sexta-feira, 15 de agosto de 2014



Sociedade

Subida do custo de vida se deve ao aumento de taxas tributárias ”, diz Secretário-geral da ACOBES

Bissau, 15 Ago 14 (ANG) - O Secretário-geral da Associação de Consumidores de Bens e Serviços (ACOBES) apontou a elevação da taxa de base tributária feita em 2011 como principal razão  do aumento do custo de vida no país.

Bambo Sanhá que falava  quinta-feira em exclusivo à ANG disse que o aumento do custo de vida na Guiné-Bissau não é um fenómeno novo, pois há três anos que a organização tem vindo a chamar a atenção ao então Governo que decidiu fazer o aumento das taxas.

“Foi uma decisão que passou pela Assembleia Nacional Popular embora não foi promulgada pelo falecido Presidente da República, Malam Bacai Sanhá e consequentemente não foi publicado no Boletim Oficial”, disse Sanha.

Informou que a decisão saiu de um despacho do então Director-geral das Alfândegas  e  fez com que houvesse um dobro aumento  de produtos da primeira necessidade, caso concreto de açúcar, arroz e farinha trigo.

“Tínhamos exortado ao então Governo sobre a referida situação porque sabíamos que isso vai acarretar consequências graves aos consumidores tendo em conta os preços que seriam praticados pelos comerciantes para a compensação  das importaçöes dos produtos”, disse.

Aquele responsável sublinhou que ACOBES entende que o Governo não deve ter as Direcções Gerais de Contribuições e Impostos e das Alfândegas como as únicas fontes de receitas para resolver todos os seus compromissos ou as suas obrigações mas sim  ter também um forte sector privado com a missão de criar empresas e indústrias e empregar mãos de obras, e no fim o executivo cobra as devidas taxas ou impostos.

Lamentou o facto de a Guiné-Bissau ser um país que infelizmente até aqui não transforma nada dos seus produtos e que quase  importa tudo para o consumo nacional.

“Para que os consumidores possam adquirir produtos de consumo a um preço razoável o executivo deve subvencionar a importação de produtos de primeira necessidade”, considerou.

Disse que falar de segurança alimentar não significa ter grande quantidade de produtos no mercado e sem poder de compra de consumidores, porque segundo disse,  quando isso acontece, a segurança alimentar fica  fortemente ameaçada.

Bambo Sanha Informou que no dia 12 de Agosto mantiveram um encontro com o Ministro de Comércio com quem abordaram, entre outros assuntos, a situação das taxas de base tributária, tendo apresentado uma  proposta no sentido de se proceder a redução dessas taxas por forma  a  facilitar a vida aos empresários e permitir aos consumidores maior acesso aos produtos.

O secretário-geral da ACOBES disse que o país perde com este elevado custo de base tributária devido a fraca capacidade económica dos operadores que acabam por não ser capazes de importar  grande quantidade de produtos alimentares em relação ao que fariam  se a taxa de base tributário fosse inferior.ANG/AI/SG



Ensino

Provas Globais terminam hoje nos Liceus de Bissau

Bissau, 15 Ago 14 (ANG) – Alunos do liceu nacional Kwame Nkruma que não frequentaram aulas por muito tempo mas que apareceram para as provas globais, poderão beneficiar, caso necessitarem, de um exame extraordinário.

Essa hipótese foi admitida hoje pelo Presidente do Conselho Técnico Pedagógico do  Kwame Nkruma, João Embala em entrevista à Agência de Noticias da Guiné-ANG.

Embala referiu-se a esses alunos quando falava das dificuldades que o liceu enfrentou durante as provas globais que hoje terminam nos liceus de Bissau.

“Havia alunos que quase desistiram da escola devido a constantes greves mas que compareceram para fazer provas globais. Ira ser muito difícil uma vez que perderam muitas provas e não têm apontamentos completos”, disse Embala, acrescentado que” está-se a pensar na possibilidade de lhes fazer outro exame”, isto é para os que necessitarem.

O presidente do Conselho Técnico do Liceu Agostinho Neto, Samuel Mango indicou que as dificuldades enfrentadas se relacionaram à fotocopias de documentos. ANG/AALS




Ébola

Membros de Governo doam sangue para eventuais necessidades

Bissau, 15 Ago 14 (ANG) – Os membros do governo guineense doaram sangue hoje no quadro de uma campanha de constituição do stocks de sangue para fazer face a um eventual surto de ébola, que já faz vitimas mortais no pais vizinho, a Guiné-Conacri , e noutros da sub-região oeste africana, nomeadamente Libéria, Serra leoa e Nigéria.

A campanha começou as nove horas de Bissau tendo registado uma participação satisfatória de membros do executivo liderado por Domingos Simões Pereira.

Na ocasião, o Primeiro – Ministro Domingos Simões Pereira depois de cumprir as formalidades de doação sanguínea, disse a imprensa que a referida acção representa uma marcha “SOS”, dos membros do seu executivo.

“A medida que  os responsáveis do sector de saúde acharam fundamental  que o país deve ter o seu próprio stock de sangue,  todos os cidadãos devem contribuir para que, em caso de emergência, o país possa ter a disponibilidade desse bem essencial para salvar vidas”, sublinhou.

Domingos Simões Pereira recebeu da ministra da Saúde as garantias de que estão reunidas todas  as condições que garantem a extracção e conservação do sangue.

Falando sobre o fecho das fronteiras com a vizinha Republica da Guiné – Conacri como medida de prevenção contra a febre hemorrágica” ébola” o chefe do governo adiantou que o país está a reagir bem e que os cidadãos estão conscientes da necessidade de reforçar o controlo e afiançou que não há pânico nenhum nem uma reacção anormal e que as indicações das autoridades competentes mostram que é uma decisão normal e compreensível nestas circunstâncias.

Por seu turno, a ministra da Saúde Valentina Mendes disse que essa iniciativa do governo enquadra-se nas acçöes de prevenção contra a doença de ébola para que na eventualidade do ébola chegar ao país  as autoridades tenham uma resposta rápida a este vírus.

Valentina Mendes garantiu que todos os membros de governo estão em condições normais de doar sangue, acrescentando que, este exemplo deve ser seguido por todos os cidadãos e para tal existem certos requisitos que devem ser preenchidos antes de cada da doação.

Adiantou que os sangues doados estão codificados sem nomes dos doadores para permitir os técnicos decidirem  que tipo de sangue deve ser doado aos pacientes necessitados .

Segundo as autoridades sanitárias, até então, nenhum caso suspeito de infecçäo de vírus de ébola se registou na Guiné-Bissau. E como medida de prevenção o governo ordenou o encerramento das fronteiras terrestres Leste e Sul com a Guiné-Conacri onde a doença já provocou muitas vítimas mortais. ANG-MSC/SG


Ébola

União Africana concorda com utilização de “medicamento experimental”

Bissau, 15 Ago 14 (ANG) - A União Africana saudou a autorização de utilização de um medicamento experimental contra o vírus ébola, mas defendeu que o consentimento dos pacientes e os efeitos secundários do remédio “devem ser considerados num continente onde os serviços médicos figuram entre os menos eficazes do mundo”.

A posição da União Africana foi divulgada depois de a OMS anunciar, na quarta-feira, novos 128 casos de ébola e mais 56 mortes na Guiné Conacri, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, que fizeram subir para 1.975 os casos confirmados da doença e os de morte para 1.069.
 
O comissário da União Africana para os Assuntos Sociais recordou que o tratamento experimental foi administrado a pacientes norte-americanos.
 
“Os resultados mostram que os centros norte-americanos foram mais eficazes na gestão dos efeitos secundários destes medicamentos. Será que podemos dizer o mesmo das estruturas de saúde que vão tratar as duas mil pessoas expostas em África?”, questionou Mustapha Kaloko.
 
O comissário africano disse que a UA está a trabalhar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para tomar medidas de controlo eficazes e que é muito cedo para determinar se os Estados da África Ocidental afectados pelo vírus podem garantir uma administração destes medicamentos com segurança.
 
O consentimento dos pacientes e o estudo dos efeitos secundários do medicamento, acrescentou, “são elementos essenciais que devem ser considerados, tendo em conta a taxa de mortalidade que oscila em torno dos 90 por cento e que necessita de atenção urgente”.
 
Entrar em pânico, disse, não resolve as coisas. “Devemos explicar aos países o que é preciso fazer e intensificar os nossos trabalhos de pesquisa para conter a transmissão do vírus”. O comissário da União Africana qualificou a resposta internacional de “totalmente eficaz”. 
 
A OMS, o Banco Mundial e a Cruz Vermelha “reagiram em regiões onde os sistemas sanitários são fracos. Devemos reforçar as capacidades das instituições sanitárias para reagir”, concluiu.
 
O embaixador adjunto do Burkina Faso na Etiópia e junto da União Africana, cujo país acolhe a cimeira que vai discutir a criação de empregos e questões relativas ao acesso aos serviços de saúde, disse que o seu país assinou um acordo com a Costa do Marfim para o reforço de medidas conjuntas de luta contra o ébola. Acrescentou que foram instalados centros de despistagem e estão preparados sistemas de controlo eficazes para os viajantes provenientes dos países afectados.

 Os países da África Ocidental que apresentam casos de ébola tentam conter o pânico da população perante uma epidemia que já fez mais de mil mortes na região.
 
A autorização de tratamentos experimentais pela Organização Mundial da Saúde trouxe uma pequena esperança, mas poucas pessoas vão ser beneficiadas, entre as centenas de casos registados. A Libéria informou que o tratamento experimental vai ser administrado apenas a dois médicos liberianos.
 
“A Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos autoriza o fabricante a enviar o remédio para o Ministério da Saúde apenas para que seja utilizado nos dois médicos. O medicamento chega ao país nas próximas 48 horas”, informou a Presidência da Libéria.
 
O país lidera no número de mortos, 377. O exército pôs de quarentena mais uma província do país, a terceira, como parte dos esforços para evitar a transmissão do vírus a outras regiões.

O Chefe de Estado da Guiné Conacri, Alpha Condé, decretou “emergência sanitária” devido à epidemia de ébola e anunciou uma série de medidas a adoptar. O da Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, pediu 18 milhões de dólares à comunidade internacional, para financiar a luta contra a epidemia no seu país. 

A Serra Leoa registou as maiores ocorrências, com 783 casos confirmados.  O primeiro-ministro de Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, anunciou o encerramento da fronteira com a Guiné Conacri “até nova ordem”.
 
Os líderes africanos participam de 3 a 7 de Setembro numa cimeira da União Africana em Ouagadougou, Burkina Faso, com o objectivo de arrecadar uma ajuda de emergência de cem milhões de dólares para financiar a resposta contra o vírus ébola na África Ocidental.
 
A União Africana calcula que a taxa de propagação da febre na África Ocidental pode aumentar com um acréscimo das mortes, porque os pacientes receiam informar da infecção devido à estigmatização. Também anunciou que a administração do tratamento experimental depende da sua disponibilidade.
 
A Bloomberg disse que a epidemia do ébola pode cortar dois pontos ao crescimento da economia da Libéria, Serra Leoa e Guiné Conacri, os países mais afectados. A agência, que refere cálculos da consultora Teneo Intelligence, salienta que os custos económicos imediatos da epidemia podem chegar ao equivalente a dois pontos percentuais do PIB destes países.
 
Apesar de nenhuma mina ter sido ainda fechada, o encerramento ia significar um abrandamento ainda maior do crescimento, adverte a consultora, porque estes países “são muito dependentes de ajuda externa” e um agravamento da epidemia pode resultar no fecho das operações.

A consultora cita o abandono das terras por parte dos agricultores, o adiamento dos planos de expansão da maior fabricante de aço do mundo para a Libéria, o adiamento de uma emissão de títulos de dívida pública na Serra Leoa e a suspensão da exportação de borracha da Libéria por uma empresa da Costa do Marfim. ANG/ Jornal de Angola