terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Cinema/Realizadora luso-francesa Cristèle Alves Meira reage à morte de Brigitte Bardot

Bissau, 30 dez 25(ANG) -  A actriz francesa Brigitte Bardot morreu este domingo 28 de Dezembro de 2025. A informação do seu falecimento suscitou várias reações nomeadamente no mundo do cinema, sendo a personagem de Brigitte Bardot controversa nos últimos anos. A este respeito falámos com a realizadora luso-descendante Cristèle Alves Meira que lembrou o papel de Bardot na libertação sexual das mulheres.

Cristèle Alves Meira é realizadora luso-descendante. Nasceu em França, de pais portugueses e realizou a sua primeira longa-metragem Alma Viva, em 2022. Enquanto mulher no mundo do cinema, ela contou-nos o que retém de Brigitte Bardot.

O que retenho é uma cena icónica do cinema francês: a cena de Pierrot, o maluco onde ela está nua e faz assim o retrato de o que é a beleza de um corpo feminino. Para mim, é mesmo uma figura emblemática da ultra sensualidade que pode ser uma mulher. Na verdade, ela fez vários filmes, mas um filme marcante foi mesmo o filme do Godard.

Como realizadora portuguesa mas também francesa,  porque eu sempre vivi, estudei na França e sou francesa também. Para mim, Brigitte Bardot é mesmo uma imagem da França, da Nouvelle vague, da nova onda dos anos 60, da libertação sexual das mulheres daquela época.

A realizadora também evocou as polémicas da actriz, que marcaram o final da sua vida.

Mas para mim, como mulher hoje e como cineasta francesa também, a Brigitte Bardot é a imagem de uma mulher que criou muita polémica aqui em França e que conta também a mutação do nosso país. A partir dos 40 anos ela começou a dedicar-se à defesa dos animais, por acaso eu tenho muita lembrança desse momento da sua vida. Mas também nos anos final de 2000, quando chegou depois, mais tarde, também aquela fase do #metoo, ela teve uma posição um bocadinho radical, de extrema direita, com polémicas. Ela não conseguia entender a palavra das mulheres, das feministas de hoje.

Na verdade, para concluir, ela sempre foi uma mulher polémica e nunca escondeu as ideias dela. Ela sempre defendeu as ideias dela e por isso podemos dizer que é uma mulher fascinante, que com os seus lados positivos e os mais polémicos e negativos.ANG/RFI 

 

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