ONU/Secretário-Geral alerta para inferno climático
Bissau, 12 Jul 23 (ANG) - O secretário-geral das Nações Unidas,
António Guterres, disse nesta terça-feira que as alterações climáticas estão
fora de controlo.
“A humanidade tem uma escolha: cooperar
perecer” foram as palavras escolhidas pelo secretário-geral das
Nações Unidas, António Guterres, no discurso de abertura da 27ª Conferência das
Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP 27), realizada em 2022 em
Sharm El Sheikh, no Egipto.
O plano do mandatário de estabelecer um “Pacto Global de
Solidariedade Climática”, nomeadamente através de conferências internacionais
que foram realizadas nos meses seguintes, logrou pouco ou quase nenhum
resultado em matéria de pactos vinculativos.
Recentemente as Nações Unidas voltaram a emitir um alerta
relativamente às alterações climáticas, estimando que estas estão fora de
controlo. Se o mês de Junho bateu recordes de calor, o planeta Terra conheceu
oficialmente a semana mais quente desde que há registo.
“De 3 a 9 de Julho, o mundo conheceu a semana mais
quente desde que há registo, segundo os dados preliminares [de agências
internacionais de meteorologia]”, indicou na segunda-feira a Organização
Mundial de Meteorologia (OMM), num comunicado.
Estes dados são corroborados pelo Copernicus, o Programa de
Observação da Terra da União Europeia, encarregado de analisar o ambiente, em
cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA) e outras agências continentais
sobre a meteorologia.
Para o Observatório Europeu Copernicus, o dia mais quente foi
medido na quinta-feira passada, dia 6 de Julho, que atingiu uma temperatura
média de 17,08°C, ultrapassando a quarta e sexta-feira. Esta série de
temperaturas, inédita nos dados do Copernicus desde 1930, começou a 3 de Julho
com uma estimativa de 16,88°C, batendo o anterior recorde de 16,80°C
estabelecido em Agosto de 2016, em pleno fenómeno de El Niño intenso.
“A situação actual é a prova que as alterações climáticas estão
fora de controlo”, deplorou o secretário-geral das Nações Unidas, António
Guterres.
“O calor excepcional em Junho e no início de Julho
ocorreu no início do desenvolvimento do El Niño, que deve alimentar
ainda mais o calor tanto na terra quanto nos oceanos e levar a temperaturas
mais extremas e ondas de calor marinhas”, disse Prof. Christopher
Hewitt, Diretor de Serviços Climáticos da OMM. “Estamos em
território desconhecido e podemos esperar que mais recordes caiam à medida que
o El Niño se desenvolve e esses impactos se estenderão até 2024”, disse ele. “Esta é uma notícia preocupante para o planeta”,
acrescentou.
De acordo com a definição estabelecida pela Organização Mundial
de Meteorologia (OMM) publicada no relatório deste mês, o fenómeno do
“El Niño ocorre,
em média, a cada dois a sete anos (cíclico), e os episódios duram normalmente
nove a 12 meses. Trata-se de um padrão climático natural associado ao
aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Oceano Pacífico tropical central e oriental. Mas
ocorre no contexto de um clima alterado pelas actividades humanas”.
O documento sublinha ainda que “antecipando o evento El Niño, um
relatório da OMM publicado em Maio previu que existe uma probabilidade de 98%
de que pelo menos um dos próximos cinco anos, e o período de cinco anos no seu
conjunto, seja o mais quente de que há registo, batendo o recorde estabelecido
em 2016, quando se registou um El Niño excepcionalmente forte.
Esta nova fase está apenas no começo, após três anos do fenómeno
inverso, conhecido como “La Niña” – caracterizado por temperaturas
“anormalmente frias” no fim do ano, na região equatorial do Oceano Pacífico –
deve continuar durante o ano inteiro a uma “intensidade moderada” segundo a
OMM.
Este fenómeno impacta principalmente regiões vulneráveis a altas
temperaturas. Este é o caso do Canadá onde os incêndios florestais estão a
atingir novos patamares, com as autoridades locais a reportarem cerca de 380
incêndios na sexta-feira. O estado do Texas, nos Estados Unidos, também está a
vivenciar um período excepcional, com especialistas a considerarem que a região
vive "sob um domo de calor". Em Portugal e Espanha, países fortemente
afectados por períodos de seca recorrentes, também deverão registar ondas de
calor sem precedentes.
No Sul do Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, as populações
deploram a pior vaga de calor dos últimos 40 anos. Enquanto no Uruguai, outro
país severamente impactado pelas alterações climáticas, vive a pior seca dos
últimos 74 anos, que ameaçam transformar as principais cidades em desertos.
ANG/RFI
Sem comentários:
Enviar um comentário