quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

     Suíça/Em Davos, o Presidente francês apela a "recusar a lei do mais forte"

 

Bissau, 21 jan 26 (ANG)  - O Presidente francês respondeu às ameaças de Trump de aumentar as taxas aduaneiras americanas aos países que se opõem ao seu projecto de tomar o controlo da Gronelândia, ao discursar ,terça-feira, no Fórum Económico Mundial em Davos, nos Alpes Suíços.

Ao defender o multilateralismo e a necessidade de a Europa se tornar mais forte, Emmanuel Macron lançou um apelo à rejeição "da lei do mais forte".

Ao denunciar "as ambições imperiais que voltam à superfície", incluindo a guerra travada pela Rússia contra a Ucrânia, bem como uma "instabilidade sem precedentes", lamentando "uma evolução para um mundo sem regras" em que "o direito internacional é violado e a única lei que parece contar é o mais forte", o Presidente francês que estava a discursar em inglês perante os participantes do Fórum, considerou que "estamos a destruir as estruturas que nos permitem resolver a situação e os desafios comuns que enfrentamos".

"Sem governação colectiva, a cooperação deixa o lugar à competição implacável. A concorrência dos Estados Unidos da América que exige o máximo de concessões e visa abertamente enfraquecer e subordinar a Europa, combinada com uma acumulação interminável de novas tarifas que são fundamentalmente inaceitáveis, ainda mais quando são usadas como alavanca contra a soberania territorial", disse ainda Macron referindo-se designadamente às recentes ameaças de Donald Trump de aumentar em 10% as taxas aduaneiras aplicadas sobre os produtos de oito países que se opõem abertamente à anexação da Gronelândia.

"Neste contexto, quero excluir duas abordagens. A primeira abordagem seria, eu diria, aceitar passivamente a lei do mais forte, levando à 'vassalização'. A segunda abordagem seria adoptar uma postura puramente moral, limitando-nos ao comentário", declarou ainda o Presidente francês ao considerar que "face à brutalização do mundo, a França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz, porque serve os nossos interesses e os de todos aqueles que se recusam a submeter-se ao domínio da força."

Ao insistir sobre a necessidade de se defender o multilateralismo e "reter as lições da segunda guerra mundial", Emmanuel Macron recordou que a França assume este ano a presidência rotativa do G7, o grupo dos sete países mais industrializados, "com uma clara ambição de restabelecer o G7 como um fórum para um diálogo franco entre as principais economias e para soluções colectivas e cooperativas".

"Nós acreditamos que precisamos de mais crescimento, precisamos de mais estabilidade neste mundo. Mas nós preferimos o respeito à intimidação. Nós preferimos a ciência à teoria da conspiração, e nós preferimos o Estado de direito à brutalidade", concluiu o Presidente francês cuja agenda não prevê qualquer encontro com Trump à margem do Fórum, já que ele deixa Davos ainda esta terça-feira antes da chegada do seu homólogo americano amanhã.

Respondendo a jornalistas, o chefe de Estado francês afastou igualmente a hipótese de uma "reunião" do G7 nesta quinta-feira em Paris, um encontro que tinha inicialmente proposto numa mensagem enviada a Donald Trump.

O Presidente americano que entretanto divulgou ontem à noite estas trocas, criticou o seu interlocutor francês por recusar integrar o "Conselho da Paz" que Washington pretende criar, uma entidade que do ponto de vista francês visaria ser uma ONU paralela. ANG/RFI

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