segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Nigéria/CEDEAO aposta na tecnologia digital para acelerar integração regional

Bissau, 26 Jan 26(ANG) – Os participantes da consulta regional da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) sobre transformação digital formularam uma série de recomendações em Lagos, na Nigéria, com o objetivo de tornar a tecnologia digital uma alavanca estratégica para a integração regional.


O encontro organizado no âmbito do processo consultivo da cúpula “Visão 2050” da CEDEAO, reuniu, de 20 a 22 de janeiro de 2026, representantes do setor privado, organizações da sociedade civil, profissionais da mídia, acadêmicos e jovens para debater os desafios da economia digital e da governança tecnológica.

Ao final do workshop, os participantes recomendaram que a transformação digital seja posicionada como o principal motor da integração, por meio da criação de um mercado digital único e da adoção de um código digital comunitário. Eles enfatizaram a necessidade de fortalecer infraestruturas críticas, incluindo banda larga, sistemas de identidade digital, computação em nuvem e a interoperabilidade de serviços públicos, para garantir o acesso equitativo e seguro à tecnologia, especialmente para populações rurais e vulneráveis.

Os participantes também defenderam a harmonização dos quadros regulamentares e dos mecanismos de cibersegurança, através da consolidação das leis de proteção de dados e do estabelecimento de um quadro regional comum para a segurança das infraestruturas digitais.

A promoção da ciência, da tecnologia e da inovação está entre as áreas prioritárias, com apelos para aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento, criar centros regionais de excelência e fortalecer as parcerias entre a academia e o setor produtivo.

A inclusão de jovens e mulheres no ecossistema digital foi considerada essencial para reconhecê-los como atores plenos na inovação e na integração regional.

Também foi recomendada uma estrutura ética para a inteligência artificial, com o objetivo de garantir o uso responsável que respeite os direitos humanos e de limitar os riscos associados a vieses algorítmicos, violações de privacidade e desinformação. Enfatizou-se ainda o fortalecimento da alfabetização digital e da compreensão da IA ​​em todos os níveis.

Os meios de comunicação e a comunicação constituem outro pilar estratégico, com recomendações a favor do apoio à rádio comunitária, da promoção do jornalismo ético, da valorização do conteúdo multilingue e do envolvimento cívico através de plataformas digitais e redes sociais.

Por fim, os participantes apelaram à mobilização de parcerias inovadoras e mecanismos de financiamento, envolvendo os setores público e privado, a fim de traduzir estas orientações em programas concretos e assegurar o seu acompanhamento a nível político e institucional.ANG/Faapa

    

 

Nigéria/Proibida a exportação de  madeira no âmbito de combate ao desmatamento da floresta

Bissau, 26 Jan 26 (ANG) -  O governo nigeriano decidiu proibir a exportação de madeira e produtos derivados da madeira em todo o país, visando uma melhor adaptação às mudanças climáticas e o combate ao rápido esgotamento dos recursos florestais.

Essas medidas, previstas por um decreto presidencial sobre a proibição das exportações de madeira, visam conter a extração ilegal de madeira e o desmatamento, que estão entre os principais fatores de degradação ambiental, disse o Ministro do Meio Ambiente da Nigéria na quarta-feira, em reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente.

Nesse sentido, todas as licenças e autorizações emitidas anteriormente pelas autoridades para a extração e exportação de madeira foram suspensas e declaradas inválidas, acrescentou ele.

Segundo o ministro, essas medidas visam proteger o ecossistema nigeriano, que está sob forte pressão devido à exploração madeireira ilegal e às exportações desregulamentadas de madeira, que enfraqueceram significativamente a cobertura florestal do país. ANG/Faapa

   

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Guiné-Conacri/ Pelo menos seis mortos em desabamento de mina de ouro

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) -  Pelo menos seis pessoas morreram na quarta-feira após o desabamento de uma mina de ouro na região de Siguiri, no nordeste da Guiné, segundo relatos da mídia local.

A tragédia ocorreu na cidade de Doko (nordeste), uma área conhecida pela intensa atividade de mineração de ouro, onde operações semi-industriais e minas artesanais atraem uma alta concentração de trabalhadores.

Segundo as mesmas fontes, as vítimas estavam em uma vala, formada por vastas escavações de pedreiras exploradas por unidades industriais, quando um súbito desabamento do solo as soterrou.

As operações de busca e escavação permitiram a extração dos corpos das vítimas dos escombros lamacentos, indicam as mesmas fontes.ANG/Faapa


CAN-2025/Marrocos se orgulha de ter contribuído pra proeminência de África e de seu futebol”, diz Rei Mohammed VI

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) – Ao sediar com entusiasmo a 35ª Copa Africana de Nações (CAN-2025), Marrocos se orgulha de ter oferecido, em seu território, um mês de alegria popular e emoção esportiva, e de ter contribuído para a influência da África e do seu futebol, afirmou o Rei Mohammed VI.

“Esta edição da competição continental será um marco, pois, além dos excelentes resultados desportivos, permitiu-nos medir o salto qualitativo que o Reino deu no caminho do desenvolvimento e do progresso, fruto de uma visão a longo prazo e de um modelo marroquino único e bem-sucedido que coloca o cidadão no centro de todas as ambições”, afirmou o Soberano de Marrocos num comunicado divulgado esta quinta-feira pelo Gabinete Real.

Ao término desta edição da CAN (21 de dezembro de 2025 a 18 de janeiro de 2026), o Rei Mohammed VI agradeceu a todos os membros da nação marroquina que contribuíram de forma admirável para o sucesso deste magnífico evento.

Ele dirigiu seus cumprimentos aos milhões de marroquinos, mulheres, homens e crianças, que continuaram a apoiar, cada um à sua maneira e sempre de forma exemplar, sua seleção nacional, agora classificada como a 8ª melhor equipe do mundo.

O Soberano afirma que este resultado notável é fruto, sobretudo, de uma política proativa e de alto nível no que diz respeito ao desporto e às infraestruturas, bem como da escolha patriótica feita pelos talentosos filhos de marroquinos em todo o mundo de vestir a camisola da seleção nacional e defender as suas cores com orgulho e brilhantismo.

O Rei observou que “embora este grande festival continental de futebol, organizado pelo Reino, pareça ter sido tristemente prejudicado pelo infeliz episódio dos minutos finais da partida final entre as seleções nacionais de Marrocos e Senegal, durante o qual ocorreram incidentes lamentáveis ​​e ações deploráveis, permanece a certeza de que, uma vez dissipada a paixão, a fraternidade interafricana prevalecerá naturalmente, porque este sucesso marroquino é também um sucesso africano”.

Além disso, diante da difamação e de certas tentativas de descrédito sofridas, o Soberano permanece convicto de que os planos hostis jamais alcançarão seus objetivos, que o povo marroquino sabe discernir entre as coisas e que não se deixará levar pelo ressentimento e pela discórdia.

“Nada pode alterar os laços estreitos cultivados ao longo dos séculos entre os nossos povos africanos, nem a frutífera cooperação construída com os vários países do continente e fortalecida por parcerias cada vez mais ambiciosas”, insiste o Soberano.

Ao salientar que “o Reino de Marrocos é e continuará a ser um grande país africano, fiel ao espírito de fraternidade, solidariedade e respeito que sempre cultivou para com o seu continente”, o Rei Mohammed VI assegurou que Marrocos “continuará o seu compromisso firme e constante com uma África unida e próspera, em particular através da partilha mútua das suas experiências, conhecimentos e saberes”. ANG/Faapa

 

     Irão/ Amnistia pede ação internacional para travar mortes e impunidade

 Bissau, 23 Jan 26 (ANG) - A Amnistia Internacional acusou hoje as autoridades iranianas de desencadearem uma repressão militar para impedir novas mobilizações e esconder crimes cometidos contra manifestantes, apelando à comunidade internacional para travar "o derramamento de sangue e impunidade".

Numa declaração, a organização de defesa dos direitos humanos, cita o relator especial das Nações Unidas para o Irão, Mai Sato, segundo o qual pelo menos 5.000 pessoas morreram durante as "revoltas", um número muito superior às 3.117 vítimas mortais reconhecidas pelo Estado iraniano.

"É necessária uma ação internacional urgente (...) para quebrar o ciclo de derramamento de sangue e impunidade", apela.

A Amnistia refere que, desde que as manifestações começaram, no final de dezembro, inicialmente para protestar contra a situação económica e que acabaram por apelar à queda do regime, o Governo iraniano tem mantido um corte da internet, "isolando deliberadamente" mais de 90 milhões de pessoas.

Milhares de pessoas foram detidas, incluindo crianças, estudantes, defensores dos direitos humanos, advogados, jornalistas e membros de minorias étnicas e religiosas, segundo a Amnistia Internacional, que denuncia que "desaparecimento forçado, tortura e outros maus-tratos, incluindo violência sexual" sofridos pelos detidos.

As forças de segurança chegaram mesmo a deter pessoas hospitalizadas sob tratamento médico, após invadirem instalações de saúde sem qualquer mandado, descreve.

No comunicado, a organização também alerta que muitos detidos são "mantidos em quartéis militares, armazéns ou outros locais improvisados de detenção sem registo oficial".

A Amnistia afirma ainda que as famílias das vítimas enfrentam pressão e intimidação, além de relatar enterros em massa que não foram reportados e outros enterros noturnos realizados sob vigilância das forças de segurança.

A organização acusa também as autoridades de extorquir dinheiro às famílias para recuperar os corpos dos seus "entes queridos" e de as pressionar a declarar publicamente que os seus familiares falecidos eram membros da milícia e não manifestantes.

Segundo a Amnistia, o país vive sob controlo militar, com patrulhas armadas, recolher obrigatório noturno e proibição de reuniões nas ruas de duas ou mais pessoas. ANG/RFI

 

Justiça / Ministério Público acusa dois militares pela morte de ajudante de toca-toca

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) – O Ministério Público acusou provisoriamente,  quinta feira, dois militares  pela morte do  ajudante de  transporte público interurbano(Toca-toca) ocorrida em Dezembro de 2025, em Bissau, revela uma Nota à Imprensa do Gabinete de Imprensa da instituição assinado pelo assessor  Maurício Alves.

O processo crime envolve o sargento Carlitos Luís Imbana e o saldado Abene Albino Sembé, alegadamente responsáveis pela agressão que vitimou Luís Rui Bedam, ajudante de um transporte publico, conhecido por “Toca-Toca”, da linha Matadouro Quelelé-Bôr.

O incidente ocorreu no dia 27 de Dezembro de 2025, tendo a vitima falecido três dias após internamento no hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau.

Segundo a acusação da vara-crime da delegacia do Ministério Público do Tribunal Regional de Bissau, os suspeitos tinham a consciência de que as suas condutas eram proibidas por lei, mas ainda asim praticaram os atos que resultaram na morte de Luís.

O Ministério Público sustenta que o óbito foi provocado por hemorragia interna, consequências diretas de espancamento, conforme relatório médico anexado  aos autos.

O documento indica que com base nos elementos probatórios recolhidos, os dois militares vão responder pelo crime de homicídio, previsto no artigo 107º do Código Penal guineense. Durante o debate instrutório, ambos confessaram a coautoria do crime e a prática dolosa dos atos, 
nos termos dos artigos 16º e 22 º do mesmo diploma legal.

De acordo com a Nota, por decisão do Juiz de Instrução Criminal, os arguidos encontram-se em prisão preventiva desde o passado  12 de Janeiro, medida que deverá manter-se até à realização do julgamento.

Em caso de condenação, os suspeitos incorrem em penas que variam entre oito e 16 anos de prisão efetiva, de acordo com a legislação penal em vigor.

O Ministério Público reafirma na Nota o seu compromisso com a legalidade e garante que continuará a pugnar pela estrita observância das leis na República da Guiné-Bissau, defendendo uma justiça acessível à todos os cidadãos, sem exceção.

ANG/LPG//SG

Comunicação Social/ Primeiro-ministro   apela aos membros do Executivo o reforço da assessoria de imprensa para garantir veracidade das informações

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) – O Governo através do Primeiro-ministro de Transição exortou aos membros do governo o reforço  de serviços de assessoria de imprensa, a fim de garantir a veracidade e a fidelidade das informações.

A exortação foi tornada  pública  quinta-feira, pelo ministro da Comunicação Social e porta do Governo de Transição, Abduramane Turé, na apresentação à imprensa do comunicado final da reunião do Conselho de Ministros.

De acordo com o governante, o Conselho de Ministros analisou os preparativos da realização do Carnaval- 2026 a decorrer de 14 a 17 de Fevereiro, sob o lema: "Nô Guineendadi Ibalur di Nô Union".

No que toca a parte deliberativa, o porta-voz do Governo disse que o coletivo ministerial analisou o projeto de decreto sobre o Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos de Alojamento.

Ainda o colectivo governamental abordou o ponto que tem a ver com o Torneio Regional de Desenvolvimento de Luta Livre na África Ocidental, cuja organização cabe desta vez à Guiné-Bissau.

No capítulo de nomeações, o Conselho de Ministros deu a sua anuência para que por despacho do Primeiro-ministro, se  proceda a movimentação do  pessoal  da administração pública conforme  se indica:

No Ministério dos Recursos Naturais, Alfredo Malú foi nomeado  Diretor-geral da Petroguim e no Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, foi nomeada Inhaidel Helena Cunha para o cargo de Diretora-geral do Emprego, Trabalho e Relações Laborais.

Em decorrência das referidas nomeações foi dada por fim as comissões de serviços das mesmas funções dos anteriores titulares ANG/AG/JD/ÂC//SG


 

             Uganda/Líder da oposição denuncia “massacre silencioso”

Bissau, 23 Jan 26 (ANG) -  O líder da oposição, Bobi Wine, de Uganda rejeita os resultados oficiais que deram a vitória ao Presidente cessante Yoweri Museveni, de 81 anos e há 40 no poder.

A rejeição surgi uma semana após eleições presidenciais.

Em entrevista à RFI, Bobi Wine disse estar escondido, afirmou ter provas de fraude e denunciou um “massacre silencioso” em curso no país.

“Não estou em segurança porque estou a ser perseguido pelos militares sem ter cometido qualquer crime. Estou escondido. A minha esposa e a minha família não estão em segurança, estão cercadas pelos militares, não podem sair e ninguém pode entrar. Estão com fome e até a comida que lhes é entregue está a ser rejeitada”, declarou o líder da oposição ugandesa, Bobi Wine, em entrevista à jornalista da RFI Christina Okello.

O Uganda elegeu, pela sétima vez, Yoweri Museveni como Presidente. Aos 81 anos e há 40 no poder, Museveni teve 71,65% dos votos contra 24,72% para Bobi Wine, de acordo com a comissão eleitoral. O líder da oposição é um antigo cantor de 43 anos, que já tinha sido detido e torturado depois das eleições de 2021, e que é muito popular junto dos jovens, sendo conhecido o "presidente do gueto", em referência ao bairro da sua infância numa das favelas da capital. Wine acusa o Governo de fraude eleitoral.

“Temos provas antes, durante e depois da eleição. Temos vídeos de polícias, dos militares e dos próprios funcionários da Comissão Eleitoral a votarem pelo General Museveni. Não confiamos no sistema judicial no Uganda. O sistema judicial está enviesado e inclinado para favorecer Museveni”, acrescentou Bobi Wine à RFI.

O Presidente Yoweri Museveni é um antigo guerrilheiro que exerce um controlo total do aparelho eleitoral e da segurança. A mostrar isso mesmo esteve o corte da internet, desligada pelas autoridades nas vésperas das eleições, e fortes contingentes de segurança mobilizados para todo o país no dia da votação. Nesse dia, 15 de Janeiro, houve problemas técnicos em todo o Uganda, algo que a oposição apontou como um acto "deliberado" para garantir a vitória de Museveni. Ele próprio reconheceu ter sido testemunha das dificuldades técnicas encontradas pelas máquinas biométricas para verificar a identidade dos eleitores. Também a ONU tinha considerado, mesmo antes de 15 de Janeiro, que o processo eleitoral decorreu numa atmosfera "marcada pela repressão e intimidação generalizadas".

A repressão continua. Bobi Wine teve de fugir e esconder-se. O Presidente Yoweri Museveni e o seu filho, o chefe do exército Muhoozi Kainerugaba, têm classificado os membros da oposição como “terroristas”.

“O nosso povo está a ser massacrado. Está a acontecer um massacre silencioso. O filho de Museveni apareceu há dois dias a arrepender-se de ter matado apenas 22 de nós. Queria matar mais. Temos relatos de mais de 100 pessoas que foram mortas em todo o país”, disse, ainda, Bobi Wine à RFI.

Na segunda-feira à noite, o filho do chefe de Estado escreveu, na rede social X: "Matámos 22 terroristas da NUP [Plataforma da Unidade Nacional, o partido de Bobi Wine]. Rezo para que Kabobi [o apelido que lhe deu] seja o 23°". A mensagem acabaria por ser apagado algum tempo depois.

A outra figura importante da oposição, Kizza Besigye, de 69 anos, ex-médico pessoal do Presidente Museveni e que se opõe a ele há mais de 25 anos, não pôde participar nas eleições. Ele foi sequestrado em Novembro de 2024 durante uma viagem ao Quénia e reapareceu no Uganda, onde foi julgado por um tribunal militar por traição. O caso foi transferido para um tribunal civil há um ano, mas o seu pedido de fiança tem sido repetidamente negado desde então. Na terça-feira, a sua esposa, Winnie Byanyima, directora executiva da UNAIDS, denunciou à imprensa ugandesa um "plano para matar" o marido doente. Na quarta-feira, ela escreveu na rede social X que conseguiu visitar o marido que estava "encolhido numa cadeira de plástico suja" e "extremamente fraco". ANG/RFI

 

 

  Suíça/Donald Trump lança formalmente em Davos o seu "Conselho da Paz"

O Presidente americano Donald Trump rubricou nesta quinta-feira em Davos a carta formalizando a fundação do seu "Conselho da paz", na presença de cerca de vinte líderes de países que aceitaram o convite para integrar esta instância colocada sob a sua autoridade. Inicialmente pensado para gerir o pós-guerra na Faixa de Gaza, este conselho propõe-se trabalhar em prol da resolução de conflitos "em coordenação" com a ONU.

Chegado nesta quarta-feira a Davos, nos Alpes Suíços, onde participa no Fórum Económico Mundial, Donald Trump que se autoproclama "impulsionador da paz", assinou a carta instituindo o "Conselho da Paz". Uma entidade que inicialmente devia "apenas" gerir o processo de paz na Faixa de Gaza, mas cujo perímetro de acção Trump pretende alargar "em coordenação" com as Nações Unidas, instituição a seu ver com "um grande potencial mas que não foi plenamente explorado".

Discursando perante 19 dos cerca de 35 líderes mundiais que aceitaram integrar esta entidade, entre os quais o argentino Javier Milei e o húngaro Viktor Orban, seus aliados, Trump exprimiu-se ainda de forma breve sobre o Médio Oriente, referindo que o Hamas deve depor as armas ou "será o seu fim".

Palavras que antecederam o anúncio de que o ponto de passagem de Rafah entre o Egipto e a Faixa de Gaza vai ser reaberto "em ambos os sentidosna próxima semana.

Donald Trump evocou ainda o Irão e garantiu que se este país deseja iniciar negociações com os Estados Unidos, ele está "disposto" a fazê-lo.

Durante esta tarde, após um encontro com o seu homólogo ucraniano que não esconde a sua "preocupação" com uma perda de atenção relativamente ao conflito no seu país, Donald Trump disse que "a guerra deve acabar", em jeito de mensagem ao Presidente russo. Por sua vez, Zelensky limitou-se a dizer que "os documentos para acabar com a guerra estão quase prontos" e admitiu que o diálogo com Donald Trump "não foi fácil".

Refira-se que ontem, Donald Trump afirmou que Vladimir Putin tinha aceite o convite para integrar o seu "Conselho da Paz", o que Moscovo apenas disse "estudar".

Dos cinquenta países convidados para entrar nesta entidade vista como uma alternativa às Nações Unidas, 35 aceitaram segundo a administração americana. Para além de Israel, da Hungria e da Argentina, Marrocos, o Bahrein, a Turquia, a Bulgária, o Azerbaijão e a Indonésia confirmaram a sua participação nesse conselho a ser dirigido por Trump.

Também convidados, a França e o Reino Unido, ambos membros permanentes do Conselho de segurança da ONU, recusaram fazer parte dessa entidade, para a qual o bilhete de entrada -sublinhe-se- é de mil milhões de Dólares para um assento permanente.ANG/RFI

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Transição política/Conselho Nacional de Transição condena as intervenções externas nos assuntos internos da Guiné-Bissau

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) – O Conselho Nacional de Transição (CNT), condenou quarta-feira de forma “veemente” as intervenções do ministro dos Negócios Estrangeiros português Paulo Rangel, que qualifica de  “ingerência nos assuntos políticos internos da Guiné-Bissau”.

A posição do CNT foi tornada pública pelo seu porta voz Fernando Vaz, em declarações à imprensa.

Recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros português Paulo Rangel, revelou que em breve, efetuará uma visita à sede da CEDEAO em Abuja, para debater a atual situação política vigente na Guiné-Bissau.

Rangel considerou  de “bastante grave”, a nova Constituição anunciada pelo Alto-Comando Militar guineense.

“O desenrolar político actual na Guiné-Bissau levanta preocupação, particularmente a prisão arbitrária de Domingos Simões Pereira, o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), visto como um obstáculo à reposição da normalidade”, sustentou o chefe da diplomacia português, durante uma audição regimental na Assembleia da República portuguesa.  

Em reação as declarações de Paulo Rangel e do Presidente de Cabo Verde José Maria Neves no âmbito das suas críticas ao Alto-Comando Militar, o porta-voz, Fernando Vaz sustentou que a soberania nacional da Guiné-Bissau foi conquistada pela força das armas, em que os “valorosos Combatentes da Liberdade da Pátria derrotaram, implacavelmente, o colonialismo português”.

Segundo o Porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), são condenadas  todas as intervenções e interferências externas no actual processo político guineense, em especial, no que se refere a revisão constitucional do país.

“Enquanto pilar do povo guineense, da sociedade civil, e defensora dos direitos fundamentais, declaramos de forma inequívoca a nossa posição, face as recentes tentativas de pressão externa sobre o processo de revisão constitucional em curso”, disse Fernando Vaz.

Reafirmou por outro lado que, a República da Guiné-Bissau, é um Estado soberano e independente, e que o processo da revisão da lei fundamental do país é uma questão de estrito fórum interno.

“As autoridades guineenses não permitirão que os Estados ou Organismos internacionais imponham o ritmo ou conteúdo das nossas reformas institucionais, porque qualquer tentativa nesse sentido, não é a diplomacia, mas pelo contrário,  uma ingerência intolerável”, disse.

Aquele responsável referiu que a soberania dos Estados é protegida pela Carta das Nações Unidas (NU), e o art: 02 Nº 7, veda expressamente, qualquer intervenção dos assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna dos Estados.

“A tentativa de influenciar a nossa política interna é um atentado direto contra este principio universal. Nenhum parlamento, seja ele nacional de Portugal, ou Comunitária da CPLP, possui legitimidade jurídica ou política para intervir nos assuntos que cabem ,exclusivamente, ao povo e as instituições da Guiné-Bissau", disse o Porta-voz do Conselho de Nacional de Transição, órgão que funciona como parlamento nacional.ANG/LLA/ÂC//SG  

         

Alemanha/ "Mundo onde só o poder interessa é perigoso. Alemanha já fez isso", diz Merz

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O chefe do governo federal alemão, Friedrich Merz, avisou hoje para o perigo de uma ordem internacional baseada exclusivamente no poder, dando como exemplo o drama vivido aquando do regime nazi no seu país.

"Um mundo onde só o poder interessa é perigoso. Primeiro, para os pequenos estados e as médias potências, depois para as grandes [potências]. O meu país já trilhou esse caminho no passado (...) e arrastou o Mundo para o abismo. Lembremo-nos, portanto, de que a nossa maior força continua a ser capacidade de construir parcerias e alianças entre iguais", disse, no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.

Merz descreveu a invasão da Ucrânia pela Rússia como a "expressão mais radical" até o momento de uma "nova era" da política internacional, num contexto em que a China,

"Graças à sua visão estratégica, conquistou um lugar entre as grandes potências".

"A posição dos Estados Unidos como líder global está a ser desafiada", continuou, acrescentando que Washington está a "reformular radicalmente a política externa e de segurança".

O 'chanceler' alemão frisou que as "autocracias" têm "súbditos", ao passo que as "democracias têm parceiros e amigos confiáveis".

Num discurso maioritariamente em Inglês, Merz encorajou os "europeus e parceiros com ideias semelhantes" a avançar e pediu, especificamente, aos "amigos europeus" que façam "investimentos maciços" nas capacidades de Defesa, desejando que as economias europeias fiquem "mais competitivas".

A Alemanha quer desempenhar um "papel fundamental" na proteção de uma ordem mundial baseada em regras, garantiu. ANG/Lusa

 

EUA/Acordo entre EUA e NATO pode implicar maior presença da Aliança Atlântica na Gronelândia

 

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O Presidente americano operou um volte-face na quarta-feira relativamente às suas pretensões territoriais sobre a Gronelândia, depois de vários dias de tensões sem precedentes em décadas entre os Estados Unidos e os seus aliados europeus.

Após um encontro à margem do Fórum Económico de Davos, na Suiça, com o secretário-geral da NATO, Trump anunciou ter encontrado um quadro de acordo com Mark Rutte.

Logo a seguir ao seu encontro com o secretário-geral da NATO , o Presidente americano anunciou na sua rede social que tinha chegado a um consenso com o seu interlocutor acerca da Gronelândia e que desistia de aplicar taxas alfandegárias suplementares aos oito países, incluindo a França, que se tinham abertamente oposto à sua intenção de se apoderar daquele território sob tutela dinamarquesa.

Questionado pouco depois pelos jornalistas, Trump não acrescentou muito mais.

"Este acordo dá-nos tudo o que queríamos e penso que ele coloca todas as partes numa posição favorável especialmente no que tange aos minerais e à segurança e vai vigorar para sempre", disse o chefe de Estado americano.

Por sua vez, o secretário-geral da NATO esclareceu hoje que o acordo alcançado com Trump não diz respeito à soberania da Gronelândia, nem aos seus minérios, mas implica um reforço da presença da Aliança Atlântica na Gronelândia e que isto iria ser discutido com os altos comandantes da aliança.

Neste sentido, uma fonte próxima do dossier também indicou que os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o seu acordo de defesa datando de 1951 sobre a Gronelândia, entretanto revisto em 2004, e que já por si dá praticamente carta branca às forças armadas americanas naquele território.

Reagindo ao anúncio de Trump, a Primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen assegurou que o seu país "está disposto a prosseguir um diálogo construtivo com os seus aliados sobre a forma de reforçar a segurança no Árctico, incluindo o sistema antimíssil dos Estados Unidos, com a condição de que isto seja feito no respeito da sua integridade territorial".

Também prudentes, os parceiros europeus saudaram esta decisão e anunciaram suspender a activação do seu instrumento anti-coerção comercial, a chamada "Bazuca", mas mantêm a sua cimeira urgente em Bruxelas esta noite sobre o braço-de-ferro com os Estados Unidos.

"Ser firme hoje, num mundo em que a lei do mais forte tem tendência por vezes a impor-se, é importante", considerou Roland Lescure, ministro da Economia da França, país que tem preconizado o recurso à "Bazuca" contra Washington.ANG/RFI

 

EUA/ Governo vai renegociar com Dinamarca acordo de 1951 de defesa da ilha

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse hoje uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.

segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).

A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.

Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse hoje que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.

A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.

O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.

O documento, intitulado "Defesa: Gronelândia", estabelece atualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a "única zona de defesa" na ilha ártica.

A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.

O projeto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares (149,6 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do atual mandato de Trump, em 2029.

O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.

O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.

A ameaça de taxas, inicialmente de 10% e depois de 25%, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.

A UE vai discutir hoje a questão numa cimeira Europeu extraordinária em Bruxelas, em que participa o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.

Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.

Outro ponto do entendimento NATO-EUA é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.

A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.

Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.

O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.

Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da "massa de gelo" ártica.

O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder. ANG/Lusa

 

     São Tomé e Príncipe/ADI apresenta moção de censura ao Governo

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - A Ação Democrática Independente (ADI), do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, apresentou hoje uma moção de censura ao Governo são-tomense porque "não tem demonstrado habilidade sustentável à governação", disse à Lusa o secretário-geral do partido.

Segundo Elísio Teixeira, a decisão surge na sequência da posição do partido desde a demissão do ex-primeiro-ministro e presidente do partido, Patrice Trovoada, em janeiro do ano passado, e após, na semana passada, o Tribunal Constitucional ter declarado inconstitucional o decreto do Presidente da República, Carlos Vila Nova, que demitiu o anterior executivo, numa decisão sem direitos retroativos.

"Nós continuamos a manter o nosso posicionamento e, a partir daqui, tendo em conta que o Governo não tem demonstrado habilidade sustentável à governação, então decidimos introduzir a moção de censura", declarou. ANG/Lusa

 

Venezuela/Regime e oposição da Venezuela unidos para "fazer avançar" o país

Bissau, 22 Jan 26 (ANG) - O ministro da Administração Interna venezuelano declarou hoje existir unidade entre os apoiantes do regime do deposto presidente Nicolás Maduro e os opositores para "fazer avançar" o país sul-americano, que "todos amam".

Durante um programa televisivo que protagoniza, Diosdado Cabello defendeu que há uma "firme rejeição ao que aconteceu", no início de janeiro, quando forças armadas dos Estados Unidos capturaram Maduro e a mulher, Cilia Flores.

"Nós conhecemo-los e sabemos quem são", esclareceu o governante e secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sublinhando que só há um caminho a seguir: "permanecermos unidos".

Para Cabello, "aqueles venezuelanos que vivem no estrangeiro e pediram o bombardeamento da Venezuela não se importam com suas famílias ou com os seus filhos, são desprezíveis".

O povo venezuelano "está a recuperar, gradualmente, do ataque dos EUA e do sequestro de Maduro e da mulher", disse o responsável.

Cabello admitiu que a intervenção norte-americana foi "um duro golpe para o país", inclusivamente "para as pessoas que nada têm a ver com a Revolução Bolivariana".

O ministro condenou também as "campanhas mediáticas que visam gerar desinformação e divisão", já que procuram "repetir mentiras" e "têm como único propósito semear a discórdia entre a população venezuelana". ANG/Lusa