sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Colômbia


Forças da antiga guerrilha na disputa política do poder

Bissau, 23 Set 16As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram esta semana, na conferência que realizam nos Llanos del Yarí, em San Vicente del Caguan, que se tornam partido político em 27 de Maio do próximo ano e participam nas eleições legislativas e presidenciais de 2018. 
A data, explicou o porta-voz da guerrilha, foi escolhida por as FARC terem sido fundadas em 27 de Maio de 1964 e por até Maio do próximo ano, segundo o acordo com o Governo colombiano, a guerrilha terminar as três fases de entrega das armas.  

A Décima Conferência Nacional Guerrilheira termina hoje e junta à porta fechada 29 membros do Estado-Maior Central das FARC, liderados pelo seu líder máximo  Timoleón Jiménez “Timochenko”, e cerca de 200 delegados das diferentes estruturas.

Na conferência, realizada pela primeira vez com o aval das autoridades colombiana e aberta aos meios de comunicação social, que marca o início da transição das FARC a partido político, a guerrilha agendou a analise de  “30 teses” redigidas para explicar às bases guerrilheiras os temas negociados. 

O pacto de Havana inclui, em 297 páginas, pautas para o desenvolvimento agrário, soluções para o problema das drogas ilícitas e a participação política dos guerrilheiros. Inclui, também, o seu desarmamento e reinserção social, o sistema especial de justiça ao qual podem recorrer e o seu compromisso com a reparação às vítimas. Pablo Catatumbo, alto dirigente da guerrilha, revelou que os delegados das FARC reunidos na décima Conferência Nacional Guerrilheira manifestam “apoio unânime” ao acordo de paz assinado em Agosto com o Governo colombiano.

Durante os debates, afirmou pablo Catatumbo, foram propostos alguns dos princípios do futuro partido político, como “combater a corrupção e manter o respeito pelas ideias alheias e a luta pelas ideias”, incentivar a “democracia ampliada e uma Colômbia inclusiva socialmente e mais justa”, que “respeite os princípios democráticos”.

Membros das FARC chegaram de toda a Colômbia a Caguán, tradicional reduto da guerrilha no sudeste do país, para se pronunciar sobre o acordo que deve acabar com um conflito que deixou oito milhões de vítimas, entre os quais 260 mil mortos em confrontos entre guerrilhas, paramilitares e agentes do Estado.

A Décima Conferência Nacional Guerrilheira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia deve ratificar o acordo de paz alcançado com o Governo colombiano para terminar mais de meio século de violência e “vai de vento em popa”, de acordo com o negociador-chefe da guerrilha, Iván Márquez, que liderou as negociações de paz com o Governo liderado por Juan Manuel Santos, iniciado em Havana, capital cubana, há quatro anos. 

Espera-se, também, que as FARC ratifiquem o acordo, a deposição das armas e a sua transformação num partido ou movimento político.

O acordo é assinado na segunda-feira pelo Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e pelo líder máximo das FARC, Timoleón Jiménez  “Timochenko” numa grande cerimônia com a presença de líderes internacionais.

Para entrar oficialmente em vigor, a população colombiana deve votar no referendo pelos termos de paz marcado para dois Outubro. 

O Tribunal Constitucional colombiano determinou ser preciso, para validar o documento assinado pelas partes, que pelo menos 13 por cento do censo eleitoral vá às urnas, ou seja, que pelo menos 4,5 milhões de pessoas precisam votar para que o resultado, sim ou não ao acordo de paz, seja acatado pelo Governo colombiano e pelas FARC. 

A guerrilha promete aceitar o qu
e a população decidir.

Num vídeo divulgado no início do mês, o negociador-chefe das FARC para o acordo de paz, Iván Marquez, reconheceu que a guerrilha “também causou grande dor na Colômbia” no longo conflito que durou 52 anos e reiterou o compromisso de “não repetir de acções violentas no país após o acordo de paz com o Governo”

“Queremos reconhecer com sentimento de humanidade e reconciliação que, no desenvolvimento do conflito, também causámos uma grande dor com a retenção de pessoas por razões económicas. Ainda que sempre tiveram um propósito de sustentar as necessidades da rebelião, os sequestros prejudicaram relações familiares”, afirmou em Havana, sede das negociações de paz.

Iván Marquez exortou na altura todos os envolvidos no conflito a reconhecer as suas responsabilidades e se comprometer a nunca mais repetir o que foi feito durante a guerra. “Que estas práticas fiquem sepultadas para sempre com o fim da guerra”, concluiu.

As FARC e o Governo colombiano anunciaram o fim das negociações de paz, que duraram quatro anos, no dia 24 de Agosto em Havana, capital de Cuba. 

Em 29 de Agosto foi ordenado um cessar-fogo definitivo, tanto por parte das forças oficiais quanto das FARC, encerrando o conflito armado entre o Governo e a guerrilha.

Nascida de uma insurreição camponesa em 1964, as FARC contam com cerca de sete mil combatentes, de acordo com estimativas oficiais. Já tiveram quase 20 mil.

ANG/SAPO

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Crise política


ONU saúda líderes políticos guineenses

Bissau, 22 Set 16 (ANG) - O Secretário-Geral da ONU elogiou num comunicado divulgado quarta-feira os progressos alcançados pelos líderes políticos da Guiné-Bissau e o acordo assinado entre estes, que prevê um governo inclusivo destinado a pôr fim à atual crise política e institucional e que gere o pais até a próxima legislatura, em 2018.

Segundo o comunicado, Ban Ki-moon falava durante um encontro, na segunda-feira, com o Presidente guineense em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU e no qual foi abordado a situação do país da África Ocidental.

José Mário Vaz e Ban Ki-moon, conclui a nota, discutiram o impacto socioeconómico da crise sobre a população guineense e a importância de se criarem condições para a retomada completa do apoio financeiro internacional ao país.

Na terça-feira, o ministro português dos Negócios Estrangeiros afirmou, no final de um encontro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em Nova Iorque, também à margem da cimeira da ONU, que há “consenso internacional” sobre o acordo político alcançado na Guiné-Bissau.

Os políticos guineenses concordaram este mês com a criação de um novo Governo inclusivo. 

Segundo o acordo entre os políticos, entre as tarefas essenciais do novo Governo inclusivo está a revisão da Constituição, a reforma da lei eleitoral, da lei-quadro dos partidos políticos e do sector militar.

No domingo, na celebração dos 60 anos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em Bissau, o seu presidente,  Domingos Simões Pereira, manifestou disponibilidade para a reconciliação nacional.

“Expressamos, evocando a Amílcar Cabral e os seus ensinamentos, a nossa disponibilidade para o diálogo inclusivo, a reconciliação e a coesão interna do partido”, disse na ocasião o líder da maior força política guineense.  

“Estamos dispostos a todos os sacrifícios e concessões para resgatar o direito e a responsabilidade de construir a nação, é chegado o momento de experimentarmos algo de novo, diferente”, disse Domingos Simões Pereira, para concluir que o PAIGC “deve ser reconhecido como a formação política escolhida pelo povo para governar nesta legislatura”. 

ANG/SAPO

Cinema


Presidente do INCA garante “para breve” emissão de carteira profissional aos técnicos do sector

Bissau 22 set. 16 (ANG) - O presidente do Instituto Nacional do Cinema e do Audiovisual (INCA) disse hoje que têm em vista “para breve” o início de emissão de carteiras profissionais para os técnicos do sector do cinema e do audiovisual.

Em entrevista concedida à Agência de Notícias da Guiné – ANG – Leonardo Cardoso assegurou que, para o efeito, serão colocadas certas exigências em relação a cada ofício da área do cinema.

O presidente do Instituto Nacional do Cinema e do Audiovisual afirmou que a medida evitaria com que todo o mundo fosse realizador, cenarista, director de fotografia ou até produtor de cinema sem preparação adequada.

Aquele responsável disse que têm tido problemas sérios quanto a emissão da carteira profissional, porque requer uma regulamentação por parte do Estado.

“No momento, está aprovad
a a única lei relativa a criação do INCA através do  decreto de 1978, constatamos grande evolução no mundo do cinema em termos de orgânicas do governo e outras reformas sobre os quais estamos ultrapassados”, disse.

Quanto ao apoio aos cineastas nacionais, o presidente do INCA disse que têm dado mais apoio moral.
Aquele responsável disse que apesar de ser uma estrutura pública, o Instituto Nacional do Cinema e Audiovisual nunca beneficiou de uma verba orçamental ou de um fundo de apoio estatal para o sector da cinematográfica.

Leonardo Cardoso afirmou que, em termos de funcionamento interno, têm-se agilizado administrativamente no sentido de cobrir os salários do pessoal.

“Temos recebido apoios significativos de cineastas como Flora Gomes e Sana Na Hada que estão todos os dias a acompanhar o INCA na orientação de novos atores guineenses”, contou.

O presidente do INCA afirmou que têm mantido algumas relações de cooperação que se resumem em parcerias com instituições congéneres de alguns países africanos avançados em matéria de formação e  legislação, em termos de produção e de coprodução cinematográfica, nomeadamente com  Cabo Verde, Senegal,  Burkina Faso e  Costa do Marfim.

“Não podemos continuar a fazer cinema com o pessoal sem qualquer qualificação. Senão, corremos o risco de estar a fazer produções de muito baixo nível e que não podem ser apresentadas fora do país”, salientou. 

ANG/FGS/SG






Assembleia Geral da ONU


Presidente Mário Vaz promete trabalhar para consolidação da paz e estabilidade social no país

Bissau,22 Set 16 (ANG) – O Presidente da República  prometeu fazer tudo, através de um diálogo político franco e aberto com todas as forças vivas do país, para a consolidação do clima de paz e estabilidade social, que considera  indispensáveis para o processo de governação.

José Mário Vaz que discursava quarta-feira na septuagésima primeira Sessão da Assembleia Geral da ONU, a decorrer em Nova Iorque, sob o tema “ problemática do desenvolvimento sustentável”, disse que, para a Guiné Bissau, a presente sessão representa  uma oportunidade para reforçar os compromissos, bem como de partilha da responsabilidade entre todos os actores internacionais na realização  dos objectivos da agenda 2030.

O chefe de Estado guineense afirmou que o Programa de Acão de Adis-Abeba para financiar o desenvolvimento, aprovado pela Assembleia Geral, em julho de 2015, alimenta novas esperanças no que se refere ao financiamento para a realização dos objectos do desenvolvimento sustentável.

Acrescentou que os compromissos assumidos entre as partes, devem ser respeitados e harmonizados para que os objetivos da agenda 2030 e do programa de ação de Adis-Abeba sejam realizados .

O Presidente da República da Guiné-Bissau afirmou que o país está determinado  em assumir a responsabilidade que lhe cabe na implementação dos compromissos na base de estratégia global e regional.

“Nesta perspetiva, estou satisfeito pelo facto do nosso Plano Nacional do Desenvolvimento estar alinhado com  grande parte dos objetivos que compõem a agenda 2030. Devo elogiar, por outro lado, a vontade política das autoridades nacionais de reajustar progressivamente este plano, tendo em vista a acomodação  integral dos 17 objetivos do desenvolvimento traçados”, referiu.

Afirmou que o país tem um capital natural muito importante para alavancar o seu desenvolvimento e a preservação do ambiente na região da África ocidental, frisando  que a biodiversidade tornou-se num eixo transversal ao desenvolvimento do país.

José Mário Vaz falou também do recente acordo assinado com vista a ultrapassar a presente situação política do país e o bloqueio no parlamento, sob a égide da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO).

Considera  ser um passo importante para o apaziguamento das tenções políticas e  o alcance de plataformas de consenso que permita garantir a estabilidade governativa até ao fim da presente legislatura. 

O presidente da República da Guiné-Bissau renovou o seu pedido de apoio das Nações Unidas ao processo de reconciliação nacional em curso no país,  à participação das Forças Armadas em missões de manutenção de paz,  materialização da reforma no sector da defesa e segurança, sobretudo no controlo de armamentos e gestão de materiais de guerra,  construção de paióis e recuperação casernas e obtenção de fundos de reintegração dos desmobilizados. 

José Mário Vaz pediu ainda a implementação do acordo de Paris , por ser um instrumento de regulação do diálogo e da cooperação internacional entre os Estados que têm nas suas mãos o destino do planeta.

O Presidente  abordou ainda questões de alterações climáticas no seu país que representam um perigo emergente, por a Guiné-Bissau ser um país costeiro.

O chefe de Estado destaca  o assunto das mudanças climáticas  como uma das principais prioridades das açoes politicas, razão pela qual disse querer participar na cimeira dos oceanos do próximo ano.

  ANG/LPG/ÂC/SG
    



Eminigração clandestina


Barco com emigrantes clandestinos com destino para Espanha resgatados nas ihas bijagós 

Bissau,22 Set 16(ANG) - Um barco com 28 emigrantes ilegais que diziam ter como destino Espanha foi resgatado junto às ilhas Bijagós, a cerca de 4 mil quilómetros do destino.

Segundo a Lusa, os migrantes eram oriundos da Guiné-Conacri e na embarcação seguiam ainda nove tripulantes do Gana, país de origem do navio, de acordo com o testemunho dos viajantes.

Os 37 ocupantes foram resgatados depois de um pescador ter acudido aos seus gritos de socorro, junto ao canal de Orango Grande, onde estavam encalhados num banco de areia.

Quando se aproximou, explicaram-lhe que "já tinham passado dois dias de sacrifício" depois de terem ficado "sem pilha no GPS", acrescentou fonte do Instituto Marítimo Portuário(IMP) do país.

As autoridades locais agruparam embarcações que os levaram para a ilha de Bubaque, principal povoação do arquipélago dos Bijagós, onde receberam assistência e se encontram sob a alçada da Guarda Nacional.

Fonte do IMP guineense disse ainda à Lusa que não há registo de outro caso semelhante nas águas da Guiné-Bissau e remeteu detalhes para um relatório a ser elaborado nos próximos dias.

Entretanto, uma comitiva composta por elementos de diferentes autoridades do país seguiu quarta-feira de Bissau para Bubaque para se inteirar do assunto e continuar a prestar assistência aos ocupantes da embarcação.

ANG/Lusa

“24 de Setembro”


 Guineenses lamentam estado do país após 43 anos de independência

Bissau, 22 Set. 16 (ANG) – Alguns cidadãos guineenses manifestaram hoje as suas deceções  em relação a situação difícil em que a Guiné-Bissau se encontra, volvidos  43 anos de sua independência.

Numa auscultação feita pela ANG no quadro da  festa da independência que se assinala no próximo dia 24 de Setembro, os cidadãos entrevistados foram unânimes em considerar que a luta pela libertação nacional valeu a pena, mas lamentam  os “falhanços” cometidos por sucessivos governos, 
que não conseguiram pôr na prática os objetivos de melhorar as condições de vida das populações, traçados por Amílcar Cabral.

De acordo com Diamantino Henrique Fernandes, eletricista de profissão residente em Bissau,  a independência era uma oportunidade para o país poder andar, digamos  com os seus” pés”.

“Lamentavelmente,   os sucessivos governos e governantes que passaram na Guiné-Bissau não conseguiram transformar essa oportunidade em ações de desenvolvimento do pais”.

Diamantino Fernandes considera que  o partido libertador, neste caso o PAIGC, desviou do seu objetivo que era de desenvolver o país que libertou com suor e sangue, dando ao  povo a oportunidade de ter escolas, comunicação e saúde.

“O impasse em que estamos mergulhados até hoje se deve a falta de escolas”, disse, tendo contudo manifestado  a esperança de um entendimento no seio dos políticos para o bem do país que, segundo disse, já sofreu muito .

Por seu turno, Seco Djamanca, estudante e pequeno comerciante morador no Bairro de Varela, frisou que a liberdade foi uma solução, mas não  para ser independente e viver como estranho no  próprio país.
O estudante disse sentir-se orgulhoso de ser guineense, livre de opressão colonial, mas que ao mesmo tempo se sente triste com o rumo que a Guiné-Bissau tomou passados os 43 anos de independência.




“O país está na estaca zero e só fabrica maus valores como corrupção, inveja, intriga no seio dos políticos e governantes, levando o povo a viver na extrema pobreza. Os governantes  desprezam o povo”, lamentou.

Assumane Moinó Sá, estudante universitário, residente no bairro de Belém salientou que a independência é um acontecimento bonito, mas que, devido a falta de preparação dos  responsáveis do país, tudo correu mal.

“Foi o que aconteceu na Guiné-Bissau com os diferentes dirigentes que passaram no país com os seus atos infelizes. Levaram o povo a pagar a culpa que é deles , “disse.

Hoje em dia, segundo Anssumane Sá, no país, os “peixes grandes” estão a devorar os “pequenos”. Por isso questiona: para que serve a independência se o povo vive nas mesmas ou piores condições  que na era colonial?

Por sua vez, Quinta Paulino Cá, doméstica e vendedeira de peixe acha que os colonialistas deviam ter ficado até então na Guiné, porque, na sua opinião, a independência, passados os 43 anos, “não trouxe nada de melhor”.

Quinta Cá pede mudança dos governantes guineenses que diz terem perdido “o norte”.
Disse que, se se comparar o país atual com a situação em que se encontrava há 10 ou 15 anos vai se chegar a conclusão que está a afundar cada vez mais, por culpa de políticos. 

ANG/MSC/SG

Aliança Africana de Caju


Florentino Nanque eleito novo presidente  

Bissau, 22 Set 16 (ANG) – O guineense, Florentino Nanque, ex-presidente da Comissão Nacional do Caju foi eleito presidente da Aliança Africana de Caju (ACA) para um mandato de  dois anos.

A escolha da ex-presidente da Associação Guineense dos Processadores de Castanha de Caju foi feita quarta-feira no final da décima Conferência Africana de Caju que decorreu de 20 à 22 do mês em curso, em Bissau e sob o lema: “Uma década de transformação”. 

Ao presidir a cerimónia de encerramento do evento, o Primeiro-ministro Baciro Djá felicitou o novo presidente e prometeu tudo fazer para desenvolver o sector industrial do caju na Guiné-Bissau de modo a promover o bem-estar do povo.

“A Guiné-Bissau é um país de Caju, de povo simples, solidário e sobretudo das pessoas muito tolerantes. A Guiné-Bissau que vocês têm oportunidade de observar estes dias é um país de verdade. O que vocês escutam da Guiné-Bissau de que é um país de problemas não corresponde mínima a verdade”, vincou, Baciro Djá.

O governante sublinhou que a conferência de ACA é sem dúvida uma oportunidade para o melhoramento de produção nacional de castanha de caju, e que, assim sendo, o governo irá assumir a sua responsabilidade com a finalidade de gerar mais emprego no país. 

Baciro Djá disse que celebrar o décimo aniversário da ACA na Guiné-Bissau, país no qual foi criada, representa uma oportunidade de melhorar a política no sector de caju assim como elogiar o papel do país pelos  resultados alcançados pela organização.

“É indispensável e incontornável a aposta de transformação de castanha de caju no país para permitir a sua valorização integral.”, afirma o Primeiro-ministro.

Por sua vez, o novo presidente de ACA, Florentino Nanque prometeu adotar uma estratégia que permita ao desenvolvimento sustentável do sector do caju.

 “Vamos desencadear uma campanha de sensibilização dos potenciais parceiros da ACA para uma parceria técnica e financeira”, disse Florentino Nanque.

Acrescentou que 70 por cento da transformação interna da castanha de caju perspetivada pelo governo da Guiné-Bissau até 2020 é uma satisfação da ACA, sublinhando que o Estado tem uma responsabilidade enorme na industrialização de castanha.

“Os países produtores da castanha de Caju em África não atingem nem se quer 20 por cento da transformação nacional. Mas perspetivamos que até 2020 cada país  transformasse pelo menos 50 por cento da sua produção local”, informou o novo presidente de ACA.

Florentino Nanque sublinhou que a abertura do governo da Guiné-Bissau ao apoio ao desenvolvimento industrial nacional do sector irá facilitar o alcance dos objetivos preconizados pela organização.  

ANG/AALS/SG






Política


Líder do Movimento Patriótico pede demissão do actual executivo e formação de governo inclusivo

Bissau, 22 Set 16(ANG) - O líder do partido Movimento Patriota (MP), disse esperar que o Chefe de Estado seja coerente e que demita o actual Executivo para permitir as partes desavindas  formarem um governo Inclusivo e de Consenso para resolver a crise política que se arrasta desde Agosto de 2015.

José Paulo Semedo, em conferencia de imprensa realizada terça-feria, disse contudo estar reticente quanto a aplicação do Acordo proposto pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO) assinado pelos principais partidos, o PAIGC e PRS nomeadamente para tirar o país do impasse político.

“Devo alertar que o novo governo a ser formado deve ser liderado pelo PAIGC, enquanto partido vencedor das eleições legislativas”, referiu José  Semedo.

Sustentou que tanto o Presidente da República, José Mário Vaz, bem como as partes desavindas devem respeitar o documento rubricado com a CEDEAO no sentido de implementar as propostas que lhes foram apresentadas.

O acordo foi assinado há mais de uma semana pelos diferentes intervenientes políticos, mas nota-se que as partes continuam divergidas quanto a sua aplicação.  

Perante o cenário vigente, José Paulo Semedo, antigo Pastor da Igreja Evangélica Central de Bissau, defende que o Chefe de Estado deve dessolver o Parlamento e convocar eleições  antecipadas.

O Presidente do Movimento Patriota, aponta José Mário Vaz como o único responsável pela situação da crise prevalecente.

O beninense, Marcel de Souza, o novo presidente da comissão da CEDEAO, é quem vai liderar esse processo para a escolha de uma figura de consenso para primeiro-ministro e o formato do Governo.

ANG/ÂC/SG

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ensino público


Diretores de liceus pedem comparência de alunos nas salas de aulas

Bissau,21 Set 16 (ANG) – Os diretores dos três Liceus de Bissau pedem aos pais e encarregados de educação para mandarem os seus educandos à escola para poderem recuperar as perdidas no ano letivo 2015/2016.

Ouvidos hoje pela Agência de Notícias da Guiné (ANG) os diretores dos referidos liceus, Alanan Pereira, do liceu Kwame Nkrumah, Fatú Sonco, do Agostinho Neto e Horácio Mendes, do Rui Barcelos da Cunha, dizem estranhar a fraca afluência dos alunos nas salas de aulas, uma vez que o ano letivo foi aberto desde o passado dia 19.

O Diretor do liceu nacional Kwame Nkrumah exortou aos pais e encarregados de educação à enviar os seus educandos para as escolas para confirmarem as suas matrículas e permitir assim o arranque normal das aulas.

 Em relação aos professores disse que estes comparecem sempre nas escolas, mas não conseguem lecionar divido a fraca presença de alunos.

O diretor do liceu, Rui Barcelos da Cunha, Horácio Mendes afirmou que tudo está pronto para o funcionamento normal das aulas.

Disse que já entregaram horários aos professores mas que neste momento não estão a lecionar devido a ausência de alunos, situação que disse não compreender.

O subdiretor do liceu, Agostinho Neto, Fatú Sonco solicita igualmente  aos pais para  mandarem os filhos para as escolas aproveitando o tempo para recuperar as matérias não lecionadas no ano passado.

 Em relação aos materiais didáticos, os referidos  diretores foram unânimes em confirmar  que tudo está preparado  para o funcionamento normal das aulas .

Entretanto, a ausência de alunos também se verifica nas escolas de Ensino Básico Unificado, sobretudo Patrice Lumumba e Salvador Allende, divido a várias situações, entre as quais, à não confirmação de matrícula por parte de alguns alunos, e também devido ao hábito de não comparecer nas aulas durante a primeira semana.

O Diretor da escola do Ensino Básico Unificado Patrice Lumumba, Braima Mané pede ao governo no sentido de proceder a entrega de matérias didáticos o mais rápido possível para facilitar o trabalho dos professores, principalmente para alunos da primeira à quarta classe.

Para diretor da escola do Ensino Básico Unificado, Salvador Allende, Virgínia Pereira o atraso se deve a falta de confirmação da matrícula por parte de alguns pais e encarregados de educação.  

Em relação aos professores estes diretores partilharam a mesma opinião, dizendo que marcam presença todos os dias e que reuniram todas condições para funcionamento normal das aulas.

ANG/LPG/ÂC/SG

24 de Setembro


Ex-combatente pronto a combater "os que poem em causa os valores da luta de libertação nacional" 

Bissau,21 Set 16 (ANG) – O antigo combatente da liberdade da pátria, José Lopes manifestou hoje contra os que questionam os valores da luta armada de libertação nacional e que culminou com a independência política do país.

Convidado pela ANG para fazer uma retrospetiva, nas vésperas dos 43 anos da independência nacional, a ser assinalado no próximo dia 24 de Setembro, disse que esquecer a “heroica” luta de libertação nacional é como alguém ignorar o seu percurso de infância à velhice.

Aquele veterano de luta de libertação sublinhou que de facto valeu a pena a proclamação da independência da Guiné-Bissau pelo menos pelos sacrifícios consentidos pelo povo guineense durante a luta armada.

Questionado a falar das etapas da luta armada após a morte de Amílcar Cabral até a proclamação da independência do país, José Lopes disse que apos o desaparecimento físico do seu líder, o PAIGC foi obrigado a adotar medidas mais duras e eficazes.

“Depois do duro golpe que sofremos com a morte de Amílcar Cabral e como já tínhamos as suas orientações teóricas e práticas, a direção superior do partido decidiu pura e simplesmente aplicá-las”, disse.

José Lopes sublinhou que Amílcar Cabral recusava o uso de certas armas pesadas pelos combatentes porque entendia que, em consequência dos disparos, uma parte das aldeias poderiam ser atingidas.

“Vou-te dizer uma coisa. Graças a ideia e estratégia de Cabral, a Ponte de Saltinho não foi destruída. Quando soube do plano para a sua destruição, negou categoricamente, justificando que depois da independência seria difícil a sua reconstrução”, explicou.

Segundo o combatente da liberdade da pátria com a morte de Amílcar Cabral o PAIGC passou a usar todas as armas pesadas de que dispunha entre elas os morteiros de 120 milímetros.

Instado a dizer sobre se Amílcar Cabral estivesse vivo como seria o cenário atual, José Lopes respondeu que várias situações que estamos a viver atualmente não iam acontece, “porque era pessoa frontal, direta, corajosa na tomada de qualquer decisão”.

“As pessoas agora têm medo de críticas e autocríticas. Na altura as pessoas eram responsabilizadas pelos atos cometidos e eram criticadas e castigadas mediante conforme as suas culpas”, recordou.

Disse que sempre houve sanções aos infratores da lei dentro do partido porque a disciplina interna era bem orientada, acrescentando contudo que igualmente se aplicava a “politica de recuperação do homem”, através de perdão .

“Se as pessoas não respeitam a disciplina partidária as coisas tornam-se confusas e tem que existir problemas”, lamentou, acrescentando que o que impera atualmente no PAIGC é o interesse pessoal em detrimento dos do país. 

ANG/ÂC/SG

Correios


Sindicato entrega caderno reivindicativo ao patronato

Bissau, 21 Set. 16 (ANG) – O sindicato de base dos trabalhadores dos Correios da Guiné-Bissau (SITRACORREIOS), entregou  terça-feira um Caderno Reivindicativo ao patronato onde consta, entre outras exigências, o pagamento de 81 meses de salário.

No Caderno Reivindicativo enviado à ANG, o SITRACORREIOS impõe ainda ao atual  Diretor-geral dos Correios da Guiné-Bissau o pagamento  imediato dos 18 meses de salários contraídos com os funcionários.

No documento os trabalhadores lamentam que as diligências do sindicato junto a atual Direção dos Correios e a Secretaria de Estado dos Transportes e Comunicações não têm surtidos nenhum efeito.

O SITRACORREIOS refere que a crise financeira vigente nos Correios foi causada pela conjuntura nacional em  resultado do desinteresse dos sucessivos governos do país, tendo dado 48 horas á Direção para satisfazer as reivindicações apresentadas, para evitar o recurso à  greve.

 Copias do caderno reivindicativo foram igualmente enviadas  à Secretaria de Estado dos Transportes e Comunicações, ao Primeiro-ministro,  Ministério da Função Pública e a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG). 

ANG/MSC/SG

Crise política


“Movimento dos Cidadãos Conscientes” exige entendimento entre políticos 

Bissau, 21 Set 16 (ANG) - O “Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados” exige à atores políticos  maior abertura e adoção de  espírito de diálogo e sentido patriótico na interpretação e aplicação do recente acordo assinado, sob a mediação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

De acordo com uma nota de imprensa à que a ANG teve acesso, por outro lado, esta entidade não estatal condena e repudia qualquer tentativa de integração das Organizações da Sociedade Civil num eventual Governo de Consenso e Inclusivo”.

O movimento sustenta que a governação cabe aos políticos e, que a Sociedade Civil, por sua vez, deve ter o papel  de mediação e do exercício da cidadania.

De referir que até a presente data, já la vão 11 dias, após a assinatura do acordo proposto pela CEDEAO, as partes desavindas ainda não se sentaram a mesa para a materialização do acordo.

ANG/QC/SG

Portugal


Metade das causas de morte e doença são provocadas pela alimentação 

Bissau, 21 Set 16 (ANG) - A Direção-geral da Saúde revela que metade das causas de doença e de morte em Portugal têm relação direta com a alimentação, apontando o consumo excessivo de sal e de açúcar como fatores de risco para várias doenças.

Na conferência sobre o Plano Nacional da Saúde que decorreu segunda-feira em Loures, o diretor-geral da Saúde avisou que quase metade dos portugueses adultos tem hipertensão, sendo o consumo de sal uma das principais causas para aquela doença crónica.

“Pelo menos metade das causas de doença e de morte têm relação direta com a alimentação, sobretudo com o excesso de sal, mas também o excesso de calorias, as gorduras de fabrico industrial e o açúcar”, afirmou Francisco George em declarações aos jornalistas.

Um dos objetivos centrais do atual Plano Nacional de Saúde é diminuição da mortalidade precoce (antes dos 70).

Portugal quer ainda aumentar em 30 por cento a esperança de vida saudável aos 65 anos em 2020, assumindo como fundamental ter programas que intervenham no grupo etário dos 50 a 60 anos.

Traçada como uma das metas do atual Plano Nacional de Saúde, o aumento da esperança de vida saudável aos 65 anos passaria nos homens a ser de 12,9 anos e de 11,7 anos nas mulheres.

Atualmente, embora as mulheres tenham maior esperança média de vida, registam valores inferiores no que respeita à esperança de vida saudável – vivem mais que os homens, mas com menos qualidade a partir da terceira idade.

O aumento da esperança média de vida saudável e a diminuição da mortalidade precoce são duas das quatro grandes metades definidas no Plano, que contempla ainda objetivos mais dirigidos às gerações mais jovens.

Um deles é a redução da prevalência do consumo de tabaco na população com mais de 15 anos e a eliminação ao fumo ambiental, enquanto o outro é o controlo da obesidade na população infantil para que não aumente em relação aos valores atuais.

Segundo a Direção-geral da Saúde (DGS), as melhorias de vários indicadores de saúde, que se registaram até 2008, desaceleraram a partir dessa data e até 2012, coincidindo com o período de crise, o que pode dificultar algumas metas previstas no Plano Nacional de Saúde.

O coordenador do Plano, Rui Portugal, explicou que, no período de crise e de assistência financeira, os indicadores foram evoluindo, mas o ritmo de melhoria foi menor do que nos anos anteriores. 

ANG/Lusa

Cultura


Matar bebés na Guiné não é crime, é tradição

Bissau, 21 Set 16 (ANG) - O consagrado músico Binham Quimor é uma das vitimas dessa pratica e tinha um ano quando foi abandonado para ser levado pela maré porque, reza a tradição, algumas crianças são espíritos que têm que ser devolvidos à natureza.

Binham, 38 anos, tem uma canção sobre o pai que nunca gravou na sua discografia: aquela em que conta como ele o quis matar quando ainda era bebé.

“Acho que ele pensava que estava certo. Não tenho nada para odiar o meu pai”, conta o cantor Binham Quimor, um dos cantores mais famosos da Guiné-Bissau e que dá espetáculos em todo o mundo.

Binham tinha um ano quando foi abandonado para ser levado pela maré porque, reza a tradição, algumas crianças são espíritos que têm que ser devolvidos à natureza.

A lei da Guiné-Bissau protege este costume e atenua a pena de quem matar bebés, seguindo a crença.
Mas nem era preciso, porque as comunidades encobrem os casos logo à partida e nunca ninguém foi investigado ou julgado.

O pai de Binham encomendou a cerimónia porque o filho adoecia com frequência e estava a levar muito tempo para começar a andar, sinais de uma “criança irã“.

Deficiência, convulsões e gémeos são outros motivos para abandonar bebés que são também “bodes expiatórios” de “coisas negativas”, como “a morte da mãe no parto”, explica Filipa Gonçalves, 28 anos, psicóloga e coautora do estudo “Crianças irã: uma violação dos direitos das crianças na Guiné-Bissau“.

No decurso deste estudo, foram entrevistados 20 membros de famílias que disseram ter crianças possuídas por espíritos.

Por vezes, basta um bebé cair em subnutrição, o que é comum na Guiné-Bissau, para ter atrasos no desenvolvimento e ser sentenciado.

Um curandeiro chega a receber 150 euros para realizar a cerimónia em que a criança é abandonada, conta Laudolino Medina, presidente da associação Amigos da Criança, AMIC.

“Os detalhes do ritual dependem da etnia”, mas de uma forma geral envolvem experiências com comida que os ‘irãs‘ supostamente apreciam, consoante sejam espíritos de terra ou de água.

Aos 44 anos, uma residente em Bissau, neta de uma curandeira, aceitou recuar à infância e falar sobre as cerimónias que via a avó fazer. Conta a história sob anonimato.

“Eu via pais levarem filhos, alguns com quatros anos, e quando caía a noite realizava-se o ritual com farinha e ovos – em que a criança, sem autonomia para se deslocar ou orientar, era abandonada ao ar livre”, conta.

Depois, na casa da avó curandeira, havia festa patrocinada pelos pais, que “levavam porco, cozinhavam e davam vinho”.

Luís Fonseca / Lusa

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Aliança Africana de Caju


Décima Conferência Mundial decorre até sexta-feira em Bissau
 
Bissau, 20 Set 16 (ANG) - A décima Conferência Mundial da Aliança Africana de Cajú (ACA) decorre em Bissau sob o lema “Uma década de transformação” com a participação de mais de 200 peritos nacionais e internacionais.

 Na reunião de Bissau serão debatidas entre outros, os temas sobre os 10 anos de criação de ACA, seu ponto de virada, os problemas globais para África e como abordá-los, o papel das instituições financeiras de desenvolvimento, facilitação de financiamento competitivo para a indústria do Caju.

A Conferência vai abordar igualmente os temas: como Investir no Caju Africano, a Competitividade no Processamento do Caju em África, Segurança dos Alimentos e Padrões Internacionais, Gestão e Riscos e Tomada de Decisões no sector Africano de Caju.

A melhoria da qualidade, quantidade e promoção dos investimentos do Caju, técnicas inovadoras para actualização do cultivo de Caju e Inovações na indústria de Caju são outros subtemas que estarão em análise. 

Presentes nessa conferência estão a representante do Banco Mundial, Kristina Svensson, o Embaixador dos Estados da América na Guiné-Bissau Zumwalt, a Presidente da Aliança Africana de Cajú, Georgette Taraf, a directora de Agência de Cajú de Costa de Marfim,Adama Coulibali, e  director da missão da Agência Americana para o Desenvolvimento (USAID) na África Ocidental, Alex Deprez.

O caju é o principal produto de exportação da Guiné-Bissau e o pais dispõe  de uma das melhores amêndoas no mundo.

Dados do Ministério do Comércio e Artesanato apontam para uma exportação superior a 200 mil toneladas, este ano.

ANG/AALS/SG