quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Presidenciais 2019/2ª volta




Bissau,22 Jan 20(ANG) - Os mandatários judiciais da candidatura de Domingos Simões Pereira decidiram juntar num único processo todas as petições em que pedem esclarecimento sobre as suspeitas de fraude nas eleições presidenciais guineenses, de 29 de dezembro, disse terça-feira fonte judicial.

De acordo com um dos advogados da equipa de mandatários de Domingos Simões Pereira, decidiu-se pela desistência do "processo 'ad hoc' em que se pedia ao tribunal que declare a nulidade da ata" que a Comissão Nacional de Eleições elaborou com os resultados eleitorais, para juntar aquela petição a outros pedidos ao tribunal.

"Concluímos que não era estratégico termos no tribunal várias petições, para não criar confusão ao tribunal, por isso decidimos anular aquele processo e juntá-lo num só com várias petições", disse à Lusa a fonte da equipa de advogados de Domingos Simões Pereira.

O esclarecimento vem na sequência de um documento em circulação nas redes sociais em que se pode ler que o chefe da equipa de advogados de Simões Pereira, o antigo Procurador-Geral guineense, Luís Manuel Cabral, "comunica ao Supremo Tribunal de Justiça a desistência do recurso interposto no dia 15 de janeiro".

"Não é uma desistência do processo em si, mas sim é uma questão de estratégia objetiva", declarou a fonte da equipa de advogados de Domingos Simões Pereira, frisando que no mesmo processo, que deu entrada no dia 17, foi solicitado ao tribunal, "além da anulação da ata da CNE, outros pedidos". ANG/Lusa


Turismo


       Associação de Operadores Turísticos perspectiva reorganizar o sector

Bissau,22 Jan 20(ANG) -   A Associação dos Operadores Turísticos e Similares da Guiné-Bissau perspectiva reorganizar o sector, passando pela capacitação dos seus associados de forma a poderem atingir os objectivos preconizados que é o desenvolvimento do turismo.

Em conferência de imprensa realizada terça-feira no quadro do balanço das actividades levadas a cabo no decurso de 2019, o Secretário-geral desta organização disse que têm em carteira a criação de delegacias regionais,  e marcar presença em  eventos turísticos internacionais.

Orlando da Costa Pinto disse que têm ainda em manga, estudar de forma mais adequada a formalização de sócios informais do sector, de forma a acabar com a concorrência desleal.
Em relação as acçoes levadas a cabo durante o ano transacto, o Presidente da Associação dos Operadores Turísticos e Similares da Guiné-Bissau Jorge Cabral enumerou entre outros, a criação da primeira delegacia da organização nas Ilhas Bijagós.

Adiantou ainda que foram recebidos em audiência pelo Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau com quem abordaram  aspectos relacionados com a realidade turísticas do país.

Informou que estiveram presentes na Bolsa de Turismo de Lisboa(BTL),  que, em dois anos consecutivos, foi considerado o maior destino turístico do mundo, acrescentando que inauguraram a sede da Associação e fizeram um pre-acordo com o então Ministério do Turismo e  mais tarde com a Secretaria de Estado do mesmo sector, sobre o pagamento das taxas e alvarás.

Salientou que o referido acordo estabelece que os pagamentos seriam feitos de  acordo com a tabela antiga e que as dívidas deveriam ser pagas no prazo de 30 dias, a partir da data da sua assinatura.

O Presidente da Associação dos Operadores Turísticos sublinhou que em 2019, foram ainda recebidos pelos representantes da União Africana, da UEMOA, CEDEAO, embaixador de Angola, da Guiné-Conacri, bem como de diferentes instituições governamentais.

Adiantou que mantiveram contactos com outros parceiros sociais com o patrocínio do Banco Central de Estados da África Ocidental(BCEAO), nomeadamente com a  Câmara do Comércio, Industria, Agricultura e  Serviços, no sentido de abrir portas ao crédito para as pequenas e médias empresas.

A Associação dos Operadores Turísticos e Similares da Guiné-Bissau foi fundada em 15 de Setembro de 2018.ANG/ÂC//SG



Suíça/Fórúm econômico mundial


         Davos assiste choque entre Greta Thunberg e Trump sobre o clima
Bissau, 22 jan 20 (ANG) - A 50ª edição do Fórum Econômico Mundial de Davos começou nesta terça-feira (21) na Suíça dominada pelos debates sobre as mudanças climáticas.
Pelo segundo ano consecutivo, a jovem ativista sueca Greta Thunberg foi convidada a participar do encontro.
 Logo no início do evento, ela criticou a elite econômica mundial que não fez praticamente nada contra as mudanças climáticas.
 O presidente Donald Trump não tardou a reagir e fustigou “os profetas do apocalipse”.
A declaração da jovem ativista soou como uma ducha de água fria para os líderes mundiais reunidos na estação de esqui suíça e suas promessas a favor do meio ambiente.
Greta Thunberg disse que “nada foi feito pelo clima”, apesar da mobilização de jovens do mundo inteiro durante meses. "Precisamos de muito mais do que isso", afirmou a jovem, lamentando que as "emissões de dióxido de carbono não diminuíram".
A grande expectativa do dia era saber se a jovem ativista, de 17 anos,                   fundadora do movimento Fridays for Future, e que se transformou na líder mundial da mobilização dos jovens pelo clima, iria se encontrar com Trump, a outra vedete deste primeiro dia do Fórum.

Trump, que menospreza as consequências das mudanças climáticas, foi fiel a sua reputação durante sua fala em Davos. Diante de Greta Thunberg, que estava na plateia, o presidente americano disse ser necessário “rejeitar os eternos profetas da desgraça e suas previsões apocalípticas”.
Em campanha por sua reeleição em novembro, e a poucas horas do início de seu julgamento de impeachment, Trump chegou esta manhã a Davos. Durante o encontro, ele espera promover os benefícios de sua política junto aos líderes econômicos mundiais e “conseguir bilhões de dólares em investimentos para os Estados Unidos”.

 “Somos de longe o número 1 do Universo”, tuítou o presidente antes de desembarcar na Suíça.
Depois de Trump, Grete volta a falar esta tarde em um painel intitulado “Evitar o apocalipse climático”. Quem levará a melhor nesse choque?
Segundo uma sondagem da empresa de consultoria PwC, que entrevistou 1.600 empresários, as mudanças climáticas não integram a lista das dez principais ameaças à economia mundial em 2020. O aquecimento global aparece apenas na 11ª posição.
ONGs presentes em Davos notam, no entanto, uma conscientização maior dos dirigentes. O desafio é traduzir essa preocupação para cadeias produtivas complexas. Um relatório do Greenpeace publicado hoje mostra que dez bancos presentes regularmente em Davos deram US$ 1 trilhão de financiamento para o setor de combustíveis fósseis, que alimenta o aquecimento global, entre 2015 e 2018.
A 50ª edição do evento, que acontece até a próxima sexta-feira (25), terá a participação de 53 chefes de Estado e 1.680 empresários, a maioria esmagadora deles de homens (76%). Ao todo, 3.000 pessoas, representando 117 países, participam do Fórum.
Além de Trump, a lista de personalidades políticas presentes inclui a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chanceler alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o vice-presidente chinês, Han Zheng.
O Brasil vai ser representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. No centro das discussões a questão climática, mas também as tensões comerciais. ANG/RFI



terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Religião


Bispos de Países de Língua Portuguesa enaltecem entendimento religioso na Guiné-Bissau

Bissau,21 jan 20(ANG) – O Presidente de Conferência Episcopal dos Países de Língua Portuguesa, o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente considerou hoje de positivo o entendimento religioso que se verifica na Guiné-Bissau, e diz  ser importante para garantir a paz.

Dom Manuel Clemente que falava à imprensa após  uma audiência com o Presidente da República cessante, José Mário Vaz, disse que a visita   serviu para os Bispos dos países da Língua Portuguesa agradecer o acolhimento que lhes foi proporcionado pelo Estado.

Durante o encontro, Dom Manuel Clemente disse que o Presidente da República informou lhes  do que acontece aqui na Guiné Bissau em termos de  entendimento religioso, situação que disse ser importante para a paz, reconciliação e para o futuro do país.

Acrescentou  que o referido entendimento religioso é muito positivo, porque durante os cinco dias que estiveram na Guiné-Bissau, no âmbito do XIV encontro dos Bispos dos países lusófonos, tiverem encontros com a comunidade Católica, Muçulmana com a participação dos líderes Evangélicos em Bissau e em Bafata.

Por isso disse esperar que esta boa relação entre as diferentes comunidades religiosas se mantenha e cresça, sustentando que a religião está transversalmente presente na sociedade por parte dos cidadãos que partilham e participam nos vários crédulos, o que, na sua opinião, representa  um “ótimo contributo” para a reconciliação dos guineenses.ANG/LPG/ÂC//SG


Presidenciais 2019/2ª volta


 JAAC acusa CNE de “má fé” na divulgação dos resultados definitivos das eleições

Bissau,21 Jan 20(ANG) – A Juventude Africana Amílcar Cabral(JAAC), braço juvenil do PAIGC, acusou hoje a Comissão Nacional de Eleições(CNE) de “ má fé”, ao proceder a  publicação, “precipitada” dos resultados definitivos das eleições presidenciais de 29 de Dezembro e que reafirmaram a vitória do candidato do Movimento para Alternância Democrática, Umaro Sissoco Embaló.

“”Acho que a Comissão Nacional de Eleições teve um comportamento que pode consubstanciar num crime de desobediência”, afirmou Aksumiu Có, secretário para as Relações Internacionais da JAAC em conferência de imprensa, realizada hoje em reação ao último Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça.

Na sexta-feira, a CNE publicou os resultados definitivos das eleições presidenciais, confirmando a vitória na segunda volta de Sissoco Embaló. Mais tarde, STJ divulgou uma aclaração do acórdão anterior, a pedido de Domingos Simões Pereira, derrotado nas eleições de dezembro, exigindo àquele órgão que cumpra a lei eleitoral, procedendo-se às "operações do apuramento nacional".

Para o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), que apoiou o candidato derrotado na segunda volta, o acórdão obriga a uma recontagem dos votos e não apenas à verificação das atas e exigiu à CNE o cumprimento dessa decisão.

Aksumiu Có explicou que quando o PAIGC solicitou ao Supremo Tribunal de Justiça a Aclaração do Acordão, com base no procedimento normal em que a própria CNE teve conhecimento porque foi notificado, devia suspender o  acto de anunciou dos resultados definitivos até a divulgação do acórdão.

Explicou ainda que, se a CNE pretendia agir de boa fé teria que aguardar até a publicação da Aclaração para depois anunciar os resultados definitivos, acrescentando que o PAIGC nunca pediu a CNE para pronunciar ao seu favor, mas sim para efeitos de lhe esclarecer o que está confuso no processo.

“Ao publicar os resultados definitivos horas antes da publicação do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, isso quer dizer que a CNE sabe de antemão que cometeu erros, e ainda está a fazer as coisas à revelia que pode consubstanciar em crime”, disse aquele responsável juvenil.

Aksumiu Có disse que nesta altura devia ser intentado um processo crime contra o Presidente da Comissão Nacional de Eleições por desobedecer o momento que teriam que aguardar antes da publicação dos resultados definitivos das eleições.

“E para todos os efeitos, os resultados definitivos publicados não têm nenhuma validade e por isso ainda não temos nenhum candidato vencedor das eleições”, afirmou.ANG/ÂC//SG


Presidenciais 2019/2ª volta



 

Bissau,21 Jan 20(ANG) – Umaro Sissoco Embaló candidato considerado pela Comissão Nacional de Eleições(CNE), vencedor das presidenciais de 29 de Dezembro, anuncia encontro com o presidente do Parlamento Cipriano Cassamá na terça-feira (21.01), para conversarem sobre sua posse, que deve ocorrer no dia 19 de fevereiro.
 
Em entrevista à DW África em Lisboa, Umaro Sissoco Embaló garantiu que assumirá o cargo de Presidente da República da Guiné-Bissau no próximo dia 19 de fevereiro, por ter sido eleito pelo povo guineense e em nome da concórdia e da coesão nacional.

 O ex-primeiro-ministro afirmou que tem grande responsabilidade para não falhar perante os guineenses depois de quase 20 anos de instabilidade política.

A disputa eleitoral prossegue na justiça guineense. O Supremo Tribunal de Justiça - conforme uma nota de esclarecimento divulgada em Bissau - mandou a Comissão Nacional de Eleições (CNE) "proceder [...] as operações de apuramento nacional com a imediata elaboração da ata onde constam os resultados apurados, as reclamações, os protestos e os contraprotestos apresentados e ainda as decisões que sobre elas tenham sido tomadas".

Não há impasse político" na Guiné-Bissau, assegura Umaro Sissoco Embaló quando questionado pela DW-África sobre o contencioso no Supremo Tribunal da Justiça, interposto pela candidatura do seu adversário, Domingos Simões Pereira, quando a CNE declarou a sua vitória na segunda volta das eleições presidenciais de 29 de dezembro.

Sissoco evita aprofundar o seu comentário sobre os recentes posicionamentos dos órgãos soberanos da República, distanciando-se, deste modo, da "jogada política" que se assiste no país.

Neste contexto, reconhece a reação de Domingos Simões Pereira, candidato do Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) que teria sido derrotado nas urnas segundo os resultados divulgados pela CNE.

"Eu ponho-me no lugar de Domingos Simões Pereira, que se comportava como um chefe de Estado, ânimos” perder as eleições dessa forma que perdeu. Porque há uma grande margem que são cerca de 40 mil votos de diferença. Isso não é fácil e ele tem que buscar maneira de acalmar os militantes, [controlar] , disse Sissoco Embaló que é também o terceiro coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15).


Sissoco entende que a entidade competente para declarar o vencedor das eleições é a CNE e não o Supremo Tribunal de Justiça. Ele acrescenta que a recontagem dos votos é inconstitucional. "A partir de terça-feira, eu vou falar com o presidente da Assembleia Nacional Popular para marcar a data de tomada de posse, porque a Guiné-Bissau tem de sair deste marasmo",anunciou.

Para o líder do MADEM-G15, ele já é o Presidente eleito da Guiné-Bissau e pensar agora na forma de ser um Presidente de "concórdia nacional" para restaurar a "dignidade" da Guiné-Bissau. "Eu estou já a pensar em depois do dia 19 de fevereiro, depois da minha tomada de posse. Na nova Guiné-Bissau, há esperança”, disse em entrevista à DW África.

Para o constitucionalista guineense, Carlos Vamain, não se pode falar de impasse no atual contexto político do país. "Com a publicação dos resultados definitivos por parte da CNE, pôs-se fim a essa telenovela que existe nesse cenário eleitoral.

O Presidente eleito é o senhor Umaro Sissoco Embaló que deve assumir as funções de Presidente porque foi considerado vencedor pela entidade competente que gere e fiscaliza as eleições na Guiné-Bissau", opinou Vamain.

O jurista lembra que na legislação guineense não existe a recontagem de votos. Para ele, o país estaria diante de  "um princípio da legalidade que norteia a ação das entidades públicas na Guiné-Bissau".

Sissoco Embaló lamentou, entretanto, que as instituições do Estado estejam a funcionar parcialmente, "porque estão à espera da tomada de posse do novo Presidente" que dará "novas orientações e nova dinâmica" ao país.

O político guineense assegurou que vai utilizar todas as prerrogativas constitucionais durante o exercício do seu mandato.

"Serei aquele Presidente muito atento. Mas isso não será [somente o meu papel, os tribunais têm que funcionar. A Procuradoria Geral tem que fazer o seu papel de advogado do Estado. Eu estarei lá, portanto, para ser o árbitro", esclareceu.

Pelo compromisso que assumiu, Sissoco Embaló insiste que será o garante da estabilidade. "Sim, porque eu tenho todo o interesse [nisso]. Eu não tenho que falhar, porque tenho o compromisso comigo mesmo e com o povo da Guiné-Bissau", salilenta.

Uma das bandeiras da sua ação como Presidente da República é o combate à corrupção e ao narcotráfico sem interferências na ação da justiça. 

"Nós não produzimos drogas. Quem nomeia o Procurador Geral da República é o Presidente da República. Aquilo [o tráfico] é um flagelo. O combate à droga e à corrupção será uma questão de desígnio nacional”, disse.ANG/DW África


Diferendo eleitoral





Bissau,21 Jan 20(ANG) - O candidato às eleições presidenciais da Guiné-Bissau Domingos Simões Pereira lamentou sexta-feira o desrespeito que a comunidade internacional está a demonstrar em relação às leis do país e ao povo guineense.

"O candidato é um candidato a ser Presidente da Guiné-Bissau. As leis da Guiné-Bissau devem ser as primeiras a serem respeitadas. Por mais que lá fora se possa ter um entendimento diferente, é preciso respeitar o povo guineense", afirmou, em entrevista à Lusa, o também presidente do PAIGC.

Domingos Simões Pereira referia-se ao facto de o outro candidato às eleições presidenciais, Umaro Sissoco Embaló, estar a ser recebido por dirigentes de vários países, incluindo Portugal, quando está em curso um contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça relativo aos resultados eleitorais das presidenciais de 29 de dezembro.

"Até prova em contrário, até um conhecimento mais apurado, a minha perceção da vocação da comunidade internacional é apoiar os países, neste caso a Guiné-Bissau, no reforço das suas instituições democráticas", afirmou Domingos Simões Pereira.

Segundo o presidente do PAIGC, quando através das instituições do país a Guiné-Bissau afirma que o processo de eleições "não está concluído", o "mínimo que se espera de entidades democráticas a nível internacional é que digam a todo o mundo que respeitem as vossas disposições antes de nos confrontarem com essa necessidade de festejar".

Questionado sobre os encontros previstos para hoje e domingo de Umaro Sissoco Embaló com o primeiro-ministro e Presidente portugueses, Domingos Simões Pereira disse que não tem intenção de julgar entidades estrangeiras.


"Se as autoridades portuguesas, mesmo conhecendo a aclaração do Supremo Tribunal, mesmo conhecendo os nossos dispositivos legais, entendem que devem manter todo o programa protocolar à volta de um candidato, têm o direito de o fazer", afirmou.

Para Domingos Simões Pereira não é da sua competência julgar, mas apenas lamentar e deixar que o povo português tire as "suas ilações".

"Eu, enquanto cidadão, vou continuar a pugnar para que dentro da Guiné-Bissau, pouco a pouco, sejamos capazes de firmar os pilares da democracia",afirmou.

O presidente do PAIGC salientou que não acredita em "-proclamações antecipadas", mas no "respeito da ordem dos dispositivos legais".

"É verdade que uma corrida eleitoral arrasta sempre paixões, arrasta sentimentos, arrasta emoções, mas a escolha de um Presidente da República é mais do que a simples proclamação de um contra o outro. É uma decisão muito importante que o povo está a tomar e qualquer que seja o candidato eleito, nós vamos precisar de estar juntos, de trabalhar juntos, vamos precisar de olhar para o futuro juntos", afirmou.

Logo após a divulgação dos resultados provisórios pela Comissão Nacional de Eleições, o PAIGC apresentou um recurso contencioso ao Supremo Tribunal de Justiça por alegada fraude eleitoral.

Em resposta, o Supremo Tribunal de Justiça ordenou, segundo uma aclaração ao acórdão divulgado na semana passada e tornada pública na sexta-feira, o cumprimento do artigo 95.º da Lei Eleitoral.

Segundo o Supremo"uma vez não observada esta disposição legal imperativa, que consagra de forma expressa o princípio de ininterruptibilidade das operações de apuramento nacional até à sua conclusão, princípio geral que informa o processo eleitoral, aplicável desde as mesas de assembleia de voto até ao plenário da CNE, para, deste modo, garantir a liberdade e sinceridade da formação da vontade eleitoral, deve proceder ao início as operações do apuramento nacional".

O PAIGC apresentou esta semana outro recurso de contencioso eleitoral junto do Supremo Tribunal de Justiça, depois de a Comissão Nacional de Eleições ter entregado àquele órgão judicial uma ata de apuramento nacional, na sequência do primeiro acórdão, que a candidatura de Domingos Simões Pereira, não reconhece como sendo válida.

Apesar de o recurso contencioso ainda decorrer no Supremo Tribunal de Justiça, a CNE divulgou na sexta-feira os resultados definitivos das eleições presidenciais, indicando que Umaro Sissoco Embaló obteve 53,55% dos votos e Domingos Simões Pereira 46,45%.  ANG/Lusa


Inglaterra/Mídia


                 Desgastado chefe da BBC Tony Hall anuncia demissão

Bissau, 21 jan 20 (ANG) – O diretor da British Broadcasting Corporation, de Inglaterra, Tony Hall anunciou na segunda-feira que estava deixando o cargo depois de sete anos à frente do grupo de mídia pública. 
Uma decisão no momento em que a empresa está em delicadeza com o governo de Boris Johnson e vê seu futuro financiamento questionado.
Tony Hall foi chamado para o resgate em 2013, na sequência do apresentador do Bimm, de 40 anos, Jimmy Savile, que acabou por ser um dos piores predadores sexuais da história do Canadá.
A missão de Lord Hall era reabilitar a corporação, mas também garantir seu financiamento futuro, já ameaçado na época diante do surgimento da tecnologia digital. 
A BBC é governada por uma carta que assegura sua missão até 2027, mas que será revisada no meio do ano na primavera de 2022.
No entanto, essas discussões prometem ser difíceis no momento em que o grupo público se encontra sob o fogo dos críticos de a classe política que o acusa de falta de imparcialidade durante a campanha para as eleições legislativas em dezembro passado.
Desde então, o primeiro-ministro Boris Johnson fez uma campanha ativa pela redução de taxas e seu governo conservador desafia constantemente a legitimidade de uma instituição que certamente é querida pelos corações dos britânicos, mas que é cada vez menos vigiada por crianças e adolescentes. jovens adultos.
Desgastado por esses ataques externos e dissensões internas, Tony Hall, portanto, prefere se afastar e dar tempo ao sucessor para preparar a defesa da BBC em 2022, que será o ano do centenário daquilo que o  também chamamos carinhosamente de Beeb.ANG/RFI


Presidenciais 2019/2ª volta





Bissau,21 Jan 20(ANG) - Umaro Sissoco Embaló minimizou a decisão do Supremo Tribunal de Justiça de ordenar o "apuramento nacional" dos resultados das presidenciais, já depois de terem sido validados pela Comissão Nacional de Eleições.

"Estou muito descansado, porque a interpretação jurídica" é "como a matemática" e "a única entidade competente para publicar o resultado é a Comissão Nacional de Eleições" (CNE), disse o vencedor das eleições, segundo os resultados definitivos divulgados por aquele órgão.

"A Guiné-Bissau já tem um Presidente eleito, que é o Umaro Sissoco Embaló, general do povo", disse, em entrevista à agência Lusa, em Lisboa, onde esteve nos últimos dias eque foi recebido, a título privado, pelo Presidente e pelo primeiro-ministro portugueses, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.

Na sexta-feira (17.01), a CNE publicou os resultados definitivos das eleições presidenciais, confirmando a vitória na segunda volta de Sissoco Embaló. Mais tarde, STJ divulgou uma aclaração do acórdão anterior, a pedido de Domingos Simões Pereira, derrotado nas eleições de dezembro, exigindo àquele órgão que cumpra a lei eleitoral, procedendo-se às "operações do apuramento nacional".

Para o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), que apoiou o candidato derrotado na segunda volta, o acórdão obriga a uma recontagem dos votos e não apenas à verificação das atas e exigiu à CNE o cumprimento dessa decisão.

Essa decisão é "uma questão júnior, meramente júnior, porque já estou preocupado com uma política que impacte a população guineense", disse Sissoco Embaló, assumindo-se como vencedor legítimo e de facto das eleições, tendo já agendada a tomada de posse para 19 de fevereiro.

Para Sissoco Embaló, a política é "um jogo de risco" e Domingos Simões Pereira perdeu. Durante a campanha, Sissoco Embaló disse que "não teria nenhum problema em nomear Domingos Simões Pereira como primeiro-ministro no caso de o PAIGC manter a maioria". 

Mas, hoje, "estou a reconsiderar" porque "gosto de ter pessoas honestas e sérias" e Domingos Simões Pereira tem tido um "comportamento infantil", armando-se em "chico esperto" ao não reconhecer os resultados eleitorais de 29 de dezembro, disse. 

Na segunda volta, Sissoco Embaló ficou convencido de que iria ganhar, depois de ter recolhido apoios dos principais candidatos derrotados na primeira volta. 

"Eu vim da sociedade castrense e sou oficial da inteligência militar, pelo que sei quais são as alianças que eu podia fazer para ganhar", explicou.


"Quando obtive aquelas alianças com o Nuno Nabian, José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior [terceiro, quarto e quintos classificados], disse ao meu assessor para fazer as contas: 'olha vamos ganhar as eleições'", disse.

Na campanha, "Domingos Simões Pereira tinha toda a máquina do tesouro público", numa referência ao facto de o PAIGC ser o partido com maioria parlamentar e que tem o primeiro-ministro. 

"Mas não tenho culpa de ser carismático e de ser o candidato em quem os pobres confiam mais", resumiu Sissoco Embaló, prometendo que a Guiné-Bissau "não será nunca mais a República das bananas".
ANG/Lusa


Líbia


                      Complexidade do conflito  dificulta  saída para paz
Bissau, 21 jan 20 (ANG) - A Alemanha saiu do armário e assumiu a responsabilidade de convocar uma conferência internacional em Berlim para tratar dos conflitos na Líbia, um país destruído pela guerra sem a mínima perspectiva de solução.
A Líbia é quase só um deserto sem importância, se não fosse o seu petróleo de muito boa qualidade abastecendo os países europeus. E também os milhares de emigrantes e refugiados africanos fechados em campos de internamento desumanos.
Sem uma autoridade política na Líbia, os europeus podem ter que enfrentar, de novo, uma maré humana tentando passar para o Velho Continente. Sem falar na possibilidade de o território líbio virar uma base ainda maior para os terroristas islâmicos.
Mas o problema não são só as diversas milícias e pseudo-exércitos líbios . Uma série de atores estatais externos estão metendo o dedão nesse puré indigesto: Rússia, Turquia, Egito, Emirados Árabes, Catar, França.... Cada um apoiando um dos lados do conflito. Sem falar da ONU que reconhece o governo de Trípoli, mas que não tem a mínima condição, militar ou econômica, de ter um peso real no processo.

Não é por acaso que a  reunião de Berlin anunciou objetivos mais do que modestos: tentar consolidar um cessar-fogo declarado há poucos dias e negociar um consenso mínimo sobre as regras do jogo diplomático daqui para diante.

Na verdade, a falta de interesse dos Estados Unidos de cumprir o papel de “polícia” na região abriu uma avenida para todas as outras potências médias interessadas no assunto. Mas a Líbia virou um tabuleiro geopolítico tão complexo que vai ser difícil inventar um fim de jogo que traga de volta alguma forma de paz.
Desde de sempre, o país está dividido entre a Cirenaica no Leste e a Tripolitânia no Oeste e a Fazânia no Sul. Só o coronel Gaddafi, com mão de ferro, conseguiu manter um Estado unificado de verdade. Hoje, a velha realidade se impôs novamente.
O marechal Khalifa Haftar é o maior chefe militar do Leste. Com o apoio de mercenários russos, do Egito, dos Emirados Árabes e – mais discreto – da França, ele lançou uma ofensiva para conquistar a capital Trípoli no Oeste.
Do outro lado, o Governo de Unidade Nacional de Fayez al-Sarraj, encurralado na capital, pediu auxílio à Turquia que acaba de mandar 2.000 soldados para conter o avanço das milícias e tropas de Haftar. É muita gente armada num território só.
Mas o problema não é somente saber quem vai mandar no governo líbio. Os países árabes que apoiam Haftar, sobretudo o Egito, são inimigos figadais da seita sunita da Irmandade Muçulmana que controla o governo de Trípoli. Enquanto a Turquia de Tayyip Erdogan, quer aparecer como o grande protetor da Irmandade Muçulmana em toda a região, junto com o Catar.
Infelizmente, a confusão não para aí. Foram descobertas importantes reservas de gás natural nas águas do Mediterrâneo oriental. Israel, Egito, Chipre e Grécia já se entenderam para explorá-las e construir um gasoduto para abastecer a Europa.
A Turquia quer um pedaço desta riqueza , e assinou um tratado de fronteiras – que não respeita o direito internacional – com o governo de Trípoli. Só que a fronteira desenhada impede a construção do gasoduto dos outros países.

 E o marechal Haftar já declarou que não respeitaria o tratado com os turcos.

Enquanto Moscou, por seu lado, tenta por mais um pé na África.
Vai ser difícil resolver todas essas pendengas religiosas e geopolíticas em Berlim. Haftar e al-Sarraj não querem nem sentar na mesma mesa. Sem os Estados Unidos, está faltando um poder capaz de garantir uma saída multilateral e impor uma solução.
 O secretário de Estado americano, decidiu sentar na mesa de Berlim. Mas não é para impedir uma guerra de todos contra todos. É só para garantir que os diversos participantes vão continuar respeitando os interesses diretos de Washington. ANG/RFI



Diferendo eleitoral




Bissau,21 Jan 20(ANG) - O candidato às eleições presidenciais  Domingos Simões Pereira defendeu no último fim de semana, em entrevista à Lusa, que o apuramento nacional dos resultados deve começar pelos votos expressos, porque foi interrompido.

"Tenho o meu entendimento, tenho a minha expetativa, penso que nesta altura, depois de tudo aquilo que vimos e ouvimos por parte da Comissão Nacional de Eleições, o que tranquilizaria o povo guineense é saber que os dados que vêm nas atas correspondem aos votos expressos nas urnas e a partir dai haver um apuramento que vá até à assinatura da ata de apuramento nacional", afirmou o também presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Salientando que não conhece as várias interpretações legais sobre a matéria, Domingos Simões Pereira sublinhou, no entanto, que, por lei, o apuramento não pode ser interrompido e que deve ser ‘ab initio'.

"Eu aguardo e vou aguardar que quem percebe do assunto me diga onde é que é o ponto de partida", afirmou.

Logo após a divulgação dos resultados provisórios pela Comissão Nacional de Eleições, o PAIGC apresentou um recurso contencioso ao Supremo Tribunal de Justiça por alegada fraude eleitoral.

Em resposta, o Supremo Tribunal de Justiça ordenou, segundo uma aclaração ao acórdão divulgado a semana passada, o cumprimento do artigo 95.º da Lei Eleitoral.

Segundo o Supremo, "uma vez não observada esta disposição legal imperativa, que consagra de forma expressa o principio de ininterruptibilidade das operações de apuramento nacional até à sua conclusão, principio geral que informa o processo eleitoral, aplicável desde as mesas de assembleia de voto até ao plenário da CNE, para, deste modo, garantir a liberdade e sinceridade da formação da vontade eleitoral, deve proceder ao início as operações do apuramento nacional".

O PAIGC apresentou esta semana outro recurso de contencioso eleitoral junto do Supremo Tribunal de Justiça, depois de a Comissão Nacional de Eleições ter entregado àquele órgão judicial uma ata de apuramento nacional, na sequência do primeiro acórdão, que a candidatura de Domingos Simões Pereira não reconhece como sendo válida.

Para Domingos Simões Pereira, é importante que não se escave demais o fosso da separação, da desconfiança e desunião no país, porque vão todos ter de trabalhar juntos.

"E eu penso que nestas situações, quando um vai ter de ganhar e outro vai ter de perder, o único mecanismo para garantir que há condições para podemos estar juntos é poder demonstrar a todos que a decisão que vai sair é a mais justa e aquela que corresponde à vontade do povo e portanto esta decisão do Supremo Tribunal de pedir o apuramento ‘ab initio' não é favorecer um ou penalizar outro é garantir ao povo guineense que o resultado que vai sair corresponde àquilo que foi a escolha do povo guineense", afirmou Domingos Simões Pereira.

Para o candidato, todos devem aguardar com "serenidade" que as instituições "façam o seu trabalho", lamentando que a CNE se tenha posicionado de "tal forma, que de facto fica difícil ao povo acreditar que tem condições de garantir essa transparência e essa equidistância em relação ao processo".

"Penso que todos juntos, o Supremo Tribunal, a CNE, o Governo, todas as instituições, a Assembleia Nacional Popular, saberão encontrar mecanismos, modalidades para assegurar o cumprimento da aclaração, que a ordem que vem do Supremo dê as garantias necessárias ao povo guineense", afirmou.

Domingos Simões Pereira disse que vai continuar "tranquilo e sereno", porque nada depende dele.

"Os votos estão nas urnas, espero que as urnas tenham sido bem guardadas, espero que não tenha havido qualquer violação daquilo que foram as votações do dia 29 de dezembro, não tenho rigorosamente mais nada a fazer senão aguardar e esperar que a contagem venha a dizer de forma inequívoca e sem qualquer tipo de ambiguidade quem foi o eleito pelo povo guineense", afirmou.

Domingos Simões Pereira disse também que nem ele, nem o PAIGC, nem o povo guineense estão em "guerras com ninguém" e que apenas ambicionam ter "períodos de mandato que sejam utilizados para a construção" da Guiné-Bissau, através de instituições democráticas fortes, da lei e a respeitar a vontade do povo.

Apesar de o recurso contencioso ainda decorrer no Supremo Tribunal de Justiça, a CNE divulgou na sexta-feira os resultados definitivos das eleições presidenciais, indicando que Umaro Sissoco Embaló obteve 53,55% dos votos e Domingos Simões Pereira 46,45%.ANG/Lusa