Transição política/Conselho Nacional de Transição condena as intervenções externas nos assuntos internos da Guiné-Bissau
Bissau, 22 Jan 26 (ANG) – O Conselho
Nacional de Transição (CNT), condenou quarta-feira de forma “veemente” as
intervenções do ministro dos Negócios Estrangeiros português Paulo Rangel, que
qualifica de “ingerência nos assuntos
políticos internos da Guiné-Bissau”.
A posição do CNT foi tornada
pública pelo seu porta voz Fernando Vaz, em declarações à imprensa.
Recentemente, o ministro dos
Negócios Estrangeiros português Paulo Rangel, revelou que em breve, efetuará
uma visita à sede da CEDEAO em Abuja, para debater a atual situação política
vigente na Guiné-Bissau.
Rangel considerou de “bastante grave”, a nova Constituição
anunciada pelo Alto-Comando Militar guineense.
“O desenrolar político
actual na Guiné-Bissau levanta preocupação, particularmente a prisão arbitrária
de Domingos Simões Pereira, o líder do Partido Africano para a Independência da
Guiné e Cabo Verde (PAIGC), visto como um obstáculo à reposição da
normalidade”, sustentou o chefe da diplomacia português, durante uma audição
regimental na Assembleia da República portuguesa.
Em reação as declarações de Paulo
Rangel e do Presidente de Cabo Verde José Maria Neves no âmbito das suas
críticas ao Alto-Comando Militar, o porta-voz, Fernando Vaz sustentou que a
soberania nacional da Guiné-Bissau foi conquistada pela força das armas, em que
os “valorosos Combatentes da Liberdade da Pátria derrotaram, implacavelmente, o
colonialismo português”.
Segundo o Porta-voz do Conselho
Nacional de Transição (CNT), são condenadas todas as intervenções e interferências externas
no actual processo político guineense, em especial, no que se refere a revisão
constitucional do país.
“Enquanto pilar do povo
guineense, da sociedade civil, e defensora dos direitos fundamentais, declaramos
de forma inequívoca a nossa posição, face as recentes tentativas de pressão
externa sobre o processo de revisão constitucional em curso”, disse Fernando
Vaz.
Reafirmou por outro lado
que, a República da Guiné-Bissau, é um Estado soberano e independente, e que o
processo da revisão da lei fundamental do país é uma questão de estrito fórum
interno.
“As autoridades guineenses
não permitirão que os Estados ou Organismos internacionais imponham o ritmo ou
conteúdo das nossas reformas institucionais, porque qualquer tentativa nesse
sentido, não é a diplomacia, mas pelo contrário, uma ingerência intolerável”, disse.
Aquele responsável referiu que
a soberania dos Estados é protegida pela Carta das Nações Unidas (NU), e o art:
02 Nº 7, veda expressamente, qualquer intervenção dos assuntos que dependam
essencialmente da jurisdição interna dos Estados.
“A tentativa de influenciar a
nossa política interna é um atentado direto contra este principio universal.
Nenhum parlamento, seja ele nacional de Portugal, ou Comunitária da CPLP, possui
legitimidade jurídica ou política para intervir nos assuntos que cabem ,exclusivamente,
ao povo e as instituições da Guiné-Bissau", disse o Porta-voz do Conselho de
Nacional de Transição, órgão que funciona como parlamento nacional.ANG/LLA/ÂC//SG

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