sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Ucrânia/NATO mantém que não vê sinais de qualquer desmobilização militar russa

Bissau, 18 Fev 22(ANG) – O secretário-geral da NATO disse quinta-feira que, “apesar das declarações de Moscovo”, a organização não viu “até agora qualquer sinal de retirada” das tropas russas das zonas fronteiriças com a Ucrânia, parecendo antes registar-se um aumento das forças.

“Não vimos até agora qualquer sinal de retirada ou de desanuviamento. Pelo contrário, a acumulação [de forças e meios militares] da Rússia parece continuar. Exortamos a Rússia a fazer o que diz, e a retirar as suas forças das fronteiras da Ucrânia”, declarou Jens Stoltenberg, numa conferência de imprensa no final de uma reunião de dois dias dos ministros da Defesa da Aliança Atlântica, em Bruxelas.

Apontando que a NATO continua a monitorizar “de muito perto” a evolução dos acontecimentos no terreno, o secretário-geral da organização comentou que a retirada das forças militares russas, tal como anunciado pelo Kremlin (Presidência russa), constituiria “um primeiro passo importante no sentido de uma solução política pacífica”.

Stoltenberg garantiu que “a NATO continua aberta a envolver-se com a Rússia de boa-fé” e reiterou que “os aliados estão prontos a sentar-se com a Rússia no Conselho NATO-Rússia”, para “abordar uma vasta gama de questões e encontrar pontos de convergência”.

Neste segundo dia de trabalhos, os ministros da Defesa da NATO reuniram-se com os seus homólogos da Ucrânia e da Geórgia, tendo discutido “a contínua ameaça de agressão russa” e “a deterioração da situação de segurança na região do Mar Negro”, com os aliados a expressarem uma vez mais o “forte apoio político e prático da NATO a ambos os países”, apontou o representante.

“A NATO e os aliados estão a ajudar a Ucrânia a aumentar a sua capacidade de se defender. A auto-defesa é um direito consagrado na Carta das Nações Unidas, e os aliados estão a ajudar a Ucrânia a defender esse direito, incluindo com formação e equipamento militar para as forças armadas ucranianas, perícia cibernética e de inteligência, e um apoio financeiro significativo”, sublinhou.

O responsável norueguês acrescentou que também foi discutida “a presença de forças russas nas regiões georgianas da Abecásia e da Ossétia do Sul”, assim como o recente voto da câmara baixa do parlamento russo (Duma) a recomendar o reconhecimento das autoproclamadas repúblicas (separatistas) populares de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia.

“Todos concordamos que isso seria mais uma violação flagrante da integridade territorial e da soberania da Ucrânia, assim como dos Acordos de Minsk, minando os esforços para encontrar uma solução política no Formato da Normandia [que integra Rússia, Ucrânia, Alemanha e França]”, advertiu.

A terminar, reiterou o “forte apoio da NATO à soberania e integridade territorial tanto da Geórgia como da Ucrânia” e ao “direito de cada nação de escolher o seu próprio caminho”.

“Não podemos aceitar um regresso a uma era de esferas de influência, em que as grandes potências intimidam e impõem a sua vontade aos outros. Não pode haver decisões sobre a Ucrânia sem a Ucrânia, e não pode haver decisões sobre a Geórgia sem a Geórgia”, disse.

Portugal esteve representado nesta reunião pelo ministro João Gomes Cravinho, que, na quarta-feira à noite, em declarações à imprensa no final do primeiro dia de trabalhos, comentou igualmente que a situação a leste “permanece extremamente perigosa”, pois, apesar das palavras de Moscovo, a NATO ainda não viu “nenhuma alteração” no terreno.

“Embora tenha havido alguns sinais positivos em termos de afirmações [das autoridades russas}, na realidade, no terreno, ainda não vimos nenhuma alteração. Ou seja, continuamos numa situação em que a Rússia tem capacidade para uma acção militar de grande envergadura com pouco ou nenhum pré-aviso”, disse.

Gomes Cravinho sublinhou que, para a NATO, “diálogo e diplomacia são a chave para a resolução desta situação e o desanuviamento das tensões”, mas, ao mesmo tempo, a organização transatlântica considera que “dissuasão e diálogo são duas faces da mesma moeda, e é muito importante os aliados da NATO terem uma postura de grande dissuasão, precisamente para precaver contra qualquer aventureirismo, qualquer atitude que ponha em causa a segurança da Aliança”.

Numa altura em que o Kremlin garante que concluiu as manobras militares nas zonas fronteiriças, um anúncio recebido com muita cautela pela NATO e União Europeia, a crise Rússia-Ucrânia foi também objecto, quinta-feira mesmo, de uma discussão ao mais alto nível entre os chefes de Estado e de Governo dos 27 do bloco comunitário, numa ‘mini-cimeira’ informal realizada imediatamente antes da cimeira UE-África, com a participação do primeiro-ministro, António Costa.

ANG/Inforpress/Lusa

 

Obituário/Ministério Público anuncia morte de João Aurigema Cruz Pinto, primeiro Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau

Bissau, 18 Fev 22 (ANG) – O Ministério Público anunciou hoje  a morte, na  quinta-feira, em Lisboa, Portugal, de João Aurigema Cruz Pinto, primeiro Procurador-Geral  da República da Guiné-Bissau, vitima de doença prolongada.


De acordo com o comunicado de falecimento de Cruz Pinto, entregue hoje á ANG,  e assinado pelo Prodcurador Geral Bacari Biai, as exéguias fúnebres do malogrado serão anunciadas oportunamente.

Face a esta triste notícia, o Ministério Público endereça as “sentidas condolèncias” à família enlutada e  toda a magistratura guineense.

“A Procuradoria Geral da República  lamenta esta perda fisíca  irreparável daquele que foi um dirigente exemplar daquela instituição judiciária, tendo servido o Estado da Guiné-Bissau com zelo e alto sentido patriótico”, lê-se no comunicado.

Cruz Pinto  foi igualmente o primeiro guineense a ocupar o cargo de juiz no Tribunal da União Económica e Monetária Oeste Africana (UEMOA).

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público(Simamp), endereçou uma nota de pesar à famíla Cruz Pinto.

 “O Simamp informa que o João Aurigema Cruz Pinto foi designado pelo Conselho de Comissários de Estado, o primeiro Procurador Geral da República em 10 de Outubro de 1974 e a confirmação no cargo foi feita à 22 de Janeiro de 1975”, refere a Nota do Simamp à que a ANG teve hoje  caesso.

A Nota acrescenta que, por iniciativa do Simamp, a data de 10 de Outubro, foi institucionalizada como o Dia do Ministério Público guineense, e cuja comemoração já vai na sua segunda edição. ANG/MSC/ÂC//SG

Ucrânia/Moscovo ameaça reagir militarmente perante rejeição das suas exigências

Bissau, 18 Fev 22(ANG) – A Rússia ameaçou quinta-feira reagir, mesmo militarmente, em caso de rejeição pelos EUA das suas principais exigências de segurança, repetindo que deseja a retirada das forças norte-americanas da Europa Central e Oriental e dos Estados Bálticos.

“Na ausência de vontade por parte do lado americano de acordar em firmes garantias legais para a nossa segurança (…) a Rússia será forçada a reagir, nomeadamente implementando medidas de natureza militar e técnica”, disse a diplomacia russa, em resposta às propostas dos Estados Unidos para negociações sobre segurança europeia.

Moscovo insiste na “retirada de todas as forças e armamentos dos Estados Unidos colocados na Europa Central e Oriental, na Europa do Sudeste e nos países bálticos” e também aguarda propostas do Ocidente com vista a “renunciar a qualquer futuro alargamento da NATO”.

ANG/Inforpress/Lusa

 


Justiça
/Líder do PAIGC diz não ter qualquer envolvimento no processo de resgate dos Bancos

Bissau,18 Fev 22(ANG) – O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC), disse não ter qualquer envolvimento no processo de resgate dos Bancos e alega que “motivações políticas” estão por detrás do pedido do levantamento da sua imunidade parlamentar.

“Inicialmente, eu era imputado como declarante e hoje já me pretendem convocar como suspeito, num processo onde não tenho qualquer envolvimento”, afirmou hoje Domingos Simões Pereira em declarações à RDP-África.

O Ministério Público voltou a pedir o levantamento da imunidade parlamentar do deputado e líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC).

A ANG soube que a 2ª Vice Presidente da Assembleia Nacional Popular, Adja Satú Camará, convocou quinta-feira os líderes das Bancadas Parlamentares, para uma reunião para a discussão do pedido de levantamento de imunidade Parlamentar ao Deputado Domingos Simões Pereira mas  o encontro foi protelado devido a falta de quorum.

O líder do PAIGC considera que já se falou tanto desse referido processo de resgate junto dos Bancos.

“Há cerca de um mês, antes de ser demitido das funções do primeiro-ministro, autorizei ao ministro das Finanças na altura à abrir processo de diálogo com os Bancos no sentido de negociar mecanismos que permitissem aos privados nacionais saldarem as dívidas com estas instituições bancárias”, explicou.

Domingos Simões Pereira disse que, pouco tempo depois de dar essa autorização ao ministro das Finanças foi demitido das suas funções e curiosamente o processo continuou e é consumado meses depois.

“Foi um processo que todos os Governos que se seguiram poderem verificar que não houve qualquer fraude nele. Foi apenas um mecanismo que se encontrou para permitir aos privados nacionais negociarem as suas dívidas com os bancos privados e rescalonar os prazos de pagamento”, disse o líder do PAIGC.

Afirmou que todas as pessoas que tinham sido convocadas para serem ouvidas no âmbito desse processo foram ilibadas e que  o processo foi arquivado.

A primeira tentativa do Ministério Público em levantar a imunidade parlamentar a Domingos Simões Pereira, ocorrreu em 2018 e a segunda em julho de 2021. O parlamento tem recusado  sempre o levantamento da imunidade do deputado, por falta de razões que o justifique. ANG/ÂC//SG

 

             Covid-19/Seis países africanos vão produzir vacinas mRNA

Bissau, 18 Fev 22 (ANG) - O Egipto, Quénia, Nigéria, Senegal, África do Sul e Tunísia são os primeiros seis países africanos a receber a tecnologia necessária para produzirem vacinas mRNA.

O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no último dia da cimeira União Europeia/União Africana.

África do Sul, Egito, Quénia, Nigéria, Senegal e Tunísia foram escolhidos pela Organização Mundial da Saúde para permitir que o continente africano, que teve acesso restrito às vacinas anti-Covid, faça suas próprias vacinas para combater a pandemia de coronavírus e outras doenças.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, defendeu o levantamento dos direitos de propriedade intelectual para as vacinas contra a COVID-19, para que o continente africano possa começar a produzir as suas vacinas.

Emmnuel Macron respondeu, reiterando que o levantamento dos direitos de propriedade intelectual para as vacinas contra a COVID-19, "não deve ser vista como a única solução para a produção e distribuição de vacinas onde elas são precisas".

Apenas 11% da população africana está vacinada, em comparação com 60% a 70% das pessoas de outros continentes.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, afirmou que África deve aumentar o seu nível de vacinação “que é ainda muito baixo”.ANG/RFI

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

Cajú/Ministro do Comércio e Industria anuncia exportação record de 230 mil toneladas referentes ao ano passado

Bissau,17 fev 22(ANG) – O ministro do Comércio e Indústria Tcheno Djaló, anunciou hoje em Conselho de Ministros, a exportação record de 230 mil toneladas de castanha de caju, resultante da campanha de comercalização de 2021.

Segundo uma fonte dos serviços de Inspecção de Inspecção do Minstério do Comércio e Indústria, as previsões de exportação de 2021, eram de 200 mil toneladas.

Djaló, segundo o Comunicado do Conselho de Ministros, enviado á imprensa, ainda anunciou a abertura, em Março, da campanha de comercialização da castanha de caju do ano em curso.

Caju, é o principal produto de exportação da Guiné-Bissau e o país tem como principal comprador a India.

No ano passado a exportação foi de cerca de 170 mil toneladas.

Nesta reunião realizada no Palácio da República, não no local habitual, o Palacio do Governo, e sob a presidência do primeiro ministro, Nuno Gomes Nabiam, o colectivo ministerial aprovou com alterações, o projecto do decreto relativo ao Regime Jurídico dos Beneficiários efectivos da contratação pública.

O Governo decidiu a instituição de uma Comissão Interministerial presidida pelo vice primeiro ministro, para apresentar medidas capazes de levar a contenção de aumento da massa salarial.

Decidiu ainda a instituição de uma Comissão Interministerial, igualmente presidida pelo vice primeiro ministro para analisar e propor medidas de solução, em relação ao sector da energia, particularmente da Empresa de Electricdade e Águas da Guiné-Bissau(EAGB).

Uma fonte da EAGB revelou a ANG que recentemente 300 trabalhadores foram admitidos na empresa.ANG/SG


Desporto/Selecção feminina de futebol da Guiné-Bissau perde por 6-0 contra a sua congénere de Burkina Faso

Bissau, 17 Fev 22 (ANG) –A Seleção Nacional Feminina de futebol da Guiné-Bissau perdeu quarta-feira por 6-0, no seu reduto contra a sua congénere de Burkina Faso, no jogo da primeira mão de play-off, para a fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN-2022) feminina, a ser disputada em Junho do ano em curso, em Marrocos.

As raparigas do mister Romão dos Santos, apesar de terem recebido reforços de cincos atletas guineenses que actuam no futebol europeu nomeadamente a Fatumata Silá Cissé, Fatumata Embaló, Suaila Quina, Filomena Tuia e Cinira da Mata não conseguiram fazer diferença contra a sua congénere de Burquina Faso.

A equipa visitante, logo no início da partida,  ameaçou, por três vezes, a baliza da turma nacional, num aproveitamento da desconcentração da barra defensiva  guineense.

Aos 16 minutos do jogo, a guardiã guineense foi expulsa da partida na sequência de  um contra-ataque das burkinabés, convertido em  falta, que acabaria por originar o primeiro tento das visitantes, marcada pela atleta Nana Juliette, que, aos 41 minutos da primeira parte apontou o segundo tento da partida.

Os restantes golos do encontro foram apontados por Adama Congo que também bisou aos minutos 39, antes de surgirem outros biss por intermedia de Limata Nikiema aos minutos 82 do jogo.

Com este resultado aumentaram as dificuldades para a selecção feminina de futebol nacional manter na prova, apesar de restar o segundo encontro já marcada para o dia 23 de Fevereiro, no Togo.

Em declarações à imprensa no final da partida, o Presidente de Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) Carlos Alberto Mendes Texeira vulgo (Caito), disse que apesar da pesada derrota que as comandadas de mister Romão dos Santos sofreram, a Selecção Feminina continuará a ser uma prioridade .

O técnico guineense Romão dos Santos não escondeu o seu desânimo pela derrota ao dizer  que as suas  comandadas só podem virar o resulto, caso a formação do Burkina Faso sofrer 10 expulsões no próximo encontro.

ANG/LLA/ÂC//SG  

    

Obituário/Secretariado Nacional do PAIGC endereça condolências à família do  combatente  Augusto Gomes Tavares

Bissau, 17 Fev 22(ANG) – O Secretariado Nacional do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC) e o Presidente do Partido,  endereçaram condolências à família do malogrado combatente da liberdade da pátria, Augusto Gomes Tavares, vulgo “Augusto Duanhe” que faleceu no dia 10 do mês em curso em Portugal vítima de doença.

Em nota de condolência à que a ANG teve acesso, Augusto Duanhe era um dos destacados militantes no sul do país, concretamente na região de Tombali, tendo aderido ao PAIGC e posteriormente a luta armada, após um trabalho notável como activista na clandestinidade e foi um dos homens de confiança dos camaradas Amílcar Lopes Cabral e João Bernardo(Nino) Vieira.

“Com início da Luta Armada e consequente reconquista de partes do território, denominado zonas libertadas, o malogrado foi designado para as funções de encarregado dos Armazéns do Povo, na ilha de N´fanda, em Catabam  e na secção de Cabuxanque, no sector de Bedanda, Sul do país”, lê-se na nota dos libertadores.

Acrescenta  que, com a proclamação da independência em 1973, o camarada Augusto Duanhe , já com o estatuto de responsável nas estruturas do PAIGC na região de Tombali, foi nomeado presidente do Comité de Estado do sector de Komo, região de Tombali, tendo sido pouco tempo depois eleito membro do Comité Central.

O falecido era viúvo e pai de 10 filhos, nascido no dia 12 de Março de 1940 na tabanca de Orango, secção de Bocana, região de Tombali, Sul do país e faleceu aos 82 anos de idade.

O Secretariado Nacional do PAIGC informa que a cerimónia  póstuma de homenagem ao camarada Augusto Duanhe realiza-se hoje na sede do p
artido, em Bissau.ANG/JD/ÂC//SG

  UE/África/ Cimeira de líderes para reanimar parceria arranca hoje em Bruxelas

Bissau, 17 Fev 22(ANG) – Líderes da União Europeia (UE) e da União Africana reúnem-se entre hoje e sexta-feira em Bruxelas, na VI cimeira UE-África, sucessivamente adiada devido à pandemia, que visa revitalizar uma parceria ameaçada pela presença russa e chinesa no continente africano.

Esta cimeira entre UE e União Africana (UA), originalmente prevista para 2020, pode finalmente ter lugar face à evolução da situação pandémica, que permite a presença em Bruxelas de cerca de sete dezenas de chefes de Estado e de Governo dos dois continentes, mas realiza-se em plena crise entre Rússia e Ucrânia, o que levará, de resto, os líderes da União Europeia, entre os quais o primeiro-ministro António Costa, a manterem antes uma reunião informal a 27 para discutir os mais recentes desenvolvimentos.

Quase cinco anos depois da anterior reunião de líderes da UE e UA, celebrada em Abidjan em 2017, Bruxelas acolhe a VI cimeira, que contará com a participação de cerca de 70 delegações ao mais alto nível dos Estados-membros das duas organizações, incluindo Portugal e os países africanos de língua portuguesa (PALOP).

Os países africanos lusófonos deverão estar todos representados ao mais alto nível na cimeira, sendo esperados os chefes de Estado da Guiné-Bissau,  Moçambique e de São Tomé e Príncipe, o vice-presidente de Angola e o primeiro-ministro de Cabo Verde.

Além dos 27 chefes de Estado e de Governo da UE, entre os quais António Costa, e dos mais de 40 líderes dos países membros da UA que confirmaram a presença na cimeira, participarão vários “convidados externos”, das mais diversas organizações, incluindo os directores-gerais da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Organização Mundial do Comércio (OMC), a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, e da Organização Internacional para Migrações (OIM), o português António Vitorino.

Ausentes estarão quatro países que a União Africana suspendeu e não convidou para a cimeira de Bruxelas, dado terem sido palco de golpes de Estado, designadamente Burkina Faso, Mali, Sudão e Guiné-Conacri.

Também face à forte adesão, saudada por fontes diplomáticas europeias – que notaram que, na cimeira da União Africana celebrada no início do mês da Etiópia participaram não mais que 30 chefes de Estado -, esta VI cimeira terá um formato inédito, tendo as mesmas fontes explicado que, em vez de uma “longa sessão plenária com tantas delegações” que dificilmente produziria resultados, terão lugar várias mesas-redondas temáticas, moderadas pelos próprios líderes (um ou dois chefes de Estado e de Governo de cada parte, UE e UA).

As sete mesas-redondas serão consagradas aos temas “financiamento para o crescimento sustentável e inclusivo”, “alterações climáticas e transição energética, digital e transportes”, “paz, segurança e governação”, “apoio ao sector privado e integração económica”, “educação, cultura, formação profissional, migração e mobilidade”, “agricultura e desenvolvimento sustentável” e “sistemas de saúde e produção de vacinas”.

Um dos principais resultados concretos desta cimeira, cujo objectivo é revitalizar a parceria UE-UA tendo em conta os novos desafios globais, foi já antecipado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por ocasião da sua visita na semana passada ao Senegal (país que preside actualmente à União Africana): um plano de investimentos para África que mobilizará cerca de 150 mil milhões de euros ao longo dos próximos sete anos.

Este é o primeiro plano regional no quadro da nova estratégia de investimento da União Europeia, a ‘Global Gateway’, entendida como uma resposta à “Nova Rota da Seda” – projecto que a China tem já em curso à escala mundial.

A VI cimeira UE-UA tem início hoje às 14:15 locais (12:15 de Cabo Verde), e, após uma cerimónia de abertura em sessão plenária, decorrerá a primeira série de mesas-redondas – fechadas à imprensa -, até ao jantar dos chefes de Estado e de Governo, num museu de Bruxelas.

Na sexta-feira, as discussões temáticas terão início às 08:00 de Cabo Verde, 09 horas na Guiné-Bissaua Guiné-Bissau e as 10H00 está prevista a cerimónia de encerramento da cimeira.

Antes da cimeira, terá então lugar hoje, a partir das 12:30 locais, uma reunião informal dos chefes de Estado e de Governo da UE para discutir “os mais recentes desenvolvimentos” na crise entre Ucrânia e Rússia, numa altura em que o Ocidente recebe com cepticismo os anúncios de Moscovo de retirada de tropas, dado não estar a observar tal no terreno. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

Tentativa de golpe de Estado/Líder do PAIGC quer peritos internacionais nos inquéritos ao ataque ao palácio do Governo

Bissau,17 Fev 22(ANG) - O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, Domingos Simões Pereira, defendeu a presença de peritos internacionais no inquérito “ao que realmente se passou” no ataque ao Palácio do Governo.

Em entrevista à Agência Lusa e à RFI, Domingos Simões Pereira sugeriu a presença de elementos da DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de droga, e da Polícia Judiciária portuguesa, salientando que aquelas entidades sempre apoiaram as autoridades do país no combate ao narcotráfico.

A sugestão do líder do PAIGC, segundo o próprio, vai ao encontro do facto de as autoridades guineenses estarem a relacionar o ataque ao Palácio do Governo com “ajustes de contas entre narcotraficantes”.

“Ora, quando envolve droga nós sabemos que as várias instâncias do nosso poder judicial têm recebido reforço de capacidade, não só de estruturas internacionais, nomeadamente da DEA como da Polícia Judiciária portuguesa e de outras instituições. Se nós recebemos reforço de capacidade em assuntos de menor porte, por que não se justifica envolver essas entidades em algo que pôs em causa vidas humanas”, questionou o líder do PAIGC.

O antigo primeiro-ministro guineense disse que “continuam confusas” e “até contraditórias” as explicações que têm sido dadas pelas autoridades guineenses quanto aos envolvidos nos ataques, nomeadamente a alegada presença de rebeldes senegaleses do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC).

Estanho ainda para Domingos Simões Pereira é o facto de o porta-voz do Governo, Fernando Vaz, ter começado por citar nomes de alguns oficiais militares como estando envolvidos nos ataques, para horas depois desmentir-se a si mesmo.

Para o líder do PAIGC também é estranha a nomeação de um novo diretor da Polícia Judiciária.

Domingos Simões Pereira afirmou que na sua opinião “há muitas pontas soltas e que não se alinham” nas informações que têm sido prestadas ao público pelas autoridades guineenses, esperando que no futuro as informações públicas sejam mais credíveis.

“O que eu estou a dizer é que estamos a tratar de um assunto de extrema importância, de extraordinária importância e o mínimo que podíamos sugerir, aguardar ou exigir é que seja uma comissão credível, responsável, competente e que tenha como um dos pressupostos que traga elementos palpáveis que permita a todo o mundo avaliar”, defendeu.

Questionado sobre o adiamento do Congresso do PAIGC, previsto para 17 e 18 de fevereiro, Simões Pereira referiu que o partido se alinha “com a ordem”, mas considerou que o decreto do Governo que proíbe reuniões políticas devido à covid-19 “foi feito, exclusivamente para comprometer a realização do congresso do PAIGC”.

“O estado de alerta já existia quando o PTG (Partido dos Trabalhadores Guineenses) fez o seu congresso, já existia quando o PRS (Partido da Renovação Social) fez o seu congresso, já existia quando se fizeram visitas ao interior, a presidência aberta e outras concentrações de pessoas”, acrescentou.

Referindo que o congresso foi adiado para depois da vigência do decreto do estado de alerta, 05 de março, o presidente do PAIGC pediu, no entanto, “àqueles que detêm poder para que cinjam a sua atuação dentro dos ditames da lei”.

No dia 01 de fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e de que resultaram oito mortos.

O Presidente guineense considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado e apontou o ex-chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, Tchamy Yala, também ex-oficial, e Papis Djemé como os principais responsáveis.

Os três homens foram presos em abril de 2013 por agentes da agência antidrogas norte-americana (DEA) a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental e cumpriram pena de prisão nos Estados Unidos.

Os três alegados responsáveis pela tentativa de golpe de Estado foram detidos, segundo o Presidente guineense. ANG/Lusa 

 

Paris/França e parceiros anunciam retirada “coordenada” das suas tropas do Mali

Bissau,  17 Fev 22(ANG) – A França, ao lado dos seus parceiros europeus e africanos, anunciou hoje a retirada “coordenada” das tropas do Mali devido “a múltiplas obstruções das autoridades de transição malianas”, prosseguindo o combate ao terrorismo nos países vizinhos.

“Devido às múltiplas obstruções das autoridades de transição malianas, o Canadá e os Estados europeus que operam ao lado da operação Barkhane e no seio da operação Takuba consideram que as condições políticas, operacionais e jurídicas não estão reunidas para continuar o actual compromisso militar”, pode ler-se numa declaração conjunta enviada hoje pelo Palácio do Eliseu às redacções.

Esta manhã, o Presidente da República francês, Emmanuel Mácron, vai falar ao lado dos parceiros europeus e africanos para detalhar as razões desta retirada decidida definitivamente num jantar de trabalho no Palácio do Eliseu, que aconteceu na noite de quarta-feira e onde participou o primeiro-ministro português, António Costa.

A luta pelo combate ao terrorismo vai prosseguir no Sahel, ainda segundo a declaração conjunta também assinada por Portugal, com acções “no Níger e no Golfo da Guiné”, estando a ser levadas a cabo consultas locais para chegar aos termos de entendimento sobre uma nova missão até Junho de 2022.

A França possui uma das suas maiores operações militares no Mali desde 2013, com a operação Barkhane a envolver actualmente cerca de 4.300 efectivos no Sahel e cerca de 2.500 estão no Mali. Esta não é a única força estrangeira no país, com um total de 25 mil soldados estrangeiros com diferentes mandatos a actuarem no Sahel.

Portugal está presente com cerca de duas dezenas de militares na operação da força especial europeia Takuba, ao lado de outros parceiros como Alemanha, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estónia, Grécia, Itália, Noruega, Holanda, Roménia, Reino Unido e Suécia. ANG/Inforpress/Lusa


                   Cultura/Mû Mbana levou a música dos Bijagós a Paris

Bissau, 17 Fev 22 (ANG) -  O músico Mû Mbana foi um dos artistas lusófonos a subir ao palco do Thêatre du Châtelet, em Paris, este domingo, e transformou a sala num espaço de poesia e murmúrio, de contemplação e espanto.

O cantor, poeta, compositor e multi-instrumentista apresentou canções do seu trabalho "mais guineense": INÊN. Estava simplesmente acompanhado pelos sons do simbi, bënsuni e tonkorongh, instrumentos que ele resgatou de séculos passados e que fazem agora parte da sua história. Essa história começou quando era muito menino, com apenas três ou quatro anos. Era uma vez… 

RFI: A primeira frase da sua biografia na sua página web explica: “Tudo começou quando tinha três anos: antes das notícias da rádio, punham uma música de balafon que me fazia dançar”… Foi mesmo assim que tudo começou?

Mû Mbana, Músico: Começou comigo e a minha família a darmo-nos conta que eu tinha uma certa conexão com a música porque eu era pequeno e cada vez que soava essa sintonia eu dançava. A minha família ria-se. Era engraçado, era um miúdo de três ou quatro anos a curtir com uma música que é uma sinfonia que se põe antes das notícias. Do meu despertar interno e externo quanto à minha conexão com a música, acho que esta é a memória mais antiga, a primeira que tenho.

Nasceu na ilha de Bolama, nos Bijagós, cresceu num mundo pleno de música, mas foi para a Europa para estudar arte em Portugal e acabou por formar-se na música, de forma académica, em Barcelona… Conte-nos um pouco destas escolhas….

Fui da Guiné para Lisboa, morei em Portugal vários anos e estudei um pouco a construção civil, o desenho técnico da arquitectura e depois decidi estudar música. Estive a ponto de ir para o Hot Club de Jazz, em Lisboa, mas afinal foi para o Taller de Músics de Barcelona para estudar Harmonia Moderna, linguagem musical e tudo isso. Tinha necessidade de ter ferramentas a nível de composição para poder ampliar a minha capacidade como compositor.

Pelo caminho, fez 20 anos de pesquisa só para resgatar instrumentos tradicionais da Guiné-Bissau, algo que transpôs para a sua música. A sua música é uma fusão das sonoridades do passado com as novas tendências?

É mesmo assim. Toco esses instrumentos, o simbi, bënsuni, tonkorongh , e toco a minha música actual, uma música que eu incarno agora, neste momento, como alguém que vive no tempo presente. Eu sinto-me confortável sendo o que sou no momento presente. Isso não me impede de recuar no tempo e interpretar músicas tradicionais – música antiga da Guiné ou da África Ocidental de compositores clássicos, antigos mesmo. Mas as minhas composições refletem tudo o que eu adquiri até aqui, até hoje. Evidentemente quem ouve vai ouvir música de um músico africano da Guiné, mas vai notar que esse músico talvez tenha vivido uma experiência um pouco mais ampla do que simplesmente um músico que toca música tradicional da Guiné e instrumentos tradicionais com aquela linguagem estritamente tradicional.

Falou-me dos instrumentos tradicionais, vemos aqui o simbi, o bënsuni e o tonkorongh. Que instrumentos são estes?

Esse simbi que está aí é um simbi do povo balanta – porque há vários simbis. É um instrumento grande que só se pode tocar sentado e é para acompanhar a voz, para acompanhar a dança, para acompanhar histórias. É o meu instrumento, para mim é o instrumento de cordas com o qual me conecto mais para acompanhar a minha voz. São instrumentos antigos, muito antigos. Aqui na Europa quando falam de música antiga pensam no Barroco. Nós, quando falamos de música antiga, pensamos no Egipto antigo, ou seja, estamos a falar cinco mil anos, seis, sete, dez…porque esses instrumentos estão gravados nas pedras de Gizé e de Assuã e todos os lugares onde o nosso povo viveu e construiu civilizações antigas.

São instrumentos que contam muitas histórias. E que histórias é que você conta nas suas músicas? São histórias poéticas, são histórias de vida, são histórias políticas, são reivindicações?

Hؘá tudo isso e mais. Há histórias do dia-a-dia, comuns, como uma mulher casada, uma dona de família, uma matriarca que a certa altura da sua vida tem um amante e fala dessa vivência. Histórias também de alguém que se procura fora de si até uma certa altura dar-se conta que fora não encontra o que realmente está à procura e tem que voltar a olhar para dentro e buscar dentro de si porque é o caminho mais perto, afinal, para se encontrar. Todas essas histórias acontecem nas minhas músicas. Evidentemente que também tem histórias de amor e observações de beleza do que existe. Há questões existenciais também, postas na primeira pessoa, mas também um convite à reflexão conjunta. Há muitas questões, há muitas histórias contadas no que eu canto.

Editou vários discos, o INÊN será talvez o mais guineense dos seus discos?

Exactamente. Eu voltei à Guiné [para o fazer] e foi o meu décimo disco - INÊN quer dizer dez, mas também quer dizer mãos porque era uma reflexão também sobre o poder transformador das mãos. Tudo o que concebemos, as mãos acabam por materializar e executar. Foi o meu primeiro disco apresentado na Guiné. Primeiro fiz uma apresentação oficial do INÊN na Guiné-Bissau e depois no resto do mundo.

 

Há outro disco que nos faz viajar muito até à Guiné-Bissau, o Nô Tchon…

É muito guineense esse disco, mesmo tendo músicos de jazz à volta, o grande contrabaixista Javier Colina e o flautista Juan Carlos Aracil. É um disco muito guineense, muito, muito mesmo na sua essência. É o mais recente publicado, mas tenho agora vários discos acabados mas ainda não publicados.

Então, o que vamos ter em breve?

Tenho uma trilogia, um disco em três volumes gravado em Dezembro de 2019 em São Paulo. Tenho um outro disco gravado com o Mauricio Caruso, um guitarrista de São Paulo que mora em Santiago de Compostela e tenho dois discos meus a solo que também estão prontos. Tenho ainda um outro disco de música electrónica, com o DJ Panko que está pronto. Estou com cinco discos nas mãos por lançar.

Um disco electrónico vai então aliar um ritmo altamente contemporâneo a um ritmo altamente ancestral, um pouco como os Tinariwen. Como é que fez essa aliança?

É uma aliança fácil de fazer. O electrónico tem todo esse leque de sons que, a priori, parecem estranhos, mas todos esses sons já existem na natureza e há muitos instrumentos que fazem esses sons, só que quando é expressado de forma sintética parece novo. É um casamento muito interessante, esse casamento entre voz humana com sons electrónicos. Eu e o DJ Panko entrámos nessa viagem e estamos nela já há muitos anos, só agora é que decidimos tirar um disco.  

Na sua música, temos as cordas dos instrumentos tradicionais, temos a sua poesia, temos a sua voz, temos uma componente muito melódica. Como é que o Mû Mbana descreve a sua música?

Eu não sou a pessoa indicada para descrever a minha música. Eu faço a música, eu vivo a minha música, mas muito poucas vezes oiço a minha música. Eu oiço a minha música só quando estiver metido numa produção e a trabalhar numa produção. Depois disso, fico tão exausto e cansado que já não consigo nem ouvir. Preciso de uma distância de mais de dez anos para ouvir a minha música e ficar tranquilo, sem a julgar, e só a ouvir como um ouvinte, como quem ouve a música para viajar com ela. Mas estou consciente que tento sempre estar presente, não consigo tocar uma música só porque ela soa bem e as pessoas gostam. Se eu nesse momento não estiver a sentir essa vibração que essa música transmite, não toco. Tenho que viver aquilo, aquilo tem que fazer vibrar as minhas células todas, senão não a consigo incarnar. Se eu não estiver pronto para chorar uma música ou rir uma música, não a posso cantar só porque é bonita ou porque as pessoas gostam ou porque teve êxito.

A sua música, como disse, está muito ancorada aos sentimentos, às sensações, mas também está muito agarrada à terra. Ela comporta alguma mensagem política também?

Comporta muitas vezes.

Neste momento, a Guiné-Bissau está a viver novamente uma situação muito delicada. Está preocupado?

Evidentemente que estou preocupado. Eu cheguei há nove dias da Guiné-Bissau. Quando houve isso, eu estava lá, estava no meio da cidade a circular. Estou preocupado evidentemente. O problema político da Guiné e o que se deu lá agora há uma semana é só um reflexo da grande crise que a Humanidade vive actualmente – quando falo actualmente, temos de recuar bastante até aqui, não é actualmente hoje neste ano de 2022, falo de há 50 anos para trás, como observador da história, falo de tudo isso. Andamos numa crise profunda, existencial, a humanidade inteira. Todos os Presidentes da República que temos actualmente, com excepção de um ou dois, são empregados de multinacionais que estão a cumprir serviço e são marionetas. Portanto, a crise pela qual passa a humanidade actualmente é algo de muito mais profundo. O golpe na Guiné é uma coisa muito superficial e não pode ser visto como a parte mais grave do problema guineense, o problema guineense é uma coisa muito mais profunda.

O que significa para si apresentar o seu trabalho em Paris?

É a primeira vez que venho a Paris tocar e defender um projecto meu. Já estive duas vezes anteriores que vim para uma gravação de um disco do Silvano Miquelino que é um produtor brasileiro e percussionista e outra vez vim para a homenagem do Rémy Kolpa Kopoul, da Radio Nova, no Cabaret Sauvage, éramos muitos artistas. Esta é a terceira vez e é a vez em que venho realmente mostrar o meu trabalho à cidade de Paris, ao público francês e habitantes de Paris e é muito importante para mim. Aliás, é de extrema importância para mim porque eu estou consciente que Paris é a meca para a música africana em geral, para a arte africana em geral e para a arte em geral.

Participa no Théâtre du Châtelet no evento chamado “Mosaïque de Voix Lusophones”. Em França, quando se fala em lusofonia, muita gente franze o sobrolho porque não conhecem a palavra. Para si é importante alargar a Temporada Portugal-França à lusofonia?

Eu acho muito importante até porque a língua oficial da Guiné é o português, em Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Brasil também. E nós que herdámos o português ainda trabalhamos com a língua portuguesa, temos uma relação com a língua portuguesa que não se pode negar mesmo não sendo portugueses. Eu próprio às vezes levanto-me e escrevo em português, mesmo não sendo a minha língua principal com a que penso e sonho e murmuro dentro de mim.

Mas faço muita coisa em português, trabalhei muito para a língua portuguesa. Fiz um disco inteiro que se chama Casa Lua que é uma homenagem a uma poetisa alentejana que mora em Lisboa que é a Ana Patrício e esse disco ainda permanece oculto para o público português. Fazemos muito pelo desenvolvimento da língua portuguesa e pela expansão da língua portuguesa. Somos parte dessa expansão porque o português foi até à Guiné e devido a isso nós entrámos nesse universo lusófono. Então é importante que os eventos culturais que tenham a ver com a lusofonia nos tenham em conta, mesmo que depois nesses eventos nós não façamos nada em português. Mas que não nos excluam porque ainda somos parte do universo lusófono. ANG/RFI

 

 

           Brasil/Cidade  de Petrópolis contabiliza 78 mortes devido à chuva

 Bissau, 17 Fev 22(ANG) – Petrópolis, uma cidade localizada na região serrana do estado brasileiro do Rio de Janeiro, registou pelo menos 78 mortes em razão das fortes chuvas que atingiram seu território desde a noite de terça-feira, informou hoje o governador, Cláudio Castro.

O balanço de mortos já aumentou várias vezes e ainda deverá ser actualizado já que o número de desaparecidos na localidade, de 300 mil habitantes, localizada 60 quilómetros da cidade do Rio de Janeiro, ainda não foi apurado pelo Corpo de Bombeiros.

Além disso, as autoridades confirmam que ao menos 21 pessoas foram resgatadas com vida.

Segundo a agência meteorológica MetSul, Petrópolis recebeu mais chuva em poucas horas na noite de terça-feira do que a média de um mês inteiro de Fevereiro.

Ao menos 54 casas foram destruídas pelas chuvas e 377 pessoas foram acolhidas em abrigos improvisados.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que tem acompanhado os trabalhos das equipas nos locais onde ocorreram desabamentos e cheias causados pela enxurrada que atingiu a cidade, disse que a situação que tem encontrado é “quase que de guerra”.

Castro esteve no Morro da Oficina, onde os desabamentos causaram várias vítimas.

Sobre o trabalho de resgate, o secretário do estado de Defesa Civil, Leandro Monteiro, afirmou que “há uma grande equipa concentrada no Morro da Oficina”, onde as autoridades acreditam que existe “o maior número de vítimas ainda soterradas”.

“Estamos com 400 militares mobilizados e actuando em 44 pontos atingidos pelo temporal. Montámos um hospital de campanha com 10 leitos [camas], onde as vítimas recebem o primeiro atendimento”, disse.

Para a cidade foram mobilizados 20 camiões, 20 retroescavadoras, 10 escavadeiras hidráulicas e 10 camiões-cisterna, além de veículos com medicamentos e ambulâncias.

A prefeitura de Petrópolis decretou “estado de calamidade” e luto de três dias.

De acordo com fontes oficiais, ocorreram pelo menos 189 deslizamentos de terras e 45 desabamentos ou quedas de muros e árvores foram notificados no distrito de Petrópolis.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram carros sendo arrastados pela correnteza e grandes deslizamentos numa área da cidade chamada Morro da Oficina.

Esta não é a primeira vez que a região montanhosa do Rio de Janeiro foi atingida por fortes tempestades. Em 2011 ocorreu a maior tragédia meteorológica alguma vez registada no Brasil, quando as tempestades provocaram mais de 900 mortos e uma centena de desaparecidos na região.

ANG/Inforpress/Lusa

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Dia do professor/ SINAPROF qualificou de “humilhante” o exercício da carreira do professor no país

Bissau, 16 Fev 22 (ANG) – O Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF), qualificou de “humilhante”, hoje em dia, o exerccio da carreira do professor na Guiné-Bissau.

Em nota à imprensa enviada hoje à ANG, por ocasião da celebração do Dia do Professor guineense que se assinala na quinta-feira, dia 17 de Fevereiro, o Sinaprof critica que a data ficou na história e que hoje em dia, o professor guineense é menosprezado e muitas das vezes humilhado no exercício da sua função, abnegado o gozo dos seus direitos pelos sucessivos governos  deste País.

Contudo, o SINAPROF diz na nota que está empenhado no preparativo do VI˚ Congresso Ordinário, previsto para dia 5 de Março do ano em curso e que ,por essa razão, dirige uma mensagem de encorajamento aos seus associados professores e professoras guineenses, espalhados em diferentes regiões, sectores e secções administrativas do País, no quadro da comemoração da data consagrada à classe docente.

Na nota, o sindicato refere que, contudo, a luta continua e continuará até que o professor guineense se sinta dignificado no desempenho da sua “delicada e nobre” missão que é ensinar e educar.

Acrescenta que,  para isso, é necessário que haja a unidade e solidariedade dentro da classe, a nível nacional, em torno das práticas e atividades levadas a cabo pela  organização sindical da classe.

De acordo com o comunicado, o dia 17 de Fevereiro é  uma data histórica e que remonta do ano 1964, relacionada com a história da luta pela Independência da Guiné-Bissau. ANG/MI/ÂC//SG


Tentativa de golpe de Estado
/ CEMGFA diz que o objectivo seria  “desestabilizar o país”

Bissau, 16 Fev 22 (ANG) – O chefe de Estado-maior General das Foças Armadas, Biague Na Ntan afirmou, terça-feira, que os implicados na tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro são as mesmas pessoas que, há pouco  tempo, haviam tentado levar a cabo um golpe militar.

“Prendemos-lhes e entregamos ao tribunal mas o tribunal mandou libertá-los, com alegações de que não houve tentativa.”, revelou à imprensa Na Ntan, que se  encontrava ausente, em tratamento médico no estrangeiro, na altura em que ocorreu a tentiva que resultou na  morte de oito pessoas entre militares, paramilitares e civis.

Acrescentou que a tese para a libertação do grupo ainda se baseou no facto de os implicados não terem morto o chefe de Estado-maior General das Forças armadas.

Segundo Biague Na Ntan, a tentativa de 01 de Fevereiro tinha como objectivo “desestabilizar” o país.

Um grupo de militares e para-militares atacou o Palácio do Governo no passado 01 de fevereiro, numa altura em que decorria um Conselho de Ministros com a participação do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

Passado cinco horas de tiroteios, segundo o chefe de Estado, a situação voltou ao controlo das forças da ordem.

Para melhor esclarecimento do ocorrido,  o Governo criou uma comissão interministerial que procede aos inquéritos visando a identificação  e responsabilização criminal dos autores morais e materiais da alegada tentativa de golpe de Estado, que segundo Umaro Sissoco Embaló contou com a participação do antigo chefe da Armada Guineense, José Américo Bubo Nachuto, julgado nos Estados Unidos de América por tráfico de drogas.

Para além de Bubo, outros dois nomes, igualmente julgados nos EUA por tráfico de drogas foram acusados de participação na intentona de Fevereiro, pelo Presidente Sissoco Embaló.

Internamente, e na sequência da alegada tentativa de golpe de Estado as forças militares levam a cabo buscas de armas nas residências de particulares, havendo informações de que já se registaram várias detenções de cívis e militares, em diferentes prisões de Bissau. ANG//SG

 

 

  Transportes terrestres/Sete entroncamentos de Bissau terão  novos semáforos

Bissau,16 Fev 22(ANG) – Sete entroncamentos da capital Bissau serão abrangidos com a colocação de novos semáforos, projecto a ser edificado pela empresa Marfinense denominada ASK-Group.

De acordo com o Parecer Técnico da Direcção Geral de Viação e Transportes Terrestres à que a ANG teve acesso hoje, os  grandes entroncamentos que terão novos semáforos são  a Rotunda dos Combatentes da Liberdade da Pátria e do Bairro de Ajuda.

A nota refere ainda que, os Pequenos entroncamentos de Bissau a beneficiar do semáforos, são Antiga Cala-Boca, Quelelé, Nhonhô, Cruzamento de Háfia e de GSM-QG.

O referido Parecer Técnico indica que os semáforos que tinham sido instalados nos Grandes Entroncamentos de Bissau e que se encontram avariados, nomeadamente na Mãe de Água, Chapa de Bissau, Hotel Ledger, Guimetal e Aeroporto, serão recuperados.

O acordo para o efeito foi rubricado terça-feira pelo Governo, atravês do ministros dos Transportes e Comunicações e a empresa costa-marfinense ASK-Group. ANG/ÂC//SG