segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

ONU


                   Prorrogada missão da UNIOGBIS por mais um ano 

Bissau, 27 Fev 17 (ANG) -  O Conselho de Segurança das Nações Unidas prorrogou a sua missão na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) por mais um ano, anunciou o escritório guineense da ONU.

A tomada de decisão acabou por representar uma formalidade, dado que todos os meios e operações estão no terreno sem alterações, pois a prorrogação  já era assumida como um dado adquirido, tal como tem acontecido nos anos anteriores.

O mandato foi renovado numa reunião realizada na quinta-feira em Nova Iorque, sendo que o novo período de acção terá início no dia 1 de Março de 2017 e irá até 28 de Fevereiro de 2018.

No final do encontro, o Conselho de Segurança manifestou-se preocupado com a crise política na Guiné-Bissau e instou as partes interessadas “a respeitar e cumprir rigorosamente o Acordo de Conacri e o roteiro da CEDEAO”.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) patrocinou um acordo entre dirigentes políticos de Bissau, assinado em Outubro de 2016, na Guiné Conacri, mas que teve diferentes interpretações e não chegou a ser aplicado.

O Parlamento continua bloqueado e depois de o Presidente da República, José Mário Vaz, ter demitido o Governo em Agosto de 2015, já deu posse a outros quatro executivos, mas ainda nenhum conseguiu fazer aprovar um programa ou orçamento de Estado. 

Os 15 membros do Conselho de Segurança congratularam-se com o anúncio de “uma missão de alto nível que deverá chegar ao país sob a orientação da CEDEAO, como parte de um acompanhamento para a implementação do Acordo”. O Conselho de Segurança aponta como prioridades da UNIOGBIS impulsionar o diálogo político inclusivo, a reconciliação nacional, a revisão da Constituição, a reforma do sector da segurança nacional e do Estado de direito, bem como o desenvolvimento de sistemas de justiça civis e militares compatíveis com as normas internacionais.

Foi ainda dado um voto de confiança à força policial e militar de estabilização, ECOMIB, composta por países oeste africanos, sendo solicitado à CEDEAO que mantenha esta força em funções para lá de 30 de Junho, data prevista de desmobilização.
ANG/JA

Marrocos

                                Anunciada a  retirada de Guerguerat

Bissau, 27 Fev 17(ANG) - Marrocos vai retirar-se de uma zona disputada do Sahara Ocidental, onde aumentaram as tensões com a Frente Polisário, apoiada pela Argélia e reconhecida pela União Africana (UA), depois de intervenção do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.
 
“O Reino de Marrocos prosseguirá, a partir de hoje, uma retirada unilateral da zona [Guerguerat]”, disse o Ministério das Relações Exteriores de Marrocos, num comunicado divulgado no domingo citado pela agência France Presse.

O comunicado oficial acrescenta que a decisão foi tomada pelo rei Mohamed VI, a pedido do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.

Rabat espera agora que “a intervenção do Secretário-Geral permita retomar a situação anterior na zona em questão, manter o seu estatuto intacto, permitir o fluxo do tráfego rodoviário normal, assim como salvaguardar o cessar-fogo”, refere o documento.

Numa chamada telefónica para António Guterres, na sexta-feira, o Rei de Marrocos pediu às Nações Unidas a tomada de medidas urgentes para acabar com a que considera a “provocação” da Frente Polisário ao cessar-fogo de 1991. 

Marrocos insiste que a antiga colónia espanhola é parte integrante do seu território, mas a Frente Polisário  exige um referendo sobre a autodeterminação.Os dois lados lutaram pelo controlo do Sahara Ocidental de 1974 a 1991, com Rabat a ganhar o controlo do território antes da entrada em vigor do cessar-fogo negociado pela ONU.

Durante a chamada telefónica, Mohamed VI, de acordo com a informação ontem divulgada, condenou a “repetida incursão” de forças armadas da Frente Polisário no distrito de Guerguerat.

A tensão na região tem vindo a aumentar desde o ano passado, depois de a Frente Polisário ter estabelecido um novo posto militar no distrito de Guerguerat, perto da fronteira mauritana, a poucos metros de postos de soldados marroquinos.

No início de 2016, Marrocos começou a construir uma estrada asfaltada na área sul daquela zona, que separa os dois lados.  
ANG/JA

Banca


          BADEA disposto a apoiar programas de desenvolvimento no país

Bissau,27 Fev 17 (ANG) - O Banco Árabe para o Desenvolvimento Económica de Àfrica (BADEA) está disponível para apoiar os programas do desenvolvimento da Guiné-Bissau.
A disponibilidade  foi manifestada hoje pelo Director-geral desta instituição financeira internacional, Sidi Ould Tah, à saída do encontro com o Presidente da República, José Mário Vaz.
 
Em declarações aos jornalistas, Sidi Ould Tah disse que está no país para  identificar juntamente com o Chefe de Estado os sectores prioritários para desenvolver e que possam  interessar  o banco em termos de financiamento de projectos  e de  ajudas  técnicos.

Os sectores identificados, conforme o Diretor-geral do BADEA são a agricultura, infraestruturas, saúde, educação e energia.

Por sua vez, o ministro da Economia e Finanças destacou os projectos  que o BADEA financiou no passado, entre as quais o financiamento da construção de portos de Bissau e a estrada que liga Bissau à região de Biombo nos anos 80.

João Aladje Fadia disse que o país continua a beneficiar de apoio desta instituição financeira, que aceitou  a restruturação da divida no quadro da iniciativa dos países pobres muito endividados, intitulados “iniciativa PPTE” e reescalonar a dívida em 45 anos, acrescentando que  nesta altura esta-se na fase de reembolso.

O governante disse que o BADEA é uma instituição importante porque tem ligações com vários fundos árabes e que pode mobilizar para financiamento dos projectos da Guiné-Bissau.  
ANG/LPG/ÂC/SD

Portugal


                Austeridade neutralizou efeitos positivos das reformas

Bissau, 27 Fev 17 (ANG) - Um estudo de um instituto económico alemão conclui que os cortes aplicados em Portugal, Espanha e Itália “neutralizaram em parte” os efeitos positivos das reformas estruturais e afundaram as economias em recessões duplas.
 
Segundo um estudo do DIW, Instituto de Investigação Económica alemão, publicado com o título “A austeridade foi contra-produtiva para Espanha, Itália e Portugal“, uma combinação de políticas mais equilibrada teria sido mais benéfica para os países atingidos pela crise da dívida.

“As diversas medidas de austeridade e de subidas de impostos aplicadas a partir de 2010 não reduziram a dívida soberana em Portugal, Espanha e Itália como estava previsto”, refere o estudo.

Pelo contrário, estas medidas estão “entre as forças que levaram estas três economias de novo para a recessão“, fenómeno conhecido também como recessão secundária.

Os economistas do DIW sublinham que o fracasso das políticas aplicadas em muitos países da Europa não se deveu tanto à falta de vontade reformista dos governos, mas ao efeito prejudicial que tiveram sobre estas medidas os cortes “dramáticos” e as subidas de impostos.

O estudo explica que o endurecimento das condições financeiras forçou as famílias a dedicar uma maior proporção dos recursos a pagar as hipotecas.

A queda do rendimento disponível prejudicou consequentemente o consumo das famílias e, em seguida, o Governo “aumentou os impostos e cortou gastos, o que só amplificou o efeito” depressivo sobre a economia, diz Mathias Klein, um dos autores do estudo.

“A forte queda do consumo privado reduziu o Produto Interno Bruto (PIB) e elevou a já de si elevada taxa de desemprego”, adianta o economista.

A austeridade ampliou os efeitos da recessão, reduzindo o potencial produtivo a longo prazo, já que estimulou o desemprego, já elevado devido à crise (especialmente o desemprego de longa duração), e desincentivou o investimento em investigação e desenvolvimento, afirma o texto.

Tinha sido preferível ter procurado uma recuperação “muito lenta, assegura Philipp Engler, coautor do estudo, defendendo que “a consolidação orçamental não tem oportunidades de êxito num ambiente assim”.

 “Uma combinação mais equilibrada de medidas, com ajustamentos orçamentais moderados, reformas estruturais e uma aposta orçamental no investimento” teria tido um efeito mais positivo sobre a economia, conclui Engler.
 
O Deutsches Institut für Wirtschaftsforschung, ou simplesmente DIW Berlin, é um dos mais conceituados institutos de investigação em Economia da Alemanha. Fundado em 1925, é uma organização académica sem fins lucrativos dedicada à investigação e a aconselhamento político.
ANG/ZAP // Lusa

ANP


PRS considera de “sem efeito”  deliberação da Comissão Permanente que chumba agendamento do programa do governo

Bissau,27 Fev 17(ANG) – O Partido da Renovação Social(PRS) considerou que a  reprovação do agendamento da discussão do programa do governo pela  Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular não terá qualquer efeito.

Em conferência de imprensa realizada hoje, o porta-voz do PRS, Victor Gomes Pereira disse que já entregaram a plenária um recurso de protesto.

A reprovação do agendamento do Programa do Governo, com o voto maioritário dos deputados do PAIGC, aconteceu quarta-feira na reunião da Comissão Permanente da ANP constituída por 15 elementos nove dos quais do PAIGC e as restantes do PRS.

 “Esta deliberação é incompetente, inconstitucional, e inexistente no espaço e no tempo, e obriga a bancada parlamentar do PRS a um recurso à plenária onde  fundamenta, entre outros, que a ANP funciona em regra geral em sessões plenárias e a título  excepcional no intervalo das sessões legislativas através da Comissão Permanente”, disse.

O porta voz dos renovadores sustenta   que não sendo dissolvida a ANP, nem tendo sido declarado o estado do sítio, importa aferir se os actos praticados pela Comissão Permanente se inserem nos intervalos das sessões.

“A Comissão Permanente apenas estaria habilitada a praticar esses actos nos intervalos das sessões quer ordinárias ou extraordinárias. Para que tal aconteça a ANP deveria agendar as quatro sessões ordinárias anuais por serem obrigatórias condição sem a qual a Comissão Permanente não funciona validamente”, referiu.

Victor Pereira sublinhou que, deste modo e como a competência da Comissão Permanente depende do funcionamento das sessões plenárias, os actos assim praticados estão desprovidos de quaisquer efeitos jurídicos por serem inexistentes.

Em relação ao Acordo de Conacri, Pereira acusou Alpha Condé de parcialidade, por não conseguir provar em documento assinado pelas partes, o consenso à volta de um nome para primeiro-ministro durante as negociações em Conacri.

“A este senhor mediador/Presidente, o Partido da Renovação Social quer chamar a atenção de que apesar da crise política vigente, a Guiné-Bissau vive um clima de paz social, onde ninguém é assassinado, ou negado de exercer os seus mais elementares direitos”, disse.

Victor Pereira disse que o mesmo já não se pode dizer em relação a alguns países da sub-região onde numa simples manifestação de reivindicação justa para garantir o acesso ao ensino e à saúde se desemboca na maior parte das vezes em violência e mortes.

“Alpha Condé, o Presidente mediador depois das suas inciciativas terem sido completamente ultrapassadas pela posição intransigente da delegação do PAIGC, socorreu-se deste expediente para se poder justificar perante seus pares”, disse.

Victor Pereira denunciou que   durante o processo negocial, a delegação do PRS foi coagida pelo Presidente mediador a não aceitar o nome de Umaro Sissoco, um dos três nomes propostos, com o pretexto de que o mesmo não seria a pessoa ideal para o cargo.

“E mais, o Presidente/mediador no seu indisfarçável compromisso de apoiar o PAIGC proferiu ameaças veladas durante as conversações contra o PRS e segundo as quais uma alegada directiva do Conselho de Segurança deveria determinar  sanções contra políticos guineenses que não se conformassem com as decisões saídas de Conacri, numa clara alusão à colagem às pretensões de Domingos Simões Pereira”, informou.   
ANG/ÂC/SG

Economia/Finanças


                  Missão do FMI avalia programa de apoio financeiro

Bissau 27 Fev. 17 (ANG) – O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI),disse sexta-feira que a sua visita a Guiné-Bissau tem como objectivo proceder a uma analise da situação económica do pais, melhorar as vias de dialogo com o Governo e cumprimentar as autoridades pela aprovação do Conselho de Administração do FMI da primeira e segunda avaliação do programa de apoio financeiro daquela instituição financeira.
Felix Fisher que falava a saída de um encontro com o Presidente da República disse que na última reunião do Conselho de Administração em Dezembro passado, o FMI analisou com satisfação os avanços que o país fez em varias áreas, o que constitui passo extremamente importante para a Guiné-Bissau.
“Digo isso porque o programa como sabem bem foi aprovado em Julho de 2015 e deste então não havia avaliação cumprida por parte da Guiné-Bissau, porque havia o problema do resgate bancário que foi uma das causas principais da suspensão do programa de apoio financeira e o actual Governo teve que adoptar medidas importantes para voltar ao bom caminho”, disse.
Segundo o chefe da missão do FMI para a Guiné-Bissau, os próximos passos serão a implementação das diferentes medidas acordadas tanto na área fiscal como bancária.
Fisher anunciou que a próxima avaliação está prevista para o próximo mês de Maio .
“Está missão veio apenas para recolher informações mais ainda é cedo para compartilhar as conclusões e na reunião com o Chefe de Estado falamos dos desafios e como é a minha ultima missão como Chefe da Missão do FMI para a Guiné-Bissau por isso tinha que vir pela ultima vez despedir do Presidente José Mário Vaz e manter contactos de trabalho com o Primeiro-ministro e o Ministro da economia e Finanças”, disse Fisher.
O responsável do FMI para Guiné-Bissau disse que as impressões sobre o país são boas, por ser rico com uma potencialidade económica de crescimento ainda subdesenvolvido, por isso, os desafios são enormes.
Salientou que o país pode avançar muito mais se as politicas económicas o permitissem e disse que o cumprimento das metas traçadas vai ser muito determinante.
Felix Fisher aconselha ao Governo a não gastar o que não tem e não aumentara dívida.
Falando da situação do resgate bancário, Feliz Fisher disse agora falta a parte judicial e em paralelo a comissão bancaria concluir a avaliação ou um relatório que será discutido com os bancos, para se adoptar medidas a implementar.
ANG/MSC/SG

Forças Armadas


    Oficiais superiores encerram aulas metódicas de preparação combativa

Bissau, 27 Fev 17 (ANG) - O ministro da Defesa Nacional presidiu na sexta-feira a cerimónia do enceramento das aulas Metódicas para preparação Combativa dirigida aos 100 oficiais superiores dos três ramos das FA nomeadamente Exército, Marinha e Força Aérea, com duração de três dias.
 
Em declarações à imprensa, Eduardo Costa Sanhá disse que o curso visa capacitar as chefias militares no conhecimento teórico e prático nos domínios da Arte Militar e que serão transmitidos aos militares subalternos.

Explicou ainda que os militares têm três níveis de prontidão combativa, nomeadamente elevada, permanente e completa.

Por sua vez, e  em representação do Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Estevão Na Nena disse  que ficou satisfeito com a participação, em massa, dos oficiais na referida formação.

 Clarificou que os militares em tempo de paz dedicam-se aos estudos e em tempo de guerralimitam a trabalhar com códigos, porque são preparados para defender o território nacional do inimigo. 

 
Na Nena pediu aos colegas para se afastarem dos políticos e que não deixassem ser usados por interesses pessoais.

 O Coordenador do curso, Abulai Bá agradeceu e elogiou a iniciativa CEMGFA  de  capacitação, organização e planeamento do controle das operações do pessoal das Forças armadas, e anunciou que no dia um de Março próximo vão dar início à preparação combativa.

Bá explicou ainda que têm como missão organizar as FA e submeter-se ao poder politico democraticamente instituído, respeitar a lei magna do país  e pautar na formação de jovens. 

Em nome dos formandos falou o coronel Anselmo Semedo que elogiou a participação de todos na discussão da matéria de uma forma técnica. 

Semedo prometeu que vão transmitir os conhecimentos adquiridos aos restantes colegas que não tiveram a oportunidade de participar na formação, e aconselhou  a todos a  por em prática o guia  orientador.  
ANG/JD/SG

Arte


Actor cabo-verdiano considera “discriminatória” a escolha dos actores em Portugal

Bissau, 27 Fev 17 (ANG) - O actor e activista cabo-verdiano Adriano Reis, residente em Portugal há cerca de 14 anos, considerou de “discriminatória” a forma como são escolhidos os actores para trabalharem no teatro em terras lusas.
 
Adriano Reis, que falava numa entrevista à Inforpress, a propósito do seu regresso ao teatro, após seis anos de ausência dos palcos, anunciou a sua reentrada em cena para 24 de Março, criticando, no entanto, a atitude dos responsáveis teatrais em Portugal que, segundo ele, ao selecionarem os actores para integrar o elenco das peças adoptam o critério de “escolha de actor temático”.

Adriano Reis fez saber que, após muita luta e adversidades, conseguiu actuar em vários palcos portugueses indicando ser, de momento, o único cabo-verdiano a ter a “honra e o privilégio” de actuar no Teatro D. Maria II, um dos mais conceituados em Portugal.

“Após isto, a partir de 2010, passei por um período de reflexão. Ou seja, não queria ser aquilo que eu chamo de actor temático”, indicou, reforçando a sua ideia com a explicação de quando precisarem de um actor para desempenhar um papel de um trabalhador da construção chamam os actores de raça negra, o mesmo acontece com o papel de um escravo ou com o de um carteirista.

Adriano Reis disse ter-se saturado desta situação e, segundo ele, porque pensa que não pode estar sempre disponível para desempenhar esse papel de “actor temático” decidiu focalizar-se em outras soluções afastando deste cenário e começou a traçar o seu próprio caminho.

Fez saber que, agora, e após ter ultrapassado este período de reflexão, está a preparar a sua reentrada nos palcos com a estreia da peça teatral “Des(Para/so)”, prevista para 24 de Março.

Adriano Reis considera “fascinante” o seu novo projecto que, segundo ele, parece um pouco contraditório com aquilo que o fez parar durante seis anos.

“Trata-se de uma peça em que um actor ‘negro’ contracena num palco com outro actor de ‘raça branca’ e tentam retratar a vida em Portugal brincando um pouco com os factos da vida real”, salientou indicando ser uma comédia co-produzida pelo Teatro MUSGO-Produções Culturais e a RJ Anima-Associação, uma associação de que o próprio Adriano Reis é presidente.

Questionado pela Inforpress, se este tempo de paragem e levando em consideração tudo aquilo que contou significava que não se sentia a vontade em fazer teatro em Portugal, Adriano Reis foi peremptório afirmando que sente-se “perfeitamente tranquilo” a trabalhar no teatro neste país mas que apenas recusa-se desempenhar papéis relacionados de forma negativa com a sua raça ou cor da pele.

Adriano Reis que foi bem conhecido pelo desempenho de um papel de um Palhaço Crioulo, disse que se trata de um “clown”, ou seja, a forma como é denominado um palhaço teatral.
“O palhaço crioulo é mais um eco pessoal. Já não o faço em Portugal continental há algum tempo mas tenho-o feito nos Açores, de vez em quando sou chamado lá e, também, em Cabo Verde. Aqui no continente é muito complicado porque aqui pensa-se que este produto é apenas para as comunidades africanas”, explicou.

Questionado sobre a forma como coloca as coisas, na medida em que a arte é universal, o actor de origem cabo-verdiana respondeu que sendo a arte um produto universal, então não percebe a atitude das pessoas que não sabem lidar bem com a problemática da diversidade artística, tida como património cultural imaterial da humanidade pela UNESCO, desde 2003.

“Se assim é, então deve ser valorizada por todos e não somente por uma parte da sociedade. Pode ser uma utopia minha mas acho que aqui não respeitam muito a diversidade”, disse.

Fez saber que quando leva a cabo um trabalho deseja sempre que seja abrangente e não somente para as comunidades africanas.

Adriano Reis admite sonhar com um grande papel numa peça teatral mas em relação aos trabalhos na televisão considera ser difícil tal pretensão.

O actor disse que mesmo estando na diáspora continua a dar o seu contributo, mesmo que modesta, para a evolução do teatro em Cabo Verde, que segundo disse, é hoje uma referência em África.

Adriano Reis aproveitou para lançar um apelo ao Governo de Cabo Verde no sentido de “valorizar mais” os agentes culturais residentes no arquipélago e na diáspora que, segundo ele, “são os verdadeiros embaixadores da terra e da sua cultura”.

Considera que o Governo de Cabo Verde deverá ainda criar as condições básicas e ver para os agentes culturais, segundo ele, pessoas como a Celina Pereira, Titina Rodrigues, Armando Tito e vários outros artistas que “precisam de um reconhecimento maior e uma maior dignificação”.

“Aos fazedores da Cultura eu peço-os muito trabalho que não se deixem deslumbrar, fazem tudo para evitar a arrogância, pois, é com humildade que se aprende. Aos jovens, no geral peço-os muita reflexão”, concluiu.

Adriano Reis nasceu há 44 anos em Luanda, Angola. Filho de pais cabo-verdianos, muito cedo regressou à terra dos progenitores, na antiga Vila do Porto Novo, hoje, Cidade, em Santo Antão, onde começou a dar os primeiros passos no teatro.

Habilitado com o Curso de Teatro e Expressão Corporal, este actor e dirigente associativo entende que a crise prejudica mais os desfavorecidos e disse que esta situação deriva do facto de a sociedade tolerar de forma camuflada a corrupção.

Em relação aos refugiados é de opinião que interesses financeiros e económicos das grandes potências têm impedido o fim desta problemática e do terrorismo que para ele constitui uma forte ameaça à segurança mundial.  
ANG/Inforpress

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Comunicação Social


Ministro promete solucionar problemas da RDN

Bissau, 24 Fev 17 (ANG) – O Ministro da Comunicação Social prometeu quinta-feira evidenciar no máximo para responder as exigências que levaram a greve  na semana passada, na RDN.

Segundo a Rádio Jovem, Victor Pereira confirmou que o governo já disponibilizou dinheiro para pagar os subsídios de Janeiro dos funcionários.

Pereira acrescentou que a situação se deve simplesmente à falta de comunicação entre as partes, pelo que depois de ter reunido com o Sindicato de Base da RDN, tudo ficou esclarecido.

“Creio que a desconfiança já esta completamente ultrapassada entre as partes”, disse frisando que ambas possuem o mesmo objectivo, que é de melhorar as condições de trabalho e a vida dos funcionários daquela “casa”.  

O responsável da Comunicação Social revelou que fizeram entender ao Sindicato da Base da RDN a situação que o pais enfrenta, e eles acharam por bem que não deviam estar na puxa-puxa. 

A greve da RDN convocada para quatro dias foi desconvocada no segundo dia de paralisação. Os trabalhadores reivindicavam, entre outras, o pagamento do subsídio de Janeiro, um complemento salarial, acordado, em 2012, entre o governo e o sindicato de base dos trabalhadores dos quatro órgãos de comunicação social estatal, nomeadamente a Agência de Notícias da Guiné-ANG, o Jornal Nô Pintcha, que também não recebeu à tempo os seus subsídios, a Radiodifusão Nacional e TGB.

ANG/PFC/JAM/SG    
                 

Campanha Caju2017


Governo aprova 500 francos CFA/kg como preço de referência

Bissau,24 Fev17 (ANG) – O governo da Guiné-Bissau aprovou a proposta apresenta pela Associação Nacional dos Agricultores (ANAG) de fixar em 500 francos cfa o preço mínimo ao produtor por cada quilo da castanha de caju vendida.

A decisão do executivo consta no comunicado do conselho de ministros lida quinta feira na Televisão Nacional da Guiné-Bissau (TGB), através do qual o o executivo anuncia 31 de Março de 2017 para a abertura da campanha de comercialização da castanha de caju  em todo o território nacional.

O executivo fixou ainda a base tributária em 1150 dólares por cada tonelada de castanha exportada e aprovou o projecto de decreto de comercialização interna, externa e os projectos de regulamentação da profissão de intermediário e do exportador de caju.

No ano passado o preço mínimo e compra da castanha ao produtor foi de 350fcfa.

Por outro lado, o governo deu sua anuência para o alargamento do sistema das áreas protegidas de 15 para 26 por cento do território nacional.

No comunicado, o executivo deliberou igualmente a criação de dois parques e três corredores ecológicos, nomeadamente Parque nacional de Boié, de Telombé e corredores ecológicos de Tchetche, de Salifo Chitóle e Cuntabane Quebo, numa superfície de mais 46.556 hectares.

Entretanto, o governo ainda deu a sua anuência para as seguintes nomeações: Presidência de Conselho de Ministros- Domingos Gomes Jorge Pereira Director-geral de Presidência de Conselho de Ministros

Enquanto isso, no Ministério do Comercio e Promoção Empresarial o executivo deu a sua anuência a nomeação de Abas Djaló as funções do Director-geral do comércio e Luís Filipe Monteiro Araújo, director geral de comércio interno, ao passo que Wilson Manuel Fernandes Dias nomeado para director-geral do comércio externo.

ANG/LPG/JAM/SG