terça-feira, 25 de abril de 2023

       
CPLP
/Guiné-Bissau acolhe  XXº Encontro dos Procuradores-gerais

Bissau, 25 Abr 23 (ANG) – A Guiné-Bissau vai acolher, a partir da próxima quarta-feira e durante três dias, o  XXº encontro de Procuradores-gerais da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa CPLP, a decorrer  sob o lema: " Ministério Público e os Desafios Contemporâneos de Combate à Criminalidade".

A informação consta numa nota informativa do Ministério Público enviada à ANG, na qual se refere que o encontro destas instituições judiciais lusófonas vai decorrer sob a presidência do Procurador-geral da República da Guiné-Bissau, Edmundo Mendes.

O encontro, segundo a nota,  tem  entre outros objetivos, coordenar acções de cooperação jurídica nos respectivos Ministérios Públicos, incentivar e promover o intercâmbio de experiencias e informações judiciária, jurisprudencial e bibliográfica e, ainda, a componente da formação dos Magistrados no espaço da CPLP.

Segundo a nota, a Região Administrativa de Macau e a anfitriã, Guiné-Bissau, vão discutir temas como Cooperação Judiciária Internacional em Matéria Penal e Combate à Crimes, Combate à Corrupção, Enfrentamento a Criminalidade Cibernética e Mandato do Procurador-geral da República.

Durante o encontro, para além da adoção do documento intitulado, "Declaração de Bissau", a Guiné-Bissau vai passar a presidência ao Ministério Público e ao Procurador-geral da República de um Estado Membro da CPLP que irá organizar  o XXIº Encontro, em 2024,

Nesta reunião  participam os Procuradores-gerais e Magistrados dos Ministérios Públicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Região Administrativa de Macau

De acordo com a nota, esta é a primeira vez que a Guiné-Bissau acolhe este Fórum de Procuradores Gerais dos países da língua Portuguesa (e a região Administrativa Especial de Macau).

O Encontro do ano passado foi realizado em Luanda, República de Angola, sob lema:" o Papel do Ministério Público na Proteção Ambiental. ANG/MI//SG

Ensino médio/Superior Coordenador da CONAEGUIB pede abertura da sala de informática aos estudantes da ENA

Bissau, 25 Abr 23(ANG) – O  Cordenador do Conselho do Ensino Médio/ Superior, da Confederação Nacional das Associações Estudantis da Guiné-Bissau (CONAEGUIB) pediu hoje a  abertura da sala de informática aos estudantes da Escola Nacional da Administração(ENA).

Em declarações à ANG, Bacai Serifo Baldé acusou o responsável máximo daquela instituição de estar a alugar a  sala de informática existente na ENA à outros utentes, ao invés de a disponibilizar aos  estudantes internos.

Baldé disse que a CONAEGUIB elaborou um Manifesto Estudantil denominado “  Nô Skola i Nô Fiança”, que entregou ao governo e que o mesmo enumera todos os problemas relacionados com o ensino médio/superior: desde contratação dos professores, bibliotecas, acesso as  salas de informáticas e internet de banda-larga e outros.

Lamentou o não funcionamento efetivo das aulas nas escolas públicas de ensino médio/superior  ,e diz que tudo se deve ao  despacho  número 54 do Primeiro-ministro, de 2022, que ordenou a suspensão da   admissão de novos ingresso no ministério da Educação, do ensino básico  ao superior.

“ Esta decisão está a afetar de que maneira o ensino superior porque a maioria dos professores é contratada,” frisou.

Bacai Baldé afirmou que o governo havia prometido que até Dezembro último  seria  resolvido  o problema de  realização  de contratos de mais professores, mas que não foi o caso.

Em relação a Universidade Amílcar Cabral e a  ENA, disse que os estudantes têm estado a realizar   vigílias exigindo  melhorias das condições, e que nas  escolas de formação, nomeadamente Tchico Té , 17 de Fevereiro e ENEFED também há falta de professores.

Bacai Baldé diz que  o único  ponto de reivindicação cumprido se relaciona a prática pedagógica.

Declarou  que  algumas bibliotecas estão sem  livros , e que  há cantinas escolares que não funcionam.

Bacai Baldé apela ao Executivo para contratar professores, o mais rápido possível, antes do início da Campanha Eleitoral para que não haja  paralisação  das escolas do ensino médio/superior.ANG/JD//SG


Ambiente
/Guiné-Bissau adere ao acordo da ONU sobre Ambiente e Direitos Humanos

Bissau, 25 Abr 23 (ANG) – A Guiné-Bissau tornou-se no primeiro país não europeu a  aderir a um acordo internacional sobre a responsabilidade dos governos em matéria de direitos humanos e ambiente, anunciou ,esta terça-feira,a Agência Marroquina de Informação(MAP) citando fontes das Nações Unidas.

Segundo a MAP, o país da África Ocidental assinou a Convenção sobre Acesso à Informação, Participação Pública na tomada de decisões e Acesso à Justiça em matéria Ambiental, à 04 de Abril, tornando-se seu 47º país sugnatário deste acordo.

Esse texto, também conhecido como Convenção de Aarhus, “protege o direito de todos de viver em ambiente adequado a sua saúde e bem-estar”, oferece aos cidadãos o direito de participar do ambiente de tomada de decisões e “reconhece que temos a obrigação perante gerações futuras”.

A Convenção e seu Protocolo sobre registos de emissões e transferência de poluentes são os únicos instrumentos globais juridicamente vinculativos para   a democracia ambiental.

“ A Guiné-Bissau, país da África Ocidental de língua portuguesa com cerca de dois milhões de habitantes é o primeiro Estado “fora da região pan-europeia” a fazê-lo, disse Olga Algayerova, secretária-executiva da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa(UNECE).

“A Guiné-Bissau espera tirar proveitos dos instrumentos da Convenção para combater as alterações climáticas e promover a sua biodiversidade”, disse o ministro guineense do Ambiente e Biodiversidade, Viriato Luís Soares Cassamá.

Segundo a UNECE, este estado da África Ocidental é um dos mais vulneráveis às alterações climáticas.

Em 2021, a Guiné-Bissau já havia aderido à Convenção da Água da ONU, tornando-se o quarto país africano  a fazê-lo. ANG/MAP


Ensino
/Atores do setor preparam a divulgação dos resultados da Cimeira da Transformação de Educação(TES 2022)

Bissau,25 Abr 23(ANG) – Os  atores do sector educativo do país estão reunidos hoje em Bissau numa sessão destinada a elaboração dos planos de  vulgarização dos compromissos da Cimeira da Transformação da Educação(TES 2022) realizada em Nova Iorque.

Ao presidir a abertura do evento, a ministra da Educação Nacional reiterou que o Estado da Guiné-Bissau, através do Presidente da República, ao participar na TES-2022, vincou o compromisso solene do país de implementação e desenvolvimento de políticas públicas para transformação da educação.

Mónica Buaró da Costa afirmou que esse compromisso prevê, entre outros objetivos, a introdução de novas tecnologias de informação e comunicação, bem como da conetividade digital no ensino.

Outros objetivos definidos na TES, de acordo com a governante, prendem-se com a problemática da introdução das línguas nacionais no ensino, o apoio e incremento de pesquisas.

 “É certo que, cada vez mais, somos confrontados com situações que nos convidam a reinventar a educação, como foi o caso da Covid-19, em que assistimos a elaboração e  implementação de um plano de contingência para atenuar os constrangimentos e riscos ocasionados pela pandemia nas nossas escolas”, salientou.

Mónica Buaró da Costa disse que  espera ter um plano de ação à curto, médio e longo prazos, para a transformação do processo de ensino e de aprendizagem com devida proposta de sustentabilidade.

Por sua vez, o Coordenador Nacional da TES, Respício Manuel da Silva sublinhou que, após ter sido incumbido dessa missão pelo Presidente da Repúlica, Umaro Sissoco Embaló, e que, graças ao apoio dos parceiros internacionais e do trabalho competente da equipa técnica, conseguiram realizar  auscultações que possibilitaram a definição de  compromissos do país perante a TES.

Respício Silva disse que o grupo de trabalho chegou ao consenso sobre a necessidade de promover  sessões regionais com apoio das Nações Unidas e Unicef, de modo a inspirar maior integração das populações nos desafios de transformar a educação.

Aquele responsável sublinhou que, a construção das novas infraestruturas escolares adaptadas à educação inclusiva, o desempenho dos professores sobretudo os deslocados dos seus habitats, a criação de polos desportivos e estruturas para atividades culturais, formação dos professores entre outros devem merecer um lugar de destaque na implementação das prioridades inscritas.

Na sessão com a duração de um dia, os participantes debaterão temas sobre o Enquadramento do TES-2022(Lógica, História e Procedimentos, os Compromissos Globais assumidos na Cimeira de Nova Iorque, Análise do Cruzamento dos Compromissos Nacionais e Globais; Prioridades da Guiné-Bissau(Indicadores e Referência), entre outros. ANG/ÂC//SG

 Desporto/Selecção feminina de Andebol sub-18  derrota congenere do Mali por 20-18 no torneio de zona II de IHF AFRICA TROPHY 2023

Bissau, 25 Abr 23 (ANG) –A selecção feminina de sub-18 de Andebol da Guiné-Bissau derrotou, quinta-feira, a selecção maliana por 20-18, no primeiro encontro do torneio de  zona II de IHF AFRICA TROPHY 2023, organizada pela Federação Internacional de andebol (FIA), a decorrer no Mali.

No final do jogo, a atleta guineense da equipa EMFAC de Canchungo, Mabinto Bangura foi eleita melhor em campo, e recebeu uma estatueta, da parte da comissão organizadora do referido torneio.

A primeira vitória das raparigas no solo maliano, aconteceu depois de um dia de reposo da comitiva.

Segundo o Director Técnico Nacional da Federação de Andebol  da Guiné-Bissau (FAGB) Agustinho Sanhá, o grupo está bastante satisfeito, e motivado com a primeira vitória alcançada.

Sanhá disse  esperar que a formação dos cadetes someM mais vitórias, nos próximos encontros, e quanto aos juniores, que dediquem mais, para tentar alcançar a sua primeira vitória no torneio.

Segundo o responsável, não foi  fácil chegar à Bamako, e no percurso as atletas passaram opor dificuldades alimentares devido ao período de ramadão que vigorava no Senegal e no Mali.

 “Se não fossE a vontade de competir, ou então o patriotismo, as raparigas não aceitariam viajar nas condições em que viajamos. O pão era a única comida que a delegação tinha para  toda a viagem”, lamentou o Diretor Técnico da Federação de Andebol.

A selecção de júnior de Andebol da Guiné-Bissau, que também se encontra a disputar o mesmo torneio, já sofreu duas derrotas contra a sua similar de Mali.

As duas selecções deverão defrontar as seleções da Guiné-Conacri nos próximos encontros.

A Guiné-Bissau está representada com as duas equipas femininas de andebol no torneio de  zona II de IHF AFRICA TROPHY 2023 que decorre no Mali, promovida pela Federação Internacional de Andebol (FIA). ANG/LLA//SG  


 Portugal/Lula da Silva diz que protesto do Chega foi "cena de ridículo" e "papelão"

Bissau, 25 Abr 23 (ANG) – O Presidente brasileiro, Lula da Silva, desvalorizou hoje o protesto do Chega durante o seu discurso no parlamento, considerando que as “pessoas quando não têm uma coisa boa para aparecer” fazem “essa cena de ridículo”, um “papelão”.

“Quem faz política está habituado a isso. Eu acho que essas pessoas quando voltarem para casa e deitarem a cabeça no travesseiro vão falar: que papelão nós fizemos”, disse Lula da Silva aos jornalistas, à saída da sala das sessões da Assembleia da República.

O chefe de Estado brasileiro disse que não viu um incidente, mas apenas “10 pessoas ou meia dúzia de pessoas protestarem, o que é a coisa mais natural na democracia”.

“Eu às vezes lamento porque as pessoas quando não têm uma coisa boa para fazer, para aparecer, as pessoas fazem essa cena de ridículo. Eu sinceramente não sei como é que estas pessoas vão chegar em casa, olhar nos seus filhos, nos seus pais e falar que estiveram na assembleia a participar num evento praticamente de homenagem à revolução dos cravos, porque foi para isso que eu vim aqui a convite do Presidente Rebelo”, afirmou.

Depois da sessão de cumprimentos, Lula da Silva considerou que a forma como a delegação brasileira foi recebida em Portugal "é uma coisa extraordinária".

"Eu só tenho que agradecer ao presidente da Assembleia [da República], ao Presidente Marcelo e ao primeiro-ministro António Costa pelo carinho e tratamento", afirmou.

O presidente da Assembleia da República avisou hoje que “chega de insultos e de porem vergonha no nome de Portugal”, depois dos deputados do partido liderado por André Ventura terem levantado cartazes durante o discurso do chefe de Estado brasileiro.

Mal Lula da Silva iniciou a sua intervenção na sessão solene de boas vindas, os deputados do Chega levantaram-se e empunharam três tipos de cartazes, onde se liam “Chega de corrupção”, “Lugar de ladrão é na prisão” e outros com as cores das bandeiras ucranianas.

O Presidente do Brasil continuou o seu discurso durante mais alguns minutos, mas mal houve uma pausa, as bancadas à esquerda e do PSD aplaudiram entusiasticamente, enquanto os deputados do Chega batiam na mesa, em jeito de pateada, o que levou Augusto Santos Silva a intervir.

“Os deputados que querem permanecer na sala têm de se comportar com urbanidade, cortesia e a educação exigida a qualquer representante do povo português. Chega de insultos, chega de degradarem as instituições, chega de porem vergonha no nome de Portugal”, afirmou Santos Silva, visivelmente irritado.

ANG/Lusa

 

 Brasília/Autoridades  anunciam apoio de um milhão de euros para programa da CPLP

Bissau, 25 Abr 23 (ANG) - O Brasil vai dar um apoio financeiro de um milhão de euros para a terceira edição do programa de audiovisual da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), anunciou hoje a ministra da Cultura brasileira, Margareth Men

ezes.

"É um prazer enorme estar aqui retomando mesmo as acções efectivas do Brasil na CPLP, e a nossa presença nas iniciativas do audiovisual, com um “aport” (financiamento) da mesma envergadura de Portugal, para afirmar a volta do país definitivamente ao fortalecimento dessa comunidade dos países de língua portuguesa e muito mais outras coisas que iremos fazer", afirmou Margareth Menezes, durante uma deslocação à sede da organização.

A ministra falava aos jornalistas depois de ter inaugurado o "Paginário CPLP", instalado em frente à sede da organização internacional, no Largo do Correio Mor, e de se ter reunido com o secretário-executivo da CPLP, Zacarias da Costa.

O Programa CPLP Audiovisual ambiciona contribuir para o intercâmbio cultural, para o aumento do conhecimento mútuo e para a aplicação de políticas públicas integradas de fomento à produção e à teledifusão de conteúdos audiovisuais nos países da CPLP.

Zacarias da Costa explicou depois aos ministros da Cultura de Portugal, Pedro Adão e Silva, e do Brasil, que este apoio do Brasil é "muito importante" para aquele programa, para o qual Portugal já tinha colocado "há uns anos um milhão de euros, Angola colocou 250 mil euros e o Brasil veio hoje anunciar mais um milhão, à semelhança de Portugal".

A ministra da Cultura do Brasil é um dos membros do Governo brasileiro que integra a comitiva ministerial que acompanha o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na sua visita de Estado de quatro dias a Portugal e que termina na terça-feira.

O Paginário inaugurado hoje pelos ministros da Cultura de Portugal e Brasil é uma obra do artista e pesquisador brasileiro Leonardo Villa-Forte e decorreu de uma iniciativa da missão do Brasil junto da CPLP.

O mural celebra, segundo o artista "a pluri centralidade da língua portuguesa, a sua variedade de expressões e nada melhor do que a literatura para o fazer, mas também algumas letras de música e arte", explicou à Lusa o artista.

Ao todo, são 960 páginas, que ocupam 25 metros "em homenagem ao 25 de Abril", adiantou. Foram convidadas 35 pessoas dos nove Estados-membros da CPLP para enviarem páginas da literatura que expressam bem a sua variação linguística.

As páginas de cada país têm a cor da bandeira daquele Estado. ANG/Angop

 

 Ucrânia/Relator do Conselho da Europa pede regresso de crianças deportadas para Rússia

Bissau, 25 Abr 23(ANG) – A comunidade internacional deve encontrar soluções para que todas as crianças deportadas para a Rússia regressem à Ucrânia, defendeu hoje à agência Lusa o deputado socialista Paulo Pisco, autor de um relatório do Conselho da Europa sobre o tema.


O deputado eleito pelo círculo da Europa elaborou o relatório “As Crianças e Civis Deportados e Deslocados à Força para a Federação Russa ou para Territórios sob sua Ocupação”, aprovado hoje na Comissão das Migrações e Refugiados da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e que será discutido na quinta-feira no debate de urgência na sessão plenária de primavera da Assembleia Parlamentar da organização em Estrasburgo, com a intervenção por videoconferência da primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska.

Em declarações à Lusa em Estrasburgo, Paulo Pisco destacou que “há um enorme trabalho que as autoridades ucranianas têm de fazer” para “identificar todas as crianças deportadas para a Rússia”.

“Um pedido que é feito [no relatório] é que toda a comunidade internacional e as organizações internacionais mantenham este assunto em cima da mesa para discussão, para que sejam encontradas as soluções e para que haja uma cooperação que permita que todas as crianças que foram deportadas possam regressar ao seu país, às suas famílias ou aos seus tutores legais”, destacou.

Paulo Pisco explicou à Lusa que o relatório conta com uma resolução, com 20 pontos, e recomendações, que foram aprovadas sem nenhuma objeção, apesar de ser um documento “altamente sensível e de uma matéria altamente complexa”.

“O facto de ter sido aprovado por unanimidade, sem qualquer tipo de objeção, é um bom sinal, uma posição muito forte que o Conselho da Europa vai exprimir relativamente ao conteúdo”, sublinhou.

Para o português, a aprovação deste relatório vai ao encontro dos objetivos do Conselho da Europa, que trata todas as questões relacionadas com os direitos humanos e com o Estado de direito.

“A Rússia tem que parar imediatamente com os processos de deportação, tem que parar imediatamente com as adoções forçadas, tem que parar imediatamente com a atribuição de nacionalidade russa às crianças ucranianas”, vincou.

O relatório apela também a todas as instâncias internacional a darem apoio à Ucrânia para “ajudar a identificar e a recuperar todas as crianças e a auxiliar no processo de reunificação”.

Paulo Pisco adiantou que o relatório “descreve e denuncia a deportação de crianças e de civis” e a “prática de reeducação” de crianças, em que “são despojadas dos seus valores e da sua identidade e são submetidas a um programa que as vai submergir em valores que tem a ver com a cultura russa”.

“Isto é uma monstruosidade que tem na história apenas paralelo em alguns períodos do estalinismo e em alguns períodos do nazismo. Esta prática tem que ser denunciada e está descrita também no relatório”, acrescentou.

Paulo Pisco explicou ainda que o relatório aborda o tema sobre os alegados tipos de crimes cometidos pela Rússia na Ucrânia, como os crimes de guerra, crimes contra a humanidade, mas também o crime de genocídio.

Outra dimensão do documento apresentado por Paulo Pisco é de advertir para a “necessidade de se saber na realidade quantas são as crianças que efetivamente foram deportadas”.

O deputado socialista alertou que o número pode ser mais do dobro daquele referido pelas autoridades ucranianas (280.000), lembrando ainda que a Rússia tinha já iniciado este processo antes do início da invasão do país vizinho.

“O que significa que há de facto aqui uma intenção de absorver, de aniquilar o povo ucraniano e, portanto, este aspeto de intencionalidade e outros elementos que pode levar a que haja a consideração de genocídio”, apontou.

O relatório pede, por isso, que quando são feitas investigações, estas sejam também realizadas com o objectivo de apurar a existência ou não do crime de genocídio por Moscovo, explicou ainda.

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 8.534 civis mortos e 14.370 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

ANG/Inforpress/Lusa

 

                   
 Portugal/Lula da Silva evoca 25 de Abril e diz-se "em casa"

 Bissau, 25 Abr 23 (ANG) - O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje sentir-se em casa em Portugal e considerou o 25 de Abril um “salto para o futuro” do país com destino ao “desenvolvimento económico com justiça social”.

No seu discurso na Assembleia da República, uma cerimónia de boas-vindas que antecede a sessão solene evocativa do 25 de Abril, Lula da Silva afirmou que o 25 de Abril permitiu que “Portugal desse um verdadeiro para o futuro”, ao recuperar “as liberdades civis, a participação política dos cidadão, a democratização política, os direitos trabalhistas e a livre organização sindical, criando as bases para o desenvolvimento económico com justiça social”.

“Nos últimos dias tive aqui em Portugal a inconfundível sensação de estar em casa, sentimento que acredito que é compartilhado por todos os brasileiros que vivem em Portugal e todos os portugueses no Brasil”, começou por dizer Lula da Silva na sua intervenção, suscitando aplausos da maioria dos deputados, enquanto os deputados do Chega batiam nas mesas e empunhavam cartazes com as bandeiras da Ucrânia e onde se podia ler frases como “Chega de Corrupção”.

Perante isto, o presidente da Assembleia da República chamou a atenção dos deputados portugueses do partido de extrema-direita: “Os senhores deputados que se querem permanecer na sessão plenária devem comportar-se com urbanidade, cortesia e a educação que é exigida a qualquer representantes do povo de português, chega de degradarem as instituições, chega de porem vergonha no nome de Portugal”.

Antes da sua intervenção, o Presidente brasileiro assinou o livro de honra da Assembleia da República e, à chegada ao Parlamento, Lula da Silva foi saudado por apoiantes que se concentraram na zona por onde entrou.

Do outro lado, estava um grupo contra a vinda de Lula da Silva composto por apoiantes do seu antecessor, Jair Bolsonaro, e elementos afetos ao Chega.

ANG/Lusa

 

    Colômbia/Autoridades expulsam opositor venezuelano Juan Guaidó

 Bissau, 25 Abr 23(ANG) – As autoridades da Colômbia anunciaram na segunda-feira à noite que expulsaram o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, do país, onde arranca hoje uma cimeira internacional sobre a Venezuela.


O Governo colombiano acusou Guaidó de ter entrado no país “de forma não autorizada” e disse que o dirigente foi “levado até ao aeroporto El Dorado”, em Bogotá, de onde partiu, de acordo com um comunicado.

Uma fonte da oposição venezuelana, que pediu para não ser identificada, disse à agência de notícias France-Presse que Bogotá “obrigou” Guaidó a apanhar um “voo comercial” para os Estados Unidos.

Horas antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Colômbia, Álvaro Leyva, tinha avisado que país iria expulsar Guaidó, por se ter deslocado a Bogotá, sem convite.

A posição do Governo colombiano foi dada a conhecer depois de Guaidó anunciar que acabava de “chegar à Colômbia, da mesma maneira que o têm feito milhões de venezuelanos, a pé”.

“Vim no marco da cimeira convocada pelo Presidente [colombiano, Gustavo] Petro para esta terça-feira, 25 de abril, e solicitarei uma reunião com as delegações internacionais que assistirão”, explicou Guaidó, num comunicado divulgado na rede social Twitter.

“Não vou parar de denunciar os crimes que lesam a humanidade cometidos pelo regime de [o Presidente venezuelano Nicolás] Maduro. Exijo a liberdade dos quase 300 presos políticos que permanecem nos calabouços, que deixem de perseguir a minha família, a minha equipa e os que lutam por uma melhor Venezuela. A nossa luta é por eleições livres e pelo respeito pelos Direitos Humanos”, acrescentou.

Em 15 de abril, Petro anunciou a realização de um encontro internacional para promover o reatamento do diálogo entre o Governo e a oposição venezuelana, embora sem a participação das duas partes.

A Colômbia confirmou, na segunda-feira, que Portugal está entre os 20 países convidados para a conferência, assim como Estados Unidos, Brasil, Argentina, Canadá, México, Alemanha, Espanha, França, Itália, Noruega e Reino Unido.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros colombiano, a cimeira vai ainda contar com a presença do chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

Em 18 de janeiro, o Governo venezuelano condicionou o reatamento do diálogo com a oposição à devolução dos ativos do país que estão bloqueados no estrangeiro e acusou os EUA de continuarem a ameaçar a Venezuela com novas sanções.

Washington respondeu que vai manter intacta a política de sanções até que sejam dados passos concretos para o “regresso da democracia” à Venezuela.

ANG/Inforpress/Lusa

 

segunda-feira, 24 de abril de 2023


Covid-19/
“O País está longe de atingir a meta de 70 por cento de vacinados fixada pela OMS”, diz Director dos Serviços de Vacinação

Bissau, 24 Abr 23 (ANG) –  O Director de Serviço de Vacinção disse hoje em entrevista a Agência de Notícias da Guiné(ANG)qu o país está  longe de atingir a meta de 70 por cento da população completamente vacinada contra coronavírus, fixada pela  Organização Mundial para a Saúde(OMS), porque a desinformação que alimentou dúvidas sobre vacinas contra a Covid no inicio da pandemia ainda impede à muitas pessoas de tomarem a  vacina.

Humberto Intchalá, em declarações à ANG, em jeito de balanço da segunda campanha de vacinação contra  virús de Covid-19, decorrida entre 15 e 29 de Março passado, disse haver pouca adesão, e numa altura em que o processo só  alcançou 35 por cento da população completamente vacinada, faltando os restantes  para se cumprir a meta.

Disse que, dentro dessa percentagem há grupo de pessoas que até ao momento não foram vacinadas, porque não há vacinas para este grupo.

“Até ao preciso momento não há vacinas para crianças de 12 à 17 anos”, afirmou, alertando que, se houvesse vacinas para este grupo ajudaria o país para atingir a meta fixada pela OMS.

 Intchalá disse que estava prevista a vacinação durante essa segunda campanha de  146.894 pessoas, mas que se conseguiu  vacinar apenas 19.720, correspondente a 13 por cento do total previsto.

Por isso, disse estar preocupado com a fraca adesão a campanha  e pediu a colaboração das pessoas para  à imunização contra o coronavirus,porque as vacinas salvam vidas e contribuem para controlar a transmissão no futuro próximo, com uma alta cobertura e imunização nacional.

Interrogado sobre o intervalo que existe entre doses, disse que o recomendável é de quatro  semanas, mas que se utrapassar a pessoa pode tomar a outra dose sem nenhum problema.

Instado a falar das vacinais usadas nessa campanha, Humberto Intchalá disse que trabalharam com Astrazenica, chinopharma e jhonson& jhonson.

Humberto Intchalá disse nesssa entrevista a ANG  que cerca novo mil doses da vacina Astrazenica estão disponiveis em todas as estruturas de saúde no país para quem quiser se vacinar contra a Covid-19. ANG/LPG/ÂC//SG

 

Educação/Presidente de SINAPROF considera de positivo balanço da greve observada entre 17 e 21 do mês corrente

Bissau, 24 Abr 23 (ANG) -  O Presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF) considerou de positivo o balanço da  greve observada no ensino público entre  17 e 21 deste mês ,e diz ter sido registado 75 por cento de adesão de professores, em todo o país.

Domingos Carvalho, no balanço de cinco dias de paralisação para a ANG, esta segunda-feira, afirmou que a greve não decorreu durante todos os dias previstos devido a mediação dos líderes religiosos, nomeadamente, Imames, entre o SINAPROF e o Ministério da Educação Nacional.

 “Houve uma mediação separada entre o Ministério e o SINAPROF promovida pela Comunidade Religiosa Islâmica, e a ministra da Educação alegara ser nova nessas funções,  não conhece bem o dossiê e disse que existem diligências a serem feitas e que dentro de alguns dias vai ter sinal de alguns pontos que estamos a reivindicar”, disse.

Acrescentou que a greve foi apenas suspensa não levantada, assegurando que, se até dia 10 de Maio próximo não houver uma resposta concreta vão começar a nova vaga de greve no dia 15 de Maio.

Soluções ligadas à questões administrativas, segundo Carvalho, têm a ver com a decisão política e tem que ser resolvidos a 100 por cento, e são,nomeadamente, a efetivação e reclassificação dos professores, porque isso não tem nada a ver com a questão de falta do dinheiro, mas sim com a vontade política para se tomar uma decisão e cumpri-lá.

Em relação à questão de pagamento das dívidas, Domingos Carvalho disse que o sindicato continua a exigir a liquidação de, pelo menos, 85 por cento do montante em dívida.

“Podemos perder 25 por cento dos 85 por cento exigidos em relação ao pagamento das dívidas, mas não vamos recuar por menos de 60 por cento,  e vamos ter mesmos que avançar para a greve no dia 15 do próximo mês”, ameaçou, Domingos Carvalho. ANG/DMG/ÂC//SG   

Saúde/Empresa Sônia Farmacia Lda estuda mecanismo de abastecimento em medicamentos à todo o território nacional

Bissau,24 Abr 23(ANG) – A empresa Sônia Farmácia Lda, uma das vencedoras do concurso para a importação e comercialização de medicamentos, revela estar  empenhada em estudos sobre os  mecanismos para o abastecimento regular em medicamentos essenciais ao país.

“Neste momento estamos a estudar formas de entrar em todas as regiões do país para garantir o abastecimento em medicamento às populações, através de aquisição de meios logísticos e de postos de vendas especializados”, explicou, o responsável  para Relações Públicas da  Sônia Farmácia Lda, Malick Kamará, em entrevista exclusiva concedida hoje à ANG.

Acrescentou que atingir esse desiderato tem os seus custos e que a empresa foi admitida recentemente no mercado de importação e comercialização de medicamentos, por isso precisa de tempo para cobrir todo o país.

Kamará diz   que, devido aos  constrangimentos causados pela guerra na Ucrânia, já se começa a notar, a escassez de medicamentos essenciais no país, mas diz que  ainda dispõe  de medicamentos para atender os seus clientes.

Malick Kamará disse que  a empresa  reforça os seus estoques de  medicamentos de dois em dois meses, e revela que já se encontra no Porto de Bissau um dos três contentores de medicamentos encomendados para o país.

“A empresa tem a capacidade de importar  medicamentos mesmo por via aérea, que  acarreta mais despesas, mas isso só acontece quando não  houver alternativas por via marítima”, disse.

Questionado sobre as recentes denúncias da Associação de Consumidores de Bens e Serviços(Acobes), segundo as quais existem empresas grossistas que importam medicamentos da proveniência duvidosa, Malick Kamará disse que a Sônia Farmácia não consta nessa lista.

“Nós adquirimos grande parte dos nossos medicamentos na China e Índia e os nossos produtos são inspecionados pelos inspetores do Ministério de Saúde”, afirmou.

A Sônia Farmácia opera no país desde 2006, segundo Malikc, “sem credibilidade não teria ganho o concurso para passar  importadora de medicamentos, e pela segunda vez”.

Disse que a Sônia Farmácia opera em cinco países africanos, nomeadamente no Sudão, Guiné Equatorial, São Tomé, Libéria e Guiné-Bissau.

Para além da  Sónia Farmácia Lda, são também importadoras de medicamentos, a Guifarma e Sofargui, mediante licenças atribuídas pelo Ministério da Saúde Pública, em Novembro de 2022. ANG/ÂC//SG

Sociedade/ Presidente da Anapromed  declara “tolerância zero” para abusos contra empregadas domésticas

Bissau ,24 Abr 23 (ANG) – O Presidente da Associação Nacional da Protecção das Empregadas Domesticas (Anapromed), afirmou hoje que perante a inoperância da justiça, a sua organização vai adoptar “tolerância zero” para  abusos cometidos sobre as empregadas domésticas.

Sene Bacai Cassamá proferiu estas afirmações numa conferência de imprensa em que  denunciou para mais um  caso de abuso e “maus tratos” sobre uma empregada, por parte da patroa de nome Aminata Baldé, funcionária farmacêutica do Hospital 03 de Agosto, que terá agredida e insultada a empregada de nome Celeste Djedju, tendo inclusive destruído  o seu telemóvel .

“A vitima por sua vez entrou com uma queixa na Polícia Judiciaria(PJ), que por sua vez notificou a patroa que simplesmente não cumpriu a convocação  da polícia”, disse, frisou.

Cassamá disse que o ato terá ocorrido  desde a ultima terça-feira mas que a policia não reagiu, salientando que têm conhecimento que a patroa se encontra fora do país por motivo de trabalho.

Defende que o suspeito deveria ser procurado pela PJ , o que diz não ter acontecido   até então.

O Presidente da Anapromed diz que o comportamento de diferentes donas da casa “é igual a dos animais”, sobretudo quando se trata de mulher para mulher.

Este defensor das empregadas domésticas disse que dos casos de abusos que recebem, 95 por cento são de mulher para mulher.

Devido a alegada morosidade da justiça, Sene Cassamá delarou que vão decretar  a “tolerância zero” para diferentes abusos contra empregadas domésticas,que considera uma das classes de trabalhadores mais desfavorecidas na sociedade, apesar de desempenhar um papel crucial.

“Doravante, vamos reclamar a justiça na residência dos violadores, uma vez que o Estado, através dos atores da justiça, não está a cumprir o seu papel.

ANG/MSC/ÂC//SG

                   Itália/Mais de 800 migrantes chegam à ilha Lampedusa

Bissau, 24 Abr 23 (ANG) - Mais de 800 migrantes chegaram à ilha italiana
de Lampedusa (Sicília, sul) nas últimas horas, numa nova vaga de desembarques, 21, após quatro dias sem chegadas de barcos devido a más condições meteorológicas.

No total, 819 pessoas chegaram nas últimas 24 horas a Lampedusa, onde os barcos patrulha da Capitania Marítima e da Guarda Costeira esforçam-se por responder aos apelos de socorro das inúmeras embarcações que se encontram próximas da ilha.

Os últimos quatro desembarques, com 179 pessoas, foram registados hoje manhã. No domingo 640 pessoas chegaram a esta pequena ilha, que se tornou símbolo da imigração em Itália e fica a poucos quilómetros da costa norte-africana.

As chegadas a Lampedusa, que tinham sido interrompidas nos últimos dias devido às más condições do mar, colocam em situação de emergência o centro de acolhimento, equipado para acolher cerca de 400 migrantes.

O centro tem atualmente 1.094 migrantes na sequência da chegada de mais pessoas.

Entre os recém-chegados, em grupos de 30 a 50 pessoas, encontram-se migrantes da Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Mali, Senegal, Serra Leoa, Nigéria, Burkina Faso, bem como do Sudão, onde o conflito eclodiu na semana passada e obrigou dezenas de milhares de pessoas a deixar o país.

A maioria dos barcos deixou a cidade tunisiana de Sfax, segundo os migrantes, incluindo muitas mulheres e crianças.

Valério Valenti, o novo comissário extraordinário nomeado pelo Governo de Giorgia Meloni para gerir o estado de emergência decretado pelo Executivo, visitou a pequena ilha siciliana na sua primeira ação do mandato e afirmou que "é necessário garantir que os migrantes que chegam a Lampedusa possam ser transferidos para o continente o mais rapidamente possível".

Também cerca de 500 migrantes que viajavam num barco de pesca foram resgatados e desembarcados nas últimas horas nos portos de Augusta e Catânia, na Sicília, depois de serem distribuídos a bordo de navios da Guarda Costeira e também de um navio da Frontex, o dispositivo europeu de controlo de fronteiras.

Segundo os dados mais recentes publicados pelo Ministério do Interior italiano, chegaram à costa de Itália 33.480 migrantes, quase quatro vezes mais do que em igual período do ano passado (8.432). ANG/Lusa

 

                           Sudão/Vários países iniciaram "retirada rápida"

Bissau, 24 Abr 23 (ANG) - Multiplicam-se os anúncios de diferentes países sobre a "retirada rápida" de cidadãos do Sudão, perante o receio crescente dos sudaneses que lá ficam de verem o conflito piorar ainda mais.

Os confrontos duram há uma semana e 
provocaram mais de 420 mortos, 3700 feridos e dezenas de milhares de deslocados.

A França anunciou,  domingo, ter iniciado a operação de "retirada rápida" do Sudão dos seus cidadãos e pessoal diplomático, mas também de cidadãos europeus e nacionais de "países parceiros aliados". Um francês teria sido ferido num ataque contra uma coluna da embaixada francesa durante a retirada, ainda que Paris não o tenha confirmado. A informação foi divulgada pelas partes em conflito que trocam acusações sobre o ocorrido: o Exército sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápidas (FAR). A Itália e a Turquia também sinalizaram que a retirada dos seus cidadãos terá início este domingo.

Os Estados Unidos retiraram, no sábado, pessoal diplomático e suspenderam as operações da sua embaixada. Foram as forças especiais a bordo de helicópteros oriundos da base americana de Djibuti que recuperaram cerca de cem pessoas em apenas uma hora em Cartum. O aeroporto da capital continua a não funcionar e as rotas terrestres de Cartum para fora do país são longas e perigosas.

A Arábia Saudita retirou cidadãos a partir do principal porto sudanês, situado a 650 quilómetros de Cartum. A Jordânia também está a usar esta via para os seus nacionais. O Egipto apelou aos seus nacionais para irem para o consulado de Porto Sudão ou para um posto consular em Wadi Halfa, na fronteira com o Egipto, para preparar a retirada. Quanto aos que vivem em Cartum, pediu para se protegerem. Há cerca de 10.000 egípcios no Sudão.

Desde que começaram, a 15 de Abril, os combates entre as forças armadas sudanesas e o grupo paramilitar provocaram mais de 420 mortos e 3700 feridos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Há também dezenas de milhares de deslocados.

Em Cartum, os cinco milhões de habitantes estão sem água corrente, sem electricidade, com falhas constantes nas redes de telefone e de internet e temem o pior depois da retirada dos estrangeiros: ficarem abandonados à sua sorte, sem qualquer protecção, e verem o conflito piorar ainda mais. Tanto mais que, de acordo com o sindicato dos médicos, "72% dos hospitais" nas zonas de combate foram destruídos ou obrigados a fechar.

Este domingo, os combates continuavam na capital e arredores, principalmente em torno do quartel-general do exército e do aeroporto. A violência também regressou em força ao Darfur, onde os Médicos Sem Fronteiras falam em "situação catastrófica".

A retirada e/ou suspensão da maioria das organizações humanitárias só vai agravar a situação. O Sudão é um dos países mais pobres do mundo, apesar de ser o terceiro maior produtor de ouro de África. Um terço da população é afectada pela fome. Vários analistas alertam que o conflito pode ganhar terreno para além das suas fronteiras. ANG/RFI

 

               Portugal/Lula da Silva quer voltar a África "para renegociar"

Bissau, 24 Abr 23 (ANG) - O Presidente brasileiro disse, no sábado, em Lisboa,que quer voltar a África "para renegociar" e que "o Brasil não pode pagar em dinheiro a dívida que tem com os africanos" mas sim "em solidariedade, em fraternidade, em transferência de conhecimento, em transferência de ciência e tecnologia e na ajuda".

Em Lisboa, no final da 13ª cimeira luso-brasileira, durante o seu primeiro dia de visita a Portugal, Lula da Silva lembrou que o povo brasileiro também tem origens nos africanos que foram levados durante 350 anos para o Brasil. “Por isso eu tenho muita gratidão por África e visito muito aquele continente.”

"O Brasil não pode pagar em dinheiro a dívida que tem com os africanos. A gente tem de pagar em solidariedade, em fraternidade, em transferência de conhecimento, em transferência de ciência e tecnologia e na ajuda.Eu construí em Moçambique uma fábrica de remédios anti-retrovirais que eu nem sei se está funcionando. Nós fizemos uma escola que já contava com 900 alunos em Moçambique e não sei se está a funcionar porque não fui mais a Moçambique", declarou o Presidente do Brasil, Lula da Silva, este sábado, em Lisboa.

O chefe de Estado garantiu que quer "voltar a visitar a África para renegociar" e que "tudo isso passa por uma conversa com Portugal porque Portugal é o grande aliado nessa relação".

Lula da Silva chegou na sexta-feira a Lisboa para uma visita oficial a Portugal, onde fica até 25 de Abril, dia em que se desloca a Espanha. ANG/RFI