quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Líbia



Embaixada nega prática de escravidão contra africanos naquele  país

Bissau, 30 Dez. 17 (ANG) – A Embaixada da Líbia em Bissau considerou hoje de campanha política da comunicação social internacional em relação as imagens divulgadas recentemente e que mostram alegados abusos cometidos por cidadãos líbios contra imigrantes ilegais naquele país do Magreb.
 
Falando em conferência de imprensa, o Encarregado de Negócios da embaixada Líbia em Bissau, Fati El Tabawi disse terem seguido com preocupação a informação veiculada pelo canal televisivo americano CNN, que ilustra a venda por parte de alguns bandos criminosos de imigrantes ilegais, a fim de conseguir alguns benefícios financeiros.

“Independentemente destas notícias serem verdade ou não, o Governo de Consenso Nacional e a Embaixada da Líbia na Guiné-Bissau rejeitam e condenam energicamente estas práticas, disse, salientando que os responsáveis por esses crimes seja qual for as suas nacionalidades devem ser identificados e conduzidos à justiça o mais rápido possível.

Segundo Fati, tais práticas não coadunam com os ensinamentos do Islão e contrariam com a cultura e tradição do povo líbio.

Disse que as leis líbias e internacionais, bem como a Carta dos Direitos Humanos, sendo a Líbia um país multirracial, o que foi veiculado nos órgãos de comunicação social “deturpadores” afecta negativamente ao povo líbio.

“Por esta razão, o Presidente do conselho de Estado da Líbia, deu instruções as entidades de segurança para procederem a averiguação sobre a veracidade dos factos no sentido de perseguirem os criminosos e conduzi-los ao julgamento o mais rápido possível”, frisou Fati El Tabawi.

O Encarregado dos Negócios da embaixada da Líbia na Guiné-Bissau disse que o Governo do seu país reafirma que, caso se comprova os maus tratos ou outras práticas contra os emigrantes clandestinos ou ilegais, não deixam de ser atos isolados e que os seus actores não escaparão à justiça.

De acordo com o diplomata, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional da Líbia lançou um apelo à Comunidade Internacional e a União Africana no sentido de ajudarem este país a combater  “esse perigo” , incluindo um tratamento mais eficaz as reais causas da emigração clandestina.

“O Governo líbio tem a clara consciência de que existem algumas partes regionais que tentam aproveitar estes acontecimentos para implicar a Líbia, a fim de cobrirem  a sua incapacidade com o objetivo de tornar a Líbia num país de destino e acolhimento  de emigrantes clandestinos “,disse.

Fati El Tabawi disse que estão em constante contato com o governo da Guiné-Bissau ,e que até ao momento não têm notícias oficiais da existência de emigrantes guineenses naquele país que se encontra em situação de maus tratos.

Convida à quem tiver informações contrárias para contatar , a embaixada em Bissau para que em conjunto seja diligenciada uma solução. 

O diplomática referiu haver três voos semanais da Líbia para a  sub-região que oeste africana , que poderão ser usados para o transporte de emigrantes para os respectivos países de origem.

 ANG/MSC/JAM/SG


Escravatura



“Libia é só o caso mais visível”, diz investigador
Bissau, 30 Nov 17 (ANG) - As imagens de um mercado de escravos na Líbia, do canal CNN, correram mundo , José Carlos Marques, especialista nas migrações, alerta que "a Líbia é só o caso mais visível".
Vendidos por pouco mais de 300 euros: as imagens de um leilão de migrantes na Líbia correram mundo e continuam a chocar.
José Carlos Marques,investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, sublinhou que “a Líbia é só o caso mais visível” e que um relatório de abril dava conta desituações análogas à escravatura” de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.
Há uma falta de acção concreta face ao conhecimento que se tem dessas situações. Ignora-se as situações durante muito tempo e só quando se tornam públicas e visíveis é que se parece querer fazer alguma coisa”, apontou.
A França pediu uma sessão urgente no Conselho de Segurança da ONU e o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, tinha já admitido que ficou "horrorizado". Para José Carlos Marques, esta é, de facto, uma situação que “não pode deixar de horrorizar”.
É uma situação que não pode deixar de nos horrorizar uma vez que julgávamos que essas situações tinham terminado já há muito tempo. Descobrir que elas continuam a existir e que, provavelmente, são mais correntes e mais praticadas do que nós pensávamos, não nos pode deixar contentes com a evolução que a Humanidade levou nestes últimos anos”, afirmou o investigador.
A escravatura de migrantes deverá ser um dos temas da cimeira Europa-África da próxima semana em Abidjan, na Costa do Marfim, mas o investigador alerta que se as autoridades encontrarem uma medida de “luta contra o tráfico de escravos na Líbia, pode dar origem a que os traficantes de escravos se mudem da Líbia para outro país”.
Mais importante do que elaborar decisões e recomendações e medidas políticas é efectivamente uma acção concertada e prática para resolver o problema na sua globalidade”, alertou.
Para José Carlos Marques, uma sessão urgente no Conselho de Segurança da ONU sobre este tema poderá talvez encetar medidas para resolver essa questão” mas não está “totalmente confiante” devido aos acordos que a União Europeia estabeleceu com a Líbia para conter os fluxos migratórios.
Estamos aqui perante um problema de difícil resolução porque, por um lado, parece só se olhar para a Líbia como um país que poderá servir de fronteira da União Europeia e depois testemunha-se que na Líbia se praticam actos de profunda desumanidade”, adiantou.
Na opinião do investigador, a luta contra o tráfico de migrantes poderia passar pela criação de “canais legais” de migração para a Europa, ainda que admita que não vá ser “tarefa fácil” devido ao ambiente político actual. Por isso, os dirigentes deveriam explicar às populações que “a União Europeia com o seu estado social não consegue sobreviver durante muitos anos se não tiver entrada de migrantes de outros países”.
O especialista das migrações considerou, ainda, como “muito muito pouco” o número de migrantes oriundos da Líbia que França vai acolher - 3.000 até 2019 – face ao Ruanda que vai acolher 30.000.
Os políticos estão imensamente chocados perante estas situações, perante estas imagens, mas depois, em termos de medidas práticas, sã o muito incipientes. Os países menos desenvolvidos – até porque muitas vezes são os países que estão mais próximos das situações de crise – são eles a assumir grande parte do esforço humanitário de acolher migrantes, refugiados e deslocados, quando os países centrais muitas vezes escudam-se perante grandes discursos”, concluiu. 
ANG/RFI

França



Macrom e Condé condenam denuncias de escratura na Líbia
Bissau, 30 Nov 17 (ANG) - O chefe de Estado francês e o presidente em exercício da União Africana reuniram-se  quarta-feira em Paris. Emmanuel Macron e Alpha Condé, respectivamente, condenaram as denúncias de escravatura na Líbia. Ignorar
As crises que abalam o continente negro não deixaram de merecer a atenção dos dois estadistas, a começar pela instabilidade na Líbia e as denúncias de casos de escravatura.
"É um crime contra a humanidade.
É também uma das forma de tráfico mais rentáveis que alimenta as delinquências mais graves e em certa medida as redes terroristas.", disse Macron
O presidente francês exigiu medidas concretas do Conselho de segurança da ONU a este respeito.
Por seu lado, o chefe de Estado da Guiné Conacri denuncia o papel dos europeus neste dossier.
"Achamos que os nossos amigos da União Europeia não tiveram razão ao pedir à Líbia para conservar os imigrantes porque a Líbia não tem meios para tal e atravessa grandes dificuldades. Na Líbia não há governo, logo a União Europeia não pode escolher um país sem governo para lhe pedir que aí retenha os refugiados. Sabemos que a Líbia não dispõe de meios para o efeito", disse Condé. 
ANG/RFI


AMIC



Secretário Executivo pede intervenção do governo para a melhoria da situação das crianças no país

Bissau, 30 Nov 17 (ANG) - O Secretário Executivo da Associação dos Amigos da Criança (AMIC) apelou esta quarta-feira ao governo no sentido de intervir de maneira firme para pôr cobro aos maltratos de que são alvos as crianças do país.

Laudelino Carlos de Medina falava no acto de abertura de um ateliê sobre  “Reforço de Capacidade dos Actores de Protecção da Infância” que hoje se iniciou e que vai decorrer durante três dias.

“Um dos objectivos desse ateliê consiste em debruçar sobre assuntos ligados à crianças vulneráveis em situação de mobilidade”, explicou Laudelino Medina que garantiu que a instituição que dirige jamais ficará de braços cruzados e indiferente perante a situação de violência que se verifica nas crianças guineenses.

Por sua vez, a Presidente do Instituto da Mulher e Criança (IMC), Nhima Sissé considerou a exploração sexual de um fenómeno que transcende uma acção bilateral do Estado.

Sublinhou que as crianças merecem mais atenção uma vez que são futuros dirigentes do país e que o desenvolvimento da Guiné-Bissau dependerá delas.

No ateliê  serão abordados os temas ligados a questão de prevenção da emigração de forma geral e os seus respectivos riscos.

Tomam parte  no evento  elementos da guarda nacional e Organizações nacionais que trabalham ligado aos assuntos de protecção das crianças.

O referido ateliê terá a sua segunda vaga nos dias 5, 6 e 7 do próximo mês onde tomarão parte os funcionários dos Centros de Acolhimento das Crianças vítimas.

  ANG/AALS/ÂC/SG


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

CPLP/Malária


Cabo Verde, São Tomé e Timor-Leste melhores lusófonos no combate à doença – OMS

Bi______________________________________________________________________________________________________________________________ssau, 29 Nov 17 (ANG) – Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste reduziram significativamente em sete anos o número de óbitos e de casos de malária, indica hoje um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a situação do paludismo no mundo.
Sem Portugal no documento, os restantes oito Estados membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, surgem no relatório, com o arquipélago cabo-verdiano a destacar-se pela positiva.
Ainda sem a contabilização dos dados referentes a 2017, Cabo Verde surge no documento como o melhor país lusófono, com uma média inferior a 10 mortes em 2010, 2011 e 2014 e 2016, reportando mesmo zero em 2012, 2013 e 2015.
Segundo a OMS, Cabo Verde tem registado sempre menos de 100 casos por ano (2010, 2013, 2014 e 2016), tendo contabilizado mesmo uma média inferior a 10 em 2011, 2012 e 2015.
Quase idêntico é o cenário em São Tomé e Príncipe que, nos últimos três anos (2014, 2015 e 2016) não registou qualquer morte por paludismo, recenseou menos de 10 em 2012 e menos de 100 em 2010, 2011 e 2013.
No entanto, ao contrário de Cabo Verde, o número de casos médios anuais é bastante elevado, sobretudo o pico de cerca de 12.500 registado em 2012 – vinham a subir desde 2010 (2.700) e 2011 (8.000), descendo progressivamente para 9.000 (2013), 1.800 (2014) e 2.100 (2015), aumentando para 2.200 no ano passado.
Com uma evolução também positiva surge Timor-Leste que, depois de em 2010 ter registado 220 óbitos, desceu para menos de 100 nos dois anos seguintes, para menos de 10 em 2013 e sem qualquer morte desde 2014.
As estatísticas revelam também uma queda abrupta no número de casos de paludismo em Timor-Leste, uma vez que, em 2010, o total foi de 78.800, descendo sucessivamente até 2015 – 27.780 (2011), 7.000 (2012), 1.500 (2013), 400 (2014) e menos de 100 (2015), para registar 120 em 2016.
Desde 2010, ano em que o relatório da OMS utiliza como comparação, o Brasil, o país mais populoso da comunidade lusófona, tem mantido uma constância no número de óbitos, sempre com menos de 100.
A constância do número de mortos contrasta com a forte descida no de casos, pois desde 2010 que não para de descer – 370.000 (2010), 295.000 (2011), 288.200 (2012), 196.700 (2013), 154.100 (2014), 153.000 (2015) e 137.300 (2016).
O mesmo cenário de constância quase acontece na Guiné-Bissau a manter também uma média anual de 600 óbitos ao longo dos sete anos de referência, em que o total de casos desceu entre 2010 e 2015 – 78.400, 72.400, 66.100 55.500, 52.200 e 46.900 -, para voltar a aumentar ligeiramente em 2016, com 47.900.
Com totais de mortes inferiores a mil nos últimos sete anos está também a Guiné Equatorial, embora com variações antagónicas ao longo desse período: dos 500 óbitos registados em 2010, subiu para 700 em 2011, para 800 em 2012 e para 900 em 2013, mantendo uma média anual de 800 desde 2014.
No entanto, o número médio de casos anuais de malária no mais recente Estado membro da CPLP quase duplicou entre 2010 e 2016 – 93.900 (2010), 151.700 (2011), 185.400 (2012), 206.500 (2013), 174.800 (2014), 173.700 (2015) e 178.100 (2016).
ANG/Inforpress/O panorama