terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Finanças pública/”Aprovação da segunda avaliação do FMI demonstra empenho do Governo em prol do desenvolvimento do país”, diz João Mamadú Fadiá

Bissau,15 fev 22(ANG) – O ministro das Finanças afirmou, esta terça-feira, que a aprovação do relatório da segunda avaliação do Fundo Monetário Internacional(FMI), do programa de ajustamento económico da  Guiné-Bissau, demonstra o empenho  do Governo, em prol do desenvolvimento do país.

João Aladje Mamadú Fadiá, em declarações hoje à imprensa, à margem da cerimónia de entrega de materiais informáticos doados pelo BOAD à sua instituição, parabenizou à todos os funcionários e anuncia que a  Guiné-Bissau  voltou ao convívio das instituições financeiras internacionais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na segunda-feira que aprovou a segunda avaliação do programa de ajustamento económico da Guiné-Bissau, um passo fundamental para garantir um empréstimo ao abrigo de um novo programa financeiro.

“O beneficiário disso não é o Ministério das Finanças, nem o Governo, mas sim o país no seu todo”, afirmou Fadia.

Segundo o ministro das Finanças, em 2021, a Guiné-Bissau recebeu do Fundo Monetário Internacional 60 milhões de dólares, que foram utilizados no pagamento da prestação das dívidas de 2021 e  2022, no montante de  mais de 18 mil milhões de francos CFA.

O governante disse que o dinheiro do FMI tem ajudado o Governo a colmatar algumas despesas, nomeadamente no combate a Covid-19, pagamento de salários e fazer funcionar a economia.

Afirmou que o FMI, na qualidade de editor macroeconómico internacional, quando envia a missão ao país para verificação das suas políticas financeira e e se concordar com as práticas do país, essa sua concordância   convence outros investidores  de que as finanças públicas do país estão bem geridas.

“Com isso, o país pode ter acesso aos fundos de outras organizações financeiras, tais como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, entre outros. Inclusivé por causa dessa performance a Guiné-Bissau vai puder contar ainda, este ano, com 12 milhões de dólares de ajuda orçamental”, garantiu o ministro das Finanças.ANG/ÂC//SG



      Diplomacia/PR  viaja para Bruxelas para cimeira UE-África

Bissau, 15 Fev 22(ANG) - O Presidente  Umaro Sissoco Embaló, viajou hoje para Bruxelas, Bélgica, para participar na sexta cimeira entre a União Africana (UA) e União Europeia (UE), disse à Lusa fonte da presidência guineense.


Segundo a fonte, Umaro Sissoco Embaló, que é acompanhado na sua deslocação pela chefe da diplomacia guineense, Suzi Barbosa, e por alguns conselheiros do seu gabinete, deverá regressar ao país no domingo.

O primeiro-ministro, Nuno Nabiam, esteve presente no aeroporto internacional Osvaldo Vieira de Bissau para acompanhar o chefe de Estado até embarcar no voo que o transportou para Bruxelas.

Esta é a primeira deslocação de Umaro Sissoco Embaló ao estrangeiro desde a tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro quando homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República e do primeiro-ministro e que provocou 11 mortos.

O Presidente guineense considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado e apontou o ex-chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, Tchamy Yala, também ex-oficial, e Papis Djemé como os principais responsáveis.

Os três homens foram presos em Abril de 2013 por agentes da agência anti-droga norte-americana (DEA) a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental e cumpriram pena de prisão nos Estados Unidos.

Os três alegados responsáveis pela tentativa de golpe de Estado foram detidos, segundo o Presidente guineense.ANG/Angop

Cabo Verde/Ex-Presidente Pedro Pires  diz que replicar modelo europeu na UA não foi melhor opção

Bissau, 15 Fev 22 (ANG) - O antigo Presidente cabo-verdiano Pedro Pires, que há 20 anos esteve na criação da União Africana, admite que replicar o modelo organizacional da União Europeia (UE) não terá sido a melhor solução e pede independência financeira da organização africana.

"Entendo que se deve, até com abertura de espírito, analisar esse percurso e ver as dificuldades encontradas. O primeiro reparo que eu faço é o modelo escolhido. Se não se teria avançado demais ao escolher um modelo que é mais ou menos semelhante ao da União Europeia", disse, em entrevista à Lusa, Pedro Pires, Presidente da República de Cabo Verde de 2001 a 2011.

"Talvez se tivesse de encontrar um outro, menos perfeito, se podemos dizer assim, menos integrado, qualquer coisa a se construir e não qualquer coisa já definida", afirmou o antigo chefe de Estado, de 87 anos.

Enquanto Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires foi um dos signatários da constituição da União Africana (UA), que reúne 55 Estados africanos. A organização continental realizou a sua primeira cimeira em Durban, na África do Sul, em Julho de 2002, substituindo-se à Organização da Unidade Africana (OUA), fundada em 25 de Maio de 1963.

Na entrevista à Lusa, na Praia, o antigo chefe de Estado questiona o sucesso do modelo adoptado pela UA, ao replicar as mesmas instituições e comissários da UE: "A pergunta é se estamos em condições de trabalhar com esse modelo institucional".

"E uma coisa que ela tem de fazer é defender os interesses de todos e não defender o interesse de um grupo. Que permita à União influenciar a solução dos problemas sérios que temos neste momento, por exemplo na zona do Sahel, à volta dos golpes de Estado. Eu penso que a União está bem situada para influenciar as soluções ou as melhores soluções", acrescentou Pedro Pires.

Nos 20 anos da União Africana, admite que "um dos pontos fracos" é a sua "debilidade financeira", e defende que se devia "autonomizar financeiramente".

"Porque quando você é financiado, o seu financiador é que diz o que você deve fazer. Portanto, você deve ter autonomia financeira para decidir que política, por exemplo em matéria de defesa ou que política em matéria económico-financeira ou outra. Ou agrícola, por exemplo, que é um sector extremamente importante com potencialidades para o futuro", apontou.

Reconheceu o "esforço" das lideranças africanas à volta da organização, mas admite que ainda é um "processo longo" e prefere não falar em apontar falhas no percurso da UA: "O que estou a ver aqui é um processo extremamente complexo como o que está a exigir dos líderes africanos muito trabalho, muito realismo e também muita perseverança".

Acrescentou, ainda assim, que não está em causa a importância da UA no continente, por ser "uma instituição necessária e útil", mas usa o exemplo da próxima cimeira Europa/África, este mês, para apontar a necessidade de "defesa dos interesses do continente na sua globalidade".

"Seríamos mais fortes se negociássemos sempre em bloco", afirmou, insistindo que são "reflexões" de quem está "fora da política".

"Mas de toda a maneira eu defendo a ideia de que é importante a União Africana (...). O desafio é organizá-la, pô-la a funcionar ao serviço dos países e da África. Portanto, a minha conclusão é que ela é útil e necessária e há que procurar a forma de tirar o maior proveito disso", sublinhou.

Defendeu ainda que é necessário haver "articulação" entre a União Africana, enquanto órgão continental, e as comunidades económicas regionais, para "evitar conflitos de competências", pedindo por isso um "sentido cooperativo" e "não concorrencial", para a solução dos problemas do continente e da sua diversidade.

Lidar com os conflitos é outra dificuldade que Pedro Pires vê nestes 20 anos de actividade da União Africana.

"Um elemento que veio mexer com tudo foi a invasão da Líbia e a forma como esse conflito dos líbios com os ocidentais foi resolvido e hoje estamos a sofrer as consequências desse ato que não tem nada de africano. É um ato vindo do exterior. É dessa forma que eu penso que devemos analisar as dificuldades, os bloqueios e os constrangimentos", concluiu.ANG/Angop

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

Política/Comissão Permanente do PAIGC propõe adiamento do X Congresso do partido para Março próximo

Bissau,14 Fev 22(ASNG) – A Comissão Permanente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC), propõe ao Comité Central do partido, entidade competente para o efeito, a convocação do seu X Congresso para os dias 10, 11, 12 e 13 de Março do ano em curso.

De acordo com o comunicado da Comissão Permanente do PAIGC, enviado hoje à ANG, a decisão foi tomada na reunião deste órgão dos libertadores, realizada no passado dia 12 do corrente mês, sob a presidência do líder do partido, Domingos Simões Pereira.

Na comunicado, a Comissão Permanente do PAIGC, declarou que  acata as medidfas restritivas impostas pelo estado de Alerta contra a pandemia da Covid-19 e adia a data de realização do X Congresso do partido.

Este órgão restrito do PAIGC condenou o que considera ser uma intromissão indevida da Presdência da República e do Governo nos assuntos internos do PAIGC através de “manobras encapotadas” para dificultar a realização de X Congresso .

Condenou a acção “irresponsável” do cidadão Bolom Conté que, sem pertencer as estruturas do partido e sem ter participado nas Assembleias de Base, interpós uma providênca cautelar que perturbou o normal desenrolar das Conferências preparatórias do X  Congresso.

O Comissão Pemanente do PAIGC encoraja a Comissão Nacional  Preparatória a reforçar o seu  dinamismo na organização do X Congresso , alertando-a para a necessidade de serem criadas as condições que garantam o distanciamento regulamentar, a higienização e o uso das máscaras individuais, assim como a vacinação de todos os delegados ao Congresso.

O Comité Central do PASIGC havia marcado a realização do X Congresso para os dias 17 à 20 do corrente mês , mas um decreto presidencial instaurou, no quadro de combate a pandemia da Covid-19, o “estado de Alerta” no país, que proíbe, entre outras, actividades partidárias que implicam a aglomeração de muita gente em recintos fechados.ANG/ÂC//SG


Ucrânia/Joe Biden e Vladimir Putin discutem crise russo-ucraniana ao telefone

Bissau, 14 Fev 22 (ANG) - A escalada de tensão entre a Ucrânia e a Rússia não pára de aumentar e os líderes europeus tentam a todo o custo apaziguar o conflito.

Emmanuel Macron já falou com Vladimir Putin e no sábado foi a vez de Joe Biden conversar com o homólogo russo.

Numa conversa telefónica que durou pouco mais de 1 hora, Joe Biden, presidente americano e o homólogo Vladimir Putin discutiram a crise russo-ucraniana.

O chefe de Estado americano mostrou-se aberto à resolução do conflito pela via diplomática, mas avisou o Presidente russo de que existirão "custos severos e rápidos", caso Moscovo invada o país vizinho. Joe Biden defendeu que uma invasão traria um "sofrimento humano considerável" e "enfraqueceria a posição da Rússia".

Este posicionamento acontece um dia depois dos Estados Unidos da América e de vários outros países terem pedido aos seus cidadãos para abandonarem Kiev devido a um risco iminente de invasão. No mesmo dia, a Ucrânia afirmou que a Rússia já tem forças suficientes para invadir o país.

A Rússia nega estas acusações e voltou a falar em "histeria da Casa Branca", defendendo que os "anglo-saxónicos" querem "guerra a todo o custo". Apesar de não chegarem a um entendimento formal sobre este conflito, ambos concordaram manter o diálogo.

A Ucrânia também se pronunciou este sábado sobre o conflito e pediu que se mantenha a calma, uma vez que diz acreditar em Moscovo, salientando "estar tudo sob controlo". ANG/RFI



Sublevação militar
/Presidente da República exalta jornalismo enquanto  profissão nobre e não de violência

Bissau,14 Fev 22(ANG) – O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló  exaltou  o jornalismo enquanto  profissão nobre e não  de violência, que não deve ser    exercida por pessoas sem emprego e que refugiam nela para insultar os outros.

A exaltação do chefe de estado foi feita  na sexta-feira numa audiência concedida aos elementos da Confederação Nacional das organizações de Imprensa, da Associação Nacional de Músicos e dos moradores do bairro de Pluba, que foram manifestar-lhe solidariedade devidos à tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro.

“O jornalismo é uma carreira honesta, porque mesmo nas universidade por onde passamos, onde saem os médicos, pilotos e outras formações académicas é ali igualmente que saem os jornalisas”, sublinhou.

Para o chefe de Estado,  na Guiné-Bissau basta alguém não tiver o que fazer, arranja de imediato uma pequena estação de  rádio para vangloriar de repórter e analista político.

“Isso acontece somente na Guiné-Bissau. Uma pessoa que não pode fazer análise da sua própria pessoa  auto proclama-se de ser analista político. É muita pena”, lamentou Umaro Sissoco Embaló.

Acrescentou  que nos últimos tempos,  certas pessoas  queriam fazer com que a carreira jornalística perdesse a sua dignidade.

O Presidente da República disse que vai retribuir a solidaredade que lhe foi manifestada, e reafirmou  que, o que passou, de facto, no dia 01 de Fevereiro, foram  cenas muito violêntas. “Ainda antes de as vitimas forem enterradadas, apareçam  pessoas a dizer que é uma camuflagem”, criticou.

Umaro Sissoso Embaló pediu a cessação de actos característicos de uma “campanha eleitoral” que ocorrem no país,, uma vez que o Presidente da República já está eleito.

 “O poder do Presidente da República é dado por Deus, alguém pode procurá-lo de todas as formas, mas se Deus não o dá, nunca vai o conseguir”, afirmou.

À  classe de músicos, o Presidente da República agradeceu a solidariedade que lhe endereçou, tendo sublinhado   que os artistas são homens de cultura e de paz e não de violência, aliás como afirmou o vosso porta voz Luìs Mendes (Ichy).

“Se alguém me disser que, na manhã do dia 01 de Fevereiro, iríamos se deparar com a  situação ocorrida, não acreditaria. Eu, sempre digo que Nino Vieira seria o último Presidente assassinado no país”,referiu.

Umaro Sissoco Embaló salientou que se empenhou durante os dois anos de seu mandato na  restauração da imagem e dignidade da Guiné-Bissau no exterior, mas que tinha uma noção clara de que as suas diligências iriam lhe custar .

 “Só porque o Povo não nos escolheu nas urnas, seria o motivo para incentivar as pessoas inocentes para dar um golpe de Estado”, questionou.

Um grupo de homens armados atacou, no passado dia 01 de Fevereiro o Palácio do Governo, com armas pesadas e matralhadoras, numa altura em que decorria uma reunião do  Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

O ataque que durou cinco horas antes de as autoridades de segurança assumirem o controle da situação causou a morte à 11 pessoas entre civís, militares e para-mlitares.

Uma comissão interministerial chefiada pelo ministro do Interior e da ordem Pública, Botche Candé está a investigar os autores morais e materiais dessa tentativa de golpe de Estado. ANG/ÂC//SG

 

 

Economia/”Europa deve deixar de ver África como "parente pobre”, diz Carlos Lopes

Bissau, 14 Fev 22 (ANG) - O economista guineense Carlos Lopes, docente na Universidade do Cabo, África do Sul,  defende, em entrevista a RFI,que o continente deveria “insistir no perdão de uma parte substancial da dívida” , sublinhando que está na hora de se passar para uma fase “mais estruturante para as economias africanas: conseguir créditos mais acessíveis, ou seja, não fazer com que os africanos paguem taxas de juro tão elevadas".

Segundo a RFI, o antigo secretário-executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África reitera que “os africanos têm mais dificuldade em servir a sua dívida porque pagam taxas de juro mais elevadas que o resto do mundo, taxas que estão associadas a uma análise de risco que não é consistente”. 

À margem da 35a Cimeira da União Africana, que decorreu a 5 e 6 de Fevereiro, em Addis Abeba, na Etiópia, Carlos Lopes perspectivou a Cimeira União Europeia - África que vai decorrer esta semana em Bruxelas: “infelizmente não vai ser uma cimeira com grandes decisões estruturais”. É preciso deixar de olhar para os africanos como “parentes pobres que precisam de algumas migalhas”.

 A pandemia da Covid-19 afectou gravemente as economias africanas. O que é que se pode esperar para 2022?

Desde o princípio que não acreditei que a recuperação económica iria ser tão rápida quanto foi nas outras regiões do mundo, por causa de uma série de factores: a volatilidade dos preços das matérias-primas que constituem cerca de 40% no caso do petróleo, e 60% no total das exportações africanas; também pelo facto que temos uma grande volatilidade das moedas que dependem da gestão macroeconómica externa ao continente, ou seja, das economias mais poderosas e vimos que todas elas perderam valor; e, finalmente, porque o problema da dívida viria a voltar, insistentemente, a ocupar a maior parte do debate, muito embora o problema da dívida soberana seja um problema mundial. Todos os países contraíram mais dívida. Estava ciente de que África seria apontada como se tivesse uma espécie de problema singular, o que não é o caso. 

De qualquer das formas, tínhamos que contar com uma desaceleração acentuada da actividade económica. Tendo uma economia muito informal, na maior parte dos países africanos, isso teria consequências enormes do ponto de vista fiscal e de protecção social. Foi isso que aconteceu e não creio que sejam problemas que se podem resolver rapidamente.  São problemas estruturais que foram exacerbados pela pandemia.

Que problema é este da dívida africana? Porque é que a questão da dívida é mais grave em África do que no resto do mundo?

O indicador que mais se utiliza para julgar a dívida é o rácio entre a dívida e o tamanho da economia, o PIB [Produto Interno Bruto]. O que acontece é que África tem os rácios mais baixos do planeta, melhor do que a África só a Noruega, Singapura, Suíça e alguns países do Golfo, monarquias que têm grandes reservas de capital.

O facto de ter os rácios baixos e de ser a região do mundo que menos pede dinheiro emprestado em relação ao tamanho das suas economias, deveria ser um facto positivo, mas é um elemento secundário porque se fala muito mais na capacidade de servir a dívida. É evidente que os africanos têm mais dificuldade em servir a dívida porque pagam taxas de juro mais elevadas que o resto do mundo. 

Temos um debate um pouco "esquizofrénico" onde se fala de que os africanos têm acesso a capital concessional, ou seja, com taxas de juro muito baixas, quando na realidade os montantes disponibilizados são muito poucos em relação ao tamanho da economia. Quando países muito ricos como a Alemanha, Japão e Grã-Bretanha têm, de facto, acesso a capital até com taxas de juro negativas. Eles são os que recebem dinheiro concessional, não os africanos. 

 Defende o perdão da dívida como defenderam vários chefes de Estado na cimeira?

Há um estigma associado ao perdão que é levantado pelas agências de notação de crédito e também por grandes investidores. Mas, na realidade, está demonstrado, sobretudo no princípio deste século, quando há uma drástica redução da dívida existem mais possibilidades de crescimento e de melhorar a gestão macroeconómica. Dever-se-ia insistir na questão do perdão de uma parte substancial da dívida, mas Dever-se-ia sobretudo passar a uma outra fase mais estruturante para as economias africanas: conseguir créditos que sejam mais acessíveis e não fazer com que os africanos paguem taxas de juro tão elevadas que estão associados a uma análise de risco que não é consistente. Países como a Tailândia, que já teve vários Golpes de Estado, ou como a Geórgia que vive uma grande instabilidade, têm acesso a uma análise de risco mais favorável porque existe uma espécie de estigma associado aos países africanos. 

Não há só más lições a retirar da gestão da covid-19. Há pontos positivos na gestão da pandemia? 

Para além das respostas dos países terem sido mais rápidas que noutras regiões do mundo, houve mais consistência nessas respostas, muito embora os comportamentos sociais dos africanos sejam influenciados pela grande informalidade das transacções económicas também se verificou a introdução, em muitos países, de novos programas e metodologias para a protecção social, com acesso às novas tecnologias, que é extremamente positivo e veio para ficar. 

Os africanos conseguiram, também, ganhar o debate internacional sobre fazer evoluir toda a questão da fabricação de vacinas e medicamentos no continente. Agora já ninguém disputa isso, existem vários projectos e iniciativas à volta disso.

Para além de que, os africanos tiveram o seu centro de controlo de doenças CDC África coordenando as compras e as respostas. Demonstrou uma certa unidade, que existe nos países europeus, mas que foi muito aleatória e que levou a divisões. Em África também houve divisões, mas foi seguramente uma das regiões que demonstrou mais capacidade de respostas unificadas. Mas é evidente que esta é a parte sanitária do problema, depois temos a parte económica e sócio-económica que foi muito mais difícil.

 Em relação à zona de livre comércio continental, em que ponto está?

Esse processo está a avançar e se considerarmos que existe já um acordo para 87,7% das linhas tarifárias, é muito bom porque foi feito e obtido durante a pandemia. Também é claro que lançamos a Zona de Livre Comércio em plena pandemia e portanto o secretariado ainda tem muitas debilidades ligadas a esta situação e a esse contexto. 

Não podemos deixar de mencionar que existem 40 ratificações e uma outra em vias de ser concluída, o que fará 41 ratificações, o que tendo em conta a velocidade com que outras zonas de livre comércio conseguiram chegar a esta etapa, é uma demonstração de grande vontade política.

O que me preocupa, é que há um grande debate à volta das regras de origem, que está a levar a que não se implemente na realidade o acordo. Existem todas estas grandes decisões, mas o acordo na sua praticidade ainda não está a ser implantado por causa do problema das regras de origem. Ligado a isto também está o problema da propriedade intelectual. 

Acho que os países mais importantes nesta discussão, que são os países que têm mais industrialização, como é o caso da Nigéria, Egipto e África do Sul, têm que chegar a um acordo mais rápido sobre as suas divergências, porque isto está a levar que se comece um pouco a duvidar da velocidade que se queria imprimir à Zona de Livre Comércio. 

Em que posição chega o continente africano a esta Cimeira União Europeia - África?

Acho que esta cimeira de África com a União Europeia, infelizmente não vai ser uma cimeira com grandes decisões estruturais. A preparação está a levar-nos ao debate habitual que é de haver uma série de proclamações de intenções unilaterais por parte da Europa, foi o que aconteceu na última cimeira. Enquanto que os negociadores, aqueles que se sentam à mesa para negociar o detalhe das decisões, não estão com o mesmo apetite para proclamações. A declaração é extremamente curta e sucinta, pelo menos, de acordo com os rascunhos que circulam neste momento. 

Não vai ser mais que uma grande pompa, uma oportunidade para se poder dizer que finalmente se fez a cimeira depois de tantos adiamentos e tirar um pouco do sufoco de que a África está a cair nas mãos de outros, o que é, de facto, uma forma errada de ver a parceria. 

Na realidade o que deveria ser discutido e não vai ser é: que é como é que se muda a dependência do comércio africano em relação à Europa em termos de matérias-primas; como é que a Europa pode participar na transformação estrutural das economias africanas para que elas se industrializem; e como é que todas estas iniciativas à volta das mudanças climáticas devem ser feitas, também, para dar a oportunidade aos africanos para participarem na solução do problema e não tratá-los como parentes pobres que precisam de algumas migalhas, quando na realidade não há soluções climáticas sem a participação do continente [africano]”. ANG/RFI

    Desporto-Guinés Liga/Recém promovido Cupelum vence Mansoa por 3 à 1

Bissau,14 Fev 22(ANG) - Após o boicote dos clubes na primeira jornada do Campeonato Nacional de Futebol, na sequência da não realização do congresso antes do arranque da prova, a competição voltou em pleno no último  fim de semana.

No domingo, 13 de Fevereiro , na partida que contava pelo encerramento da segunda jornada da Guines-Liga, o FC Cupelum recebeu e venceu os Balantas de Mansoa por 3 a 1.

Em partida realizada no estádio Lino Correia, em Bissau, com muito público nas bancadas, os rapazes do Bairro de Cupelum não tremeram perante um dos clubes históricos do país e alcançaram a sua primeira vitória no primeiro escalão.

O clube nortenho iniciou a partida a levar a melhor e abriu o marcador aos 29 minutos por intermédio de Abulai Mané, dando vantagem aos Balantas de Mansoa.

Após o golo do adversário, a equipa recém-promovida à primeira liga (Cupelum) cresceu bastante no jogo e conseguiu fazer dois golos ainda na primeira metade do desafio. Aos 33 minutos Alonso igualou a partida e no minuto 39 Djibril fez o segundo.

Já na segunda parte, as duas formações entraram procurando fazer tudo para levar três pontos para casa, embora Mansoa tenha entrado focado em conseguir o golo da igualdade, mas o adversário esteve à altura de contrariar o seu plano. 

Com alterações efetuadas pelos dois treinadores, Mansoa continuou empenho em busca de igualdade, fez com que a sua baliza ficasse desprotegida, o que permitiu que o Cupelum ampliasse o marcador aos 90+2 minutos, fixando o resultado em 3 a 1.

Com este resultado, Cupelum soma 4 pontos e Mansoa continua a não pontuar, uma vez que integra a lista dos clubes que boicotaram o jogo na primeira jornada na semana passada.

No final da partida, o treinador de Mansoa André Djedju reconheceu a derrota e lamentou o desempenho dos seus pupilos.

Por seu turno, Seco Sarr, disse que a vitória vai dar ânimo ao clube para o jogo da terceira jornada.

Confira os resultados da segunda jornada do Campeonato Nacional de Futebol da Guiné-Bissau época 2021-2022: 

Cupelum – 03 Vs Balantas de Mansoa – 01

Cacine – 03 Vs Portos de Bissau – 01

Benfica – 02 Vs Pefine – 01

Sonaco –  02  Vs Cuntum – 00

Arados Nhacra – 01 Vs Bafatá – 00

Binar – 00 Vs Canchungo – 01

Atlético C. Bissorã – 01 Vs Sporting CGB – 01

UDIB – 01 Vs Pelundo – 01.

A próxima jornada (3ª):

Pelundo – Cacine

Binar – Sonaco

Pefine – Nhacra

Sporting – Cupelum

Cuntum – UDIB

Mansoa – Benfica

Canchungo – Bissorã

Bafatá – Portos de Bissau.

ANG/O Democrata 

 

Ucrânia/Embaixador ucraniano diz que país pode abandonar intenção de integrar NATO

Londres, 14 Fev (Inforpress) – A Ucrânia pode abandonar a sua intenção de ingressar na NATO para evitar um confronto militar com a Rússia, disse hoje o embaixador ucraniano no Reino Unido, Vadym Prystaiko.

Em declaração à BBC, o embaixador indicou que o seu país seria “flexível” quanto ao seu objectivo de ingressar na Aliança Atlântica, sublinhando que a Ucrânia é um país “responsável”, após o Presidente russo, Vladimir Putin, ameaçar entrar num conflito armado.

“Podemos (não aderir), especialmente a ser ameaçados assim, intimidados assim”, disse Prystaiko, quando perguntado se Kiev mudaria a sua posição de integrar a NATO.

A Ucrânia não é membro da Aliança Atlântica, mas manifestou interesse em entrar na organização militar ocidental, uma decisão que é vista como uma linha vermelha para o Kremlin.

A tensão entre Kiev e Moscovo aumentou desde Novembro passado, depois de a Rússia ter estacionado mais de 100.000 soldados perto da fronteira ucraniana, o que fez disparar alarmes na Ucrânia e no Ocidente, que denunciou os preparativos para uma invasão daquela ex-república soviética.

Em Dezembro, a Rússia exigiu garantias de segurança obrigatórias dos EUA e da NATO para impedir que a Aliança Atlântica se expandisse mais para o leste e implantasse armas ofensivas perto de suas fronteiras.

Moscovo escreveu recentemente uma carta a todos os países membros da OSCE pedindo-lhes que se posicionassem sobre o que entendem por segurança indivisível na Europa.

Apesar dos esforços diplomáticos, a diminuição da escalada militar e da tensão não foi alcançada até agora.

A Rússia alega que tem o direito soberano de estacionar tropas em qualquer lugar de seu território e, por sua vez, denuncia o fornecimento massivo de armas à Ucrânia pelo Ocidente. Inforpress/Lusa

Sublevação militar/Governo encoraja  comissão interministerial para prosseguir  trabalhos de investigação

Bissau, 14 Fev 22 (ANG) – O Governo manifestou a sua confiança política à comissão interministerial encorajando-a à prosseguir com os trabalhos de investigação em curso, com isenção e imparcialidde requeridas para apurar autores do ataque ao Palacio Governo, no passado dia 01 de fevereiro.

A informação consta no comunicado da primeira reunião extraordinária do Conselho dos Ministros à que a ANG teve acesso hoje, realizada dia 11 do corrente mês, após a falhada tentativa do golpe de Estado do dia 01 de fevereiro.

No comunicado, o governo reitera a sua gratidão as entidades e organismos nacionais e internacionais pela solidariedade manifestada ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e ao governo, em decorrência dos trágicos  acontecimentos ocorridos no palácio do governo, dia 1 de Fevereiro.

Segundo o comunicado, o Governo manifesta o sentimento do luto e de pesar para com as famílias enlutadas assim como para as demais vítimas inocentes, assegurando-lhes todo apoio  necessário.

 No capitulo das informações, destacam-se, do ministro do Estado do Interior e da Ordem Pública, nas vestes de Presidente da  comissão interministerial, instituída pelo despacho do primeiro-ministro, incidindo sobre as investigações em curso sobre a tentativa do golpe de Estado e que já se encontram em fase avançada, não obstante faltarem alguns  elementos, ainda por coletar, para a sua conclusão.

Do ministro da Defesa e dos Combatentes da Liberdade da Pátria, sobre o quadro de investigação  igualmente em curso no seio das Forças Armadas para o devido apuramento dos fatos relacionados com a tentativa de golpe de Estado.

Da ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades sobre as resoluções saídas ns cimeira extraordinária da CEDEAO e dos chefes de Estado e do governo da União Afrivana, que foram unânimes quer na condenação da tentativa de golpe de Estado, quer na adoção de medidas de apoio à estabilização da República da Guiné-Bissau na luta contra o tráfico de droga, ao crime organizado transnacional e quaisquer atos terroristas.

No capítulo das nomeações, o Conselho dos Ministros deu a sua anuência que por despacho do primeiro-ministro se efetuar o movimentação do pessoal da Administração Pública.

Em consequência, Alfredo Malú foi nomeado  Diretor-geral da Pesca Industrial. Malú fora exonerado recentemente das funçôes de Secretário de Estado da Ordem Pública.ANG/MI/ÂC//SG

Covid-19/PALOP têm todas taxas de vacinação superiores à média africana

Bissau, 14 Fev 22(ANG) – As taxas de vacinação anti-covid-19 nos países africanos de língua portuguesa estão todas acima da média africana, para o que têm contribuído as doações feitas por Portugal, disse o director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

“Neste momento, e se olharmos para a média a nível da África, os nossos países estão acima da média (…) e aqui temos de realçar que Portugal teve alguma responsabilidade nestes dados, porque Portugal doou vacinas aos PALOP e isso tem estado a ajudar alguns países a melhorarem as suas coberturas”, disse Filomeno Fortes.

Portugal já doou cerca de sete milhões de vacinas contra a covid-19, das quais metade foi entregue aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste, segundo disse esta semana à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Para o governante, o programa português de doação de vacinas aos PALOP “foi e tem sido um sucesso muito reconhecido em todos esses países”.

Em entrevista telefónica à Lusa a propósito do segundo aniversário do primeiro caso de covid-19 em África, Filomeno Fortes lembrou que o continente tem neste momento uma cobertura vacinal de cerca de 11%.

Já entre os PALOP, Cabo Verde tem neste momento 52% da população vacinada, Moçambique tem 30%, Angola está a chegar aos 16%, São Tomé e Príncipe tem 31% e a Guiné-Bissau está com cerca de 15% de cobertura.

Instado a identificar as oportunidades que a pandemia trouxe a África, o especialista defendeu que contribuiu para a melhoria dos sistemas de saúde africanos.

“Um factor positivo [da covid-19] em África foi que os nossos países melhoraram os seus sistemas de cuidados intensivos. Aí sim, verificámos que houve um investimento muito forte a nível do continente africano de uma forma geral, mas particularmente em Angola e em Moçambique”, disse Filomeno Fortes.

Outra área em que houve progressos foi na testagem, lembrou o médico angolano, exemplificando com o caso da Guiné-Bissau e de São Tomé e Príncipe, que não tinham capacidade para fazer o diagnóstico biomolecular da covid-19 e neste momento já têm.

Também Angola, em colaboração com o IHMT, passou a contar com um laboratório de referência em biologia molecular.

“Capacitação técnica, capacitação dos recursos humanos, melhoria da capacidade de cuidados intensivos foram os fenómenos mais notáveis em relação à resposta à pandemia”, disse o especialista em saúde pública e epidemiologia.

Sobre a resposta dos países lusófonos à pandemia, Filomeno Fortes destacou o caso de Cabo Verde, que “integra o grupo de meia dúzia de países africanos com melhor nível de testagem”, “organizou-se do ponto de vista de cuidados intensivos” e, juntamente com a Guiné-Bissau, foi dos países que não tiveram diminuição da cobertura das outras vacinas.

“Tiveram uma acção bastante organizada, quer em relação à testagem, quer em relação ao acompanhamento de casos, controle de fronteiras e cuidados intensivos. Portanto, Cabo Verde foi um grande exemplo”, disse.

Moçambique, que inicialmente sofreu as consequências da sua posição geopolítica – de fronteira com a África do Sul e com o Zimbabué –, conseguiu depois “melhorar a sua capacidade, até a nível dos cuidados de saúde primários”; enquanto Angola foi mantendo o controlo regular da situação, tendo um número de casos por milhão de habitantes muito baixo.

“Eu penso que os nossos países, de uma forma ou de outra, foram gerindo bem a situação”, disse o director do IHMT.

Num apanhado da situação da covid-19 nos PALOP, Filomeno Fortes disse que Moçambique é o que ocupa a primeira posição em termos de morbilidade e mortalidade e já ultrapassou os 200 mil casos.

É o décimo quarto país a nível da África em termos de morbilidade e tem neste momento um pouco mais de 2.000 óbitos.

“Angola está na 20.ª posição a nível da África e em segundo lugar em relação à gravidade da doença nos PALOP, com cerca de 100 mil casos e cerca de 1.900 óbitos.

Cabo Verde tem cerca de 56 mil casos notificados e está com 400 óbitos, o que pode parecer pouco, mas representa 700 mortes por milhão de habitantes, uma taxa que “acaba por ser um pouco elevada”.

A Guiné-Bissau vem a seguir a Cabo Verde, com 36.000 casos – “está na 52.ª posição do ‘ranking africano’, mas tem 432 óbitos. São poucos óbitos de uma forma geral, mas em termos de mortalidade por milhão de habitantes é bastante acentuada”.

São Tomé e Príncipe é o país que tem menos casos: 6.000 infecções e 71 óbitos.

“A tendência actual é para a redução do número de casos internados em praticamente todos os países lusófonos, concluiu o director do IHMT.

ANG/Inforpress/Lusa

 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

  Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

Ataque a Rádio Capital/LGDH exige autoridades o cumprimento das suas obrigações internacionais no dominio dos direitos humanos

Bissau, 11 Fev 22 (ANG) – A Liga Guineense dos Direitos Humanos(LGDH) exige das autoridades guineenses o cumprimento escrupuloso das suas obrigações no dominio dos direitos humanos, nomeadadmente a liberdade de imprensa e de expressão e o direito a um processo justo.

A exigência consta num comunicado da LGDH à que a ANG teve hoje acesso, em reação ao ataque  consequente destruição da Ràdio Capital no dia 07 do mês corrente do ano em curso que resultou em ferimentos dos seus jornalistas entre as quais um em estado grave.

De acordo com o comunicado da LGDH, o governo, ao invés de levar ao cabo “investigações sérias” para apurar, tanto as responsabilidades criminais bem como politicas e administrativas, em estreita observância do quadro legal, pautou-se pela instalação de um “clima de terror” que levou à deterioração, sem precedentes, da situação dos direitos hunmanos.

“Raptos e prisões  arbitrárias de mais de 60 cidadãos  à margem da lei, os quais são privados de acesso ao advogado e  visita da familia, invação ilegal às instalações privadas sem mandato de busca e revista acompanhado de disparos de armas automáticos e gás lacrimogénio à residência do cidadão Rui Landim comentador politico da Ràdio Capital FM, são inadmissíveis”, , diz a LGDH.

A nota da LGDH denuncia  que foi reativada o “esquadrão de  espancamentos”, que funciona como uma espécie de “milícia do regime instalado”, em especial do Ministério do Interior, onde as vitimas são levadas, em últimas instâncias, para simulação e arranjos processuais.

Segundo a nota, a Liga interpela as autoridades nacionais para cessarem imediatamente a onda de detenções que considera de “arbitrárias”, de intimidações e ameaças contra cidadãos e ativistas dos direitos humanos.

A organização de defesa dos direitos Humanos pede a  criação de uma comissão de investigação independente com vista a esclarecer as circunstâncias em que ocorreram o ataque mortífero ao palácio do governo.

No mesmo comunicado, a LGDH apelou às autoridades guineenses a cessação imediata de atos de violência contra os opositores politicos, que “na democracia não tem sentido sem a garantia de uma oposição livre e responsável”.

Apela a responsabilização criminal dos autores morais e matériais dos ataques ao palácio do governo, à Ràdio Capital FM, à residência do comentador  Rui Landim, entre outros, e o reforço dos mecanismos de acompanhamento da situação de direitos humanos no País, em colaboração com as organizações da sociedade civil. ANG/MI/ÂC//SG

  


Sublevação militar
/Sissoco Embaló acusa três narcotraficantes de tentativa de golpe em Bissau

Bissau,11 Fev 22(ANG) - O Presidente da República acusou o ex-chefe da Marinha Bubo Na Tchuto e outros dois homens - condenados nos EUA por tráfico de droga -, de serem os responsáveis pelo ataque ao Palácio do Governo, a 1 de Fevereiro.

Umaro Sissoco Embaló citou à imprensa os nomes do ex-contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, líder da Marinha na primeira década dos anos de 2000, Tchamy Yalá, também ex-oficial, e Papis Djemé. 

Os três acusados foram detidos após os acontecimentos da semana passada, segundo o chefe de Estado guineense.

"Não estou a dizer que são os políticos que estão por trás disto, mas a mão que carrega as armas é de pessoas ligadas aos grandes cartéis de drogas", disse Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente da República lembrou que todos os três homens tiveram problemas com a justiça norte-americana.

Os homens foram presos em abril de 2013 por agentes da DEA a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental.

De acordo com a justiça norte-americana, os agora acusados tinham negociado, nos meses anteriores à detenção, com investigadores norte-americanos que se faziam passar por representantes de narcotraficantes sul-americanos, a importação para a Guiné-Bissau de cocaína que seria depois distribuída pela América do Norte e pela Europa.

José Américo Bubo Na Tchuto foi assinalado como traficante de droga pelo Tesouro dos Estados Unidos, tendo sido condenado em 2016 a quatro anos de prisão em Nova Iorque. Já Tchamy Yala e Papis Djemé foram condenados em 2014, também em Nova Iorque, a cinco e seis anos e meio de prisão, respetivamente. Desde então, regressaram à Guiné-Bissau.

No dia 1 de Fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e de que resultaram 11 mortos.

 O Presidente Sissoco considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado que poderá também estar ligada a "gente relacionada com o tráfico de droga".ANG/DW