António Guterres vê África como esperança
Bissau,09
Fev 17 (ANG) - O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU),
António Guterres, disse quarta-feir que África é “um continente de esperança,
promessa e vasto potencial”, preferindo esta abordagem em vez de olhar para a
região “pelo prisma dos problemas”.
Num
artigo de opinião, António Guterres refere que “muitas vezes, o mundo vê a
África pelo prisma dos problemas; quando olho para a África, vejo um continente
de esperança, promessa e vasto potencial”.
No texto, que surge na sequência da sua participação na cimeira de Chefes de
Estado e de Governo da União Africana, que decorreu a 30 e 31 de Janeiro em
Addis Abeba, António Guterres garante estar “empenhado em reforçar esses pontos
fortes e estabelecer uma plataforma mais elevada de cooperação entre as Nações
Unidas, os líderes e o povo da África” e diz que isso é “essencial para
promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável e aprofundar a cooperação
para a paz e a segurança”.
O antigo primeiro-ministro português afirma no texto ter trazido da capital
etíope um “espírito de profunda solidariedade e respeito”, mas também “um
profundo sentimento de gratidão” pelo contributo africano para as forças de paz
da ONU.
África “fornece a maioria das forças de paz das Nações Unidas no mundo; as
nações africanas estão entre os maiores e mais generosos anfitriões de
refugiados mundiais; em África estão algumas das economias com mais rápido
crescimento do mundo”, salienta o antigo Alto-Comissário das Nações Unidas para
os Refugiados.
“Deixei a cimeira mais convencido do que nunca de que toda a humanidade vai
beneficiar-se ouvindo, aprendendo e trabalhando com o povo de África”, afirma
Guterres, que sublinha que a prevenção é essencial para resolver os conflitos.
“Muitos dos conflitos de hoje são internos, desencadeados pela competição pelo
poder e recursos, desigualdade, marginalização e divisões sectárias; muitas
vezes, eles são inflamados pelo extremismo violento ou por ele alimentados”,
lê-se no documento.
A prevenção, prossegue, “vai muito além de nos concentrarmos unicamente no
conflito. O melhor meio de prevenção, e o caminho mais seguro para uma paz
duradoura, é o desenvolvimento inclusivo e sustentável”, defende.
O Secretário-geral da ONU diz não ter dúvidas “de que podemos vencer a batalha
pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo, que são também as melhores armas
para prevenir conflitos e sofrimentos, permitindo que a África brilhe ainda
mais de forma vibrante e inspire o mundo”. António Guterres deixou a 28.ª
Cimeira da União Africana com um forte apelo para a mudança na forma como o
continente berço da humanidade é caracterizado pela comunidade internacional, e
com a promessa de apoiá-lo na construção do desenvolvimento e da paz
sustentáveis.
Na cimeira de Addis Abeba, lamentou a forma como África é descrita na Europa,
Américas e Ásia, denunciou o que chamou de “uma visão parcial de África” e
disse ser preciso mudar a narrativa sobre o continente na comunidade
internacional e que este deve ser reconhecido “pelo seu enorme potencial”.
O líder da ONU elogiou a União Africana pelo “trabalho muito importante em nome
do continente”, manifestou “disposição total da ONU em apoiar plenamente as
suas actividades” e destacou “o entendimento integral entre a ONU, a União
Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento sobre a
necessidade de se trabalhar “numa só voz” para pacificar o Sudão do Sul."
O novo paradigma no relacionamento entre a ONU e os africanos implementado por
António Guterres levou o Alpha Condé, o Presidente da Guiné-Conacri e líder em
exercício da União Africana, a convidá-lo a participar anualmente num pequeno
almoço com Chefes de Estado e de Governo africanos em Janeiro.
Para o Secretário Geral da ONU, estas ocasiões servem para interagir com
líderes africanos e discutir “de forma muito significativa” as relações entre a
União Africana e a Organização das Nações Unidas.
ANG/JA