terça-feira, 8 de julho de 2014

Entrevista ao Jornal de Angola




“Única alternativa é o trabalho árduo”, diz Presidente Mário Vaz

Bissau, 08 Jul 14 (ANG)- O novo Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, considerou Angola um país fundamental na tarefa que tem sobre os ombros de conduzir o seu país a porto seguro e devolver a esperança ao povo guineense, maltratado ao longo de décadas por sucessivas crises políticas.

Pela primeira vez em Angola como Chefe de Estado, não escondeu a boa impressão com que ficou e garante que a Guiné-Bissau vai estar na primeira fila para apoiar a candidatura de Angola a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. No plano interno, o “Vinte e Cinco”, como ficou conhecido quando foi ministro das Finanças, prometeu ser um reforço do Governo para a mobilização de recursos, tecnologias e parceiros no combate à pobreza.

Jornal de Angola - No discurso de tomada de posse pediu aos guineenses que estão no estrangeiro para regressarem ao país. Até que ponto espera ter êxito no apelo que fez?

José Mário Vaz -
Fiz esse apelo porque eu próprio sou fruto da imigração. O meu pai esteve 30 anos em França e sei o que passam as pessoas que estão fora da terra que os viu nascer. Conheço muito bem essa situação e o caso da Guiné-Bissau é muito especial. Após a guerra de 1998, dois barcos tiraram guineenses de Bissau e levaram as melhores cabeças. A partir dessa altura, o país ficou mais pobre, porque formar um homem não é fácil, leva tempo e exige muito sacrifício da própria pessoa e também do país. Na difícil situação em que nos encontramos, precisamos de mão-de-obra qualificada e de gente melhor dotada. Por isso, fizemos o apelo para pedir aos guineenses que regressem. Que venham dar a sua contribuição para juntos tirarmos o país da difícil situação em que se encontra.

JA - Acredita que vai ser fácil?

JMV -
Sei que não, sobretudo para as pessoas que estão bem no país de acolhimento, pessoas que têm emprego, a sua família constituída e os filhos ainda a estudar. Mas espero que a Guiné fale mais alto, porque o avanço de qualquer país faz-se em função dos seus recursos humanos e nós temos a certeza absoluta que os guineenses na diáspora são, muitos deles, homens altamente qualificados e de que o país precisa neste momento. Vão ouvir a voz da Pátria e regressar.

JA - Tem algum plano para os atrair?

JMV -
Temos de desenvolver um projecto à volta do qual contamos estabelecer parcerias que nos vão ajudar a levar esses nossos compatriotas de volta para a Guiné-Bissau. Há muitos guineenses em dificuldades, sem documentos, chegaram sem vistos, sem autorização de residência, e estão a sofrer. A esses vai ser mais fácil convencer a regressar, porque se tiverem de sofrer no estrangeiro, que venham e soframos juntos na nossa terra. Há os que estão aqui e estão muito bem. Vai ser difícil convencê-los a regressar.

JA - Foi essa a impressão com que ficou no encontro que manteve com a comunidade guineense em Angola?

JMV -
Senti que a comunidade gosta de estar em Angola. Alguns até dizem que Angola é a segunda pátria deles. Mas a comunidade também está a braços com o mesmo problema: a falta de documentação. Nós, sobretudo o Governo, depois de tomar posse, vamos fazer tudo para ajudar a normalizar a situação. Eles gostam de cá estar e nós estamos satisfeitos com a forma como manifestaram esse sentimento, mas estão preocupados por estarem sem documentação. Essa matéria já entra no campo das nossas relações bilaterais. Depois da tomada de posse, o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros vai trabalhar com o ministro das Relações Exteriores de Angola para solucionar esse problema. Quem não conseguir, o país vai estar sempre de braços abertos para o receber.

JA - O problema guineense é a pobreza extrema e não a cíclica instabilidade política?

JMV -
Nós temos um semi-presidencialismo, em que o Primeiro-Ministro é, no fundo, o responsável pela gestão corrente do país, enquanto o Presidente da República tem de zelar pelo respeito escrupuloso da Constituição da República. Mas temos consciência que o Governo sozinho não pode resolver o problema da Guiné-Bissau. Todas as instâncias do poder, todas as instituições da República têm de se unir para pôr o país a funcionar. Durante a campanha eleitoral percorremos o país de lés-a-lés e vimos as dificuldades com que as pessoas se deparam. Constatei situações que, sinceramente, nunca imaginei. Dizer que fiquei chocado, talvez fosse usar um termo demasiado forte, mas o que senti ao ver aquele cenário nas nossas comunidades do interior não deve andar muito longe desse termo.

JA - Ficou sensibilizado?

JMV -
Altamente sensibilizado. Daí a minha determinação: temos de resolver o problema da pobreza. Há que atacá-la! E falo assim porque fui ministro das Finanças e também presidente da Câmara Municipal de Bissau, portanto, estive sempre onde há problemas. Garanto que o Presidente da República vai ajudar o Governo a resolver esse problema.
 Prometi que começava uma presidência aberta pelo sul, onde procurarei ajudar a população a resolver o problema do arroz. Deixei 16 projectos antes da minha saída do Ministério das Finanças, todos destinados a cooperativas para trabalharem exclusivamente a nível do arroz. Vou ter uma reunião esta semana para saber em que estado se encontra o projecto, que estava a ser financiado pelo Banco de Desenvolvimento da África Ocidental. Quando fui o presidente do Conselho de Ministros da União, falei com o presidente desse banco para nos ajudar a resolver o problema do arroz.



JA - Pretende retomar os projectos?

JMV -
Vou saber exactamente a situação desses projectos, na certeza que com o pouco ou nada que tenho, vou contribuir no sul, outorgando um prémio ao melhor lavrador de cada zona. O que pretendo transmitir é que não temos outra alternativa senão o trabalho. O guineense deve meter na cabeça que a única forma de combater a pobreza é arregaçarmos as mangas e deitar mãos à obra. Temos de trabalhar para pôr a nossa economia a funcionar. Com o pouco da minha experiência vou dar a minha contribuição para reforçar a capacidade do Governo de mobilização de recursos e de tecnologias e parceiros, para fazer face a esse problema, porque a pobreza é um dos grandes males de África e tem de ser atacada.

JA - Quais as suas expectativas em relação ao agora criado Fórum dos PALOP? Como pode servir os seus propósitos à frente da Guiné-Bissau?

JMV -
O Fórum, no qual tive a honra e o prazer de participar em Luanda, é extremamente importante para nós. É muito mais do que um espaço de concertação entre os Presidentes. É o diálogo entre países, aproveitando as potencialidades de cada um, porque juntos e unidos podemos fazer dos nossos países sociedades de futuro. É verdade que a Guiné-Bissau ainda está muito longe em relação aos outros. Por onde passámos durante a campanha vimos que o nosso país parece ter parado no tempo. Mas estamos aqui para recuperar o tempo perdido. O Fórum serve precisamente para isso: troca de impressões, partilha de ideias que possam ajudar essencialmente os países africanos de expressão portuguesa. Vamos aproveitar sobretudo a experiência daqueles que estão mais avançados, como Angola, que, quer queiramos quer não, já deu um passo extremamente importante e deve servir de exemplo. Seja em que sector for, antes de atacar, temos de vir ouvir a experiência de Angola. Enquanto Presidente da República da Guiné-Bissau vou dar o meu melhor e se tudo depender realmente de mim e da Guiné-Bissau, garanto que o FORPALOP vai estar sempre lá em cima. Esse é o espírito que anima a todos os chefes de Estado e de Governo que assinaram o documento constitutivo do Fórum dos PALOP.

JA - Que lugar ocupa Angola na política externa da Guiné-Bissau?

JMV -
Em termos estratégicos, Guiné-Bissau e Angola precisam apenas de dinamizar um programa de cooperação que, na verdade, já existe. Acabo de chegar à Presidência da República, preciso de mais algum tempo para conhecer todos os dossiers. Depois disso, não tenho dúvida alguma de que Angola é um país fundamental para o apoio que a Guiné-Bissau precisa. Esperamos poder contar com Angola, sobretudo neste momento tão difícil para a Guiné-Bissau. Depois de conhecermos os dossiers com certeza vamos ter uma posição mais clara relativamente à cooperação entre a Guiné-Bissau e Angola.

JA - Com que impressão ficou de Angola durante esta visita?

JMV -
Estou profundamente satisfeito e feliz por estar em Angola. Confesso que vi coisas que não esperava ver. Coisas muito bonitas, muito simpáticas. Quando um país africano, que tem a trajectória que Angola teve, começa a erguer-se com toda esta força, dá vontade de dizer bem alto: sou africano e com muito orgulho por ser da lusofonia e por ter estado em Angola.


JA - Qual a posição do seu país em relação à candidatura de Angola a membro não permanente do Conselho de Segurança?

JMV -
Nem era preciso perguntar. A Guiné-Bissau vai estar na primeira fila a apoiar Angola nesta eleição. Esta eleição representa um orgulho para o continente africano.

Perfil


José Mário Vaz é conhecido na sua aldeia natal, Calequisse,  pelo nome de Zeca Upa Caio, que significa “rapaz de Caio”, no dialecto manjaco. Nasceu de uma família humilde na morança de Pdsea, que no dialecto manjaco significa “o que fica abaixo”. Em Calequisse, pessoas que o conheceram na infância disseram que  jamais imaginaram que um dia o menino “Zeca Upa Caio” ia chegar ao mais alto cargo do Estado guineense.
O filho de Mário Vaz e de Amélia Gomes era tímido e mantinha-se sempre afastado dos colegas nas brincadeiras na sua tabanca. Quem o diz é a colega de infância Maria da Costa, 59 anos. Não foi  daqueles  filhos que se recusam a levantar de manhã cedo para  ir trabalhar com o pai.
O discurso de investidura que proferiu teve um momento intimista, no qual dedicou o êxito da sua luta à mulher, Rosa, “amiga e companheira de sempre” e “detentora” da sua felicidade, e aos filhos Herson, Acury e Ariana, a sua “motivação e razão maior da esperança que o faz acreditar que os desafios valem a pena”.
Como ministro das Finanças deixou marca. É recordado como extremamente exigente no trabalho. Chegou a pedir aos funcionários das Alfândegas que arrecadassem não apenas 100 por cento das receitas previstas, mas sim muito mais que isso, 150 ou 180 por cento. Também ganhou notoriedade por ter pago pontualmente os salários da função pública, enquanto no plano externo concluiu o processo de perdão da dívida pública guineense, contraída perante credores internacionais. O pagamento a tempo aos servidores do Estado valeu-lhe a alcunha de “Homem de 25”, porque todos os dias 25 os salários eram pagos, impreterivelmente.Fim

Novo Governo



Maioria já em funções

Bissau, 08 Jul 14 (ANG) - Pelo menos mais três ministros da equipa liderada por Domingos Simões Pereira entraram hoje em funções, depois de terem recebido os respectivos gabinetes e dossiers nas mãos dos seus antecessores que vinham desempenhando as mesmas funções transitoriamente.

Tratam-se dos Ministros da Comunicação Social, da Função Pública e Reforma Administrativa e da Saúde nomeadamente Agnelo Regala, Admiro Nelson Belo e Valentina Mendes.

Entretanto, vários membros do novo Governo iniciaram funções segunda-feira com o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, João Aníbal Pereira, a anunciar "um vasto" programa de reflorestação do país. 

Ao receber as chaves do gabinete, a viatura do serviço e os dossiers, Aníbal Pereira, disse que o país precisa "urgentemente de lançar um vasto" programa de reflorestação para fazer face ao corte de árvores registado nos últimos dois anos.  

Varias zonas da Guiné-Bissau, entre a floresta virgem, comunitária como parques naturais, foram alvo de cortes por madeireiros nacionais e de países vizinhos, que as vendem a compradores chineses.  

As novas autoridades, o presidente José Mário Vaz, o líder do Parlamento, Cipriano Cassamá e o primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, já anunciaram que vão tomar medidas no sentido de punir os responsáveis por aquilo que muitos consideram de "destruição abusiva" do parque florestal da Guiné-Bissau.

O novo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, prometeu também lançar uma estratégia guineense para a produção da cebola e batatas para que o país deixe de importar estes produtos.  

Entre os governantes que iniciaram segunda-feira as funções está o próprio primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, que, ao receber as pastas das mãos do cessante Rui de Barros, reafirmou o compromisso do seu Governo "em promover a mudança efectiva" no país dentro de quatro anos.  

Além do ministro da Agricultura, também já se encontram em plena função os ministros do Comercio, da Administração Interna, da Justiça e da Mulher e Coesão Social.  

Os secretários de Estado dos Transportes e Comunicações, da Juventude, Cultura e Desporto, bem como o do Ambiente, também já estão em funções.

Liberdade

   

Manel Mina sai da delegação da União Europeia

Bissau, 06 jul 14 (ANG) - O antigo chefe do Estado-Maior general da Força Aérea da Guiné-Bissau, general Manuel Milcíades Fernandes, que se encontrava refugiado na sede da União Europeia, em Bissau, há perto de dois anos, saiu domingo das instalações, em liberdade.

Em nome do Governo empossado em funções na sexta-feira, o secretário de Estado da Ordem Pública, Doménico Sanca, afirmou que a restituição de liberdade ao general conhecido no país por Manel Mina se enquadra no retorno à normalidade na Guiné-Bissau.
O general Manel Mina refugiou-se na sede da União Europeia, em 2012, na sequência de desentendimentos com as chefias militares que, entretanto, tinham protagonizado um golpe militar contra o governo do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

O general também é acusado, pela chefia do Exército, de estar envolvido na morte à bomba do antigo chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, embora o caso ainda não tenha sido julgado em tribunal.

O oficial refugiou-se na sede da União Europeia por se sentir ameaçado.
Ao sair da representação da União Europeia, sem ser detido, hoje, após 21 meses, Manel Mina afirmou sentir-se "feliz".

"É um dos momentos mais felizes da minha vida. Agradeço à União Europeia pelo acolhimento que me deram", disse o general, que ainda se considera quadro das Forças Armadas, por nunca ter sido exonerado.

O novo secretário de Estado da Ordem Publica da Guiné-Bissau, Doménico Sanca, observou, por seu turno, que a restituição da liberdade ao general "é também a retoma da autoridade do Estado".



Doménico Sanca prometeu encetar várias medidas para a "normalização efectiva" do país.

LUSA

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Desporto

Timor doa 62 milhoes de CFA para apoiar Seleção Nacional de Futebol da Guiné-Bissau

Bissau,07 de Jul.14(ANG)- O Governo de Timor Leste disponibilizou mais de sessenta e dois milhoes de francos de  CFA para financiar a deslocação, no dia 19 deste mês, da Selecção Nacional de Futebol da Guiné-Bissau a Botswana para o jogo da primeira mao da segunda pre-eliminatoria da taça de Africa de Nações a decorrer em 2015 em Marrocos.

A informação consta de uma nota da Agência de Cooperação daquel país asiatico a que a ANG teve hoje acesso.

De acordo com o documento, o financiamento vem na sequência de pedido formulado pelos jogadores e equipa técnica da selecção de futebol da Guiné-Bissau ao primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, aquando da sua visita de trabalho à Guiné-Bissau em junho último.

“O apoio insere-se no âmbito da ajuda humanitária do governo de Timor-Leste ao povo irmão da Guiné-Bissau”, esclarece a nota.

O encontro da segunda mão da segunda pre-eliminatoria da Taça de Africa de Nações está previsto para o dia 1 de Agosto.


ANG/JD/JAM

Entrega de Pastas

“Trabalho é a prioridade para desenvolver qualquer sector”, diz nova Ministra da Solidariedade

Bissau, 07 de Jun. 14 (ANG) – “A Prioridade para desenvolver qualquer sector administrativo, depende da força de vontade dos seus funcionários”, lembrou a nova Ministra da Mulher, Família e Coesão Social que pediu seriedade aos trabalhadores daquele departamento no exercício das suas actividades.

Nhama Bilony Nhassé que falava hoje na cerimónia de entregqa dos dossiers do ministério pediu a colaboração de todos, pois, como disse, a união faz a força, pelo que com a vontade de todos no trabalho é que se pode mudar a actual situação.

“O que me interessa é obter bons resultados, portanto estou disposta ao diálogo e a ouvir conselhos. Vocês conhecem bem a casa, sou nova aqui, portanto vou precisar da vossa ajuda a fim de fazer algo de melhor para o país”, reconheceu Nhama Bilony Nhassé.

A Ministra cessante da Mulher, Família e coesão social Gabriela Fernandes advogou um tratamento justo para os funcionários da “casa” que acaba de deixar e, utilizando o termo “filhos” para os referir, elogiou-os como sendo “capazes e honestos” e que só necessitam de um dirigente capaz.

Referindo-se ao período de 2 anos em que esteve a testa deste ministério, Gabriela Fernandes qualificou-o de difícil e insuficiente para fazer algo tão importante, no entanto, destacou ter feito o mínimo e ao seu alcance.

“Sou um pouco rigorosa, mais ela é muito mais que eu. As vezes ela brinca como também brinco muitas das vezes”, gracejou a ministra cessante que exortou aos funcionários a ajudarem a nova titular nesta sua nova tarefa e contribuir assim para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

ANG/AALS




Saúde


Hospital “Raoul Follereau” sem luz e água

Bissau, 04 Jul.14 (ANG) – O Hospital “Raoul Follereau”, centro de referência no tratamento da tuberculose no pais e na sub-região, depara com problema de abastecimento de energia e agua, para responder as necessidades dos doentes ali internados.

Em declarações exclusivas à Agência de Noticias da Guiné (ANG), o Representante da ONG italiana Ajuda, Saúde e Desenvolvimento (AHEAD), entidade que assumiu a gestão daquela unidade hospitalar desde Outubro de 2012, explicou que a responsabilidade do abastecimento da energia eléctrica e agua foi assumido pelo executivo, facto que entretanto não está a acontecer.

“O Hospital está a funcionar apenas com o fornecimento da luz da EAGB, que como todos sabem, acontece de forma irregular, o que põe em risco a conservação dos alimentos para os doentes”, lamentou.

Para o representante da AHEAD, a esperança reside agora na nova Ministra da Saúde, a quem espera que venha a adquirir um grupo gerador para tornar o Hospital mais autónomo.

Entretanto Mamadú Saliu Sanha classificou de positivo o balanço das actividades até levadas a cabo pela sua ONG.

“Desde que chegamos aqui, o Hospital tem estado a crescer em todos os níveis”, reconheceu tendo revelado que irão implementar em breve um projecto de busca activa de pacientes de tuberculose para efeitos de  tratamento.

A medida, segundo Saliu Sanhá visa reduzir o aumento de casos da doença e aliviar assim a população do pesado fardo financeiro que os doentes da tuberculose impõe aos seus familiares. Enfim, pensamos reduzir a pobreza e dar um impulso ao processo do desenvolvimento do pais

“È um projecto que tem os seus custos porque exige a deslocação da nossa equipa médica ao terreno”, informou acrescentando que para o tratamento da tuberculose os pacientes não pagam nada.


O Hospital Raoul Follereau conta com 108 camas, 70 por cento das quais são exclusivamente reservadas às mulheres e crianças.

ANG/ÂC/JAM





Novidades




Novo Governo de Inclusão

Bissau, 5 Jul 14 (ANG)- O novo governo da Guiné-Bissau constituído de 32 elementos integra elementos do PAIGC, vencedor das legislativas, do Partido da Renovação Social(PRS), do Partido da Convergência Democrática(PCD) do Partido Unido Social Democrata(PUSD), da União Para a Mudança e ainda uma senhora oficial militar no activo, a quem foi confiada a pasta da Defesa Nacional.

O elenco dirigido por Domingos Simões Pereira conta com seis mulheres e seis  membros do anterior executivo de transição.

Com a excepçäo do PRS, o maior partido na oposição, os restantes integrantes do executivo pertencem à formações politicas que apoiaram a candidatura de José Mário Vaz ,na segunda volta das Presidenciais.

Trata-se da primeira vez na história democrática guineense que um partido ganha eleições com maioria absoluta mas integra no elenco governamental elementos dos partidos da oposição derrotados nas eleições.

Comparativamente ao anterior executivo o elenco de Domingos Simões Pereira tem o mesmo número de efectivos.

A grande novidade do novo executivo é a fusão dos ministérios da economia e finanças, entregues ao Geraldo Martins.

Martins que chegou de desempenhar o cargo de ministro da educação, era   até a data de sua nomeação, funcionário do Banco Mundial.

A comunicação social que nos anteriores executivos ou era  integrado no Ministério da Presidência do Conselho de ministros ou tutelado por uma secretaria de Estado ganhou deste vez um ministério cujo titular é, Agnelo Regala, jornalista de formação e proprietário de uma radio privada.

Nelo Regala exerceu no passado, em varias ocasiões, as funções de secretario de estado da comunicação social.

Muitos ministros estão de regresso às funções que no passado desempenharam. 

É o caso de José António da Cruz Almeida, de novo ministro das  Obras Publicas, Construções e Urbanismo, Odete Costa Semedo, ministra da Educação, Carmelita Pires, ministra da Justiça, Daniel Gomes, ministro dos Recursos Naturais, Tomásia Manjuba, secretária de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais, José Djo, secretário de Estado do Tesouro e Idelfrides Gomes Fernandes, secretário de Estado da Cooperação Internacional e das Comunidades. 

Os novos membros do governo que tem  um mandato de quatro anos foram investidos nas funções, sexta-feira numa cerimonia presidida pelo presidente da Republica, José Mário Vaz. 

ANG/SG
.

sábado, 5 de julho de 2014

Novo Executivo

Novo governo não se limita ao PAIGC

Bissau, 05 Jul 14 (ANG) - O novo Governo da Guiné-Bissau liderado pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), que tem a maioria absoluta, inclui representantes do PRS (Partido da Renovação Social), de pequenas forças partidárias e independentes.

Entre os 16 ministros e 15 secretários de Estado do Governo liderado por Domingos Simões Pereira – cuja composição foi na tarde desta sexta-feira anunciada por decreto presidencial – está o secretário-geral do PRS, Florentino Mendes Pereira, como ministro da Energia e Indústria.

A segunda figura do executivo é Baciro Djá, que ocupará a pasta da Presidência e Assuntos Parlamentares. O ministro da Economia e Finanças é Geraldo Martins, que foi ministro da Educação entre 2001 e 2003 e quadro do Banco Mundial. Os Negócios Estrangeiros foram confiados a Mário Lopes da Rosa, membro do PAIGC e ministro das Pescas do governo de transição, que agora cessa funções.

A delicada pasta da Defesa foi entregue a uma mulher, Cadi Mané, médica militar. Carmelita Pires, do pequeno Partido Unido Social-Democrático, que se distinguiu no combate ao narcotráfico, regressa ao ministério da Justiça, cargo que havia ocupado entre 2007 e 2009.

Na campanha eleitoral, Simões Pereira, 50 anos, antigo secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, tinha confidenciado a intenção de incluir no Executivo políticos não pertencentes ao PAIGC, que nas eleições do passado mês de Abril elegeu 57 dos 102 deputados da Assembleia Nacional Popular.

“Com a minha tomada de posse começa a tocar no sentido regressivo o relógio do período que pedimos para, em quatro anos mudarmos a sorte e o destino desta nação. Que Deus nos ajude e abençoe a Guiné-Bissau”, disse na quinta-feira, quando foi empossado.

A entrada em funções do novo executivo completa formalmente o processo de regresso à democracia, após o golpe de Estado de Abril de 2012.

ANG