terça-feira, 31 de maio de 2022

 

Desporto-futebol/ Sporting Clube da Guiné-Bissau reassume o cumando da Guinees Liga

Bissau, 31 Mai 22 (ANG) – O Sporting Clube da Guiné-Bissau reassumiu a liderança da Guinees-Liga ao beneficiar da derrota do Sport Bissau e Benfca, por uma bola a zero, frente ao Cupelum FC.

O Sporting Clube da Guiné-Bissau que há  duas jornadas não vencia, regressa a vitória assumindo de novo, o comando da Guinees Liga, com três pontos de vantagem sobre o rival directo SB e Benfica.

Eis os resultados que as restantes partidas da 22ª jornada produziram:

Sporting Clube da Guiné-Bissau-2/Os Balantas de Mansoa-0, Sporting Clube de Bafatá-0/FC de Pelundo-0, FC de Canchungo-2/Massaf de Cacine-0, FC de Cuntum-0/AR.Nhacra-0, AC Bissorã-2/FC Sonaco-1, Binar FC-1/Flamengo de Pefine-0, UDIB-2/Portos de Bissau-2.

Tabela classificativa da 22ª jornada:

1º -SC.Guiné-Bissau-46 pts                                                9º-FC.Pelundo-28 pts

2º -SB.Benfica-42 pts                                                            10º-SC.Bafatá-25 pts

3º -FC. Canchungo-42 pts                                                   11º-Flam.Pefine-23 pts

4º -FC.Sonaco-37 pts                                                            12º-Portos-23 pts

5º -FC.Cuntum-36 pts                                                           13º-Mas.Cacine-20 pts

6º -AC.Bissorã-31pts                                                             14º-AR.Nhacra-20 pts

7º -UDIB-31 pts                                                                      15º-Binar FC-19 pts

8º -Bal.Mansoa-29 pts                                                           16º-Cupelum FC-19 pts

 

Para à 23ª jornada estão previstos os seguintes encontros:Flam.Pefine/FC.Sonaco, Portos de Bissau/FC.Cuntum, SC.Bafatá/Sport Bissau e Benfica, FC.Pelundo/CF.Os Balantas de Mansoa, Cupelum FC/FC.Canchungo, Arados de Nhacra/Sporting Clube da Guiné-Bissau, Atletico de Bissorã/Binar FC, Massaf de Cacine/UDIB.ANG/LLA/ÂC//SG

segunda-feira, 30 de maio de 2022

           
         São Tomé e Príncipe
/Morreu Evaristo Carvalho, ex-Presidente

Bissau, 30 Mai 22 (ANG) - Evaristo Carvalho, ex-Presidente da República de São Tomé e Príncipe, morreu na noite de sábado aos 80 anos de idade, vítima de doença prolongada.

O antigo chefe de Estado de São Tomé e Príncipe, no poder entre 2016 e 2021, era um histórico da política são-tomense, tendo sido primeiro-ministro em governos de iniciativa presidencial, assim como Presidente da Assembleia Nacional, ministro e deputado.

Reagindo ao seu falecimento, o seu sucessor, o actual Presidente, Carlos Vila Nova, expressou o seu sentimento de pesar, considerando que “é um momento de dor”. No mesmo sentido, o governo são-tomense decretou cinco dias de luto nacional para “prestar tributo ao antigo Presidente Evaristo Carvalho.

“Evaristo do Espírito Santo Carvalho foi figura ímpar do panorama político e da administração pública de São Tomé e Príncipe durante toda a sua vida e será sempre lembrado como homem íntegro, de diálogo e amigo do seu povo, tendo se revelado durante toda a sua vida como grande figura do Estado e nacionalista”, declarou em nome do governo o secretário o secretário de Estado da Comunicação Social.

O partido de que era membro Evaristo Carvalho, a Acção Democrática Independente (ADI, oposição) saudou hoje a memória do ex-Presidente são-tomense, descrevendo-o como dirigente ponderado, dialogante e defensor intransigente do Estado Direito Democrático.

Manifestamos todo o nosso reconhecimento àquele que foi um dos mais altos dirigentes do nosso partido o ADI, saudamos a memória de um Presidente da República defensor intransigente do Estado de Direito Democrático, ponderado e dialogante, que soube tudo fazer para preservar a estabilidade política e contribuir assim para o desenvolvimento harmonioso da nossa nação”, lê-se numa nota da ADI enviada à imprensa.

O antigo Presidente da República Fradique de Menezes (2002-2011) que trabalhou com Evaristo Carvalho, disse que o seu desaparecimento físico representa uma grande perda para o país. "Convivemos, convivi algum tempo Evaristo Carvalho. Achei-o alguém muito interessante, muito inteligente do ponto de vista administrativo. Achei-o alguém de diálogo, calmo, alguém que compreendia muito bem tudo o que se podia passar no exercício de Presidente da República naquela altura", recordou Fradique de Menezes.

O seu também antecessor Miguel Trovoada que foi Presidente entre 1991 e 2001, recorda Evaristo Carvalho como um amigo e uma figura incontornável da História recente de São Tomé e Príncipe.

Refira-se ainda que neste sábado à noite, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou as suas condolências ao povo são-tomense.

O Presidente da República apresenta as mais sinceras condolências ao povo de São Tomé e Príncipe e ao seu Presidente Carlos Vila Nova, pelo falecimento do antigo Presidente Evaristo Carvalho, que sempre teve excelentes relações com Portugal, antes e durante o seu mandato”, lê-se numa mensagem divulgada no ‘site’ oficial da Presidência da República Portuguesa.

Evaristo Carvalho era técnico de agricultura e começou por ser um quadro do partido único - Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) - após a independência e até à década de 1990.

Foi chefe de gabinete de Miguel Trovoada quando este foi Presidente da República, tendo aderido ao Ação Democrática Independente. ANG/RFI

 

Acra/Praia, Bissau e São Tomé querem recorrer a plano alimentar de emergência do BAD

Bissau, 30  Mai 22(ANG) – Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe tencionam recorrer ao mecanismo de 1,5 mil milhões de dólares anunciado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para aumentar a produção agrícola de África e combater a crise alimentar.

“Já estamos a trabalhar com a nossa equipa cabo-verdiana, mas também do BAD e vamos rapidamente apresentar um projeto para podermos aumentar a capacidade de produção alimentar em Cabo Verde”, disse o ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, em declarações à Lusa em Acra, à margem dos encontros anuais do banco africano.

O homólogo são-tomense, Engrácio Graça, disse que também São Tomé e Príncipe já está a trabalhar no sentido de aproveitar a iniciativa do BAD e o ministro guineense, João Fadiá, manifestou a intenção de fazer o mesmo.

“Temos neste momento projetos na área da agricultura, para produção do arroz, com o BAD que não chegam. Neste momento, as avaliações que temos é que não é suficiente, queremos ampliá-lo. Portanto, vamos tentar obter mais fundos sobre esse projeto para podemos ampliar a produção do arroz”, afirmou Fadiá.

Anunciado na semana passada, o Plano Africano de Produção Alimentar de Emergência, promovido pelo BAD e pela Comissão da União Africana, no valor de 1,5 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros) irá beneficiar 20 milhões de agricultores com sementes e fertilizantes, bem como outros insumos agrícolas para produzir 38 milhões de toneladas de alimentos, no valor de 12 mil milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros).

Isto incluirá 11 milhões de toneladas de trigo, 18 milhões de toneladas de milho, seis milhões de toneladas de arroz e 2,5 milhões de toneladas de soja.

Em entrevista à Lusa durante os encontros, a vice-presidente do BAD para a agricultura e o desenvolvimento humano e social, Beth Dunford, disse que todos os países africanos são elegíveis para recorrer ao mecanismo, e o BAD está já a aceitar pedidos de Governos.

“O mecanismo acaba de ser lançado e estamos a trabalhar nele neste momento (…). Estamos a lançá-lo muito, muito rapidamente, usando métodos de desembolso muito rápidos para levar essa assistência aos governos que realmente precisam dele agora”, afirmou.

Num encontro com jornalistas durante os encontros anuais, o presidente do BAD, Akinwumi Adesina, mostrou-se confiante de que este mecanismo permitirá evitar uma crise alimentar e defendeu que África deve apostar numa agricultura moderna e tecnológica.

No mesmo sentido, o ministro das Finanças cabo-verdiano defendeu para Cabo Verde “uma agricultura empresarial, que aposte no rendimento e não uma economia de subsistência, que continue nas malhas da pobreza”.

“Nós temos de reformar a agricultura introduzir novas tecnologias e uma nova visão empresarial para que a agricultura seja um sector produtivo e rentável e garanta melhores confições para aqueles que vivem no campo e do campo”, afirmou ANG/Inforpress/Lusa

 


Diáspora guineense
/Presidente da República promete abertura do Consulado em Malabo para atender necessidades dos emigrantes

Bissau, 30 Mai 22 (ANG) – O Presidente da República  prometeu a abertura de um Consulado, em Malabo (Guiné Equatorial) para facilitar a aquisição de documentos aos emigrantes guineenses daquele país.

A promessa foi feita por  Umaro Sissoco Embalo, durante um encontro  com a comunidade guineense em Malabo, à margem da Cimeira extraordinário da União Africana, e em resposta ao  pedido dos cidadãos nacionais que vivem naquele país.

Nesse encontro, o Chefe de Estado pediu aos guineenses à se diligenciarem para ter  toda a documentação necessária para evitar eventuais problemas com as autoridades de Malabo, apesar de terem Estatuto especial, no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Sissoco Embaló entregou, na ocasião, à 68 emigrantes, os seus respectivos passaportes.

O Chefe de Estado recomendou a comunidade guineense ali residente para adoptarem uma conduta exemplar ou seja para  não se envolverem em maus actos que possam pôr em causa a imagem dos emigrantes e consequentemente do país.

Para sustentar o seu pedido, Sissoco Embaló, lembrou-lhes que, há 10 anos, enquanto conselheiro do ex Presidente Burquinabe,  Blaise Campaoré visitou à Guiné-Equatorial. Disse que nessa visita o  Presidente Teodoro Nguema Obiang manifestou a sua satisfação relativamente ao bom comportamento dos burquinabés, por isso deseja que o mesmo aconteça em relação a comunidade guineense.

O Presidente da República disse que vai dar instruções para seja acelerada a implementação dos acordos já assinados entre os dois países.

Relativamente a outros problemas apresentados pelos emigrantes, o Presidente  disse que os dois médicos guineenses emigrantes em Malabo serão, em principio, os respresentantes das autoridades da Guiné-Bissau naquele país, e com competência para  resolver os problemas com que se deparam os guineenses junto das autoridades locais, até a nomeação de um novo  consul honorário na Guiné-Equatorial.

Garantiu ainda que vai continuar com a sua luta de combate à corrupção e promoção de uma gestão transparente da coisa pública, “porque  ninguém tem o direito de se apropriar do que nos pertence a todos”.

“Nem eu tenho direito de tomar o que não me pertence, mas cada pessoa  pertence há um país e deve ter orgulho deste país, ou seja  um bom filho da terra não fala mal do seu país. Posso não ser boa pessoa e governo também, mas a terra não. Infelizmente, há  guineenses que falam mal do seu  próprio país”, referiu.

O Presidente da República pediu a colaboração dos imigrantes para a construção do país.

Por sua vez, o porta voz da comunidade guineense em Malabo, Ciro Embaló agradeceu a ministra de Negócios Estrangeiros pela emissão e entrega dos passaportes.

Dciro Embaló ainda agradeceu ao Governo e Presidente da Republica pela intervenção que fizeram junto das autoridades locais para permitir a libertação dos guineenses que estavam detidos por falta de documentação.

A comunidade guineense em Malabo pediu  a  instalação de uma representação consular com capacidade de emitir documentos guineenses.

Segundo Ciro Embaló  todos os cidadãos nacionais que vivem em Malabo circulam com documentos da Republica de São Tomé e Príncipe.

 Em nome dos emigrantes guineense na Guiné Equatorial, disse que não só condenaram a tentativa de golpe de Estado de 01 de Fevereiro, como  também exigem que os seus actores sejam julgados, “porque até então,nenhum dos supostos envolvidos no caso foi levado à justiça.ANG/LPG/ÂC//SG

 


Nigéria/Eleições/ Oposição escolhe ex-vice-presidente como candidato às presidenciais

Bissau, 30 Mai 22 (ANG) - A oposição nigeriana indicou o ex-vice-presidente nigeriano Atiku Abubakar como candidato às eleições presidenciais marcadas para Fevereiro de 2023, com o partido no poder a adiar as suas primárias por uma semana.

"Hoje estamos a fazer história, uma história que acreditamos trará mudanças fundamentais", disse Abubakar aos seus apoiantes reunidos na capital, Abuja, onde a votação foi realizada.

Abubakar, de 75 anos, um muçulmano do norte do país, foi escolhido nas primárias do Partido Democrático do Povo (PDP) e tentará pela sexta vez ser eleito presidente do país mais populoso de África.

O Congresso dos Progressistas (APC), partido no poder, vai realizar as suas primárias entre 6 e 8 de Junho, para escolher um candidato a suceder ao presidente Muhammadu Buhari, que anunciou que não concorrerá novamente, após completar dois mandatos.

A Nigéria, com 215 milhões de habitantes e dividido quase em partes iguais entre o norte, predominantemente muçulmano, e o sul, maioritariamente cristão, é um dos países mais religiosos do mundo.

Na tentativa de conciliar um país onde vivem cerca de 250 grupos étnicos, uma regra tácita prevê a rotação da presidência, a cada dois mandatos, entre candidatos do norte e do sul.

No entanto, Abubakar, ex-chefe das alfândegas e vice-presidente entre 1999 e 2007, é do norte, assim como o presidente Buhari, ao contrário da maioria dos principais candidatos do APC, partido no poder, que são do sul.

No APC, o ex-governador de Lagos Bola Tinubu e o actual vice-presidente Yemi Osinbajo são os dois principais candidatos, enfrentando ainda Rotimi Amaechi, que renunciou recentemente ao cargo de ministro dos Transportes no governo de Buhari.

Buhari não apoiou até ao momento nenhum candidato e alguns analistas acreditam que o actual presidente esteja à procura de um candidato de consenso para manter as facções do APC unidas antes das eleições gerais de Fevereiro de 2023.

A segurança será uma questão importante, pois há mais de 10 anos que o nordeste da Nigéria tem sido afectado por uma insurreição extremista. Bandos armados têm também levado a cabo frequentes ataques e raptos no noroeste do país.

Desde que regressou ao governo civil em 1999, a Nigéria realizou seis eleições nacionais.

A maior economia da África, enfraquecida pelo impacto da pandemia de covid-19, está a sofrer as consequências da guerra na Ucrânia, que elevou os preços dos combustíveis e alimentos em todo o continente.

Pelo menos 31 pessoas morreram no sábado durante um evento de distribuição de ajuda alimentar numa igreja na cidade de Port Harcourt, no sul da Nigéria. ANG/Angop

 



Integração no Governo
/“A finalidade do PAIGC é trabalhar para o povo da Guiné-Bissau”, diz Manuel dos Santos

Bissau, 30 Mai 22 (ANG) – O dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que deverá encabeçar a delegação negocial do mesmo partido para o governo de iniciativa presidencial disse que a finalidade do seu partido é trabalhar para o Povo da Guiné-Bissau, e se têm que fazer algumas cedências para o efeito as farão.

Manuel dos Santos vulgo Manecas, fez estas declarações em entrevista a DW África , sobre se o partido não teme que possa suscitar críticas, nomeadamente de alguma incoerência, uma vez que o PAIGC tem-se pautado por uma posição bastante crítica relativamente ao Presidente guineense e está em permanente rota de colisão com Sissoco, ao integrar agora um governo de iniciativa presidencial.

Dos Santos acrescentou  que o líder do mesmo partido quando saiu do encontro com Sissoco Embaló disse claramente que os interesses do país estão acima da necessidade que ele tem de preservar a sua imagem e da eventual “falta de coerência” de que podem ser acusados.

Perguntado sobre a sua impressão após o encontro com o Presidente da República, respondeu que saíram com uma impressão de que há uma mudança por parte do Presidente e há uma certa distensão no clima, e diz pensar que, é bom para poderem chegar a um entendimento que viabilize a próxima legislatura e que ponha o país em melhores circunstâncias.

O veterano da luta defendeu a presença razoável no governo, no qual vai tomar decisões importantes sobre os problemas que houve recentemente, sobre a Comissão Nacional de Eleições (CNE), o recenseamento eleitoral e todo o processo eleitoral.

Sustentou que, caso vieram a integrar ao referido governo, as prioridades do partido são de querer dar uma contribuição para melhorar a situação geral do país, tendo em conta a experiência que tem, e preparar para a próxima legislatura, nomeadamente, atualizar o recenseamento de eleitores, mudar a direcção da CNE e todo o staff e realizar as próprias eleições.

Manecas dos Santos disse também que a prticipação do seu partido no governo de iniciativa presidencial se deve ao fim da Xª Legislatura e para isso devem preparar para a XIª.

“Isso envolve recenseamentos eleitorais, eleições e uma CNE que hoje não existe. Portanto, achamos que o PAIGC não pode estar ausente desta preparação das próximas eleições, e  pode dar uma contribuição positiva no melhoramento da situação geral da populações aqui no país”, disse.

Sublinhou que vão negociar a entrada, e em princípio, a delegação negociqal vai ser chefiada por ele e que vai sentar com os representantes do governo para ver qual será a distribuição dos pelouros do Estado que vão caber ou não ao partido libertador. ANG/DMG/ÂC//SG

    África/Novas sementes permitem cultivar mesmo em situação de seca

Bissau, 30 Mai 22 (ANG) - O novo plano de emergência do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para evitar uma crise alimentar em África, de 1,5 mil milhões de dólares, vai distribuir novas tecnologias que permitem cultivar mesmo em situação de seca, disse uma vice-presidente da instituição, Beth Dunford.

"Muito do que estas tecnologias fazem é realmente ajudar em tempo de seca", disse Beth Dunford, vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para a agricultura e o desenvolvimento humano e social, em entrevista à Lusa à margem dos encontros anuais do BAD, em Acra, no Ghana.

O BAD anunciou na semana passada um Plano Africano de Produção Alimentar de Emergência, no valor de 1,5 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros) que irá beneficiar 20 milhões de agricultores com sementes e fertilizantes, bem como outros insumos agrícolas para produzir 38 milhões de toneladas de alimentos, no valor de 12 mil milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros).

Isto incluirá 11 milhões de toneladas de trigo, 18 milhões de toneladas de milho, seis milhões de toneladas de arroz e 2,5 milhões de toneladas de soja.

À Lusa, Beth Dunford lembrou que a guerra na Ucrânia deixou no continente africano um "nível inaceitável de insegurança alimentar, que está a aumentar".

"Milhões de africanos vão para a cama com fome todas as noites" e isso acontece em parte porque a guerra "expôs a vulnerabilidade do continente africano a importações muito caras para suprir necessidades muito básicas", disse.

Os preços dos principais produtos básicos subiram de 20 a 50%, o que obviamente atinge mais os mais pobres, enquanto os fertilizantes subiram de 200 a 300%, recordou.

A banqueira disse que esta não é a primeira vez que África enfrenta uma crise alimentar e, embora possa parecer mais grave porque o continente ainda estava a recuperar da pandemia, a crise actual tem uma particularidade: surge num momento em que se investiu muito em agricultura e há tecnologias que não existiam antes.

"Estou a falar de sementes adaptadas ao clima que não existiam. Estas tecnologias existem mesmo, mas não estão a chegar aos agricultores em escala", disse Dunford, explicando que o programa Tecnologias para a Transformação Agrícola de África (TTAA) está a trabalhar para mudar essa situação.

Questionada sobre se este plano ajudará em situações de seca severa como a que afecta actualmente o sul de Angola, o Corno de África ou o sul de Madagáscar, Dunford disse: "Já vimos estas tecnologias em tempo de seca. Há uma redução de produção devido à seca, mas não tão severa. As perdas não são tão grandes".

E exemplificou com o caso da Etiópia, onde trigo tolerante ao calor, uma tecnologia que não existia há 10 ou 15 anos, permite aos agricultores plantar em zonas onde não conseguiam, por serem demasiado quentes, e mesmo assim aumentarem drasticamente as suas colheitas.

A Etiópia, que estava dependente da importação de trigo na ordem de 1,6 milhões de toneladas por ano, têm agora 600 mil hectares de trigo e conseguem colher três a quatro toneladas de trigo por hectare quando antes só colhiam 1,5.

"Mais importante, este ano a Etiópia não teve de importar trigo (...) e espera exportar no próximo ano. É este tipo de sucesso e transformação que queremos escalar para todo o continente", afirmou.

Com recurso ao plano de 1,5 mil milhões de dólares, o BAD espera produzir 38 milhões de toneladas de alimentos, afirmou Dunford, quando a guerra na Ucrânia deixou um fosse de 30 milhões.

A banqueira acrescentou que todos os países africanos são elegíveis para recorrer ao mecanismo, e o BAD está já a aceitar pedidos de Governos.

"O mecanismo acaba de ser lançado e estamos a trabalhar nele neste momento (...). Estamos a lançá-lo muito, muito rapidamente, usando métodos de desembolso muito rápidos para levar essa assistência aos governos que realmente precisam dele agora", afirmou.

Embora não produza resultados imediatos, para isso existem as organizações humanitárias que dão assistência alimentar, o mecanismo vai produzi-los ao longo das próximas quatro épocas agrícolas.

"Não será no prazo imediato, mas no curto e no médio prazo, lançando as bases para o longo prazo", disse.

O objectivo, sublinhou, é "lançar as bases para essa transformação da agricultura" que o BAD procura em África.

A agricultura é uma das apostas do BAD, cujo presidente, Akinwumi Adesina, acredita que o continente tem potencial para se tornar a solução para a crise alimentar global.

O responsável defende uma agricultura moderna, com tecnologia apropriada, produtividade e enquadrada com as infra-estruturas necessárias, rodoviárias, de energia, de irrigação, logísticas.

"Chegou o tempo de África, não só produzir comida, mas também processar comida. Embalar comida. África deve ter padrões de qualidade nos alimentos que produz e deve exportar. Quando falamos de agricultura, não falamos de agricultura para manter a pobreza, mas sim para criar riqueza para África", concluiu.ANG/Angop

 

sexta-feira, 27 de maio de 2022

OMVG/ Populares da tabanca de Samba Djuldé bloqueiam trabalhos da organização  por alegada falta de indemnização

Bissau, 27 Mai 22(ANG) – Os populares da tabanca de Samba Djuldé, sector de Bambadinca, região Leste, bloquearam os trabalhos de construção da linha de interconexão da corente eléctrica do Projecto da Organização para o Aproveitamento do Rio Gâmbia(OMVG),  por alegada falta de indemnização, conforme prevista.

Imagem ilustrativo 
Citado pela Rádio Sol Mansi, em nome dos populares da referida tabanca, Henrique Bamba disse que  bloquearam os trabahlos porque a empresa não cumpriu   a promesa de indemnizar todos aqueles que foram afectados pela construção da linha de interconexão da corrente elétrica da barragem de Kaleta, da Guiné-Conacri.

“Nos primeiros momentos, disseram que vão  indemnizar todos aqueles cujas  plantações da caju foram afectadas  pelos trabalhos do  projecto. E na altura de pagamento das indemnizações disseram-nos que os nossos nomes não constaram na lista das pessoas que estão a ser pagos”, disse Henrique  Bamba.

Acrescentou que de seguida  dirigiram-se para o Comité de Estado para saber dos motivos dos seus nomes não constarem na lista das pessoas que estão a receber a recompensa em dinheiro da desmatação de caju.

No Comité de Estado, de acordo com Henrique Bamba, foram instruidos para  impedir os trabalhos nos seus respectivos espaços, por forma a poderem receber as indemnizações caso contrário não vão beneficiar de nada.

Perante esta situação, Bamba garante que vão continuar com bloqueos até que o problema seja resolvido.

Por outro lado, disse que apresentaram lhes, na quarta-feira, uma carta  emitido pelo ministro do Interior e da Ordem Pública cessante, que autoriza a continuidade dos trabalhos do projecto, com alegações de que os bloqueos já atrasaram muito a conclusão dos trabalhos.

“Nós não esperamos por essa situação, porque o Estado é defensor da população. Em vez de nos defender está nos a prejudicar”, lamentou

Em relação a polémica, o  chefe de tabanca, Bubacar Baldé, pede o engajamento do  governo junto da empresa para que todas as pessoas atingidas pelo projecto sejam  indemnimizadas.

A ANG soube que nem todos os nomes inscritos na lista de pessoas cujas plantações ou outros bens foram afectados pelos trabalhos de instalação de equipamentos para transporte da corrente electrica da vizinha Guiné-Conacry para a Guiné-Bissau foram aprovados pelo banco financiador para efeitos de indeminização. 

ANG/LPG//SG


Campanha de Caju
/Ministro do Comércio e Indústria cessante considera a fuga de castanha de caju para países vizinhos de um “risco à economia nacional”

Bissau 27 Mai 22 (ANG)- O ministro do Comércio e Indústria do governo cessante salientou hoje  que a fuga da castanha de caju para paízes vizinhos nomeadamente o Senegal, a Gâmbia e República da Guiné Conacri, esta a estragar a campnha de comercialização da castanha de caju em curso.

Tcherno Djalo que falava na cerimónia de entrega de 12 motorizadas aos delegados regionais do comércio para combate a fuga da castanha de caju junto as linhas fronteiriças disse que este ano este produto estratégico da economia guineense não esta a sair só nas fronteiras Leste e Norte do país como é tradicional ,mas também na provincia sul para a Guiné-Conacri onde num passado recente era o contrário ou seja saia de lá para cá.

No que concerne a exportação da castanha deste ano, o ministro cessante do Comercio falou das dificuldades devido a saida do país da empresa de transportes de contentores denominada  Maersk,tendo contudo garantido que o Executivo está enviando esforços  para poder escoar a castanha para o mercado internacional.

“Estamos a contar exportar, de inicio, cerca de 100 mil toneladas da castanha de caju, o que poderá  mitigar a saída da Maersk e a procura de contentores. Neste momento temos dois barcos a atracar que vao levar 19 mil toneladas e virão  outros cinco com a capacidade de transportar 50 a 60 mil toneladas. O processo está muito bem encaminhado”,disse Djalo.

De acordo o ministro ccessante,para salvar a campanha é necessário uma interacção entre todos os sectores do Estado.

Tcherno Djaló disse que cerca de 400 fiscais estão no terreno ,com o apoio da Guarda Nacional junto as fronteiras para estancar a saída e alcançar os resultados da exportação do ano pasado que situou  na casa dos 200 mil toneladas, mesmo com as dificuldades visíveis no nterreno. 

ANG/MSC//SG

Covid-19/Fórum Económico Mundial pede melhor distribuição e acesso a vacinas

 Bissau, 27 Mai 22 (ANG) – O chefe da iniciativa “Moldando o Futuro da Saúde e dos Cuidados” do Fórum Económico Mundial (FEM) pediu uma melhor distribuição da capacidade de produção de vacinas contra covid-19, sublinhando que apenas 16% a 17% das populações africanas foram vacinadas.

“Ainda hoje vacinamos apenas 16% a 17% das populações africanas, enquanto há um excesso de vacinas no mundo desenvolvido”, lamentou Shyam Bishen, numa entrevista à agência Xinhua, à margem da Reunião Anual do GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente).

Para este responsável, os problemas de acesso dos países em desenvolvimento às vacinas contra a covid-19 estão relacionados à igualdade no quesito saúde.

Neste sentido, saudou o apelo da China para construir “uma comunidade de saúde para a humanidade”, para debelar a crise global de saúde pública causada pela pandemia de covid-19.

“O FEM aplaude esse compromisso do governo chinês e do presidente Xi… tanto em termos de financiamento quanto de recursos para combater a pandemia em andamento”, disse Shyam Bishen à Xinhua.

A China, lembrou Bishen, deu uma “importante” contribuição com a distribuição das suas vacinas que são usadas em muitos países em desenvolvimento.

Bishen entende ainda que o objectivo da equidade em saúde só pode ser alcançado se “os determinantes sociais e não sociais da equidade em saúde” forem abordados.

“Enfrentamos desafios no acesso a produtos e serviços de cuidados, devido aos determinantes sociais, e também à pobreza e desigualdade na sociedade, onde muitas pessoas não têm acesso à educação”, defendeu.

Quanto à próxima pandemia, Bishen disse que exigirá cooperação global, incluindo vigilância de patógenos e compartilhamento oportuno de informações.

“Se [a próxima pandemia] acontecer, queremos garantir que seja melhor controlada por meio de fácil acesso a vacinas, diagnósticos e tratamentos”, perspectivou. ANG/Inforpress/Xinhua

    
Transporte aéreo
/Guiné-Bissau passa a receber em Junho voos da Côte D´Ivoire

Bissau, 27 Mai 22 (ANG) - A Guiné-Bissau vai passar a ter ligações aéreas da Côte D´Ivoire, a partir do início de Junho, disse hoje, sexta-feira, Aliu Soares Cassamá, director-geral da empresa NAS Bissau, que gere e assiste o aeroporto internacional Osvaldo Vieira.

A Air Côte d'Ivoire vai passar a ligar Bissau e Abidjan, passando por Dakar, no Senegal, três vezes por semana, à terça, quinta-feira e domingo, adiantou Soares Cassamá.

O director-geral da NAS Bissau considerou que a presença da companhia ivoiriense na Guiné-Bissau é uma "alavanca para a economia" de toda a sub-região africana, destacando a pujança da  Côte D´Ivoire.

Segundo Soares Cassamá é uma mais-valia para o país, porque ter um voo directo entre Bissau e Abidjan, é uma grande vantagem, toda a gente sabe que a Côte D´Ivoire detém 35% da economia da nossa sub-região.

O responsável afirmou que a partir de agora os operadores económicos dos países terão a vida facilitada, através das ligações aéreas e directas, também impulsionadas pelos Presidentes da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e Ivoiriense, Alassane Ouattara.

Em Julho, segundo fonte, começa a voar para Bissau a companhia aérea privada Bestfly, tendo sido já rubricado o contrato de assistência aeroportuária com a NAS Bissau.

Soares Cassamá observou que a operadora cabo-verdiana também irá ajudar a facilitar as trocas comerciais entre os dois países, pelo facto de os empresários não terem de viajar até Dakar quando querem chegar a Cabo Verde.

Actualmente, o único aeroporto internacional da Guiné-Bissau recebe regularmente os voos das companhias portuguesas TAP e EuroAtlantic, da multinacional africana Asky, da Air Senegal e da marroquina RAM (Royal Air Marroc).

A NAS, que está presente em 56 países do mundo, entre os quais 17 africanos, incluindo Guiné-Bissau e Moçambique, aguarda por uma auditoria da IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos) em Agosto.

Se o aeroporto for certificado pela IATA, em duas componentes de avaliação, passará a poder receber aeronaves de qualquer companhia aérea e ainda aviões cargueiros, notou Aliu Soares Cassamá.

Neste último aspecto, vaticinou ganhos para a economia, dando o exemplo de facilidade no escoamento do pescado fresco e castanha do caju, principal produto agrícola e de exportação do país.

"O peixe fresco poderá ser exportado no mesmo dia, a castanha de caju, que neste momento, em navios leva três a quatro meses para chegar à Índia, poderá ser exportada em algumas horas", defendeu Cassamá. ANG/Angop

 Defesa e Segurança/ Diretor-geral da Política  de Defesa Nacional exalta cooperação militar com Portugal

Bissau ,27 Mai 22 (ANG)– O Director-Geral da Politica de Defesa Nacional afirmou  quinta-feira que, no âmbito da cooperação militar entre Guiné-Bissau e Portugal ,estão em execução três projectos  de apoio ao Ministério da Defesa e as Forças Armadas,nos ramos do  Exercito e da Marinha de Guerra Nacional.


O Brigadeiro Marcolino Alves, que falava à margem da visita ao navio da Marinha portuguesa “Viena de Castelo”, no Porto de Bissau, revelou igualmente que o Centro de Tratamento Militar de Cumeré tem apoio de Portugal para se tornar num centro de referência .

Alves fez balanço positivo da cooperação entre as marinhas dos dois países ,no âmbito da iniciativa  “Mar Aberto”,tendo destacado que o novo programa quadro, no domínio da defesa, trouxe uma nova agressividade diplomática, ambição  e engajamento das autoridades militares de ambas as partes.

Por seu turno ,o Capitão de Fragata Miguel Paciência da Silva considerou de “extremamente  posítivas” as acções de formações desenvolvidas, em conjunto, com a marinha guineense e revelou  que vê-se a vontade dos militares da marinha guineense de colaborar com a de Portugal e vice-versa.

“ A intenção da marinha portuguesa é que haja continuidade e colaboração no futuro, e que as partes trabalhem, em conjunto, desenvolvendo acções de cooperação bilateral com o objectivo de facilitar eventuais operações reais conjuntas se preciso”,vincou Paciência.

O navio da Marinha Portuguesa está em Bissau desde o dia 24 de Maio ,para um conjunto de acções de formação, no âmbito da iniciativa ” Mar Aberto”,coordenada pelo Estado-maior General das Forças Armadas Portuguesas.

Durante a estadia de três dias, em Bissau, as duas marinhas  vão promover exercicios conjuntos ,simulácros de incêndio a bordo de navios  e treinos de destreza de botes . ANG/MSC//SG

 

  

      Malabo/Crises e terrorismo juntam chefes de Estado em cimeiras da UA

 
Bissau, 27 mai 22 (ANG) - As crises humanitárias e terrorismo e as "mudanças inconstitucionais de governo" juntam hoje (sexta-feira) e sábado duas dezenas de chefes de Estado do continente africano em duas cimeiras extraordinárias consecutivas da União Africana (UA) na capital da Guiné Equatorial.


A previsão que aponta para a presença física de cerca de 20 chefes de Estado - entre os quais, os Presidentes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe - é do país anfitrião dos dois eventos, que se realizam numa altura em que a UA estima que cerca de 113 milhões de africanos necessitam de ajuda humanitária de emergência em 2022.

A propagação do "terrorismo" levado a cabo por grupos extremistas islâmicos em todo o continente, e dois anos marcados por cinco golpes de Estado, quatro dos quais reconhecidos como tal pela organização pan-africana - que suspendeu das suas estruturas o Mali, Sudão, Burkina Faso e Guiné-Conakry - oferecem o contexto à segunda cimeira.

Os preparativos para os dois eventos começaram na passada quarta-feira na capital da Guiné Equatorial, com uma cerimónia de abertura de uma sessão do conselho executivo da UA e o discurso do presidente da sua comissão, o diplomata chadiano Moussa Faki Mahamat.

"Cerca de 113 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária em África, 48 milhões das quais são refugiados, requerentes de asilo e deslocados internos", afirmou Faki Mahamat.

Esta é uma necessidade "urgente" de ajuda em 15 países africanos mais afectados pelas crises, sublinhou pelo seu lado a UA através de um comunicado. A primeira Cimeira Humanitária Extraordinária, que também reunirá doadores internacionais, chamados a mobilizarem fundos, ocorre hoje.

Segundo a UA, "as necessidades humanitárias estão a aumentar rapidamente em África", particularmente "devido aos conflitos e choques climáticos (...), que aumentaram exponencialmente as necessidades humanitárias".

Mais de 30 milhões de pessoas estão deslocadas internamente no continente, incluindo mais de 10 milhões de crianças menores de 15 anos, de acordo com a UA, em consequência de vários conflitos intercomunitários em outras tantas regiões e à insegurança alimentar.

Num continente com 1,4 mil milhões de pessoas, cerca de 282 milhões padecem de subnutrição, um registo que representa aumento de 49 milhões em relação a 2019, segundo a agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Quanto à segunda cimeira, no sábado, intitulada "Terrorismo e mudanças inconstitucionais de governo", abordará "o terrorismo, uma gangrena que está progressivamente a infectar todas as regiões do continente, da Líbia a Moçambique, do Mali à Somália, através do Sahel, da Bacia do Lago Tchad e do leste da República Democrática do Congo", segundo o presidente da Comissão da UA.

"O terrorismo continua a espalhar a sua lei macabra com consequências consideráveis para as finanças, economias e segurança das populações", salientou Faki Mahamat.

"Quanto a mudanças inconstitucionais de governo, um flagelo recente mas felizmente ainda muito localizado no continente, [o fenómeno] marca um revés para os processos democráticos empreendidos em muitos países nos últimos vinte anos", lamentou ainda o diplomata chadiano.

Para Mahamat, "os períodos de transição estabelecidos na sequência destas mudanças inconstitucionais tornaram-se fontes de dissensão e, por vezes, de tensão, que são prejudiciais para a estabilidade dos Estados em causa e dos seus vizinhos".

No Mali, Sudão, Guiné-Conakry e Burkina Faso, os governos eleitos foram derrubados nos últimos dois anos por golpes militares. Em todos os casos, as juntas militares que assumiram o poder prometeram transições para o poder civil, mas ou em prazos não especificados ou considerados demasiado longos pela UA e pelas organizações sub-regionais, mas também pela União Europeia e por várias capitais ocidentais.

A UA e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), entre outros, impuseram sanções às juntas militares golpistas e suspenderam das suas estruturas os países palco destes golpes, mas os resultados das sanções tardam em manifestar-se.

Neste contexto, o Tchad tem gozado até agora de um estatuto de excepção, mas vários países denunciam uma alegada discriminação positiva de N'Djamena.

Em 20 de Abril de 2021, dia em que foi anunciada a morte do Presidente Idriss Déby Itno em circunstâncias misteriosas na frente de batalha, não obstante ter quase 70 anos e mais de 30 anos de poder absoluto do país, o mundo foi informado de que um dos seus filhos, o general Mahamat Idriss Déby Itno, passava a dirigir os destinos do Chade, à frente de uma junta de 15 generais, e demitia o governo, dissolvia o parlamento e revogava a Constituição.

Não obstante as semelhanças em relação a outras "mudanças inconstitucionais de governo", a UA, mas também a UE, com a França à cabeça, apoiaram imediatamente o novo líder chadiano, ainda que não reconhecessem, tivessem sancionado e viessem a sancionar golpistas militares noutros pontos do continente.

O argumento dessa discriminação assentou na promessa do novo autoproclamado líder chadiano promover a realização de eleições "livres e democráticas" no prazo de 18 meses, que deveriam ser o corolário de um "Diálogo de Reconciliação Nacional" ainda por começar, 13 meses após a morte de Déby.

Mahamat Idriss Déby Itno aventou há dias a possibilidade de prolongar o período de "transição" por mais 18 meses, uma "necessidade" igualmente divulgada por outros líderes golpistas, a começar pelo do Mali, coronel Assimi Goïta, que abriu a sucessão de assaltos ao poder em Agosto de 2020.ANG/Angop

 Cultura/"Músicos guineenses são abandonados pelo Estado" diz Presidente da Associação de músicos profissionais da Guiné-Bissau  

Bissau, 27 Mai 22 (ANG) – O Presidente da Associação de Músicos Profissionais da Guiné-Bissau afirmou que os músicos da Guiné-Bissau são abandonados pelo Estado, principalmente no que toca com o financiamento.

Justino Gomes Delgado falava, quinta feira, em entrevista à rádio Sol Mansi, no âmbito das celebraçãos do Dia Nacional da Música Moderna Guineense, que se assinala hoje(27).

A Associação, segundo um programa, vai celebrar a data com a deposição de corôa de flores na campa de José Carlos Schwartz, pioneiro da música moderna guineense, em Bissau e ainda  com realização de  palestras para recordar a data da sua morte.

"Única diferença que temos com músicos de outros países da África é ao nível financeiro.Nossos colegas de profissão de outros países têm a atenção dos seus Estados, digo isso,porque andei por vários países e conheço as suas realidades. Os comerciantes   recebem empréstimos  para fazer campanha de caju e os únicos que não têm apoio neste sentido são os artistas, disse."

Aquele músico afirmou que o setor “cultura e desporto” é o que mais evoluiu no país , quer em termos de música quer em termos de desporto. “Na hora de   divisão dos bolos, a arte e música ficam para trás, uma  grande injustiça”, considerou.

Juju como é conhecido no mundo da música realçou que, em termos de música não há nenhuma diferença entre artistas da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e outros, diz que  a diferença está no ser valorizado  pelo seu país e ter meios financeiros para fazer o seu trabalho.

O presidente da associação dos músicos considerou  “um desprezo à  cultura”,  o fato de o país não dispor de  nenhum anfiteatro para espetáculos, o que faz com que são utilizados estádios de futebol para concertos musicais.

Justino Delgado disse que o desprezo é total ao nível da cultura, ao ponto de haver um ministério de cultura mas sem infra-estruturas de cultura, a não ser um instituto de cinema.

Para Edson Gomes Ferreira, director de centro cultural  José Carlos Schwartz e também membro da associação dos escritores, este dia deve servir não só para dipositar flores na campa daquele que é considerado o pioneiro da música moderna guineense, mais também para  reflexão e debates sobre quais caminhos a cultura guineense deve seguir.

"Realmente o legado que José Carlos Schwartz deixou ao nível da sua composição musical, que continua atual, merece uma reflexão”, disse.

Edson Ferreira referiu que a  cultura guineense teve um periodio de auge, ao nível da música, nas décadas de 70 e 80 até nos primeiros anos da década de 90.

Disse que houve rotura nos últimos anos com esses períodos, pelo que é necessário que os músicos voltassem para o caminho de José Carlos.

Para Edson Gomes Ferreira cabe ao governo fazer com que  o palácio da cultura seja uma realidade no país, com pelo menos dois ou três salas de espetáculos, não só ao nivel de qualidade, mais também com a capcidade de acolher “o grande  público”. 

ANG/MI//SG