sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

             Uganda/Líder da oposição denuncia “massacre silencioso”

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) -  O líder da oposição, Bobi Wine, de Uganda rejeita os resultados oficiais que deram a vitória ao Presidente cessante Yoweri Museveni, de 81 anos e há 40 no poder.

A rejeição surgi uma semana após eleições presidenciais.

Em entrevista à RFI, Bobi Wine disse estar escondido, afirmou ter provas de fraude e denunciou um “massacre silencioso” em curso no país.

“Não estou em segurança porque estou a ser perseguido pelos militares sem ter cometido qualquer crime. Estou escondido. A minha esposa e a minha família não estão em segurança, estão cercadas pelos militares, não podem sair e ninguém pode entrar. Estão com fome e até a comida que lhes é entregue está a ser rejeitada”, declarou o líder da oposição ugandesa, Bobi Wine, em entrevista à jornalista da RFI Christina Okello.

O Uganda elegeu, pela sétima vez, Yoweri Museveni como Presidente. Aos 81 anos e há 40 no poder, Museveni teve 71,65% dos votos contra 24,72% para Bobi Wine, de acordo com a comissão eleitoral. O líder da oposição é um antigo cantor de 43 anos, que já tinha sido detido e torturado depois das eleições de 2021, e que é muito popular junto dos jovens, sendo conhecido o "presidente do gueto", em referência ao bairro da sua infância numa das favelas da capital. Wine acusa o Governo de fraude eleitoral.

“Temos provas antes, durante e depois da eleição. Temos vídeos de polícias, dos militares e dos próprios funcionários da Comissão Eleitoral a votarem pelo General Museveni. Não confiamos no sistema judicial no Uganda. O sistema judicial está enviesado e inclinado para favorecer Museveni”, acrescentou Bobi Wine à RFI.

O Presidente Yoweri Museveni é um antigo guerrilheiro que exerce um controlo total do aparelho eleitoral e da segurança. A mostrar isso mesmo esteve o corte da internet, desligada pelas autoridades nas vésperas das eleições, e fortes contingentes de segurança mobilizados para todo o país no dia da votação. Nesse dia, 15 de Janeiro, houve problemas técnicos em todo o Uganda, algo que a oposição apontou como um acto "deliberado" para garantir a vitória de Museveni. Ele próprio reconheceu ter sido testemunha das dificuldades técnicas encontradas pelas máquinas biométricas para verificar a identidade dos eleitores. Também a ONU tinha considerado, mesmo antes de 15 de Janeiro, que o processo eleitoral decorreu numa atmosfera "marcada pela repressão e intimidação generalizadas".

A repressão continua. Bobi Wine teve de fugir e esconder-se. O Presidente Yoweri Museveni e o seu filho, o chefe do exército Muhoozi Kainerugaba, têm classificado os membros da oposição como “terroristas”.

“O nosso povo está a ser massacrado. Está a acontecer um massacre silencioso. O filho de Museveni apareceu há dois dias a arrepender-se de ter matado apenas 22 de nós. Queria matar mais. Temos relatos de mais de 100 pessoas que foram mortas em todo o país”, disse, ainda, Bobi Wine à RFI.

Na segunda-feira à noite, o filho do chefe de Estado escreveu, na rede social X: "Matámos 22 terroristas da NUP [Plataforma da Unidade Nacional, o partido de Bobi Wine]. Rezo para que Kabobi [o apelido que lhe deu] seja o 23°". A mensagem acabaria por ser apagado algum tempo depois.

A outra figura importante da oposição, Kizza Besigye, de 69 anos, ex-médico pessoal do Presidente Museveni e que se opõe a ele há mais de 25 anos, não pôde participar nas eleições. Ele foi sequestrado em Novembro de 2024 durante uma viagem ao Quénia e reapareceu no Uganda, onde foi julgado por um tribunal militar por traição. O caso foi transferido para um tribunal civil há um ano, mas o seu pedido de fiança tem sido repetidamente negado desde então. Na terça-feira, a sua esposa, Winnie Byanyima, directora executiva da UNAIDS, denunciou à imprensa ugandesa um "plano para matar" o marido doente. Na quarta-feira, ela escreveu na rede social X que conseguiu visitar o marido que estava "encolhido numa cadeira de plástico suja" e "extremamente fraco". ANG/RFI

 

 

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