segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

CPLP/ Pontos de divergência sobre livre circulação de pessoas vão ser discutidos esta semana

Bissau, 15 Fev 21 (ANG) – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) discute esta semana três aspectos da proposta para a mobilidade sobre os quais os Estados-membros não chegaram ainda a consenso: custos de vistos, certificações académicas e contribuições da Segurança Social.


Estes três temas serão debatidos na próxima reunião da Comissão Técnica Conjunta para a Mobilidade, que vai realizar-se on-line entre quarta e sexta-feira, adiantou à Lusa o embaixador de Cabo Verde em Lisboa, país que tem a presidência rotativa da organização.

Desta reunião deverá sair a proposta final sobre a livre circulação de pessoas no espaço da CPLP.

“Depois haverá um Conselho de Ministros extraordinário, previsto para a segunda quinzena de Março, mas ainda sem data precisa, que terá como principal ponto de agenda a proposta de mobilidade, que se espera já seja a final”, explicou Eurico Monteiro.

“Nós podíamos ter uma solução, que era dizer: ‘não regulamos estas matérias e cada Estado regula conforme entender’. Mas não queremos deixar isto assim e queremos fazer um esforço de conseguir aquilo que é possível”, sublinhou.

Assim, em relação aos títulos, ou vistos de mobilidade, o que está em causa, segundo o diplomata, é que nos instrumentos multilaterais, foi aprovada a regra da supressão das taxas, ou seja, que define que os títulos são gratuitos, só se podendo cobrar o custo do impresso.

“Mas alguns Estados-membros, com algumas dificuldades financeiras, têm alguma relutância em abrir mão dessas taxas, e outros querem que se cumpra o instrumento multilateral, que isentava [de custos] e outros querem um meio termo, querem uma taxa, mas moderada”, explicou.

Já no que respeita aos títulos académicos, o problema reside no facto de, em alguns casos, as competências para a sua atribuição caberem às organizações profissionais e não aos governos ou órgãos legislativos. “E isto é um problema”, disse o embaixador.

O diplomata apontou como exemplo o Brasil, onde as certificações profissionais cabem às ordens profissionais e estas até têm “assento constitucional”.

“Há uma disparidade de regimes jurídicos internos e nós temos de arranjar uma norma conformadora. Porque nós gostaríamos que a mobilidade dos cidadãos pudesse corresponder a mobilidade dos títulos académicos, para ter maior efectividade”, comentou.

Já em relação à Segurança Social, Eurico Monteiro acredita que o consenso “talvez possa ser mais fácil”, ainda assim considera que é preciso “ter algum cuidado”.

O diplomata aponta o exemplo de alguém que vive em Angola, onde desconta para a Segurança Social e que depois faz a mobilidade e vem residir em Portugal.

“A boa mobilidade diz que não deve começar de novo, perdendo aquilo que já tinha”, sublinhou o diplomata cabo-verdiano.

Mas para que esse cidadão não perca o que descontou até ali é preciso que se crie “um esquema de exportabilidade desses créditos de Segurança Social”, sublinhou.

Além disso, é necessário que as entidades do país onde residia e daquele para onde vai viver se entendam, para se perceber como vai ser a pensão, no futuro, que referências a seguir e como vai ser feito o cálculo. “É uma matéria de alguma complexidade”, concluiu.

No último Conselho de Ministros de Negócios Estrangeiros (MNE) da CPLP, que decorreu também em formato virtual, a 09 de Dezembro, foi aprovado um projecto de resolução sobre o acordo de mobilidade, cujo acordo final vai ser aprovado na cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, prevista para Luanda, este ano.

A CPLP conta com nove Estados-membros, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

 

Transportes terrestre/Ministro do Interior anuncia proibição de circulação de camiões porta-contentores durante o dia

Bissau,15 Fev 21(ANG) – O ministro do Interior Botche Candé anunciou a proibição de circulação de camiões porta-contentores durante o período do dia no país, de forma a evitar  acidentes, que têm sido frequentes, causados pelo referidos veículos.

O anúncio de Botche Candé foi feito à  imprensa no final da visita que efectuou no sábado, à
uma das vítimas que ficou ferida, em consequência da  queda de um contentor sobre um táxi,  na passada sexta-feira, na estrada de volta, e que se encontra internada no Hospital Simão Mendes.

“Vou instruir os Comandantes da Guarda Nacional e da Polícia de Ordem Pública para, em conjunto com a Direcção Geral de Viação e Transportes Terrestres, produzirem um comunicado que define os horários de circulação de camiões porta-contentores no país”, explicou.

O governante considerou que não é normal continuar a ocorrer casos de acidentes mortais que envolvem os caimões-porta contentores, frisando que a missão das forças de segurança é de garantir segurança às populações.

Afirmou que irão sentar-se a mesma mesa com os operadores económicos para lhes informar sobre essa decisão do Governo.

Um acidente que envolveu um camião porta contentor supostamente mal fixado se descarrilou sobre  um táxi num cruzamento, na estrada de acesso ao bairro de Antula em que resultou em ferimentos graves de cinco pessoas ocupantes do taxi.ANG/ÂC//SG

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

COVID-19/DOIS MEDICAMENTOS COMBINADOS REDUZEM EM 50% AS MORTES

Bissau, 12 Fev 21 (ANG) - A combinação de dois medicamentos, o tocilizumabe, usado para tratar a artrite reumatoide, e um corticosteroide, como a dexametasona, pode reduzir a metade as mortes nos casos mais graves de covid-19, segundo um estudo quinta-feira divulgado no Reino Unido.


Os resultados do ensaio clínico "Recovery", dirigido pela Universidade de Oxford, mostrou esse efeito na mortalidade em pacientes hospitalizados com hipoxia - falta de oxigénio - e inflamação significativa, que necessitaram de ventilação mecânica invasiva, revelaram em comunicado os investigadores.

Quanto às pessoas internadas que apenas necessitaram de receber tratamento com oxigénio não invasivo, as mortes baixaram em cerca de um terço após o emprego de ambos os fármacos.

Este trabalho de larga escala, que contou com a colaboração do sistema de saúde público do Reino Unido, já tinha detetado em junho que a dexametasona, uma substância anti-inflamatória de baixo custo, contribui para salvar vidas entre os doentes mais gravemente afetados pela doença de covid-19.

Agora, a investigação descobriu que o tocilizumabe, administrado por via intravenosa, pode reduzir por si só a mortalidade em 4%, sendo o seu efeito amplificado quando usado em combinação com o corticosteroide.

Esta conclusão do ensaio tem por base uma base de amostra aleatória, na qual 2.022 pacientes receberam a medicação para artrite, e outros 2.094 foram tratados com os fármacos habituais.

Os resultados indicam que 596 dos indivíduos que receberam tocilizumabe morreram em 28 dias (29%), em comparação com 694 daqueles que não foram tratados com esse medicamento (33%).

Esses números sugerem que para cada 25 pessoas tratadas com tocilizumabe, uma vida foi salva, de acordo com os responsáveis do ensaio, que também identificaram que este fármaco aumenta as probabilidades de os doentes terem alta no espaço de 28 dias, de 47% para 54%.

"Testes anteriores com tocilizumabe mostraram resultados heterogéneos e não estava claro se os pacientes beneficiariam desse tratamento. Agora, sabemos que os benefícios do tocilizumabe se estendem a todos os pacientes com covid-19, com baixos níveis de oxigénio e inflamação significativa", disse Peter Horby, professor da Universidade de Oxford que participou na investigação.

Segundo o perito, "o duplo impacto da dexametasona e do tocilizumab é impressionante e muito bem-vindo".

Por seu turno, Martin Landray, outro dos responsáveis do ensaio clínico, destacou que esta combinação de medicamentos "melhora a sobrevivência, encurta o tempo de internação e reduz a necessidade de ventilação mecânica". ANG/Angop

 

 

     
Justiça
/ Ministério Público autoriza saída ao estrangeiro à  Aristides Gomes

Bissau,12 Fev 21(ANG) – O Ministério Público  decidiu quinta-feira autorizar que o ex-Primeiro-ministro, Aristides Gomes viaje ao estrangeiro para tratamento médico.

Segundo uma nota da Procuradoria-geral da República, a autorização foi dada depois de Aristides Gomes ter sido ouvido na qualidade de suspeito, no Ministério Público, no âmbito do processo crime 355/2020, e por requerimento  dos advogados que invocaram motivos de saúde.

 “No entanto, impende sobre Aristides Gomes, a medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR) Assim, sempre que for convocado pelas autoridades judiciárias, deve comparecer no âmbito do referido processo-crime”, Lê-se na nota.

A  decisão do Ministério Público Guineense de permitir Aristides Gomes sair do país por questões de saúde resultou de um acordo entre esta instituição judicial e a representação das Nações Unidas na Guiné-Bissau,  tornado público quinta-feira, em comunicado, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades. ANG/ÂC//SG

Covid-19/China começa  campanha de doação de vacinas para países africanos

Bissau, 12 Fev 21 (ANG) - O governo da Guiné Equatorial anunciou nesta quinta-feira (11) que recebeu da China 100 mil doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinopharm.

De acordo com o site do governo do país africano, o carregamento foi recebido na quarta-feira (10) no aeroporto da capital Malabo pelo vice-presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue.

A embaixadora da China em Malabo, Qi Mei Mei, sublinhou que a entrega destas 100 mil doses da vacina "vem consolidar a vontade de ambos os governos de colaborar permanentemente" e de "darem as mãos para combater o coronavírus".

O presidente chinês, Xi Jinping, anunciou em maio, durante a 73ª Assembleia Mundial da Saúde da OMS, que distribuiria vacinas para países em dificuldade, principalmente na África, mas até agora a entrega de imunizantes tinha atrasado, em grande parte por falta de homologação para uso fora do país.Pequim afirma que a vacina da Sinopharm é 79 por cento eficaz contra o novo coronavírus , mesmo se os resultados dos testes clínicos não foram publicados.

Em Outubro, Liu Jingzhen, presidente da Sinopharm, disse a 50 diplomatas africanos que visitaram uma fábrica da farmacêutica, na China, que uma vez desenvolvida a vacina, a empresa tomaria a "liderança" na distribuição do imunizante aos países africanos.

A Guiné Equatorial, um pequeno país produtor de petróleo que tem 1,3 milhões de habitantes, anunciou oficialmente 5.614 casos de Covid-19 e 87 mortes. O governo guineano vai lançar a primeira fase de um plano de vacinação com a administração de duas injeções a 50.000 pessoas prioritárias: profissionais da Saúde, cidadãos com problemas graves de saúde e funcionários que trabalham nas fronteiras do país.  

Outro país africano que deve receber doses da vacina chinesa até março é o Zimbábue. A ministra da informação Monica Mutsvangwa precisou na quarta-feira (10) durante uma coletiva com a imprensa que um avião seria enviado ainda esta semana para o transporte das vacinas. O país deve receber 800.000 doses da China, entre elas, 200.000 serão doadas.

O Zimbábue, um país com um sistema de saúde colapsado e a economia arrasada, conta oficialmente 35.000 casos de Covid-19 e mais de 1.300 mortes. O governo previu um orçamento de US$100 milhões para a vacinação contra o coronavírus, que será gratuita, com o objetivo de imunizar 10 milhões de pessoas, aproximadamente dois terços da população. O país também espera vacinas da Índia, via União Africana (UA) e o sistema Covax, dispositivo organizado pela OMS para uma distribuição igualitária das vacinas.

Na guerra para ganhar projeção no continente africano, o produtor russo de diamantes Alrosa também prometeu doar a vacina russa Sputinik V, sem precisar a quantidade, segundo mensagem no Twitter do porta-voz do governo zimbabuano, Nick Mangawa. A mesma promessa foi feita a Angola, país produtor de petróleo. ANG/RFI

 

 

MYANMAr/PROJECTO DE RESOLUÇÃO NA ONU PEDE LIBERTAÇÃO DE SUU KYI

BISSAU, 12 Fev 21(ANG) - Os europeus apresentaram quinta-feira ao Conselho de Direitos Humanos da ONU um projecto de resolução a condenar o golpe militar em Myanmar (antiga Birmânia), a pedir a libertação de Aung San Suu Kyi e a restauração do governo civil.

O texto, que vai ser debatido na sexta-feira numa sessão extraordinária do Conselho de Direitos Humanos (CDH), pede "a libertação imediata e incondicional de todos os detidos arbitrariamente", incluindo a chefe do governo civil deposto, Aung San Suu Kyi, e o Presidente da República Win Myint, bem como o levantamento do estado de emergência.

O documento pede também o "restabelecimento do governo democraticamente eleito" em Novembro passado, mas não reclama sanções.

O exército de Myanmar tomou o poder a 01 de Fevereiro, detendo Aung San Suu Kyi e muitos outros responsáveis políticos.

Desde então, centenas de milhares de habitantes desceram às ruas em várias cidades desafiando a proibição de reuniões e apesar das inúmeras detenções.

O projecto de texto, proposto pela União Europeia e Reino Unido, apela ao exército e a todas as forças de segurança birmanesas que "se abstenham de qualquer recurso à violência contra manifestantes pacíficos", e exigem também o "levantamento imediato e permanente" das restrições à Internet, redes sociais e telecomunicações.

No texto pede-se ainda ao Relator Especial da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos em Myanmar que avalie rapidamente 'in loco' a situação.

No entanto, há poucas hipóteses de que Myanmar aceite, já que o país não coopera com esse relator especial desde o ano passado, segundo a ONU.

Em Genebra, alguns diplomatas esperam que a resolução possa ser adotada por consenso, mas não há certezas, pois tanto Pequim como Moscovo apoiam habitualmente o exército birmanês, pelo que a posição destes países na ONU será acompanhada com atenção.

Myanmar viveu sob o jugo do exército há cerca de 50 anos desde a sua independência em 1948. O golpe de 01 de Fevereiro encerrou um breve parêntese democrático de uma década.

O exército contesta a validade das eleições legislativas de Novembro, vencidas de forma esmagadora pela Liga Nacional para a Democracia (NLD, na sigla em inglês), o partido de Aung San Suu Kyi, embora os observadores internacionais não tenham referido nenhuma irregularidade.

Alvo de críticas recentes a nível internacional pela sua passividade durante o genocídio dos militares contra a minoria muçulmana rohingya, Suu Kyi, laureada em 1991 com o Nobel da Paz, passou 15 anos em prisão domiciliar por se opor à junta militar, mas continua a ser apoiada pela maioria da população. ANG/Angop

 

 

Administração Pública/Ministério da Função Pública prevê pagamento de salários dos antigos combatentes através  de transferência de dinheiro

Bissau, 12 Fev 21 (ANG) -  O Ministério da Função Pública(FP), pretende passar a pagar os salários dos antigos combatentes através dos serviços de transferência de dinheiro de uma das operadoras de telecomunicações do país, de forma a  minimizar os seus esforços de deslocações do interior para Bissau.

A revelação foi feita esta sexta-feira pelo Diretor-geral da Função Pública, Carlos Alberto Kenedy de Barros, em entrevista à Agência de Notícias da Guiné (ANG).

Kenedy reconheceu ser  muito cansativo o  pagamento salarial a mão aplicado pelo Ministério das Finanças aos Antigos Combatentes cuja maioria se encontra no interior do país.

“Preocupado com a situação, a Função Pública está a tentar estabelecer uma parceria com uma das empresas de telecomunicações , através de seu novo serviço de transferência de dinheiro, como forma de permiti-los levantar os seus salários localmente.”, explicou.

Aquele responsável disse que muitos se deslocam do interior do país para a capital Bissau a fim de poderem  receber os seus salários, pelo que gastam parte do dinheiro que recebem no transporte de vinda e regresso, restando com uma quantia que não cobre as suas despesas essenciais.

 Kenedy de Barros disse que os  Antigos Combatentes têm que ser valorizados como pessoas que serviram o país, e que se hoje se encontram na situação de invalidez o Estado da Guiné Bissau tem que trabalhar no sentido de melhorar as suas  situações.

Afirmou que, um dos trabalhos que a Comissão Ad hoc criada para harmonização dos dados entre os Ministérios da Função Pública e das Finanças está a levar a cabo e que conta com a colaboração das  Centr
ais Sindicai, é criar condições para a “aposentação condigna” dos funcionários na idade de reforma, na Função Pública.ANG/LLA/ÂC//SG   

 

   
Covid-19
/OMS alerta que mortes em África “aumentaram 40%” em um mês

 

Bissau,12 Fev 21(ANG) – A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou quinta-feira que o número de mortes devido à covid-19 em África “aumentaram 40%” num mês, estando a agência das Nações Unidas preocupada com as novas e mais contagiosas variantes do novo coronavírus.

“Mais 22.300 mortes foram relatadas em África nos últimos 28 dias, em comparação com quase 16.000 nos 28 dias anteriores”, afirmou o escritório da OMS para África, sediado em Brazzaville, na República do Congo, citado pela agência France-Presse.

Este balanço surge quando o continente “luta contra novas variantes mais contagiosas e se prepara para sua maior campanha de vacinação de sempre”, escreveu a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) depois de uma conferência de imprensa virtual.

Os primeiros casos de covid-19 no continente foram diagnosticados em 14 de Fevereiro de 2020. Desde então, o número total de casos ultrapassou os 3,7 milhões, incluindo 3,2 milhões de recuperações e 96.000 mortos, de acordo com os dados divulgados hoje pela OMS.

A agência da ONU acrescentou que o número total de mortes deverá atingir os 100.000 “nos próximos dias”.

A directora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, disse que o aumento de mortes devido à covid-19 representa “sinais preocupantes de aviso que os trabalhadores e os sistemas de saúde em África estão perigosamente sobrecarregados”.

Durante a primeira vaga de covid-19, o continente africano foi o menos afectado pela pandemia. No entanto, na segunda onda de infecções, os casos “saltaram muito além do pico da primeira vaga e as instalações de saúde ficaram sobrecarregadas”, disse a OMS.

A grande maioria dos países africanos ainda não iniciou as operações de vacinação, sendo este um assunto sensível em alguns Estados.

Além da dificuldade de acesso, há também uma forte desconfiança em relação à vacina, com várias teorias da conspiração a serem partilhadas, de forma regular, nos círculos locais nas redes sociais.

“Saia e vacine-se quando a vacina ficar disponível no seu país”, apelou Moeti aos povos de África, assinalando que a pandemia está “longe de acabar e as vacinas são um instrumento essencial” na luta contra o vírus.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.355.410 mortos no mundo, resultantes de mais de 107,3 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um coronavírus detectado no final de Dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China. ANG/Inforpress/Lusa

 

 

Política/Nações Unidas e Ministério Público guineense chegaram ao acordo para  Aristides Gomes viajar para  tratamento médico

Bissau, 12 Fev 21 (ANG) – O Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades(MNECC) anunciou quinta-feira que a Representação das Nações Unidas na Guiné-Bissau e o  Ministério Público guineense chegaram a um acordo para o ex-primeiro-ministro, Aristides Gomes se deslocar ao estrangeiro para tratamento médico.

O anunciou foi feito através de um comunicado à imprensa do MNECC á que a ANG teve acesso.

“Aristides Gomes que, por livre vontade, se encontrava albergado na representação das Nações Unidas , por motivos de saúde, deverá deslocar-se ao estrangeiro, com caracter de urgência, assim que a Procuradoria-geral da república o autorizar mediante despacho...”,lê-se no comunicado.

Aristides Gomes se refugiou nas instalações das Nações Unidas desde o ano passado depois da demissão do seu governo, por alegada falta de segurança pessoal.


Em outubro, gerou-se uma polémica,
    com o procurador-geral da República, Fernando Gomes, a anunciar a existência de dois processos-crime contra Aristides Gomes e o presidente do Tribunal da Relação, Tidjane  Djaló, a afirmar que desconhecia quaisquer processos contra o político.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Aristides Gomes é suspeito de crimes de peculato e participação económica em negócio, daí que estava sujeito à obrigatoriedade de permanência no país.ANG/JD/ÂC//SG

     
Justiça
/LGDH condena o exercício arbitrário do actual regime no país

Bissau, 12 Fev. 21 (ANG) – A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) condenou o que qualifica do “exercício arbitrário, prepotente e autoritário” do poder adoptado pelo regime vigente na Guiné-Bissau, e  acusa o Presidente da República Umaro Sissoko Embaló de ser  o principal protagonista.

A condenação vem expressa num comunicado à imprensa da LGDH emitido quinta-feira(11) à  que a ANG teve acesso hoje.

No documento, a LGDH exige a devolução  imediata e incondicional da  sede nacional da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, para que esta possa prosseguir, livremente, a sua missão de fiscalização e participação na administração da justiça, defesa dos direitos humanos e aprofundamento da democracia.

De acordo com a nota, a Liga alerta a opinião pública nacional e internacional para a instauração progressiva de um clima de terror e de absolutismo na Guiné-Bissau.

Refere o comunicado que os argumentos de segurança invocados para privar o gozo de uma propriedade privada, para além de não serem consistentes e rigorosos, são materialmente inconstitucionais e, consequentemente, inconciliáveis com o Estado de Direito Democrático, e que traduzem características típicas de um regime autoritário e absolutista.

A LGDH refere em comunicado que o Presidente da República, enquanto garante da Constituição, é-lhe incumbido a responsabilidade de assegurar o respeito pelo Estado de Direito e exercício pleno dos direitos fundamentais, e que afigura-se contraproducente e contranatura ser esta mesma instituição o maior protagonista da violação das normas constitucionais e da banalização das instituições democráticas.

"No Estado de Direito e num regime de democracia constitucional, a segurança dos órgãos de soberania reside no respeito pela lei, fonte de legitimidade e barómetro de actuação de todos quanto estejam investidos do poder de autoridade”, refere  a nota.

A Presidência da República se apossou da sede da Ordem dos Advogados que se encontra junto ao Palácio Presidencial, alegadamente, por razões de segurança e a Ordem promete levar o caso ao tribunal.ANG/MI/ÂC//SG

 

  
Governação
/Conselho de Ministros aprova  projectos sobre o sector dos petróleos

Bissau 12 fev 21(ANG) – O Governo guineense aprovou esta quinta-feira um conjunto de licenças de pesquisa de petróleo na parte continental nomeadamente à Licenças de Pesquisas “Cabra Mato” ( bloco 4), de  “Frintamba”(bloco 5), de “Lifante”(bloco 2) e da  licença pesquisa “ Raia” (bloco3) ambos da  parte continental.


A informação consta no comunicado de Conselho de Ministros, assinado pelo vice primeiro-ministro e titular da pasta da Presidência do Conselho de ministros  e dos Assuntos Parlamentares e Coordenador para Área Económica Soares Sambú à que a Agência de Notícias da Guiné (ANG) teve acesso hoje.

Nessa sessão, o Conselho de Ministros reuniu-se, em formato de vídeoconferência, sob a presidência do primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam e com o acompanhamento directo do Chefe  Estado  Umaro Sissoco Embaló.

Segundo o comunicado, o elenco governamental  aprovou igualmente à décima sétima emenda da licença “ Sinapa” (bloco2) e a décima terceira emenda da licença “ Esperança”(blocos 4Ae 5A).

O documento indicou ainda que o executivo  aprovou a extinção da licença de pesquisa “Sardinha” bloco7A) e bem como a licença de pesquisa “polvo” (bloco 6C).ANG/LPG/ÂC//SG

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 Prevenção contra coronavirus

No plano individual deve-se  manter o distanciamento físico, usar  uma máscara,  lavar as mãos  regularmente e tossir fora do alcance  dos outros. Façam  tudo isso!

A nossa mensagem às populações e aos governos é clara. Façam tudo isso!"

                                        ( Tedros Adhanom Ghebreyesus - DG da OMS)

Caju /Presidente da ANCA decide mover uma queixa crime contra Associação Nacional de Importadores e  Exportadores

Bissau, 11 Fev 21 (ANG) – O Presidente da Agência Nacional de Caju da Guiné-Bissau (ANCA-GB) decidiu mover uma queixa crime junto do Ministério Público contra a Associação Nacional de Importadores e Exportadores da Guiné-Bissau, na pessoa do seu presidente Mamadu Iero Djamanca.

A decisão foi tornada pública em conferência de imprensa realizada hoje por Caustar Dafa, em jeito de esclarecimento sobre o concurso lançado para aquisição e venda de sacos de “juta” da primeira qualidade para exportação da castanha de caju de 2021  e das acusações  de que foi alvo da parte do Presidente da Associação Nacional de Importadores e Exportadores.

Disse que Amadu Iero Djamanca tem de provar junto do Ministério Público as suas acusações.

Segundo, Caustar Dafa, Mamadu  Djamanca teria dito numa conferência de imprensa  que, nos últimos três anos,  os seus associados contribuíram com cerca 4 mil milhões de francos cfa para a conta da ANCA-GB.

Disse que tais informações não correspondem a verdade, porque em 2018, a taxa de funcionamento da ANCA é de três francos por cada quilo  e que nesse ano o país exportou 149 mil 700 toneladas da castanha de caju e a contribuição dos exportadores  foi de  449 milhões e 100 mil francos cfa.

 O Presidente da ANCA disse que em 2019, a Guiné-Bissau exportou 195 mil e 547 toneladas da castanha de caju e taxa de valorização foi de 5 francos por quilo, correspondendo a 977 milhões e 737 mil francos cfa.

De acordo com Caustar Dafa, em 2020, segundo o último apuramento feito em conjunto com o Ministério de Comércio, o país exportou 152 mil toneladas de caju, o que corresponde em dinheiro a 760 milhões de franco cfa.

Isso tudo, de acordo com o Presidente da ANCA, totaliza 2 mil milhões 186 milhões e oito centos e trinta cinco mil francos cfa.

Aquele responsável questionou na ocasião, onde é que Djamanca obteve os dados que indicam  que, nos últimos três anos, a ANCA rendeu 4 mil milhões de francos cfa, frisando que ,por isso, o Djamanca tem que provar o que disse junto do Ministério Público.

Quanto ao Instituto Nacional  de Pesquisa Agrária e Proteção Vegetal, Caustar Dafa disse que os fundos provenientes do pagamento das taxas de valorização pagas pelos exportadores foram  usados no pagamento salarial dos funcionários da ANCA-GB, da corrente elétrica e água, aquisição de combustível, Renda entre outras despesas.

Em relação ao fundo de investimento, Caustar Dafa disse que é paga juntamente com a taxa de contribuição Predial Rustica e que em 2019 foi estipulado em  10 francos, o  quilo, mas que o dinheiro fora depositado na conta do Tesouro Público e não na da ANCA.

Por essa razão, Dafa exorta o Presidente da Associação de Importadores e Exportadores a buscar o montante em causa no Tesouro Público para que o investimento possa ser feito.ANG/LPG/ÂC//SG    

 

Sindicalismo/CSI-África  condena ameaças de morte contra secretário geral da UNTG

Bissau, 11 Fev 21 (ANG) – A Organização Regional Africana da Confederação Sindical Internacional(CSI-África) condenou, recentemente, as ameaças de morte, por pessoas desconhecidas, dirigidas  contra o secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné(UNTG), para que este ponha termo as greves na função pública.

Júlio Mendonça
A informação vem expressa numa carta do secretário-geral do CSI-África  dirigida ao Chefe de Estado guineense, publicada na página oficial da UNTG na rede socia, Facebook
.

O secretário-geral da CSI-África pede ao governo guineense para garantir  segurança ao Júlio António Mendonça  e à outros líderes sindicais, que ponha termo à  atos de limitação e ameaças contra os líderes sindicais e que abrace um diálogo  social significativo, para abordar as queixas dos sindicatos e da população em geral.

A UNTG está envolvida em acções de protesto contra os aumentos  de impostos anunciados pelo governo em novembro de 2020 e aprovados pelo parlamento e promulgados pelo Presidente da República, a 28 de janeiro de 2021.

De acordo com a missiva, os funcionários denunciam que a elite  continua a gozar de “privilégios obscenos”  enquanto que a maioria dos servidores públicos e a população  é negligenciada, sem segurança de rendimentos ou proteção social durante as restrições da covid-19.

“As medidas governamentais recentes incluem a atribuição de valores exorbitantes de subsídios aos órgãos de soberania e antigos membros dos mesmos, a suspensão e despedimento de empregados que se crê pertencerem a um partido político diferente, atos de nepotismo no recrutamento dos trabalhadores dos serviços públicos, resultando em excesso de pessoal e aumentos injustiçado dos salários para alguns”, refere a carta.

O Comité de Liberdade Sindical (CFA) da Organização Internacional do Trabalho(OIT), estabeleceu o princípio de que “as organizações responsáveis pela defesa dos interesses socioeconómicos e profissionais dos trabalhadores devem poder utilizar a greve para apoiar a sua posição na procura de soluções para os problemas colocados pelas crises sociais”.

A CSI-África chamou atenção ao Umaro Sissoco Embaló para ter em conta a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos que protege o direito à liberdade , segurança pessoal, de expressão,  opinião e  associação, frisando que, estes direitos e liberdades devem ser respeitados pelo governo.ANG/JD/ÂC//SG

 

Covid-19/ÁFRICA COM MAIS 491 MORTOS E 13.425 INFECTADOS NAS ÚLTIMAS 24 HORAS

Bissau, 11 Fev 21 (ANG) - África registou nas últimas 24 horas mais 491 mortes por covid-19 para um total de 96.732 óbitos, e 13.425 novos casos de infecção, segundo os mais recentes dados oficiais da pandemia no continente.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o número total de infetados nos 55 Estados-membros da organização é de 3.703.913 e o de recuperados nas últimas 24 horas é de 19.095, para um total de 3.241.258 desde o início da pandemia.

A África Austral continua a ser região mais afetada, com 1.763.667 infectados e 52.666 mortos. Nesta região, a África do Sul, o país mais atingido pela covid-19 no continente, regista 1.482.412 casos e 47.145 mortes.

O Norte de África é a segunda zona mais afetada pela pandemia, com 1.120.390 infectados e 30.969 vítimas mortais.

A África Oriental contabiliza 374.665 infecções e 7.085 mortos, enquanto na África Ocidental o número de infecções é de 351.979 e o de mortes ascende a 4.364.

A África Central tem 93.212 casos e 1.648 óbitos.

O Egipto, que é o segundo país africano com mais vítimas mortais, a seguir à África do Sul, regista 9.804 mortes e 171.390 infetados, seguindo-se Marrocos, com 8.436 vítimas mortais e 476.689 casos.

Entre os seis países mais afectados estão também a Argélia, com 2.928 óbitos e 109.690 casos, a Etiópia, com 2.167 vítimas mortais e 144.249 infecções, e o Quénia, com 1.791 óbitos e 102.221 infectados.

Em relação aos países de língua oficial portuguesa, Angola regista 487 óbitos e 20.210 casos de infecção, seguindo-se Moçambique (486 mortes e 46.736 casos), Cabo Verde (138 mortos e 14.543 casos), Guiné Equatorial (87 óbitos e 5.663 casos), Guiné-Bissau (46 mortos e 2.826 casos) e São Tomé e Príncipe (18 mortos e 1.385 casos).ANG/Angop

 

 

Caso Catchura/ Ordem dos Médicos decide que doravante actos cirúrgicos serão feitas na base de consentimento do paciente ou familiar

Bissau, 11 Fev 21 (ANG) – A Ordem dos Médicos da Guiné-Bissau  (OM-GB) decidiu que doravante, os actos cirúrgicos serão feitos na base de consentimento por escrito do paciente,  familiar ou acompanhante de modo à evitar possível situações de desentendimentos.

A informação consta no comunicado à imprensa  desta organização da classe médica guineenses à que  a Agência de Notícias da Guiné teve acesso hoje.

Com esta nova medida, a Ordem dos Médicos revoga  a decisão tomada no passado dia 08, em que apelara  aos seus associados não especialistas em cirurgia para suspenderem todos os actos de cirurgia previstos.

A mudança de posição da Ordem dos médicos resultou de um consenso chegado entre a Ordem e o ministro da Saúde, depois de uma reunião entre ambos, na qual se reconheceu que o país carece de médicos cirurgiões especializados, pelo que a proibição de cirurgia aos não especializados
só poderia provocar situações sanitárias piores para o país.

Na origem do descontentamento  da classe médica guineense está a detenção, por alguns dias, de um médico e um enfermeiro, por suspeitas de negligência sobre a morte de um activista cívico ocorrido na semana passada, em Bissau. ANG/AALS/ÂC//SG

 

Covid-19/ “Mais uma pandemia criada pela ação do homem”, lamentam cientistas

Bissau,11 Fev 21(ANG) -Um grupo de especialistas chineses e da Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de encerrar uma missão na metrópole chinesa de Wuhan para tentar esclareceu as causas da pandemia de Covid-19.

A força-tarefa conclui que “provavelmente” o Sars-Cov2 apareceu em um primeiro animal, depois em um segundo, antes de chegar ao homem – mas ainda não identificou exatamente quais foram os bichos, nem as circunstâncias do contágio.

Entretanto, para os cientistas que estudam há décadas a chamada ecologia da saúde ou medicina ambiental, o surgimento do novo coronavírus foi tudo, menos uma surpresa.

A repórter investigativa francesa, Marie-Monique Robin especialista nos temas ambientais, entrevistou 62 autoridades neste tema. Eles estudam o impacto do meio ambiente nas doenças humanas, em diferentes partes do mundo.

As entrevistas resultaram no livro La Fabrique des pandémies, préserver la biodiversité un impératif pour la santé planétaire (A Fábrica das Pandemias: preservar a biodiversidade é um imperativo para a saúde no planeta, em tradução livre), que acaba de ser lançado na França.

A jornalista contou ao programa C’est Pas du Vent, da RFI, que a cada conversa com um desses cientistas, ouvia a desolação de quem já sabia que a próxima pandemia era uma questão de tempo.

Eles não estão bem porque faz pelo menos 20 anos que eles alertam que o melhor antídoto para nos protegermos de uma pandemia grave é a proteção da biodiversidade”, afirma. "E eles não dizem simplesmente que é triste que os pássaros e os insetos estejam desaparecendo, que os pandas vão se extinguir.

Eles colocam prazos e consequências concretas, mostram que a biodiversidade protege a nossa saúde.”

O ciclo de base dessa engrenagem é relativamente simples. O desmatamento das florestas, ambiente natural de milhões de espécies selvagens, leva à desregulação desses ecossistemas. O resultado é que animais que nunca deveriam estar em contato com o homem acabam se aproximando de zonas urbanas ou da cadeia de produção de alimentos destinados aos humanos.

 

As mudanças climáticas , provocadas pela ação humana, imtensificam o problema.

Pascal Boireau, diretor do laboratório animal da Anses (Agência Francesa de Segurança Sanitária Alimentar, Ambiental e do Trabalho) explica que o aparecimento do vírus nipah, no fim dos anos 1990, ilustra bem a dinâmica de bumerangue das zoonoses – o homem provoca um dano ao meio ambiente e, depois, sofre as consequências.

O vírus surgiu na Malásia, após anos de aumento do desmatamento para a abertura de áreas de cultivo agrícola e criação de animais, em especial porcos. Com menos florestas, o clima da região se ressecou e a ocorrência de incêndios se intensificou, causando êxodo dos animais silvestres.

“As espécie de animais fogem, e os que voam levam vantagem. Os morcegos frugívoros têm a capacidade de percorrer centenas de quilômetros para escapar dos incêndios. Eles vão parar em outro lugar totalmente diferente para dormir e comer”, sublinha o especialista em segurança sanitária.

 "Foi assim que um vírus fatal para o homem foi parar nos porcos, criados logo embaixo das árvores de bambu onde os morcegos se refugiaram. Esse vírus causou algumas centenas de mortos na Malásia."

Os especialistas advertem que, em vez de enfrentar a essência do problema, a humanidade tem escolhido combater as consequências: desenvolveu uma vacina e medicamentos em tempo recorde contra a Covid-19, porém a destruição da natureza e do planeta só pioram.

"Alguns dizem: é simples, vamos atirar em todos os morcegos e exterminá-lo. Mas não é assim que funciona”, comenta Marie Monique Robin. "A solução seria pior do que o problema. No caso dos morcegos, precisamos deles para a polinização, eles também comem insetos que nos transmitem a malária. Ou seja, precisamos desses animais."

Até que ponto a pandemia vai abrir os olhos sobre o impacto da crise ambiental na nossa saúde? Os cientistas demonstram ceticismo. Um exemplo: a maioria das pessoas não vê a hora de voltar a viajar como antes – sem se questionar sobre o ritmo frenético das viagens ter sido um fator crucial para acelerar a disseminação dos vírus nas últimas décadas, com a globalização.

Em poucas horas, passageiros, produtos e animais vão de um ponto do planeta para o lado oposto, podendo levar consigo ameaças à saúde para aqueles que vivem no local de destino.

O biologista especialista em ecologia parasitária é um dos que conclui que a pandemia de Covid-19 simboliza o fracasso da humanidade no combate à degradação ambiental,  seja pela ação direta nas  florestas ou pelo modo de consumo das últimas gerações.

 "Faz muitos anos que ecologistas como eu estudamos esse assunto e não somos ouvidos. E agora, estamos de novo nessa mesma sequência, que se repete sempre que temos uma crise”, lamenta o biologista.

 "Se observamos todas as crises sanitárias que tivemos, primeiro promovemos o isolamento, a quarentena. Quando há animais, abatemos a espécie em massa e isso nos leva a aumentar a biossegurança. Agora, estamos fazendo exatamente a mesma coisa para os humanos."

Em meio a tantas desilusões, Morand ainda tem uma esperança: que a nova geração, a mais consciente sobre a crise ambiental, tomará as rédeas desse combate do homem contra si mesmo. ANG/RFI