sexta-feira, 2 de setembro de 2016

IV Conferencia de Embaixadores



PR reconhece que missões diplomáticas "trabalham sem mínimas condições "

Bissau, 05 Set 16 (ANG) - O Presidente da República lamentou no último fim-de-semana o facto das missões diplomáticas guineenses trabalharem em chancelarias "inapropriadas, sem viaturas e residências de Embaixadores pouco dignificantes face aos seus homólogos".

"Reconhecemos, reprovamos e estamos revoltados face à esta situação", indignou-se José Mário Vaz na cerimónia de abertura da IV Conferencia de Embaixadores guineenses que iniciou hoje na localidade de Uaque, sector de Mansoa.

A conferência de Embaixadores é um órgão consultivo, que reúne periodicamente para receber informações e orientações sobre a política externa, analisar a política externa do país e o funcionamento das estruturas internas e externas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, face aos objectivos e desafios da governação no plano internacional.

O Chefe de Estado sublinhou que tal situação é fruto da "nossa" desorganização interna, por o pais não ter adequado os serviços pretendidos à sua real situação económica e financeira.

"Em vez de termos quatro a cinco missões diplomáticas e equipá-las com todas as condições que a representação exige...optamos por abrir embaixadas em todas as esquinas, sem que o país esteja preparado intelectual e financeiramente para tal", ilustrou o Presidente da Republica.

Face à esta situação, José Mário Vaz defendeu a implementação de reformas que passam pela redução de embaixadas em função dos recursos disponíveis, seleção de quadros e fixação do número de funcionários para cada missão diplomática.

Aliás, o chefe de Estado disse ter chegado o momento de definição dos objectivos gerais e estratégicos, planos de ações operacionais, bem como a introdução do hábito de realização de avaliações semestrais e anuais às referidas missões.

O Presidente da República disse que até Setembro de 2017, as missões diplomáticas deverão ser capazes de mobilizar fundos e captar investimentos estrangeiros e apoiar a diáspora na remessa de fundos para o país.


Para a prossecução deste desiderato, o Presidente Vaz instou as missões a apresentarem, até Novembro próximo, planos de ações operacionais para serem discutidos e validados.

A intervenção regular nos canais de comunicação social do país acreditado, a realização de recenseamento da diáspora e conhecimento do respectivo perfil e ainda a fixação de número de audiência com o ministério de tutela, com o Primeiro-ministro e o Presidente da República, constam na lista das recomendações feitas as missões diplomáticas pelo PR.

O Encontro terminou no domingo e decorreu sob o lema "Servir o Desenvolvimento e Dignificar a Carreira Diplomática, tendo contado com cerca de 50 participantes entre, embaixadores, ex-ministros dos negócios estrangeiros e diplomatas aposentados, entre outros. ANG/JAM/SG





Ensino público



Empossados membros da comissão organizadora do debate nacional sobre problemática do sector

Bissau 02 set. 16 (ANG) – O ministro da Educação, Ensino Superior e Investigação Científica conferiu hoje posse aos membros da comissão organizadora do debate nacional sobre a situação da educação a realizar-se em dezembro.

Ministro da Educação Nacional Sandji Fati
Na ocasião Sandji Fati realçou que a comissão é composta de pessoas que sempre serviram a educação nomeadamente os técnicos do Ministério, os sindicatos do sector, SINAPROF e SINDEPROF, SIESI, representantes dos pais e encarregados da educação.

“Este debate que estamos a organizar é uma iniciativa criada pelos técnicos do Ministério da Educação e todos os parceiros do sector”, afirmou.

Fati recomendou aos membros da comissão para que trabalhassem para juntar todos os guineenses, sem exceção, no processo de debate para a busca de solução para o ensino.

Por sua vez, a Presidente da referida comissão, Marcelina Santos de Barros referiu que o encontro de dezembro abrangerá toda a camada nacional de maneira que cada um possa falar daquilo que acha que não está bem ao nível do sector.

Esta responsável disse que a comissão já iniciou os seus trabalhos e deve terminar em novembro para dar lugar ao debate de dezembro.

Marcelina Barros explicou que serão convidados ao debate todos os parceiros nacionais e internacionais, associações das mulheres e jovens, “porque a questão da educação interpela a todos”.

“Esta comissão vai levantar questões tais como, porquê que há greves no MENESIC? É precisamente porque há coisas que não estão a ser cumpridas”, disse.

ANG/FGS/LLA/SG




Gabão

Vitória de Bongo contestada na rua
Bissau, 02 Set 16 (ANG) - As principais cidades do Gabão foram palco, na noite de quarta-feira, de graves distúrbios e confrontos entre as forças de segurança e manifestantes que protestavam contra a reeleição de Ali Bongo à Presidência da República, após ser proclamado vencedor por pouca margem de votos.

Os incidentes começaram no final da tarde, depois da publicação dos resultados, onde, de acordo com o candidato derrotado, Jean Ping, morreram, pelo menos, três pessoas e o Exército invadiu a sede central de campanha da sua coligação.

O porta-voz do presidente reeleito desmentiu as denúncias da oposição, que designou de “informações falsas que só querem colocar em perigo o Estado de Direito no Gabão.”

Por sua vez, Ali Bongo pediu respeito para “o veredicto das urnas” e para as instituições do país, especialmente para a Comissão Eleitoral Nacional (Cenap), que foi muito criticada pelo injustificado atraso em publicar os resultados.

A Cenap anunciou quinta-feira a vitória do Presidente cessante Ali Bongo - com 49,8 por cento dos votos, contra 48,23 do rival Jean Ping - e pouco depois milhares de simpatizantes do candidato derrotado foram para as ruas e denunciaram o que qualificam de “manipulação da apuração.”

A polémica surgiu por causa dos resultados da província de Alto Ogooué, onde o presidente reeleito do Gabão obteve mais de 95 por cento dos votos com uma participação próxima aos 100, quando no resto do país não chegou a 60.

O Parlamento  foi quarta-feira incendiado por manifestantes que protestavam pelo anúncio oficial da reeleição do presidente Ali Bongo Ondimba, horas antes de as forças de segurança atacarem a sede de campanha da oposição em Libreville.

“Todo o prédio está em chamas. Eles entraram e atearam fogo”, disse à agência de notícias France Press um morador da capital do Gabão, Libreville, presente na Casa das Leis, que assegurou que as forças de segurança haviam retrocedido.

Jornalistas da agência France Press noticiaram que uma grande coluna de fogo emanava do palácio Leon-Mba à noite e que, pelo menos,  seis pessoas foram admitidas na policlínica Chambrier de Libreville com ferimentos a bala. E alguns feridos disseram que foram baleados pelas forças da ordem na região do Parlamento.

No final da noite, o líder da oposição, Jean Ping, disse à France Press que a sede da sua campanha em Libreville foi atacada por homens das forças de segurança.
“Foi a Guarda Republicana. Primeiro, bombardearam com helicópteros, depois por terra. 

Há 19 feridos, alguns deles muito graves", disse Jean Ping em conversa por telefone. Um porta-voz do governo confirmou o ataque que, informou, teve como objectivo “capturar  os criminosos” que incendiaram a Assembleia.

De acordo com a comissão eleitoral, o presidente cessante foi reeleito para um segundo mandato de sete anos com 49,80 por cento dos votos, contra 48,23 por cento de Jean Ping, 77 anos, antigo  dirigente do Governo de Omar Bongo, que dirigiu o país durante 41 anos.

A diferença de votos foi de 5.594 de um total de 627.805 eleitores inscritos no pequeno país produtor de petróleo de 1,8 milhão de habitantes. 

ANG/JA

Criminalidade



        Suspeito de violação da filha menor aguarda julgamento em liberdade

Bissau, 02Set 16 (ANG) - O cidadão guineense que se encontrava detido na Polícia Judiciária, por suspeita de abuso sexual contra a filha de 17 anos, foi ouvido quinta-feira pelo Ministério Público.

De acordo com uma fonte da Delegacia do Ministério Público junto à Vara Crime do Tribunal Regional de Bissau, o indivíduo se encontra em liberdade, aguardando um eventual julgamento.

De acordo com os relatórios de algumas organizações guineenses e internacionais da defesa dos direitos humanos, vários casos de práticas de violação sexual contra menores, ocorrem nomeadamente nos lugares turísticos nas ilhas dos Bijagós, sul do país.

Em 2012 um jornalista guineense foi condenado pelo Tribunal Regional de Bissau a 12 anos de prisão efectiva, por crime de violação sexual contra menores, incluindo um membro da sua própria família.
ANG/QC/SG