quinta-feira, 25 de maio de 2023


Legislativas antecipadas/
Governo solicita empréstimo de 662.200.000 francos CFA ao BAO para cumprimento de objetivos eleitorais

Bissau, 25 Mai 23 (ANG) – O Governo solicitou ao Banco da África Ocidental (BAO) um empréstimo de 662.200.000 francos CFA no sentido de puder cumprir com os objetivos eleitorais em tempo útil.

A informação consta numa carta dirigida ao Diretor-geral de BAO no passado dia 17 do mês corrente, à que a ANG teve acesso hoje.

A missiva  refere que a razão do pedido se deve à escassos dias para o pleito eleitoral,  que ainda se depara com insuficiência de recursos.

De acordo com a mesma carta, a falta de fundos para as eleições foi objeto de análise numa reunião entre elementos da Comissão Nacional de Eleições e o Governo, orgão responsável pela mobilização de fundos.

“Não obstante existirem compromissos assumidos pelos parceiros internacionais da Guiné-Bissau de apoiar financeiramente as eleições que se avizinham,  os procedimentos burrocráticos imprescindíveis para a libertação dos fundos prometidos não jogam a favor da CNE”, lê-se na carta.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Governo  assinaram em Março o Projeto de Apoio ao Ciclos Eleitorais, para o período  2023 e 2025, no valor de 5,3 milhões de euros, que prevê apoiar as legislativas de 04 de Junho e as presidenciais, que se devem realizar em 2025.

Mas, segundo o PNUD, a resposta dos parceiros ao projeto está a ser lenta e em 10 de Maio apresentava uma diferença de três milhões de dólares.

Portugal, que entregou na terça-feira material eleitoral à Guiné-Bissau, incluindo boletins de voto, no valor de 300 mil euros, anunciou um apoio extraordinário de 250 mil euros ao processo eleitoral no âmbito da cooperação multilateral.

O PNUD avançou com cerca de um milhão de dólares para a aquisição de cabines de votação, selos para as urnas e canetas marcadoras de tinta indelével.

O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, tinha já afirmado no início deste mês que estavam em curso diligências para suprir o défice orçamental para as legislativas.

As eleições legislativas da Guiné-Bissau estão orçadas em 7,9 mil milhões de francos CFA, segundo o ministro das Finanças guineense, Ilídio Té,  o Governo cobriu cerca de 70% daquele valor.

Duas coligações e 20 partidos políticos iniciaram em 13 de Maio a campanha eleitoral para as sétimas eleições legislativas de 04 de Junho, depois de o parlamento guineense ter sido dissolvido em 18 de Maio de 2022.

A campanha eleitoral na Guiné-Bissau vai decorrer até 02 de junho.ANG/DMG/ÂC//SG

 

Legislativas antecipadas/Populares de Nhinté pedem soluções imediatas para falta de água aos candidatos à deputado

Bissau, 25 Mai 23 (ANG) -  Os populares da povoação de Nhinté, setor de Bula, pediram soluções imediatas para a falta de água com que se deparam, aos candidatos à deputados do Partido de Renovação Social para circulo 19.

A preocupação dos populares de Nhinté foi manifestada pelo seu porta voz, Tony Ncanha durante uma passeata terça-feira, do PRS pela referida tabanca.

Ncanha recordou  que, em Outubro,  o Presidente em exercício do PRS, Fernando Dias prometeu, no decurso de uma visita à Nhinté, reabilitar a bomba de água escolar naquela localidade, promessa que  até o momento não foi cumprida.

"A preocupação maior que temos na tabanca é sobre a água, as nossas crianças saem com garrafas de água de casa para beberem na escola”, disse.

Tony Ncanha disse ainda que a população  local alimentam só de manga e "cacri", porque a campanha de castanha de caju não está a correr bem e as bolanhas estão todas abandonadas.

“Queremos recupera-las mas não temos nada e o arroz que nos deram no final de Outubro já foi consumido tudo”, disse.

"Não temos hospital, estradas e nem mãe da àgua, em todas as tabancas deste círculo não existe nenhuma mãe da àgua e nem bombas manuais e as crianças nas escolas não têm bombas e é triste ver crianças irem a escola com garrafas de águas na mochila”, disse Bissan Cabi, outro elemento da p
opulação.  ANG/MI/ÂC//SG    

   
Legislativas antecipadas
/Missão de longa duração da CEDEAO em Bissau

Bissau,25 Mai 23(ANG) - A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) enviou uma missão de observação eleitoral de longa duração para acompanhar as legislativas no país, que já está no terreno, noticiou  a Lusa citando um comunicado.

Em comunicado, divulgado na sua página oficial na Internet, a CEDEAO informa que a missão de observação eleitoral de longa duração, que chegou ao país na semana passada, vai acompanhar as "principais etapas do processo eleitoral em curso" para as legislativas de 04 de Junho.

A missão é chefiada por Serigne Mamadou Ka, chefe da Divisão de Assistência Eleitoral, e é composta por 15 especialistas eleitorais e "servirá como mecanismo de alerta precoce para a prevenção e gestão de qualquer conflito relacionado com o processo eleitoral".

"Durante a sua estada, os membros da missão vão manter sessões de trabalho com vários intervenientes no processo eleitoral, nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições, administração, organizações da sociedade civil, comunicação social, polícia nacional, bem como com candidatos e partidos políticos para promover o bom andamento de vários aspetos do processo", refere o comunicado.

A missão de observação eleitoral de longa duração vai permanecer no país até 08 de Junho.

A partir de 01 de Junho, segundo o comunicado, a missão será reforçada com uma outra de curto prazo composta por 60 observadores eleitorais, que estarão presentes em todo o território nacional.

Duas coligações e 20 partidos políticos iniciaram em 13 de maio a campanha eleitoral para as sétimas eleições legislativas de 04 de junho da Guiné-Bissau, depois de o parlamento guineense ter sido dissolvido a 18 de maio de 2022.

A campanha eleitoral na Guiné-Bissau vai decorrer até 02 de Junho.

A Guiné-Bissau preside atualmente à CEDEAO, que integra também o lusófono Cabo Verde, além de Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Serra Leoa, Senegal e Togo.ANG/Lusa

 

Addis Abeba/União Africana reclama representação no G20 e no Conselho de Segurança da ONU

Bissau, 25 Mai 23 (ANG) - A União Africana (UA) reiterou hoje, coincidindo com a celebração do Dia da África, a sua exigência de que o continente tenha assentos permanentes no G20 (grupo de países industrializados e emergentes) e no Conselho de Segurança da ONU.

"Chegou o momento de permitir que a voz de África ressoe em todo o mundo", afirmou Azali Assoumani, chefe de Estado das Comores e presidente em exercício da UA em 2023, numa cerimónia na sede da organização, em Adis Abeba, para comemorar o Dia de África.

A este respeito, Assoumani afirmou que, durante o seu mandato à frente da organização pan-africana, tentará "convencer os homólogos do G20 da necessidade urgente de a União Africana se tornar membro de pleno direito desta instituição".

"Através desta presença permanente, a nossa organização, a União Africana, terá a oportunidade de dar a sua opinião sobre as grandes decisões económicas e financeiras que lhe dizem respeito", observou.

"É também nesta direção que reitero o apelo a reformas que permitam ao nosso continente dispor de um ou mesmo mais lugares permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas", reclamou o líder da UA.

Esta nova representação, acrescentou, serviria para "pôr fim à injustiça que sempre foi infligida” ao continente africano.

O presidente do Conselho de Segurança da União Africana (UA) falava num evento para assinalar o 60.º aniversário da sua antecessora, a Organização de Unidade Africana (OUA).

A OUA, que foi substituída pela União Africana em 2002, foi fundada em 25 de maio de 1963 na capital etíope, data em que se celebra todos os anos o Dia de África.

Na cerimónia, Azali Assoumani sublinhou que a OUA atingiu "dois grandes objetivos num contexto histórico particular, nomeadamente: a conclusão da descolonização de África e o fim do ‘apartheid’ na África do Sul".

Apesar destes "resultados positivos e apreciáveis", Assoumani admitiu que "continuam a existir algumas injustiças", mas apelou à prossecução das "ambições de unidade, paz e desenvolvimento".

Assoumani salientou também que África continua a enfrentar "desafios significativos".

"As transferências de poder inconstitucionais multiplicaram-se nos últimos anos. Os conflitos intra-africanos, mas também o terrorismo, persistem e, consequentemente, a paz, a segurança, a democracia e o desenvolvimento do nosso continente estão ameaçados em várias das nossas regiões", alertou.

Entre as realizações positivas, destacou a criação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), que pretende "tornar-se um dos maiores mercados mundiais nos próximos anos".

O primeiro-ministro da Etiópia (país que acolhe a sede da UA), Abiy Ahmed, participou no mesmo evento e sublinhou hoje que, 60 anos depois, "África é o segundo continente mais populoso" do mundo, com "uma população estimada em mais de 1,4 mil milhões de pessoas".

"Até 2050, espera-se que mais de metade do crescimento da população mundial ocorra no nosso continente. Prestar atenção a África significa prestar atenção a um continente que será o lar de uma em cada quatro pessoas até 2050. De facto, esta é uma oportunidade que temos de aproveitar", sublinhou Abiy.

Tal como em anos anteriores, o continente foi felicitado no Dia de África por personalidades internacionais, como o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

"O dinamismo de África é imparável e o seu potencial é impressionante. Neste Dia de África, exorto a comunidade internacional a apoiar o continente. Com cooperação e solidariedade, este pode ser o século de África", afirmou, na sua conta do Twitter.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, entre outros, também desejou aos africanos um "Feliz Dia de África".

"Este continente vibrante e o seu povo maravilhoso estão-me muito próximos. Partilhamos as mesmas ambições: construir juntos um espaço comum de paz, segurança, prosperidade e progresso. Este é o nosso dever comum para com as jovens gerações de África e da Europa", acrescentou Michel no Twitter.

ANG/Lusa

 

         Rússia/Chefe do grupo Wagner anuncia retirada de Bakhmout

Bissau, 25 Mai 23 (ANG) - O chefe do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigojine, anunciou esta na quinta-feira, 25 de Maio, que começou a retirar os combatentes de Bakhmout, cedendo posições para tropas regulares russas.

Numa mensagem vídeo difundida na rede social Telegram, Yevgeny Prigojine confirma que estão a retirar, “com muito cuidado”, os combatentes do grupo Wagner de Bakhmout, cedendo posições às tropas regulares russas.

O oligarca, que já tinha anunciada a decisão no domingo durante a tomada de de Bakhmut, após 10 meses de combates, referiu que os paramilitares vão ficar acantonados em "campos de treino em zonas da retaguarda".

Yevgeny Prigozhin reconheceu que o grupo Wagner perdeu na campanha ucraniana 10 mil reclusos que se encontravam no sistema prisional russo, homens contratados para combaterem em território ucraniano.

Esta operação ocorre numa altura em que o exército russo se encontra numa situação delicada em Bakhmout. De acordo com as tropas ucranianas, Moscovo terá perdido 20 quilómetros quadrados a norte e a sul da cidade.

Esta quinta-feira, a Presidência ucraniana disse  ter conseguido, através de um novo intercâmbio com a Rússia, a libertação de 106 prisioneiros de guerra. Andriy Yermak, chefe de gabinete de Volodimir Zelensky, descreveu os prisioneiros como “heróis nacionais”.

Segundo a inteligência militar ucraniana, estas trocas já permitiram que 2.430 ucranianos fossem colocados em liberdade, desde o início da invasão russa em Fevereiro de 2022, incluindo 139 civis. Contudo, a Rússia ainda não especificou o que conseguiu com a troca destes prisioneiros.ANG/RFI

 

Adis Abeba/MNE ucraniano insta África a abandonar neutralidade sobre guerra russa no país

Bissau, 25 Mai 23 (ANG) – O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, instou hoje os países africanos a abandonarem a sua posição de neutralidade em relação à guerra que a Rússia trava na Ucrânia.

Muitos Estados do continente africano recusaram-se a tomar partido no conflito em curso na Europa há exatamente 15 meses, tendo-se vários deles abstido em votações na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que condenavam a invasão russa da vizinha Ucrânia, a 24 de fevereiro do ano passado. A Etiópia foi um deles.

Falando hoje na capital etíope, Adis Abeba, Kuleba afirmou que a Ucrânia está “muito perturbada por alguns países africanos terem optado por abster-se” e exortou-os a dar ao seu país apoio diplomático “perante a agressão russa”.

“A neutralidade não é a resposta”, disse o chefe da diplomacia ucraniano à imprensa, acrescentando: “Ao serdes neutros em relação à agressão russa contra a Ucrânia, estais a projetar essa neutralidade sobre violações de fronteiras e crimes em massa que possam acontecer muito perto de vós”.

A Rússia mantém uma presença substancial em diversas zonas de África, onde o grupo de mercenários russo Wagner está ativo e efetuou recentemente manobras militares conjuntas com a África do Sul. Moscovo planeia realizar uma cimeira África-Rússia em julho.

Kuleba apelou também aos países africanos para apoiarem o “Plano de Paz de Dez Pontos” proposto em dezembro pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e sublinhou o desejo da Ucrânia de construir relações “mutuamente vantajosas” com África, assentes no comércio de energia, tecnologia e fármacos.

“Temos de nos recordar uns aos outros da importância de África para a Ucrânia e da Ucrânia para África”, sustentou, admitindo que a anterior atitude do seu país em relação àquele continente se caracterizava pela “inércia”.

Tanto a Ucrânia como a Rússia fornecem uma quantidade significativa de cereais a África.

Dmytro Kuleba está a fazer um périplo africano que também incluirá visitas a Marrocos e ao Ruanda.

Na Etiópia, reuniu-se com o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, o presidente da Comissão da União Africana, Mussa Faki Mahamat, e o Presidente da República das Comores, Azali Assumani, que atualmente preside àquela organização continental.

O MNE ucraniano realizou a sua primeira viagem a África em outubro do ano passado, quando visitou o Senegal, a Costa do Marfim, o Gana e o Quénia. Essa digressão foi encurtada devido a ataques russos a infraestruturas do seu país.

O seu homólogo russo, Serguei Lavrov, também tem trabalhado ativamente para fortalecer as relações com países africanos desde a eclosão da guerra na Ucrânia, tendo viajado pelo continente uma vez em 2022 e realizado pelo menos duas visitas este ano, até agora.

A ofensiva militar lançada em fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,7 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,2 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 455.º dia, 8.895 civis mortos e 15.117 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.ANG/Inforpress/Lusa

  Corno de África/ONU reúne 2,23 mil ME para ajuda a 32 milhões de pessoas

 Bissau, 25 Mai 23 (ANG) – Um evento de apoio à resposta humanitária no Corno de África reuniu 2,4 mil milhões de dólares ( 2,23 mil milhões de euros) para assistência a 32 milhões de pessoas, informou hoje a Organização das Nações Unidas (ONU).

Com o Corno de África a enfrentar os impactos combinados de uma seca histórica, conflitos e choques económicos, os doadores responderam a um apelo das Nações Unidas e prometeram entregar recursos adicionais com urgência, para evitar que o cenário piore ainda mais na Etiópia, Quénia e Somália.

Os fundos anunciados permitirão que as agências humanitárias sustentem canais de entrega de alimentos, água, cuidados de saúde, nutrição e serviços de protecção.

“Congratulamo-nos com os anúncios de apoio ao povo do Corno de África, que precisa do nosso compromisso contínuo para se recuperar de uma crise de proporções catastróficas”, disse a secretária-geral adjunta das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e vice-coordenadora de Ajuda de Emergência, Joyce Msuya.

“Devemos persistir em pressionar por investimentos intensificados, especialmente para reforçar a resiliência das pessoas que já sofrem o impacto das mudanças climáticas”, acrescentou Msuya, citada em comunicado.

Apesar das doações, o valor ainda está distante dos sete mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros) requeridos pela comunidade humanitária para dar resposta e proteção às pessoas afetadas por secas e conflitos na região em 2023.

O Corno de África é o centro de uma das piores emergências climáticas do mundo. Estima-se que 43.000 pessoas morreram no ano passado na Somália devido à seca, sendo que metade das quais eram crianças menores de 5 anos, de acordo com dados da ONU.

Além disso, milhões de pessoas continuam deslocados por causa da seca e conflitos.

O evento de hoje foi realizado no momento em que as chuvas começam a aliviar os impactos da seca, mas também acarretam novos riscos e desafios.

As inundações já causaram danos generalizados e afetaram pelo menos 900.000 pessoas, segundo as Nações Unidas.

Mais inundações são esperadas ainda este ano, em parte devido ao fenómeno ‘El Niño’, que poderá levar a mais deslocamentos, mortes e doenças.

 

O evento foi organizado pelos Governos de Itália, Qatar, Reino Unido e Estados Unidos da América, em colaboração com Etiópia, Quénia e Somália, e com o apoio da ONU. ANG/Inforpress/Lusa

 

                 Unidade Africana/Há 60 anos nascia a Organização

Bissau, 25 Mai 23 (ANG) - África celebra esta quinta-feira, 25 de Maio, os 60 anos da fundação da Organização da Unidade Africana, OUA.

 A 25 de Maio de 1963, 32 Chefes de Estados africanos independentes estiveram reunidos em Addis Abeba, na Etiópia, para traçar um caminho para a descolonização do continente.

A OUA, a Organização da Unidade Africana - ancestral da União Africana - nasceu em Adis Abeba, na Etiópia, há 60 anos. Nesse dia, 32 chefes de Estado e de governo estiveram reunidos e chegaram a um acordo sobre um projecto comum. Assinava-se, nessa noite de 25 para 26 de Maio, a carta da unidade africana.

Passados 60 anos, muito desafios continuam por superar lembra o presidente da Rede Pan-africana da Juventude, Romilson Silveira, "esafios como a fome, a miséria, a questão de segurança, os conflitos regionais. África precisa de ter um posicionamento próprio para se definir como um bloco que representa 54 países e que constitui uma força".

2023 foi designado pela União Africana como o ano da Área de Livre Comércio Continental Africana. Uma iniciativa que pode ajudar a retirar 50 milhões de pessoas da pobreza. A Área de Livre Comércio seria também o maior mercado mundial levando avanços para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e para a Agenda 2063, idealizada pela União Africana. "Há países que já estão a tirar proveito desta iniciativa, o Ruanda ou a Etiópia, de forma a que esta iniciativa se torne uma realidade", lembra o presidente da Rede Pan-africana da Juventude.

Segundo Romilson Silveira, "o cumprimento da agenda 2063 da União Africana está aquém do desejável", numa altura em que faltam ainda 40 anos para o seu cumprimento. 

Na cerimónia na sede da organização, em Adis Abeba, para comemorar o Dia de África, o chefe de Estado das Comores e presidente em exercício da União Africana (UA) em 2023, Azali Assoumani, afirmou que "chegou o momento de permitir que a voz de África ressoe em todo o mundo". Azali Assoumani lembrou, ainda, que a UA vai tentar "convencer os homólogos do G20 da necessidade urgente de a União Africana se tornar membro de pleno direito desta instituição".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se pronuncioue neste Dia da África, afirmando que a região tem um “dinamismo imparável” e que concentra uma “vibração pelo seu grande número de jovens com um potencial de tirar o fôlego”. ANG/RFI

 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Legislativas antecipadas/Candidato à deputado de PRS para circulo 19 promete solucionar problema de furo de água da tabanca de Nhinté antes de 4 de Junho

Bissau, 24 Mai 23 (ANG) -  O  candidato à deputado do Partido da Renovação Social(PRS),  para círculo 19, que compreende o sector de Bula e Bigene, prometeu solucionar o problema de furo de água da tabanca de Nhinté, antes de 4 de Junho, dia das eleições dos deputados.

Adulai Sow, falava terça-feira durante a passeata realizada na secção de Pet, na tabanca de Nhinté e Tchocumon, sector de Bula, região de Cacheu norte do país.

Disse que foi para  estas localidades para pedir votos a fim de salvar campanha de comercialização da castanha de caju e salvar a vida das pessoas,  para terem boa saúde, educação e uma vida melhor.

 "Obrigado pela forma como nos receberam, estamos aqui e ouvimos os vossos problemas. Estamos aqui precisamente para pedir os vossos votos para que possamos ter um bom ministro de Comércio que vai adoptar uma boa política para que possam escoar as vossas castanhas de caju e vendê-las a um bom preço”, disse.

Sow afirmou que igualmente querem  votos para que possam resolver problemas de escola e saúde.

O Presidente em Exercício do PRS, Fernando Dias disse que cada um dos  deputados canditados do partido para o círculo 19 já tinham contribuido para tabanca de Pet, antes de pedir votos.

Dias parafraseou o líder fundador do partido, Kumba Yalá,  “Quem   faz política activa a sua  barriga tem que ser pequena, porque se for grande vai esquecer os seus irmãos”.

Dias disse ter confiança nos populares da tanbanca de Nhinté e de arredores, porque acha que já se despertaram e viram  que a verdade sempre prevalece.” Quem quer governar não deve promover  a  divisão da população”, criticou.ANG/MI/ÂC//SG    

 

Legislativas antecipadas/Presidente da República pede as Forças de Segurança para assumirem suas responsabilidades de manutenção da Ordem durante o processo

Bissau, 24 Mai 23 (ANG) – O Chefe de Estado afirmou hoje que o sucesso ou não das eleições legislativas de 04 de Junho vai depender do trabalho feito pelas Forças de Ordem e  Segurança.

Sissoco Embalo fez esta afirmação após visitas efetuadas  hoje ao Ministério do Interior, a Guarda Nacional, aos Bombeiros e Serviços de Emigração e Fronteiras frisando que enquanto Forças de  Ordem e de manutenção de segurança, têm a responsabilidade mais acrescida em relação a outras instituições durante as eleições.

“Digo isso porque em toda  parte do mundo quem mantém a ordem pública não são os militares mas sim polícias. Por isso, equipar as Forças Policias foi uma das minhas prioridades depois de ter sido  eleito como Chefe de Estado, e usei a minha influência junto dos meus amigos Presidentes,  a realidade hoje estão à olho de todos, os meios que as Forças de Segurança dispõem”,disse.

Embaló exigiu mais responsabilidade as Forças de Ordem no exercício das suas funções e pediu para se  distanciarem dos políticos.

Garantiu que depois das legislativas de 04 de Junho vai usar a sua influência junto ao Governo eleito para que não haja  novo recrutamento naquela instituição sem primeiro se resolver a situação dos que lá estão sem vinculo salarial com o Estado.

O Chefe de Estado disse as Forças de Ordem e de Defesa  que os seus partidos é a Guiné-Bissau, frisando que, apesar de a lei os der o direito de voto não devem fazer política ativa. “O voto é livre e devem votar livremente em quem acharem melhor”, referiu .

“Os políticos levam os polícias e militares a cometerem asneiras uma vez que são os promotores práticos dos conflitos vividos no país, desde o conflito de 07 de Junho de 1998 até ao mais recente caso de 01 de Fevereiro de 2022”, salientou.

Disse que quem paga são eles com perdas de vida e prisões, sublinhando que os políticos instigadores andam a passear livremente nas ruas de Bissau, “Por isso as Forças de Ordem devem pensar melhor antes de entrarem em jogadas do políticos “, salientou.

Por seu turno, o vice primeiro-ministro e ministro do Interior disse que a presença do Chefe de Estado lhes encoraja e os dá mais força.

Soares Sambú  reiterou que têm a responsabilidade de assegurar não só a segurança interna do país mas também todo o processo eleitoral para que tudo corra num clima de paz e sucesso, para  que  cada cidadão da Guiné-Bissau possa expressar livremente os seus sentimentos de voto, para que  que no final as eleições possam ser consideradas de livres, justas e transparentes.

“Nesta perspectiva já estamos a desenvolver  acções junto de principais atores com a criação de um Comando Conjunto Operacional, de maneira a garantir a paz e tranquilidade dos cidadãos, ao nível nacional , e à todos os lideres de partidos políticos concorrentes as eleições, de forma a terem um tratamento igual, bem como o asseguramento dos seus comícios ”,disse Sambú.ANG/MSC/ÂC//SG

Diplomacia/Presidente da República lança 1ª pedra para a construção do novo edifício do Ministerio dos Negocios Estrangeiros

Bissau, 24 Mai 23 (ANG) – O Presidente da República (PR), efetuou hoje o lançamento da 1ª pedra para a construção de novo edifício do Ministerio dos Negócios Estrangeiros na Guiné-Bissau, sito na antiga instalação dos Serviços de Registos e ao lado dos Correios da Guiné-Bissau.

 Ao discursar no acto e perante o corpo diplomático acreditado no país, Umaro Sissoco Embaló disse que o lançamento da 1ª pedra para a construção do edifício que vai albergar o Ministério dos Negócios Estrangeiros é mais uma demonstração do esforço empreendido pelo atual regime, com vista a conferir a diplomacia guineense a importância e o destaque que merece.

“Hoje a Guiné-Bissau ocupa o lugar de respeito e de cribilidade no seio da Comunidade Internacional, graças as ações e dinâmicas empreendidas no plano regional, continental e internacional”, disse o PR.

Segundo o Chefe de Estado, o mundo acredita no país, e nesta base, a diplomacia guineense está decidida a  continuar a desempenhar um papel de relevo no Concerto das Nações, em prol da paz, da estabilidade da Sub-Região em África e no resto do mundo.

“Nos três últimos anos, temos conseguido dar a nossa diplomacia novos efeitos, e criar condições para a realização dos objetivos concretos de desenvolvimento, através de uma cooperação mutuamente benéfica, com países amigos, que têm manifestado as suas disponibilidades, em apoiar a Guiné-Bissau”, referiu Umaro Sissoco Embaló.

Disse  que está convicto de que com a construção do novo edifício dos Negócios Estrangeiros, os quadros do Ministério terão condições  adequadas para darem respostas à exigências que os novos desafios e tecnologias exigem.

De acordo com o PR, no dia 26 de corrente mês, será lançado a pedra de requalificação do aeroporto internacional “Osvaldo Vieira”, e as negociações com as companhias estrangeiras que pretendem operar em Bissau estão bem encaminhadas.

Para a ministra de Estado, dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, Suzy Carla Barbosa, o novo edifício, irá possibilitar, não só melhoria da qualidade dos serviços integrados no Ministério, mas também minimizar os custos recorrentes, e proporcionar uma melhor partilha de desenvolvimento dos seus serviços.

“Gostaria de salientar que o orçamento estipulado para a realização deste projeto situa-se em quatro milhões de dólares e será um edifício com 04 andares, bem equipado com materiais avançados em termos das novas tecnologias”, revelou Suzy Barbosa.

Acrescentou que os custos disponibilizados para a construção do novo Ministério dos Negócios Estrangeiros no país, não sairão do cofre de Estado da República da Guiné-Bissau.

 "Quero vos informar que o montante conseguido para a materialização do referido projeto resultou dos esforços  do Chefe de Estado, que o mobilizou junto de parceiros  internacionais”, disse a chefe da diplomacia guineense.

Segundo a ministra, se tudo correr como previsto, o novo edifício será inaugurado entre Março e Maio  2025. ANG/LLA/ÂC//SG



 

 

 


Legislativas antecipadas
/Presidente da República aconselha militares  para se  manterem equidistantes dos políticos

Bissau, 24 Mai 23 (ANG) – O Presidente da República aconselhou esta terça- feira aos militares a manterem-se equidistantes dos políticos durante o processo das eleições legislativas antecipadas de 04 de Junho.

Em declarações à imprensa, no final da visita  às instalações do Estado-maior General das Forças Armadas,em Bissau, Umaro Sissoco Embaló referiu que  as crises que o país registou até aqui envolveram sempre os militares, com implicações de políticos.

“O país avança  para mais um ciclo eleitoral, estou aqui para alertar ao Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas sobre a necessidade de preservar a paz e estabilidade e de  incumbi-lo a responsabilidade de trabalhar para que o processo decorra com normalidade”, afirmou o chefe de Estado guineense.

Disse que a única coisa que os militares podem fazer é participar no ato de votação como manda a Constituição da República e mais nada até a tomada de posse do novo governo.

Instado a falar sobre o seu alegado envolvimento na campanha, Umaro Sissoco Embalo disse que não anda com camisola de nenhum partido e que  em nenhum momento pediu voto a favor de uma determinada formação política.

 “A política não se faz com desordem e nem com bagunça, eu disse que a minha geração tem de constituir  nova geração de políticos, que terá  compromissos com o país, com responsabilidade de responder a justiça  quando é necessário, independentemente das funções que desempenha no momento”, advertiu.

O chefe de Estado pede aos  órgãos de Comunicação Social para exercerem com responsabilidades a missão de cobertura eleitoral e pede para não se difundir discursos “incendiários”, porque “o país precisa de paz”.

Diz que  o escrutínio do dia 04 de Junho será, como sempre, livre, justas, transparente e quem perder saberá respeitar a vontade da maioria. 

Por sua vez, o Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas prometeu assegurar  a tranquilidade necessária ao processo.

 “Queremos  paz para a Guiné-Bissau, por isso as Forças Armadas estão determinadas não só em garantir estabilidade, mas também em assegurar para que o processo eleitoral  possa decorrer num clima de tranquilidade”, afirmou Biaguê Na Ntan.

Sustentou que sem a paz não haverá qualquer tipo de desenvolvimento e que nenhum empresário estará interessado em  investir no país, razão pela qual estão ao lado do chefe de Estado para que haja paz e estabilidade no país. ANG/LPG/ÂC//SG

 

 

Legislativas antecipadas/PAI-Terra Ranka exige a PR que pare "de interferir na campanha eleitoral”

Bissau,24 Mai 23(ANG) - A coligação eleitoral Plataforma Aliança Inclusiva (PAI) -- Terra Ranka exigiu ao Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que pare "de interferir na campanha eleitoral" e cumprir a lei, em  carta aberta terça-feira enviada ao chefe de Estado.

Na carta, a coligação pede a Umaro Sissoco Embaló para "parar de interferir na campanha eleitoral, nomeadamente através de declarações de apoio a uns partidos, de convocação explícita dos guineenses a não votarem na PAI - Terra Ranka, ou de anúncios de intenção de não nomear fulano ou beltrano, caso o PAIGC, no quadro da sua coligação, ganhe as eleições".

A coligação PAI -- Terra Ranka, é liderada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que venceu as últimas legislativas, realizadas em 2019, mas que foi afastado do Governo.

Na semana passada, o chefe de Estado disse publicamente que não iria nomear primeiro-ministro Domingos Simões Pereira ou Geraldo Martins, presidente e vice-presidente do PAIGC, respetivamente, caso a coligação PAI -- Terra Ranka fosse vencedora das legislativas de 04 de junho.

O Presidente admitiu, contudo, uma coligação entre a PAI -- Terra Ranka e o Movimento Alternância Democrática (Madem-G15), apoiado pelo chefe de Estado, do qual é também um dos fundadores, e criado por um grupo de dissidentes do PAIGC.

"Além de configurar uma flagrante violação da lei, essas atitudes não são dignas de um Presidente da República e só vêm demonstrar que tem plena consciência do lado a que o pêndulo eleitoral está a dirigir-se", refere-se na carta, enviada também para a comunidade internacional, sociedade civil e imprensa.

A PAI -- Terra Ranka alerta o Presidente da República que a sua "interferência na campanha eleitoral", que decorre até 02 de junho, "não deixará de ter consequências", porque representa "uma afronta aos guineenses" e porque "nada poderá impedir que a vontade do povo se realize".

"A soberania reside no povo e não em qualquer outra entidade", salienta a coligação liderada pelo PAIGC.

A PAI -- Terra Ranka exige também que seja retirada do material de propaganda eleitoral dos partidos políticos candidatos às legislativas a imagem do Presidente guineense por violarem a lei eleitoral e "ordenar às forças de defesa e segurança para não se imiscuírem no processo eleitoral, fora da missão que lhes está consignada".

A coligação alerta também para a "ilegalidade de todos os atos de governação que não configurem a gestão de assuntos correntes do país, mormente a assinatura de acordos internacionais, sem a existência de um programa e orçamentos aprovados, e sem o aval dos órgãos de supervisão e controlo".

O chefe de Estado dissolveu o parlamento em maio de 2022 e formou um Governo de iniciativa presidencial.

A PAI -- Terra Ranka denunciou também os "atos de governação que se têm multiplicado com a simples intenção de enganar o povo com soluções milagrosas a questões que nunca mereceram a sua preocupação e para as quais não tem qualquer solução realista".

É pedido também ao chefe de Estado para se abster de "encontros de caráter político" por "configurar uma tentativa de adulteração do jogo democrático e de favorecimento de uns em detrimento de outros" e para adiar para o período pós eleitoral a receção de dignitários estrangeiros, para "evitar constrangimentos de ordem protocolar e de segurança".

Duas coligações e 20 partidos políticos iniciaram em 13 de maio a campanha eleitoral para as sétimas eleições legislativas de 04 de junho da Guiné-Bissau, depois de o parlamento guineense ter sido dissolvido em 18 de maio de 2022.

A campanha eleitoral vai decorrer até 02 de junho.ANG/Lusa

 


Ensino superior
/Reitor da Universidade Amílcar Cabral diz que Governo não apoia e a instituição não paga salários há cinco meses

Bissau, 24 Mai 23 (ANG) – O Reitor da Universidade Amílcar Cabral criticou terça-feira que o Governo não apoia a universidade pública do país, a Amilcar Cabral, e que a instituição não paga salários há cinco meses.

Inquenhe Na Tanda fez esta crítica  após um encontro com o Presidente da República, no qual as partes  debruçaram sobre a atual situação da única universidade pública do país.

Na Tanda declarou que estão a deparar-se com “extrema dificuldade” sobretudo no que tem a ver com o funcionamento das atividades, acrescentando que a referida Universidade é a única pública do país e o que governo não está dando apoio e que estão a funcionar apenas com fundos provenientes de pagamentos  das propinas dos estudantes.

“Nunca houve, portanto, interesse concreto, digamos assim da parte do governo. Por isso, apelamos ao Presidente da República para usar as suas influências para que esta situação possa ser ultrapassada e para que possamos retomar atividades académicas”,disse.

Umaro Sissoco Embaló, diz Inquenhe, prometeu encontrar juntamente com a Universidade uma solução rápida depois das eleições.

Na Tanda disse ainda que a Universidade tem nesse momento um orçamento zero, o que não lhes vai permitir fazer face a situação que  está a viver, que é o pagamento dos salários atrasados.

Por sua vez, Juviecson Nunes Correia, da Associação Académica da referida Universidade disse que a questão de Amílcar Cabral não tem a ver só com pagamento de salário, como também com condições higiénicas.

“A falta de condições higiénicas não é admissível numa instituição do ensino superior”, disse Nunes Correia. ANG/DMG/ÂC//SG

  

Rússia/Chefe do grupo Wagner admite fracasso da campanha militar russa na Ucrânia

Bissau, 24 Mai 23 (ANG) – O chefe do grupo paramilitar russo Wagner, Yevgeny Prigojin, admitiu hoje o fracasso da campanha militar da Rússia na Ucrânia, afirmando que nenhum dos objetivos foi atingido.

“A operação militar especial foi lançada com o objetivo de 'desnazificação', mas transformámos a Ucrânia numa nação conhecida em todo o mundo”, Prigojin na rede social Telegram, citado pela agência espanhola EFE.

O empresário, que tem estado ao comando dos mercenários do grupo Wagner na linha da frente, disse que a invasão russa fez dos ucranianos “os gregos e os romanos da época do florescimento”.

Prigojin é um aliado do Presidente Vladimir Putin, que ordenou a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, para “desmilitarizar e desnazificar” o país vizinho, entre outros objetivos.

Desde o início da guerra, Prigojin tem sido um duro crítico do estado-maior russo e do ministro da Defesa, Serguei Shoigu.

O chefe do grupo Wagner considerou que a Rússia também falhou o objetivo da desmilitarização da Ucrânia.

“Se antes do início da operação especial, eles [os ucranianos] tinham, digamos, 500 tanques, agora têm 5.000. Se na altura eram capazes de combater 20.000 soldados, agora têm 400.000”, afirmou.

“Acontece que estamos a militarizar a Ucrânia, e de que forma!”, criticou, numa alusão ao fornecimento de armamento por parte dos aliados ocidentais de Kiev como resultado da invasão.

Prigojin disse também que o grupo Wagner “é o melhor exército do mundo”.

“Para ser correto, devo dizer que o segundo melhor exército do mundo é o exército russo. Mas penso que os ucranianos têm um dos exércitos mais fortes”, afirmou.

Prigojin disse que os militares ucranianos conseguem usar com sucesso qualquer sistema de armas, seja soviético ou da NATO (sigla inglesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Também comparou a motivação dos soldados ucranianos à dos soviéticos durante a guerra contra a Alemanha nazi.

“Fazem tudo para atingir o objetivo supremo, tal como nós fizemos durante a Grande Guerra Patriótica”, disse.

A Grande Guerra Patriótica é a designação dada na Rússia ao período da Segunda Guerra Mundial entre o início da invasão da então União Soviética, em 1941, e a capitulação da Alemanha, em 1945.

Prigojin criticou igualmente os filhos da elite russa pela vida de luxo que exibem nas redes sociais, quando “as pessoas comuns veem os filhos serem-lhes devolvidos em caixões de zinco, feitos em pedaços”.

“E não devemos pensar que são centenas, agora são dezenas de milhares de familiares dos mortos. E serão certamente centenas de milhares”, acrescentou.

Prigojin advertiu que esta dualidade de critérios “pode acabar como em 1917, numa revolução”, referindo-se ao conflito de que resultou o fim da monarquia e a tomada do poder pelos bolcheviques liderados por Vladimir Lenine.

Além do fornecimento de armas, os aliados ocidentais de Kiev têm decretado pacotes de sanções contra a Rússia para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.

Desconhece-se o número de vítimas do conflito, que mergulhou a Europa naquela que é considerada como a pior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). ANG/Lusa