sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

 Guerra /Olhares cruzados sobre um ano de ofensiva russa na Ucrânia

 

Bissau, 24 Feve 23 (ANG) - Nesta sexta-feira, faz um ano que as tropas russas lançaram a sua ofensiva contra a Ucrânia, alargando assim o conflito vigente desde 2014 no leste do país.


Segundo estimativas da Noruega, 180 mil soldados russos terão morrido ou ficado feridos, enquanto do outro lado, foram contabilizadas 100 mil baixas entre os militares ucranianos.

A ONU estima que em um ano de conflito morreram mais de 7 mil civis, dados que as próprias Nações Unidas acreditam ser aquém da realidade.

Esta guerra também provocou uma crise humanitária. Um recente relatório da Organização Mundial da Saúde, contabiliza quase 18 milhões de pessoas que precisam de ajuda humanitária na Ucrânia, sendo que a ONU dá igualmente conta de 5 milhões de deslocados internos.

Ainda segundo as Nações Unidas, mais de 8 milhões de ucranianos foram obrigados a fugir do país, rumo maioritariamente para a Polónia que acolheu 1,5 milhão de ucranianos, ou ainda a Alemanha onde se contabilizam mais de 1 milhão, sendo que a França acolheu por sua vez cerca de 119 mil ucranianos nestes últimos meses.

De acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal, de há um ano a esta parte o país acolheu 58 mil refugiados ucranianos. Pavlo Sadokha, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, dá conta de alguns dos desafios enfrentados pelos seus compatriotas ao chegarem a Portugal.

"O principal problema que continua a ser grave é o problema de habitação para estes refugiados. Inicialmente, nós tivemos muitas vagas, com particulares que ofereciam as suas casas mas também de ter em conta que neste momento os portugueses sentem os efeitos da crise económica e da crise de habitação. Isto também está a influir nos ucranianos", considera o líder associativo.

"O segundo maior problema que sentimos, é o problema com as crianças ucranianas. De acordo com dados do Ministério da Educação, das 14 mil crianças ucranianas (que se encontram no país), só foram matriculadas 4 mil. Cerca de 10 mil estão fora do sistema de educação, embora saibamos que continuam a estudar 'on line' nas suas escolas na Ucrânia" refere Pavlo Sadokha para quem esta transição constante entre a Ucrânia e Portugal é problemática para as crianças.

"Nós reparamos, passado um ano, que crianças mas também adultos, mas sobretudo as crianças, estão a passar um trauma psicológico forte. A maioria destas crianças não se matriculou para as escolas portuguesas ou não quer continuar a frequentar estas escolas. Estão numa situação indecisa entre regressar em breve à Ucrânia ou continuar aqui", explica o activista que por outro lado também menciona problemas administrativos que travam a instalação dos ucranianos em Portugal.

Para além das consequências sentidas a vários níveis na Ucrânia, na Europa e também no resto do mundo, em termos nomeadamente de aumento do custo de vida e de dificuldades de acesso a bens alimentares, a guerra teve evidentemente consequências concretas na existência dos russos que, num primeiro tempo, sentiram os efeitos das sanções económicas e depois, em Setembro de 2022, se viram confrontados com a mobilização parcial dos civis para a guerra, o que levou muitos a fugir.

Ksenia Ashrafullina, activista e opositora russa radicada há mais de dez anos em Portugal, tem denunciado os efeitos da guerra e da política aplicada no seu país. Ela participa nesta sexta-feira no final da tarde numa marcha de solidariedade para com o povo ucraniano junto da Assembleia da Républica portuguesa, em Lisboa.

Para esta militante, o conflito aprofundou um pouco mais o fosso existente entre diversas Rússias, aquela que apoia Putin, aquela que se opõe e aquela que tenta continuar a viver uma vida normal"Há obviamente várias camadas na sociedade. Há pessoas que passam muitas horas a ver a televisão e mantém-se no hábito da propaganda. Muitas destas pessoas começaram a perceber que o exército volta em sacos plásticos, mortos. Mas há um mecanismo esquisito de protecção psicológica que continua a recusar que tudo isto existe. Obviamente também existem pessoas que percebem o que está a acontecer e estão contra. Na medida do possível, tentam falar e convencer os mais próximos mas têm medo de o fazer publicamente dentro da Rússia porque sabemos que durante este ano 20 mil pessoas foram detidas por expressarem a sua oposição", começa por referir a activista.

Evocando a situação dos russos que fugiram do país que, segundo estimativas terão sido 1.500 a estabelecer-se em Portugal nestes últimos meses, Ksenia Ashrafullina refere que foram poucos aqueles que chegaram ao país porque "Portugal está longe, não é económico. Uma pessoa que, de um dia para o outro, tem de fugir e depois tem os cartões bancários bloqueados, não é para Portugal que vai. Deve ter meios alternativos de se manter ou saber que há maneiras de encontrar trabalho."

Sobre o acolhimento reservado aos russos no país, Ksenia Ashrafullina julga que não existem preconceitos porque "Portugal é um país que historicamente tem pouco a ver com a Rússia" e observa por outro lado que, longe da frente de combate, criou-se de forma geral um elo de solidariedade entre expatriados russos e ucranianos em Portugal. "Há uma grande comunidade ucraniana já radicada em Portugal e já existiam laços entre todas as pessoas que partilham o passado soviético. Também existem momentos de um certo ódio ou de recusar tudo aquilo que é russo da parte dos ucranianos, mas a nossa postura é de considerar que é normal (...) nós vamos continuar a apoiar os ucranianos. Estamos completamente do lado deles", conclui a opositora russa.

Passado um ano de conflito, nada indica que se vão silenciar as armas no imediato. Na terça-feira, no seu discurso anual sobre o estado da Nação, o Presidente Putin argumentou que a Rússia luta na Ucrânia "pelos seus territórios históricose anunciou a sua decisão -entretanto validada pelo parlamento russo- de deixar formalmente de cumprir o tratado New Start de não-proliferação nuclear.

Por outro lado, nestes últimos dias, os países da NATO deram garantias do seu apoio à Ucrânia, nomeadamente com a entrega de equipamentos pesados, sendo que no começo da semana o Presidente americano efectuou uma curta visita a Kiev para vincar a solidariedade do seu país para com os ucranianos, uma visita que foi considerada pelo seu homólogo ucraniano como sendo "simbólica". ANG/RFI

 

Diplomacia/China apela a cessar-fogo na Ucrânia e divulga proposta para a paz

Bissau, 24 Fev 23 (ANG) - A República Popular da China apelou hoje a um cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia, defendendo que o diálogo é a única forma de alcançar uma solução viável para o conflito, numa proposta com 12 pontos, noticiou a AFP.


O plano, divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, também pediu o fim das sanções ocidentais impostas à Rússia, medidas para garantir a segurança das instalações nucleares.

Segundo o plano, o estabelecimento de corredores humanitários para a evacuação de civis e acções para garantir a exportação de grãos, depois de interrupções no fornecimento terem causado o aumento dos preços a nível mundial.

O primeiro ponto destacou a importância de "respeitar a soberania de todos os países", numa referência à Ucrânia.

"O Direito internacional, universalmente reconhecido, incluindo os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, deve ser rigorosamente observado", lê-se na proposta difundida pela diplomacia chinesa.

"A soberania, independência e integridade territorial de todos os países devem ser efectivamente preservadas", apontou.

A China afirmou ser neutra no conflito, mas mantém uma relação "sem limites" com a Rússia e recusou-se a criticar a invasão da Ucrânia. Beijing acusa o Ocidente de provocar o conflito e "alimentar as chamas" ao fornecer à Ucrânia armas defensivas.

O Governo chinês apelou ao fim da "mentalidade da Guerra Fria" - um termo frequentemente usado por Beijing para criticar a política externa dos Estados unidos.

"A segurança de uma região não deve ser alcançada através do fortalecimento ou expansão de blocos militares", afirma-se no documento, numa critica implícita ao alargamento da OTAN. "Os legítimos interesses e preocupações de segurança de todos os países devem ser levados a sério e tratados adequadamente", sublinha-se.

China defende que todas as partes devem contribuir para "forjar uma arquitectura de segurança europeia equilibrada, eficaz e sustentável".

E garantiu que "está disposta a desempenhar um papel construtivo", mas apontou que "problemas complexos não têm soluções simples".

Na quinta-feira, a China absteve-se quando a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução não vinculativa a pedir que a Rússia encerre as hostilidades na Ucrânia e retire as suas forças.

A China é um dos 16 países que votaram contra ou abstiveram-se em quase todas as cinco resoluções anteriores sobre a Ucrânia.

A resolução, redigida pela Ucrânia em consulta com os seus aliados, foi aprovada por 141 votos a favor. Sete países votaram contra e 32 abstiveram-se.

O documento constitui uma forte mensagem, na véspera do primeiro aniversário da invasão, e deixa a Rússia mais isolada do que nunca.

No entanto, Beijing considera a parceria com Moscovo fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, liderada pelos Estados Unidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, reafirmou a importância dos laços com a Rússia durante um encontro com o Presidente russo, Vladimir Putin, esta semana, em Moscovo.

A China também foi acusada pelos EUA de estar possivelmente a preparar-se para fornecer apoio militar à Rússia.

Antes de a proposta de hoje ser difundida, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, considerou-a um primeiro passo importante.

"Acho que, em geral, o facto de a China ter começado a falar em paz na Ucrânia não é mau", disse, numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez. "É importante para nós que todos os Estados estejam do nosso lado, do lado da justiça", acrescentou.

O Presidente chinês, Xi Jinping, expressou anteriormente "questões e preocupações" sobre o conflito, durante um encontro com Putin, e opôs-se abertamente ao uso e ameaça nuclear, após o homólogo russo ter sugerido o uso de armas atómicas na Ucrânia. ANG/Angop

 

Nigéria/ Eleições Presidenciais e Legislativas vão decorrer no sábado

Bissau, 24 Fev 23 (ANG) - A Nigéria vai a votos neste sábado 25 de Fevereiro para as eleições presidenciais e legislativas tidas como cruciais  para o país mais povoado do continente africano.


Dezoito  candidatos estão na luta por um lugar que Muhammadu Buhari, de 80 anos, deixa após dois mandatos, conforme a lei constitucional.

A Nigéria está numa situação económica complicada e o desemprego é elevado. Os jovens são os que mais sofrem com essas consequências visto que 42,5% dos que têm idade para trabalhar não encontram emprego segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

Esse painel de eleitores poderá ser decisivo visto que representam 27% dos eleitores inscritos, num total de 94 milhões de eleitores.

Outro problema actualmente na Nigéria que preocupa mais a população é a falta de liquidez. Em Outubro do ano passado o banco central decidiu introduzir novas notas, mas o processo está a correr mal e as pessoas estão horas a fio à espera para levantar dinheiroNeste momento é uma confusão total e ninguém sabe quais são as notas ainda válidas.

Neste caos total, 18 candidatos lutam por um lugar na cadeira presidencial. Os favoritos são Bola Tinubu, do Partido no poder - ‘All Progressives Congress (APC)’ -, depois Atiku Abubakar, do principal partido na oposição - ‘People's Democratic Party (PDP)’ -, e por fim Peter Obi, do Partido dos Trabalhadores - ‘Labour Party (LP)’.

Segundo as sondagens, seria um destes três líderes que deverá vencer as eleições presidenciais num país em que na última votação em 2019 apenas 33% dos votantes foram às urnas.

Recorde-se que a eleição presidencial é a duas voltas. Para ser eleito à primeira volta, um candidato tem de ter a maioria dos votantes, e mais de 25% dos eleitores a favor, em pelo menos 24 dos 36 Estados do país.

Segundo os especialistas, é quase impossível um dos candidatos alcançar esse feito à primeira volta. O que significaria que uma segunda volta deveria ser organizada.

Quanto às eleições legislativas, os 109 membros do Senado, a Câmara Alta, são eleitos no escrutínio com apenas uma volta, bem como os 360 membros da Câmara dos Representantes, a Câmara Baixa.

De notar por fim que os resultados, nas últimas duas eleições, foram divulgados três dias após a votação.ANG/RFI

 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Cooperação/Governo de Japão doa viaturas e motorizadas ao Ministério de Saúde e  materiais para  reportagem à comunicação social

Bissau, 23 Fev 23 (ANG) – O Governo  de Japão, através do Fundo das Nações Unidas para a Infância(Unicef), doou hoje ao Ministério da Saúde Pública viaturas, motorizadas  e equipamentos de cadeia de frio visando reforçar o Sistema de Saúde Nacional(SNS).


O referido donativo conta, entre outros equipamentos com cinco viaturas todo terreno, seis motorizadas, 31 arcas congeladora grandes, 20 médias  e 15 frigoríficos.

A oferta foi dada no âmbito do Programa de Apoio de Emergência em resposta à crise da Covid-19, financiado pelo Governo nipônico num montante de um bilhão e trezentos milhões de FCFA, cerca de 2,2 milhões de dólares.

Ao usar da palavra no acto, o Secretário-geral do Ministério de Saúde Pública,Cletche Na Isna disse ser uma marca importante essa ação do Governo japonês, “por representar um reforço às capacidades do SNS”.

“A pandemia de Covid-19 deu a lição de que cada país tem de ter  um Sistema de Saúde bem robusto para poder corresponder as espectativas da população, e a Guiné-Bissau não foge à regra”, salientou.


Chetche Na Isna enalteceu a cooperação com o Japão, garantindo que os materiais  doados vão chegar ao seu destino.

Questionado sobre o início da campanha de vacina contra a  Covid-19, este responsável disse que está a ser tratato no gabinete estratégico.

“Isso não se concretiza de um dia para outro ou seja é preciso trabalho técnico de base nas 11 regiões sanitárias do país para depois se avançar”, frisou.

Para o Conselheiro Adjunto da Embaixada do Japão na Guiné-Bissau, Hirose Shinichi  a contribuição do Governo do seu país, não só consolidará o Sistema Nacional de Saúde com disponibilização de  equipamentos como frigorificos, tablets e meios de transporte, como também apoiará a capacitação dos recursos humanos para a operação e manutenção de equipamentos, bem como  o gerenciamento eficaz das vacinas contra a Covid-19.

“A rede de frio também tem um papel crucial para o sucesso da vacinação, permitindo aumentar a capacidade de armazenamento e receber mais doses de doações”, disse.

Hirose Shinichi sublinhou que, ao fornecer este lote de materiais e equipamentos, o Japão demonstra, mais uma vez, o seu particular interesse no fortalecimento do sector da saúde da Guiné-Bissau, e nos países em desenvolvimento, em geral.

De acordo com o diplomata Japonês, no inicio da pandemia da Covid-19 o seu país apoiou a Guiné-Bissau, através do Programa das Nações Unidas para Desenvovimento (PNUD), no ambito do orçamento suplementar,  disponibilizando um  valor que ronda os 700 milhões de francos CFA.

As autoridades de Japão ainda doaram na mesma ocasião uma viatura e uma câmara à Televisão da Guiné-Bissau(TGB) e 34 rádio-gravadores para 12 órgãos de comuncação social que serão entegues posteriormente pela ONG Palmeirinha.

A cerimónia de entrega dos referidos materiais contou com a presença do representante residente da Unicef, Etona Ekole. ANG/MSC/ÂC//SG

 

Carnaval 2023/ HNSM prestou assistência a  168 casos e registou um morto

Bissau, 23 Fev 23 (ANG) – O Serviço de Urgência do Hospital Nacional Simão Mendes(HNSM),  registou um total de 168 casos de acidentes e traumas   durante a quadra festiva do carnaval, nomeadamente nos serviços de Cirurgia e Ortopedia, havendo perda de vida humana.


A revelação foi feita , quarta-feira, em conferência de imprensa pela Enfermeira Chefe de Hospital Nacional Simão Mendes, Signeia Samira Tomás Mendes, no balanço de quatro dias das festividades do Carnaval, que considerou de negativo.

"Consideramos o balanço de negativo, porque registamos a perda de vida humana  e vários números de feridos, entre eles casos de acidente e agressões físicas”, salientou. 

Disse que, dos 168 casos atendidos, sete estão internados, havendo um morto por acidente de viação nos arredores de Antula, 19 casos de acidente de viação, 30 casos de agressão física e diz que entre os internados há  dois casos graves em que um apresenta diagnóstico de contusão e outro com diagnostico de politraumatizado, que quer dizer  vários ferimentos  em diferente partes do corpo.

Na origem desses casos Signeia admite estarem a condução sob efeito do álcool,excesso de velocidade,e consumo de droga. ANG/MI/ÂC//SG

 

 

   

Carnaval 2023/Director Clínico do Hospital Militar considera positivo balanço de qatro dias de festas por não se registar nenhum óbito

Bissau, 23 Fev 23(ANG) -  O Director Clínico do Hospital Militar Principal Amizade Sino Guineense considera de positivo o balanço do carnaval  2023, por não ter sido registado nenhum caso de óbito.


Citado pela Rádio África FM,Fernando Alfaemo disse ter sido registado durantes as festividades do carnaval ou seja entre 18 e 21 de Fevereiro, 22 casos de acidente de viação e 19 de agressões físicas.

Alfaemo disse que no Serviço de Ortopedia entraram 29 casos entre as quais 17 de acidente de viação, 11 de agressões físicas e um de queda na palmeira, e no Serviço da Cirurgia Geral deram entrada 13 casos, cinco de acidente de viação  e oito  de agressões físicas, que totalizaram 42 casos.

No ano passado e durante a festa de Carnaval o mesmo hospital teve necessidade de prestar assistência a 66 casos de origens diversas.

ANG/JD/ÂC//SG

 

 

 

Comércio/CCIAS e Fundação INCYDE assinam acordo no domínio de formação e consultoria empresarial

Bissau,23 Fev 23(ANG) – A Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços(CCIAS)na pessoa do presidente em exercício da instituição, Mama Samba Embaló e a Fundação INCYDE, na pessoa de seu diretor-geral, Javier Collado Cortês assinaram quarta-feira um acordo no domínio de formação e consultoria empresarial.


O acordo, à que a ANG teve acesso, visa entre outros, facilitar a adaptação dos profissionais que enfrentam novas exigências laborais, derivadas especialmente de inovações decorrentes das novas estratégias e tecnologias.

De acordo com o documento, a CCIAS contribuirá com o seu capital de conhecimento com a atualização de informação relevante à Fundação INCYDE, nomeadamente na detecção e captação dos participantes das ações a realizar.

A identificação e seleção das pessoas que serão capacitadas a nível da gestão e inovação das suas empresas, divulgação, junto das empresas suas associadas e de outros agentes económicos dos objetivos da Fundação INICYDE são outros pontos constantes nas cláusulas do acordo.

Ao intervir no ato, Mama Samba Embaló agradeceu a abertura dada pela Fundação INCYDE, não só à instituição que dirige como á Guiné-Bissau em geral, no sentido de se aproveitar da parceria  estabelecida.

Samba Embaló sublinhou que o acordo vai ser útil no quadro de valorização e qualificação das Pequenas e Médias Empresas da Guiné-Bissau através de parceria com a Fundação ENCYDE e outros parceiros.

O diretor-geral da Fundação ENCYDE disse na ocasião que o acordo visa ainda garantir a formação dos formadores para capacitar os consultores guineenses que serão capazes de elaborar projetos de desenvolvimento.

Javier Collado Cortês salientou que a sua organização vai estar presente em séries de debates para o fortalecimento de conhecimentos empresariais no país. ANG/ÂC//SG

 

Justiça/Marcelino Intupé diz não esperar  nada das autoridades da Guiné-Bissau

Bissau, 23 Fev 23 (ANG) - O advogado Marcelino Intupé diz que não se pode pronunciar sobre pedido das Nações Unidas antes de o próprio governo o fazer e diz "não esperar nada" da investigação por parte das autoridades guineenses do seu espancamento e tentativa de agressão com arma de fogo.


O advogado Marcelino Intupé diz que não se pode substituir às autoridades da Guiné-Bissau no pedido da relatora especial do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas formalizado no final de Dezembro à Guiné-Bissau sobre o seu espancamento e subsequente tentativa de agressão com arma de fogo.

"Não me posso pronunciar sobre a reacção do Estado da Guiné-Bissau ! Quando existe uma situação desta natureza o órgão em causa notifica a outra parte, neste caso o Estado da Guiné-Bissau, para se pronunciar.

Se não se pronunciar eu não posso dizer nem falar do porquê que o Estado da Guiné-Bissau não se pronuncia."

Marcelino Intupé, comentador político e advogado, ficou responsável pela defesa dos acusados no caso da tentativa de golpe de Estado que decorreu em Fevereiro de 2022 no Palácio Presidencial, em Bissau. Em Novembro de 2022, Marcelino Intupé foi vítima de espancamento na sua casa, tendo identificado pelo menos um dos agressores. Pouco tempo depois, o advogado foi vítima de outro ataque, a tiro, junto à sua casa, tendo saído ileso.

Nas questões enviadas à ministra dos Negócios Estrangeiros guineense, Suzi Barbosa, a relatora especial para a indpendência dos juízes e advogados do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas , Margaret Satterthwaite, pede mais informações sobre o caso de Marcelino Intupé, pede detalhes sobre a protecção oferecida pela Guiné-Bissau a este adbogado  assim como detalhes sobre a protecção dada em geral pelas autoridades do país para o exercício livre da profissão de adovgado.

O advogado diz não esperar nada de uma possível investigação levada a cabo pelas autoridades guineenses no sue caso.

"Eu não espero nada da investigação do Estado da Guiné-Bissau ! A situação que ocorreu na Guiné-Bissau já se sabe. Os guineenses sabem. A imprensa internacional sabe que o Estado da Guiné-Bissau não está interessado, nem vai estar interessado, para investigar e se pronunciar”, disse Intupé.

Instado a comentar sobre se esta situação seria, uma espécie de "puxão de orelhas" que poderia beliscar a imagem da Guiné-Bissau que poderia ficar mal na fotografia o advogado argumenta que tal seria o caso se o Estado se pautasse unicamente pela defesa do direito, o que não estaria a ocorrer.

"Depende da leitura que cada um pode fazer relativamente a este caso !  É verdade que depende também da visão que cada um tem sobre o funcionamento do Estado. Se quem está a dirigir o Estado sabe que está a dirigir um Estado que deve basear a sua actuação com base na lei então aí vai beliscar a imagem da Guiné-Bissau ! Agora se não tem interesse nem tem conhecimento de como é que o Estado é dirigido não vejo porquê que teria preocupação de saber que vai beliscar a imagem da Guiné-Bissau," disse.

Esta carta foi enviada em Dezembro às autoridades da Guiné-Bissau e tornada pública esta semana após as Nações Unidas não terem obtido resposta nos últimos dois meses. A RFI tentou, sem sucesso, contactar as autoridades guineenses para uma reacção a esta carta. ANG/RFI

 

Economia mundial/Conflito russo-ucraniano custou à 1,6 trilhão de dólares em 2022  – Estudo

 

Bissau, 23 Fev 23(ANG) – Sem o conflito Rússia-Ucrânia, a economia global teria gerado 1,6 trilhão de dólares adicionais em 2022, de acordo com um estudo divulgado na terça-feira pelo Instituto Económico Alemão (IW).


O conflito tem “repercussões económicas globais significativas”, disse Michael Groemling, um especialista da IW, em um comunicado citado pela Xinhua, acrescentando que as questões de fornecimento de energia e matéria-prima estão pressionando particularmente as empresas em todo o mundo.

As economias ocidentais foram particularmente atingidas, perdendo dois terços de sua produção geral, de acordo com o estudo.

Na Alemanha, a maior economia da Europa, o aumento dos preços da energia elevou temporariamente a inflação acima da marca de um dígito em 2022, antes que as medidas de ajuda reduzissem os preços novamente. Em Janeiro, a inflação estabilizou em 8,7%, de acordo com dados provisórios divulgados pelo Instituto Federal de Estatística.

“Os altos preços da energia tiveram um impacto nos custos de produção, que se tornaram um fardo difícil de avaliar para muitas empresas”, disse o IW.

A consequente subida dos preços ao consumidor “corroeu o poder de compra das famílias, o que reduziu o seu consumo”, e as empresas tornaram-se relutantes em investir devido à incerteza global e ao aumento dos preços, acrescentou.

Para 2023, o IW prevê uma perda adicional de valor agregado de 1 trilhão de dólares a nível global. “Infelizmente, ainda não há fim à vista neste ano”, disse Groemling, alertando que a escassez e as incertezas das commodities “continuarão a nos manter ocupados e a cair a prosperidade mesmo depois de 2023”.

No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou ligeiramente sua previsão para a economia mundial em 2023, esperando um crescimento de 2,9% em vez de 2,7%. “A recente reabertura da China abriu caminho para uma recuperação mais rápida do que o esperado”, observou o FMI.

ANG/Inforpress/Xinhua

Portugal/Dirigentes centristas africanos reúnem-se em Lisboa para debater avanço da democracia em África

 

Bissau, 23 Fev 23(ANG) – Dirigentes africanos do centro do espetro político reúnem-se sexta-feira em Lisboa para “pressionar no avanço da democracia em África”, onde “fraudes eleitorais e golpes militares tornam a situação muito complicada”, disse hoje à Lusa o organizador do encontro.


“O grande problema agora é que, com a fraude eleitoral e os golpes militares, a situação em África é muito complicada”, salientou Alberto Ruiz Thierry, vice-presidente-executivo da IDC Internacional.

A reunião, que tem como tema “Democracia em África”, é promovida pela Internacional Democrática do Centro (IDC), que reúne mais de 90 partidos políticos, e decorrerá na sede da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).

A IDC África é presidida por Ulisses Correia e Silva, atual primeiro-ministro de Cabo Verde.

Nas declarações à Lusa, Alberto Ruiz Thierry salientou que “o grande problema dos países africanos agora é a nova geoestratégia”: “Há os chineses, que estão armados para a nova geoestratégia e que querem recolonizar África. Há os russos, que estão sempre em países onde os governos são muito fracos e há também a Turquia, que está cada vez mais presente em África”.

“E são todos países que não são democráticos. Digamos que esta conferência é para dar um impulso mais forte à democracia, à liberdade de imprensa, aos direitos humanos”, acrescentou.

As conclusões do debate e respetivas linhas de força serão inscritas num documento final, denominado “Declaração de Lisboa”.

O evento contará com a presença de diversos dirigentes dos partidos que compõem a IDC Internacional e IDC África, vários dos quais chefes de Estado e de Governo, assim como do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

Entre os dirigentes políticos esperados figuram Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do MpD, o partido no poder, Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe e presidente da ADI, o partido no poder, e Adalberto da Costa Júnior, presidente da UNITA, principal partido da oposição angolana.

O presidente da principal formação da oposição em Moçambique, Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, o secretário-geral do partido marroquino Istiqlal, Nizar Baraka, o presidente da IDC Internacional e ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana, bem como diversos dirigentes de partidos da Guiné-Conacri, Burkina Faso, Madagáscar, Somália, e especialistas de assuntos políticos e de segurança de Espanha, França, Hungria e Reino Unido, participam igualmente na reunião. ANG/Inforpress/Lusa

 

Corno de África/Tendências da seca  são piores do que na fome de 2011

 

Bissau, 23 Fev 23 (ANG) – As perspectivas da seca histórica no Corno de África são agora piores do que a situação que ocorreu em 2011, quando pelo menos 250 mil pessoas morreram de fome, alertou quarta-feira um centro de estudos climáticos.


“Esta pode ser a sexta temporada de chuvas consecutiva falhada” na região, que inclui Somália, Etiópia e Quénia, revelou o Centro de Previsão e Aplicação Climática da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, na sigla em inglês), já que são esperadas chuvas abaixo do normal na estação chuvosa dos próximos três meses.

A seca, a mais longa de que há registo na Somália, dura há quase três anos, dezenas de milhares de pessoas terão já morrido e mais de um milhão foram deslocadas, de acordo com as Nações Unidas.

No mês passado, o coordenador da ONU na Somália alertou que o excesso de mortes neste país “quase certamente” superará as da fome declarada em 2011.

Cerca de 23 milhões de pessoas estarão em situação de elevada insegurança alimentar na Somália, Etiópia e Quénia, de acordo com estimativas de um grupo de trabalho de segurança alimentar presidido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a IGAD.

Já morreram 11 milhões de animais essenciais para muitas famílias, e muitas pessoas afectadas em toda a região são pastores ou agricultores que viram as colheitas murcharem e as fontes de água secarem.

Além disso, a guerra na Ucrânia afectou a resposta humanitária, uma vez que os doadores tradicionais na Europa desviam fundos para a crise mais perto dos seus países, refere ainda a organização regional em comunicado.

O secretário-executivo da IGAD, Workneh Gebeyehu, pediu aos governos e parceiros para agirem “antes que seja tarde demais”.

ANG/Inforpress/Lusa

 

ONU/Presidente da AG admite divisão geopolítica mas rejeita ‘guerra fria’

 

Bissau, 23 Fev 23(ANG) – O presidente da Assembleia Geral da ONU admite uma “profunda” divisão geopolítica causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, mas avalia que a ‘Guerra Fria’ foi um “fenómeno muito específico” do passado, que não deverá repetir-se.


“A divisão geopolítica no mundo é muito profunda. Faz parte da nossa vida e temo que fará parte da nossa vida. Ela vai ficar connosco. Mas quando nos referimos à Guerra Fria, é um fenómeno muito específico que dominou a vida no mundo, na Europa e fora da Europa, por quatro décadas. Espero que não se repita”, disse Csaba Korosi em entrevista à Lusa, quando questionado sobre as consequências de um ano de guerra da Rússia na Ucrânia.

“Sabemos e vemos que existe e haverá uma rivalidade geopolítica. Mas todo aquele confronto total que era característico da Guerra Fria deveria ser evitado. Nós aqui estamos a esforçar-nos muito para resolver projetos que possam unir os interesses dos países, que possam servir à humanidade e que possam servir à transformação de que todos precisamos”, acrescentou.

Em entrevista à Lusa na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, o diplomata da Hungria afirmou que, apesar de ser europeu de leste, a sua leitura é apenas “em total acordo com a Carta das Nações Unidas”.

“No caso da guerra ucraniana, a minha abordagem é a abordagem da Carta da ONU. A carta da ONU foi desrespeitada pela agressão. A carta da ONU foi desrespeitada pela anexação do território. A carta da ONU foi desrespeitada ao atacar objetivos civis e infraestrutura civil. Isso tudo deve ser parado”, apelou.

Sobre o facto de países como a China se manterem neutros em relação a este conflito, Korosi frisou que, apesar da condição de Presidente do plenário da ONU o obrigar a ser imparcial e a manter as portas do seu gabinete abertas para todos os Estados-membros, isso não significa a sua neutralidade face ao direito internacional e à Carta da ONU.

“Posso falar apenas em meu nome, já que o meu gabinete deve ser imparcial. Eu tenho que manter as minhas portas abertas para todos os atores. Mas isso não significa que sou neutro nas questões da Carta da ONU e do direito internacional. A Carta da ONU e o direito internacional devem ser respeitados. E os futuros acordos de paz, acredito, devem ser baseados na Carta da ONU e no direito internacional”, defendeu,

“Mas, ainda assim, falo com todas as partes, com todos os atores. Estou a tentar oferecer os meus serviços a quem puder para trazer paz, para trazer um cessar-fogo, trazer reconciliação. (…) Não temos tempo a perder”, sublinhou.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa na Ucrânia, justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia, foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

O conflito revelou também a incapacidade da ONU e do seu Conselho de Segurança de manter a paz e a segurança internacionais quando um dos seus membros permanentes decidiu unilateralmente travar uma guerra.

ANG/Inforpress/Lusa

 

Burquina Faso/Autoridades  enterram Sankara no local onde foi morto em 1987

Bissau, 23 Fev 23 (ANG) - O novo enterro do corpo do antigo Presidente Thomas Sankara e dos doze companheiros que foram mortos juntamente com ele a 15 de Outubro de 1987 foi marcado para esta quinta-feira.


As autoridades do país decidiram enterrar os corpos no próprio local onde foram assassinados, apesar da oposição da família do antigo Presidente que informou há dias que não iria assistir à cerimónia fúnebre.

Mais de 35 anos depois da sua morte, Thomas Sankara e os doze companheiros assassinados juntamente com ele regressam simbolicamente ao local onde faleceram, durante o golpe que colocou o seu então braço direito, Blaise Compaoré, no poder até à sua própria queda em 2014.

Enterrados uma primeira vez num cemitério da periferia da capital, os corpos tinham sido exumados em 2015 para responder às necessidades do inquérito sobre as circunstâncias da sua morte.

No começo do mês, no dia 4 de Fevereiro, o executivo burquinabê anunciou que os corpos do antigo Presidente Sankara e dos companheiros seriam enterrados desta vez num memorial erguido em sua homenagem no local específico onde foram assassinados, isto apesar da oposição manifestada pela família do antigo chefe de Estado.

Numa comunicação oficial, logo após o anúncio governamental, a família de Thomas Sankara indicou que não iria assistir ao funeral e disse que tinha tentado chegar a um consenso nesta matéria com o executivo, mas que não obteve resposta. Mais recentemente, no passado dia 12, os familiares apelaram o Presidente Traoré para que não se enterrasse o corpo no local "onde foi trucidado".

O exército respondeu que "como militar, o seu corpo pertence às Forças Armadas" e que "enquanto Presidente falecido no exercício das suas funções, o seu corpo pertence inteiramente à Nação".

Recorde-se que no ano passado, ao fim de um processo de seis meses, o Tribunal Militar de Uagadugu condenou à revelia o antigo Presidente Blaise Compaoré a uma pena de prisão perpétua pela sua responsabilidade nas mortes de Sankara e dos seus companheiros. Actualmente, o antigo Presidente Compaoré vive no exílio na Costa de Marfim. ANG/RFI

 

Diplomacia/Rússia diz que Pequim já apresentou plano de paz a Moscovo

 

Bissau, 23 Fev 23 (ANG) – A China apresentou à Rússia a sua visão para “a solução política” do conflito na Ucrânia, que deve ser tornada pública ainda esta semana, informou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.


“Os aliados chineses partilharam connosco os seus pensamentos sobre as causas profundas da crise ucraniana, bem como as suas abordagens para uma solução política”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, em comunicado, após a viagem a Moscovo do chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.

A diplomacia russa adiantou que o plano chinês deve ser conhecido ainda esta semana.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo esclareceu ainda que não se trata de “um plano de paz separado”.

País aliado da Rússia, a China nunca apoiou, nem criticou publicamente, a invasão da Ucrânia, embora tenha expressado repetidamente o seu apoio a Moscovo face às sanções ocidentais.

Contudo, ao mesmo tempo, Pequim sempre pediu respeito pela integridade territorial da Ucrânia, enquanto Moscovo reivindica a anexação de cinco regiões ucranianas.

O Governo ucraniano já reagiu a este anúncio de Moscovo, dizendo que Pequim não consultou Kiev na preparação deste plano de paz para o conflito.

“A China não nos consultou”, disse uma fonte do Governo ucraniano.

Contudo, na terça-feira, o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, que se encontrou com o seu homólogo chinês na Alemanha, revelou em Bruxelas que este último o “informou sobre os elementos-chave do plano de paz chinês”.

“Aguardamos pelo documento para o estudar em pormenor, para não tirarmos conclusões com base na apresentação oral”, explicou Kuleba.

Hoje, um alto responsável ucraniano avisou que nenhum plano de paz deve ultrapassar “as linhas vermelhas” definidas por Kiev, incluindo concessões territoriais à Rússia, que ocupa territórios no leste e sul do país.

“Para a Ucrânia, as linhas vermelhas são os princípios da carta da ONU, incluindo o respeito pela integridade territorial ucraniana”, disse este funcionário.

A ofensiva militar lançada a 24 de Fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de oito milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, pelo menos 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 7.199 civis mortos e 11.756 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

ANG/Inforpress/Lusa

 

ONU/Guiné-Bissau questionada sobre   medidas de protecção a Marcelino Intupé

Bissau, 22 Fev 23 (ANG) - As Nações Unidas enviaram questões ao Governo da Guiné Bissau sobre as medidas de protecção ao advogado Marcelino Intupé após ter sido espancado na sua casa e pede ao país para detalhar todas as medidas legislativas para proteger a acção dos advogados sem ameaças nem restrições na sua actividade profissional.

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos   questionou no final de Dezembro a Guiné-Bissau sobre o espancamento do advogado Marcelino Intupé, tornando esta semana públicas as perguntas enviadas ao Governo deste país já que não houve, até agora, resposta.

Marcelino Intupé, comentador político e advogado, ficou responsável pela defesa dos acusado no caso da tentativa de golpe de Estado que decorreu em Fevereiro de 2022 no Palácio Presidencial, em Bissau. Em Novembro de 2022, Marcelino Intupé foi vítima de espancamento na sua casa, tendo identificado pelo menos um dos agressores. Pouco tempo depois, o advogado foi vítima de outro ataque, a tiro, junto à sua casa, tendo saído ileso.

Esta carta relembra os factos vividos por Marcelino Intupé e descreve como advogado chegou a identificar um dos seus atacantes como Tcherno Bari, chefe de Segurança do Presidente da Republica, Umaro Sissoco Embaló.

Nas questões enviadas à ministra dos Negócios Estrangeiros guineense, Suzi Barbosa, a relatora especial para a indpendência dos juízes e advogados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Margaret Satterthwaite, pede mais informações sobre o caso de Marcelino Intupé, pede detalhes sobre a protecção oferecida pela Guiné-Bissau a este adbogado  assim como detalhes sobre a protecção dada em geral pelas autoridades do país para o exercício livre da profissão de adovgado.

Na missiva de seis paginas enviada pelas Naçoes Unidas ao Governo da Guiné-Bissau, esta organização diz-se "seriamente preocupada" com o assédio, assim como os ataques e violência contra Marcelino Intupé que apenas "cumpria o exercídio legítimo das suas funções como advogado" e intervindo "na sua liberdade de consciência e de expressão".

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos avisa que caso estas alegações sejam confirmadas, constituem "uma violação das garantias que beneficiam os advogados ao exercer as suas funções profissionais sem ameaças"  e também de "uma violação das garantias de igualdade" perante as jurisdições. ANG/RFI