Angola/Papa Leão XIV
adverte para injustiça que corrompe corações e para comércio supersticioso
Bissau, 20 Abr 26(ANG) - O Papa Leão XIV apelou hoje, em Saurimo, no Leste de Angola, à fé em Cristo, alertando que “quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”.
“Com
efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos
violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a
injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”,
declarou, na homília que está a proferir na missa que reúne milhares de pessoas
na esplanada de Saurimo.
Leão
XIV, que se referiu ao “comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo
que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve”, salientou que
Cristo “não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão”.
“Não
manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso
coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas
procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder
com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido
das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e
imitar a sua iniciativa”, apelou.
A
Igreja Católica angolana tem manifestado a sua preocupação com o crescimento de
rituais associados a superstições, questão muito presente no Leste de Angola,
região onde a evangelização cristã foi mais tardia.
“Até
os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma
exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por
quem os recebe.
O
relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados
para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da
sorte”, advertiu.
O
Papa citou o Evangelho – “Vós procurais-me, não por terdes visto sinais
miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes” – para afirmar que
Cristo pergunta se é procurado “por gratidão ou por interesse, por cálculo ou
por amor”.
Leão
XIV afirmou que o que o trouxe até aqui, para estar com a população de Saurimo,
foi a “Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias”.
“Não
viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da
corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão,
violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da
nossa liberdade.
Na
verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos
tempos, mas na história de todos os dias”, declarou. ANG/Inforpress/Lusa

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