quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Portugal/ "Decisão presidencial não vai nascer do vazio, depende dos partidos", diz professor Adelino Maltez

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) - Um dia depois da demissão apresentada pelo primeiro-ministro português, António Costa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu  quarta-feira, as oito formações partidárias com representação parlamentar, antes de tomar uma decisão sobre o futuro da governação do país.

António Costa tem uma maioria absoluta, considerou  terça-feira que nada lhe pesa na consciência, aceitou a fragilidade em que se encontra e pediu a demissão, na sequência de investigações que o visam a ele e pessoas do seu núcleo duro e membros do executivo.

O professor catedrático de Ciência Política do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Adelino Maltez, fez a análise da situação política em Portugal.

RFI: António Costa fez o que está certo, a seu ver, apesar de a lei não o obrigar a tomar esta decisão?

Adelino Maltez: António Costa disse na comunicação ao país que falou com o tribunal da consciência. Foi uma decisão pessoal, de quem se sentiu incapaz de governar, mas numa relação com a respectiva consciência. Foi uma decisão pessoal, livre, do indivíduo António Costa. O problema é sabermos como é que o Presidente da República interpretou a maioria absoluta. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa disse no acto de posse de Costa que a maioria era de uma pessoa, António Costa, e não era do Partido Socialista. Portugal tem neste momento, formalmente, uma estabilidade, uma maioria absoluta e um parlamento em plena vigência, e a decisão que vai tomar é manter este parlamento, que está na sua plenitude, ou dissolver-se o parlamento para constituir um novo governo.

A solução governativa está nas mãos de Marcelo Rebelo de Sousa e existem três cenários possíveis: O Presidente da República pode convocar eleições antecipadas ou deixar que o PS se mantenha no poder, com outro primeiro-ministro. Existe ainda uma terceira via: o controlo do país pela via presidencial. Essa é uma hipótese?

Na Constituição, desde o começo da década 80, o Presidente da República já não tem tantos poderes, como tinha na fase inicial da Constituição de 1976. Nós estamos perante um falso problema porque, ainda ontem, os partidos começaram a manifestar-se, vão ser ouvidos pelo Presidente, vai ser ouvido o Conselho de Estado e a decisão presidencial não nasce no vazio, vai depender daquilo que os partidos forem dizendo. O que os partidos, ontem, disseram foi; 'venham eleições antecipadas' ou se não vierem, 'nós cá estamos'. Os partidos admitem e quase aconselham o Presidente a fazer uma dissolução do Parlamento. O nosso presidencialismo é um presidencialismo mitigado. É um presidencialismo que tem que passar pelo Parlamento. No tempo do general Ramalho Eanes, quando surgiram três governos de iniciativa presidencial, o primeiro nem passou à primeira investida parlamentar e o segundo passou porque o Parlamento continuava vigente o admitiu. O nosso presidencialismo só existe se for aliado ao parlamentarismo. O problema aqui é o de saber qual é a melhor solução para Portugal e para a clarificação da política interna.

O que acontece num cenário em que o Presidente da República não dissolva a Assembleia da República?

Seria obrigado, como diz a Constituição, a formar um governo atendendo aos resultados eleitorais. Em princípio, teria que formar um novo governo do Partido Socialista, conseguir um bloco central, conseguir formar através de uma personalidade consensual um governo apoiado pelo PS e pelo PSD, mas não há ambiente para isso. A maioria dos partidos prefere clarificar a situação através de eleições antecipadas 

Caso António Costa se mantenha à frente do país, até haver eleições antecipadas, existe o risco de influenciar o curso das investigações?

Não, não, as instituições quer do Ministério Público, quer da Magistratura têm autonomia, como ser viu. Pela primeira vez na história em Portugal, um polícia de rua, um polícia de segurança público entrou para executar um mandado e proceder a buscas no gabinete do primeiro-ministro. É uma questão inédita e um símbolo de que ninguém está acima da lei, nem o gabinete do primeiro-ministro.

O Presidente da República pode dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições, destas eleições antecipadas podem sair soluções fortes que o país precisa, num mundo em crise e perante tantos desafios não resolvidos?

O país tem estabilidade, apesar da questão europeia e das questões das duas guerras em curso. Felizmente que em Portugal nos dois grandes partidos e outros, existe um consenso interno daquilo que são as opções fundamentais do país. Nesse sentido não há uma crise, não vamos mudar nenhuma posição europeia ou de política internacional depois das eleições. Há uma estabilidade e a democracia funciona, de tal maneira que as pessoas nem se preocupam com isto. As pessoas pensam 'isto é com eles', mas quando dizem que é com eles, estão confiantes. Não se vive num ambienta de dramatismo, nem de preocupação. Já acreditamos que as instituições funcionam.

Quanto à economia, quais as consequências da demissão do primeiro-ministro para Portugal, uma vez que o Orçamento de Estado cai, a bolsa caiu esta terça-feira.

Se os partidos cometerem erros haverá consequências. Como o Parlamento funciona, fala-se muito da questão dos fundos europeus através desta linguagem nova a que chamamos PPR, que implicam decisões internas para poder fluir, de outra maneira não entram na economia portuguesa. Os partidos portugueses são responsáveis e se for preciso decisões legislativas tomá-las-ão. Não se vê um ambiente destas oposições do quanto pior, melhor

Se se comprovarem crimes de corrupção no seio do núcleo central do poder. Depois do caso Sócrates, BES, como é que se recupera a confiança nos políticos portugueses?

Há um exagero que é típico do português; que é dizer mal de tudo e de todos. Olhando justamente para António Costa e para o prestígio dele, ele é, sem dúvida, o melhor político de esquerda da sua geração. 

Na Presidência da República, temos o melhor  político português de todas as gerações à direita - não é por falta de qualidade. Temos como se viu, e até deitámos fora - porque sentiu que estava num pântano - o atual secretário-geral das Nações Unidas, até corremos - porque ele quis - um tipo que foi Presidente da Comissão Europeia, o Durão Barroso. Há um exagero quando se diz que não temos qualidade dos políticos. António Costa não saiu do governo por falta de qualidade, e o Presidente tem qualidade. Um dia os que dizem isso vão arrepender-se que faltavam políticos em Portugal. António Costa costumava dizer que temos a geração mais qualificada de sempre e isso aplica-se também à política.   

Num momento de instabilidade há riscos de aproveitamento político. É o que está a dizer?

Há riscos de aproveitamento porque vamos ter uma campanha eleitoral e há partidos que a partir da crise querem sacar 5 ou 10% de quem votada no PS ou no PSD. Isso pode acontecer, o Chega e o Bloco de Esquerda podem crescer a partir desta instabilidade. ANG/RFI

 

Vaticano/Papa defende que violência de género deve ser eliminada da sociedade

Bissau,  09 Nov 23(ANG) – O Papa defendeu hoje que a violência de género é uma “erva venenosa que afeta a nossa sociedade e deve ser eliminada”, garantindo que as suas raízes são culturais e desenvolvem-se através do preconceito e da injustiça.

Francisco referiu que, em muitas ocasiões, as mulheres são consideradas inferiores ou objetos e relegadas “para segundo plano”.

Nestes casos “a sua dignidade não é vista. [A mulher] é considerada apenas um bem que pode ser alienado de qualquer forma, até mesmo eliminado”, declarou o Papa numa mensagem para uma campanha contra a violência de género promovida pela rádio e televisão pública italiana.

“Quantas mulheres são oprimidas pelo peso e pelo drama da violência! Quantas são maltratadas, abusadas, escravizadas, vítimas da arrogância daqueles que pensam que podem dispor dos seus corpos e das suas vidas, obrigadas a render-se à ganância dos homens”, afirmou.

Francisco acusou ainda os meios de comunicação social de serem ambíguos no combate à violência de género, uma vez que “transmitem continuamente mensagens de hedonismo e consumismo”.

O Papa defendeu a “urgência de redescobrir formas de relações justas e equilibradas baseadas no respeito”.

Francisco apelou que seja dada a voz “às mulheres vítimas de abuso, exploração, marginalização e pressão indevida”, bem como “agir imediatamente, a todos os níveis, com determinação, urgência, coragem”.

ANG/Inforpress/Lusa

 

França/Cientistas pedem em Paris mais fundos para a investigação sobre os polos

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) - A cimeira "One Planet - Polar Summit" começou hoje em Paris e vai decorrer até sexta-feira, com cientistas e decisores políticos a discutirem o futuro dos polos mundiais e os especialistas a pedirem mais fundos para a investigação.

O degelo está no centro das preocupações dos especialistas que participam a partir de hoje na cimeira "One Planet - Polar Summit", organizada em Paris pelo Palácio do Eliseu. Durante três dias, cientistas que monitorizam há décadas os Polo Sul e o Polo Norte vêm partilhar estatísticas, mas também conselhos para travar a erosão acelerada do gelo.

Este é um tema que preocupa todo o mundo, com este fenómeno a ter sido mencionado pela primeira vez na resolução da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, COP, no ano passado. Os especialistas pedem agora mais fundos para continuar a sua pesquisa deste "espaço frágil".

Em Paris estão também decisores políticos que vão participar neste encontro, com o objetivo de criar uma instituição de cooperação internacional sobre o estudo e repercussões do aquecimento global nos glaciares e nos polos, assim como a importância da adaptação à erosão da criosfera.

Nesta cimeira, os investigadores lembram ainda que as tensões geopolíticas afetam os polos, criando assim novas fronteiras do multilateralismo. ANG/RFI

 

Cabo Verde/Presidente da República e antigos chefes de Estado defendem “comemoração condigna” do centenário de Amílcar Cabral

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) – O Presidente da República, José Maria Neves, e os antigos chefes de Estado Pedro Pires e Jorge Carlos Fonseca pediram, na cidade da Praia, uma “comemoração condigna” do centenário do nascimento de Amílcar Cabral.

Os três defenderam esta posição, na noite de quarta-feira, 08, quando solicitados pela plateia, durante o “Presid Talk- Inovação Política em Cabo Verde” para comentar sobre o chumbo do projeto de resolução do centenário Amílcar Cabral, no parlamento, tendo atribuído tal reprovação ao “excesso de partidarização” no País.

Para Jorge Carlos Fonseca, a independência não se discute, enfatizando que a “partidarização do espaço político excessivo” é um fenómeno que condiciona o estado da democracia em Cabo Verde.

“Tenho a percepção de que Cabo Verde, do ponto de vista daquilo que nós chamamos as representações coletivas, está dividido ao meio, praticamente. Essa divisão tem razão de ser, há a ideia de que a maioria dos simpatizantes do PAICV vê o PAICV a referência maior decisiva de independência com Cabral. E os simpatizantes do MpD, na sua representação mental e coletiva, veem a democracia como conquista do MpD”, concretizou

Este facto, assinalou, ainda divide o País, pelo que “favoreceu e potenciou” o chumbo da resolução.

No entanto, referiu que desconhece a resolução, tendo ressaltado que o centenário de Amílcar Cabral deve ser comemorado “com dignidade” e que de uma forma ou de outra a efeméride será celebrada.

Brevemente, anunciou Jorge Carlos Fonseca, irá lançar em Cabo Verde uma instituição que terá denominação provável de iniciativa liberdade e democracia, que se vai dedicar à promoção da cultura da liberdade, da democracia e da constituição em Cabo Verde, para que isso seja um ponto de partida para um “desenvolvimento sustentável, justo e igualitário” para Cabo Verde.

“Não estaria muito de acordo relativamente a esta separação entre o povo da independência e da democracia”, discordou, por outro lado, José Maria Neves.

“Eu sou do PAICV, exerci o cargo de primeiro-ministro em democracia durante 15 anos, eu acho que é uma narrativa da elite política cabo-verdiana, e não é a representação do cidadão ou do povo cabo-verdiano. Há um só Cabo Verde que lutou pela independência e pela construção da democracia, ganhos de todos os cabo-verdianos”, disse, vincando que se assiste a uma “disputa de protagonismo” entre estes dois momentos históricos para Cabo Verde.

“Acho que esta questão da resolução tem a ver com a excessiva partidarização em Cabo Verde, pode haver estes problemas de natureza jurídica que o presidente Jorge Carlos Fonseca se refere, mas já aprovamos outra resoluções com o mesmo conteúdo (…) Mas acho que depois dessa discussão, haverá um espaço para um debate político e para se comemorar condignamente o centenário do nascimento de Amílcar Cabra|”, declarou José Maria Nves.

Por fim, Pedro Pires, por seu lado, enquanto presidente da Fundação Amílcar Cabral, avançou que há que se discutir mais sobre a independência de Cabo Verde, argumentando que há “muita desinformação”, bem como gente que “não pode ouvir falar dos movimentos da libertação”.

Sobre a não aprovação da resolução, explicou que quem está a trabalhar no centenário de Amílcar Cabral há mais de dois anos é a própria Fundação, que vem desempenhado um “papel importante” neste aspecto, levando a população a refletir mais sobre a personalidade de Cabral.

Pedro Pires sustentou que a proposta levada à Assembleia Nacional não é uma iniciativa do PAICV e sim da fundação, que consultou todos os líderes parlamentares e o presidente da Assembleia Nacional, e o grupo parlamentar PAICV foi escolhido para levar a proposta.

“A posição da fundação é que não devemos entrar em disputa e que devemos fazer tudo para que essa celebração seja mais abrangente possível e que não seja motivo de conflito, portanto vamos continuar a agir neste sentido(…) o Estado de Cabo Verde só ganha com esta celebração adequada do centenário Amílcar Cabral, porque a ideia é fazer um simpósio internacional com participação das pessoas, de estudiosos (…)”, considerou Pedro Pires.

ANG/Inforpress

 

 

Economia/Preços das moedas para quinta-feira, 9 de novembro de 2023

MOEDA

COMPRAR

OFERTA

Euro

655.957

655.957

dólares americanos

609.250

616.250

Yen japonês

4.030

4.090

Libra esterlina

749.000

756.000

Franco suíço

678.000

684.000

Dólar canadense

440.750

447.750

Yuan chinês

83.250

85.000

Dirham dos Emirados Árabes Unidos

165.250

168.250

Fonte: BECEAO


Justiça/ LGDH se congratula com  aplicação de prisão preventiva contra 20 agentes da policia daVII esquadra da POP

Bissau,09 Nov 23 (ANG) – A  Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) congratula-se com a decisão de aplicar   prisão  preventiva a  20 agentes da 7a esquadra de Policia da Ordem Pública (POP),suspeitos de  espacamento brutal de um indivíduo  de nome  Abdul Carima Sani, no dia 01 de Setembro passado.

A informação foi revelada na  página oficial da organização que defende os direitos humanos na  Facebook, consultada hoje pela ANG.

Segundo essa fonte, dois outros agentes da mesma esquadra foram objeto de aplicação dessa medida, por suspeitas de serem os responsáveis pelo espancamento e  fratura da clavícula de lado direito de um cidadão de nome  Ivandro Armando Valentim, no dia 04 de Outubro de 2023,no Âmbito de uma operação policial que a LGDH qualificou de “criminosa” por ter culminado com o registo de mais de 10 feridos.

Para LGDH, a erradicação da cultura de impunidade no seio das diferentes corporações das forças de segurança e na soceidade em geral,deve constituir uma das prioridades das autoridades nacionais,no âmbito dos esforços para o moralização da sociedade e consequente fortalecimento da democracia e do Estado de Direito.

“Aliás o Ministério Público abriu investigação sobre  este ultimo caso após uma denúncia da LGDH, através de uma carta  dirigida ao Procurador Geral da República”, refere a fonte. ANG/LPG//SG

 

Politica/  MADEM acusa Presidente da ANP de criar “clima de suspeição” contra Presidente da República

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) – O Movimento para Alternância Democrática MADEM-G15 acusou o Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), de criar um clima de suspeição contra o Presidente da República dando a enterder de que tem as mãos ocultas no caso Supremo Tribunal de Justiça.

A acusação da segunda maior força politica nacional  foi feita por um dos vice-Coordenador de MADEM G-15, Arestides Ocante da Silva, numa conferência de imprensa, realizada, terça-feira, na sede do partido, em Bissau.

O partido  reagia assim as  declarações proferidas por Domingos Simões Pereira, sobre a invasão por homens armados da sede do STJ.

Ocante da Silva disse que, de forma “muito irresponsável”, o Presidente do PAIGC produziu um clima de suspeição contra o Presidente da República, dando a entender de que o agravamento do conflito no Supremo Tribunal de Justiça tem mãos ocultas do chefe de Estado, em serviço de interesses obscuros de um grupo de pessoas, sem especificar quem são.

Declarações  que segundo Arestides Ocante da Silva, mina os esforços de boa coabitação institucional  até agora promovido pelo Presidente da República da Guiné-Bissau.

Neste quadro, o vice-Coordenador diz que o partido condena, com veemeência, todas as tentativas de desestabilização instituicional empreendidas  pelo Presidente do PAIGC e da Coligação PAI-Terra Ranka.

Exortou ao Presidente da Assembleia Nacional Popular no sentido de conformar as suas ações com os imperativos constituicionais, sobretudo com a figura do Chefe de Estado, em especial  e com os  Estatuto dos Deputados e o regimento da ANP.

Diz que o Presidente da ANP deve   evitar ataques  sem cuidado e sem fundamentos ao chefe de Estado, por tudo e por nada.

Em relação a situação  em vigor no Supremo Tribunal da Justiça e no Conselho Superior de Magistratura Judicial, Aristides Ocante da Silva pede ao  poder Executivo para não se emiscuir no poder judicial, porque a solução para o diferendo no setor é de exclusiva competência do Conselho Superior de Magistratura Judicial.  

Em reação a situação no Supremo Tribunal de Justiça, a Coligação PAI-Terra Ranca. coordenada pelo PAIGC,liderado por  Domingos Simões Pereira acusou, em comunicado,  o Presidente da República de  enviar militares armados e encapuzados para invadir o Supremo Tribunal de Justiça e a residência do presidente da instituição, José Pedro Sambú,sem mandato judicial. ANG/LPG/ÂC//SG

 

Política/Líder do Partido Luz diz ser  “negativo” três meses de governação do país

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) - O líder do Partido Luz, Lesmes Mutna Monteiro faz um balanço negativo de governação, porque diz, em três meses, o Executivo contraiu uma dívida de 30 mil milhões de francos cfa.

Monteiro falava, quarta-feira, em conferência de impressa em jeito de balanço de três meses de governação, e diz que se este Executivo continuar no poder, por um ano, vai ter sérios problemas, uma vez que  não está a contrair dívidas para investimentos, mas sim para o consumo.

“Emprestar dinheiro para pagar salários podia até ser normal se as pessoas que estão a fazer isso não criticavam o anterior Governo pelo mesmo facto”, disse aquele responsável partidário.

No que concerne ao subsídio milionário, Lesmes criticou o Presidente de Assembleia Nacional Popular (ANP) de ser incoerente devido às críticas que, segundo ele, o mesmo tinha feito no passado sobre os mesmo subsídios que agora está a usufruir .

“Queremos que o Presidente da ANP e o Primeiro-ministro façam declarações públicas sobre a questão do subsídio milionários e dos subsídios  de viagem. Precisamos saber se estão a usufruir dos mesmos ou não”, disse o líder do Partido Luz. ANG/AALS/ÂC//SG

 

 

Política/Presidente do partido MSD considera cerco  ao Palácio da Justiça de “fracasso” das Forças Armadas

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) – O presidente do partido Movimento Social Democratico(MSD), diz  hoje que a invasão do Palácio de Justiça por homens armados não identificados, na semana passada, mostra o fracasso das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Joana Cobdé Nhanca proferiu estas afirmações numa conferência de imprensa sobre  situação politica e social do país nos últimos dias.

Aquela dirigente político, disse que um dia alguém pode entrar na Guiné-Bissau e fazer refém toda a população.

Cobdé Nhanca considerou o ato de “fracasso nacional”, inclusive  de militares, enquanto garante da  estabilidade, frisando que enquanto a lei não começar a ser cumprida no país, não haverá avanços .

“Nós do MSD condenamos com todas as letras a tentativa de banalizar o poder judicial que é o pulmão do país e condenamos igualmente os seus atores bem como os mandantes”, salientou.

Joana Nhanca diz ser lamentável  que uma instituição do Estado tenha sido atacada, cercada e os funcionários impedidos de entrar, e as autoridades, começando pelo  Governo, o Estado-maior General das Forças Armadas, a Presidência da República, Polícias , todos não sabem o que se passou.

Nhanca pede a alguns partidos político , que não identifica,para deixarem de fazer de porta-voz do Presidente da República para se dedicar a uma oposição responsável sem interesses obscuros.

Pede ponderação de atores políticos e defende que se deve permitir ao Governo trabalhar. “A campanha eleitoral terminou, o voto do povo não deve ser ignorado”, disse

A líder do MSD, pediu a Comunidade  Internacional para ajudar a Guiné-Bissau uma vez que o vento que está a soprar nos últimos dias não parece ser nada bom.

Homens armados e encapuzados invadiram durante alguns dias a sede do Supremo Trinbunal de Justiça, na sequência de uma disputa interna que envolveu o Presidente da instituição, José Pedro Sambú e o vice-presidente, Lima António André.

Pedro Sambú renunciou ao cargo dizendo que não tem condições, nem morais nem física para continuar a exercer, na medida em que foi igualmente invadido a sua residência e ele impedido de sair de casa para o serviço, por outro grupo de homens armados.

A invasão da sede do  STJ e da residência de José Pedro Sambú terminou na terça-feira.

Em causa está uma alegada tentativa de reconfirmação pelo Conselho Superior da Maguistratura da decisão de suspender José Pedro Sambú das suas funções, à revelia de um despacho produzido por este, segundo o qual a decisão de sua suspensao é ilegal.ANG/MSC/ÂC//SG

 

 

 

Transportes marítimo/”Movimento Djius Aós” exige ao Governo aquisição de um navio para ligações Bissau/Ilhas de Bijagós

Bissau, 09 Nov 23 (ANG) – O Movimento “Djius Aós” (MDA) exige  ao Governo, em Nota de Imprensa,o cumprimento do acordo sobre aquisição de um navio de ligação entre Bissau e Ilhas de Bijagós.

O Movimento diz que chegou ao fim o período de dois meses de “benefício de dúvidas” que o Executivo havia solicitado para encontrar soluções  para o setor de transportes maritimos, após ações de protestos do Movimento contra o que diz ser “insuportáveis preços de transportes maritimos praticados”.

O Movimento ainda exige a  apresentação dos  resultados de seguimento que teria que ser feito pela equipa multidiscipilinar e das soluções  para o setor do transporte marítimo

Os filhos e amigos da Região de Bolama-Bijagós, organizados no chamado “Movimento Djius Aós”(MDA) exigem a redução do preço de passagem de barco para 3.500fcfa. Operadores maritimos não concordam com essa exigência alegando ser prejudicial as suas operações.

O Ministério de Transportes e Comunicações que medeia o diferendo previa a constituição de  uma equipa multidiscipilinar , da qual deveria fazer parte  elementos do MDA, para acompanhar as operações do navio, saber das despesas e receitas para se concluir se havia ou não possibilidades de se reduzir as tarifas atualmente praticadas.

O grupo acusa o ministro de tutela, José Carlos Esteves de  de se remeter ao silêncio.

“O Movimento, através desta nota, lamenta a forma como o ministro dos Transportes e Comunicações tem agido, remetendo-se ao silêncio, com o significado inequívico de ter conseguido o que queria (benefício de duvidas), e não zelar mais pelo acordo chegado com “Djius Aós”, refere a nota. ANG/LLA/ÂC//SG               

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Ensino superior/“Existe  desprezo total por parte do governo em relação ao problema do ensino superior no país” diz presidente dos estudantes da UAC

Bissau, 08 Nov 23(ANG) – O Presidente da Associação dos Estudantes da Universidade Amílcar Cabral(UAC) disse hoje que existe um desprezo total por parte do governo em relação ao problema do ensino superior na Guiné-Bissau, em particular a única universidade pública.

Juviecson Nunes Correia que falava em conferência de imprensa afirmou que ainda persiste o desentendimento entre o coletivo de professores contratados com salário em atraso e a administração da  UAC.

Na origem de novas paralisações na UAC está o não pagamento de salários atrasados aos professores contratados.

A Direção da universidade emitiu um comunicado a informar que as aulas seriam retomadas mas os estudantes alegam que não será possivel porque os professores efetivos com salários em dia não são suficientes para  lecionar em todas as turmas.

“ Até agora a  universidade  não tem seu próprio  Estatuto, que lhe permite elaborar projetos e fazer parcerias com outras instituições”, disse Juviecson.

Aquele responsável estudantil  disse que chegou a hora de a UAC ser desmembrada da “agenda dos políticos”, porque mesmo tendo um bom reitor ou administrador, cada vez que há mudança na governação, também a universidade sofre com “mudanças desnecessárias”.

Disse que os estudantes fizeram muitas reivindicações com o Reitor Fodé Mané, Timóteo Sabá Imbundé, Inquenhé Na Tanda e que continuam a reivindicar mas que até agora não encontram soluções para as reivindicações.

Juviecson refere  que paralisaram tudo em Fevereiro deste ano, devido a  desorganização administrativa interna, em que  salas de aulas não conseguiam albergar todos os estudantes, por falta de carteiras, reivindicação apoiada  através de uma carta aberta pelo coletivo de professores.

“Em Março houve uma paralisação total por parte dos professores contratados e com adesão de professores  efetivos, que exigiam o pagamento de cinco meses de salário em atraso e melhoria de condições  de trabalho”, acrescentou.

Criticou que a maior parte do Orçamento Geral do Estado vai para a Assembleia Nacional Popular e Defesa. ANG/JD//SG

Economia/Câmara de Comércio diligencia instalação de banco digital “BRS-África” no país

Bissau,08 Nov 23(ANG) – O Presidente em exercício da Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços(CCIAS), disse que estão a fazer diligências junto do Governo para a instalação do Banco Digital “BRS-África”, dentro de um mês, no país.

Mama Samba Embaló falava hoje no ato de apresentação do projeto sobre Agricultura Familiar e Moeda Digital, denominado “Avança Guiné-Bissau”, a ser implementado pelo futuro Banco Digital “BRS-África”.

O Presidente da CCIAS acrescentou que vão entabular contatos junto de algumas instituições governamentais, nomeadamente, o da Economia e Finanças, Administração Territorial, do Comércio e da Solidariedade Social, bem como do Banco Central(BCEAO) para estudarem possiblidades de instalação no país do referido banco.

Embaló, sublinhou no entanto que o projeto veio para ficar, para apoiar o desenvolvimento económico da Guiné-Bissau.

“É um projeto que a CCIAS irá abraçar, por isso estão disponíveis em prestar apoios técnicos para sua materialização prática , que  dava falta no país”, frisou.

Por sua vez, a Presidente do Banco BRS-África, Simone Furtado de Albuquerque, disse que a moeda digital é uma ferramenta que funciona através de um cartão, de igual modelo usado para os multibancos,  que serão  disponibilizar aos seus clientes para  suas transações financeiras.

Aquela responsável sublinhou que a introdução do moeda digital foi uma alternativa encontrada pelo Governo brasileiro para alcançar à todos sem excepção, principalmente os menos favorecidos, nas regiões  distantes da capital.

“Foi uma iniciativa que visa a criação de uma própria moeda para  uso restrito, fazendo com que os recursos gerados nestas comunidades sejam reinvestidos na própria localidade, proporcionando  maior rotatividade financeira e possibilidade de maior desenvolvimento local sustentável”, frisou Simone.ANG/ÂC//SG

 


Política
/ PAI Terra Ranka acusa Presidente da República de envio de militares para invadir e sequestrar STJ

Bissau, 08 nov 23 (ANG) – A Coligação PAI-Terra Ranka acusa, em comunicado, o chefe de Estado guineense de enviar militares armados e encapuzados para invadir e, consequentemente, sequestrar o Supremo Tribunal da Justiça (STJ) e a residência do seu ex-presidente, sem mandato judicial.

A Coligação diz que só respeitando a Constituição da República e as leis é que o Estado de Direito Democrático constituem a via para a busca de soluções conducentes à estabilidade e paz social.

“A via da força e da imposição de vontades pessoais ou estratégicas para manutenção no poder, podem conduzir a confrontação e o agravamento da instabilidade no país e de uma nova crise política e institucional”, salientou o comunicado.

Considerou ainda que é dever de todos os órgãos de soberania o respeito da vontade suprema do povo guineense, claramente expressa nas urnas.

A Coligação recomenda ao governo a convocação com carater de urgência do Conselho de Defesa e Segurança, para análise da situação vigente e a reposição da ordem constitucional e democrática no país.

Condenou com veemência a invasão e sequestro da sede do STJ e da residência do seu Presidente, que se demitiu.

Exige no comunicado a retirada imediata e incondicional dos militares da presidência da Republica e a sua substituição por Forças da Ordem pertencente ao Ministério de Interior.

No comunicado, a Coligação Pai Terra Ranka exorta o Conselho Superior da Magistratura Judicial para a tomada de medidas legais visando o retorno ao normal funcionamento do STJ, por forma a evitar o vazio institucional nesse órgão máximo da justiça guineense, na sequência da renúncia das funções por parte de José Pedro Sambú. ANG/LPG/ÂC//SG

Cultura/Consulado da Costa de Marfim promove semana  Sócio-cultural de gastronomia

Bissau, 08 Nov 23 (ANG) – A  1ª edição da semana Sócio-Cultural da Gastronomia, denominada “Ivoiro-Guineense” foi aberta terça-feira, em Bissau, e vai  decorrer até domingo(12), por iniciativa  do Consulado da Costa de Marfim no país.

O evento conta com apoios  do Governo através do Ministério da Cultura, Juventude e Desportos.

Ao presidir a cerimónia de abertura e em representação da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Pedro Juca Delgado defendeu que os povos dos dois países encontram na cultura formas de engrandecerem.

“Aproveitamos o momento para agradecer os obreiros desta iniciativa, por terem escolhido o nosso país, a Guiné-Bissau, para palco anfitrião da  Semana Sócio-Cultural que juntou 10 países africanos, nomeadamente a Guiné-Bissau, Guiné Conacri, Nigéria, Costa de Marfim, Niger, Gana, Camarões, Senegal, Burkina Faso e Togo”, disse Delgado.

Declarou que a  Guiné-Bissau está de portas abertas para acolher todas as grandes iniciativas, que podem trazer algo positivo para o seu povo.

Acrescentou que  iniciativas do género, acabam por ser um corredor de ligação com outros países, onde é possivel demonstrar  as potencialidades culturais de cada um .

Segundo o Cônsul Honorário da Costa de Marfim na Guiné-Bissau, Fernando Gomes, quem conhece a Costa de Marfim  sabe que é forte economicamente e financeiramente, razão pela qual, diz, a Guiné-Bissau, através deste evento, pode tirar  proveitos desta iniciativa.

“Quando iniciamos a nossa atividade como  Cônsul, a primeira coisa que vimos que era necessário fazer é promover uma semana Socio-Cultural na Guiné-Bissau, que permite a integração de todos os países vizinhos, e isso trás benefícios partilhados entre os repeitivos povos”, disse o Cônsul.

O costa marfinense, Jean Marc Gnae, Presidente da Comissão Organizadora do  evento diz que os países participantes  têm seis dias  para explorarem as oportunidade de negócios entre eles.

“Espero que a Guiné-Bissau, como sendo país anfitrião, vai poder conhecer a gastronomia da Costa de Marfim, e assim como o nosso país poderá beneficiar do mesmo em todos os aspectos”, disse Marc Gnae.

O Presidente da Comissão Organizadora disse que a imagem da Guiné-Bissau pelo mundo fora está mal divulgada, e que muitos dos seus concidadãos  ainda não conhecem a Guiné-Bissau, e que recusam vir para a Guiné, porque estão mentalizados pelas redes sociais de  que o país é instavel.

Revelou que muitos empresários costa-marfinense  já se encontram na Guiné-Bissau, a fim de conhecer e estabelecer contactos com as autoridades guineenses para efeitos de  negócios.

“Quero alertar a sociedade guineense que haverá consultas médicas grátis para todos, durante os 06 dias, no período de manhã, na mesma localidade onde a Semana Socio-Cultural está à decorrer.

Disse que  no período da noite, os visitantes terão a oportunidade de assistir a atuação de alguns artistas  musicais local e  estrangeiros..ANG/LLA/ÂC//SG  

                

 

Justiça /Governo anuncia criação em 2024 da Provedoria Geral da justiça de Direitos Humanos

Bissau, 08 Nov 23 (ANG) – O Governo através do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos anuncia a intenção de criar, no próximo ano, uma Provedoria Geral de Justiça de Direitos Humanos.

O anúncio foi feito hoje pelo Director Geral da Política da Justiça,  Degol Mendes ao presidir a abertura do ateliê de validação dos relatórios sobre a implementação dos pactos internacionais sobre os direitos Civis e Políticos, Econômicos, Sociais e Culturais, que decorre durante dois dias.

Para Degol, a provedoria da Justiça é uma estrutura essencial na questão na defesa dos dirietos humanos.

Para o efeito, Degol Mendes  disse que  estão em curso os trabalhos de elaboração de um plano para sua criação e de como fazer a sua articulação  com a Comissão dos Direitos Humanos.

Em relação aos relatórios, o Diretor-geral da Política de Justiça disse que o Governo encarra a questão com toda a determinação,por fazer parte dos compromissos internacionais que o país assumiu, no quadro das deferentes convenções em que se vinculou.


Acrescentou  que a obrigação de elaboração dos relatórios fazem parte dos compromissos que um país assume ao ratificar um tratado ou uma convenção, mas que tem sido omisso quanto a  elaboração de relatórios.

“Neste particular,  o país tem muitos atrasos   e queremos virar a página com apresentação desses relatórios, e, no futuro, trabalhar para ter todos os relatórios à tempo”, garantiu Degol Mendes.

A conselheira do coordenador residente do sistema das Nações Unidas, Helizabete Costa exaltou a importância de a  Guiné-Bissau   ter prontos os seus relatórios, devido os proveitos que pode daí tirar. ANG/LPG//SG

 

Cultura/ Governo promete apoiar participação de expositores guineenses na Feira Internacional de Dacar a decorrer em Dezembro

Bissau, 08 Nov 23 (ANG)- O Governo promete apoiar os  expositores guineenses para poderem tomar parte na  Feira Internacional de Dakar, a decorrer entre os dias 17 e 30 de Dezembro do corrente ano.

Segundo um comunicado da assessoria de imprensa do Ministério da Economia e Finanças, a promessa de apoio foi feita pelo ministro da Economia e Finanças, Suleimane Seidi, num encontro que manteve com os expositores.

“É importante a participação de expositores guineenses na Feira Internacional de Dakar, por representar uma oportunidade de promoção da economia nacional”, disse Seidi.

O coletivo de expositores diz pretender representar a Guiné-Bissau condignamente mas que se depara com dificuldades financeiras para estar em Dacar nesse evento, e se queixam de não ter tido apoios do Governo em relação a participação anteriores. ANG/AALS//SG