sexta-feira, 2 de setembro de 2022

         EUA/Resposta do Irão sobre acordo nuclear "não é construtiva"

Bissau, 02 Set 22 (ANG) - Os Estados Unidos lamentaram a resposta do Irão sobre um eventual regresso ao acordo nuclear de 2015, considerando que esta "não é construtiva", noticia hoje a Lusa.

Após dias de optimismo em torno de um compromisso entre as duas partes.

“Podemos confirmar que recebemos a resposta do Irão através da União Europeia. Estamos a estudá-la e vamos responder, mas infelizmente não é construtiva", disse um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano aos jornalistas.

O Irão está a negociar há 16 meses com a Alemanha, França, Reino Unido, Rússia, China e, indirectamente, com os Estados Unidos para restabelecer o acordo nuclear de 2015, que limitou o programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções.

O acordo foi abandonado em 2018 pelo então Presidente dos EUA, Donald Trump.

A União Europeia apresentou durante a última ronda de negociações, em Viena, no início deste mês, um "texto final", sobre o qual Washington e Teerão têm vindo a trocar pontos de vista mediados por Bruxelas.

O Irão enviou o seu parecer a 16 de Agosto, os Estados Unidos responderam a 24 de Agosto e o Governo iraniano respondeu na quinta-feira com um texto que Washington não considera construtivo.

Nos últimos dias, várias vozes tinham expressado optimismo quanto à possibilidade de se chegar a um acordo em breve.

"Estamos mais próximos de um acordo agora do que há semanas ou meses atrás", disse na quarta-feira o porta-voz da Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, indicando que Washington estava "cautelosamente optimista".

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também estava esperançado na possibilidade de um pacto "nos próximos dias".

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Hosein Amir Abdolahian, disse em Moscovo que uma decisão sobre o acordo poderia chegar "em breve", embora o Irão tenha solicitado o encerramento de uma investigação da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) sobre a origem dos vestígios não declarados de urânio encontrados no país, que poderiam indicar actividades encobertas.

Os EUA opuseram-se à possibilidade de o acordo nuclear depender do fim desta investigação da AIEA. ANG/Angop

 

Moçambique/Presidente Nyusi admite nova plataforma de gás para responder à procura europeia

Bissau, 02 Set 22 (ANG) - Moçambique e Portugal realizaram hoje em Maputo a quinta cimeira, na presença do primeiro-ministro português António Costa.

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, em declarações colhidas pela agência Lusa, afirmou estar-se a estudar a possibilidade de uma nova plataforma de gás por forma a responder à procura na Europa.

A cimeira luso-moçambicana devia ter ocorrido aquando de uma deslocação de António Costa em Julho, o elevado risco de incêndios em Portugal, na altura, implicou este adiamento.

Costa participa até esta sexta-feira num Fórum de negócios e visita também a FACIM, Feira Internacional de Maputo e avista-se com a comunidade lusa na antiga colónia do Oceano Índico, para além de se avistar com soldados portugueses e a força europeia que ali se encontra.

A crise energética com que a Europa se debate, devido aos cortes russos subsequentes à invasão da Ucrânia, foram também alvo de debate, temendo-se um cenário de racionamento de energia no velho continente.

A Bacio do rio Rovuma, no norte de Moçambique, é tida como das maiores reservas de gás do planeta.

Dois projectos, em terra, estão, porém, suspensos devido à instabilidade na província nortenha de Cabo Delgado, palco de violência extremista islâmica desde 2017 (da Total e da Exxon Mobil).

Apenas um, no Oceano Índico, estaria prestes a exportar gás, o da Coral Sul, cuja produção deveria ser vendida integralmente à BP durante 20 anos, com a hipótese de mais 10 renováveis para responder à procura.

O chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, admitiu estar-se a ponderar numa nova plataforma de gás para responder ao aumento da procura, nomeadamente na Europa, mas também em África. ANG/RFI

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Saúde/Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló assume presidência da Aliança dos Líderes Africanos contra Malária(ALMA)

Bissau,01 set 22(ANG) – O Presidente da República Úmaro Sissoco Embaló assumiu a presidência da Aliança dos Líderes Africanos contra a Malária(ALMA), cargo que vinha sendo exercido pelo chefe de Estado queniano, Uhuru Kenyatta.

Segundo um comunicado à imprensa da Presidência da República enviado à ANG, esta aliança “ALMA” foi fundada em 2009 com o objectivo de erradicar a Malária em África até 2030, e congrega 55 Chefes de Estado e de Governo do  continente africano.

"O paludismo continua a ser uma grande ameaça à saúde e ao desenvolvimento económico e social do nosso continente. Estou empenhado em garantir que a luta contra o paludismo permaneça no topo da agenda política da União Africana e, em geral, da comunidade internacional”, afirmou Umaro Sissoco Embaló, ao assumir a Presidência da ALMA, de acordo com o comunicado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde(OMS), os países africanos são responsáveis por 96% dos casos de malária no mundo e 98% das mortes por esta doença.

Em 2020, a OMS estimou que mais de 600 mil africanos morreram de malária, sendo que 80% eram crianças com idade inferior a cinco anos de idade. A África não atingiu a meta de 2020 fixada pela União Africana de reduzir a incidência e a mortalidade da malária em 40%.

A eliminação do paludismo em África, de acordo com a OMS,  passa pela construção de sistemas de saúde mais resilientes, que salvará milhões de vidas e contribuirá para o progresso económico e social no continente africano, nomeadamente, para a implementação com êxito, da “Agenda 2063 - A África que queremos”.

O comunicado à imprensa da Presidência da República informa que empenhados na luta pela erradicação da malária, os líderes africanos que convergem os seus esforços no âmbito do Quadro Catalítico para eliminar a SIDA, a Tuberculose e a Malária em África até 2030, consideram essencial a reposição do Fundo Global para esse efeito, o mais brevemente possível.

O comunicado refere que, ao assumir à escala continental, mais esta responsabilidade internacional, o Presidente Úmaro Sissoco Embaló vai-se empenhar na sensibilização e mobilização de recursos financeiros e outros, junto de parceiros de desenvolvimento, tendo em vista um combate eficaz à esse flagelo, com base em políticas públicas consistentes.  ANG/ÂC//SG

Política/JRS anuncia realização da 2ª Academia de Formação Política e Ideológica para os dias 10 à 17 de setembro

Bissau, 01 Set 22(ANG) – A Juventude da Renovação Social(JRS), anunciou hoje a realização da 2ª Academia de Formação Política e Ideológica “Dr. Koumba Ialá”, para os dias 10 à 17 de setembro do ano em curso sob o lema”Liderar com Juventude”.

Ao presidir a cerimónia do lançamento da referida iniciativa de debate  académico, o Presidente da Juventude da Renovação Social(JRS), disse que a 1ª  Academia realizada no ano passado foi um sucesso, porque permitiu aos jovens participantes discutirem vários temas fundamentais para os seus crescimentos político e ideológico.

Vladimir Djomel afirmou que no ano em curso, o evento vai decorrer após um retiro efetuado recentemente pela atual direção da JRS, no sector de Bula, onde foram definidos os eixos para a concretização prática da 2ª edição da Academia.

Segundo aquele responsável, o evento visa capacitar os jovens da Renovação Social para que  possam ter condições de continuar as suas atividades políticas de uma forma mais estruturada e inserida naquilo que é a programação da direção superior do Partido da Renovação Social(PRS).

Djomel informou que, no presente ano, a Academia vai contar com as presenças de dois antigos chefes de Estados africanos, nomeadamente Abdou Diouf do Senegal e Jorge Carlos Fonseca de Cabo Verde.

“As presenças dos dois ilustres ex. chefes de Estado serão um importante capital para a nossa organização juvenil e confirmará o seu estatuto de ser a juventude partidária mais estruturada do país”, disse.

A 2ª Academia de Formação Política e Ideológica “Dr. Kumba Ialá”, que irá decorrer no complexo hoteleiro de Uaque, no sector de Mansoa, contará com a participação de 100 jovens da JRS vindos de todas as regiões do país e da capital Bissau.

Durante o evento serão orados temos como, “Diálogo Estratégico, Juventude, Inovação, Estratégia e Digitalização, “Técnicas de Comunicação e Elaboração de Discursos, “Sistemas de Ideologias Políticas onde se situa o PRS”, Crescimento Económico e a Problemática de Reforma Fiscal”, entre outros. ANG/ÂC//SG



Política/Florentino Mendes Pereira eleito “cabeça de lista” do PRS para legislativas de 18 de Dezembro

Bissau,01 Set 22(ANG) – Florentino Mendes Pereira foi eleito “cabeça de lista” do Partido da Renovação Social(PRS) nas próximas eleições legislativas antecipadas de 18 de Dezembro do ano em curso.

Nas primárias realizadas quarta-feira pelos membros da Comissão Política Nacional do PRS, o antigo Secretário-geral dos renovadores obteve 193 votos, contra 50 de Dionísio Cabi e 11 de Faustino Fudut Imbali, havendo o registo de   1 voto em branco, num universo de 257 votantes.

Em declarações à imprensa, Florentino Mendes Pereira afirmou que o sucesso dos renovadores nas próximas eleições legislativas de 18 dezembro próximo dependerá da união e coesão interna no partido.

Mendes Pereira recomendou aos militantes a trabalharem “seriamente” nas bases para confirmar que o PRS é um partido alternativo ao poder.

O antigo secretário-geral do PRS defendeu que é preciso voltar atrás para honrar a memória dos fundadores do partido, pelo trabalho feito para que hoje os militantes dessa formação política possam gozar do privilégio político que têm.

“Alberto Nambeia demostrou a sua maturidade política em renunciar ao cargo de cabeça de lista do partido, dando assim aos militantes a oportunidade para escolherem outras figuras. Portanto, não há vencedor nem perdedor, aliás, é o PRS que sai a ganhar”, salientou.

Faustino Imbali e Dionísio Kabi, ambos candidatos derrotados, felicitaram Florentino Mendes Pereira pela sua eleição, e apelaram aos militantes e os dirigentes a demonstrarem a mesma maturidade nas próximas eleições legislativas de 1
8 de Dezembro. ANG/ÂC//SG

          Comunicação Social/Órgãos públicos iniciam greve de três dias

Bissau, 01 Set 22 (ANG) -  Jornalistas e técnicos de órgãos de Comunicação Social estatal iniciaram esta quinta-feira uma greve de três dias, em reivindicação de pagamento de cinco meses de subsídios em dívida para com os profissionais da área em processo de efetivação na Função Pública.

A paralisação  foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Profissionais de Órgãos Públicos da Comunicação social(Sinpopucs).

No  pré-aviso de greve ainda figuram outras três reivindicações, nomeadamente a conclusão do processo de efetivação,  o seguimento do projeto de Estatuto Rumunenatório dos profissiionais da Comunicaçao social e exclarecimentos sobre a Taxa Audiovisual ,cujas receitas são destinadas ao apoio ao funcionamento dos  órgão públicos.

Numa reunião quarta-feira com a comissão negocial dos grevistas, o repesentante do Ministerio das Finanças, o Diretor-geral do Orçamento, Ilísio Gomes Sá garantiu o pagamento, até sexta-feira, de quatro meses de subsídios. Em dívida estão 22 meses, segundo o Sinpopucs.

Relativamente a Taxa Audiovisual, Sá recomendou que se fizesse diligências junto da EAGB, empresa que procede a cobrança da referida Taxa para se apurar do montante já cobrado.

Segundo Ilísio,  a EAGB procedeu, apenas duas vezes, a entrega ao Tesouro Público das cobranças feitas, e sabe-se que as cobranças relacionadas a Taxa Audiovisual iniciaram em Julho do ano passado.

Quanto  a primeira reivindicação, (Conclusão do perocesso de efetivação) foi comunicado ao Sinpopucs a decisão do Ministério da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social de dar início ao processamento dos nomes de jornalistas e técnicos, mais de 50, cujos os processos já se encontram neste ministério com o Visto do Tribunal Administrativo, a fim de o mais depressa possivel poderem comecar a receber os seus salários. São ao todo 100 candidatos à efetivação na Função Pública.

Da reivindicação de seguimento do projeto de estatuto remuneratório cuja Comissão had-hoc é criticada de não estar a funcionar acordou-se que a Secretária-geral do MCS diligenciasse para que o Sinpopucs possa ter informações sobre o porquê da infuncionalidade da comissão criada pelo MCS para elaborar o referido Estatuto.

Estando o processo de efetivação já na fase conclusiva e fora da alçada do Ministério da Comunicação Social, e garantido que já está o pagamento de quatro dos cinco meses de subsídios reivinidcados, a representante do Ministério da Administração Pública,Trabalho,Emprego e Segurança Social, na reunião, solicitou que seja suspensa a greve mas os representantes da Comisão Negocial do Sinpopucs não aceitaram.

Seco Baldé Vieira, chefe da comissão negocial dos grevistas escusou-se a dar resposta, de imediato, a solicitação,  alegando necessidade de consultas a direção do Sinpopucs, que  acabou por decidir pela observação da greve .

São órgãos públicos da Comunicação Social, a Agência de Notícias da Guiné (ANG), o Jornal Nô Pintcha, a Rádiodifusão Nacional (RDN)e  Televisão da Guiné-Bissau (TGB) ANG//SG

 

Rússia/Lista de oligarcas  “suicidas” aumenta com morte de presidente da petrolífera Lukoil

Bissau,  01 Set 22(ANG) – A longa lista de oligarcas russos a morrer em circunstâncias atribuídas pelas autoridades a “suicídio”, imediatamente antes e após a invasão da Ucrânia, aumentou hoje com a morte do presidente da petrolífera Lukoil, Ravil Maganov.

O presidente da Lukoil, petrolífera russa que havia lamentado “os trágicos acontecimentos na Ucrânia”, morreu hoje após cair de uma janela do Hospital Clínico Central de Moscovo, onde estava internado, informaram as agências russas Interfax e TASS.

Sete oligarcas russos, sobretudo da indústria de petróleo e gás, morreram recentemente em circunstâncias duvidosas, que as autoridades classificam como suicídio, de acordo com uma contabilização recente da Deutsche Welle.

Foi o caso, a 19 de Abril, do milionário Sergei Protosenya, em Lloret de Mar (Espanha), que foi encontrado enforcado na sua residência, juntamente com a mulher esfaqueada.

Na mesma altura, o oligarca Vladislav Avayev, foi encontrado morto no seu apartamento de luxo em Moscovo, juntamente com a sua esposa e filha de 13 anos.

No final de Janeiro, um mês antes de as tropas russas invadirem a Ucrânia, Leonid Schulman, um executivo de topo da Gazprom, também morreu em circunstâncias classificadas como suicídio.

De forma semelhante, a 24 de Março o bilionário Vasily Melnikov, executivo da gigante empresa de equipamentos médicos MedStom, foi encontrado morto ao lado da esposa, Galina, e dos dois filhos menores, no seu apartamento na cidade russa de Ninzhni Novgorod.

A 25 de Fevereiro, Alexander Tyulyakov, outro ex-executivo da Gazprom, foi encontrado morto em casa em São Petersburgo.

Três dias depois, Mikhail Watford, magnata do petróleo e gás nascido na Ucrânia, também foi encontrado morto na garagem da sua propriedade rural em Surrey, no sul da Inglaterra.

Andrei Krukovsky, director da estância de ski Krasnaya Polyana, localizada perto de Sochi, e segundo a imprensa russa frequentada pelo presidente Vladimir Putin e seus convidados, foi encontrado morto após uma queda de um penhasco, de acordo com o jornal russo Kommersant.

Hoje, disse uma fonte anónima à Interfax, Ravil Maganov “caiu da janela do seu quarto no Hospital Clínico Central e morreu devido aos ferimentos”.

Maganov, de 67 anos, tinha sido hospitalizado devido a um ataque cardíaco e estava a tomar antidepressivos, segundo a mesma fonte.

A agência TASS indicou, citando fontes policiais, que o incidente foi considerado “morte por suicídio” e ocorreu às 07:00 locais.

Em Março, após a invasão da Ucrânia, a Lukoil não expressou apoio a esta decisão do Kremlin, ao contrário de outras empresas públicas e privadas russas, e pelo contrário deu a entender a sua desaprovação.

Em comunicado aos accionistas, o conselho de administração da petrolífera expressou na altura “as suas mais profundas preocupações com os trágicos eventos na Ucrânia”.

O presidente da Lukoil trabalhou desde 1993 na petrolífera em cargos executivos, tendo sido o primeiro vice-presidente executivo e supervisionado a exploração e produção.

Em 2020, o conselho de administração da Lukoil nomeou Maganov como presidente para o lugar de Valeri Greifer, que faleceu em Abril daquele ano.

ANG/Inforpress/Lusa

 

        Rússia/Putin não vai ao funeral de Gorbachev, anuncia Kremlin

Bissau, 01 Set 22 (ANG) - O presidente russo, Vladimir Putin, não vai estar pres
ente no funeral do último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, este sábado, devido a restrições de agenda, segundo o Kremlin (presidência russa).

A informação foi conhecida numa conferência de imprensa, citada pela agência Reuters, em que o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, terá dito que Putin prestou as suas homenagens ao antigo líder já esta manhã quando visitou o Hospital Clínico Central de Moscovo, onde Gorbachev morreu, na terça-feira.

Assim, não deverá estar presente no funeral devido a restrições de agenda.

Apesar de não estar presente, o actual presidente deixou uma mensagem de condolências divulgada quarta-feira, onde fala de "um político e estadista que teve uma grande influência na História mundial".

Recorde-se que o corpo de Gorbachev estará em câmara ardente durante algumas horas, das 10h00 às 14h00 locais (das 06h00 às 10h00 hora de Bissau), e o público terá acesso ao local.

Segundo confirmação do porta-voz da Fundação Gorbachev, citado pela agência espanhola EFE.

Quanto a um funeral, que em princípio não será de Estado mas aberto ao público, este decorrerá durante estas horas no Salão das Colunas da Casa dos Sindicatos, em Moscovo.

O ex-líder da União Soviética Mikhail Gorbachev morreu na terça-feira, dia 30 de Agosto, aos 91 anos.

Entretanto, o Papa Francisco lamentou quarta-feira a morte do antigo líder soviético Mikhail Gorbachev, que morreu na terça-feira num hospital de Moscovo, lembrando-o como um respeitado homem de Estado.

Num telegrama enviado à filha de Gorbachev, Irina, Francisco declarou que o antigo líder soviético foi "um respeitado homem de Estado".

"Gostaria de oferecer as minhas mais sinceras condolências a todos os membros da sua família e a todos que viram nele um respeitado homem de Estado", escreveu Francisco numa comunicação surpreendente,

Já que não foi escrita pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, como é habitual nestes casos.

Francisco também lembrou "com gratidão o seu compromisso perspicaz com a harmonia e a fraternidade entre os povos" e "com o progresso do seu país num momento de mudanças importantes".

O diário L'Osservatore Romano também prestou homenagem ao ex-líder soviético e colocou na primeira página da edição desta quarta-feira uma imagem do encontro histórico no Vaticano entre Gorbachev e João Paulo II, em 01 de Dezembro de 1989, com o título "Um humanista visionário".

O funeral do último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que morreu na terça-feira aos 91 anos, irá realizar-se no sábado, 03 de Setembro, em Moscovo, indicaram hoje as agências noticiosas, citando a filha e a fundação do político.

Gorbachev, que conduziu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) desde 1985 até ao seu colapso em 1991, morreu na noite de terça-feira em Moscovo, devido a uma "longa e grave doença", avançou o Hospital Clínico Central de Moscovo, onde estava a ser tratado. ANG/Angop

 

Diplomacia/EUA instam China a reactivar canais de diálogo suspensos desde visita de Pelosi a Taiwan

 Bissau, 01 Set 22(ANG) – Os Estados Unidos instaram a China a reactivar os mecanismos de cooperação, como os relativos às alterações climáticas, suspensos por Pequim após a polémica visita a Taiwan da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

“Instamos a China a reabrir estes canais de comunicação bilateral, como para as alterações climáticas, devido ao impacto global que têm”, realçou um dos porta-voz para a Casa Branca, John Kirby.

Na sequência da visita da democrata Nancy Pelosi a Taiwan, em 02 de Agosto, a China anunciou a suspensão da cooperação em vários assuntos como judiciais, repatriação de imigrantes ilegais, assistência judiciária criminal, luta contra crimes transnacionais e conversas sobre o combate às alterações climáticas.

Ambas as superpotências ficaram sem mecanismos de cooperação num momento em que a tensão no estreito de Taiwan está no nível mais elevado desde a década de 1990, com manobras militares chinesas perto da ilha e navios de guerra dos EUA a navegarem nas proximidades.

Apesar da suspensão destes mecanismos de colaboração, Pequim e Washington mantêm canais de comunicação de “alto nível” abertos, garantiu John Kirby.

O porta-voz da Casa Branca explicou que o embaixador dos EUA no Canadá, David L. Cohen, amigo de longa data do Presidente Joe Biden, está a desempenhar um papel central nessas comunicações e fala todos os dias com autoridades chinesas sobre vários assuntos.

Antes da visita de Pelosi a Taiwan, a Casa Branca estava a realizar preparativos para um encontro entre Biden e o homólogo chinês, Xi Jinping.

Kirby acrescentou esta quarta-feira que ainda há “esforços ativos” para realizar o encontro entre os dois líderes, embora possíveis datas e locais ainda estejam sendo discutidos.

A tensão entre Washington e Pequim aumentou desde a viagem de Pelosi a Taiwan, a primeira de líder da Câmara dos Representantes dos EUA à ilha em 25 anos.

Taiwan é uma das principais fontes de atrito entre a China e os Estados Unidos, principalmente porque Washington é o principal fornecedor de armas de Taiwan e seria o seu maior aliado militar no caso de uma possível guerra com a China.

A China, por sua vez, reivindica soberania sobre a ilha e considera Taiwan uma província rebelde desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para lá em 1949, depois de perder a guerra civil contra os comunistas.

ANG/Inforpress/Lusa

             Sudão do Sul/Censura  força jornalistas a deixar a profissão

Por GARANG A. MALAK

Bissau, 01 Set 22 )ANG) - Desde 1992, pelo menos dez jornalistas sul-sudaneses morreram   enquanto trabalhavam, a maioria assassinados, de acordo com o    Comité de Proteção a Jornalistas.

"Se você quer morrer cedo no Sudão do Sul, trabalhe na mídia", disse a jornalista Adia Jildo durante uma cerimônia do  MDI Meda Award, em Juba.

O Sudão do Sul ocupa a posição 128 dentre 180 países no ranking do  Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, com jornalistas enfrentando censura, ameaças, intimidação, prisões ilegais e morte. Além disso, jornalistas passam por traumas devido ao trabalho sob  violência constante, e frequentemente não têm condições de arcar com ajuda psicológica devido aos baixos salários.

Como resultado, muitos jornalistas passaram a trabalhar para  ONGs e o setor privado em busca de melhores salários e ambiente de trabalho mais seguro, esvaziando o setor de mídia no país, que já passa por dificuldades. As ameaças contra os jornalistas da  Eye Rádio, uma estação independente financiada pela USAID e fonte de notícias em Juba, é um caso emblemático dos obstáculos impostos à liberdade de imprensa no Sudão do Sul.

Oliver Modi, jornalista e ex-chefe do  Sindicato dos Jornalistas do Sudão do Sul, diz que a situação dos profissionais de mídia no país é dura. Ele destaca um episódio de jaNEIRO DE 2015, quando "cinco jornalistas foram baleados, feridos com facões e tiveram seus corpos queimados em uma emboscada no estado de Bahr al-Ghazal Ocidental. "Em março de 2022, o ex-editor da Eye Radio,woja Emmanuel Wani, foi sequestrado na capital Juba, torturado e envenenado antes de conseguir escapar", acrescenta. 

"Eu fui ameaçado com uma arma e forçado a entrar no carro", diz Wani. "Eles me levaram para um lugar desconhecido onde me questionaram sobre questões políticas e me drogaram." Emmanuel ainda não sabe a identidade dos sequestradores. 

As ameaças também incluem prisões e detenções pela segurança estatal. O premiado jornalista Charles Wote Jordan, produtor do "Dawn Show" da Eye Radio, descreve o setor de mídia no Sudão do Sul como "assustador". Enquanto ele fazia uma reportagem sobre o Acordo Revitalizado para Resolução de Conflitos no Sudão do Sul (R-ARCSS), a principal ferramenta de governo do país, Jordan foi preso junto com outros jornalistas no Parlamento Nacional. 

"O ambiente não é justo quando se trata de cobrir questões [relativas] ao [R-ARCSS]", diz. "Mesmo quando a mídia foi convidada, a segurança do parlamento disse que a gente não deveria estar lá. Eles detiveram sete jornalistas por horas e depois fomos liberados sem nenhuma explicação para a detenção." 

Além das ameaças diretas contra seus repórteres, a Eye Radio também enfrenta ameaças de encerramento das operações e censura.

"Devido às ameaças e outros desafios maiores, existe censura. Nós mesmos nos censuramos, principalmente porque estamos criando uma base no Sudão do Sul", diz Koang Pal Chang, gerente da Wye Rádio, se referindo à relativamente nova presença do jornalismo independente no país. "Além da censura, outros obstáculos são a falta de acesso à informação e a necessidade de profissionalização do trabalho jornalístico", diz Chang. 

Em 2016, a Eye Radio foi temporariamente fechada pelo Serviço de Segurança Nacional do Sudão do Sul por transmitir o trecho de um áudio do então líder de oposição e atual primeiro vice-presidente Dr. Riek Machar, que na época vivia no exílio em Cartum, capital do Sudão.  

"A assessoria de imprensa da Segurança Nacional perguntou por que não demos o crédito ao veículo do qual pegamos o áudio. Eu me lembro deles falarem: 'se vocês estivessem em uma área controlada pela oposição, vocês transmitiriam a voz do presidente Salva Kiir?", diz Koang. Foram necessárias duas semanas de lobby por parte da rádio e de seus dois milhões de seguidores para a estação voltar ao ar.

Há seis meses, a Eye Radio sofreu mais censura ao ser forçada a se desculpar por uma matéria que foi considerada crítica ao governo. O veículo interpretou uma fala do ministro da informação Michael Makuei, que disse que "os sul-sudaneses estão de saco cheio de nós" como "os sul-sudaneses estão de saco cheio de seus líderes" — a Eye Radio foi pressionada a se desculpar por essa tradução ou corria o risco de ser fechada.

"O que aconteceu recentemente vai além do jornalismo", diz Koang, que atribuiu o pedido de desculpas forçado à aversão pessoal do ministro pela Eye Rádio. "Alguns de nós até nos recusamos a apoiar a decisão das desculpas, mas tivemos que [nos desculpar], pois muitos sul-sudaneses precisam da rádio." 

Chang diz que o futuro da liberdade de imprensa no país ainda é sombrio, e mesmo que existam organizações que defendem os jornalistas, como o  Sindicato dos Jornalistas do Sudão do Sul,  a  Associação para o Desenvolvimento de Media no Sudão do Sul, o Clube de Imprensa do Sudão do Sul e o  Clube de Imprensa Nacional muito ainda precisa ser feito ao nível governamental para melhorar a situação da mídia no país.

"Os investidores de mídia e as várias partes interessadas precisam fazer esforços continuamente para [informar] as autoridades sobre a importância do desenvolvimento da mídia", diz Koang. ANG/IJnet


 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022


Política/
Botche Candé nega envolvimento no processo de impedimento da realização do X Congresso do PAIGC

Bissau, 31 Ago 22 (ANG) – O líder do Partido dos Trabalhadores Guineense (PTG), negou ter envolvimento no processo de impedimento da realização do X Congresso do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde(PAIGC).

Botché Candé falava à imprensa na terça-feira na sede do seu partido sobre o balanço de viagem de 10 dias à Portugal.

“Se o PAIGC não participar nas próximas eleições legislativas, não haverá a paz no país, que Deus nos ajude para que o PAIGC realize o seu Congresso, para podermos encontrar no terreno e sermos julgados pelo povo, assim saberemos quem será vencedor”, disse Candé.

O político disse na ocasião, que os juízes, doutores e engenheiros do PAIGC não percebem que o ministro do Interior não podia atuar sem ordens dos Tribunais, frisando que, por isso duvida se os seus dirigentes e militantes são letrados.

Segundo Botché Candé, pela sua capacidade, o líder do PAIGC Domingos Simões Pereira, não podia permitir a referida acusação contra sua pessoa, tendo solicitado à juventude do PTG para darem aulas aos militantes do partido dos libertadores, que segundo ele, não estão preparados.

“Eu na qualidade de ministro do Interior, simplesmente cumpri com as ordens judiciais em colocar policiais no local onde devia decorrer o Congresso do PAIGC”, salientou.

As  forças da ordem impediram a realização do Congresso que devia ter inicio às 16H00 do passado dia 19 de agosto e ainda não permitiram que militantes e dirigentes entrassem na sede do parido, em Bissau.

Trata-se da terceira vez que o X Congresso é adiado por impedimento judicial, sustentado por uma queixa de um militante de nome Bolon Conté contra o partido por alegações de irregularidades na escolha de delegados ao congresso.

Botche Candé sublinhou que, durante a sua estadia em Portugal, recebeu garantias dos emigrantes guineenses de que  os próximos deputados da diáspora serão do seu partido.

O líder do PTG disse que em Portugal manteve contatos com os aliados do partido. ANG/MI/ÂC

CPLP/Militares e civis  já podem candidatar-se à 3ª edição do Colégio de Defesa da comunidade lusófona

Bissau, 31 Ago 22(ANG) – Os militares e civis da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) já podem candidatar-se à 3ª edição do Colégio de Defesa da Comunidade que será realizada de 19 a 23 de Setembro de 2022, em formato online.

Segundo uma nota informativa, o evento é organizado pelo Instituto Universitário Militar de Portugal (IUM) e irá contemplar o «Curso de Geopolítica de África: o Papel da CPLP na Segurança Regional».

O Colégio de Defesa da CPLP, de acordo com a mesma fonte, é “um fórum de formação em assuntos de Defesa, projectado para militares e civis dos Estados-membros da CPLP, que promove a capacitação de oficiais das Forças Armadas, das forças de segurança e técnicos superiores dos Estados-membros da CPLP, bem como a cooperação, o intercâmbio e a partilha de conhecimentos e experiências.

A proposta para desenvolver a criação de um Colégio de Defesa da CPLP foi apresentada na XVI reunião de ministros da Defesa da CPLP, decorrida em São Tomé a 26 de Maio de 2015.

Na XVII reunião de ministros da Defesa da CPLP, de 19 de Maio de 2016, em Díli, foram aprovados os Termos de Referência que fundam o Colégio de Defesa da CPLP, tendo o Regulamento sido aprovado na XVIII Reunião de Ministros da Defesa da CPLP, em Malabo, a 25 de Maio de 2017.

Na altura, as Forças Armadas da CPLP salientaram que “os objectivos delineados para a reunião foram amplamente atingidos, sublinhando-se a profundidade da reflexão e o amplo consenso em todos os assuntos debatidos, em particular no âmbito da avaliação da situação político-militar e das questões de defesa”.

ANG/Inforpress/Fim

 

Angola/ Jornalistas  dizem que processo eleitoral “não foi justo nem transparente”

Bissau, 31 Ago 22(ANG) – A missão de observação eleitoral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) considerou terça-feira que o processo eleitoral de 24 de Agosto “não foi de todo justo nem transparente”.

Em causa, segundo a missão, está o facto de a imprensa ter tratado “de forma desigual os concorrentes às eleições gerais antes e durante a campanha eleitoral” e os partidos concorrentes duvidarem do apuramento nacional, no Centro Nacional de Escrutínio.

Por outro lado, “a divulgação inicial dos resultados pela Comissão Nacional Eleitoral” não respeitou a legislação, “segundo o qual a divulgação dos resultados gerais provisórios de cada candidatura dever ser feita por círculo eleitoral”, alertam os jornalistas.

“Os concorrentes às eleições não tiveram efectivo conhecimento do número real de eleitores, dada a presença, no Ficheiro Informático de Cidadãos Eleitores, de cidadãos falecidos”, salientaram.

No relatório de balanço da missão, o SJA referiu que o processo eleitoral “foi livre e pacífico” e os eleitores “exerceram o seu direito sem qualquer constrangimento”.

A missão, liderada pela jornalista Luísa Rogério, trabalhou em quatro províncias do país, Luanda, Bengo, Namibe e Lunda Norte.

Sobre a desigualdade da cobertura mediática, favorecendo o partido vencedor, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o sindicato recordou que se “impõe o dever da comunicação social assegurar os princípios do contraditório e de igualdade de tratamento durante a campanha e em programas da sua iniciativa”.

No entanto, “muitos jornalistas, em todo o território nacional, não foram acreditados para cobertura eleitoral, em virtude de a Comissão Nacional Eleitoral ter concentrado o processo, em Luanda, no Centro de Imprensa Aníbal Melo”.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) “não divulgou as listas dos eleitores até 30 dias da data marcada para eleições”, tendo-se verificado a “deslocalização de um grande número de eleitores”.

A missão recomenda a “transferência de competências de regulação para uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que seja de facto independente e capaz de fiscalizar a actuação dos órgãos de comunicação social em épocas eleitorais e não só”.

O sindicato recomendou que “os jornalistas respeitem sempre o interesse público, fundamento da sua actividade, assim como as incompatibilidades estabelecidas na Lei sobre o Estatuto dos Jornalistas e no Código de Ética e Deontologia”.

Além disso, a missão também recomendou “a reformulação da composição e o funcionamento da Comissão Nacional Eleitoral, conforme proposta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral”.

A CNE anunciou na segunda-feira que o MPLA venceu as eleições em Angola com 51,17% dos votos contra 43,95% da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

O MPLA arrecadou 3.209.429 de votos, elegendo 124 deputados, e a UNITA conquistou 2.756.786 votos, garantindo 90 deputados.

O plenário da CNE proclamou assim Presidente da República de Angola, João Lourenço, cabeça de lista do MPLA, o partido mais votado, e vice-presidente, Esperança da Costa, segunda da lista do MPLA.

No discurso de vitória, João Lourenço congratulou-se com a vitória, a quinta, coincidindo com as eleições realizadas em Angola, apesar do partido ter perdido um milhão de votos, no pior resultado de sempre.

ANG/Inforpress/Lusa

 

             GIABA/Novo Director-geral   visita Guiné-Bissau em Setembro   

Bissau, 31 Ago 22 (ANG) – O novo Director-geral do Grupo de Acção contra o Branquiamento de Dinheiro em África Ocidental (GIABA), Edwin Harris efectuará uma visita de trabalho de três dia ao país, em setembro do ano em curso.

Segungo uma nota à imprensa do Gabinete de Comunicação do Ministério das Finanças, à que a Agência de Notícias da Guiné (ANG) teve acesso, a  visita do Edwin Harris à Guiné-Bissau tem como objetivo apresentar  aos paises membros da organização as suas prioridades de trabalho.

Entre as prioridades eleitas pelo DG da GIABA, segundo a Nota do Ministério das Finanças, consta a criação  de uma plataforma de chefes militares na região, de partilha de  experiências na luta contra o terrorismo em África Ocidental.

Aquele responsável pertende por outro lado, promover formações sobre as tendências das células terroristas aos chefias militares  da região, a fim de estarem preparados para lutarem contra acções terroristas  na comunidade.

Durante os três dias(5/7) de estada na Guiné-Bissau, o novo DG da GIABA vai  promover encontros com o Chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló,  o Primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, a Ministra de Justiça e Direitos Humanos, Tereza Alexandrina da Silva e por último com o Ministro do Estado e do Interior  e da Ordem Pública,Botche Candé.ANG/LLA//SG

    



 

Função pública/”Subida do custo de vida no país é notória, mas ninguém fala em aumentar salários” diz Júlio Mendonça

Bissau,31 Ago 22(ANG) - O secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), Júlio Mendonça, afirmou terça-feira que o aumento de custo de vida no país é notório, mas que ninguém fala em aumentar os salários.

“É de lamentar porque na verdade os trabalhadores guineenses já viviam na penúria e as novas medidas agravaram a situação dos trabalhadores. Hoje, é notório o  aumento dos preços de todos os produtos de primeira necessidade, o custo de vida aumentou, mas ninguém fala de aumento dos salários”, disse à Lusa Júlio Mendonça.

O secretário-geral da maior central sindical do país referia-se aos impostos instituídos pelo Governo em plena pandemia.

“Ninguém fala em acrescentar uma percentagem no salário dos trabalhadores para recuperarem o poder de compra, ninguém fala, nenhum membro do Governo, nem o Presidente da República, que por sinal é quem dirige este Governo”, lamentou o dirigente sindical.

A falta de poder de compra dos guineenses agravou-se com a pandemia de covid-19 e com a situação económica mundial e a sociedade civil e sindicatos têm alertado as autoridades governamentais para o impacto que a falta de medidas está a ter na vida dos guineenses.

“Durante os dois anos de exercício de funções deste executivo os trabalhadores já experimentaram todo o nível de sofrimento”, afirmou Júlio Mendonça.

“É óbvio que estamos em vésperas de eleições e já estão a desfilar mentiras para enganar o povo de novo. A única coisa que sabem fazer é mentir ao povo”, considerou.

A Guiné-Bissau prepara-se para realizar eleições legislativas em 18 de dezembro, depois de o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, ter decidido dissolver o parlamento.

Questionado sobre se admite realizar novas formas de luta, tendo em conta a proximidade das legislativas, Júlio Mendonça salientou que durante um ano fizeram greves para consciencializar as pessoas, mas que o povo “não andou” com a UNTG.

“Abandonaram a luta e hoje estamos a sofrer as consequências. Se tivessem agido, o Governo não teria espaço de manobra para tomar muitas medidas. É óbvio que nunca descartamos adotar novas medidas reivindicativas para pressionar o executivo”, disse, salientando que é preciso os sindicatos reorganizarem-se.

Para Júlio Mendonça é necessário regressar à luta, porque os governantes estão “mais preocupados em angariar fundos, através da corrupção, para poder alimentar a máquina partidária e sustentarem as campanhas políticas dos seus partidos”.

“Enquanto patriotas estamos todos a sofrer com a desgovernação deste país, que não é de hoje. Vamos voltar às ruas com as nossas manifestações”, afirmou, acrescentando que os guineenses têm “má sorte” com os governantes que “não têm espírito patriótico” e “noções de administração”.

Não há no mercado interno produtos de primeira necessidade que não tenha registado aumento de preços, inclusive os produtos produzidos localmente.


Por exemplo, o saco de arroz de 50 kg tipo “nhelem normal” que custava 16,500 francos CFA é agora vendido à 18,500, um kg de peixe (1ª qualidade) que era vendido num preço de 2,500 é agora 3.500 francos, óleo alimentar saiu de 1.400 para 1.700, um kg de açucar que custava 500 francos subiu para 700, batata doce passou para 700 francos por quilo, contra os 500 vendidos anteriormente.
ANG/Lusa