Irã/ Governo aceita retorno de inspetores da AIEA após negociações com os EUA
Bissau, 23 Jun 26 (ANG) - O Irã concordou em convidar
novamente inspetores da Agênci
a Internacional de Energia Atómica (AIEA) para
retornarem ao país, segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, na
segunda-feira (22), na Suíça, após negociações destinadas a encerrar a guerra
no Oriente Médio.
"Este é um marco importante para o
povo americano e um primeiro passo em direção à desnuclearização definitiva, ou
seja, à interrupção permanente do programa de armas nucleares do Irã",
declarou Vance à imprensa, acrescentando que espera que isso aconteça ainda
nesta semana.
O
vice-presidente norte-americano fez as declarações antes de deixar a Suíça após
18 horas de negociações intensas realizadas em um resort de luxo nos Alpes
suíços com uma delegação iraniana e autoridades de alto escalão do
Paquistão e do Catar, países que atuaram como mediadores.
O Irã, que não confirmou imediatamente as informações, havia suspendido temporariamente a cooperação com a agência da ONU após ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos contra suas instalações em Junho de 2025.
Desde então, os inspetores da AIEA não
conseguiram visitar os locais afetados, o que mantém incerta a situação dos
estoques de urânio altamente enriquecido do país, um dos principais pontos de
divergência com Washington. No entanto, receberam autorização para visitar
outras instalações nucleares iranianas nos últimos meses.
Na semana passada, os presidentes dos
Estados Unidos e do Irã assinaram, separadamente, um memorando de entendimento
pelo qual Teerã se comprometeu a diluir seu estoque de urânio altamente
enriquecido em troca do alívio de sanções internacionais, embora os detalhes do
acordo ainda precisem ser definidos.
Segundo o documento, os dois países
discutirão um mecanismo durante um período de negociação de 60 dias para lidar
com esses estoques, "utilizando, no mínimo, um método de diluição no local
sob supervisão da AIEA".
A redução do grau de enriquecimento do
urânio para menos de 5% tem como objetivo impedir seu uso potencial para fins
militares. Para a fabricação de uma arma nuclear, é necessário um nível de
enriquecimento de cerca de 90%.
Países ocidentais e Israel suspeitam que
Teerã busque desenvolver armas nucleares, mas a República Islâmica nega ter
essa intenção.
O
destino de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido,vistos pela
última vez por inspectores da AIEA em 10 de Junho de 2025, permanece incerto.
Na segunda-feira, o vice-presidente dos
Estados Unidos saudou a "base muito sólida" estabelecida durante as
conversas iniciais com o Irã, na Suíça, com o objetivo de encerrar
definitivamente a guerra no Oriente Médio, observando que o foco agora se
voltou para "discussões técnicas". "Ainda não construímos a
casa, mas lançamos uma base sólida para chegar a um resultado favorável ao povo
americano."
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz
continuou, na segunda-feira, em ritmo mais intenso do que antes do acordo,
segundo plataformas de monitoramento marítimo.
Os Estados Unidos e o Irã deverão
estabelecer uma "linha de comunicação" destinada a prevenir incidentes
e mal-entendidos, "com o objetivo de garantir a passagem segura de navios
comerciais", afirmaram Islamabad e Doha.
Os mercados pareciam mais tranquilos na
segunda-feira. O petróleo Brent do Mar do Norte, referência global para os
preços da commodity, que havia superado os US$ 126 por barril durante a guerra,
o nível mais alto em quatro anos, recuou acentuadamente e era negociado abaixo
de US$ 80.
Ainda assim, analistas permanecem
cautelosos após novas ameaças do presidente Donald Trump, que instou Teerã a
impedir que seus aliados no Líbano, em referência ao Hezbollah, "causassem
problemas", advertindo que, caso contrário, os Estados Unidos retomariam
os ataques.
As declarações do presidente
norte-americano afastaram, ao menos por ora, qualquer perspectiva de
desescalada imediata do conflito.
ANG/RFI/AFP

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