quarta-feira, 28 de outubro de 2020

 

          EUA-Eleições/América entre voto de mudança e de continuidade

 

Bissau, 28 Out 20 (ANG) - A sete dias das eleições presidenciais nos Estados Unidos da América (EUA), as sondagens atribuem favoritismo ao candidato democrata Joe Biden, numa altura em que mais de 50 milhões de eleitores votaram antecipadamente.

Segundo a imprensa dos EUA, o ex-vice-presidente de Barack Obama (2009-2017), que escolheu como slogan de campanha eleitoral “Build Back Better” (Reconstruir Melhor), lidera as intenções de voto com 52% contra 42% do actual inquilino da Casa Branca, Donald Trump.

O último debate televisivo entre ambos os concorrentes não produziu mudanças significativas, pelo que dificilmente alterará a tendência de voto, de acordo com analistas.

A forma como geriu a pandemia da Covid-19, que já matou mais de 220 mil pessoas nos EUA, é o factor principal da desvantagem de Trump, que trocou o slogan de 2016 - “Make America Great Again" (Tornar a América Grande de Novo) - para “Keep America Great” (Manter a América Grande).

As cerca de 240 milhões de pessoas qualificadas para votar (nem todas estão inscritas e muitas nem costumam participar nas eleições) vão às urnas no dia 3 de Novembro neste cenário, em que a pandemia também provocou o desemprego de muitos potenciais eleitores.

A negligência de Trump – que  acabou infectado pela Covid-19 – na   gestão da pandemia, chegando a ironizar sobre a doença, enquanto o vírus progredia vertiginosamente, causou repulsa, revolta e desalento entre os norte-americanos.

Mas, mesmo neste contexto, Trump manifesta-se optimista quanto à sua reeleição, e promete, caso consiga um segundo mandato, concluir a construção do muro na fronteira com o México, e manter a expulsão de imigrantes que entrarem no país de forma ilegal, principalmente muçulmanos associados à ataques terroristas.

Eleito em 2016 pelo Partido Republicano como 46º Presidente dos Estados Unidos da América, Trump garante, caso continue na presidência, encerrar, nos próximos quatro anos, a participação dos EUA em guerras no Médio Oriente, e apoiar o porte de armas por cidadãos norte-americanos.

O emprego e o comércio internacional continuam a ser as principais plataformas eleitorais de Donald Trump, apresentando um plano de governo com medidas proteccionistas para a geração de empregos no país, em vez de favorecer o livre comércio e sua consequente busca por territórios onde o custo de produção e mão-de-obra é mais barato, como a Ásia, Oceania e América Latina.

No campo da saúde, defende a continuação de um sector privado com valores estimados de acordo com a livre concorrência entre os serviços de hospitais, clínicas e profissionais do ramo.

Quanto à política externa, o Presidente Donald Trump, 74 anos de idade, promete focar-se na manutenção da segurança interna, através do combate ao terrorismo internacional e do fortalecimento da política de fronteiras, assim como no controlo da imigração.

Trump defende uma expansão gradual dos efectivos militares norte-americanos, bem como uma aproximação do governo ao sector comercial.

O candidato republicano compromete-se, igualmente, a prover liderança presidencial com forte pendor diplomático, buscando "restaurar o respeito dos Estados Unidos em todo o globo".

Por seu turno, uma vez eleito, Joe Biden pretende expandir o projecto de saúde do ex-Presidente Barack Obama, conhecido como “Obamacare”, que actualmente atende apenas idosos e pessoas com deficiência.

Embora não proponha um sistema de saúde universal, o programa de governo de Biden, que escolheu a afro-americana Kamala Harris para vice-Presidente, tem como objectivo oferecer cobertura médica a partir de valores acessíveis, protegendo a população de dívidas altas quando necessitar de cuidados de saúde.

O herdeiro político de Obama ambiciona dar, a todos os norte-americanos, acesso a um seguro de saúde financeiramente acessível, por meio da criação de um plano público semelhante ao Medicare for All (assistência de saúde para todos – universal e único controlado pelo governo).

No seu programa, o candidato democrata também propõe-se ao aumento das medidas de protecção aos trabalhadores mais vulneráveis, como aqueles que actuam em indústrias de “fast-food” e manufactura.

No capítulo económico, as propostas de Joe Biden, 77 anos, dividem-se em três pautas interligadas: revitalizar a classe média americana, fomentar a equidade racial na economia e impulsionar a manufactura e a inovação do país.

Se comparado a outros candidatos democratas nos pleitos anteriores, a agenda económica de Joe Biden parece ser mais proteccionista quanto à indústria do país.

Essa mudança foi motivada, principalmente, pela pandemia da Covid-19, que expôs a dificuldade da indústria americana em fornecer insumos essenciais à luta contra o vírus.

Outra aposta de Biden para conquistar os trabalhadores é o aumento do salário mínimo, dos actuais 7,25 dólares por hora, para 15 dólares até 2026.

No domínio do ambiente, promete colocar os Estados Unidos da América novamente como signatário do Acordo de Paris sobre o Clima, revertendo a decisão da retirada tomada por Donald Trump, que tem Mike Pence como candidato a vice-Presidente.

A ideia de Joe Biden é construir uma economia de energia limpa, que possa tornar os EUA numa superpotência em energias renováveis, ao mesmo tempo que cria empregos de qualidade no país.

O candidato democrata deseja reverter todas as políticas de imigração adoptadas pela Administração Trump, priorizando a reunificação de famílias que foram separadas ao cruzar a fronteira dos EUA ilegalmente e pôr fim ao limite de solicitações de asilo e refúgio.

Propõe acabar com as restrições de viagens à imigrantes de países de maioria muçulmana e garantir a cidadania à centenas de milhares de pessoas que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças.

Igualmente, defende uma reforma do sistema de justiça criminal dos EUA, com o objectivo de reduzir o número de pessoas presas, e eliminar disparidades raciais e de género.

Se assumir a liderança de uma das nações mais poderosas do mundo, a política externa de Biden focar-se-á essencialmente no restabelecimento das relações com os aliados tradicionais do país, particularmente com os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Num artigo de opinião publicado na revista Foreign Affairs, Biden escrevera que, como Presidente, se concentrará primeiro nas questões internas, e que não fará novos acordos comerciais, até que haja investimentos no país, por exemplo, em saúde e infraestruturas.

Disse que a China deveria ser responsabilizada por práticas injustas, mas, em vez de impor tarifas unilaterais, ele propõe formar uma coligação internacional com outras democracias que a China "não poderá ignorar".

Apesar de pesquisas atribuírem vantagem ao candidato Joe Biden, tudo pode acontecer, num sistema em que o que o voto do colégio eleitoral é determinante e tem supremacia sobre o voto popular.

Por exemplo, nas eleições de 2016, a candidata democrata Hillary Clinton obteve o maior número de votos dos eleitores, mas Trump foi o mais votado no colégio eleitoral,  conquistando, assim, a presidência do país, porque os EUA não realizam eleições presidenciais por sufrágio universal, onde os votos contam de igual maneira em todo o país.

O colégio eleitoral é constituído por 538 eleitores distribuídos pelos 50 estados que formam os EUA e Washington D.C., a capital do país. Vence o candidato que obtiver, no mínimo, 270 votos.

Neste sufrágio indirecto, cada um dos 50 estados tem um peso diferente nas eleições, dependendo da sua população.

Os delegados votam de acordo com a maioria dos eleitores do seu estado. Ou seja, na prática, o que os cidadãos elegem são os delegados com que se querem fazer representar para a escolha do Presidente do país.

Cada estado tem um determinado número de delegados no colégio eleitoral.

Por exemplo, o estado mais populoso, a Califórnia, tem o maior número de delegados no colégio eleitoral, 55. Depois do escrutínio, todos os votos são atribuídos ao candidato presidencial que obtiver a maioria no estado.

Pelo contrário, Alaska ou Montana tem uma população relativamente pequena e, por isso, só têm direito a três delegados no colégio eleitoral. Assim, cada um destes estados entrega apenas três votos ao candidato vencedor.

Entre os estados com mais delegados no colégio eleitoral, estão também o Texas (38), a Florida (29), Nova Iorque (29), o Illinois (20) e a Pensilvânia (20), ao passo que, em sentido inverso, Delaware, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Vermont, Wyoming e o Distrito de Colúmbia (Wanshington D.C.), têm apenas três delegados cada.

Até ao dia 3 de Novembro, os holofotes mundiais estarão focados nos acontecimentos políticos nos Estados Unidos da América, que poderá ter, a partir de Janeiro de 2021, um novo Presidente para um mandato de quatro anos, ou continuar com o actual. ANG/Angop

 

 

Desflorestação/Associação das Industrias Madeireiras acusa Primeiro-ministro de montar uma Seração na antiga instalação  da STENAKS

Bissau, 28 Out 20 (ANG) – O Presidente da Associação das Indústrias Madeireiras da Guiné-Bissau acusou o Primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabian de montar uma Seração na antiga instalação da empresa STENAKS, em Bissau, o que considerou de injusto porque a lei proíbe a montagem das industrias madeireiras em Bissau.

Numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, José António Sá disse esperar que o governo traga os técnicos para ajudar no trabalho de acabamento feito nas 12 Serações legalmente constituídas ao vez de instalar a sua própria Seração “porque também não ajuda ao ambiente”.

“Não devem ser os próprios governantes a montar as suas Serações em Bissau em demonstração de força. Queremos que as Serações sejam montadas onde devem ser. Se os técnicos de ambiente quiserem vamos mostrar o impacto desta Seração aqui em Bissau porque a referida Seração não tem aspirador, isso pode prejudicar o ambiente”, sustentou Sá.

José António Sá pediu ao Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló a usar as suas prorrogativas para proibir o funcionamento da referida Seração.

Aquele responsável, mostrou-se surpreendido com a forma como a moratória que proibia  cortes de madeira foi levantada, no passado dia 8 do mês em curso, acrescentando que, logo na madrugada do dia 9 do corrente mês,  entraram madeiras para a Seração pertencente ao Primeiro-ministro.

José Sá disse ter a certeza de que a Direção-geral da Floresta desconhece da entrada  dessas madeiras denunciadas.

“Para trazer os troncos para Bissau existem tramitações a serem feitas, mas temos a plena certeza de que a Direção-geral da Floresta não sabe como entraram essas madeiras., Queremos apelar a Polícia Judiciária e ao Ministério Público para agirem em conformidade com a lei, a fim de descobrir como isso aconteceu”, disse.

António Sá considerou de anormal o comportamento do governo  que tomou uma decisão unilateralmente de lhes fechar as Serações, há mais de cinco anos, acrescentando que esperavam que  na abertura da campanha, o governo ia lhes chamar para definir como vai ser a corte, o que não foi o caso.

Disse que as 12 Serações legalmente contam com  mais de mil trabalhadores e 3 mil colaboradores  indiretos. 

Por sua vez, o Presidente do Conselho Fiscal da mesma Associação, Bacar Sanó contou que nunca participaram na corte abusiva ou desmedida de madeiras porque sempre cumprem com as suas metodologias de corte.

Sublinhou que cada vez que querem fazer corte, solicitam a Direção-geral de Floresta e que esta instituição, antes manda fazer vistoria nas zonas indicadas.

Sanó considera  que a moratória foi feita só para lhes prejudicar porque visa só os madereiros, justificando que desde a implementação  dessa moratória o trabalho de madeira e devastação das florestas continuaram mas que até então nenhum madereiro abriu a sua Seração.

O Vice-presidente da referida Associação, Luís Danilson Nicolau Silva responsabiliza o serviço de fiscalização da Direção-geral da Floresta pelos abates de  árvores durante os últimos cinco anos. ANG/DMG/ÂC//SG


               Guiné-Conacri
/Delegações internacionais terminam mediação

Bissau, 28 Out 20 (ANG) - A delegação da ONU/União Africana/CEDEAO deve deixar hoje Conacri após se ter avistado com os actores políticos na sequência da violenta contestação ao resultado das eleições presidenciais que deram na semana passada a vitória ao chefe de Estado cessante Alpha Condé.

Jean-Claude Kassi Brou, presidente da Comissão da CEDEAO, a organização sub-regional, avistou-se nomeadamente com Cellou Dalein Diallo, na capital guineense, na casa daquele que se tinha autoproclamado vendedor.

O diplomata marfinense admitiu que as consultas prosseguiam, mas fez um balanço positivo dos encontros mantidos.

"Trata-se de instaurar um pouco mais de confiança entre os actores, bem como de instaurar a paz e a serenidade.E  sobretudo, parar com a violência.Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer ao primeiro-ministro Cellou Dalein Dialló e à respectiva equipa com quem mantivemos um debate muito bom, trocas de pontos de vista muito francos, vamos prosseguir as nossas consultas,"disse Kassi Brou.

Um novo balanço oficial da violência que se seguiu às eleições presidenciais dá agora conta de 21 mortos, segundo dados da televisão nacional citando o governo. A oposição denunciava 27 vítimas mortais.

Segundo a Comissão de eleições o presidente cessante Alpha Condé foi reeleito para um controverso terceiro mandato com 59,49% dos votos.

Por seu lado Cellou Dalein Diallo obteve 33,5%, mas contesta os resultados e denuncia um assalto eleitoral, ele que se tinha autoproclamado vencedor, logo no dia seguinte ao escrutínio.A sua residência tem, desde então, estado bloqueada pelas forças da ordem em Conacri. ANG/RFI

 

 

 

         Energia solar / Adulai Bary recebe prémio mundial com projecto

        "Ubuntu 2S"

 Bissau, 28 Out 20 (ANG) - O projecto de energia solar "Ubuntu 2S" ou Ubuntu Soluções Solares, concebido pelo engenheiro informático guineense  Adulai Bary e o seu sócio Mamadú Saliu Djaló da BigTechnology, obteve o prémio Live Innovation Impact Grant Program, na Expo Mundial 2020 de Dubai. 

Trata-se de um projecto de inclusão digital, baterias solares de baixo custo, que vão levar energia eléctrica às mais remotas tabancas da Guiné-Bissau, país onde menos de 30% da população tem acesso à eletricidade, apesar de ter mais de 200 mil utilizadores de Facebook e mais de 80% da população utilizar telemóvel.

Adulai Bary de 30 anos de idade, foi um dos fundadores em 2015 da Innovalab a primeira incubadora guineense de projectos, é embaixador do Next Einstein Forum 2017/2019 e é consultor da ONU para o emprego dos jovens e economia digital. 

O programa Live Innovation Impact Grant apoia ideias inovadoras para melhorar a vida das comunidades e o meio- ambiente e Adulai Bari juntou as duas num "kit' de energia solar, que vai ajudar os guineenses, a terem acesso à eletricidade numa primeira fase e que posteriormente pretende expandir-se para outros países da África sub-sahariana.

O projecto já está operacional, mas foi adiado devido à pandemia da Covid-19, que impediu o seu fabrico na China por um parceiro norte-americano, mas deverá ser lançado em Janeiro de 2021.

Trata-se de uma pequena bateria solar muito sofisticada com capacidade para ligar em casa entre 3 e 5 lâmpadas, um rádio e um telemóvel e que fornece energia durante 6 a 8 horas e custará cerca de 200.000 FCFA, o equivalente a cerca de 300 euros, que poderão ser pagos em prestações mensais.

A ideia inscreve-se na filosofia africana Ubuntu de solidariedade, partilha e empatia altruistas, aplicada à inclusão digital.

O termo Ubuntu vem das línguas sul-africanas zulu e xhosa e do provérbio "eu sou porque nós somos, nós somos porque tu és" implicando os conceitos de dignidade, respeito, humanização, príncipios fundadores da filosofia africana ubuntu baseada na empatia, altruismo, fraternidade e colaboração.

A ong Movimento Cultural Ubuntu existe na Guiné-Bissau desde 2007, com o objectivo de estimular a consciência social, valorizar a diversidade cultural do património cultural e defender a produção cultural guineense,

Promover uma filosofia de vida e de conduta social para a responsabilidade comunitária, sob o lema de que "a humanidade é parte integral do eco-sistema, que conduz à responsabilidade comunitária". ANG/RFI

 

 

 

 

 

                             Burkina Faso/Terroristas depõem armas

 

Bissau, 28 Out 20 (ANG) - O Presidente do Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré, anunciou que os terroristas depuseram recentemente as suas armas, depois de "admitirem a sua má conduta", em Djibo, província de Soum, no Sahel burkinabe.

"Vamos pôr fim ao terrorismo, no Burkina Faso", disse Kaboré numa entrevista à estação de televisão nacional RTB do Burkina Faso (RTB),  alegando que "apelámos aos Burkinabè que se mobilizaram junto do outro lado para se recomporem. Em Djibo, há algumas pessoas que voltaram e pediram desculpa depois de admitirem a sua má conduta".

Os meios de comunicação locais burkinabes relataram, na semana passada, que vários membros de grupos terroristas armados tinham deposto as suas armas. Foram então levados pelo Rxército burkinabe para áreas seguras.

"Assim que tivermos terminado com as eleições, vamos assegurar-nos de que o Exército reafete mais tropas com forças especiais para as zonas de conflito, para que as populações deslocadas pelos conflitos possam regressar a casa", acrescentou o Presidente burkinabe.

"A questão da luta contra o terrorismo deve ser resolvida. Quando vemos o número de pessoas mortas por esta actividade, temos insónias. Colocámo-nos a questão de saber porquê neste momento", salientou o Presidente Kaboré.

Os ataques terroristas já deixaram mais de mil 500 mortos e mais de um milhão de deslocados internos, desde 2015, no Burkina Faso. ANG/Angop

 

 

Política/Líder do PAIGC diz que a Guiné-Bissau vive situação de “poder absoluto”

Bissau,28 Out 20(ANG) - O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, considerou na terça-feira(27) , em Luanda, que se vive na Guiné-Bissau uma situação de “poder absoluto” que põe em causa liberdades individuais e coletivas e a separação de poderes. 

Em declarações aos jornalistas à saída de uma audiência de mais de meia hora concedida pelo Presidente de Angola, João Lourenço, o dirigente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) disse que o seu partido vai continuar a lutar contra esta situação “bastante complexa” para fazer imperar a lei através de mecanismos constitucionais.

“É este o quadro existente, para o qual o PAIGC vai continuar a lutar, a exigir o imperativo da lei, o respeito pela ordem constitucional, a separação dos poderes, para que os direitos individuais e coletivos sejam de facto respeitados”, garantiu.

De acordo com Domingos Simões Pereira, “tem-se feito o uso do poder absoluto, pondo em causa as liberdades individuais e coletivas e a separação dos poderes”.

O político sublinhou que o PAIGC “é um partido histórico, responsável, que tem feito uso exclusivamente dos mecanismos constitucionais e democráticos”, contudo, “esta luta fica desigual, desequilibrada, quando outros utilizam mecanismos à margem daquilo que a Constituição prevê”.

“Mas nós acreditamos que quem acompanha, o povo, quem tem essa aceitação popular, será capaz de, fazendo uso desses mecanismos, poder repor aquilo que é o império da lei”, concluiu.

O político guineense frisou que o encontro com o chefe de Estado angolano aconteceu no âmbito das relações tradicionais de amizade e cooperação entre o PAIGC e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), liderado por João Lourenço.

Segundo Domingos Simões Pereira, a situação no seu país, tal como havia afirmado em fevereiro, quando esteve em Luanda, exige um acompanhamento, sobretudo dos principais parceiros e amigos, e Angola está na lista prioritária dos principais amigos.

“E o camarada Presidente João Lourenço tem-se disponibilizado para ouvir, para compreender, para acompanhar a situação da Guiné-Bissau e neste quadro convidou-me a vir cá partilhar com ele a nossa visão, a nossa leitura sobre a situação política, para desta forma poder melhor acompanhar a situação vigente do país”, referiu.

O presidente do PAIGC considerou bastante mais complexa a situação política prevalecente no país, resumindo que todos os passos dados depois das eleições presidenciais, num recurso ao Supremo Tribunal de Justiça a contestar os resultados, não surtiram os efeitos esperados, porque foi considerado improcedente.

O Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau validou os resultados das eleições presidenciais, que acabou com o contencioso eleitoral apresentado pelo segundo candidato mais votado na segunda volta das presidenciais de 29 de dezembro de 2019, formalizando a vitória de Umaro Sissoco Embaló.

“Nós, mesmo não concordando com essa avaliação, mesmo achando que se estava a subtrair ao povo guineense o direito de conhecer a verdade eleitoral, declaramos formal e publicamente que aceitávamos e respeitávamos essa decisão do Supremo Tribunal de Justiça”, recordou Simões Pereira, candidato derrotado nas presidenciais.

No entanto, o líder do PAIGC disse que é preciso, no regime constitucional existente na Guiné-Bissau, separar os poderes, reconhecer que antes disso houve eleições legislativas e é preciso reconhecer o poder executivo a quem venceu as eleições legislativas”, explicou.

Depois de ter tomado posse numa cerimónia simbólica, o Presidente guineense demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, do PAIGC, partido vencedor das eleições legislativas de 2019. ANG/lusa

 

   Nigéria/Exército admite presença de soldados em protesto com disparos

 

Bissau, 28 Out 20 (ANG) - O exército da Nigéria admitiu que os seus soldados foram destacados para a Praça Lekki, em Lagos, onde na semana passada foram disparadas balas reais, matando vários manifestantes pacíficos que provocaram a indignação global.

Pelo menos 10 manifestantes foram mortos na Praça Lekki a 20 de Outubro, de acordo com a Amnistia Internacional (AI).

O exército tinha insistido que as suas tropas não estavam no local do tiroteio, mas na terça-feira à noite um porta-voz militar, o major Osoba Olaniyi, inverteu essa posição, dizendo que os soldados tinham sido destacados para lá para impor um recolher obrigatório.

Negou, contudo, que as tropas tivessem disparado contra os manifestantes.

"Em nenhum momento os soldados do exército nigeriano abriram fogo sobre qualquer civil", disse Osoba Olaniyi numa declaração.

A admissão pelos militares da sua presença na praça surgiu após o governador do estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, ter dito que as imagens das câmaras de segurança mostravam soldados nigerianos na Praça Lekki, a disparar contra os manifestantes pacíficos.

Olaniyi disse que os soldados foram destacados sob ordens do Governo do estado de Lagos, mas o governador disse que o estado não tem autoridade sobre o exército nacional.

Muitos nigerianos questionam porque é que os soldados foram destacados para um protesto pacífico, no qual milhares se tinham reunido na Praça Lekki.

Um painel judicial começou na terça-feira a investigar o tiroteio, assim como alegados abusos contra a unidade da polícia, a Esquadra Especial SARS.

Uma ampla campanha #EndSARS irrompeu na Nigéria no início de Outubro, após circular um vídeo a mostrar um homem a ser espancado, aparentemente por agentes da SARS.

Os protestos pacíficos e bem organizados perturbaram o tráfego em Lagos e em muitas outras cidades nigerianas. O Governo do Presidente Muhammadu Buhari concordou em dissolver a unidade da SARS, mas os protestos continuaram com os participantes a exigir reformas radicais da polícia e acções contra a corrupção.

Os manifestantes foram em grande parte pacíficos, mas vários foram mortos, segundo a Amnistia Internacional (AI), que acusou as autoridades de utilizarem força desnecessária.

No dia 20 de Outubro, o Governo impôs um recolher obrigatório, ordenando a todos que ficassem em casa e nessa noite os tiroteios ocorreram na Praça Lekki. Nos dois dias seguintes os tumultos foram generalizados em Lagos.ANG/Angop

 

 

Poder tradicional/Presidente da República  exorta régulos para se abdicarem da politica partidária

 Bissau, 28 out (ANG) – O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló exortou os representantes do poder tradicional guineense no sentido de se abdicarem de assuntos políticos para que possam ajudar ao governo na resolução dos problemas que existem nas comunidades

 A exortação  do Chefe de Estado  foi feita na terça-feira durante o encontro que decorreu numa unidade hoteleira, em Bissau, com o poder tradicional, que  serviu para os régulos  manifestarem ao Presidente da República os seus descontentamentos por não terem sidos convidados para participar nas cerimónias da sua tomada de posse e das celebrações de 24 de Setembro, Dia da Independência nacional.

O chefe de Estado disse que um bom régulo é aquele que representa a sua comunidade e não  partidos políticos.

Umaro Sissoco Embaló reconheceu  o erro em não ter convidado aos representantes do poder tradicional para participar nas duas cerimonias.

Por outro lado, o Presidente da República anunciou a realização de um encontro nacional com representantes do poder tradicional para debaterem, de forma exaustiva, as preocupações levantadas pelos régulos.

O  ministro da Administração Territorial e do Poder Local, Fernando Dias  exortou os representantes do poder tradicional a ajudar o governo na resolução dos conflitos relacionados a  posse de terra, que se registam  em quase todas as regiões do país.

Alertou aos representantes do poder tradicional no sentido de se optarem por uma justiça justiça transparente, “porque no seio das comunidades existem diferentes grupos étnicos e a justiça não deve ser com base nos laços de parentesco ou de afinidade étnica”.

Fernando Dias pediu igualmente aos régulos para desempenharem o papel de regulado sem pertenças partidárias.

Renovou o seu apelo aos régulos no sentido de evitarem de atribuir titulos de régulos às pessoas que não têm esse direito, para acabar com  conflitos que persistem em muitos regulados.

Relativamente a questão do Estatuto de Régulo, Fernando Dias disse estar na fase de finalização, mas que precisa de um encontro com cada grupo étnico  para se esclarecer como é feita a escolha do régulo para depois se fazer os projectos dos estatutos para a Assembleia  Nacional Popular(ANP) para efeitos de aprovação.

 O régulo de Cacheu, Dede Andrade revelou no encontro ter em mãos quatro propostas de Estatuto do poder tradicional, mas que no entanto carece da aprovação, facto que, segundo ele, tem criado conflitos na sucessão.

O Régulo de Prábis, Ugalís Cá aproveitou a ocasião para pedir apoio do Presidente da Republica para fazer face as inundações nas bolanhas causadas por intensas chuvas que cairam este ano no país, e que, segundo Cá, impediram a maioria da população camponesa de Prábis de cultivar o necessário para subsistência familiar.

Por sua vez, o régulo de Quitáfine, Secuna Silva aconselhou aos seus colegas de sentido de se respeitarem para serem respeitados, tendo criticado que muitos deles deixam-se ser  usados por  políticos, o que diz ser situações que comprometem a dignidade de um régulo perante a sua população .

“Um régulo não deve pertencer nenhuma formação política, e peço aos colegas no sentido de abandonarem a politica para que sejam respeitados perante os políticos”, aconselhou. ANG/LPG/ÂC//SG

 

 

 

 

 

     Covid-19/ Guterres exige vacina “disponível e acessível” para todos

 

Bissau, 28 Out 20 (ANG) – O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu terça-feira que a futura vacina contra a covid-19 esteja “disponível” e “acessível” para todos.

Em videoconferência com os líderes do Conselho Nórdico – que inclui a Dinamarca, Suécia, Islândia, Noruega e Finlândia -, Guterres defendeu um “multilateralismo novo e eficaz” que serve para enfrentar os desafios globais: do aquecimento global à pandemia actual.

“É imperativo que a vacina contra a covid-19 esteja disponível e acessível para todos. Porque ninguém estará seguro [do vírus] até que estejamos todos seguros”, afirmou Guterres durante a sua intervenção.

Essa vacina deve ser considerada um “bem público global”, disse o secretário-geral da ONU sobre o tratamento contra o novo coronavírus, que já infectou mais de 43,5 milhões de pessoas em todo o mundo e provocou mais de 1,1 milhões de mortos.

Guterres recordou que a situação actual “não é apenas uma crise de saúde”, mas também um desastre económico que coloca “em risco todo o desenvolvimento”.

A recuperação, acrescentou, não deve “replicar o passado”, mas sim construir “de forma sustentável e inclusiva” e “confrontar as fraquezas” que a pandemia tem mostrado em todo o mundo.

Na sua opinião, não se deve caminhar para um “governo global”, mas para uma “governação global real” com instituições fortes, porque as actuais são “bastante débeis”, com “capacidade para assegura os níveis mínimos para enfrentar os desafios” globais.

O primeiro-ministro sueco, Stefan Lovfen, defendeu também a garantia da distribuição universal da futura vacina contra o novo coronavírus e comprometeu-se a contribuir para os esforços multilaterais.

Nesta linha, a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, pediu um “acesso equitativo e distribuição justa”, bem como uma “resposta global” perante a crise sanitária e económica, porque está em causa o destino colectivo da Humanidade.

Em defesa do sistema multilateral, a primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, disse que a ONU é “mais necessária do que nunca” e a homóloga norueguesa, Erna Solberg, apontou que a pandemia mostra a “necessidade” da “colaboração internacional”. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara.Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

Covid-19/Diretor de Segurança Rodoviária acusa motoristas dos transportes públicos de violações das medidas sanitárias

Bissau, 27 Out.20(ANG) – O Diretor do Serviço de Segurança Rodoviária, da Direção-geral da Viação e Transportes Terrestres acusa os motoristas de transportes público de violação de medidas decretadas para prevenção de covid-19, que exige 50 por cento de lotação dos passageiros.

Ângelo da Costa, em declarações exclusivas à ANG, ainda denunciou as cobranças fora de tabela por parte dos motoristas, e considerou esses incumprimentos de inaceitáveis, e prometeu que a sua direção vai combater tais alegadas  violações e impor as regras.

“Durante os trabalhos dos inspetores, constatamos enumeras violações, nomeadamente, aumento de preços de passagem, incumprimento dos pontos terminais, violações nos números de passageiros e das linhas urbanas”, explicou.

Aquele responsável afirmou que os motoristas reclamam  que os agentes de Via
ção saem as ruas constantemente, tendo reconhecido que, realmente os seus agentes estão nas ruas, mas para fazer o seu trabalho, que passa necessariamente pela  fiscalização de  incumprimentos dos motoristas sem habilitação para conduzir, inspeções dos veículos e violações de regras de trânsito.

Ângelo da Costa disse ainda  que quem não gostar das operações dos inspetores da Viação que estacione o seu veículo na sua casa, porque se sair, vai ser obrigado a cumprir com as normas estipuladas.

"Toda essa desordem dos condutores, assenta na questão de que não têm tido receitas por causa da redução dos passageiros nos transportes públicos e querem à todo custo iliminar essa medida decretada pelo Estado", sustentou.

Costa disse que, com toda essa situação dos aumentos dos preços ilícitos e dos proprietários que resolveram parar os seus carros, muitos passageiros resolvem caminhar, à pé, por causa da dificuldade de pagar ou em encontrar transportes públicos.ANG/CP/ÂC//SG

 

 

Infraestruturas/Lançada primeira pedra para asfaltamento da Avenida Macky Sall

Bissau,27 Out.20(ANG) – O ministro das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, presidiu hoje a cerimónia do lançamento da primeira pedra para o asfaltamento da avenida Macky Sall, Presidente da República do Senegal, concretamente o troço que liga a Chapa de Bissau à estrada de Bor.

Na ocasião, Fidélis Forbs disse que o acto representa o simbolismo consubstanciado na criação de condições para a melhoria de vias urbanas de Bissau, destacando o estado das relações de amizade, cooperação e de solidariedade existente entre as Repúblicas irmás da Guiné-Bissau e Senegal.

“Para o governo da Guiné-Bissau, a construção de infraestruturas para os diferentes sectores, tanto público como privado, constitui a base e o suporte para o nosso desenvolvimento”, disse o governante.

O titular da pasta das Obras Públicas sublinhou que o momento que hoje assistiram, valoriza ainda mais as suas abordagens de cooperação, colaboração e solidariedade.

“Para nós, o essencial nesse momento, será de conseguir com sapiência, soluções adequadas para darmos corpo ao desenvolvimento harmonioso de que o país precisa”, frisou Fidélis Forbs.

O Presidente da Câmara Municipal de Bissau afirmou na ocasião que o seu desejo, na qualidade de chefe de a instituição que gere a cidade, é de ver a capital Bissau com um outro visual.

Luís Enchama salientou que, quem acompanhar   a evolução da nova direcção da CMB no espaço de 7 meses, vai notar a introdução de uma nova dinâmica, em prol da reorganização da cidade de Bissau.

Aquele responsável apelou a empresa Areski, responsável pela execução da obra, a levar em conta as valas de escoamento dos esgotos e dos passeios para os peões.

Presente no acto, o Embaixador do Senegal na Guiné-Bissau, Ndjor Indjai começou por agradecer ao Presidente da República da Guiné-Bissau Úmaro Sissoco Embaló e ao Povo guineense em geral pela decisão de batizar a referida rua com o nome de Macky Sall, a que chamou de “gesto muito fraterno”.

“Chegou a hora para o Povo da Guiné-Bissau trabalhar arduamente rumo ao progresso do país”, exortou o diplomata senegalês.

Afirmou que o Povo senegalês e guineense são irmãos, com uma história muito forte, acrescentando que irão inaugurar um caminho novo, de fraternidade, paz e desenvolvimento.

A obra do asfaltamento da Avenida Macky Sall, num distância de dois quilómetros e que contempla a colocação de postos de iluminação, terá a duração de quatro meses, e o montante da sua execução não foi revelado à imprensa.

O Presidente da República da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló atribuiu o nome do chefe de Estado senegalês Macky Sall a rua que liga a Chapa de Bissau ao Caracol, no passado dia 24 de Setembro, por ocasião da celebração dos 47 anos da independência da Guiné-Bissau, assistida pelo chefe de Estado senegalês,
entre três outros chefes de Estado da sub-região.ANG/ÂC//SG

 

 

Tensões entre França e Turquia/ Erdogan apela ao boicote de produtos franceses

Bissau, 27 Out 20 (ANG) - O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan reiterou segunda-feira que Emmanuel Macron deveria procurar “tratamento para os seus problemas mentais”, e apelou ao boicote de produtos franceses.

 Tal como em França ouvimos apelos a boicotar os produtos turcos, apelo agora aos meus cidadãos para não comprarem produtos franceses”, afirmou Erdogan.

Erdogan disse ainda que os muçulmanos franceses vivem sob “opressão”, e pediu aos líderes europeus que façam pressão para que Macron deixe cair aquilo que apelidou como uma “agenda anti-islâmica”.

Estes comentários seguem-se à defesa que Macron fez das caricaturas satíricas do profeta Mohamed, após o bárbaro assassinato do professor Samuel Paty.

Para Erdogan e os muçulmanos, estas caricaturas são um ataque directo ao Corão e ao profeta.

Enquanto o assassinato de Paty foi praticamente ignorado na imprensa pró-governamental turca, os comentários de Macron que se seguiram abriram as páginas dos jornais.ANG/RFI

 

 

 

       
            Guiné
/Conacri deserta e sob tensão com mediadores no terreno

Bissau, 27 Out 20 (ANG) - A situação permanece tensa na Guiné-Conacri ,agora com equipas de mediação internacionais no terreno após a violência que se seguiu às eleições da semana passada e à reeleição contestada do presidente cessante Alpha Condé. 

Tanto a polícia como o exército patrulham os bairros de Conacri tidos como favoráveis à oposição.

Segundo a agência AFP foram ouvidos disparos nos bairros Cosa e Sonfonia, sem confirmação por ora de feridos ou de vítimas.

As ruas mantiveram-se praticamente desertas, não obstante o apelo a manifestar-se por parte da Frente nacional para a defesa da constituição protestando contra a reeleição de Alpha Condé para um terceiro mandato.

A internet continua a ser de muito difícil acesso. ANG/RFI

 

          Moçambique/Líder de guerrilheiros dissidentes disposto ao diálogo

 

Bissau, 27 Out 20 (ANG) - Mariano Nhongo, dissidente da guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), disse segunda-feira estar disponível para "negociar com o Governo" uma solução para acabar com os ataques armados do seu grupo no centro do país.

A Junta Militar está disposta a negociar com o Governo, mas só se for uma negociação de verdade", disse em declarações por telefone, à Lusa, em reacção à trégua anunciada no sábado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Nhongo pediu a divulgação prévia de uma petição enviada há um ano ao Governo.

"Primeiro, divulgar o documento, depois afastar Ossufo (Momade, presidente da Renamo) como interlocutor activo na comunicação com o partido e daí acabou o problema. Hoje mesmo não haverá mais a Junta Militar a disparar", disse.

O fundador da autoproclamada Junta Militar da Renamo disse que ainda não recebeu uma comunicação oficial da trégua, mas manifestou-se disponível para criar um corredor de diálogo com o Governo se este tiver uma intenção genuína de pacificação do país.

Mariano Nhongo disse que anteriores tentativas de negociação fracassaram devido a falsidades por parte do Governo.

"Em negociações falsas a Junta Militar não vai entrar", disse o antigo estratega militar do histórico líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que morreu na Gorongosa em maio de 2018 por complicações de saúde.

Nhongo disse que no domingo, primeiro dia da trégua, dois membros do seu grupo foram sequestrados no distrito da Gorongosa, em Sofala, centro de Moçambique, sem mais detalhes.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou no sábado uma trégua na perseguição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) à Junta.

"Não vamos perseguir a Junta durante uma semana precisamente para dizer que nós estamos abertos, o país está aberto, eu estou aberto" ao diálogo, reiterou.

"As vias necessárias" para esse diálogo "estão abertas", referiu - dizendo que a Junta sabe como esse trabalho está a ser feito - para que se encontre "uma solução" para acabar com o problema de haver "moçambicanos a matar outros moçambicanos".

A Junta Militar da Renamo é um movimento de ex-guerrilheiros dissidentes do principal partido da oposição de Moçambique que contesta o líder eleito no congresso de 2019, Ossufo Momade, e as condições de desmilitarização, desarmamento e reintegração por ele negociadas com o Governo.

O grupo surgiu em Junho de 2019 e ameaçou pegar nas armas caso não fosse ouvido nas reivindicações de destituição da liderança da Renamo e quanto a uma renegociação do acordo de paz que Momade assinou em Agosto do último ano com Nyusi.

Desde então é o principal suspeito da morte de cerca de 30 pessoas em ataques contra autocarros, aldeias e elementos das FDS no centro do país, mas ao mesmo tempo tem recusado vários apelos ao diálogo, inclusive patrocinados pelas Nações Unidas e União Europeia, entre outros parceiros.

A violência ocorre na mesma altura em que o país enfrenta uma crise humanitária no norte, na província de Cabo Delgado, onde uma insurgência armada que dura há três anos já provocou entre 1.000 e 2.000 mortos e 300.000 deslocados.ANG/Angop