quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Protecção Civil




Serviço de Bombeiros regista 10 mortos por incêndios de Maio à Outubro 

Bissau,  23 Out 13-(ANG)- O Serviço Nacional dos Bombeiros registou dez mortos por acidentes de incêndios durante o período de  Maio ao Outubro do ano em curso, soube a  ANG através do Comandante adjunto do referido serviço.

Anselmo da Silva disse que a intervenção do Serviço de Bombeiros ao longo da época da chuva, mais precisamente entre os meses de Maio e Outubro foi positiva, embora com falta de recursos humanos e meios técnicos

Anselmo ainda disse que , neste momento, os seus serviços se deparam com dificuldades para fazer face ao aumento da densidade populacional na Guiné-Bissau,  particularmente nas cidades de Bissau e Gabú.

 “O Governo deve observar muito bem o sector de Bombeiro dada a sua importância, porque sem esses serviços não haverá industrialização propriamente dita nem investimentos de grandes empresários por causa da insegurança de Incêndio”, alertou. 

O Serviço dos Bombeiros registou de Maio à Outubro do ano corrente, em Bissau e no interior do país, 25 incêndios, 2 caídos de poços, 10 mortos por incêndios, 4 acidentes de viações, 13 transportes de doentes, 37 assistências funerárias, e 1 Inundação.

 ANG/PFC/SG




terça-feira, 22 de outubro de 2013

Bia governação


“Depois das eleições, ONU colocará técnicos do FMI nas Finanças, e outros departamentos”, afirma José Ramos-Horta

Bissau, 22 Out. 13 (ANG) - O Representante Especial do Secretário-Geral e Chefe do Gabinete Integrado das Nações Unidas de Apoio à Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) anunciou sexta-feira, em Bissau, que depois de realizadas as eleições gerais no país,as Nações Unidas irão colocar técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Ministério das Finanças, para a gestão das finanças públicas.

De acordo com José Ramos-Horta, a medida será extensiva às Direcções gerais das  Alfândegas e Administração dos Portos da Guiné (APGB) e citou exemplos disso que estão a ser feitos no mundo e por ser uma iniciativa de sentimento generalizado dos organismos internacionais na Guiné-Bissau.

“Nas finanças públicas, terá ali seis técnicos internacionais do FMI a trabalhar com o ministro das Finanças, as alfândegas de Bissau, o Porto de Bissau a entregar a um grupo inglês chamado Crown , ele faz a gestão da alfândega e do porto, vocês vão ver, o país vai começas a fazer muito mais receitas”, precisou.

“E, isso não é novo. Países maiores que a Guiné-Bissau fazem-no. Na Indonésia, o porto de Djakarta, mil vezes maior que o da Guiné-Bissau e foi mil vezes mais corrupto, o que é que fizeram? Touxeram uma empresa da Suiça para gerir o porto de Djakarta”, destacou.  

Foi nesse sentido que o diplomata timorense ao serviço das NU na Guiné-Bissau anunciou que a comunidade internacional disponibizará o número de técnicos necessário para negociar com o executivo que sairá das urnas.

“A minha receita – recomendação para a Guiné-Bissau é  esta: depois das  eleições, assinar acordos com a ONU, com o Banco Mundial, o FMI, a União Africana, a CEDEAO e países amigos para colocarem técnicos internacionais em número que fôr necessário – negociações com o governo desde A a Z”, recomendou.

Ramos-Horta avisou que, se isso não fôr feito, depois das eleições tudo continuará na mesma.

“Tudo isso tem que ser pensado. Por que senão, vai haver eleições, vai haver um novo governo, nada vai mudar. Os professores continuam a não ser pagos, as alfândegas vão continuar a produzir dinheiro, mas não vai para os cofres do Estado, ficará – não sei,  com o ministro ou com a esposa do ministro ou a tia do ministro, os primos.

Muitos portos americanos estão nas mãos de singapurenses a gerir os portos. Mas não é uma questão de vergonha não. Faz-se assim mesmo. No meu país, em Timor-Leste, o nosso porto é dos que mais mal funciona.

Não é por corrupção, é por preguiça. O pessoal entra as oito da manhã e sai às cinco da tarde, enquanto há trinta barcos a espera lá fora”, referiu.

Para se sair desta situação, de forma definitiva, Ramos-Horta propôs que os guineenses abandonem práticas do passado, onde quem ganhava, ganhava tudo e aquele que perdia, perdia tudo passando a ser tratado como cidadão de segunda classe.

“As vossas excelências têm uma oportunidade única – uma janela aberta para realizarmos as eleições , formar um novo governo, mas um governo abrangente. Os irmãos da Guiné-Bissau têm que abandonar aquela cultura prática do passado – quem ganha, ganha tudo e quem perde é tratado como cidadão da segunda classe”, lamentou Ramos-Horta.

“O partido que ganhar, convida o segundo, o terceiro, o quarto e o Presidente da República e o primeiro-ministro têm que colaborar”, recomendou.

Em relação aos militares, José Ramos-Horta disse que estes se tornam vulneráveis logo que eles estiverem metidos na política.

“Militares, se é militar, ele está no quartel, trata da saúde dos seus homens e das suas mulheres nos quarteis, e não estão metidos na política ninguém os critica. Quando nós nos metemos na política, somos vulneráveis.

Se as forças armadas estão mesmo neutrais, estão nos quartéis cumprindo a constituição que é a defesa das fronteiras, da soberania do país, da integridade  territorial, e o povo estará todo atrás, porque o povo, o consenso que existe no povo é isso – a nossa independência é intocável, sagrada, as forças armadas estão para isso”, defendeu.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Política



Ex-ministra da Justiça da Guiné-Bissau eleita líder do Partido Unido Social Democrata

Bissau, 21 Out. 13 (ANG) - A antiga ministra da Justiça da Guiné-Bissau, Carmelita Pires, é a nova líder do Partido Unido Social Democrata (PUSD) com o qual pretende chegar à chefia do Governo a sair das próximas eleições legislativas, anunciou a dirigente.
A nova líder do PUSD foi eleita no segundo congresso do partido, realizado no sábado, em Bissau, no qual foi a única candidata, escolhida com 264 votos dos 274 delegados participantes no conclave.
Em declarações à imprensa, Carmelita Pires disse que não se vai candidatar à presidência do país, mas já tem ideias para governar depois das eleições gerais que deseja ver organizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
«Defendemos que as eleições gerais sejam organizadas e realizadas pela ONU», afirmou à Lusa Carmelita Pires, que quer ainda uma «refundação do Estado» guineense a partir das eleições gerais marcadas para 24 de Novembro, mas que devido a diversos atrasos deverão ser realizadas numa nova data.
Para já, a antiga governante pretende reorganizar o seu partido, que já foi a terceira força política na Assembleia Nacional Popular (ANP), com 17 deputados, embora hoje não tenha nenhuma representação parlamentar.
Se o PUSD vencer as próximas eleições e com Carmelita Pires na chefia do Governo, a dirigente promete ter como «apostas fortes» a Educação, a Saúde e a Segurança Social.
Ministra da Justiça da Guiné-Bissau entre Março de 2007 e Abril de 2008, a presidente do partido esteve até Novembro de 2012 na Nigéria a desempenhar as funções de conselheira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o combate à droga.
Terceira mulher a liderar um partido político na Guiné-Bissau, depois de Antonieta Rosa Gomes (Fórum Cívico Social Democracia) e Francisca Vaz Turpin (União Patriota Guineense), Carmelita Pires notabilizou-se no combate aos estupefacientes no país.
Na ocasião, recebeu várias ameaças de morte dos supostos narcotraficantes, mas continuou a defender que é necessário para o país um combate permanente ao tráfico de droga e à impunidade.
Licenciada em Direito pela Faculdade de Coimbra e mestra em ciências jurídicas e políticas pela Faculdade de Direito de Lisboa, Carmelita Pires nasceu a 16 de Novembro de 1963 em Bissau.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Internacional




Mundo moderno tem milhões de escravos




Bissau, 18 Out. 13 (ANG/Jornal de Angola) - Pelo menos 29,8 milhões de pessoas vivem como escravos em todo o mundo, quase metade na Índia, revela o novo Índice Mundial de Escravidão, publicado em Londres pela ONG Walk Free Foundation.

O documento refere que entre os 20 países com a pior posição, 14 são africanos e que 75 por cento dos escravos vivem na Ásia.

A Índia tem quase 14 milhões de escravos, mas a Mauritânia é o país com maior número de escravos em relação à população, com 160 mil pessoas escravizadas num total de 3,8 milhões de habitantes, o que significa que quatro por cento da sua população vive em regime de escravidão, indica o relatório. 


Os dez países com maior número de escravos são Mauritânia, Haiti, Paquistão, Índia, Nepal, Moldávia, Benin, Costa do Marfim, Gâmbia e Gabão. Em termos absolutos, os países com mais escravos são Índia (13.956.010), China (2.949.243), Paquistão (2.127.132), Nigéria (701.032), Etiópia (651.110) e Rússia (516.217). 


O índice classifica 162 países de acordo com o número de pessoas em condições análogas à escravidão, risco de escravização e força das reacções governamentais a essa actividade ilegal. 


Refere igualmente que as pessoas escravizadas são traficadas por quadrilhas para exploração sexual e trabalho não qualificado. 


Índia, China, Paquistão, Nigéria, Etiópia, Rússia, Tailândia, República Democrática do Congo, Mianmar e Bangladesh respondem por 76 por cento dos 29,8 milhões de casos de escravidão estimados no mundo, refere o relatório daquela ONG, que diz que a corrupção, e não a pobreza, é a maior causa da escravidão, e recomenda leis para impedir a acção do crime organizado.


O primeiro país latino-americano no ranking é o Haiti, que está  em segundo lugar, imediatamente atrás da Mauritânia. Também aparecem na lista de países onde há vítimas da escravidão o Peru (65º), Suriname (68º), Equador (69º) e Uruguai (72º).  Os países das Caraíbas, refere o relatório, mostram um risco menor de escravidão. “O Haiti é um caso especial na região fruto de uma história de mau governo e de um forte legado de escravidão e de exploração”, explica o relatório que acompanha o índice.


A ONG espera que o índice anual ajude os governos a vigiar e controlar o problema. “Surpreende muita gente ouvir que a escravidão ainda existe”, disse o director da organização, para quem “a escravidão moderna reflecte todas as características da antiga”.


Nick Grono afirmou que “as pessoas são controladas pela violência. São enganadas, ou forçadas a trabalhar, ou são colocadas numa situação em que são exploradas economicamente e não são livres para ir embora”, explicou.


Acrescentou que a definição de escravidão usada como base para o relatório inclui não apenas a tradicional, “mas também práticas similares, como casamentos forçados, venda, ou exploração infantil”.


O investigador Kevin Bales espera que o índice consciencialize a opinião pública e pressione os governos a agir mais. “Quando analisamos as estatísticas verificamos que a corrupção é mais poderosa do que a pobreza na condução da escravidão", disse Bales, professor de escravidão contemporânea no Instituto Wilberforce para o Estudo da Escravidão e da Emancipação da Universidade de Hull. “Fundamentalmente, isso é uma questão de crime violento”, acrescentou.


Greve




Segundo dia de paralisação de órgãos públicos

Bissau, 18 Out 13 (ANG) - Os jornalistas e técnicos de órgãos de comunicação social pública observam hoje o segundo dia de uma paralisação de quatro dias convocada pelo Fórum dos Comités Sindicais de Base dos trabalhadores da Agência de Notícias da Guiné-ANG, jornal Nô Pintcha e da Radiodifusão Nacional-RDN.

Os trabalhadores exigem o pagamento de dois meses de subsídios devidos e referentes aos meses de Agosto e Setembro do ano em curso.

Os referidos subsídios foram instituídos como complemento ao salário, no âmbito de um acordo estabelecido entre os referidos comités sindicais e o governo, em 2010.

Segundo fontes ligadas à Secretaria de Estado da Comunicação Social, o Director-Geral da Comunicação Social, Humberto Monteiro está a diligenciar junto das Finanças o pagamento dos subsídios em causa.

Por seu lado, a Televisão da Guiné-Bissau (TGB) observou quinta-feira uma greve, reivindicando igualmente pagamento de salários em atraso e melhoria das condições de trabalho. 

Segundo Alexandre Dias, vice-presidente do comité sindical dos trabalhadores da TGB estão em causa três meses de subsídios, e a necessidade de definição dos estatutos da TGB.

ANG/SG