Médio Oriente/EUA e Irã prevêem suspensão de ataques e negociam controle de Ormuz
Bissau, 29 Jun 26 (ANG) - Representantes
do Irã e de Omã se reuniram pela primeira vez nesta segunda-feira (29), desde a
assinatura do acordo entre Teerã e Washington, para discutir o controle do
Estreito de Ormuz, segundo o Ministério iraniano das Relações Exteriores.
“Está previsto que as discussões técnicas
continuem sobre todos os pontos do protocolo de acordo. As duas partes vão
interromper seus taques por enquanto e os navios podem circular
livremente” no Estreito de Ormuz e arredores, segundo um responsável americano
próximo das negociações.
O Irã
desaprovou o anúncio de Omã sobre a abertura de uma via de navegação
alternativa temporária, apresentada como uma iniciativa coordenada com a
ONU para retirar marinheiros e navios bloqueados. A passagem foi utilizada por
dezenas de embarcações nesta semana.
Desde quinta-feira, dois navios foram
atingidos por projéteis de origem desconhecida. Os ataques foram atribuídos a
Teerã pelo Exército dos EUA, que respondeu por dois dias consecutivos com
bombardeios ao Irã. O regime iraniano reagiu lançando mísseis e drones contra
seus vizinhos do Golfo, incluindo o Kuwait e o Bahrein.
O Irã
não descarta a imposição de “taxas”, inexistentes antes da guerra,apesar da
oposição dos estados Unidos.
Para
o governo americano, o estreito é uma “via navegável internacional”, embora
esteja às margens da costa iraniana e do sultanato de Omã.
De acordo com o sultanato, nenhuma “taxa de
passagem” estava prevista nos futuros acordos.
O governo de Omã menciona a criação de um
“corredor marítimo temporário”, apresentado como uma iniciativa coordenada com
a ONU. Negociações devem ocorrer na terça-feira, no Catar, com o objetivo de
superar divergências sobre a rota estratégica por onde passa cerca de 20% dos
hidrocarbonetos do mundo.
Embora Irã e Omã reivindiquem soberania sobre
o estreito, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM),
adotada em 1982, garante o direito de “passagem em trânsito” nos estreitos
utilizados pela navegação internacional, como o de Ormuz, essencial para
conectar o Golfo ao resto do mundo.
O
texto, que não foi ratificado por Teerã, estabelece que “todos os navios e
aeronaves” cujo objetivo seja o trânsito contínuo e rápido pelo estreito têm
liberdade de navegação sem entraves.
Ele foi
reaberto na semana passada, após ter sido parcialmente bloqueado pelo Irã no
início da guerra em Fevereiro. A medida desestabilizou o comércio mundial de
hidrocarbonetos e fez disparar os preços do petróleo.
Após a conclusão do memorando entre o país e
os EUA em 17 de Junho, Teerã autorizou apenas a passagem por um único corredor
ao longo de sua costa e ameaça atacar navios que desrespeitem essa regra.
“Nenhuma outra instituição ou país”, além do
Irã, é “responsável” pela gestão do estreito, afirmou no domingo o chefe da
diplomacia, Abbas Araghchi. “Qualquer ingerência”, disse, levará a atrasos em
sua reabertura e aumentará as tensões.
No Líbano, que Teerã havia exigido incluir no protocolo de acordo com os
Estados Unidos, Israel continuou seus ataques no domingo, apesar também da
assinatura, na sexta-feira, em Washington, de um acordo para obter a “paz
duradoura”.
Em um comunicado
conjunto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa
israelense, Israel Katz, anunciaram que o exército destruiu um longo e profundo
túnel do Hezbollah no sul do Líbano.
A Agência Nacional de
Informação libanesa (ANI, oficial) relatou bombardeios, enquanto o Ministério
da Saúde informou dois feridos após o lançamento de uma granada pelo “inimigo
israelense” contra uma localidade no sul do país.
O presidente do
Parlamento libanês, aliado ao Hezbollah pró-Irã, Nabih Berri, afirmou no
domingo que o acordo com Israel “não será adotado” no formato atual. O
movimento xiita, que também rejeita esse acordo, declarou que se reserva o
direito de “defender sua pátria” após os recentes ataques israelenses.
O acordo condiciona a retirada de Israel do Líbano, onde suas tropas ocupam uma área no sul, ao desarmamento do Hezbollah, uma exigência de longa data que Beirute tem dificuldade em implementar. O país foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio a seu aliado iraniano, após a ofensiva americano-israelense contra Teerã.ANG/AFP / Reuters

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