Médio Oriente/Irão rejeita reunião com os EUA no Qatar para discutir programa nuclear
Bissau,30
Jun 26(ANG) – O Irão voltou hoje a descartar a possibilidade de manter
conversações com os Estados Unidos em Doha, depois de o Presidente norte‑americano
ter afirmado que os dois países se reuniriam para discutir o programa nuclear
iraniano.
“Não
haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte norte‑americana”,
declarou na segunda‑feira à noite o porta‑voz do Ministério dos Negócios
Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, citado pela agência IRNA.
O
diplomata acrescentou que a deslocação de representantes dos EUA “não tem
relação com a viagem da delegação iraniana”.
Segundo
Baghaei, uma equipa técnica iraniana desloca‑se hoje a Doha apenas para abordar
com as autoridades cataris a libertação de ativos bloqueados, no âmbito da
aplicação do memorando de entendimento assinado com Washington a 17 de Junho
para pôr fim à guerra.
O
porta‑voz sublinhou que a prioridade da República Islâmica é garantir a
execução das cláusulas do memorando, nomeadamente a cláusula 11, que prevê a
libertação dos ativos iranianos.
Acrescentou
que o país “ainda não entrou na fase de negociação para um acordo definitivo”,
já que, de acordo com a cláusula 13, essas conversações só poderão começar
quando forem aplicadas as disposições relativas ao fim da guerra em todas as
frentes, incluindo o Líbano, a reabertura do estreito de Ormuz, a suspensão das
sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos e a libertação dos fundos
iranianos.
Na
mesma linha, o vice‑ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem
Gharibabadi, reiterou que em Doha não será mantida "nenhuma negociação com
os Estados Unidos”, embora tenha admitido que o memorando “está a avançar em
alguns aspetos”. Denunciou ao mesmo tempo incumprimentos relacionados com o
Líbano.
As
declarações surgem após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter
afirmado que os enviados especiais da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared
Kushner, se reuniriam hoje em Doha com representantes iranianos para abordar o
programa nuclear.
No
passado dia 21 de Junho, Teerão e Washington acordaram um calendário de 60 dias
para alcançar um acordo definitivo de paz que inclua o programa nuclear
iraniano.
Contudo, a
tensão voltou a aumentar nos últimos dias com ataques iranianos contra navios e
bombardeamentos norte‑americanos contra alvos militares na costa sul do Irão,
seguidos de represálias iranianas contra bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein.
Estes
foram os primeiros ataques trocados entre as partes desde o memorando de
entendimento assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irão em 17 de Junho.
Ao
abrigo do memorando, os dois lados vão prosseguir negociações com um prazo de
60 dias, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear
iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e
dos seus bens congelados no exterior.
Também
hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou ter discutido a
futura gestão de Ormuz com Omã, país situado no extremo oposto do estreito.
A
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) - adotada em 1982,
mas não ratificada por Teerão - garante o direito de "passagem em
trânsito" por estreitos utilizados para a navegação internacional, como o
de Ormuz, essencial para ligar o Golfo Pérsico ao resto do mundo.
Além
da tensão em torno do estreito, o diálogo encontra-se também ameaçado pela
continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano,
país abrangido pela trégua por exigência de Teerão. ANG/Inforpress/Lusa

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