Portugal/ Políticos europeus pedem declaração de independência da UE
Bissau, 21 Jan 26 (ANG) - Diversos políticos europeus defenderam hoje que a segurança, prosperidade e democracia do bloco europeu não pode mais depender da "vontade mutável" dos Estados Unidos e pedem uma declaração de independência da União Europeia.
Num artigo publicado hoje no Diário de Notícias,
figuras como Joseph Borrell, ex-alto-representante da União Europeia para os
Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, diversos ex-presidentes,
ex-membros do Parlamento Europeu e representantes de instituições como o
Instituto Jacques Delors consideram que a estratégia de apaziguamento em
relação a Donald Trump não está a funcionar.
"As concessões e acomodações não reduziram a
imprevisibilidade e hostilidade de Trump, que culminaram em ameaças reiteradas
à Gronelândia", escrevem as figuras que assinam o artigo de opinião, que
conta igualmente com a portuguesa Margarida Marques, antiga secretária de
estado dos Assuntos Europeus e ex-membro do Parlamento Europeu.
No artigo, assinado por mais de 50
figuras internacionais, defendem que estas concessões aprofundaram a
vulnerabilidade estratégica da Europa e defendem que uma Europa mais produtiva
e competitiva é "condição prévia para o poder geopolítico e o bem-estar
social".
Para isso, exortam a Comissão a
apresentar uma proposta de Quadro Financeiro Plurianual (QFP) novo,
"reforçado e mais ambicioso", capaz de financiar bens públicos
europeus, incluindo novas prioridades de Defesa e investigação.
Defendem igualmente o estabelecimento de
uma Defesa Comum Europeia, "apoiada por uma união política mais
forte", considerando que "só uma Europa mais federal poderá enfrentar
estes desafios" .
Reconhecendo a ameaça à segurança que a
UE enfrenta e a "hostilidade aberta" de Trump, apelam aos
estados-membros no Conselho Europeu para estabelecerem uma Defesa Comum
Europeia, como previsto no artigo 42.º do Tratado da União Europeia, um sistema
de defesa europeu capaz de coordenar as forças armadas nacionais em caso de
agressão.
Pedem igualmente que o Conselho Europeu
dê seguimento à proposta do Parlamento Europeu de reformar os tratados para
"abolir a unanimidade no sistema de tomada de decisões da UE: "as
políticas orçamentais e fiscais, externas, de segurança e defesa, bem como o
alargamento, devem ser abrangidas pelo procedimento legislativo
ordinário", defendem.
Consideram ainda que o Parlamento
Europeu pode desempenhar um papel fundamental na implementação das reformas
institucionais necessárias, condicionando o seu apoio aos próximos orçamentos
anuais e ao QFP e promovendo uma Assembleia Interparlamentar para defender a
plena concretização dos objetivos definidos.
Além disso, defendem também a promoção
de uma Assembleia de Cidadãos ad hoc, para envolver as pessoas e a esfera
pública europeia em geral, assim como a criação de "uma coligação
pró-europeis renovada, suprapartidária e interinstitucional", que abranja
os estados-membros mais empenhados no Conselho Europeu, a maioria pró-europeia
nos parlamentos europeu e nacionais, a Comissão Europeia e as instituições
regionais e locais, bem como a sociedade civil organizada pró-europeia. ANG/Lusa

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