Ensino/SINAPROF alerta para impacto negativo de pagamento presencial dos professores no funcionamento das aulas
Bissau, 21 Jan 26(ANG) - O Presidente do Sindicato Nacional dos Professores(SINAPROF), manifestou estranheza face à decisão do Governo de Transição de implementar o pagamento presencial dos salários dos docentes.
A medida abrange professores de Bissau e da região de Biombo e visa identificar funcionários que constam no sistema salarial, mas que alegadamente não exercem funções nas escolas públicas.Em declarações à imprensa, terça-feira, Domingos de Carvalho considerou a iniciativa “positiva” para combate à irregularidades, reconhecendo que nem todos os inscritos no sistema exercem efetivamente a docência mas alertou para os impactos negativos da decisão.
Segundo o sindicalista, o pagamento manual poderá comprometer o funcionamento normal das aulas, provocando a perda de dias letivos e prejudicando diretamente os alunos. Carvalho afirmou ainda que o Governo deverá assumir as consequências futuras da medida.
A ministra da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social,
Assucénia Donate de Barros revelou , segunda‑feira, que o setor da
educação consome atualmente mais de 50 por cento da massa salarial dos
funcionários públicos na Guiné‑Bissau.
Segundo a governante, o montante mensal destinado ao pagamento de salários
dos professores é estimado em 1,8 mil milhões de francos CFA.
Assucénia Donate de Barros falava numa
conferência de imprensa convocada para esclarecer as razões da decisão do
Governo de realizar o pagamento
presencial dos salários deste mês de janeiro aos professores do Setor Autónomo
de Bissau e da Região de Biombo.
Presentes na confer~encia de imprensa estiveram o ministro da Educação
Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica Mamadu Badji, e do
secretário de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais, João Alberto Djata.
De acordo com a ministra, o Governo gasta mensalmente mais de cinco mil
milhões de francos CFA com salários da função pública, dos
quais cerca de dois mil milhões se destinam ao setor da educação.
Assucénia Donate de Barros
explicou que o Ministério da Educação é
o setor que mais pesa na despesa pública, em matéria salarial, e que, por essa
razão, decidiu‑se iniciar por este
setor uma fase piloto de reorganização, com o objetivo de verificar, de
forma responsável, os funcionários que se encontram efetivamente no país.
“Esta decisão se aplica no quadro das
reformas da administração pública que o Governo de Transição vem implementando,
com enfoque no controlo efetivo do pessoal do Estado, na boa gestão dos
recursos públicos e na construção de uma administração mais sólida, justa e credível”,
disse .
A ministra denunciou ainda a existência de funcionários que continuam
inscritos na folha salarial do Estado, apesar de se encontrarem fora do
território nacional, muitas vezes por motivos de emigração.
“Essa situação não é sustentável para o Estado e, acima de tudo, não é
justa para os professores que estão, diariamente, nas salas de aula a cumprir
as suas responsabilidades”, afirmou.
Assucénia Donate de Barros esclareceu que a iniciativa não visa
perseguir nem despedir funcionários, mas sim organizar, normalizar e reforçar a
administração pública, sublinhando que o principal objetivo é garantir que os
recursos do Estado sejam utilizados com “ rigor, transparência e justiça”.
A governante informou ainda que o pagamento presencial será efetuado aos
sábado e domingo, de modo a não prejudicar o normal funcionamento das aulas e
evitar impactos negativos no calendário escolar.
Explicou igualmente que os funcionários que não puderem comparecer no
momento do pagamento serão pagos posteriormente, mediante apresentação de uma
justificação válida.
“O processo de pagamento presencial será realizado em todo o território
nacional e será progressivamente estendido a outros setores da administração
pública”, informou, acrescentando que o objetivo principal é assegurar que o
salário do Estado seja pago a quem efetivamente trabalha, contribuir para a
contenção da despesa pública, reforçar o controlo do pessoal do Estado e criar
condições para o regresso gradual ao pagamento bancário.
Por sua vez, o ministro da Educação Nacional, Mamadu Badji, reconheceu que
no ministério que dirige existem funcionários que se encontram no estrangeiro
por iniciativa própria e que, nessas condições, não devem continuar a
receber salário.
“A maioria destes funcionários está fora do país sem licença do Ministério.
Há pessoas que solicitam licença e, antes de obterem resposta, partem para o
estrangeiro sem conhecimento da tutela, o que torna necessário este processo de
pagamento presencial”, explicou.
Já o secretário de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais, João Alberto
Djata, considerou o procedimento indispensável para identificar, com precisão, quem
efetivamente recebe salário e presta serviço ao Estado.
“Este processo vai permitir apurar o número exato de professores e
funcionários do Ministério da Educação”, concluiu Djata.ANG/ÂC//SG

Sem comentários:
Enviar um comentário