quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

 

Política/Primeiro-Ministro de Transição afirma que “caso Domingos Simões Pereira”, é da responsabilidade dos Tribunais

Bissau, 28 jan 26(ANG) - O Primeiro-Ministro de Transição, afirmou esta terça-feira, que o caso de Domingos Simões Pereira (DSP) não está nem esteve sob alçada militar, sendo uma matéria da exclusiva responsabilidade dos tribunais competentes.


A posição de Ilídio Vieira Té foi divulgada em nota do Gabinete de Imprensa do Primeiro-ministro, durante o encontro realizado na segunda‑feira, entre o chefe do executivo e uma delegação de veteranos do PAIGC, acompanhados de dirigentes de outras formações políticas.

"O Alto Comando Militar já ordenou a libertação de todos os prisioneiros sob sua custódia”, salientou o Primeiro-Ministro na nota.

De acordo com o documento, a reunião, facilitada por Joana Cobde Nhanca, líder do Movimento Social Democrata, teve como propósito promover a paz, a reconciliação nacional e a estabilidade política neste período de transição.

Entre os participantes estiveram Joana Cobde Nhanca, Manuel dos Santos (Manecas), Ana Maria Soares e Iaia Maria Turé. Também marcou presença o antigo líder da Resistência da Guiné-Bissau (RGB), Salvador Tchongo, acompanhado por uma pessoa não identificada.

De acordo com a nota oficial, o Primeiro-ministro reiterou que todos os líderes políticos têm a responsabilidade de contribuir para o entendimento nacional e para compromissos justos e responsáveis.

Ilídio Vieira Té assegurou a “total disponibilidade do Governo para um diálogo construtivo que sirva os interesses nacionais” e informou que transmitirá as preocupações dos veteranos ao Presidente da República de Transição e ao Alto Comando Militar.

O governante apelou ainda à serenidade e advertiu para o impacto negativo das redes sociais na coesão social, sublinhando que a liberdade de expressão não deve ser confundida com libertinagem.

Criticou igualmente “ataques irresponsáveis” que, segundo afirmou, “apenas denigrem a imagem do país”, destacando sinais de evolução positiva em relação ao passado recente.

Durante o encontro, o veterano de luta de libertação nacional Manuel dos Santos (Manecas) salientou que, embora seja “do PAIGC até à morte”, coloca a Guiné-Bissau acima de qualquer partido. Recordou que as eleições já têm data marcada e pediu o início das atividades políticas “num clima de reconciliação”.

Defendeu ainda a normalização institucional como condição essencial para atrair investimentos e sublinhou que a reconciliação nacional é indispensável ao progresso.

Segundo Manecas, o prolongamento da detenção de Domingos Simões Pereira “deteriora politicamente” a situação do líder do PAIGC.

Joana Cobde Nhanca agradeceu a abertura demonstrada pelo governo e afirmou que a iniciativa resulta do dever histórico dos veteranos de promover o diálogo e evitar a radicalização da juventude.

Disse que
“o entendimento só é possível através da conversa franca, do reconhecimento dos erros do passado e da necessidade de pôr gelo no coração”.ANG/ÂC

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