Países do Golfo/Arábia Saudita, Qatar e Omã convenceram EUA a "dar oportunidade" ao Irão
Bissau, 15 Jan 26 (ANG) - A Arábia Saudita, o Qatar e Omã trabalharam para dissuadir o Presidente norte-americano, Donald Trump, de atacar o Irão, alertando-o sobre as "graves repercussões para a região", disse hoje um alto responsável saudita.
Os três países do Golfo "realizaram
intensos esforços diplomáticos de última hora para convencer o Presidente Trump
a dar ao Irão uma oportunidade de demonstrar as suas boas intenções",
afirmou a mesma fonte saudita, que falou sob condição de anonimato à agência de
notícias AFP.
Os esforços realizados pelos países do
Golfo visaram "evitar uma situação incontrolável na região", disse o
responsável saudita.
"Dissemos a
Washington que um ataque ao Irão abriria as comportas a uma série de
repercussões graves na região", prosseguiu.
"Passei uma
noite em claro a desarmar 'outras bombas' na região", afirmou o mesmo
responsável, acrescentando que "a comunicação continua para consolidar a
confiança conquistada e o atual clima positivo".
Outro responsável
da mesma área geográfica disse também à agência francesa AFP que "a mensagem
transmitida ao Irão foi que um ataque às instalações norte-americanas no Golfo
teria consequências para as relações com os países da região".
Na quarta-feira,
parte do pessoal da base norte-americana em Al-Udeid, no Qatar, foi retirado, e
os funcionários das missões diplomáticas norte-americanas na Arábia Saudita e
no Kuwait foram aconselhados a ter cautela, devido aos receios das
consequências de um ataque dos Estados Unidos ao Irão.
Os Estados Unidos
têm ameaçado intervir no Irão em resposta à repressão violenta do Governo
iraniano dos protestos que têm agitado o país desde os últimos dias de
dezembro, com Teerão a afirmar estar preparado para retaliar com ataques contra
alvos militares e marítimos norte-americanos.
Muitas bases e
instalações norte-americanas estão localizadas no Golfo.
Trump afirmou na
quarta-feira que tinha sido informado "por fontes muito importantes"
de que "os assassinatos cessaram" no Irão e que as execuções
planeadas de manifestantes "não iriam acontecer".
O ministro dos
Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que o Irão irá
defender-se "contra qualquer ameaça estrangeira", declaração feita
durante uma conversa telefónica com o homólogo saudita, o príncipe Faisal bin
Farhan al-Saud.
O Irão está a ser
agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão
por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda
iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades
do país.
A organização
não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 as mortes
registadas nos protestos, alertando que são casos que conseguiu verificar e que
o número real deverá ser superior.
O Conselho de
Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje de emergência para "uma
reunião informativa sobre a situação no Irão", a pedido dos Estados
Unidos, anunciou o porta-voz da presidência do Conselho, atualmente nas mãos da
Somália.
A reunião está
marcada para as 15:00 locais (20:00 em Lisboa), segundo indicou um comunicado
do porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.ANG/Lusa

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