terça-feira, 24 de dezembro de 2019

TAP


                        Passageiros  em Bissau e as malas  em Portugal

Bissau,24 Dez 19(ANG) - Um porta-voz de passageiros que chegaram à capital da Guiné-Bissau nos últimos dias, provenientes de Lisboa, anunciou que vão bloquear, com corrente e cadeado, as portas da agência da TAP em Bissau em protesto pelo "péssimo serviço" da companhia.

Olívio Barreto indicou que a "paciência já está quase no limite" por parte de cerca de 200 passageiros da TAP que chegaram à Bissau nas últimas semanas, cujas malas ficaram retidas em Lisboa.

Cerca de duas dezenas de passageiros manifestaram segunda-feira a sua indignação na sede agência da companhia portuguesa na capital guineense e, de acordo com Olívio Barreto, receberam a promessa dos funcionários em como a situação estava a ser resolvida.

"O serviço da TAP é péssimo. O Governo da Guiné-Bissau devia ter chamado já o delegado da TAP para lhe pedir satisfação", declarou o porta-voz dos passageiros indignados.

Um passageiro, que não se quis identificar, disse à Lusa que "é ridícula, a resposta da TAP", que mandou uma mensagem electrónica aos afetados pedindo-lhes que indiquem os valores contidos nas malas retidas em Lisboa.

"Nem sequer respondi a essa mensagem, pois prefiro os meus pertences naquela mala a dez mil euros em dinheiro", observou o passageiro.

Vários passageiros, que protestavam na manhã de segunda-feira de forma ruidosa na sede da agência da TAP, ao ponto de interromperem o serviço, disseram à Lusa que estavam sem os medicamentos que ficaram nas malas retidas em Lisboa.

Segundo Olívio Barreto, se não existir uma resposta segunda-feira, a agência da TAP em Bissau será fechada a cadeado e corrente.

"Nem que seja eu sozinho voltarei cá e vou fechar esta agência. A TAP tem que sentir os prejuízos e incómodos que nos causa", avisou Barreto,

Um funcionário da agência em Bissau indicou à Lusa que a companhia lamenta a situação e que a indignação dos passageiros já foi reportada à Lisboa de onde deverá chegar uma resposta brevemente.ANG/Lusa


segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Guiné-Conacri


                Presidente Alpha Condé quer rever Constituição
Bissau, 23 dez 19 (ANG) - A oposição guineense denuncia golpe de estado constitucional após o anúncio feito pelo Presidente Alpha Condé de um projecto de nova Constituição porta aberta para poder disputar um terceiro mandato presidencial. 
O grupo que prepara desde meados de outubro uma mobilização de massa contra um eventual terceiro mandato de Condé afirma que a resposta será à altura da provocação.
Alpha Condé, eleito em 2010 e reeleito em 2015, confirmou domingo num discurso à nação, que vai submeter aos guineenses um projecto de nova Constituição por referendo sem avançar uma data precisa.
Esta eventualidade tem posto, nos últimos dois meses, nas ruas da capital milhares de pessoas denunciando as manobras de Alpha Condé.
A contestação tem sido duramente reprimida pela polícia que prendeu centenas de pessoas.
Os defensores dos direitos humanos têm denunciado o uso excessivo da força, prisões arbitrárias e impunidade das forças da ordem. 
Para a oposição, o presidente Alpha Condé, de 81 anos, procura criar condições para ser candidato às eleições presidenciais de  2020 denunciando assim a sua atitude como um golpe de estado constitucional.
A actual Constituição de 2010, limita a dois o número de mandatos  presidenciais.  ANG/RFI

RELIGIÃO


             NaTAL MUÇULMANO NA GUINÉ-BISSAU E MOÇAMBIQUE

Bissau,23 dez 19(ANG) - A comida de tradição portuguesa na consoada católica é argumento de ‘conversão’ religiosa dos muçulmanos na Guiné-Bissau e Moçambique, país em que o sincretismo religioso supera as diferenças entre islamismo e cristianismo.

A dois dias da consoada católica, as mesas de milhares de famílias mistas de muçulmanos e cristãos nos dois países acolhem o Natal, nuns casos como o nascimento do messias, noutros como a vinda do antecessor do profeta.
"Nós fazemos tudo. Tanto as festas muçulmanas, como as festas católicas", afirmou à Lusa a guineense Amina T'Djau, 30 anos, muçulmana, casada com um católico.
No Natal, explicou Amina T'Djau, "fazemos o cozido (bacalhau, com grão e ovo) e doces", numa festa de família que não limita credos.
"Nós comungamos o casamento e entre nós não há muçulmanos e católicos. A nossa filha está em primeiro lugar", explicou Carlos Cá, o marido com 41 anos e católico, enquanto olha para a bebé com sete meses, que não gosta de dormir e prefere estar ao colo da mãe enquanto os adultos conversam.
O futuro religioso da menina já está decidido pelos pais que respondem quase em uníssono que será ela que irá escolher em que acreditar.
"Os meus pais são muçulmanos, mas também não se importaram que eu me juntasse com um católico e até disseram que se quisesse podia também casar na igreja", disse Amina T'Djau.
Do lado oposto do Equador, esta naturalidade de celebrações mistas também se verifica: Heben Sultuane é muçulmano e solteiro, mas admite que festeja o feriado católico.
“Aqui é muito fácil um muçulmano comemorar o Natal” porque Moçambique não é a “Arábia Saudita, onde todos são muçulmanos, e lá praticamente quando chega esta data nada acontece”.
“Aqui acontece o contrário, nós estamos a acompanhar todo o mundo e, por isso, não tem stress, vamos comemorar”, explicou o jovem, filho de uma cristã numa família de tradição e prática muçulmana.
Em dezembro, Heben Sultuane não se veste de “vermelho, como o Pai Natal”, mas a presença do espírito natalício na comunidade contamina: “o vizinho está a comemorar à frente, ao lado, e na minha casa também estão a comemorar. Onde é que eu vou ficar? Então acabo também alinhando”.
A viver em Vilaculos, 700 quilómetros a norte de Maputo, Teófelo Natalício Fumo tem Natal no nome, mas hoje não professa qualquer religião.
O Natal é “um dia reservado para um jantar em família, como a minha mãe me ensinou” e “comemoro mais pelo costume”, explica.
O equilíbrio religioso na Guiné-Bissau e Moçambique tem sido atingido nos últimos anos por um discurso mais radical por parte de alguns líderes.
No caso de Moçambique, o norte do país tem sido palco de ataques reivindicados por movimentos islâmicos radicais, causando centenas de mortos em dezenas de incidentes.
Dos 30 milhões, estima-se que os cristãos (protestantes evangélicos e católicos) sejam o grupo de crentes mais numeroso, seguido pelos muçulmanos.
O domínio político da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) desde a independência acentuou a separação do Estado em relação a qualquer religião.
Por isso, apesar de existir uma Concordata celebrada com o Vaticano, Moçambique mantém abolido o feriado do Natal, substituindo-o por um outro dia festivo, denominado Dia da Família, uma festa ateia que serve para as famílias cristãs celebrarem o nascimento de Jesus Cristo.
Já na Guiné-Bissau, o cenário é diferente e o país é um dos que assinada oficialmente feriados muçulmanos e católicos, num respeito pela fé da população.
Com pouco mais 1,5 milhões de habitantes, a Guiné-Bissau orgulha-se da sua diversidade cultural e religiosa.
Dados indicam que existem 45,1% de muçulmanos, 22,1% de cristãos e 14% de animistas, é por isso comum encontrar homens ou mulheres católicos casados com muçulmanos, que praticam também o animismo.
Nos últimos anos, a proximidade de grupos ‘jihadistas’ no Sahel e no Mali tem-se feito sentir com a presença de alguns elementos radicais e discursos mais exacerbados.
A poucos dias do Natal, mas também da segunda volta das eleições presidenciais no país, o discurso religioso está nas ruas das cidades guineenses.
Já mais à vontade na conversa, Aminata Djau desabafa se sente incomodada com alguns discursos étnicos e religiosos que têm sido feitos na campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais na Guiné-Bissau, marcadas para dia 29.
"Não estou contente, porque as pessoas são todas iguais e aqui somos todos guineenses", concluiu.ANG/Lusa


Cooperação China/CPLP


Lusófonos aumentaram exportações para a China até Setembro – importações desceram

Bissau, 23 dez 19 (ANG) – Os países lusófonos aumentaram as exportações para a China até Setembro, se comparado com o mesmo período homólogo de 2018, e as importações diminuíram, com Brasília a continuar a ser o principal parceiro de Pequim.
De acordo com os dados dos Serviços de Alfândega chineses, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos fixaram-se em 108,9 mil milhões de dólares (98,4 mil milhões de euros) ao longo dos primeiros nove meses do ano, verificando-se um crescimento homólogo de 0,05%.
As exportações dos países lusófonos representam a maior parte deste valor: 77,7 mil milhões de dólares (70,1 mil milhões de euros), um aumento de 0,45% face ao mesmo período em análise de 2018.
Já as importações de produtos chineses para os países lusófonos registaram um decréscimo homólogo de 0,92%, no valor de 31,2 mil milhões de dólares (28,1 mil milhões de euros).
O Brasil continua a ser o principal parceiro da China no âmbito do bloco lusófono, tendo registado trocas comerciais de 82,6 mil milhões de dólares (74,5 mil milhões de euros), mais 1,05% em relação ao mesmo período do ano passado.
Brasília exportou para Pequim, no primeiro semestre do ano, produtos no valor de 57,7 mil milhões de dólares (52,09 milhões de euros), mais 2,55% do que nos meses de Janeiro a Setembro de 2018, com o Brasil a adquirir à China bens no valor de 24,8 mil milhões de dólares (22,39 mil milhões de euros), uma diminuição de 2,27%.
Angola surge no segundo lugar do ‘ranking’ lusófono com trocas comerciais com a China no valor de 19,3 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), com Luanda a enviar para Pequim produtos no valor de 17,8 mil milhões de dólares (16,07 mil milhões de euros), menos 5,39%, e a fazer compras de 1,48 mil milhões de dólares (1,34 mil milhões de euros), menos 9,57%.
As trocas comerciais até Setembro entre China e Moçambique foram de 1,8 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros), menos 6,07%, comparando com os nove primeiros meses de 2018.
Já Portugal exportou nos primeiros nove meses do ano para a China produtos no valor de 1,71 mil milhões de dólares (1,54 mil milhões de euros), menos 0,5%, relativamente ao período homólogo de 2018.
As importações de produtos chineses aumentaram 17,1%, em relação ao mesmo período do ano passado. Portugal importou da China bens no valor de aproximadamente 3,2 mil milhões de dólares (2,96 mil milhões de euros).
De acordo com dados oficiais publicados no portal do Fórum Macau, com base nas estatísticas dos Serviços de Alfândega chineses, as trocas comerciais entre Lisboa e Pequim ascenderam a cinco mil milhões de dólares (4,51 mil milhões de euros) até Setembro, quando no mesmo período do ano passado tinham sido de 4,53 mil milhões de dólares (4,08 mil milhões de euros).
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau.
Em 2018, Portugal exportou para a China produtos no valor de 2,24 mil milhões de dólares (1,99 mil milhões de euros), mais 5,59% relativamente ao período homólogo de 2017, e as trocas comerciais entre Lisboa e Pequim ascenderam a seis mil milhões de dólares (5,3 mil milhões de euros) no ano passado, o que corresponde a um aumento de cerca de 408 milhões de dólares (364 milhões de euros), em comparação com 2017.
No ano passado, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos fixaram-se em 147,35 mil milhões de dólares (131,5 mil milhões de euros) ao longo dos três primeiros meses do ano, verificando-se um crescimento de 25,31%. ANG/Inforpress/Lusa

Presidenciais 2019/2ª volta


“Domingos Simões Pereira vai superar os 20.192 votos obtidos na 1ª volta na região de Gabu”, promete Adjunto Diretor regional da campanha  

Bissau, 23 dez 19 (ANG)- O Adjunto-Diretor de campanha eleitoral do candidato Domingos Simões Pereira no Círculo Eleitoral 16,região de Gabu, prometeu superar os 20.192 votos obtidos na 1ª volta das presidenciais pelo seu candidato naquela localidade, leste do país. 

Em entrevista exclusiva à ANG, Mamadu Embaló afirmou que, contudo,  fazer a campanha em Gabu é difícil, mas que o trabalho está sendo feito  para inverter os resultados obtidos na 1ª volta na referida região, tendo mostrado confiante na obtenção de bom resultado.

“Sabemos qual é o resultado do nosso trabalho na 1ª volta. Desta vez triplicaremos a aderência da população em relação as campanhas passadas e essa moldura humana mostra claramente  que há mudança”, disse Embaló referindo-se a recepção que o candidato teve domingo em Gabu.   

Embaló considerou de revolta, a receção da população de Gabu ao Domingos Simões Pereira, justificando que a população local quer mostrar que vão votar massivamente no candidato do PAIGC para mostrar o adversário de que nessa região, assim como na Guiné-Bissau, em geral, não deve haver a divisão de raça e nem da etnia.

“A vitória já está confirmada aqui em Gabu. Penso que o resultado das eleições do dia 29 deste mês não vai ser só aqueles vinte mil votos que obtemos na 1ª volta, mas sim  mais de 50 mil votos que queremos ter para podemos ganhar o adversário”, disse Embalo que se recusou a revelar a estratégia montada para essa reviravolta desejada pela candidatura de Simões Pereira.

A ANG soube que o PAIGC reforçou a sua equipa em Gabú com dirigentes e militantes do partido que cedo fixaram residência naquela cidade, em campanha porta à porta.

A 2ª volta da eleições presidenciais 2019 está marcada para dia 29 do mês corrente, e concorrem Domingos Simões Pereira que obteve 20.192 votos equivalente a 28, 46% na região de Gabu e Umaro Sissoco Embaló que tinha na mesma região 36.945 votos que significa 52,07% dos votos válidos.

Os dois candidatos realizam hoje à tarde na cidade de Gabu, o que alguns analistas chamam de “comício/teste” de adesão de apoiantes, naquela região de predominância muçulmana. ANG/DMG/ÂC//SG

Caso Khashoggi


      Cinco sauditas condenados à morte pelo assassínio do jornalista

Bissau, 23 dez 19 (ANG) – Cinco sauditas foram condenados à morte pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi em Outubro do ano passado, no consulado saudita em Istambul, anunciou hoje a procurador-geral da Arábia Saudita.
Nenhuma acusação foi apresentada contra Saud al-Qahtani, um assessor próximo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, acrescentou o procurador, dizendo que o ex-general foi absolvido.
O procurador-geral adiantou, em conferência de imprensa, que existem outras penas para outros seis condenados.
A 02 de Outubro de 2018, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava nos Estados Unidos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, para tratar de alguns documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca.
O jornalista não voltou a sair do consulado, onde foi morto por agentes sauditas, que saíram da Turquia e regressaram à Arábia Saudita logo após o assassínio.
O julgamento dos 11 suspeitos começou no início de Janeiro, na Arábia Saudita, e o procurador-geral solicitou a pena de morte para cinco deles.
ANG/Inforpress/Lusa

Cultura


           Governo admite possibilidade de criar Escola de Artesanato 

Bissau,23 dez 19 (ANG) – O Governo, através da Secretaria de Estado de Turismo e Artesnato admitiu a possibilidade de criar uma escola de artesanato na Guiné-Bissau.

A intenção foi manifestada este domingo pela Secretária de Estado de Turismo e Artesanato, Catarina Taborda durante a inauguração  do parque Artesanal denominado “Parque de Bambú”.

A construção do referido Parque, segundo Catarina Taborda custou ao governo mais de dez milhões de  franco CFA.

A governante disse estar satisfeito com trabalho feito pelos artesões, daí que segundo ela, é preciso apostar na formações de mais quadros nesta área, devido a qualidade de trabalho.

Catarina lamentou a falta de oportunidades para mostrar o que são capazes de fazer.

Na ocasião, a Secretária de Estado de Turismo e Artesanato pediu aos guineenses no sentido protegerem o Parque, por ser “mais um espaço de diversão para crianças”.

Revelou a intenção do governo de avançar com a construção de  outro Parque, na rotunda do Aeroporto, no próximo ano.

Instado a falar sobre a retoma  de jogos de azar denominados de “colos-colos”, como é conhecido pelo público, em vários pontos da cidade Bissau, Taborda prometeu  para breve a sua retoma, mas de uma forma controlada e num formato de casino, salas de jogos havendo sempre um adulto a controlar as pessoas para  saber se têm idade para o efeito ou não, em cumprimento às exigências da Secretaria de Estado do Turismo e Artesanato.

Catarina Taborda justificou a sua proibição com impacto social negativo que este jogo provocou no país.

O chefe dos artesões que construíram o Parque, Barbosa Silva pede ao  governo para apoiar a formação de jovens na área de artesão.

Barbosa admite que se não houver essa formação o país pode perder os seus profissionais, uma vez que a maioria dos artesãos ja se envelheceram.

 “Peço ao governo para criar-nos um  incentivo ou subsídio e também concedermos um contrato de trabalho na função pública”, rogou o velho artesão Barbosa Silva.ANG/LPG/ÂC//SG


Desporto/Futebol


     FC de Canchungo assume liderança do campeonato da primeira divisão

Bissau,23 dez 19 (ANG) – O Futebol Clube de Canchungo assumiu a liderança do campeonato nacional de futebol da primeira divisão com mais de dois pontos de vantagem sobre FC de Sonaco, após ter ganho os Balantas de Mansoa por 1-0 no fim de semana no jogo referente a quarta jornada.

O jogo entre a União Desportiva e Internacional de Bissau (UDIB) e os Cavalos Brancos de Cumtum enceram hoje a jornada quando forem às 16 horas de Bissau.

Eis os resultados da mesma jornada: Pefine/Sporting CGB (0-0); Sonaco e Bula (1-1),  Gabu/Bissorã (3-0), Benfica/Portos (2-3) Pelundo/Bafata (1-0). ANG/LPG/ÂC//SG


Emigração ilegal



                    
Bissau,23 dez 19(ANG) - O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal(SEF) anunciou no Domingo que desmantelou uma rede criminosa de auxílio à imigração ilegal para a Europa, que tinha “como figura central” um funcionário do serviço consular da embaixada de Portugal em Bissau.

“A investigação, desenvolvida ao longo do último ano, teve origem numa informação proveniente das autoridades alemãs, relativa a sete cidadãos iranianos detetados no aeroporto de Frankfurt, titulares de vistos portugueses apostos nos passaportes e relativamente aos quais existiam suspeitas de terem sido obtidos fraudulentamente”, revelou o SEF, num comunicado.

No decurso do inquérito foi identificado o responsável pelo processamento de todos aqueles vistos, que foi agora detido em território nacional.

O suspeito “arrogou-se da sua qualidade de funcionário consular para apoderar-se de vinhetas de visto em branco que vendia a outros indivíduos que pretendiam entrar em Espaço Schengen”.

O homem simulava informaticamente a emissão de vinhetas referentes a pedidos de vistos de cidadãos guineenses, que anulava logo de seguida, ainda em branco.

“Emitia, então, novas vinhetas a favor dos requerentes locais e apoderava-se das vinhetas anuladas, ainda por preencher, que depois foram ilegalmente preenchidas”, permitindo a entrada de indivíduos de nacionalidade iraniana na Alemanha, a troco de avultadas quantias monetárias, informou o SEF.

Durante a investigação, foram ainda identificadas 209 vinhetas de visto processadas pelo suspeito desde 2012, “que desapareceram, e sobre as quais subsistem fortes indícios de que, também, possam ter sido vendidas”.

O detido foi indiciado da prática de múltiplos crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação de documentos, corrupção passiva e tráfico de seres humanos e será presente no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para aplicação de medidas de coação.

Durante a operação, intitulada “Visa Branco”, foi apreendida “abundante prova dos crimes identificados, tendo ainda permitido resgatar uma mulher de nacionalidade guineense como possível vítima de tráfico de seres humanos, que se encontrava em casa do suspeito”.

A operação envolveu 20 inspetores do SEF e uma equipa multidisciplinar especializada – SOS tráfico – na realização de buscas à secção consular da Embaixada de Portugal na Guiné Bissau e à residência do suspeito em território nacional.

O SEF realizou a operação sob coordenação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, em colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros. ANG/Lusa


Presidenciais 2019/2ª volta


Domingos Simões Pereira promete dar “melhor resposta”  àqueles que pensam tirar proveito de voto étnico e religioso

Bissau, 23 dez 19 (ANG) – O candidato suportado pelo Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC), disse que vai  dar “melhor resposta” àqueles que pensem que podem tirar proveito do voto  étnico, religioso e todo tipo de contaminação à sociedade guineense.

Em declarações aos jornalistas no domingo, em Gabu, leste do país,  Domingos Simões Pereira afirmou que esta resposta é do Povo guineense que quer mostrar de que precisa de viver  e celebrar a “guineendade”.

Agradeceu à população dessa região pela demonstração da coesão do Povo guineense, sublinhando que esta recepção significa que Gabu está pronta  para estabelecer o compromisso com a sua candidatura no dia 29 do mês corrente.

“Queremos estabelecer um compromisso no dia 29, que a partir da próxima legislatura possamos ver aquele sol a arder para todo o filho da Guiné-Bissau”, frisou Simões Pereira.

Perguntado se está confiante que o resultado vai mudar nessa segunda volta na região de Gabu a seu favor, o candidato disse que vai ser só a confirmação do que era a escolha feita pelo Povo guineense.

“Isso para mim vai ser uma confirmação de que não há outro tipo de solução ou resultado possível, a não ser a confirmação da minha vitória no dia 29 de dezembro”, afirmou.

Simões Pereira ao responder a questão dos jornalistas sobre a ameaça do candidato do Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), Umaro Sissoco Embaló, em Catió de paralisar a 2ª volta das eleições caso os seus materiais de campanha não foram desbloqueados pelos serviços alfandegários de São Domingos, zona fronteiriça norte do país, disse que não quer fazer comentário sobre esse assunto.

Contudo, considerou que é acto  próprio de quem não tem nada para oferecer este Povo e que trabalha só na subversão, golpe de Estado, intriga, medo, fazendo muita gente pensar que através do medo é que pode condicionar a decisão das pessoas.

“Acreditamos no futuro, na paz, na tranquilidade.E por onde passamos informamos à população guineense  que vamos ser capaz de construir a democracia ”,frisou. ANG/DMG/ÂC//SG

Economia






 Bissau,23 Dez 19(ANG) - A França e oito países da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) anunciaram no sábado, 21 de dezembro, um acordo para pôr fim ao franco CFA, moeda adotado desde o tempo colonial.
 
Esta “reforma histórica”, como lhe chamou o Presidente francês, foi anunciada no sábado, durante a visita de Emmanuel Macron à Costa do Marfim.

O franco CFA vai passar a chamar-se Eco, anunciou o Presidente marfinense, Alassane Ouattara, em nome de oito países africanos: Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo.

“Decidimos uma reforma do franco CFA com três alterações principais, entre as quais a mudança de nome”, “o fim da centralização de 50 por cento das reservas no Tesouro francês” e “a retirada de França das instâncias de governança em que está presente”, explicou Ouattara, em conferência de imprensa, acompanhado por Emmanuel Macron.

“O Eco terá vida em 2020, congratulo-me com isso”, disse Macron, assumindo que a França quer uma relação “descomplexada” com a África Ocidental.

A futura moeda “ECO” que vai circular em 2020, sem data precisa, nos 15 países da CEDEAO, conserva a taxa de câmbio com euro (1 euro = 655,96 francos CFA).

Trata-se evitar os riscos de inflação (presente nos outros países de África), explicou o presidente marfinense Alassane Ouattara.

De referir que a Guiné-Bissau aderiu ao Franco FCA em 1997, data em que deixou de usar o “Peso”, moeda nacional adotado em 1975.

Esta moeda comum nos oitos países da UEMOA evoluiu ao longo dos tempos mas sempre conservou o seu acrónimo “CFA”. Foi inicialmente adotado por General de Gaulle em 25 de dezembro de 1945 como Franco das “Colónias Francesas de África”. 

Em 1958 passou a ser designado por Franco de “Comunidade Francesa de África”. E depois das independências de países colonizados, em 1962 passa a ser até a data presente Franco “Comunidade Financeira de África”.ANG/ LUSA, RFI, Le Figaro


Bissorã


Inaugurado Centro de Processamento de Caju para produzir cerca de 300 toneladas de amêndoa/ano

Bissau,23 Dez 19(ANG) – O sector de Bissorã, região de Oio, norte do país, conta desde sexta-feira com um Centro de Processamento de cajú, com capacidade de produzir cerca de 300 toneladas de amêndoas.

“Estamos hoje aqui em  Bissorã, para testemunhar a criação de mais uma unidade de processamento de  caju, construída de raiz e que vai gerar mais de 100 postos de emprego e capacidade para produzir cerca de 300 toneladas de amêndoa por ano”, revelou o chefe de Gabinete da ministra da Agricultura e Florestas, quando presidia o acto inaugural do referido Centro.

Rui Fonseca disse  que o sector de Bissorã  e a Guiné-Bissau em geral está de parabéns pelo registo de mais uma unidade de processamento de caju.

“Quero saudar a direção da ONG Associação de Ajuda de Desenvolvimento do Povo para Povo-Guiné-Bissau(ADPP), pela escolha de Bissorã para implantar esse Centro, no exercício das suas actividades, em todo o território nacional”, enalteceu.

Rui Fonseca saudou igualmente a União Europeia,  entidade financiadora do Centro e todas as personalidades presentes na cerimónia, com destaque para as agricultoras de Bissorã, que assumiram o desafio juntamente com a ADPP de transformar a amêndoa de caju em riqueza nacional.

O chefe de Gabinete da ministra de Agricultura disse que a castanha de cajú é a primeira fonte de rendimento das famílias rurais e principal produto de exportação da Guiné-Bissau, representando 90 por cento das exportações e 17 por cento das receitas do Estado.

Informou que o caju cobre 47 por cento das superfícies agrícolas e dá ocupação à 80 por cento de agricultores, constituindo uma actividade estratégica para a criação de emprego e redução da pobreza.

Fonseca disse que as principais dificuldades que os actores da fileira de caju enfrentam são, o fraco enquadramento técnico das produtoras, a pouca transformação e a falta de informação dos comerciantes sobre a situação do caju no mercado internacional.

Vista exterior do Centro
Por sua vez, Umo Bari, em representação do Director Executivo da ADPP-Guiné-Bissau, afirmou que, quando iniciaram o referido projecto em 2016, tinham traçado como objectivo específico, a melhoria da segurança alimentar e a geração de rendimento das populações rurais de Bissorã.

Afirmou que, no quadro do presente projecto, foram formados 40 alunos na área de agropecuária com especialização em caju, acrescentando que, hoje em dia, o Centro de Processamento de Cajú que entrou em funcionamento no ano passado, já  produziu até 120 toneladas de amêndoa.

O Centro tem actualmente 21 funcionários dos quais 8 mulheres, e 69 estagiários com direito ao subsídio dos quais 54 mulheres.ANG/ÂC//SG


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Sociedade


“ A mulher rural guineense enfrenta barreiras impostas pelos homens", diz estudo

Bissau, 20 dez 19 (ANG) - Um estudo sobre a situação da mulher guineense do mundo rural aponta para a existência de várias barreiras impostas pelos homens, inibidoras da sua participação nas tomadas de decisão.

Boaventura Santy, coordenador do estudo, promovido pela organização não-governamental guineense, Tiniguena, disse à Lusa que a amostra retrata apenas a realidade de 30 comunidades rurais, mas espelha a realidade vivida em toda a Guiné-Bissau.

"Constatámos que existem barreiras exteriores à afirmação da mulher rural, constituídas pelos homens, mas também concluímos que a pouca instrução dessas mulheres, a pobreza e o excesso de trabalho, são também outros dos fatores para a sua fraca participação nas tomadas de decisão", afirmou Santy.

O também sociólogo e investigador no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) exemplificou que a mulher rural acorda e sai de casa às 06:00 da manhã e só se deita às 22:00, acabando por deixar para os homens a tarefa de decisão sobre os assuntos da comunidade.

"A maior parte dessas mulheres são as provedoras da família, são elas que produzem o que se come, o que se veste e o que se gasta para outras necessidades. São levadas a pensar e incorporar na sua mente que o processo decisório cabe apenas aos homens", sublinhou Boaventura Santy.

O investigador notou que o estudo concluiu que as mulheres rurais "acabam por ficar confinadas apenas à produção de bens de consumo e aos cuidados com as crianças".

Boaventura Santy realça que o estudo retratou a realidade de 30 comunidades, de Bafatá, no leste, Oio, no centro, e Cacheu, no norte, mas sublinhou que não há dúvidas em como espelha o que se passa na generalidade do mundo rural guineense.

"O estudo, realmente, só veio reforçar o conhecimento que o público tem em relação à situação de dificuldade, de submissão da mulher e a sua limitação em termos de participação nos processos decisórios, tanto a nível da sua comunidade como a nível nacional", frisou Santy.

O investigador acredita ser possível inverter esse quadro desde que o Estado guineense reforce a educação e a instrução da mulher rural, crie reais condições para a sua participação nas tomadas de decisão o que, disse, passa pela eliminação de barreiras culturais e a ideia de imposição por parte dos homens.

O estudo, que é hoje apresentado em Bissau, foi financiado ao abrigo de um projeto do Fundo das Nações Unidas para a Consolidação da paz na Guiné-Bissau e executado em parceira com o Programa Alimentar Mundial (PAM).ANG/Lusa

Presidenciais 2019/ 2ª volta


Domingos Simões Pereira considera de satisfatório a sua recepção na  região de Quinara

Bissau, 20  dez 19 (ANG) – Domingos Simões Pereira disse que o povo esta motivado e consciente do momento político que se vive e que vai fazer uma escolha certa para renovar a sua esperança e abrir nova página na história da Guine Bissau.

Em declarações aos jornalistas na cidade de Buba, o candidato suportado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC) considera de satisfatório a qualidade de recepção que  teve na  região de Quinará, Sul do país.

O candidato as presidências disse que o povo esta motivado e consciente do momento político que se vive, acrescentou que os guineenses querem renovar a sua esperança de que, no dia 29 de Dezembro, vai se abrir “nova página na história da Guiné-Bissau”.

" Há momentos que tocam com uma pessoa. Estava particularmente emocionado quando entrava  no fundo de Tombali, olhando para as crianças a dizerem homem da paz e da verdade. Se algum dia quero estar associado à algum objectivo é este: a verdade e a paz”, disse o candidato.

Segundo Simões Pereira, significa que a mensagem esta a passar e  que todos os guineenses estão a preparar para o grande dia de tomada de decisão, o dia que espera que será bom para todos.

" A impressão que tenho, é que o apelo aos guineenses está a funcionar, apesar de todo esforço dos outros quadrantes para desviar a atenção daquilo que é o essencial. Parece-me que os guineenses estão preparados e unidos para tomar decisões, porque no fundo são eles que vão cuidar das suas vidas", salientou DSP.
 
Disse ainda que há pessoas que pensam que a escolha do presidente é mais uma “brincadeira” como tantas outras que já foram feitas na Guiné-Bissau, e que seu sentimento é que cada alguém pode brincar, mas, espera que o povo guineense não esteja a brincar e vai tomar uma decisão certa.

Questionado sobre a influência a exercer junto do Governo para a construção de porto de Buba, caso for eleito presidente da República, no dia 29 de Dezembro, disse que entre 1995 e 1996 foi coordenador técnico de todos os programas que juntou Mali, Senegal, Guiné Conacri  e Gâmbia, e que está  bem informado da importância do porto de Buba e sobre  qual o caminho a seguir.

" Enquanto presidente da República tenho que respeitar a separação de poderes e deixar que seja o governo conduza o processo. Tenho que colocar à disposição do governo para o apoiar no sentido de ser bem recebido e acolhido para poder mobilizar fundos necessários", explicou Pereira.

Para Pereira, é óbvio sua vitória no dia 29 de Dezembro, porque, segundo diz, não entrou nessa corrida de ânimo leve e que desde o primeiro dia, quando o Comité Central decidiu que seja ele o candidato do PAICG fez um retiro para reflectir sobre desafios que existem, para fazer um diagnóstico da sociedade, porque não pode ter resposta para uma sociedade que não conhece.

" Fiz um diagnóstico da sociedade e  identifiquei principais objectivos e desafios  que vamos enfrentar. Com base nisso, escrevi um manifesto que expresa uma visão estratégica que estou a seguir e espero que os guineenses estão a partilhar”, disse. ANG/MI /LPG/SG