segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

EUA/Barack Obama e Bill Clinton denunciam impunidade de agentes anti-migração

Bissau, 26 Jan 26 (ANG) - A morte a tiro pela polícia anti-migração de mais um manifestante em Minneapolis está a gerar revolta e indignação nos Estados Unidos.

O Presidente Donald Trump atribuiu a morte de dois americanos em três semanas ao que chamou “caos provocado pelos democratas", enquanto dois antigos Presidentes, Barack Obama e Bill Clinton, denunciaram a impunidade do ICE.

As imagens que circulam desde sábado desmentem a versão oficial de alegados “tiros defensivos” e mostram um agente federal a disparar pelo menos dez vezes contra um homem imobilizado por terra e com vários agentes em cima dele. Em três semanas, o enfermeiro de cuidados intensivos, Alex Pretti, de 37 anos, é o segundo americano assassinado por agentes da força anti-migração, conhecida pela sigla ICE, depois de Renee Good, a 7 de Janeiro, ter sido baleada quando conduzia.

O Presidente Donald Trump escreveu, na sua rede social, que a culpa é do “caos provocado pelos democratas” e o alto responsável da polícia das fronteiras, Greg Bovino, disse na CNN que “as vítimas são os agentes” e que fizeram “um grande trabalho”.

O governador democrata de Minneapolis, Tim Walz, pediu a Donald Trump retirada dos cerca de 3.000 agentes do ICE “antes que eles matem outra pessoa” e várias vozes têm alertado que Minneapolis é uma cidade cercada e “sob ocupação”. Nas rusgas em massa contra os imigrantes, têm sido detidos vários menores, entre eles um bebé de dois anos e um rapaz de cinco, na semana passada.

O antigo Presidente Barack Obama e a esposa Michelle Obama dizem que “isto tem de parar”. Em comunicado, eles criticaram a “impunidade” de agentes do ICE que afirmam “usarem tácticas feitas para intimidar, assediar, provocar e pôr em perigo os habitantes de uma grande cidade americana” e alertaram que “cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, proteger as liberdades fundamentais e responsabilizar o Governo”.

Outro antigo Presidente, Bill Clinton, instou os americanos a manifestarem-se e denunciou "cenas horríveis" em Minneapolis.

Os democratas no Senado também avisaram preferir um shutdow parcial do que votar a favor de um pacote com verbas adicionais para o ICE.

Entretanto, no sábado, foi enviada uma carta da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, às autoridades do Estado do Minnesota, onde também fica Minneapolis, para que entreguem as listas de recenseamento eleitoral. O Minesotta é um dos estados que há mais de meio século vota democrata nas presidenciais e agora teme-se que a administração esteja a tentar manipular o recenseamento para as eleições intercalares de Novembro através da intimidação e força. ANG/RFI

 

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