segunda-feira, 18 de março de 2024

Cuba/Centenas de cidadãos saíram às ruas para denunciar escassez energética

Bissau, 18 Mar 24 (ANG) - Centenas de cubanos saíram às ruas de Santiago de Cuba no domingo,(17), para protestar contra os longos cortes de energia, escassez de combustíveis e o aumento do custo de vida.

O Presidente Miguel Díaz-Canel reagiu à manifesta
ção , a maior desde 2022, alertando “contra os inimigos da revolução que exploram este contexto para desestabilizar o país”.

Foi através da rede social X que o Presidente cubano reagiu às manifestações deste domingo em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade da ilha. Miguel Díaz-Canel reconheceu o descontentamento dos cubanos com o serviço eléctrico do país e com a distribuição de alimentos, sublinhado que este contexto de protesto pode ser aproveitado pelos “inimigos da revolução”.

“Existem terroristas radicados nos Estados Unidos que incentivam estas ações para desestabilizar o país”, referiu.

 A embaixada dos Estados Unidos em Havana apelou ao governo cubano para “respeitar os direitos dos manifestantes”.

 Em resposta, o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez, exortou Washigton a “não interferir nos assuntos internos do país”.

Cuba enfrenta uma vaga de cortes de energia devido às obras na central termoelétrica de Antonio Guiteras, a maior da ilha. Os cortes de energia e a escassez de alimentos levaram as pessoas para a rua, com a população denunciar ainda o aumento do custo de vida.

Em 2022, Cuba registou uma baixa de produção energética, sem precedentes, provocada pela passagem do Furacão Ian, tendo a situação melhorado um pouco em 2023.

Todavia, o sistema de produção e energia baseia-se em oito velhas centrais-eléctricas e em oito barcos-geradores que aluga a Turquia, país afetado pela escassez de combustíveis.

A economia cubana não consegue reerguer-se desde da pandemia do COVID, um contexto agravado pelo embargo americano em vigor desde 1962. Em 2023, o PIB da ilha fixava-se nos 2%. Em 2021, Cuba registou uma vaga de protestos anti-governamentais com a população, de forma inédita, a denunciar a ditadura e a forme. Centenas de manifestantes foram presos e condenados até 25 anos de prisão. ANG/RFI

 

Desporto/Jornal Nô Pintcha vence torneio quadrangular de futebol entre órgãos públicos de Comunicação Social

Bissau, 18 Mar 24 (ANG) – O Jornal Nô Pintcha foi o grande vencedor do torneio quadrangular de futsal entre os quatro órgãos de Comunicação Social do Estado, ao bater  no final a equipa da Televisão da Guiné-Bissau (TGB) por um expressivo 6 a 1.

O torneio  foi organizado pela direção do Jornal Nô Pintcha no quadro das celebrações dos 49 anos desta publicação, que se assinala no dia 27 de Março.


Falando no ato do encerramento do torneio, a Ministra da Comunicação Social felicitou a Direção-geral do jornal pela vitória merecida diante da congênere da TGB, frisando que, “quem marca mais é que ganha”.

Quanto a organização da gala pelo jornal Nô Pintcha, Maria da Conceição Évora afirmou que a direção do jornal pode contar com apoio do Governo.

Évora disse que constitui papel do Governo, na medida do possível, criar condições necessárias e apetrechar os órgãos da comunicação estatais e privados com equipamentos e materiais, para melhor desempenharem as suas funções.

Segundo a dirigente, o Governo está ciente  das necessidades do jornal, que precisa de meios , por forma a passar de semanário para bi-semanário.

Questionado se o estatuto remuneratório está no projeto do Ministério da Comunicação Social, ministra respondeu que sim, mas diz que, atualmente, o Governo está empenhado em relançar  o programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“O Ministério da Comunicação Social junto com o das Finanças vão estudar formas de implementar o estatuto remuneratório”, disse Maria da Conceição Évora.

Por sua vez, o presidente da comissão organizadora dos festejos de mais um  aniversário do único jornal do Estado do país manifestou-se satisfeito com o clima de fair-play demonstrado pelas equipas participantes no torneiro quadrangular.   

Domingos Meta Camará disse que a organização do torneio faz parte de um conjunto de atividades que a Direção-geral do Jornal Nô Pintcha está a levar acabo no quadro das celebrações dos 49 anos da publicação. 

“A próxima atividade vai ser a exposição fotográfica de diferentes fases que caracterizam os 49 anos de vida do Nô Pintcha, começando pela Luta Armada, Multipartidarismo entre outras”, anunciou Meta Camará.

No torneiro tomaram parte as equipas da Agência de Notícias da Guiné (ANG), Jornal Nô Pintcha, Radiodifusão Nacional (RDN) e a Televisão da Guiné-Bissau(TGB). ANG/MSC//SG

Religião/PR promete organizar um jantar com todos os fiés religiosos da Guiné-Bissau antes de fim de Jejum

Bissau, 18 Mar 24(ANG)O Presidente da República  prometeu  organizar um jantar com todos os fiéis religiosos da Guiné–Bissau, antes de fim de Jejum,   tal como tem feito  com  fiéis islâmicos.

A promessa de Umaro Sissoco Embaló foi feita,  sábado, num dos hotéis da capital, no âmbito de uma reunião com fiéis muçulmanos de jantar de interrupção do jejum.

Agradeceu a compreensão dos fiéis muçulmanos sobre a decisão de suspender os  subsídios em  produtos alimentares  para jejum, com alegações de que  a  Guiné-Bissau é um país laico , pelo que não deve haver descriminação no tratamento  de crenças religiosas.

Lembrou que neste momento os fiéis cristãos também estão a jejuar no âmbito da “Quaresma”, mas que não pediram nada ao Governo.

“No passado os políticos ofereciam alimentos aos muçulmanos para tirar proveito político”, disse.

Revelou que estão a falar da peregrinação à Meca , mas com a intensão de se tirar proveitos políticos.

Acrescenta que  os cristãos também vão à perigrinação à Fátima, em Portugal e no Israel mas que  políticos não falam nada disso.

Aconselha aos fiéis muçulmanos para não esperarem pelo dinheiro dos outros para irem  a peregrinação, que se esforcem para pagar todos os custos com fundos próprio.  “A benção será  sua se o dinheiro é seu,  se for do seu patrocinador as benções serão para ele. ANG/JD//SG



Sociedade/PR recomenda capacitação de citadinos  sobre   cultura de limpeza da cidade

Bissau, 18 Mar 24 (ANG) - O Presidente da República (PR) recomendou  sexta-feira, a  capacitação de citadinos de Bissau sobre a necessidade de se manter a cultura de limpar a cidade. Porque, na sua opinião ter uma cidade limpa exige a colaboração de todos.

Umaro Sissoco Embaló falava  na cerimónia de abertura oficial da comemoração dos 332 anos da existência de cidade de Bissau.

“Na realidade, ter uma cidade limpa não é uma tarefa fácil uma vez que os próprios utentes não colaboram as vezes. Mas tudo na vida é feito na base de um processo, no qual deve existir a vontade e empenho de todos, de modo a promover benefícios comum”, disse o Presidente da República.

Embaló salientou  que Bissau é uma cidade bastante antiga, com um percurso  histórico de “grande bravura” . e diz que  que essa marca nacionalista é sem dúvida um traço da sua própria identidade.

“Hoje, estamos a celebrar a história de progresso  do ordenamento territorial e administrativo da nossa cidade de Bissau. A sua  situação está a mudar, rapidamente, no ciclo político que iniciei em 2020 que corresponde ao meu próprio mandato presidencial. Podemos dizer que,  Bissau tornou-se um exemplo de transformação urbana atualmente”, considerou.

O Chefe de Estado guineense disse que, felizmente, Bissau velho transformou-se em Bissau novo, porque,   foi invertido por completo a tendência de degradação urbana daquele sítio.

Salientou que, agora  se pode olhar para cidade de Bissau e ver nela sinais consistentes de progresso urbano e diz que a mesma era exposição da vergonha nacional, mas que, felizmente passou a ser um espelho da autoestima recuperada.

“Bissau cresceu muito em termos de expansão dos centros urbanos, forte densidade populacional, a população residente continua à crescer. Esse dinamismo demográfico trouxe e traz novos desafios que a Câmara Municipal de Bissau deve estar a altura de responder”, reconheceu o Presidente da República.

Umaro Sissoco Embaló  recomendou à Câmara Municipal de Bissau a promoção de  parcerias com os órgãos da Comunicação Social para sensibilizar a opinião pública sobre a vantagem de ter a cidade limpa, nos domínios da  saúde da população em geral.

Bissau ganhou a categoria de Câmara Municipal a 06 de Fevereiro de 1948(Anuário da Guiné-Portuguesa). ANG/AALS//SG

sexta-feira, 15 de março de 2024

Diplomacia/Embaixador dos EUA analisa  com autoridades nacionais desafios de combate ao tráfico de drogas e seres humanos

Bissau, 15 Mar 24 (ANG) – O Embaixador dos Estados Unidos da América para a Guiné-Bissau e Senegal, Michael Raynor está em Bissau a analisar  com as autoridades nacionais os desafios que enfrentam no combate ao tráfico de drogas e seres humanos.

Em declarações à imprensa, à saída de uma audiência com o ministro do Interior e da Ordem Pública, o diplomata norte-americado disse que no encontro falaram sobre os desafios e as prioridades das autoridades guineenses no combate ao tráfico de drogas e  seres humanos,e ainda sobre  como se pode continuar a respeitar a democracia, liberdade das pessoas e seus direitos.

Michael Raynor referiu  que num país  democrático, o Ministério do Interior tem sempre dificuldades entre manter a paz e a segurança, mas diz que  existem príncípios que,   se forem respeitados, será fundamental para a salvaguarda da imagem da  Guiné-Bissau .

“E estamos juntos neste trabalho e hoje foi o inicio de um diálogo que penso que vai continuar para encontrar maneira de trabalharmos juntos para o bem deste país”,garantiu.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, Carlos Pinto Pereira, a embaixada dos Estados de América deve,em breve, reabrir as suas portas em Bissau, depois de 26 anos de encerramento.ANG/MSC/ÂC//SG

 

 

Caju/”Governo tem estado a trabalhar no sentido de viabilizar a campanha de 2024”, revela o prirmeiro-ministro

Bissau,15 Mar 24(ANG) – O Primeiro-ministro Rui Duarte Barros disse que o  Executivo tem estado a trabalhar para viablizar a campanha de comercialiação da castanha de caju do presente ano..

O Primeiro-ministro falava, hoje,  na cerimónia da abertura oficial da campanha de comercialização e exportação da castanha de caju/ 2024, realizada nas instalações de Arrey África, sita em João landim, região de Cacheu, norte do país.

“A castanha de caju é crucial para a economia do nosso país, pelo que o Governo tem estado a trabalhar no sentido de viabilizar a campanha de 2024, salvando assim milhares de guineenses que dependem desta cultura”, salientou.

Rui Barros destacou que, cerc
a de 85 por  cento da população depende da castanha de caju para a sua subsistência, e o combate a pobreza no mundo rural.

Sublinhou que a castanha de cajú tornou-se o principal produto de exportação do país, de 1996,desempenhando um papel crucial na formação do Pruduto Interno Bruto(PIB)

“O grande desafio neste setor para o nosso país é a valorização local do produto, antes de exportação, ou seja, a transformação de parte da produção anual em produtos processados, para aumentar  o rendimento gerado pelo caju”, frisou.

O primeiro-ministro disse que, por isso o Executivo almeja uma verdadeira revolução neste setor , apostando não só no reordenamento das plantações, mas também na transformação local, evitando incertezas que advém da sua comercialização no exterior.

“Por exemplo, quando o mercado estiver bom, em termos do preço ao produtor, todos os transformadores choram, e no ano em que o preço ao produtor for mau, todas as pessoas pensam na transformação”,disse Rui Duarte  Barros.

O ministro do Comércio e Indústria, Orlando Mendes Viegas sublinhou na cerimónia que a presente campanha, que decorre sob o lema: “Tolerância Zero ao Contrabando”, representa um desafio para todos, na medida em que o sucesso dela depende de uma fiscalização aturada e consequente, que cobre as etapas que vão desde a produção, passando pela intermediação  até a exportação.

Mendes Viegas afirmou que esta tarefa só será uma realidade se a população, as autoridades locais  e os atores da fileira de caju assumirem, plenamente, as suas responsabilidades.

“As campanhas dos anos anteriores não tiveram grandes êxitos, por várias razões. Os seus resultados deixaram sequelas na economia e na vida quotidiana da população”, salientou.

O governante sublinhou que a lição que se tirou dessas campanhas motivou  grandes reflexões, promovidas pelo Governo, particularmente a Presidência da República, os Ministérios do Comércio, da Economia, das Finanças, da Agricultura e dos Transportes, numa abordagem participativa com o setor privado e todos os atores concernentes.

“É importante sublinhar que em 2023, a previsão de exportação que estava fixada  em 226 mil toneladas não foi alcançada, tendo sido registada a exportação de  170 mil toneladas, registando um défice na ordem de 56 mil toneladas”, disse.

Orlando Mendes Viegas anunciou que a previsão de exportação para a presente  campanha   é de cerca de 200 mil toneladas.

A campanha de comercilaização da castanha de caju traduz-se na compra da castanha pelos intermediários junto dos produtores, e os intermediários a vendem aos  exportadores.

A Índia tem sido o maior comprador da castanha da Guiné-Bissau , mas o Governo tem diligenciado outros compradores, nomeadamente a China. O Governo fixa para este ano como preço base de compra da castanha junto ao produtor, o valor de 300fcfa, o quilo.ANG/ÂC//SG

Cooperação/ Turquia oferece três embarcações para patrulha do mar à Guiné-Bissau

Bissau, 15 Mar 24 (ANG) – O Governo da Turquia disponibilizou três embarcações para ajudar a Guiné-Bissau a patrulhar as suas costas maritimas no âmbito do combate à  pesca ilegal e ao tráfico de drogas.

O embaixador de Turquia  na Guiné-Bissau, Ali Sait Akim procedeu hoje a entrega das referidas embarcações  ao Governo guineense, através do Estado-maior da Armada, na presença do Presidente da República,Umaro Sissoco Embaló, Chefe de Estado-maior General  das Forças Armadas, Biaguê NTan e do ministro da Defesa Nacional, Nicolau dos Santos.

As  três embarcações  dispõem de  equipamentos para  vigilância marítima.

Na ocasião, o embaixador da Turquia no país declarou a disponibilidade de seu país continuar a  apoiar a Guiné-Bissau no processo de desenvolvimento, principalmente, na requalificação e na construção das infraestruras marítimas.

“É neste quadro que o Governo da Turquia doou estas embarcaçãoes ao Governo guineense para reforçar a sua capacidade de fiscalização maritima”, disse o diplomata turco.

O Presidente da República agradeceu ao seu homólogo da Turquia, Erdogam pela doação das  embarcações ao país,destinadas ao reforço das suas  capacidades de fiscalização, através do Estado-maior da Armada (Marinha).

Umaro Sissoco Embaló disse que, para além dessas embarcações, o país vai ainda beneficiar da Turquia, de cinco embarcações de transporte de passageiros, por forma a reduzir as dificuldades de ligação  entre a capital Bissau e as ilhas.

Estas jangadas, segundo o chefe de Estado, serão colocadas na travessia de Tchetchi, Farim,  Cubumba e de Bissau para Ntchudé.

Umaro Sissoco Embaló anunciou ainda para breve a recepção do Governo português  de um navio de transporte de cargas e passaseiros.

Disse que essas ações se enquadram nas celebrações do centenário do nascimento de Amilcar Cabral e de 60 anos da criação das Forças Armadas.

O chefe de Estado Guineense lamentou a situação da Força Aérea, em termos de materiais, por isso assegurou que vai diligênciar juntos dos parceiros equipamentos para  este ramo das Forças Armadas.

“Temos uma Força Aérea na teoria, mas na prática nada existe, porque uma Força Aérea tem que ser adopta  de meios, sobretudo de aviação, não só para garantir a segurança territorial, mas também ajudar na questão de evacuação sanitária”, afirmou.

Para que isso aconteça, segundo o chefe de Estado, é preciso que haja estabilidade no país.

Umaro Sissoco Embaló recomendou ao chefe de Estado-maior da Armada a fazer o bom uso das embarcações  recebidas do Governo da Turquia.

O Presidente guineense afirmou que as embarcações não servem só para fiscalização marítima, mas também para combate ao tráfico de drogas no mar.ANG/LPG/ÂC//SG



Desporto-futebol/FFGB lamenta morte do selecionador nacional da equipa feminina de futebol Romão dos Santos

Bissau, 15 mar 24 (ANG) – A Federação de Fetubol da Guiné-Bissau(FFGB) lamentou ,hoje , a morte súbita, na quinta-feira, do selecionador nacional da equipa feminina de futebol, Romão dos Santos.

Em nota de condolência publicada na sua página oficial de Facebook, a entidade máxima que gere o futebol nacional refere ter recebido recebido com “profunda tristeza”, a noticia sobre o desaparecimento fisico do técnico.

Neste momento de dor e consternação endereça à família as mais sentidas condolências.

Romão dos Santos, para além de orientar a equipa do Sport Bissau e Benfica, foi o seu Diretor Técnico, foi  adjunto de Baciro Candé no comando  técnico dos Djurtus, e técnico princiapal da selecção sub 23, e antes foi treinador da equipa de  FC de Bula.ANG/LPG/ÂC//SG


Economia
/Preços das moedas para sexta-feira, 15 de março de 2024

MOEDA

COMPRAR

OFERTA

Euro

655.957

655.957

dólares americanos

599.000

606.000

Yen japonês

4.030

4.090

Libra esterlina

764.500

771.500

Franco suíço

678.500

684.500

Dólar canadense

441.750

448.750

Yuan chinês

83.000

84.500

Dirham dos Emirados Árabes Unidos

162.750

165.500

 Fonte:BCEAO


Angola/ "Está-se a assistir a uma 'desocidentalização' do desenvolvimento económico mundial", diz economista angolano

 

Bissau, 15 Mar 24(ANG) - O Presidente angolano iniciou nesta sexta-feira 3 dias de visita oficial à China, com na sua agenda uma renegociação da dívida de Luanda para com Pequim. De acordo com João Lourenço, essa dívida que ascende atualmente a cerca de 17 mil milhões de dólares, viu desde já alguns dos seus termos serem revistos no âmbito desta deslocação.

Contraída depois do fim da guerra civil para financiar o vasto esforço de reconstrução de Angola, a dívida junto a China chegou a ser garantida com a produção de petróleo. Contudo, no ano passado, o executivo de João Lourenço que há muito preconizava novos termos para esta dívida, indicou que ela tinha deixado de ser condicionada pela produção de petróleo.

Com a crise gerada pelo covid, Angola beneficiou também de uma moratória de dois anos no pagamento da sua dívida com a China, esta moratória tendo entretanto chegado ao fim.

A deslocação oficial de João Lourenço decorre igualmente poucos meses depois de Angola assinar no final do ano passado uma série de acordos económicos com os Estados Unidos, nomeadamente no que tange ao corredor do Lobito sobre o qual Pequim se tinha posicionado. Isto não deixa de constituir um "irritante", sublinha o economista Alves da Rocha, director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola.

RFI: Em que fase estão as relações entre Angola e a China?

Alves da Rocha: Vão permanecer alguns "irritantes" entre Angola e a China, que toda a gente sabe quais foram. Houve projetos que a China tinha já em conta a execução ser sua. O que não aconteceu. Os Estados Unidos agora entraram em força e muita gente julga que esta entrada dos Estados Unidos tem a ver com investimento americano em Angola, nomeadamente na questão das novas energias e no solar. Mas não é bem assim. O que os Estados Unidos estão a fazer são empréstimos a Angola, não são investimentos diretos. O grosso tem a ver com linhas de crédito e com empréstimos que Angola vai ter que pagar, contando para isso que de facto estes projetos possam ser rentáveis e gerar algum valor agregado. Eu acho que de facto, a aposta de Angola em termos de cooperação internacional, até atendendo a que a atual Rosa-dos-ventos da geopolítica mundial não aponta para os Estados Unidos. Continuam a ser, evidentemente, da maior potência económica do mundo. A China, dentro de algum tempo, tirará esse lugar aos Estados Unidos, eu estou convencido, ainda que a dinâmica de crescimento da economia chinesa seja hoje menor do que foi no passado, o que é absolutamente natural. As economias não podem crescer durante 100 anos ou durante 50 anos a taxas de 10% ou 15%, ou 20%. Eu acho que, do ponto de vista político e do relacionamento internacional, aquilo que se está a passar no mundo e que muitos analistas políticos e cientistas políticos começam a recear uma guerra mundial, é que temos, de um lado potências nucleares -estou a falar da China e estou a falar da Rússia- e Angola foi se colocar ao lado dos Estados Unidos. Eu creio que foi uma má aposta, do meu ponto de vista. Eu não tenho todos os dados para fazer afirmações peremptórias, mas eu creio que o futuro económico do mundo não está nos Estados Unidos nem na Europa. O futuro económico do mundo está nos BRICS e os BRICS estão a arrastar algumas economias africanas a economias importantes. E, portanto, eu já tenho assinalado que, de há uns dez anos, 15 anos a esta parte, está-se a assistir a uma "desocidentalização" do desenvolvimento económico mundial. E esta ocidentalização vai crescer no futuro. A China tem, de facto, um modelo de desenvolvimento que tem permitido retirar da pobreza dezenas e dezenas de milhões de cidadãos chineses, criar uma classe média rica importante e disputar franjas do mercado internacional. Portanto, eu creio que este assunto também, julgo eu, deve fazer parte destas discussões entre João Lourenço e Xi Jinping. Mas confesso-lhe que, nas atuais condições de existirem alguns "irritantes" entre a China e Angola, não vai haver grandes hipóteses de aumentar o investimento direto chinês em Angola.

RFI: Voltando um pouco atrás relativamente àquilo que mencionou, a renegociação da dívida de Angola para com a China, até que ponto é que ela de facto pesa sobre a economia angolana? 

Alves da Rocha: O impacto da dívida pública à China é o mesmo que o impacto da dívida pública de Angola ao FMI, da dívida pública de Angola à França, da dívida pública de Angola a Portugal. Portanto, eu acho que vocês aí no Ocidente têm um "parti pris" qualquer contra a China, a dívida pública externa de Angola face à China. Eu creio que estará no momento em 18, 19 mil milhões de dólares e já esteve nos 30 ou nos 40 mil milhões de dólares. Angola tem vindo a amortizar a sua dívida pública externa face à China. Portanto, não vale a pena estar a pisar demasiado nos efeitos que a dívida pública externa de Angola à China pode ter. Os efeitos são idênticos aos efeitos que Angola tem e está a sofrer de ter dívidas públicas, sobretudo públicas, perante a União Europeia, perante Portugal, perante a França, perante o Reino Unido, perante os Estados Unidos. é exatamente a mesma coisa. É um peso sobre o orçamento, como são as outras dívidas públicas. Como deve saber, a China, devido justamente aos problemas que surgiram com o covid, deu uma moratória de dois anos a Angola, no sentido de aliviar o peso do serviço da dívida pública à China sobre o Orçamento Geral do Estado. Porque se é uma dívida pública, é o orçamento que tem que a pagar. Deu essa moratória. A moratória acabou, como acabou relativamente ao FMI, relativamente ao Banco Mundial. Estas moratórias acabaram e, agora, Angola tem que por si só arranjar forma de pagar as dívidas, limpar todos esses aspectos que influenciam negativamente o crescimento económico, reorganizar as componentes que fazem parte do clima de negócios e a atracção do investimento privado estrangeiro. E é por aí onde a gente tem que ir. Temos planos de desenvolvimento económico, onde realmente o peso da dívida está perfeitamente contemplado e perfeitamente calculado. Mas devo dizer que já no Orçamento Geral do Estado deste ano, estas matérias foram objeto de reconfiguração. E devo dizer que aquilo que mais nos aflige não é a dívida pública externa perante a China, porque nós temos capacidade de a pagar. O que mais nos aflige neste momento é a falta de competitividade da economia angolana e a questão da diversificação da nossa economia e é o facto de dependermos ainda muito do que acontece no mercado internacional de petróleo. Continuamos a ter uma dependência doentia do comportamento do mercado petrolífero internacional. Claro que era melhor não ter dívida. Claro que há problemas relacionados com a forma como Angola aplicou os empréstimos da China. Recorrentemente vem à baila 'a qualidade das obras públicas', que 'no fundo, foram executadas por empresas chinesas'. Há obras públicas executadas pelos chineses, que são excelentes. Há obras públicas que são más. Mas isso também se passa com os brasileiros e também se passa com os portugueses. Portanto, neste momento e dado até o passado de relações políticas entre Angola e a China, eu creio que hão de se encontrar formas, se for esse o caso e seguramente é, porque a dívida pública externa à China é aquela que tem maior peso no cômputo global da dívida pública externa de Angola. E todo o alívio que for por aí conseguido naturalmente que é bem-vindo. 

RFI: Nas circunstâncias que mencionou com o "irritante" que aconteceu recentemente entre Angola e a China devido aos acordos concluídos com os Estados Unidos, julga que a China estará com disposição para facilitar precisamente uma negociação relativamente à dívida? 

Alves da Rocha: Naturalmente que não somos só nós, pessoas, os humanos, que nos irritamos com determinados acontecimentos. Ao nível da política também há "irritantes". E quem inventou este termo até foi, penso que ainda o atual presidente da Assembleia Nacional Portuguesa. Estas coisas acontecem. E repare que a China já mostrou que está de facto irritada com estes "irritantes". E uma forma de o manifestar foi o atraso da nomeação do embaixador da China em Angola que a China esteve, creio, que dois meses sem um representante diplomático em Angola. E trata-se, tanto quanto julgo saber, de projetos que envolviam empresas chinesas e que envolviam financiamentos chineses que já tinham sido acordados e a China foi pontapeada para fora. Ora, em política também há "irritantes". Agora, o que é que se pode passar com estes "irritantes" ? Não sei. Isso depende da habilidade diplomática de Angola, se é que essa é uma das suas pretensões. Ver de que maneira que o peso excessivo da dívida e do serviço da dívida pública externa chinesa tem na nossa manobra económica e na nossa manobra financeira. De que maneira é que a diplomacia angolana pode efetivamente ultrapassar estes "irritantes"? Não sei. Isso já são os diplomatas. Eu não sou diplomata. O que lhe posso dizer em definitivo e para finalização de conversa, é que estudos que nós temos vindo a fazer no meu Centro de Estudos sobre a presença chinesa em África, não apenas em Angola, e apesar dos vários defeitos e das várias críticas que são feitas aos empreendimentos que a China tem em Angola, eu devo dizer que muitos angolanos, empresários e investigadores, passaram a preferir a cooperação económica com a China, em vez da cooperação económica, por exemplo, com a União Europeia que, ela, já existe há muitos anos e que nunca deu nada. Portanto, é altura de África e os países africanos repensarem a geografia da cooperação económica internacional. ANG/RFI

Portugal/Eleições na Rússia arrancam com Putin sem oposição para quinto mandato

Bissau, 15 Mar 24(ANG) – A Rússia realiza entre hoje e domingo eleições presidenciais, nas quais é esperada a recondução de Vladimir Putin para um quinto mandato presidencial até 2030, face à ausência de oposição independente, controlo de informação e o espetro da manipulação.


Segundo a Comissão Eleitoral Central, 112,3 milhões de eleitores são chamados a votar nos próximos três dias na Rússia e também nas regiões ocupadas na Ucrânia e na península ucraniana da Crimeia anexada, a que se somam 1,9 milhões no estrangeiro.

Esta é a primeira vez que as presidenciais russas se desenrolam em três dias, o que tem sido observado pelos analistas como um instrumento potencial de manipulação eleitoral, adicionando-se também a estreia da possibilidade de votação ‘online’ em 29 regiões e o aumento do risco de um controlo mais apertado através dos serviços de informações (FSB).

As eleições são vistas como uma mera formalidade com um vencedor antecipado, tendo sido autorizadas apenas candidaturas classificadas como amigáveis em relação ao Kremlin (presidência): Nikolai Kharitonov, do Partido Comunista, Leonid Slutsky, do nacionalista Partido Liberal Democrata, e Vladislav Davankov, do Novo Partido Popular.

Em 16 de fevereiro, o mais conhecido líder da oposição russa, Alexei Navalny, cuja tentativa de concorrer contra Putin em 2018 foi rejeitada, morreu repentinamente na prisão em circunstâncias pouco claras enquanto cumpria uma pena de 19 anos por acusações de extremismo.

Menos de uma semana depois, o Supremo Tribunal da Rússia rejeitou um recurso do opositor Boris Nadezhdin, que se manifesta abertamente contra a guerra na Ucrânia, após a deliberação da Comissão Eleitoral Central que recusou a sua candidatura por irregularidades processuais.

A própria candidatura de Putin está envolta numa teia de suspeição, após o Presidente russo ter sido acusado de violação da lei, ao avançar com a reforma constitucional para abrir caminho à sua reeleição por mais seis anos.

Em 2018, Putin venceu na primeira volta com 77,7%, deixando a larga distância os outros candidatos, num ato eleitoral que teve uma participação registada de 67,54%, embora observadores e eleitores individuais tenham relatado violações generalizadas, incluindo enchimento de urnas e votações forçadas.

Nos últimos anos, o parlamento introduziu legislação cada vez mais opressiva que restringiu a liberdade de expressão. A grande maioria dos meios de comunicação independentes russos foi proibida e qualquer pessoa acusada de espalhar o que o Governo considere ser “informação deliberadamente falsa” sobre a invasão da Ucrânia pode ser presa e condenada até 15 anos.

Estas presidenciais podem ser também vistas, segundo vários observadores, como um plebiscito interno de Putin para reforçar o apoio interno à invasão da Ucrânia, que custa ao Estado acima de 30% em gastos no setor da defesa, levando o Presidente russo a tentar tranquilizar a população no sentido de que a despesa social não está ameaçada.

A oposição vê, pelo seu lado, a votação como uma oportunidade para demonstrar a escala do descontentamento. Após a morte do marido na prisão em fevereiro, Yulia Navalnaya tem seguido os seus passos de contestação ao Kremlin e apelou aos russos para contestarem Putin, propondo que votem em qualquer candidato menos nele, deixem um voto nulo ou escrevam Navalny em letras grandes no boletim de voto.

Para domingo, está agendado o protesto internacional "Meio-dia contra Putin", um apelo da oposição que convida os cidadãos russos, na Rússia e no estrangeiro, a deslocarem-se às respetivas assembleias de voto ao meio-dia do último dia das eleições presidenciais “para expressarem uma posição coletiva contra a atual situação política”.

A Embaixada da Rússia em Lisboa disponibilizará uma mesa de voto nas suas instalações para permitir o voto nas eleições presidenciais entre as 08:00 e as 20:00 de domingo.

ANG/Inforpress/Lusa

 

     Senegal/Libertados opositores  a 10 dias das eleições presidenciais

Bissau, 15 Mar 24 (ANG) – O líder da oposição do Senegal, Ousmane Sonko, e o candidato presidencial Bassirou Diomaye Faye foram libertados esta quinta-feira da prisão, no âmbito de uma lei de amnistia para os detidos por atos políticos.

El Malick Ndiaye, porta-voz do Patriotas do Senegal, partido dissolvido pelas autoridades no ano passado, disse na rede social X que ambos os dirigentes tinham saído da prisão de Cap Manuel, na capital, Dacar.

Automóveis e pessoas a agitar bandeiras senegalesas encheram a estrada de acesso à prisão, cantando "Nós amamos Sonko", de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).

Uma multidão reuniu-se também perto da casa de Sonko, de 49 anos, noutro bairro da capital, a poucos quilómetros de distância.

Duas horas depois, Bassirou Diomaye Faye agradeceu "o apoio e a solidariedade" e anunciou a realização de uma conferência de imprensa esta sexta-feira.

Sonko estava detido desde Julho, acusado de "apelos à insurreição e conspiração" contra o Estado, algo que o obrigou a retirar-se da campanha presidencial, tendo Diomaye Faye sido apresentado como o "plano B" e aceite.

Isto apesar de Diomaye Faye estar detido desde Abril de 2023, acusado de desacato ao tribunal, difamação e atos susceptíveis de comprometer a paz pública, após ter criticado os juízes que condenaram Sonko.

O presidente do Senegal, Macky Sall, promulgou em 6 de Março a lei de amnistia aos detidos por atos políticos ocorridos desde 2021 e 2024, no meio de uma crise política.

Os senegaleses deveriam ter ido às urnas em 25 de Fevereiro, mas em 3 de Fevereiro, mesmo antes do início da campanha, Macky Sall adiou a votação por 10 meses.

A decisão originou manifestações que fizeram quatro mortos e um confronto entre o chefe de Estado, a Assembleia Nacional e o Conselho Constitucional.

Macky Sall acabou por recuar e marcar as eleições para 24 de Março.

A batalha das últimas semanas pôs à prova o apego do país à democracia, que tem sido fustigada por uma sucessão de golpes de Estado noutros pontos da região. ANG/Angop

Egipto/Presidente  esperançado num cessar-fogo "dentro de alguns dias"

Bissau, 15 Mar 24 (ANG) - O Presidente egípcio, Abdelfatah al-Sisi, manifes
tou-se hoje esperançado de que seja possível alcançar um acordo de cessar-fogo em Gaza em breve, após mais de cinco meses de combates entre Israel e o Hamas.

"Esperamos que dentro de alguns dias, no máximo, se chegue a um cessar-fogo e que não haja desenvolvimentos negativos que possam afetar ainda mais a situação", disse Al-Sisi, ao discursar numa cerimónia para os novos alunos da academia de polícia.

O Egipto, que tem uma fronteira com Gaza entre a Península do Sinai e a cidade palestiniana de Raffah, está a mediar as negociações com o Qatar e os Estados Unidos.

"Cinco meses é muito tempo para tanta violência", disse o líder egípcio, citado pela agência espanhola EFE.

A guerra em curso foi desencadeada pelo ataque do grupo islamita Hamas em solo israelita, em 07 de Outubro, que causou cerca de 1.200 mortos e duas centenas de reféns, segundo as autoridades de Israel.

Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza que matou mais de 31.300 pessoas até quinta-feira, segundo as autoridades do enclave governador pelo Hamas desde 2007.

"Estamos a fazer todos os esforços sinceros e fiéis para chegar a um cessar-fogo na Faixa de Gaza para proteger e salvar a nossa família em Gaza, especialmente os civis inocentes", afirmou o líder egípcio.

Al-Sisi disse que o Egipto está a tentar permitir que as pessoas que se amontoam em Rafah "se desloquem para os seus lugares no centro e no norte" do enclave, um dos pontos do projeto de cessar-fogo.

O Hamas anunciou na quinta-feira à noite uma nova resposta às negociações alcançadas através de mediadores no Egipto e no Qatar.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou ter recebido uma "visão global de um acordo de tréguas" proposto pelo Hamas, mas considerou que as exigências do grupo continuavam a ser irrealistas, segundo um comunicado do Governo.
Al-Sisi disse também que os números avançados para a reconstrução da Faixa de Gaza "são assustadores", além dos anos que serão necessários para o processo.

O líder egípcio estimou, na semana passada, que a reconstrução de Gaza custaria mais de 90 mil milhões de dólares (82,5 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

O reconhecimento internacional do Estado da Palestina, "apesar da crise e da grande miséria, seria a nossa consolação", acrescentou Al-Sisi.

Esperava-se um acordo sobre as tréguas antes do início do mês sagrado muçulmano do Ramadão, que começou no dia 11, mas as partes não chegaram a um consenso.

As exigências do Hamas, sobretudo o fim definitivo da guerra chocam com as de Netanyahu, que continua a proclamar a "vitória total" sobre o grupo islamita como o principal objetivo da guerra.

Israel, Estados Unidos e União Europeia consideram o Hamas como uma organização terrorista. ANG/Angop