segunda-feira, 29 de junho de 2026

Médio Oriente/EUA e Irã prevêem suspensão de ataques e negociam controle de Ormuz

Bissau, 29 Jun 26 (ANG) - Representantes do Irã e de Omã se reuniram pela primeira vez nesta segunda-feira (29), desde a assinatura do acordo entre Teerã e Washington, para discutir o controle do Estreito de Ormuz, segundo o Ministério iraniano das Relações Exteriores.

Neste domingo (28), os Estados Unidos anunciaram que os ataques com o Irã seriam suspensos e as negociações retomadas.

“Está previsto que as discussões técnicas continuem sobre todos os pontos do protocolo de acordo. As duas partes vão interromper seus taques por enquanto e os navios podem circular livremente” no Estreito de Ormuz e arredores, segundo um responsável americano próximo das negociações.

 

O Irã desaprovou o anúncio de Omã sobre a abertura de uma via de navegação alternativa temporária, apresentada como uma iniciativa coordenada com a ONU para retirar marinheiros e navios bloqueados. A passagem foi utilizada por dezenas de embarcações nesta semana.

 

Desde quinta-feira, dois navios foram atingidos por projéteis de origem desconhecida. Os ataques foram atribuídos a Teerã pelo Exército dos EUA, que respondeu por dois dias consecutivos com bombardeios ao Irã. O regime iraniano reagiu lançando mísseis e drones contra seus vizinhos do Golfo, incluindo o Kuwait e o Bahrein.

O Irã não descarta a imposição de “taxas”, inexistentes antes da guerra,apesar da oposição dos estados Unidos.

 

Para o governo americano, o estreito é uma “via navegável internacional”, embora esteja às margens da costa iraniana e do sultanato de Omã.

 

De acordo com o sultanato, nenhuma “taxa de passagem” estava prevista nos futuros acordos.

O governo de Omã menciona a criação de um “corredor marítimo temporário”, apresentado como uma iniciativa coordenada com a ONU. Negociações devem ocorrer na terça-feira, no Catar, com o objetivo de superar divergências sobre a rota estratégica por onde passa cerca de 20% dos hidrocarbonetos do mundo.

Embora Irã e Omã reivindiquem soberania sobre o estreito, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), adotada em 1982, garante o direito de “passagem em trânsito” nos estreitos utilizados pela navegação internacional, como o de Ormuz, essencial para conectar o Golfo ao resto do mundo.

O texto, que não foi ratificado por Teerã, estabelece que “todos os navios e aeronaves” cujo objetivo seja o trânsito contínuo e rápido pelo estreito têm liberdade de navegação sem entraves.

 

Ele foi reaberto na semana passada, após ter sido parcialmente bloqueado pelo Irã no início da guerra em Fevereiro. A medida desestabilizou o comércio mundial de hidrocarbonetos e fez disparar os preços do petróleo.

 

Após a conclusão do memorando entre o país e os EUA em 17 de Junho, Teerã autorizou apenas a passagem por um único corredor ao longo de sua costa e ameaça atacar navios que desrespeitem essa regra.

 “Nenhuma outra instituição ou país”, além do Irã, é “responsável” pela gestão do estreito, afirmou no domingo o chefe da diplomacia, Abbas Araghchi. “Qualquer ingerência”, disse, levará a atrasos em sua reabertura e aumentará as tensões.

No Líbano, que Teerã havia exigido incluir no protocolo de acordo com os Estados Unidos, Israel continuou seus ataques no domingo, apesar também da assinatura, na sexta-feira, em Washington, de um acordo para obter a “paz duradoura”.

 

Em um comunicado conjunto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciaram que o exército destruiu um longo e profundo túnel do Hezbollah no sul do Líbano.

A Agência Nacional de Informação libanesa (ANI, oficial) relatou bombardeios, enquanto o Ministério da Saúde informou dois feridos após o lançamento de uma granada pelo “inimigo israelense” contra uma localidade no sul do país.

O presidente do Parlamento libanês, aliado ao Hezbollah pró-Irã, Nabih Berri, afirmou no domingo que o acordo com Israel “não será adotado” no formato atual. O movimento xiita, que também rejeita esse acordo, declarou que se reserva o direito de “defender sua pátria” após os recentes ataques israelenses.

O acordo condiciona a retirada de Israel do Líbano, onde suas tropas ocupam uma área no sul, ao desarmamento do Hezbollah, uma exigência de longa data que Beirute tem dificuldade em implementar. O país foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio a seu aliado iraniano, após a ofensiva americano-israelense contra Teerã.ANG/AFP / Reuters

 

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