terça-feira, 26 de janeiro de 2021

onu/GUTERRES PEDE ALIANÇA INTERNACIONAL PARA COMBATER ASCENSÃO NEONAZI

Bissau, 26 Jan 21(ANG) - O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma aliança internacional coordenada contra o crescimento do neonazismo e da supremacia branca, xenofobia, anti-semitismo e discurso do ódio provocado em parte pela pandemia da covid-19.

António Guterres defendeu também uma acção global "para combater a propaganda e a desinformação" e apelou para uma maior educação sobre as acções nazis durante a Segunda Guerra Mundial, salientando que quase dois terços dos jovens norte-americanos não sabem que seis milhões de judeus foram mortos durante o Holocausto.

Guterres falava na segunda-feira no Dia Internacional da Lembrança do Holocausto da ONU em que foi assinalado o 76º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, realizado virtualmente este ano por causa da covid-19.

O líder da ONU defendeu que a pandemia "exacerbou as injustiças e divisões de longa data".

"A propaganda que liga os judeus à pandemia, por exemplo, acusando-os de criar o vírus como parte de uma tentativa de dominação global, seria ridícula, se não fosse tão perigosa", salientou.

"Esta é apenas a última manifestação de uma associação anti-semita que data pelo menos do século XIV, quando os judeus foram acusados de espalhar a peste bubónica", acrescentou.

O secretário-geral disse ser triste, mas não surpreendente que a pandemia tenha desencadeado outra manifestação negacionista do Holocausto, de distorção e minimização da História.

"Na Europa, nos Estados Unidos e noutros lugares, os supremacistas brancos estão a organizar-se e a recrutar através das fronteiras, ostentando os símbolos e tropas nazis e a sua ambição assassina", sustentou. "Tragicamente, após décadas na sombra, os neonazis e as suas ideias estão agora a ganhar terreno", lamentou.

As autoridades norte-americanas advertiram que os neonazis estão em ascensão em todo o país e em todo o mundo, acrescentou.

Em alguns países, adiantou Guterres, os neonazis infiltraram-se na polícia e nos serviços de segurança do Estado e as suas ideias podem ser ouvidas nos debates dos principais partidos políticos.

"A contínua ascensão da supremacia branca e da ideologia neonazi deve ser vista no contexto de um ataque global à verdade que reduziu o papel da ciência e da análise baseada em factos na vida pública", disse.

Guterres alertou que a fragmentação dos 'média' tradicionais e o crescimento das redes sociais estão a contribuir para a ausência de factos partilhados.

"Precisamos de uma acção global coordenada, à escala da ameaça que enfrentamos, para construir uma aliança contra o crescimento e propagação do neonazismo e da supremacia branca, e para combater a propaganda e a desinformação", exortou.ANG/Angop

                 Óbito/Faleceu o historiador e académico Leopoldo Amado

Bissau, 26 Jan 21 (ANG) - O professor universitário , historiador e Comissário guineense da CEDEAO Leopoldo Amado, faleceu domingo, em Dacar, Senegal, vítima de doença súbita.

O malogrado tinha 61 anos e era desde 2018 um destacado quadro da Comunidade Económica de Estados da Africa Ocidental.

Leopoldo Amado, "POIO", como era  licenciado em história em 1985 pela Faculdade Letras de Lisboa - Universidade Clássica de Lisboa, concluiu em 1987 o Curso de pós-graduação em Relações Internacionais (Estudos Islâmicos) pela extinta Universidade Internacional de Lisboa e frequentou entre os os 1987-1989 o curso de mestrado em Estudos Africanos no Institituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, antes de regressar à Guiné-Bissau em 1989, onde desempenhou vários cargos. 

Actualmente, Leopoldo Amado era Comissário da CEDEAO para a pasta da Educação, Ciência e Cultura, cargo para o qual fora proposto em 2018 pelo então Presidente guineense, José Mário Vaz.

historiador e professor Leopoldo Amado, de que parte da obra como historiador está ligada à luta de libertação da Guiné-Bissau e trabalhou directamente com o primeiro Presidente de Cabo Verde, Aristides Pereira, na elaboração do livro “Uma luta, um partido, dois países”, destacava-se pelo seu conhecido apego à cultura genuína guineense, um profundo conhecedor das tradições dos diferentes povos da Guiné-Bissau.

Foi jornalista e era também um exímio comentador, em diferentes órgãos de comunicação social, sobre assuntos ligados à atualidade política e social guineense.

Professor universitário, investigador sénior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), de que chegou a ser director-geral, Leopoldo Amado interessava-se particularmente como historiador pelos Países  Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Nascido em Catió, no extremo sul da Guiné-Bissau, há 61 anos, Leopoldo Amado estava a desenvolver um programa, no âmbito do seu pelouro na CEDEAO, no sentido de capacitar mais os alunos guineenses, que como o próprio admitiu, estão atrasados em relação aos dos restantes 14 países do espaço da CEDEAO.

O professor Leopoldo Amado, POIO, faleceu, domingo, em Dacar, no Senegal e o seu corpo deverá ser transladado para Bissau onde será sepultado.

Na Guiné-Bissau, a partir de 1989 quando regressou ao país, Leopoldo Amado foi investigador no INEP, que mais tarde veio a dirigir e desempenhou, sucessivamente, as funções de: Director do mensário “Baguera”; Director Comercial da na altura maior empresa privada do país a Geta-Bissauvice-presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Director do “Tcholoná”, a única Revista Cultural então existente no país.ANG/RFI

 

Estados Unidos/Nova etapa no processo de destituição de Donald Trump

Bissau, 26 Jan 21 (ANG) - Joe Biden, novo Presidente dos Estados Unidospoderá assistir a um momento raro na Democracia, a destituição de um antigo presidente, neste caso o seu antecessor, Donald Trump.

Na segunda-feira, os representantes da câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos apresentaram a acusação contra o antigo Presidente, Donald Trump, e já nesta terça-feira os senadores norte-americanos vão prestar juramento para serem juízes no julgamento do ex-Presidente.

Nove procuradores democratas, provenientes da Câmara dos Representantes e liderados por Jamie Raskin, ele que leu ontem o acto de acusação contra Donald Trump, vão participar no processo.

Donald Trump é acusado de incitação à insurreição, isto após um discurso que foi proferido antes da invasão do Capitólio que fez cinco mortos, mas também por ter ligado ao secretário de Estado da Geórgia para «encontrar votos a favor», isto após a certificação dos resultados que davam a vitória a Joe Biden.

Concretamente o processo vai apenas começar a 9 de Fevereiro devido a uma negociação entre as partes para permitir a Donald Trump preparar a sua defesaEsse processo vai decorrer sob alta segurança visto que várias pessoas eleitas foram ameaçadas de morte e que o FBI advertiu que manifestações pró-Trump poderão ocorrer nas próximas semanas.

A segurança continuará reforçada em Washington até meados de Março para tentar conter qualquer manifestação.

A Câmara dos Representantes, a 13 de Janeiro, por 232 votos a favor, incluindo dez republicanos, e 197 contra, aprovou o processo de destituição de Donald Trump.

Após esta primeira fase, segue-se o processo no Senado, algo que será inédito visto que nenhum Presidente dos Estados Unidos teve dois processos de destituição durante o seu mandato.

Para que a destituição seja uma realidade, é necessário um mínimo de 67 votos no Senado, ou dois terços, um número complicado a atingir visto que democratas e republicanos têm 50 lugares cada.

A destituição não tem por objectivo retirar o mandato de Donald Trump, que já não é o actual Presidente dos Estados Unidos, mas terá como consequência uma «inabilitação política», o que significa que Donald Trump não se poderá apresentar como candidato nas próximas eleições norte-americanas. ANG/RFI

 

 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

Sociedade/Citadinos de Bissau indignados com suspensão  de certas atividades por decreto presidencial

Bissau, 25 Jan 21 (ANG) - vários  citadinos de Bissau não concordam com certas medidas anunciadas recentemente através de um decreto presidencial, no âmbito da luta contra a  pandemia da Covid 19.

Falando à ANG  Suncar Dabó, vendedeira ambulante manifestou a  sua discordância com a suspensão das aulas. Para ela deve ser tomada medidas específicas para controlar os infetados nas  escolas onde houve infetados, e reforçar as medidas preventivas nas restantes escolas “e não necessariamente suspender as aulas por um mês em todos os estabelecimentos de ensino de Bissau”.

Esta vendedeira ambulante acrescenta  que é preciso tomar medidas para controlar a propagação da pandemia, mas as que não vão prejudicar mais a vida dos cidadãos .

Rogério Nanque, estudante universitário, disse concordar em parte com as medidas tomadas pelo Governo guineense para mitigar o novo coronavirus, mas que  não concordou com a suspensão geral das aulas.

Segundo Rogério, o perigo da propagação da pandemia está mais nos mercados, transportes e restaurantes, que estão a funcionar normalmente.

De acordo com Rogério, o Estado guineense foi infeliz com esta decisão de suspender  as aulas na capital, que, na sua opinião, só vai demonstrar  “o pouco interesse” do Governo para com o setor do ensino.

 Na opinião de Virgílio Correia, funcionário público,  o governo simplesmente tomou a decisão de suspender as aulas, com intuito de ganhar mais tempo para resolver o já instalado caos no setor de ensino com sucessivas paralisações sem soluções à vista.

 Virgílio exorta os governantes a tomarem “medidas contextualizadas”, para não   copiar medidas para implementar num pais com realidades distintas.

Um decreto presidencial baseado nas recomendações da Alta Autoridade de Luta contra Covid-19 determinou a suspensão da aulas no Sector Autónomo de Bissau durante 30 dias, entre outras medidas adoptados no âmbito do estado de calamidade em vigor desde domingo,24.  ANG/CP//SG

 

Ensino/LGDH considera “injustificável” decisão governamental de suspender por 30 dias as aulas no SAB

 Bissau 25 Jan 21 (ANG) – A Liga Guineense dos Direitos Humanos(LGDH) considerou de “manifestamente injustificável” a decisão do Governo de suspender as aulas no Setor Autónomo de Bissau(SAB) por 30 dias no quadro da implementação do Estado de Calamidade, solicitada pela Alta  Autoridade de Luta  contra a Covid-19.


A organização de defesa dos Direitos Humanos sustenta que o executivo não  indicou  o nexo causal entre o funcionamento das escolas e o aumento de casos da Covid-19.

Em comunicado à imprensa, a LGDH diz que  registou com profunda preocupação e perplexidade os últimos acontecimentos em relação aos direitos humanos no país ,mormente a suspensão das aulas em Bissau e o aumento de casos de agressões abusivas contra os cidadãos perante a incúria das autoridades judiciais.

“Em regra e por imperativo constitucional ,as decisões restritivas de direitos fundamentais devem ser absolutamente necessárias e proporcionais .Pois ,o Governo tinha a obrigação de provar que as medidas adoptadas constituíam única alternativa existente e que visa salvaguardar valores superiores aos sacrificados ,o que não é o caso “, refere o comunicado.

A Liga acusa no documento que são as próprias autoridades públicas que promovem eventos que implicam ajuntamentos públicos ,sem observância de medidas de prevenção ,nomeadamente ,celebrações de feriados nacionais ,presidenciais-abertas ,reuniões partidárias e visitas de chefes de Estados estrangeiros.

A Liga sustenta que  o sector do ensino guineense tem sido área residual de sucessivos governos e sistematicamente fustigado por paralisações,  e indica que nos  últimos três anos registaram-se perdas superiores a 90 dias de aulas por ano ,equivalentes à metade do período lectivo .

No sector de segurança e da justiça a situação continua cada vez mais alarmante, agravada pela transformação das forças de segurança e de algumas entidades judiciais, mormente o Ministério Público, em instrumentos de batalha política e de repressão de vozes criticas ao atual regime instalado e a violação de propriedade do cidadão e líder de um partido político na oposição, Idriça Djaló, foi a evidencia do novo rumo para qual se está a direcionar a estrutura responsável  pela segurança dos cidadãos.”, lê-se no documento.

Na missiva, a LGDH frisa que igualmente ,tem-se assistido a instrumentalização da Polícia Judiciaria para fins políticos pondo em risco não só a sua reputação e credibilidade ,mas também a sua missão primordial de combate ao crime organizado com especial destaque ao tráfico de drogas.

A Liga condena o que diz ser “decisão imponderada” do Governo de suspender as aulas em Bissau, a invasão da propriedade do cidadão Idriça Djalo em Xitole pelos agentes da Guarda Nacional e as agressões e espancamento dos cidadãos dela decorrentes.

Exorta o Governo a reapreciação da decisão de suspender as aulas em Bissau pela aferição de medidas alternativas ou redução do período de suspensão da mesma para minimizar os efeitos negativos no aproveitamento escolar dos alunos.

A LGDH exige ao Ministério Publico a abertura de um inquérito conclusivo e independente para apurar os responsáveis das agressões havidas em Xitole contra cidadãos indefesos, e exorta as autoridades judiciais ,em especial do Ministério Público no sentido de realinhar as suas actuações aos ditames da lai e ao princípio de objectividade.

Ainda exorta a direcção do Polícia Judiciária no sentido de se distanciar de todas as tentativas de manipulação e instrumentalização para fins contrárias à sua missão fundamental de combate ao crime organizado. ANG/MSC//SG

 
Covid-19
/Presidente de República decreta Estado de Calamidade por trinta dias

Bissau, 25 Jan 21 (ANG) - O Presidente de República decretou este fim-de-semana o Estado de Calamidade, com a duração de 30 dias ,no quadro da luta contra a pandemia da Covid-19, que até ao dia 17 do corrente regista mais de 2500 casos de contagio e 45 mortes.

A Ordem começou  a ter efeitos a partir de domingo, 24, e prolonga até ao dia 23 de Fevereiro.

A informação consta no decreto conjunto feito pelo  Presidente da República, Primeiro-ministro e Vice-primeiro-ministro com o objectivo de proteger o povo guineense de mais casos de infeção nesta segunda vaga de Covid-19 que já iniciou no país com o registo de cerca de 50 novos casos de  contaminação nas últimas semanas do corrente mês.

“Durante Estado de Calamidade  a circulação de pessoas em toda a extensão do território nacional e dos transportes público de passageiros é condicionada ao uso de máscaras por todos os utentes, incluindo o motorista, o ajudante e os passageiros, durante todo o período de transporte”, refere o decreto presidencial.

Ainda refere  que os transportes públicos devem manter as janelas sempre abertas, salvo quando haja força maior, como por exemplo as avarias.

No referido decreto consta que as fronteiras da República de Guiné-Bissau vão manter-se abertas mas sujeitas a controlo sanitário conforme orientações do Alto Comissariado para a Covid-19, e sem prejuízo de outras formalidades, as entradas no território nacional estão condicionadas à apresentação de um certificado de teste de base molecular por RT-PCR negativo para o vírus SARS-CoV-, emitido por um laboratório credenciado e obtido até 72 horas antes do início da viagem.

O decreto recomenda o uso correcto da máscara facial durante todo o tempo de permanência no ponto de entrada, desinfeção das mãos com água e sabão ou gel alcoolizado antes de submeter os documentos às autoridades fronteiriças  e observância de distanciamento físico de pelo menos 1 metro de outros passageiros e funcionários de aeroporto.

Consta igualmente que os passageiros que apresentarem febre ou outros sintomas sugestivos de Covid-19, serão imediatamente encaminhados para um espaço dedicado e com privacidade, onde serão submetidos à um segundo rastreio sanitário, sendo sujeitos, se a situação o justificar, à um teste ao SARS-cov-2, após o que poderão deixar o posto fronteiriço. Serão seguidos no domicilio pelas autoridades sanitárias durante 14 dias.

“A realização do teste do vírus SARS-CoV-2 por iniciativa própria é gratuita para cidadãos considerados vulneráveis como as seguintes: pessoas com idade igual ou superior a 55 anos, pessoas com doenças crónicas, profissionais de saúde,  mulheres grávidas, pessoas com obesidade, entre outras”, lê-se no  decreto.

As instituições de ensino públicas e privadas estão autorizadas a funcionar em regime presencial, de acordo com as disposições previstas pelo departamento ministerial competente, com exceção das instituições de ensino públicas e privadas do Sector Autónomo de Bissau, que ficam encerradas durante o período de vigência do Estado de Calamidade.

A prática desportiva individual e de lazer em espaços abertos é autorizada, com observância de distanciamento físico mínimo de 1 metro entre os participantes, não sendo obrigatório o uso de máscara facial.

 É proibida a abertura ou funcionamento de ginásios de acesso ao público que funcionem em espaço fechado e é proibida igualmente a abertura ou funcionamento de ginásios de acesso ao público que funcionem em espaço fechado.

As reuniões e manifestações em espaços abertos são permitidas, desde que se cumpra as medidas relativas ao distanciamento físico mínimo de 1 metro entre os participantes, uso correto de máscaras entre outras medidas preventivas. Mas as reuniões nos espaços fechados são proibidas com a exceção das reuniões dos órgãos da soberania.

“A realização de eventos culturais, sociais e políticos que impliquem aglomeração de mais de 20 pessoas nomeadamente “Toca Tchur, Djanbadon, Kussundé, Gamó, Comícios e a realização do maior evento cultural da Guiné-Bissau que é o Carnaval 2021 são proibidas devido o Covid-19”, de acordo com o documento.

Os eventos religiosas continuarão permitidos na base das medidas de prevenção. Os restaurantes, pastelarias, padarias e serviços similares devem funcionar apenas no regime de venda, mas devem permitir que as pessoas consomem no próprio local.  

O decreto indica que a fiscalização do cumprimento dos deveres e recomendações previstos no Diploma é da responsabilidade das autoridades de Ordem Pública, de inspeção e de fiscalização da legalidade competentes.ANG/AALS//SG

 

PORTUGAL/ PRESIDENTE REELEITO PROMETE COMBATE À PANDEMIA E AO EXTREMISMO

Bissau, 25 Jan 21 (ANG) - Marcelo Rebelo de Sousa foi, por esmagadora maioria, o vencedor das eleições presidenciais, marcadas desta vez por uma pandemia que arrastou o país para uma crise económica e social.

No discurso de vitória, o Presidente reeleito vincou como principal missão o combate à pandemia, mas não esqueceu a luta contra "a radicalização e o extremismo".

Para o Presidente de todos os portugueses, é necessário "esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados".

Foi com 60,70 por cento dos votos que Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu a vitória naquela que foi a sua segunda candidatura à Presidência portuguesa. Apesar de uma abstenção recorde, o Presidente alcançou nestas eleições o primeiro lugar do pódio, sendo seguido por Ana Gomes, com 12,97 por cento dos votos, e André Ventura, com 11,90.

As primeiras palavras do discurso do vencedor foram dirigidas a todas as vítimas da pandemia de Covid-19 em Portugal.

“A 2 de Novembro, dia da evocação das vítimas da pandemia no Palácio de Belém, havia 2590 mortos. São agora 10469. Para eles, assim como para os mortos não Covid, destes quase 11 meses de provação, vai o meu, o nosso primeiro emocionado pensamento”, começou por dizer o Presidente reeleito.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a eleição de domingo comprova a “renovação da confiança no Presidente da República em funções”, dizendo sentir-se “profundamente honrado e agradecido”.

Mas o Chefe de Estado retirou outra conclusão dos resultados desta noite: que os portugueses querem um Presidente “que respeite o pluralismo e a diferença, um Presidente que nunca desista da justiça social”.

 “Tenho a exacta consciência de que a confiança agora renovada é tudo menos um cheque em branco. Quem recebe o mandato tem de continuar a ser um Presidente de todos e de cada um dos portugueses. Um Presidente próximo, um Presidente que estabilize, um Presidente que una, que não seja de uns, os bons, contra os outros, os maus. Que não seja um Presidente de facção”, disse Marcelo, numa aparente referência ao candidato de extrema-direita André Ventura.

O Presidente da República disse ter retirado duas mensagens “muito claras” dos resultados eleitorais desta noite. A primeira é que os portugueses “querem mais e melhor em proximidade, em convergência” e na gestão da pandemia.

A segunda é que deve “tudo fazer para persuadir quem pode elaborar leis a ponderar a revisão, antes de novas eleições, daquilo que se concluiu dever ser revisto para ajustar situações como a vivida” nesta pandemia.

Ainda com base nos resultados, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que os portugueses “não querem uma pandemia infindável, uma crise económica sem termo à vista, um empobrecimento agravado, um recuo na comparação com outras sociedades”, nem “uma radicalização e um extremismo nas pessoas, nas atitudes, na vida social e política”.

Querem, antes, “uma pandemia dominada o mais rápido possível, uma recuperação de emprego e rendimentos”, assim como o “combate à pobreza e à exclusão e um sistema político estável com governação forte, sustentável e credível”.

“Querem que a democracia constitucional responda aos dramas e angústias dos portugueses, mas uma democracia que respeite a Constituição, uma democracia democrática, não uma democracia iliberal, ou seja, não democrática”.

Marcelo quer “fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”.

Ainda no seu discurso de vitória, Marcelo Rebelo de Sousa relembrou que “dentro de três anos estaremos no meio século do 25 de Abril”, considerando inconcebível que se não possa dizer então que somos não só muito mais livres, mas também muito mais desenvolvidos, muito mais iguais, muito mais justos, muito mais solidários do que éramos no início da caminhada”.

Antes desses três anos, “temos de reencontrar o que perdemos na pandemia, refazer os laços desfeitos, quebrar as barreiras erguidas, ultrapassar as solidões multiplicadas, fazer esquecer as xenofobias, as exclusões, os medos instalados”, defendeu o Presidente.

“Temos de recuperar e valorizar todos os dias as inclusões, as partilhas, os afectos, as cidadanias esvaziadas pela pobreza, pela dependência, pela distância”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, tudo isto começa no combate à pandemia. “Se a pandemia durar mais e for mais profunda, tudo o resto que queremos tanto correrá pior e durará mais”, explicou. Por essa razão, o mais urgente do urgente chama-se agora combate à pandemia.

“Temos de fazer tudo o que de nós dependa, mas mesmo tudo, para travar e depois inverter um processo que está a pressionar em termos dramáticos as nossas estruturas de saúde”, acrescentou.

Para que este combate à pandemia seja sólido, Marcelo Rebelo de Sousa garante a sua “solidariedade institucional total com a Assembleia da República e o Governo, tentando envolver o maior número de partidos e parceiros económicos e sociais numa desejável conjugação colectiva”.

“Não deixa de ser uma desafiante ironia do destino que essa missão, que é minha, que é vossa, que é nossa, possa continuar a contar como Presidente reeleito, com alguém que pertence a um grupo de risco, simbolizando que estamos todos unidos, os mais novos e os menos novos”, declarou o vencedor destas eleições.

O resultado desta noite eleitoral não foi surpreendente, com todas as sondagens prévias a apontarem para a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. A maior dúvida residia entre os seguintes lugares do pódio.

A corrida foi renhida entre Ana Gomes e André Ventura, mas acabou por ser a candidata independente a conseguir a medalha de prata, com 12,97 por cento dos votos. O candidato do Chega foi escolhido por 11,90 por cento dos eleitores e, em vez de cumprir a promessa de demissão caso fosse ultrapassado por Ana Gomes, irá antes colocar ao partido a decisão sobre se quer ou não continuar com o projecto actual.

Em quarto lugar nestas eleições ficou João Ferreira, o candidato apoiado pelo PCP, com 4,32 por cento dos votos, seguido por Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, com 3,95, por cento, Tiago Mayan (Iniciativa Liberal), com 3,22, e Vitorino Silva (independente), com 2,94. ANG/Angop

 

 

Política/“O país recupera sua credibilidade interna e externa após realização das eleições presidenciais”, diz Presidente da República

Bissau, 25 jan 21 (ANG) – O Presidente da República afirmou que o país recuperou a sua credibilidade interna e externa após a realização das eleições presidenciais pacíficas, justas, livres e transparentes, por ele ganhas legitimamente.

Umaro Sissoco Embaló  falava este fim de semana através de vídeochamada na 58ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Embaló disse que essas eleições permitiram a consolidação da normalidade democrática e constitucional, com o funcionamento normal da legislatura, havendo um Governo Constitucional suportado por uma maioria existente no Parlamento, acrescentando que permitiram uma estabilidade governativa e uma coesão nacional abrangente em torno dos grandes desígnios de desenvolvimento nacional. 

 “Continuarei a promover as vias e os meios recomendados para a aceleração do processo de reformas dos setores da Defesa e  Segurança mobilizando para o efeito recursos nacionais pórpios e apoio da comunidade internacional, salvaguardando a soberania nacional da Guiné-Bissau e os seus interesses supremos no quadro desta estratégia, como condição sine qua non da modernização do Sistema de Defesa e de Segurança do país”, frisou.

Embaló prometeu ainda não poupar  esforços, e com base nas suas prorrogativas constitucionais para a promoção de  amplo debate técnico-científico, diálogo político e adopção de mecanismos legais competentes para uma revisão concertada, consensual e adequada da Constituição da República da Guiné-Bissau, para melhor definir e enquadrar o normal funcionamento dos órgãos da soberania.

No que diz respeito à nova vaga de Covid-19, Umaro Sissoco Embaló informou que as autoridades sanitárias nacionais actuaram urgentemente na prevenção e no combate à pandemia da COVID-19, de modo a proteger o tecido económico e social do país das suas consequências desastrosas.

Sustentou que foram  adotadas medidas preventivas mais propícias na prevencão da doença, em conformidade com as Directivas da Organização Oeste Africana de Saúde, na expectativa de aquisição conjunta e proporcional de vacinas recomendadas para a imunização das camadas de população mais vulneráveis.

Sissoco Embaló manifestou o seu profundo desagrado pelo encerramento unilateral de fronteiras que se verificou antes e após o período eleitoral, em certos países membro da CEDEAO, que segundo ele, constituiu um atentado ao princípio da liberdade de circulação de pessoas e bens no espaço da CEDEAO.

Chefe do Estado saudou a presidência ganesa da CEDEAO, congratulando com o bom desenrolar do processo democrático na sub- região no quadro das eleições presidenciais, legislativas e locais realizadas em 2020,  conforme constam do Relatório do Conselho de Mediação e de Segurança decorrente da sua 45ª Sessão Ordinária.

Segundo Embaló, os feitos da presidência ganesa constituem  factor encorajador para a prossecução  dos Estados Membros da CEDEAO e das suas instituições, da estratégia de retoma económica e do reforço dos instrumentos financeiros  necessários ao financiamento do processo de desenvolvimento dos Estados Membros. ANG/DMG//SG

 

 

 

Venezuela/PRESIDENTE Maduro APRESENTA GOTAS "MILAGROSAS" 100% EFICAZES contra Covid-19

Bissau, 25 Jan 21(ANG) - O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou no domingo umas gotas que qualificou como "milagrosas" e que, assegurou, neutralizam a covid-19 a 100% se usadas de quatro em quatro horas.

"Tendo recebido a licença sanitária oficial do país, posso apresentar a medicina que neutraliza em 100% o coronavírus, o Carvativir, mais conhecido como as gotinhas milagrosas de José Gregório Hernández", disse durante um discurso televisivo no qual fez um balanço da pandemia na Venezuela.

Este tratamento, explicou, é produto de vários estudos clínicos, científicos e biológicos que duraram nove meses e incluíram testes em doentes moderados e graves, que sempre, segundo o responsável, se recuperaram da doença graças às gotas.

"Dez gotas debaixo da língua, a cada quatro horas, e o milagre acontece, é um poderoso antiviral, muito poderoso que neutraliza o coronavírus", disse Nicolás Maduro, acrescentando que tudo o que é relacionado com o produto "vai ser publicado em revistas internacionais".

O Carvativir, continuou, é um medicamento "totalmente inócuo", porque "não tem efeitos secundários nem efeitos negativos" ou, pelo menos, é isso que mostram as "experiências maciças" realizadas na Venezuela.

A partir desta semana, disse o Presidente, terá início a "produção maciça" do medicamento, para o qual o Governo planeia estabelecer um sistema de distribuição directa que assegure a chegada das doses a todos os hospitais e centros de saúde em geral.

Nicolás Maduro planeia exportar milhares de doses de Carvativir para os países que, juntamente com a Venezuela, formam o bloco ALBA-TCP (Cuba, Nicarágua, Bolívia, Haiti e outras nações das Caraíbas), e comercializá-lo com outros países com os quais tem uma "relação estratégica", embora não tenha mencionado nenhum.

O responsável acrescentou que a vice-presidente executiva, Delcy Rodriguez, entregará toda a informação ao director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, "para que conheça e certifique este poderoso antiviral".

A relação do produto Carvativir com "gotas milagrosas" foi feita pelo Presidente numa alusão ao médico venezuelano José Gregório Hernández (1864-1919), considerado venerável pela Igreja Católica e que será beatificado este ano, depois de o Papa aprovar um milagre que é a atribuído ao médico.ANG/Angop

 

 

          
     CEDEAO
/Deputados aprovam programa e orçamento para 2021  

Bissau,25 Jan 21(ANG) - A Segunda Sessão Ordinária do Parlamento da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental(CEDEAO), que decorreu entre os dias 13 à 19 do corrente mês em Abuja(Nigéria), aprovou o Programa de Atividades e Orçamento para  2021.

De acordo com o comunicado à imprensa da CEDEAO à que a ANG teve acesso, os deputados comunitários adotaram o orçamento da organização no valor de 398.044.625 fcfa e para o próprio Parlamento a cifra situa-se na ordem dos 20.401.58 fcfa.

A nota informa ainda que a II Sessão Ordinária da V Legislatura do Parlamento recomenda por outro lado, a CEDEAO a realização antes de 2024 de eleições dos deputados por sufrágio universal e direto.

Ao presidir a cerimónia de enceramento dos trabalhos, O Presidente do Parlamento Comunitário, Mohamed Susie Tunis agradeceu aos deputados pela  dinâmica, solicitando-os a colocarem o interesse das comunidades em cima de interesses pessoais.ANG/ÂC//SG

 

UA/MOUSSA FAKI MAHAMAT ANUNCIA OFICIALMENTE RECANDIDATURA

Bissau, 25 Jan 21(ANG) - O tchadiano Moussa Faki Mahamat anunciou oficialmente a sua recandidatura à presidência da Comissão da União Africana (UA), o cargo executivo mais importante da organização, apontando como prioridade a erradicação do terrorismo e dos conflitos armados em África.

Eleito pela primeira vez em 2017, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Tchad, que se recandidata sem oposição, irá procurar a recondução no cargo para o mandato de 2021-2024, devendo para isso recolher o apoio de dois terços dos chefes de Estado africanos.

"Dentro de dois meses completarei o meu primeiro mandato de quatro anos ao leme da Comissão da União Africana. Estou orgulhoso de ter liderado a Comissão com uma equipa que deu o seu melhor para ter sucesso na nossa missão conjunta", disse Mahamat, num relatório sobre o balanço do mandato anterior e as prioridades para o próximo divulgado durante o fim-de-semana.

O político chadiano reconheceu que durante o seu primeiro mandato no cargo houve desenvolvimentos e aspectos positivos, mas também menos positivos, assinalando que estes quatro anos terminam, num contexto de complexidade intensificada pela pandemia da covid-19.

"Relativamente ao contexto da minha eleição em 2017, o mundo tornou-se cada vez mais complexo e as previsões tornaram-se mais incertas", admitiu.

O ainda presidente da Comissão disse que o seu projecto para o próximo mandato continuará centrado nos objectivos de desenvolvimento da Agenda 2063 da UA e em sete áreas prioritárias, incluindo a finalização da reforma institucional da organização e o reforço da liderança dos seus órgãos, o reforço da responsabilização a nível administrativo e financeiro e a luta para silenciar as armas em África.

"O próximo mandato pode ficar comprometido se não silenciarmos significativamente as armas nos países afectados por crises e conflitos armados em África", disse Moussa Faki Mahamat.

"Erradicar o terrorismo no Sahel, na região do Lago Tchad, em Moçambique, Tanzânia e Somália, construir a paz na República Centro-Africana (RCA), no Sudão do Sul, Sudão e Líbia e assegurar a contribuição da África para a solução do conflito do Sara Ocidental serão prioridades", detalhou.

A UA tem sido criticada pela sua inacção ou reacção tardia às crises políticas e de segurança no continente.

Neste contexto, o candidato sublinhou a necessidade de melhorar o alerta precoce, a prevenção e a mediação de conflitos no continente, reafirmando o princípio de "soluções africanas para problemas africanos", bem como a necessidade de "articular mais claramente o discurso sobre o financiamento de operações africanas de manutenção da paz".

Moussa Faki Mahamat disse ainda que se baterá por uma implementação bem-sucedida de projectos-chave de integração, tais como o Acordo de Comércio Livre Continental Africano (AfCFTA), que entrou em vigor no início deste ano.

Na lista de prioridades estão também maiores esforços para melhorar a alimentação, reduzir a pobreza e proteger o ambiente, bem como a implementação de políticas a favor dos jovens e das mulheres.

Faki Mahamat propõe-se também renovar as parcerias estratégicas do continente, nomeadamente com a China e a União Europeia, sob os princípios de que a África pertence aos africanos, os problemas africanos são resolvidos por e entre africanos e o continente fala a uma só voz.

"Tenciono revisitar, as nossas parcerias estratégicas a fim de as alinhar com estes princípios simples, mas cruciais", disse.

"África e Ásia, África e Europa, África e América, como não podemos estar orgulhosos por o nosso continente estar hoje no centro destes imensos espaços geoestratégicos? No entanto, em última análise, só desfrutaremos plenamente deste estatuto se nos afirmarmos, sem complexos nem hesitações, na nossa própria identidade, numa base de igualdade total com os outros", acrescentou.

O político chadiano deverá apresentar a sua avaliação do seu primeiro mandato e a sua proposta de reeleição aos chefes de Estado na cimeira da UA, marcada para 06 e 07 de Fevereiro, previsivelmente em formato digital.

A União Africana integra 55 países, incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe, é dirigida por uma comissão e a sua presidência ocupada rotativamente pelos países pelo período de um ano.

A organização reúne-se anualmente em assembleia ordinária em Adis Abeba, na Etiópia, onde tem a sua sede.

A cimeira, que deverá centrar as discussões na crise provocada pela pandemia de covid-19 no continente, marcará a passagem da actual presidência da África do Sul para a República Democrática do Congo (RDC).

A nova Comissão da União Africana, a primeira a ser eleita após o processo de reforma iniciado em 2016 sob supervisão do Presidente ruandês, Paul Kagamé, terá menos comissários e será escolhida através de um novo sistema baseado no mérito.

A nova estrutura executiva da União Africana será composta por oito membros, incluindo um presidente, um vice-presidente e seis comissários, menos dois lugares do que na anterior comissão.

Entre os candidatos a comissários, está a engenheira agrónoma angolana Josefa Leonel Correia Sacko.

A diplomata e actual comissária da UA para a Agricultura e Economia Rural, a única representante lusófona na lista de 25 candidatos pré-qualificados, vai procurar a reeleição para a mesma pasta, que passará também a integrar a Economia Azul e o Ambiente.ANG/Angop

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

COVID-19/SEGUNDA VAGA ESTÁ A SER MAIS MORTÍFERA EM ÁFRICA – UA

Bissau, 22 Jan 21 (ANG) - A segunda vaga da pandemia de covid-19 está a revelar-se mais mortífera em África, onde a taxa de mortalidade excede a média mundial, anunciou quinta-feira o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

A taxa de mortalidade do novo coronavírus em África situa-se agora em 2,5% dos casos registados, acima da média mundial de 2,2%, explicou o director daquela agência especializada da União Africana (UA), John Nkengasong, na conferência de imprensa semanal do Africa CDC, através da internet, a partir de Addis Abeba.

O número de casos no continente aumentou 14% por semana ao longo do último mês.

Desde o início da pandemia, África permanece oficialmente um dos continentes menos afectados pela contaminação com o vírus SARS-CoV-2, com 3,3 milhões de casos de Covid-19 e quase 82.000 mortes, de acordo com a agência.

Mas o aumento da taxa de mortalidade marca uma rutura em relação à primeira vaga, em que se encontrava abaixo da média global, indicou Nkengasong.

"Estamos a assistir a uma inversão", acrescentou o director do Africa CDC.

"Esta é uma das características notáveis da segunda vaga, que temos de combater duramente", advertiu.

Actualmente, 21 países africanos registam taxas de mortalidade superiores aos 2,2% que são a média mundial.

Entre os exemplos dados pelo CDC estão o Sudão, com uma taxa de mortalidade de 6,2%, o Egippto com 5,5%, a Libéria com 4,4% e a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) – Estado-membro da UA - com 11,8%.

Este aumento da mortalidade é causado pelo número acelerado de casos, que está a entupir os sistemas de saúde do continente, de acordo com o Sr. Nkengasong.

A dinâmica da epidemia "excede a capacidade dos enfermeiros e médicos para gerir os doentes", explicou. "Os pacientes não estão a receber a atenção e os cuidados de que necessitam porque temos um número limitado de camas e de mantimentos".

Nkengasong salientou particularmente a necessidade de oxigénio, que é utilizado para tratar formas graves de covid-19, que se estão a tornar "críticas".

Na Nigéria, o país mais populoso de África, as autoridades de saúde relatam ter de "escolher quais os pacientes a tratar e a quem recusar cuidados", disse ele.

A UA anunciou na semana passada que encomendou 270 milhões de vacinas para distribuir por todo o continente, para além das vacinas planeadas através do esquema Covax, uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de parceiros privados destinada a proporcionar um acesso equitativo às vacinas.

A União Africana está em negociações com a Rússia e com a China para encomendar doses adicionais de vacinas, mas "ainda não há um acordo", informou Nkengasong.

África registou nas últimas 24 horas mais 922 mortes por covid-19 para um total de 81.861, e 28.109 novos casos de infecção, segundo os últimos dados oficiais da pandemia no continente.

De acordo com o África CDC, o número de infectados é de 3.337.028 e o de recuperados nos 55 Estados-membros da organização nas últimas 24 horas foi de 28.621, para um total de 2.784.501 desde o início da pandemia.ANG/Angop