sexta-feira, 19 de maio de 2017

Manecas dos Santos



”Interrogatório foi muito cordial e reafirmo o que eu tinha dito”

Bissau, 19 Mai 17 (ANG) - O dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Manuel dos Santos [Manecas] disse quinta-feira, 18  que o seu interrogatório no Ministério Público foi muito ‘cordial’ e reafirma o que já tinha dito durante a entrevista que concedeu ao jornal português Diário de Notícias.
O antigo comandante de guerra falava à imprensa, depois da sua audição no Ministério Público na qualidade de denunciante.
Manuel dos Santos disse aos jornalistas que tudo correu bem e espera que o interrogatório termine por aqui.
“Falamos o que já tinha dito no Diário de Notícias e a procuradoria tomou a nota. Acho que é ali que acabou a interrogação”, assegurou.
O advogado Carlos Pinto Correia, disse na sua declaração aos jornalistas que o seu constituinte foi ouvido enquanto denunciante e não como suspeito. No entanto, o membro do bureau politico do PAIGC disse ter esclarecido que se tratou de uma opinião e não a constatação de um facto.
“Ele emitiu a opinião como cidadão por entender que o mal-estar que se vive no país pode conduzir a uma eventual solução por via do golpe de Estado. Qualquer pessoa que tenha notícia que põe em risco a ordem constitucional deve ser ouvida”, contou.
O Ministério Público notificou no passado dia 16 do mês em curso, o ex-comandante Manecas dos Santos,  para fundamentar as declarações proferidas ao jornal português sobre a alegada iminência de um golpe de Estado no país.
ANG/Odemocrata

quinta-feira, 18 de maio de 2017

CEDEAO



Situação da Guiné-Bissau consta na agenda da reunião de Chefes de Estado e de  Governo de 04 de Junho

 Bissau,  18 Mai 17 (ANG) – Os Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO reúnem-se no dia 04 de Junho, em Monróvia, Libéria, para analisar dossiês “importantes” sobre a comunidade, nomeadamente a situação da Guiné-Bissau revelou a agência Inforpress citando o presidente Jorge Carlos Fonseca.

“É uma cimeira que vai ter dossiês muito importantes, como o da Guiné-Bissau, o do Mali, e  da Gâmbia”, indicou Jorge Carlos Fonseca, acrescentando que o relatório sobre “suspeitas de irregularidades financeiras no seio da organização” poderá ser também um dossiê importante para os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica para o Desenvolvimento da África Ocidental.

O Presidente da República cabo-verdiano fez estas revelações à imprensa à margem de uma visita que efectuou esta quarta-feira, 17, à exposição de fotografias intitulada “As Maravilhas de Cabo Verde”, de autoria de Gabriel Costa, um amador que diz captar as imagens com o sentido de um profissional e fá-lo nos seus tempos de lazer.

Uma missão da CEDEAO deixou uma espécie de ultimato as autoridades de Bissau para aplicarem até ao dia 25 de Maio o Acordo de Conacri que traçou o caminho para a solução da crise política que assola o pais há mais de dois anos, sob pena de os que  estão a obstruir o cumprimento desse acordo serem sancionados. 

 ANG/Inforpress

Irão



 Eleição do presidente vista como referendo ao acordo nuclear de 2015 

Bissau, 18 Mai 17 (ANG) – O Irão vota na sexta-feira nas primeiras presidenciais desde o acordo nuclear de 2015, uma eleição vista como um referendo ao pacto disputada entre o moderado Hassan Rohani e o conservador Ebrahim Raissi.

No acordo nuclear, concluído entre a administração Rohani e as potências mundiais do chamado Grupo 5+1, Teerão aceitou reduzir as actividades nucleares em troca do levantamento das sanções económicas, mas o esperado alívio económico ainda não se produziu.

Rohani, eleito em 2013 e candidato à reeleição, conseguiu quebrar o isolamento do país, chegando a reunir-se com o anterior presidente dos EUA, Barack Obama, embora a eleição de Donald Trump para o cargo, que na campanha disse que iria “rasgar o acordo nuclear”, tenha suscitado receios.

Favorito na corrida, Rohani conseguiu congregar o apoio de destacados reformadores – como Mehdi Karubi, Mir Hossein Mussavi, em prisão domiciliária desde 2009, e Mohammad Khatami -, ao colocar as liberdades e as reformas no centro da campanha.

Já o tinha feito em 2013, mas alega “a intransigência do poder judicial e dos serviços de segurança” para justificar a continuação das detenções de jornalistas, estudantes e artistas nestes quatro anos.

Contra ele corre Ebrahim Raissi, um conservador que analistas consideram ambicionar, mais que a presidência, a sucessão ao guia supremo, Ali Khamenei, a quem competem todas as grandes decisões.

Khamenei, que sucedeu ao ‘ayatolah’ Khomeini em 1989, está com 77 anos e alguns problemas de saúde.
 
As presidenciais são disputadas por mais um candidato, o conservador Mostafa Mirsalim, depois das desistências nos últimos dias dos reformadores Mostafa Hashemitaba e Es-Hagh Jahanguiri, que apelaram ao voto em Rohani, e do presidente da câmara de Teerão conservador, Bagher Qhalibaf, que pediu o voto em Raissi.

O poder no Irão é controlado por vários órgãos e as grandes decisões tomadas pelo guia supremo, mas o presidente, eleito por sufrágio universal, tem alguma margem, designadamente na política económica, e a economia é a principal questão em jogo nesta eleição.

Graças ao acordo nuclear, a retoma das exportações de petróleo permitiu em 2016 um crescimento de 6,5% e a redução da inflação de 40% para 9,5%. Mas o investimento estrangeiro esperado continua por se concretizar e a taxa de desemprego atinge os 12,5 por cento globalmente, 27 por cento entre os jovens.

O acordo nuclear, aprovado pelo guia supremo, não é questionado por nenhum dos candidatos, mas os conservadores rejeitam a necessidade de investimento externo, defendendo uma “economia de resistência” assente no “made in Iran” e nos investimentos nacionais.

A situação das classes populares e o desemprego são explorados pelos conservadores, que prometem triplicar a ajuda aos mais desfavorecidos e criar um milhão de empregos por ano.

Cerca de 56 milhões de eleitores estão convocados para as eleições, 2,5 milhões dos quais votam no estrangeiro. 

ANG/Lusa