Gâmbia/ Três pessoas indiciadas no caso da alegada tentativa de golpe de Estado
Bissau, 04 Jan
23 (ANG) - Dois civis e um polícia foram indiciados na Gâmbia no caso da
alegada tentativa de golpe de Estado, que teve lugar na noite de 20
para 21 de Dezembro, no país.
Uma comissão de inquérito, criada para investigar o caso, deverá apresentar um relatório no final deste mês.
Dois civis, Mustapha Jabbi e Saikuba Jabbi e o inspetor da polícia, Fakebba Jawara, foram detidos, no
passado dia 30 de Dezembro, e acusados de traição e conspiração,
por envolvimento na alegada
tentativa de golpe de Estado, perpetrada neste país africano com o
objectivo de derrubar o governo
de Adama Barrow.
As autoridades do país mais pequeno da
África continental, citadas pela Agência France-Presse, afirmaram que os
conspiradores planeavam "prender altos funcionários do governo e
usá-los como reféns para impedir qualquer intervenção estrangeira".
Entretanto, pelo menos sete soldados já foram presos por
terem ligações ao caso.
Momodou Sabally, antigo ministro durante o regime ditatorial de Yahya Jammeh, e actualmente um dos
líderes do principal partido da oposição, o Partido Democrático Unido, foi outra das pessoas presas, no
âmbito deste caso. O antigo governante publicou um vídeo onde sugeria que
o actual chefe de Estado, reeleito há um ano, seria derrubado antes das
próximas eleições locais. Apesar deste episódio, acabou por ser libertado na semana passada.
A alegada tentativa de golpe de Estado
está a ser investigada por
uma comissão, criada especialmente para o efeito, e constituída por
cerca de uma dezena de membros, ligados a vários quadrantes da sociedade.
As conclusões deverão ser
apresentadas no final do mês de Janeiro.
Nos últimos dois anos, os golpes de Estado
têm sido uma constante em África. Em Setembro de 2021, na
Guiné-Conacri, os militares derrubaram, sem recorrer a violência, Alpha
Condé, que estava no poder há dez anos. Os militares tomaram as ruas de Conacri, com recurso a armas e o chefe
das forças especiais, o coronel Mamady Doumbouya, anunciou ter destituído o
Presidente.
Em
maio deste ano, o coronel Mamady Doumbouya, que lidera a junta militar que governa
actualmente o país, disse que o período de transição para a democracia
seria de 39 meses, indo, deste modo, contra as indicações da CEDEAO que
pedia eleições o mais rápido possível para restabelecer a democracia
no país.
O Mali também
foi alvo de um golpe de Estado em 2021 e o Burkina Faso de
um duplo golpe, em Janeiro e Setembro deste ano.
A 01 de Fevereiro deste ano, a Guiné-Bissau também foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado e houve a detenção de vários suspeitos.
ANG/RFI
Sem comentários:
Enviar um comentário