terça-feira, 27 de junho de 2023

      Guantanamo/Detidos  sujeitos a tratamento cruel, desumano e degradante

Bissau,  27 Jun 23 (ANG) – O tratamento dos últimos 30 detidos em Guantanamo é “cruel, desumano e degradante”, denunciou na segunda-feira uma perita da Organização das Nações Unidas (ONU), depois da primeira visita do género a esta prisão militar dos EUA.

Depois de duas décadas de solicitações infrutíferas de peritos independentes de direitos humanos da ONU, a relatora especial sobre os direitos humanos e a luta antiterrorista, Fionnuala Ní Aoláin, foi finalmente autorizada a efetuar esta visita em fevereiro.

O seu relatório, divulgado na segunda-feira, descreve, apesar de “melhorias importantes” do centro de detenção, “uma vigilância quase constante, extrações forçadas das celas, utilização excessiva de meios de contenção”, “carências estruturais em matéria de saúde, acesso desadequado às famílias” e “detenções arbitrárias caracterizadas pela continuação de violação do direito a um processo equitativo”.

Em conferência de imprensa, Fionnuala Ní Aoláin disse que “a totalidade de todas estas práticas e negligências (…) têm efeitos agravantes cumulativos sobre a dignidade, as liberdades e os direitos fundamentais de cada detido, o que equivale a tratamentos cruéis, desumanos e degradantes”.

Disse ainda que “o fecho deste estabelecimento continua a ser uma prioridade”, saudando a propósito “a abertura e a vontade dos EUA de dar o exemplo”, ao permitir a sua visita.

Os peritos independentes de direitos humanos da ONU procuram ter acesso a esta prisão militar, no sudeste de Cuba, desde a sua abertura em 2002, para averiguarem as condições dos detidos durante “a guerra ao terrorismo” conduzida pelos EUA, no seguimento dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Tornada uma espinha no pé de Washington, acusada de detenções ilegais, violações dos direitos humanos e tortura, a prisão chegou a ter 800 “prisioneiros de guerra”, na sua maior parte detidos apesar de provas frágeis da sua implicação.

Fionnuala Ní Aoláin também se pronunciou sobre o seguimento das vítimas do 11 de setembro, apontando que continuava a ser necessário para respeitar o seu “direito à reparação”.

No seu texto, realçou que a prática de tortura, em “sítios negros” (prisões clandestinas) e depois em Guantanamo, “representa o principal obstáculo para o direito das vítimas à justiça”. ANG/Lusa

 

             Rússia/Autoridades  retiram acusações contra grupo Wagner

Bissau,  27 Jun 23 (ANG) - As autoridades russas anunciaram hoje a retirada das acusações contra o grupo de combatentes a soldo da empresa Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, cuja rebelião se prolongou durante 24 horas no passado fim de semana.

"Ficou estabelecido" que os participantes no motim "puseram termo às ações que visavam diretamente a prática de um crime", afirmaram hoje os serviços de segurança russos (FSB), citados pelas agências noticiosas de Moscovo.

Nestas circunstâncias, "a decisão de retirar as acusações foi tomada a 27 de junho [hoje]", acrescentou o FSB.

No fim de semana, Yevgeny Prigozhin, que lidera o grupo Wagner, conduziu uma rebelião armada de 24 horas, com os mercenários a tomarem a cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, e a avançar até 200 quilómetros de Moscovo.

A rebelião terminou com um acordo mediado pelo Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, que, segundo o Kremlin, estabelece que Prigozhin fique exilado na Bielorrússia, em troca de imunidade para si e para os seus mercenários.

Yevgeny Prigozhin justificou na segunda-feira a “rebelião” do grupo com a necessidade de “salvar” a organização, rejeitando ter tentando um golpe de Estado e adiantando que 30 dos seus mercenários morreram em confrontos com militares russos.

Por seu lado, o Presidente russo, Vladimir Putin, num discurso transmitido na segunda-feira pela televisão russa, acusou os responsáveis pela rebelião de serem traidores e disse que as suas ações só beneficiaram a Ucrânia e os seus aliados.

ANG/Lusa

 
China/ Inaugurado maior complexo híbrido solar e hidroeléctrico do mundo

Bissau, 27 Jun 23 (ANG) -  A China inaugurou o maior complexo híbrido solar e hidroeléctrico do mundo, com capacidade de geração de um milhão de quilowatts, avançou esta segunda-feira à noite o portal de notícias chinês Yicai.

A central fotovoltaica de Kela, ligada no domingo, é a primeira fase do complexo híbrido Lianghekou, situado no curso do rio Yalong, na província central de Sichuan, que irá já fornecer electricidade à metrópole vizinha de Chongqing durante o pico de procura do verão.

A imprensa chinesa destacou que é também o projecto híbrido solar e hidroeléctrico situado à maior altitude do mundo, já que o ponto mais elevado se encontra a cerca de 4.600 metros acima do nível do mar. ANG/Angop


Paris
/Planeta perdeu em 2022 área de floresta tropical equivalente ao tamanho da Suíça

Bissau, 27 Jun 23 (ANG) – O planeta perdeu em 2022 uma área de floresta tropical virgem equivalente ao tamanho da Suíça ou da Holanda, ecossistemas destruídos sobretudo devido à agricultura e pecuária, segundo o World Resources Institute (WRI), com sede em Washington, EUA.

De acordo com uma análise do WRI, que teve por base dados recolhidos através de satélite, a perda é equivalente a um campo de futebol de árvores tropicais derrubadas ou queimadas a cada cinco segundos em 2022, representando mais 10% de área destruída do que em 2021.

O satélite Global Forest Watch (GFW) registou em 2022 a destruição de mais de 4,1 milhões de hectares de florestas primárias tropicais, cruciais para a biodiversidade e o armazenamento de carbono do planeta.

O país mais afetado é o Brasil, com uma área destruída que representa 43% das perdas globais, à frente da República Democrática do Congo (13%) e da Bolívia (9%).

No top 10 do ranking de 2022 estão também o Peru (3,9%), Colômbia (3,1%), Laos (2,3%), Camarões (1,9%), Papua Nova Guiné (1,8%) e Malásia (1,7%).

Na Indonésia, por outro lado, a destruição da floresta diminuiu pelo quinto ano consecutivo.

"Estamos a perder uma das nossas ferramentas mais eficazes para combater as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e apoiar a saúde e os meios de subsistência de milhões de pessoas", disse hoje a diretora do GFW, Mikaela Weisse, em conferência de imprensa.

A aceleração da destruição florestal continua, apesar dos compromissos assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) em Glasgow, Escócia, em 2021 pelos principais líderes mundiais. ANG/Lusa

 

segunda-feira, 26 de junho de 2023


Pescas
/Presidente de sindicato de base dos trabalhadores do Ministério exige  aplicação da lei  no processo de admissão de funcionários

Bissau, 26 Jun 23 (ANG) - O Presidente de sindicato de base dos trabalhadores do Ministério das Pescas disse que vão continuar a exigir a legalidade no processo de admissão dos fincionários naquela instituição.

Vista do  Ministério das Pescas

Paulo da Silva que falava em entrevista exclusiva à ANG sobre a alegada admissão de mais de 60 funcionários naquela instituição sem obdecer os critérios exigidos pela lei, disse que as exigências vão continuar com a atual administração assim como com o futuro executivo.

Sublinhou que esta situação que denunciaram deve ter uma resposta para se acabar, de uma vez por todas,  com colocação ilegal de pessoas na administração pública.

"A denuncia que fiz em conferência de imprensa na sexta-feira é verdade, porque neste momento no Ministério das Pescas estamos a assistir admissão e contratação de mais de 60 pessoas inclusive das pessoas que entraram há menos de uma semana e que os seus salários já são processados e pagos com subsídios”, disse.

Acrescenta que devido a esta situação, o sindicato e os  responsáveis do Ministério das Pescas fizeram um trabalho sobre o número de pessoal que existe na instituição  e constatou-se que situa-se em mais de 800 pessoas.

Referiu que quando fizeram o levantamento e recenseamento sobre despesas do Ministério relativo ao pagamento de subsídio e mais outras ragalias para funcionários do Ministério, foi apurado que se gasta mensalmente  mais de 100 milhões de francos CFA, mas que após o recenseamento esse montante ficou reduzido a  82 milhões de fcfa.

Paulo Silva sublhinha  que o sindicato, enquanto defensor dos trabalhadores e preocupado com situação dos funcionários que recebem um salário precário, entende que é necessário pedir que haja um aumento de subsídio, que possa possibilitar uma melhoria nas condições de vida dos trabalhaores do ministério.

 “A administração do Ministério entendeu que não tinham condições financeiras para fazer o aumento de subsídio, não obstante as poupanças geradas com a redução do pessoal, na sequência do  recenseamento dos trabalhadores”, disse Silva ANG/MI/ÂC//SG

 


Comunicação Social
/“Redes sociais têm grandes efeitos no comportamento dos cidadãos guineenses”,diz Humberto Monteiro

Bissau, 26 Jun 23(ANG) – O Conselheiro do ministro da Comunicação Social, Humberto Monteiro, disse que as redes sociais têm grandes efeitos no  comportamento de cidadãos guineenses.

Humberto Monteiro que falava na cerimônia de abertura do Lançamento  do projeto de Avaliação da Panorama dos media e de Workshop de formação sob o tema (A Lei de acesso à informação na Guiné-Bissau),em representação do ministro da área, Fernando Mendonça lembrou que durante a disputa das eleições legislativas todos acompanharam a forma como as redes sociais intervieram.

 “A Guiné-Bissau é um país de rumores e muitas das vezes elas são usados de forma perniciosa para provocar instabilidade, desordem e paz social”, frisou. 

Monteiro disse  que os promotores do workshop vão apoiar os média e  seus  profissionais que trabalham  dia-à-dia, e que têm um papel indispensável na  manutenção da paz e tranquilidade no país.

Lamentou  a não participação da sua instituição  na elaboração deese prejeto, apesar de terem quadros e peritos no domínio da comunicação social que podiam dar  contribuições valiosas para elaboração do índice do Desenvolvimento dos Média na Guiné-Bissau(IDM).

Referiu  que as leis existentes nesta área carecem de atualização desde 2011, pelo que devem ser  atualizadas para poderem se  enquadrar no atual panorama democrático que agora se desenha.

O representante do ministro da Comunicação Social guineense solicitou ao Fundo das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura(UNESCO) para ajudar a comunicação social a trabalhar na regularização da implicação das  redes sociais na vida dos cidadãos, porque não são controladas e não existe legislação que as regulamente.

Por sua vez, em nome do  Director Regional da Comunicação e Informação para África Ocidental da UNESCO,  o Conselheiro  Regional de Comunicação e Informação, Michel Knmoe disse que o projeto visa apoiar o desenvolvimento do sector porque  desempenha um papel “extremante importante” no reforço da democracia,  boa governação e do Estado de Direito.

Kenmoe acrescentou que, para melhor acompanhar os representantes dos Média, há necessidade de fazer um estudo  para compreender  o engajamento dos media  na Guiné-Bissau e diz ser o que vão apresentar durante a formação, com a finalidade de encorajar mais os profissionais neste processo.

Disse esperar que a conclusão desse estudo seja  uma cartografia e imagem  real da Guiné-Bissau, e que o relatório contenha  recomendações pertinentes que trarão mais vália para o setor.

O Workshop tem como objetivo reforçar o desenvolvimento, a liberdade e a sustentabilidade dos meios de comunicação social no país através da realização de uma avaliação profunda do panorama dos media, utilizando os indicadores do desenvolvimento dos media da UNESCO , e assim apoiar o processo de reformas da comunicação social que está em curso  na Guiné-Bissau.

A formação é ministrada pela UNESCO, FNUAP, PNUD  e financiada pela Fundo das Nações Unidas para Paz, devendo abranger 25 beneficiários  entre os profissionais da comunicação social, sinditcatos, associações, Conselho Nacional  da Comunicação Social e a Sociedede Civil. ANG/JD/ÂC//SG

 

            Desporto/Canchungo vence Bissorã e está mais perto do título

Bissau,26 jun 23(ANG) - Os Lobos de Canchungo viajaram no domingo, (25.06), até à região de Oio, onde venceram o aflito Atlético Clube de Bissorã por 0-3, no cumprimento da 28ª jornada do Campeonato Nacional da primeira divisão (Guines -Liga), disputado no Estádio Municipal de Bissorã

.

Foi uma partida com uma primeira parte bem disputada, mas Bissorã esteve um pouco melhor, apesar de ter sofrido golo logo aos 12 minutos, apontado pelo inevitável Baguera, avançado dos Lobos de Canchungo, e o  resultado de 0-1 prevaleceu até ao final dos 45 minutos.

A segunda parte começou com a expulsão do jogador do Atlético Clube de Bissorã, o recém-entrado Rui Djata, uma decisão do árbitro que gerou protestos nas bancadas do Municipal de Bissorã e da equipa técnica.

Contudo, Erasma (vulgo Pogba), apareceu no minuto 80 para aumentar a vantagem dos Lobos para dois a zero, antes do Maudo fixar a contagem final em três a zero, já nos descontos, aos 90+2′.

Com este resultado, o Futebol Clube de Canchungo soma 56 pontos na tabela classificativa e está a um passo de se sagrar campeão nacional, numa altura em que restam apenas duas jornadas para o fim do campeonato.

O Atlético Clube de Bissorã mantém-se como lanterna vermelha, com apenas 24 pontos.

Concluída a 28ª jornada eis a tabela classificativa:

1

FC Canchungo - 56 pontos

 

2

SB BENFICA - 52 pontos

 

3

UDIB - 47 ptos

 

4

CDR GABÚ – 45 pontos

 

5

SPORTING CGB - 42

 

6

PORTOS DE BISSAU - 40

 

7

FLAM. DE PEFINE -40

 

8

FC CUNTUM - 39

 

9

FC SONACO -37

 

10

FC PELUNDO -37

 

11

BAL. DE MANSÔA -33

 

12

SC BAFATÁ - 32

 

13

TF SÃO DOMINGOS-31

 

14

BINAR FC - 30

 

15

MASSAF CACINE - 24

 

16

AC BISSORÃ - 24

 

ANG/O Golo GB

 

Desporto/Futebolista hispano-guineense deseja sucesso mundial ao futebol da Guiné-Bissau

Bissau,26 Jun 23(ANG)- O futebolista hispano-guineense Alejandro Baldé felicitou fim-de-semana a Guiné-Bissau pela sua  participação, quarta vez consecutiva, no Campeonato Africano das Nações  (CAN-2023) e desejou que o sucesso do país no mundo de futebol seja cada vez mais notável, tanto a nível nacional assim como internacional.

Alejandro Baldé manifestou seu desejo à saída do encontro hoje com o Presidente da República, no âmbito da sua visita ao país desde dia 20 do corrente mês com a finalidade  de conhecer a sua origem uma vez que o seu pai é guineense.

“No que diz respeito a evolução de futebol guineense, no meu ponto de vista, é importante que a selecção nacional  conta com a presença de mais jogadores guineenses que estão a jogar no estrangeiro, de modo a poder alcançar mais benefícios”, sugeriu aquele futebolista hispano-guineense .

Por outro lado, Baldé não escondeu a sua satisfação pela forma como foi recebido pelos familiares, pelo povo guineense em geral e o próprio Presidente da República. Tendo prometido que levará consigo a humildade do povo da Guiné-Bissau e orgulho que depositaram na sua pessoa enquanto filho desta nação.

Perguntado se tem algum projecto para futebol da Guiné-Bissau, Baldé disse que esta é a sua primeira vez no país e que em conjunto com os familiares verão a possibilidade de fazer algo.

Admitiu entretanto a possibilidade de  vir a criar  uma Academia de Futebol para as crianças da Guiné-Bissau e e diz que  seu plano para país com certeza será de suma importância.

O lateral esquerdo hispano-guineense Alejandro Baldé, jogador do Barcelona e da selecção espanhola, está de visita a Guiné-Bissau desde passado dia 20 de Junho em curso acompanhado do seu pai Saliu Baldé, da sua mãe Glaides Martinez, do seu irmão mais velho e de um cameraman.

A sua visita terá a duração de uma semana, durante a qual manteve contactos com a Federação Nacional de Futebol da Guiné-Bissau e  entidades estatais. Também já viajou para Gabú e  Sonaco -  terra natal do seu pai, ambas situadas no Leste da Guiné-Bissau.ANG/AALS/ÂC//SG

Novo Pacto Financeiro Global /"Está a exigir-se a Àfrica uma transformação supersónica", diz sociólogo Miguel de Barros

Bissau, 26 Jun 23 (ANG) - A Cimeira para a constituição de um Novo Pacto Global acaba hoje em Paris, com o Presidente Emmanuel Macron a anunciar 200 mil milhões de investimento para a transição energética nos próximos anos para os países em desenvolvimento, mas Miguel de Barros alerta que o que é preciso é "reconfigurar toda a estratégia do financiamento público" para servir África.

A proposta deste encontro que juntou em Paris cerca de 40 chefes de estado e de Governo era de criar um roteiro para canalizar financiamento para o desenvolvimento sustentável nos países mais vulneráveis, repensar as instituições financeiras existentes, e, sobretudo, encontrar uma solução para a dívida externa dos países africanos e dos países da América Latina que os impedem de cobrir custos importantes como educação ou saúde.

Em entrevista à RFI, Miguel de Barros, sociólogo e director executivo da organização não-governamental Tiniguena, que luta pela proteção da biodiversidade na Guiné Bissau, disse em entrevista à RFI que os modelos económicos sobre os quais se está a discutir em Paris não servem o sul global e que é preciso procurar soluções africanas para África.

"A ideia de construção do desenvolvimento foi sobretudo baseada numa premissa colonial, da sub-categorização de contextos e países, remetendo-os para um modelo extractivista de produção e de consumo que colocou estes países como bases de produção de matérias-primas com base à sua exportação para o Norte global, para depois esses produtos voltarem como produtos acabados, onde a mais valia fica na transformação. Esta ideia permitiu que a especulação tenha sido favorecida, mas ao mesmo tempo, essa lógica criou um fosso entre a capacidade de enriquecimento do Norte e do Sul, ficando o Sul global com o lixo e destruição do ecossistema", indicou o sociólogo.

Esta transição não é, segundo Miguel de Barros, justa para África, já que perpetua a dependência faze aos páises do Norte.

"Está-se a exigir a África uma transformação supersónica e faltam todas as etapas da transformação e capacidade de produção, económica, geração de emprego, financiamento de forma soberana das suas económicas para uma base de importação tecnológica a partir do Norte, mantendo esse mesmo nível de dependência, o que é injusto", 

A Cimeira em Paris começou a pensar a reforma de organizações financeiras como o Banco Mundial ou o FMI, duas instituições que, segundo Miguel de Barros, estão desajustadas da realidade africana.

"A questão da disciplina financeira a partir do FMI e do Banco Mundial tem levado a uma destruição da capacidade económica, a uma proliferação de políticas que são completamente desajustadas da realidade social, económica e ambiental e isso tem levado a conflitos, migrações e destruição do património cultural", concluiu Miguel de Barros.ANG/RFI

 

França/”Dívida africana é ridícula" quando comparada com países do Norte”, diz Carlos Lopes

Bissau, 26 Jun 23 (ANG) - No rescaldo da Cimeira para um Novo Pacto Financeiro Global, que decorreu em Paris, um dos temas mais debatidos foram as dívidas soberanas dos países mais vulneráveis, com Carlos Lopes, economista guineense, que esteve na capital francesa para seguir e aconselhar este encontro de líderes mundiais, a afirmar que as dívidas africanas "são ridículas", já que são apenas uma fracção das dívidas do Norte, mas que estes países têm mesmo assim dificuldades em financiarem-se nos mercados financeiros. 

 

Mais de 40 líderes mundiais estiveram em Paris no fim desta semana para encontrar novas soluções para o finaciamento das economias em desenvolvimento, com alguns resultados importantes como a dotação de 100 mil milhões de dólares para um fundo verde e a doação dos direitos de saque do FMI dos países mais ricos para os países mais pobres. Um dos temas discutidos foi a dívida soberana dos países africanos que pesa nos orçamentos destes Estados, embora a nível global, pese muito menos do que as dívidas dos países do Norte.

"Em todos os sentidos, a dívida africana é ridícula. Se tivermos em conta o que diz o banco responsável pela regulação mundial no sistema bancário, o Bank of International Settlements, há um fosso criado pela dívida soberana de 800 biliões de dólares onde os 800 mil milhões de África não são nada. E, depois para complicar as coisas, podemos olhar para a dívida em relação ao PIB e o rácio da África é muito baixo, é de 60%, a média dos países ricos é de 120%, portanto nós não somos os responsáveis principais pela dívida", explicou o economista Carlos Lopes.

Carlos Lopes esteve em Paris para acompanhar esta cimeira, tendo integrado também o grupo de 12 economistas que fizeram diversas propostas de estímulo da economia global de forma a financiar os países mais vulneráveis, que têm, ,tais dificuldades em apostar no desenvolvimento sustentável.Com o aquecimento global, o esconomisa defende que África está a passar um preço mais elevado do que a sua contribuição.

"Se seguirmos os relatórios científicos e compararmos com os montantes e atitudes dos diferentes países para poder dar satisfação à exigência de conter o clima e as mudanças climáticas em várias frentes, nomeadamente da temperatura, de 1,5 graus até 2050 não estamos nem perto dessa trajectória. A ideia é saber quem são os responsáveis. Os países africanos emitem cerca de de 3% das emissões totais e quando vemos a contribuição do continente para a captura do carbono, nós somos contribuintes da solução, não somos parte do problema e devíamos ser compensados por isso", defendeu.

Neste fórum, Carlos Lopes garantiu que as vozes dos países africanos e da América Latina se fizeram ouvir.

"Durante esta cimeira tivemos vozes estridentes a dizer basta, não queremos mais esta discussão. Tivemos o Presidente Lula, o Presidente Rutto do Quénia, o Presidente Ramaphosa da África do Sul, tivemos uma série de protagonistas africanos todos em sintonia, com a primeira-ministra dos Barbados, e, portanto, há grandes chances de este ano podermos chegar a alguns resultados importantes", declarou. ANG/RFI

 

Rússia/Procuradoria  diz que processo contra Prigozhin não foi encerrado

Bissau,  26 Jun 23 (ANG) - O líder do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigozhin, c
ontinua a ser objeto de investigação criminal por rebelião, apesar de o Kremlin ter anunciado um acordo para retirar as acusações, informaram hoje as agências noticiosas russas.

"O processo não foi encerrado, a investigação continua", disse hoje uma fonte da Procuradoria-Geral da Rússia, citada pelas três principais agências noticiosas russas.

O Kremlin declarou no sábado à noite que Prigozhin, que está a ser investigado por "apelar a um motim armado", podia partir para a Bielorrússia sem ser processado, depois de terminada a rebelião militar que se prolongou durante 24 horas.

 ANG/Lusa

 Luxemburgo/MNE acusa Putin de estar a semear ventos e a colher tempestades

Bissa, 26 Jun 23 (ANG) – O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, defendeu hoje que o Presidente russo, Vladimir Putin, “tem estado a semear ventos” e, por isso, irá “colher tempestades”, como as movimentações da rebelião na Rússia contra o comando militar.

“Em relação aos mais recentes acontecimentos na Rússia, aquilo que sabemos é que quem semeia ventos, colhe tempestades e o Presidente Putin tem estado a semear ventos”, disse o chefe da diplomacia portuguesa.

Falando aos jornalistas portugueses à entrada para a reunião com os seus homólogos da UE, João Gomes Cravinho acrescentou que Putin “fê-lo ao promover um exército privado, mercenário, que se revelou capaz de desafiar as próprias forças armadas russas”, e “fê-lo também ao invadir, de forma ilegal, a Ucrânia”.

“O nosso objetivo é continuar a apoiar a Ucrânia, para que seja a Ucrânia a determinar os termos da paz, que é necessária”, vincou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

O chefe do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigozhin, suspendeu as movimentações da rebelião na Rússia contra o comando militar, menos de 24 horas depois de ter ocupado Rostov, cidade-chave no sul do país para guerra na Ucrânia.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, qualificou de rebelião a ação do grupo, afirmando tratar-se de uma “ameaça mortal” ao Estado russo e uma traição, garantindo que não vai deixar acontecer uma “guerra civil”.

Ao fim do dia de sábado, em que foi notícia o avanço de forças da Wagner até cerca de 200 quilómetros de Moscovo, Prigozhin anunciou ter negociado um acordo com o Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko.

Antes, o chefe do grupo paramilitar acusou o Exército russo de atacar acampamentos dos seus mercenários, causando “um número muito grande de vítimas”, acusações que expõem profundas tensões dentro das forças de Moscovo em relação à ofensiva na Ucrânia. ANG/Lusa

 

Camberra/Justiça australiana rejeita pedido para suspender despejo da embaixada da Rússia

Bissau, 26 Jun 23 (ANG) – O Supremo Tribunal da Austrália rejeitou hoje um pedido da Rússia para suspender o despejo, por motivos de "segurança nacional", de um terreno onde deveria ser construída a nova embaixada russa na capital australiana, Camberra.

Ao rejeitar o pedido, a juíza Jayne Jagot descreveu como “fraco” e “difícil de entender” o recurso da Rússia, que alegava que a lei aprovada pelo parlamento em Camberra violava a constituição australiana.

O local, localizado a apenas 100 metros do edifício parlamentar, arrendado pela Rússia desde 2008 e com uma licença de construção desde 2011, tem apenas um pequeno edifício cuja construção parece ter sido interrompida há algum tempo.

O advogado da Rússia, Elliot Hyde, argumentou que o embaixador Alexey Pavlovsky não teria confiança na integridade e segurança do edifício já existente se não tivesse permissão para manter a posse do terreno até haver uma decisão final sobre a rescisão do contrato.

Desde a semana passada que um homem, inicialmente descrito como um diplomata russo, está a viver num contentor no terreno, encomendando comida ao domicílio e recusando-se a abandonar o local.

O homem está a ser vigiado pela polícia federal australiana, que, em princípio, não o pode retirar por beneficiar de imunidade diplomática, avançou o jornal The Australian.

No recurso apresentado ao tribubal, Elliot Hyde revelou que o homem não era um diplomata, mas sim um guarda da segurança da embaixada.

Há duas semanas, o parlamento aprovou uma lei com o objetivo de bloquear a construção da nova embaixada russa em Camberra.

A medida, que pôs imediatamente termo ao contrato de arrendamento do terreno, foi tomada na sequência de uma recomendação do comité de segurança nacional, segundo a qual a nova delegação diplomática russa representaria um risco "em termos de interferência política" nas atividades do parlamento australiano.

Moscovo condenou o que chamou de atitude "hostil" dos legisladores da Austrália, classificando-a de "russofobia" e disse que a teria em conta, no futuro, em questões que exijam "reciprocidade".

A Austrália condenou repetidamente a invasão da Ucrânia pela Rússia e aplicou sanções contra mais de mil dirigentes, empresários e organizações russas, ao mesmo tempo que enviou ajuda humanitária e militar a Kiev. ANG/Lusa

 


     Grécia
/ Mitsotakis vence eleições legislativas com maioria absoluta

Bissau, 26 Jun 23 (ANG) - Com os resultados eleitorais de hoje, a Grécia abre um novo capítulo histórico no seu percurso", declarou Mitsotakis numa declaração transmitida pela televisão.

Os eleitores "deram-nos um mandato forte para avançarmos mais rapidamente na direcção das grandes mudanças de que o nosso país precisa. De uma forma clara e madura, fecharam definitivamente um ciclo traumático de mentiras e toxicidade que atrasou o país e dividiu a sociedade".

De acordo com as projecções do Ministério da Administração Interna da Grécia, o partido Nova Democracia terá 158 deputados em um Parlamento com 300 lugares, ao conquistar cerca de 40,5% dos votos. Com este resultado, Mitsotakis será reconduzido no cargo para um segundo mandato de quatro anos, garantida por um novo sistema de bónus aprovado em 2020.

Esse sistema atribui entre 20 e 50 lugares adicionais no Parlamento ao partido vencedor, sendo 20 lugares adicionais obtidos com 25% dos votos e 50 lugares quando a meta de 40% é alcançada.

Essas eleições de domingo são as segundas na Grécia em pouco mais de um mês e foram convocadas porque nenhum partido obteve maioria absoluta em Maio, apesar de o partido Nova Democracia ter sido o mais votado, com 40,79% dos votos (e 146 deputados), faltando cinco assentos para a maioria.

Na época, a lei eleitoral grega em vigor desde 2016 não concedia nenhum bónus ao partido vencedor. Confiante nas projecções das sondagens e no retorno do sistema de bónus nas eleições seguintes às realizadas em maio, Mitsotakis rejeitou qualquer acordo de coabitação por não confiar nos demais partidos à direita, o que o levou a convocar novas eleições.

Para este pleito a questão da economia concentrou a preocupação dos gregos. Estima-se que Mitsotakis tenha conseguido conduzir os destinos da Grécia de maneira efectiva após diversas décadas de instabilidade económica. Apesar da crise energética e das consequentes pressões inflacionistas ao longo do ano, a economia grega registou um crescimento de 5,9% em 2022, um factor que garantiu um grau de confiança elevada por parte da população.

Durante a sua campanha, Mitsotakis prometeu repetidamente mudar os sistemas de saúde e de justiça, que estão entre os mais lentos da Europa. Esta empreitada será facilitada pela consolidação da maioria absoluta, mas deverá enfrentar alguns dos lóbis mais poderosos do país.

Este resultado também confirmou a tendência de queda do principal partido de oposição, o Syriza. Liderado por Alexis Tsipras, que foi primeiro-ministro entre 2015 e 2019. Conquistando apenas 17,8% dos votos, o partido terminou ainda mais baixo do que os resultados das eleições do mês passado.

Incapaz de reunir a sua antiga base eleitoral, fragmentada em diversos partidos, principalmente compostas pelos dissidentes do Syriza, o partido enfrenta agora a dura tarefa de recuperar os seus eleitores e superar a contestação acerca da liderança de Tsipras.

Os socialistas do Pasok também registam perdas significativas de lugares. Conquistando 11,8% dos votos, mas perdendo nove assentos, o partido continua empenhado em reduzir a distância em relação ao Syriza na disputa pelo título de principal partido da oposição.

O Partido Comunista da Grécia obteve 7,-9% dos votos, enquanto o partido MeRA25, liderado pelo ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, não obteve nenhuma cadeira no parlamento.

O recém-criado partido etno-nacionalista "Espartanos" - apoiado pelo antigo membro da Aurora Dourada Ilias Kasidiaris, - deverá entrar pela primeira vez no Parlamento grego com cerca de 4,6%. Kasidiaris chegou a ser sentenciado a 13 anos de prisão em 2020 quando o partido Aurora Dourada, de inspiração neonazi, foi banido e considerado uma organização criminosa pela justiça grega.

Seguem-se os partidos de direita “Solução Grega” com 4,4% e o partido teocrático ortodoxo grego “Niki”, apoiado por muitas das comunidades monásticas da Grécia, que ultrapassou o limiar eleitoral pela primeira vez ao conquistar 3,69%.

No poder desde 2019, Kyriakos Mitsotakis vem de uma família política há muito estabelecida na Grécia. O antigo consultor financeiro de 55 anos, que trabalhou para a McKinsey, entre outras empresas, é também o herdeiro de uma verdadeira dinastia política na Grécia. O seu pai foi Primeiro-Ministro no início dos anos 90, a sua irmã foi Ministra dos Negócios Estrangeiros e o seu sobrinho é o atual Presidente da Câmara de Atenas. Eleito deputado pela primeira vez em 2004, tornou-se líder do seu partido, a Nova Democracia, em 2016, numa altura em que a Grécia estava a atravessar um período de austeridade.

Nomeado primeiro-ministro três anos mais tarde, orgulha-se de ter relançado a economia grega, graças, nomeadamente, ao desenvolvimento do turismo. Mas o seu primeiro mandato foi marcado por uma série de escândalos, incluindo as escutas ilegais de políticos e jornalistas. A oposição também apontou o dedo à degradação dos serviços públicos e das infra-estruturas do país e recentemente a inação durante o naufrágio de uma embarcação de migrantes.

No entanto, a oposição não conseguiu afectar as suas credenciais políticas, nem nas urnas, nem nas sondagens.ANG/RFI

 

São Tomé e Príncipe/ Banco Mundial financia programa para aliviar extrema pobreza

Bissau, 26 Jun 23 (ANG) - O Banco Mundial está a financiar em São Tomé e Príncipe um programa social para aliviar as famílias são-tomenses da extrema pobreza.

Trata-se de um financiamento estimado em 18 milhões de dólares para um período de quatro anos. A pobreza em São Tomé e Príncipe, tem um rosto mais feminino sendo que a maioria das famílias monoparentais é chefiada por mulheres.

É um programa quadrienal cuja conclusão está prevista para 2027 e posteriormente sujeito a uma actualização.

Até lá, o programa vai cobrir quatro mil e quinhentas famílias que vão receber bimensalmente 52 euros.

O objectivo é atribuir maior empoderamento das famílias beneficiárias como refere o técnico da protecção social.

“Esse programa tem como objectivo contribuir para a melhoria de praticas parentais positivas.”

É visível alguma melhoria na vida dos beneficiários, sobretudo na componente de educação dos seus educandos.

“Temos visto melhorias significativas nas vidas dos beneficiários, como o aumento da frequência escolar.”

O cadastro das famílias beneficiárias é feito bianualmente. Não tendo ainda chegado a esta fase, adopta-se o método de cálculo, como salienta o técnico da protecção social.

“Vamos, portanto, aplicar o cálculo PMT. O cálculo é que vai extrair os mais vulneráveis”.

5.539 ou seja 73% das famílias são tomenses, estão em extrema pobreza e são chefiadas por mulheres.

A Direção da Proteção Social são-tomense, anunciou ainda este ano que 30 mil famílias são-tomenses, vivem em situação de extrema pobreza.ANG/RFI