Irão/ Governo desmente execução de Erfan Soltani
Bissau, 15 Jan 26 (ANG) - O Irão nega, nesta
quinta-feira, 15 de Janeiro, que o Erfan Soltani, detido no sábado
durante “tumultos”, tenha sido condenado à morte e possa ser executado, como
temiam Washington e organizações de defesa dos direitos humanos.
Erfan Soltani está detido na prisão de Karaj, perto de Teerão, e
é acusado de “reunião contra a segurança nacional” e “propaganda contra o regime”, avançou a comunicação social estatal iraniana . A agência de
notícias do poder judicial acrescenta ainda que, se o activista for considerado
culpado, será condenado a prisão, uma vez que a lei não prevê a pena de morte
para estas acusações.
Ontem, o Departamento de Estado dos EUA declarou que o Irão
tinha agendado a primeira execução de manifestantes. Mais tarde, Donald Trump
afirmou que tinha sido informado por “uma fonte fidedigna” de que “não havia planos para a execução” e que as “matanças iam acabar”, sem fornecer mais detalhes.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do
Irão, Abbas Araghchi, em entrevista Foz News, afirmou que “não há planos” do Irão
para executar pessoas em retaliação aos protestos antigovernamentais,
reiteranco que “o
enforcamento está fora de questão".
No entanto, o ministro iraniano da
Justiça, Amin Hossein Rahimi, garantiu que, "qualquer indivíduo presente nas ruas desde 8
de Janeiro é, sem dúvida, considerado um criminoso”.
Questionado sobre o que diria a Donald
Trump, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou: “A minha mensagem é que entre a guerra e a
diplomacia, a diplomacia é o melhor caminho, embora não tenhamos tido qualquer
experiência positiva com os Estados Unidos. Mas, ainda assim, a diplomacia é
muito melhor do que a guerra”.
O Presidente norte-americano, Donald
Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção
militar contra a República Islâmica e continua a instar os manifestantes a
prosseguirem os protestos.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde
28 de Dezembro de 2025, iniciada em Teerão por comerciantes e sectores
económicos afectados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada
inflação, alastrando-se depois a mais de cem cidades do país.
Segundo a organização Iran Human Rights, com sede na Noruega, os
protestos já fizeram 3.428 pessoas e levaram à detenção de mais de 10 mil.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje, de emergência, para “uma reunião informativa sobre a situação no Irão”, a pedido dos Estados Unidos, anunciou o porta-voz da presidência do Conselho, actualmente nas mãos da Somália. ANG/RFI

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