da Seleção Feminina de futebol Sub-20 da Guiné-Bissau admite falhas na derrota de 2-0 contra a Libéria

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) – O selecionador nacional da Seleção Feminina de futebol Sub-20 da Guiné-Bissau admitiu, terça-feira, que a equipa cometeu muitos erros defensivos e ofensivos durante o primeiro tempo do jogo contra a sua congénere da Libéria.


João Domingos Loua Nafatcha falava em conferência de imprensa, após a derrota em casa de 2-0 contra a sua congénere da Libéria, no jogo inaugural do Torneio da União das Federações Oeste Africana (UFOA).

Disse  que a sua equipa não esteve no seu melhor durante a primeira parte do jogo, e que  os golos sofridosforam consentidos, por falta de marcação e falhas táticas.

“Assumo que originamos muitos erros e sofremos no primeiro tempo, e já na segunda parte entramos e tentamos ver se conseguiríamos  fazer e reviravolta do jogo, pena que não conseguimos. A  grande verdade é que tivemos muita baixa, a grande maioria dos jogadores titulares, ficou fora dos convocados, por motivo de lesão e razões alheios”, disse o técnico.

Nafatcha  parabenizou  a equipa da Libéria, por serem mais eficazes durante o primeiro tempo do jogo.“É a regra do futebol, quem não marca sofre", disse.

Para o próximo jogo da mesma prova , o técnico nacional Loua Nafatcha, prometeu trabalhar intenso com a equipa, para evitar  os erros cometidos contra a Libéria, e de seguida, lutar para alcançar os pontos perdidos.

A Seleção Feminina de futebol Sub-20 da Guiné-Bissau defronta a sua congénere do Mali no próximo dia 08 do corrente mês.ANG/LLA/ÂC//SG


       

Torneio UFOA SUB-20 Feminino/Guiné-Bissau perde com Libéria no jogo inaugural

Bissau, 06 Mai 26(ANG) - A seleção feminina sub-20 da Guiné-Bissau estreou-se com derrota, terça-feira , ao perder por 0-2, frente à Libéria, no jogo inaugural do torneio da União das Federações Oeste Africana (UFOA).

Num encontro disputado no Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau, a formação liberiana entrou melhor e inaugurou o marcador logo aos três minutos, aproveitando a passividade da defensiva guineense. Makasian Saryon não desperdiçou a oportunidade e colocou a sua equipa em vantagem.

A reação da Guiné-Bissau não tardou, com a equipa a assumir as despesas do jogo e a pressionar o adversário. Contudo, a organização defensiva da Libéria mostrou-se segura e, aos 35 minutos, ampliou a vantagem por intermédio de Olive Nyumah.

A melhor ocasião da primeira parte para a turma orientada por Na Fatcha surgiu aos 40 minutos, quando Rosalina Cutobó Djombaté rematou com perigo, fazendo a bola passar muito perto do poste esquerdo da guardiã Makula Konneh.

No segundo tempo, a Guiné-Bissau entrou mais determinada e dominadora, criando várias situações de perigo junto da área contrária. No entanto, a falta de eficácia na finalização era evidente.

Apesar da maior iniciativa das anfitriãs, a Libéria continuou a mostrar-se mais perigosa nas transições e acabou por segurar a vantagem até ao apito final.

Com este resultado, a Guiné-Bissau inicia a competição com uma derrota, enquanto a Libéria entra com o pé direito no torneio.

Num outro jogo, a seleção feminina sub-20 do Senegal venceu, na noite de terça-feira, no Estádio Nacional 24 de Setembro, a sua congénere da Gâmbia por duas bolas sem resposta (2-0), em partida referente à primeira jornada do Torneio das Federações Oeste Africana (UFOA), que se disputa, em Bissau. ANG/Fut245

 

Marrocos/ Continente africano instado a retomar o controle do financiamento da saúde

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) – A ex-ministra da Saúde francesa, Agnès Buzyn, fez um apelo aos estados africanos em Casablanca, Marrocos, na segunda-feira, para que retomem o controle do financiamento da saúde, a fim de tornar os sistemas de saúde resilientes em um contexto marcado pela diminuição da ajuda externa.


“A África deve aproveitar este desafio da diminuição da ajuda externa no setor da saúde como uma oportunidade”, afirmou ela.

Ela participava do painel sobre o tema “Assim como os contratos de ajuda tradicionais, chegou a hora de a África criar ecossistemas financeiros sustentáveis, ao mesmo tempo que oferece assistência consistente. Estamos analisando os instrumentos”.

Este painel foi realizado como parte da GITEX Future Health Africa, a primeira edição da Exposição Internacional sobre o Futuro da Saúde na África, que foi inaugurada no mesmo dia e estará em cartaz até 6 de maio.

A Sra. Buzyn observou que a média dos orçamentos destinados à saúde pelos países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de 9,9%.

“Precisamos de um sistema soberano e baseado na solidariedade”, disse ela, falando sobre a importância de retomar o controle do financiamento da saúde.

Segundo a Sra. Buzyn, “os países africanos beneficiários entrarão num período de grande vulnerabilidade e risco, com uma lacuna real de financiamento”.

Daí a importância, segundo o ex-ministro da Saúde francês, de se ter um plano de transição sequencial tendo em vista a redução do financiamento.

“O capital nacional, os fundos soberanos e as parcerias público-privadas baseadas em resultados garantem que os profissionais clínicos recebam o apoio necessário para que as instalações continuem a ser mantidas e os serviços essenciais não sejam interrompidos.”

Ela relatou um risco de desigualdades na oferta e no acesso aos cuidados de saúde. Agnés Buzyn recomenda que os Estados desempenhem um papel de coordenação para lidar com essa situação, acreditando que o sistema de saúde deve ser pensado em termos de universalidade.

“É necessária uma visibilidade plurianual para a projeção e a compreensão do futuro, com uma visão horizontal que leve em conta a atenção primária e a gestão hospitalar”, recomendou o ex-ministro francês.

“A África deve aproveitar este desafio da diminuição da ajuda externa no setor da saúde como uma oportunidade. A forma como financiamos o sistema, os sistemas de seguros, está a migrar para espaços digitais”, sublinhou a Sra. Buzyn.

Ela observa que as fragilidades na capacidade de vincular o financiamento aos resultados de saúde precisam ser abordadas, enfatizando "como financiamos e o impacto no atendimento às necessidades das populações".

“A tecnologia digital é importante quando torna o sistema eficiente. Ela precisa ser posicionada no lugar certo, pois não pode substituir a gestão em saúde”, concluiu. ANG/Faapa


 

Côte D`Ivoire/ Cerca de 60 milhões de emprego de mulheres ameaçados em países em desenvolvimento- PNUD

Bissau, 06 Mai 26(ANG)  – O aumento do serviço da dívida soberana está dificultando o progresso do desenvolvimento e afetando desproporcionalmente as mulheres nos países em desenvolvimento, de acordo com uma nova análise do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicada na segunda-feira, 4 de Maio de 2026.

Intitulado "Quem paga o preço? Desigualdade de género e dívida soberana", o relatório estima que 55 milhões de empregos femininos estão em risco a curto prazo, com efeitos duradouros na renda, no acesso a serviços públicos e na desigualdade de género.

 

Com base em dados de 85 países em desenvolvimento, o estudo revela que o aumento dos pagamentos de dívidas leva a uma diminuição média de 17% na renda per capita das mulheres, enquanto a renda dos homens permanece praticamente estável, exacerbando assim as disparidades económicas entre os géneros.

Segundo o PNUD, quando os Estados destinam uma parcela crescente de seus recursos ao serviço da dívida, os gastos públicos com saúde, proteção social e sistemas de assistência são frequentemente reduzidos. Esses ajustes orçamentários afetam toda a população, mas impactam desproporcionalmente as mulheres, particularmente devido ao aumento do trabalho de cuidado não remunerado e à sua menor participação no mercado de trabalho.

“A dívida soberana não é um problema matemático, é um problema humano”, afirmou o administrador do PNUD, Alexander De Croo. Ele enfatizou que as restrições orçamentárias reduzem a margem de manobra dos Estados e levam à transferência de responsabilidades para as famílias, onde as mulheres são responsáveis ​​pela maior parte dos cuidados.

O relatório também indica que 92,5 milhões de empregos femininos podem ser afetados a longo prazo se os países passarem de níveis moderados para altos de endividamento. Alerta ainda para um potencial aumento de 32,5% na mortalidade materna e uma queda na expectativa de vida como consequência do enfraquecimento dos sistemas de saúde.

Esses desenvolvimentos estão ocorrendo em um contexto global marcado por tensões geopolíticas, flutuações nos mercados de energia e pressões inflacionárias, que acentuam as vulnerabilidades económicas.

Para Raquel Lagunas, diretora da equipe de género do PNUD, integrar uma abordagem sensível à questão de género nas políticas de dívida é essencial para preservar os investimentos sociais e os serviços de saúde.

O relatório também apela aos governos e às instituições financeiras internacionais para que coloquem o emprego, o desenvolvimento humano e a igualdade de género no centro das estratégias de sustentabilidade da dívida, evitando simultaneamente políticas de austeridade que possam agravar as desigualdades. ANG/Faapa

 


Alemanha/ “África é um centro crucial na dinâmica internacional”, diz Ministro das Relações Exteriores de Alemanha

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) – O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, destacou , terça-feira, em Berlim, que a África é um ponto central na dinâmica internacional, observando que o fortalecimento das relações entre a Alemanha e a África é uma prioridade estratégica da política externa alemã.

Em seu discurso na celebração do Dia da África no Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, o Sr. Wadephul destacou o desejo de seu país de desenvolver parcerias mais profundas com os estados do continente africano e suas instituições.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha observou que a África ocupa um lugar central nas prioridades de seu país, enfatizando a necessidade de combinar uma abordagem abrangente para o continente com parcerias diferenciadas que levem em consideração as especificidades de cada um dos 54 países que compõem o continente africano.

Ele também defendeu uma reforma da governança global para melhor refletir as realidades geopolíticas atuais, pedindo maior representação da África, particularmente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Sr. Wadephul também destacou a importância de um diálogo estratégico reforçado entre a Europa e a África, acreditando que as duas regiões podem unir esforços para promover seus interesses comuns e contribuir para um sistema internacional mais equilibrado. ANG/Faapa


Cabo Verde/Incertezas complicam caso de navio com foco de hantavírus ao largo da ilha

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) - Dois tripulantes doentes e uma pessoa que foi exposta ao hantavírus vão ser retiradas do navio suspeito de ser o foco da doença, que está ancorado ao largo de Cabo Verde.

 Após a evacuação médica, a embarcação deverá seguir para as Ilhas Canárias ou para os Países Baixos, afirmou  terça-feira (5) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A organização também tenta localizar mais de 80 pessoas que estavam no mesmo voo que uma das passageiras infectadas.

O navio MV Hondius poderá deixar o arquipélago cabo-verdiano após a retirada médica das três pessoas, que desembarcarão no porto da capital, Praia, e serão conduzidas de ambulância até o aeroporto nas proximidades da cidade, de onde seguirão de avião, explicou Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde. Eles serão transferidos para os Países Baixos.

“O que sabemos até agora é que o navio poderá partir em algum momento da madrugada, entre terça e quarta-feira, após a conclusão da evacuação médica”, acrescentou.

O MV Hondius navegava de Ushuaia, na Argentina, para o arquipélago de Cabo Verde, transportando 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades. Desde domingo, o navio de cruzeiro permanece ancorado próximo ao porto de Praia,sem autorização para atracar.

 

A OMS informou no domingo que três mortes de passageiros estão associados ao possível surto de hantavírus a bordo. A doença pode causar síndrome respiratória aguda grave.

A resposta ao incidente é coordenada entre os setores de saúde e autoridades portuárias de Cabo Verde, com apoio da OMS e em articulação com autoridades dos Países Baixos, país de origem do navio, e do Reino Unido, país de origem de ao menos uma das pessoas afetadas.

Ann Lindstrand afirmou ainda, em entrevista à AFP nesta terça-feira, que as discussões sobre o destino final do navio seguem em andamento.

“O plano inicial era que o navio partisse daqui para as Ilhas Canárias, com destino ao porto de Tenerife (...), mas existe a possibilidade de que siga diretamente para os Países Baixos”, disse, acrescentando que negociações envolvem autoridades de saúde da Espanha, dos Países Baixos, de Cabo Verde e da OMS.

“Há dois tripulantes doentes com sintomas, e eles fazem parte das evacuações médicas”, afirmou. Segundo ela, “o estado de saúde desses dois infectados é estável e se mantém assim há vários dias”. As equipes médicas que os avaliaram “diversas vezes” concluíram que eles “não precisam ser hospitalizados”.

Ela explicou ainda que uma terceira pessoa, que teve “contato próximo” com um paciente em estado grave, também vai desembarcar. “Essa pessoa está atualmente em bom estado de saúde e assintomática; no entanto, apresentou uma febre baixa há dois dias, e foi considerado mais seguro que ela desembarcasse”, afirmou, classificando a operação como “complexa”.

Ambulâncias estarão à espera no porto da Praia para transportar os pacientes ao aeroporto, com previsão de embarque na manhã de quarta-feira.

A agência de notícias holandesa ANP, citando o Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos, informou que os três indivíduos — entre eles um cidadão holandês — serão transferidos para o país europeu para tratamento médico.

“Todos os esforços estão sendo feitos para garantir que isso seja providenciado o mais rapidamente possível”, acrescentou o ministério, segundo a ANP.

A Organização Mundial da Saúde anunciou ainda nesta terça-feira que iniciou esforços para localizar 82 passageiros que estavam a bordo do avião no qual uma das passageiras infectadas pelo hantavírus foi transportada da ilha de Santa Helena para Joanesburgo, na África do Sul.

A mulher holandesa, de 69 anos, desembarcou em Santa Helena em 24 de abril com “sintomas gastrointestinais” e embarcou no dia seguinte em um voo para Joanesburgo, segundo a OMS. Ela morreu em 26 de abril, e a infecção por hantavírus foi confirmada na segunda-feira. O marido dela, de 70, morreu a bordo do navio,

“Uma busca foi iniciada para localizar os passageiros” do voo que realizou essa rota, informou a organização em comunicado.

O voo era operado pela companhia aérea sul-africana Airlink e transportava, além dos passageiros, seis tripulantes, informou a diretora de vendas e marketing da empresa, Karin Murray.

A OMS, por meio de sua diretora interina do Departamento de Prevenção e Preparação, Maria Van Kerkhove, indicou a suspeita de “transmissão de pessoa para pessoa entre indivíduos em contato muito próximo”.

Apenas um voo semanal liga Joanesburgo à ilha de Santa Helena, localizada no Atlântico Sul, com duração aproximada de quatro horas. As autoridades sul-africanas solicitaram à companhia aérea que informe os passageiros potencialmente afetados e os oriente a entrar em contato com o Ministério da Saúde caso ainda não tenham sido notificados, acrescentou Murray.

ANG/RFI/AFP

 

Brasil/Apoio de Trump pode custar pontos a candidatos na eleição presidencial do Brasil

Bissau, 06 Mai 26 (ANG) - A cinco meses da eleição presidencial no Brasil, um eventual apoio de Donald Trump pode custar pontos ao candidato que decidir se associar ao americano, segundo pesquisa do Instituto Real Time Big Data divulgada

 terça-feira (5). 

Cerca de 35% dos eleitores brasileiros veem a chancela do republicano de forma negativa, segundo a pesquisa. O percentual pode não parecer elevado quando comparado aos que avaliam o apoio de forma positiva (26%) ou aos indiferentes (32%), mas, em uma disputa acirrada como a projetada para outubro, a decisão tende a ocorrer justamente na margem.

Entre os eleitores de Lula, a rejeição ao apoio de Trump é maior, como era esperado: 48%. Entre os de Ciro Gomes (PSDB), o índice é de 42%. O cenário muda no caso de Flávio Bolsonaro (PL), apontado pelas pesquisas mais recentes como o principal adversário do presidente. Entre seus eleitores, 25% veem Trump como um mau cabo eleitoral, enquanto 41% avaliam sua imagem de forma positiva e 27% se dizem indiferentes.

Ainda assim, isso está longe de significar que a busca por esse apoio fortaleceria a campanha. Não por acaso, integrantes da equipe próxima ao filho do ex-presidente vêm orientando Flávio Bolsonaro a evitar comentários sobre o republicano. A explicação matemática é simples: o fato de um quarto dos eleitores que pretendem votar no candidato da oposição rejeitar a ideia de vê-lo alinhado ao presidente dos Estados Unidos indica um potencial de perda de cerca de 11 pontos percentuais.

 

Mesmo que apenas metade desse contingente se concretize, o impacto seria suficiente para alterar o resultado da eleição. Recentemente, após um discurso em um evento da extrema direita no Texas, Flávio foi rotulado de “entreguista” ao sugerir que o Brasil “é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China”.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 32% veem o apoio de Trump de forma positiva, 30% de maneira negativa e 35% se dizem indiferentes. Já entre os prováveis eleitores de Romeu Zema (Novo), 35% avaliam o apoio positivamente, 31% negativamente e 27% se mostram indiferentes.

Esses dados não são propriamente novidade. A recente eleição na Hungria, que retirou do poder Viktor Orbán, mesmo após o vice-presidente americano, JD Vance, ter feito campanha pessoalmente para o primeiro-ministro de extrema direita, é apontada como evidência de que o apoio do americano pode ser tóxico. O mesmo ocorreu no Canadá e na Austrália. Ainda assim, Trump tem tentado emplacar aliados próximos na América Latina.

Nesta terça-feira, espera-se que o Palácio do Planalto e a Casa Branca confirmem se será realizado o encontro presencial entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos em Washington, previsto para esta quinta-feira.

A viagem tem como objetivo negociar novas bases para a relação bilateral e expor até que ponto vai a boa vontade da administração Trump em relação ao governo Lula, além da simpatia com a possibilidade de Flávio Bolsonaro se apresentar como candidato da direita.

O enfrentamento de Lula às medidas unilaterais anunciadas até aqui por Trump contra o Brasil rendeu ganhos de popularidade ao presidente. A estratégia é demonstrar que o petista dialoga de igual para igual com o líder da maior economia do mundo, manter abertos os canais institucionais e fechar aqueles ainda acessíveis à família Bolsonaro na Casa Branca.

Na pauta do encontro estão minerais críticos, big techs e eventuais novas tarifas que os EUA estariam dispostos a impor às exportações brasileiras após o término da validade da taxa atual de 10%.

Desde que a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50%, o governo Trump passou a aplicar uma tarifa provisória de 10 por cento para todos os países.

Paralelamente, mantém abertas duas investigações sobre o que alega serem práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil. Em uma delas, são alvo o Pix, o tratamento dado às big techs americanas, a tarifa de importação do etanol dos EUA, questões de propriedade intelectual e até o comércio da Rua 25 de Março, em São Paulo.

Os eleitores ouvidos pela pesquisa do Instituto Real Time Big Data, também afirmam acreditar que o conflito entre Irã e Estados Unidos elevará os preços de alimentos e combustíveis no Brasil.

Essa percepção é compartilhada por 77% dos eleitores de Lula, 82% dos que pretendem votar em Flávio Bolsonaro e 85% dos apoiadores de Caiado. Entre os eleitores de Zema, o índice chega a 88%, e entre os de Ciro Gomes, a 81%.ANG/RFI